Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 29 de abril de 2012

José Ramos Tinhorão - 100 anos de Nelson Cavaquinho - 29 de outubro de 2011



Agora em outubro, serão lembrados os 100 anos de Nelson Cavaquinho, uma das maiores expressões da nossa música, “reconhecido oficialmente como gênio” - nas palavras de José Ramos Tinhorão.
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Para homenageá-lo, trazemos duas das mais significativas e inspiradas visões sobre o grande criador: um texto de Tinhorão e um documentário de Leon Hirzman. E também acrescentamos duas de suas mais conhecidas composições: “Juízo Final” e "A flor e o espinho".
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O texto do pesquisador e jornalista foi escrito para sua coluna no Caderno B do Jornal do Brasil (4/1/1974), quando do lançamento do disco de Nelson e o documentário “Nelson Cavaquinho” foi filmado em 1969 por Leon Hirzman (documentário apresentado em dezembro de 2010 no CeCAC, em nossa confraternização de final de ano e como registro e homenagem ao Dia Nacional do Samba - 2 de dezembro).
A boa palavra de Nélson Cavaquinho [*]
José Ramos Tinhorão
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Nos últimos anos, com a descoberta dos grandes criadores das camadas populares por parte da juventude de nível universitário, o compositor Nélson Cavaquinho passou a ser reconhecido oficialmente como gênio.
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Essa fama, porém, começava a perigar porque, apesar da legenda criada em torno da figura do curioso trovador de cabelos brancos faltava uma prova em disco. É essa prova que a Odeon vem oferecer agora com o seu LP Nélson Cavaquinho (smofb-8 809), e que constitui, mais do que um documento de genialidade, uma obra de amor. Pela primeira vez em seus quarenta anos de compositor, Nélson Cavaquinho é tratado com a compreensão e o respeito que o seu rústico talento merecia - e estava precisando. Sustentado pelos arranjos discretos dos maestros Gaia e José Briamonte, que em nenhum momento pretenderam ser mais brilhantes do que o compositor, sua voz rouca e seu estranho violão desafiador de todas as escolas podem enfim mostrar que quando o talento é grande, não há fórmulas ultrapassadas. A de Nelson é o velho samba lírico, construído sobre rasteiras e vigorosas experiências vitais, resultadas de toda uma existência aberta às sugestões da frustração e da incerteza, mas também da coragem e da poesia.
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Logo na primeira faixa do disco (samba Juízo Final em parceria com Élcio Soares), o compositor oferece uma prova disso quando canta - com um otimismo que situa simbolicamente o povo muito acima do medo e da falta de horizontes que assustam as estruturas - "O sol há de brilhar mais uma vez/A luz há de chegar aos corações/Do mal será queimada a semente/O amor será eterno novamente". Com um profundo sentido metafísico da necessidade de viver - pois que viver é, afinal, o ofício do homem - Nélson Cavaquinho mostra que nessa tarefa é sempre preciso fazer uma escolha, e mesmo quando ela deve ser feita entre o bem e o mal, enquanto houver esperança, ninguém se perderá: "Nunca é tarde prá quem sabe esperar/O que se espera há de se alcançar/Eu plantei o bem e vou colher o que mereço/A felicidade deve ter meu endereço". (O Bem e o Mal em parceria com Guilherme de Brito). E o impressionante em Nélson Cavaquinho é que todas essas coisas são ditas musicalmente com uma extraordinária coerência: se a sua melodia é quase sempre repassada de nostalgia, o ritmo em que se apoia é invariavelmente vigoroso, como se estivesse querendo demonstrar, também em sons, que acima das incertezas da alma, ainda uma vez, está a necessidade da vida.
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Essa bela lição aos pobres e angustiados compositores jovens modernos - quase todos mascarando com a busca desesperada de novidades formais, a angústia existencial da classe média - é fornecida por Nélson Cavaquinho com a áspera rouquidão de uma voz que, há quase cinquenta anos, conhece o gelo de todas as cervejas e de todos os chopes do Rio de Janeiro, bebidos entre transbordamentos de poesia e espuma, em quantas madrugadas a boemia inventou como pretexto para ouvi-lo cantar junto aos balcões dos botequins.
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Para captar esse espírito que tão bem reflete a verdadeira alma do povo das cidades - e é desde a contracapa do disco magnificamente documentado do diálogo entre Nélson Cavaquinho e o jornalista Sérgio Cabral - a Odeon pode contar com o entusiasmo (e o amor) de um produtor paulista de vocação carioca: J. Botezeli conhecido como Pelão. Além de fazer o compositor gravar uma das faixas tocando o instrumento que lhe deu o apelido (Nélson toca ao cavaquinho o seu choro Caminhando, ao lado do estupendo violão de Dino), Pelão apresenta pela primeira vez em disco Guilherme de Brito, o mais constante (e verdadeiro) parceiro de Nélson Cavaquinho, o que acrescenta aos méritos do LP o caráter de um oportuno ato de justiça.
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No mais, o que se tem a dizer, é que o long play da Odeon Nélson Cavaquinho, constituindo o mais importante lançamento no campo da música popular brasileira nos últimos tempos, ganhou muito em ser lançado neste entremeio de tempo em que um ano termina e outro desponta: ele vem mostrar, com a força poética e a rude e inventiva música dos sambas do maior compositor das camadas mais humildes do Rio de Janeiro, que o tempo passa, mas o gênio criativo continua.
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[*] Texto publicado originalmente no Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, sexta-feira, 4/1/1974, página 2; extraído do livro"Tinhorão, o legendário" (Anexo X - pgs 227 a 230), de Elizabeth Lorenzotti, Editora IMESP, São Paulo, 2010
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Confira também:
- Documentário "Nelson Cavaquinho", Leon Hirzman - www.youtube.com/...

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- Juízo Final - www.youtube.com/...
Composição: Élcio Soares / Nelson Cavaquinho
O sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente
É o Juízo Final, a história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver
A maldade desaparecer
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- A flor e o espinho (com seleção de fotos) - www.youtube.com/... e (cantam Nelson Cavaquinho e Elizeth Cardoso - 1973) -www.youtube.com/...
Composição: Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Alcides Caminha
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha magoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
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- Biogragia de Nelson Cavaquinho - www.samba-choro.com.br/...
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Esta páginatra-se em www.cecac.org.br

terça-feira, 18 de maio de 2010

“A Grande Batalha de Volga”, de Maria Slavinskaya (URSS - 1962)

Atividades do CeCAC
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65 Anos da Vitória contra o nazi-fascismo
Filme e debate no CeCAC:
“A Grande Batalha de Volga”
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Em 27 de maio, quinta-feira, o CeCAC exibirá o documentário “A Grande Batalha de Volga” (sobre a Batalha de Stalingrado), seguido de debate, em homenagem aos 65 anos da Vitória contra o nazi-fascismo, ao heroico povo soviético e ao Exército Vermelho, que foram determinantes e decisivos na derrota das hordas nazistas na 2ª guerra mundial, estando na linha de frente da luta antifascista.
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Desde o final da guerra, a União Soviética passou a comemorar o Dia da Vitória em 9 de maio. Esta resistência e vitória de todo um povo sobre a barbárie nazi-fascista, que se expressa de forma estratégica na batalha de Stalingrado, é um momento especial da história contemporânea a ser sempre resgatado. É toda uma experiência que deve ser contada, transmitida aos filhos e netos, como aponta o narrador do filme, para que não seja esquecida.
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O constante bombardeio ideológico das classes dominantes, do imperialismo, tenta a qualquer custo macular e apagar da memória dos povos este papel decisivo da União Soviética e o fato de que as tropas nazistas foram derrotadas fundamentalmente por esta primeira experiência de construção do socialismo, com o sacrifício de cerca 27 milhões de soviéticos mortos durante a guerra. Filmes e filmes, artigos e artigos, livros e mais livros são realizados com esse insistente intuito.
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A atividade do CeCAC será de resgate da importância histórica da Batalha de Stalingrado, onde as tropas nazistas foram derrotadas em 2 de fevereiro de 1943, o que significou a virada na 2ª guerra mundial, com o começo do fim da Alemanha nazista, do III Reich de Adolf Hitler, em maio de 1945. Esta batalha é uma manifestação contundente de uma guerra popular, com a participação de todo o povo e foi motivo de emoção, esperança e solidariedade em todo o mundo, como tão profundamente transmite o poema “Carta a Stalingrado” de Carlos Drumond de Andrade:
Stalingrado...
Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam. ...
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Clique aqui e confira na íntegra o poema “Carta a Stalingrado”:
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A vitória em Stalingrado elevou a moral do movimento antifascista em todo o mundo e quebrou definitivamente a decantada superioridade e invencibilidade das tropas de Hitler.
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27 de maio – 5ª feira
18:30 h
Local: CeCAC – Av. Treze de Maio, nº 13 – Sala 1903 – Rio de Janeiro/RJ

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“A Grande Batalha de Volga”
Produção: União Soviética – 1962
Direção: Maria Slavinskaya
Duração: 75 min.
P&B, legendas em português
Cenas realizadas por 150 cinegrafistas do Exército Vermelho, que filmaram as tropas soviéticas em ação.
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Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
17/maio/2010


sexta-feira, 2 de abril de 2010


A Grande Batalha de Volga (The Great Battle of Volga; Maria Slavinskaya; 1962)

Título: A Grande Batalha de Volga (The Great Battle of Volga)Ano: 1962
Diretora: Maria Slavinskaya
Produção: SoviéticaTema: A invasão do Eixo à URSS durante a II Guerra


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A arte de Fúlvio Pennacchi

Fúlvio Pennacchi
Pennacchi veio da Itália, onde teve uma formação erudita no Reale Istituto d’Arte Passaglia (Lucca) com licenciatura em Decoração Mural, pintando afrescos e, chegando ao Brasil, incorpora à sua paleta cenas e figuras do povo brasileiro e tons tropicais. Participa do Grupo Santa Helena e persiste até o final de sua vida sempre pintando temas populares, camponeses, pescadores, festas populares, imagens religiosas.
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Um pintor em estado de graça
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(...) Pennacchi é acima de tudo um pintor popular, que ama as coisas simples como festas na roça, quermesses, circos, festas religiosas, a confraternização entre os homens, a vida familiar.
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Fúlvio Pennacchi é um homem que desde o princípio recusou qualquer tipo de sofisticação. E esta sua atitude teve dupla conseqüência: de um lado reforçou seu desprezo pelas modas passageiras da pintura moderna com todos os seus “ismos”, fazendo com que o artista se apegasse cada vez mais à tradição dos Trezentos e do Quatrocentos da sua Itália natal. Por outro lado, a recusa à sofisticação levou Pennacchi a erigir São Francisco de Assis como seu modelo de pureza, simplicidade e de amor a tudo quanto é forma de vida. Em um quadro datada de 1936 vemos um “poveretto” de Assis, nu, recusando as “vestes burguesas”. Esse quadro é uma espécie de programa de trabalho a ser cumprido pelo artista, que sempre preferiu pintar camponeses, operários (ele mesmo trabalhou como açougueiro para sobreviver, apesar de trazer em sua bagagem um diploma da Academia Real de Pintura de Lucca, Florença), pequenos comerciantes, mascates, padeiros.
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E foi graças a esta recusa à sofisticação que Pennacchi se integrou tão perfeitamente ao célebre Grupo Santa Helena. Em 1935 Pennacchi passou a freqüentar o ateliê que Rebolo – um ex-jogador profissional do Corinthians – mantinha no Palacete Santa Helena [Praça da Sé] desde 1933. Foi então que ele passou a trabalhar ao lado de Mario Zanini, Clovis Graciano, Alfredo Volpi, Manoel Martins, Alfredo Rizzotti, Aldo Bonadei, Humberto Rosa e o próprio Francisco Rebolo Gonzales. O Grupo Santa Helena era formado por pintores proletários, independentes, que se encontravam à noite para pintar modelos vivos e saíam nos fins-de-semana para pintar ao ar livre e discutir arte. Eram pintores de personalidades fortes que se recusavam a imitar Picasso ou Braque (o que era moda na época) ou seguir resignadamente os cânones da falecida pintura acadêmica. Eles queriam apenas registrar de forma simples, competente e bela, a paisagem urbana dos arredores de São Paulo, fixar alguns tipos humanos, o que acontecia muitas vezes com humor e sempre com grande ternura.
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Durante seu contato com o Grupo Santa Helena, pintando ao ar livre, Fulvio Pennacchi se apaixonou pelas formas, cores e luzes tropicais, tal como já tinha acontecido anteriormente com Segall e Volpi. A partir de então, Pennacchi passou a registrar em sua tela cidadezinhas do interior paulista, vilas de pescadores, aldeias festivas, grupos coloniais onde o azul, o rosa e o amarelo se destacavam e definem um clima tipicamente brasileiro. (...)
Primavera de 1984
Antonio Zago
(extraído do texto de apresentação da Exposição Fúlvio Pennacchi, de 1984, na Galeria de Arte André, em São Paulo, SP)
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Mais dados sobre o Grupo Santa Helena no sítio do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo


Volta da colheita, 1986


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Pennacchi pintando um afresco

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18/maio/2006
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Almeida Júnior (1850– 1899)

Almeida Júnior (1850– 1899)
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José Ferraz de Almeida Júnior, pintor de formação acadêmica foi, possivelmente, o primeiro artista plástico brasileiro a introduzir o homem do povo, em seu cotidiano, às telas, particularmente na última década de sua vida. O tratamento da luz tropical, o abandono da monumentalidade das obras e a inserção dos personagens no cotidiano brasileiro marcaram seu trabalho. Foi considerado um precursor dos modernistas.
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Paulista de Itu, aos dezenove anos ingressou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde teve aulas de desenho com Jules Le Chevrel e de pintura com Victor Meirelles. Contemplado com uma bolsa, foi estudar na França entre 1876 e 1882, na Escola Nacional Superior de Belas Artes, como aluno de Alexandre Cabanel.
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Em seus últimos trabalhos, principalmente, revela influência dos realistas Courbet (que presidiu a comissão de belas-artes da Comuna de Paris) e Corot. 
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A Pinacoteca do Estado de São Paulo – que em 2000 realizou exposição em sua homenagem, quando vários artistas contemporâneos fizeram releituras de alguns de seus trabalhos – possui em seu acervo um conjunto de obras do artista. Algumas também podem ser vistas no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e no Museu de Arte de São Paulo, entre outros. 
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O Violeiro - 1899
óleo sobre tela - 141 x 172 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo

Caipira picando fumo - 1893
óleo sobre tela - 70 x 50 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo

As Lavadeiras - 1875
óleo sobre tela - 82 x 42 cm
Coleção Particular

Recado difícil - 1895
óleo sobre tela - 138 x (?) cm
Museu Nacional de Belas Artes

Pescando - 1894
óleo sobre tela - 64 x 85 cm
Coleção Particular



Crítica:
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"Creio que a questão da possibilidade de uma pintura nacional foi em São Paulo mesmo resolvida por Almeida Júnior, que se pode muito bem adotar como precursor, encaminhador e modelo. Os seus quadros, se bem que não tragam a marca duma personalidade genial, estupenda, fora de crítica, são ainda o que podemos apresentar de mais nosso como exemplo de cultura aproveitada e arte ensaiada."

Oswald de Andrade
ANDRADE, Oswald. Em prol de uma pintura nacional. In: ______. Estética e Política. São Paulo: Globo, 1991. [Texto publicado originalmente na revista O Pirralho. São Paulo, 2 jan. 1915, seção Lanterna Mágica].
"Já nos últimos dias monárquicos, a inteligência plástica brasileira principia se inquietante de sua funcionalidade nacional, de alguma forma anunciando os tempos modernos. A influência da técnica européia ainda predomina, e predominará até os nossos dias, mas os artistas de maior valor se voltam para a expressão da terra e do homem. O pernambucano Teles Júnior cria paisagens nordestinas de caráter vigoroso e fiel; e em São Paulo, Almeida Júnior, em luta aberta com as luzes do nosso dia e a cor da terra que a sua paleta parisiense não aprendera, analisa com firmeza os costumes e o tipo do caipira. Mas isto já era a República, e ecoa o que estavam fazendo na música, com as mesmas hesitações e felicidade intermitente, Alexandre Levi e Alberto Nepomuceno."

Mário de Andrade
ANDRADE, Mário. As artes plásticas no Brasil. Revista da Academia Paulista de Letras, ano VII, n. 26, 12 jun. 1944, p. 27. Citado na publicação ALMEIDA JÚNIOR: vida e obra. São Paulo: Art Editora, 1979, p. 30.
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CECAC - Videoteca

Videoteca do CeCAC
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Em sua videoteca, o CeCAC dispõe de cópias dos filmes abaixo. Para sessões agendadas, entre em contato.


A BATALHA DA CHINA. (The Battle of China). Documentário. EUA/1944. Direção: Frank Capra, Anatole Litvak. Duração: 65 min. Preto e branco, com legendas.
A BATALHA DO CHILE I, II e III. (La Batalla de Chile). Documentários. Cuba/Chile/França/Venezuela 1975, 1977 e 1979. Direção: Patricio Guzmán. Duração: 100, 90 e 82 min. Cor, com legendas.
A BATALHA DA RÚSSIA. (The Battle of Russia). Documentário. EUA/1943. Direção: Frank Capra, Anatole Litvak. Duração: 80 min. Preto e branco, com legendas.
A BATALHA DE ARGEL. (La Battaglia di Algeri). Itália/Argélia/1965. Direção: Gillo Pontecorvo. Duração:115 min. Pb, legendas em português.
A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO. (La classe operaia va in paradiso). Itália/1971. Direção:Elio Petri. Duração: 115 min. Com Gian Maria Volonté. Cor. Legendado.
A GUERRA DOS PELADOS. Brasil/1970. Direção: Sylvio Back. Duração: 98 min.
A GREVE. Clássico soviético. URSS/1924. Direção: Serguei Eisenstein. Duração: 95 min. Preto e branco, com legendas.
A LUTA DE HARLAN. (Harlan County War) EUA/2000. Direção: Tony Bill. Com: Holly Hunter, Stellan Skarsgard, Ted Levine. Duração: 104 min.
A MÃE. Clássico soviético. URSS/1926. Direção:V. Poudovkine. Duração: 87 min. Preto e branco, com legendas.
A REVOLUÇÃO DE UM HERÓI. (Bethune: The Making of a Hero). Canadá/França/China/1990. Direção: Philip Borsos. Com: Donald Sutherland, Anouk Aimee, Helen Mirren, Duração: 116 min. Cor, com legendas.
A REVOLUÇÃO DE 30. Brasil/1980. Direção:Silvio Back. Duração: 118 min.
A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA. (The revolution will not be televised). Documentário. Irlanda/2003. Direção: Kim Bartley e Donnacha O’Briain. Duração: 74 min.
A TERCEIRA MORTE DE JOAQUIM BOLIVAR. Drama Histórico. Brasil/2000. Direção: Flávio Cândido. Com Sérgio Siviero, Othon Bastos, Jonas Bloch. Duração: 104 min.
BRASIL OUTROS 500. Documentário. Brasil /. Produção: Instituto Maurício Grabóis e CES – Centro de Estudos Sindicais. Duração: 52 min.
CADÊ PROFIRO?. Documentário. Brasil/2004. Direção: Hélio Brito. Duração: 55 min. Cor.
CALIFÓRNIA À BRASILEIRA. Documentário. Brasil/1991. Direção: Roberto Novaes. Duração: 24 min. Cor.
CAMILO - ÉRASE UNA VEZ UN COMANDANTE – (Camilo Cienfuegos). Documentário. Cuba/. Direção: Norden Francisco. Duração: 117 min.
CAMINHO PARA GUANTÁNAMO. (The Road to Grantánamo). Inglaterra/2006. Direção: Michael Winterbottom e Mat Whitecross. Duração: 95 min.
CANTO EPICO A LA TERNURA. (CHE). Documentário. Cuba
CHOVE SOBRE SANTIAGO. (Il Pleut sur Santiago). Direção.França/ Bulgária 1975. Direção: Helvio Soto. Com Jean-Louis Trintignant, Annie Girardot, John Abgey, Bibi Andersson. Música de Astor Piazolla. Duração: 109 min. Cor, legendas em português.
CORAÇÕES & MENTES. (Hearts & Minds). Documentário. EUA/1974. Direção: Peter Davis. Duração: 112 min. Legendado. Oscar de melhor documentário em 1974.
ELES NÃO USAM BLACK TIE. BRASIL/ 1981. Direção: Leon Hirszman. Roteiro: Gianfrancesco Guarnieri e Leon Hirszman. Música: Adoniran Barbosa, Chico Buarque de Hollanda e Gianfrancesco Guarnieri. Duração: 134min.
ERNESTO CHE GUEVARA HOMBRE COMPANERO Y AMIGO. Documentário. Itália / Cuba. Direção: Roberto Mussavi. Duração: 90 minutos. Espanhol, com legendas.
ESCOLAS DAS AMÉRICAS, ESCOLA DE ASSASSINOS. Documentário. Produtora:EDU-VÍDEO – Cochabamba/Bolívia/1995. Produção:Robert Richter. Duração:18 min. Narração original em espanhol, dublado para português.
JANGO. Documentário.Brasil/1984. Direção: Silvio Tendler. Duração: 117 min.
JOÃO DO VALE, MUITA GENTE DESCONHECE. Documentário. Brasil/2005. Direção: Werinton Kermes. Duração: 30 min. Cor/Pb.
LA GUERRA OCULTA. Documentário. México/1997. Produção: Canal 6 de Julio. Duração: 41 min.
LAMARCA. Brasil/1994. Direção: Sérgio Resende. Duração: 130 min.
MARIGHELLA - Retrato Falado do Guerrilheiro. Brasil/2001. Direção: Sílvio Tendler. Duração: 55 min.
MACHUCA. Chile/Espanha, 2004. Direção: Andrés Wood. Duração: 120 min.
MEMÓRIAS DO SUBDESENVOLVIMENTO. Cuba/1968. Direção: Tomás Gutiérrez Allea. Duração: 97 min. Pb. Legendado.
MEMÓRIA DO SAQUEIO. (Memoria del saqueo) Argentina/2004. Direção: Fernando Sollanas. Duração: 120 min. Legendado.
MISSÃO EM MOSCOU. (Mission to Moscow). EUA/1943. Direção: Michael Curtiz. Baseado no livro do embaixador norte-americano (em Moscou) Joseph E. Davies (entre 1936-1938). Duração: 123 min.
NA BARCAÇA DO TEMPO. Documentário. Brasil/2007. Direção: Maíra Norton e Júlia Parucker. Duração: 44 min. Cor.
NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR. Documentário. Brasil/1999. Direção: João Moreira Salles e Katia Lund. Duração: 57 min
O ENCOURAÇADO POTEMKIN. Clássico soviético. URSS/1925. Direção: Serguei Eisenstein. Duração: 100 min. Preto e branco, com legendas.
OS LIBERTÁRIOS. Documentário. Brasil/1975. Direção: Lauro Escorel Filho. Duração: 30 min.
OS ANOS JK. Documentário. Brasil/1980. Direção: Silvio Tendler. Duração: 110 min.
O SONHO DE ROSE. Brasil/2000. Direção: Tetê Moraes. Duração: 92 min.
OUTUBRO. Clássico soviético. URSS/1928.Direção: Serguei Eisenstein. Duração: 103 min. Preto e branco.
PANTERAS NEGRAS. (Panther). EUA / 1995. Direção: Mario Van Puebles. Duração:119 min. Cor, legendas em português.
PARADISE NOW. (Paradise Now). Israel/França/Alemanha/Holanda/2005. Direção: Hany Abu-Assad. Duração: 90 min. Cor, legendas em português.
PATAGÔNIA REBELDE. (La Patagônia rebelde). Argentina/1974. Direção: Héctor Olivera. Duração: 95 min.
QUADRA FECHADA. Documentário. Brasil/2007. Direção: Roberto Novaes. Duração: 28 min. Cor.
RAZÕES PARA A GUERRA. (Why we fight). Documentário. EUA/2005. Direção:Eugene Jarecki. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival de 2005. Duração: 98 min. Legendado.
PROGRAMA RODA VIVA COM TINHORÃO. Brasil/abril/2000. Produção: Programa Roda Viva TV Cultura/SP. Duração: 90 min.
QUANTO VALE OU É POR QUILO?. Brasil/2005. Direção: Sérgio Bianchi. Duração: 104 min.
QUEIMADA. Itália/França/ 1969. Direção: Gillo Pontecorvo. Com Marlon Brando. Trilha sonora: Ennio Morricone. Duração: 112 min. Cor, com legendas.
ROGER E EU. (Roger & Me) EUA/1989. Documentário. Direção: Michael Moore. Duração: 91 min.
RUTA 100 CAMINO AL FACISMO. Documentário. México. Produção: Canal 6 de Julio. Duração: 30 min
SACCO & VANZETTI. Itália/França, 1971. Direção: Giuliano Montaldo. Com Gian Maria Volonté. Duração:120min. Cor, com legendas.
SOB A NÉVOA DA GUERRA. Documentário. EUA. 2003. Direção: Errol Morris. Com Robert McNamara. Duração: 95 min. Cor, com legendas.
SÔNIA MORTA E VIVA. Documentário. Brasil. 1985. Direção: Sérgio Waisman. Trajetória da militante revolucionária Sônia Moraes Angel Jones. Duração: 45 min.
TABULEIRO DE CANA, XADREZ DE CATIVEIRO. Documentário. Brasil/2006. Direção: Thalles Gomes. Duração: 35 min. Cor.
TERRA PARA ROSE. Brasil/1987. Direção: Tetê Moraes. Duração: 84 min.
UMA NOITE SEM FIM. (La noche de las lápices). Argentina/1986.
Direção: Hector Oliveira. Duração: 101 min. Cor, legendas em português.
ZUZU ANGEL. Brasil/2006. Direção: Sérgio Resende. Duração: 108 min.
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atualizado em agosto de 2007
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9 de Maio: Dia da Vitória da URSS sobre a Alemanha nazista

A Batalha da Rússia - CeCAC
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9 de Maio: Dia da Vitória da URSS sobre a Alemanha nazista
Documentário “A Batalha da Rússia”
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Nas comemorações do 9 de maio, dia da capitulação incondicional da Alemanha, em que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS derrotou o imperialismo alemão na 2ª Guerra Mundial, o Dia da Vitória, o CeCAC indica o documentário “A Batalha da Rússia”.
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“A Batalha da Rússia” é um documentário realizado com imagens exclusivas, filmadas pelos soviéticos ou capturadas do inimigo. É a história da heróica resistência do povo soviético diante da agressão e da barbárie nazista.
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Em 22 de junho de 1941 a Alemanha invadiu a URSS. Hitler e os nazistas pensavam numa guerra relâmpago, em poucos meses. Antes do inverno imaginavam aniquilar as principais forças do exército soviético e ocupar a parte européia do território com o objetivo de destruir o Estado Socialista e se apoderar de suas riquezas. Subestimavam a capacidade de resistência do povo soviético e de seu Estado, do Exército Vermelho e da liderança do Partido Comunista e do seu secretário-geral, Josef Stalin. A história mostrou que estavam profundamente enganados.
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Ao avaliar que os alemães tinham forças superiores, penetravam no território soviético e era impossível derrotá-los num primeiro confronto, em linhas gerais a estratégia da URSS era realizar uma guerra prolongada e de todo povo. Isso significava resistir ao máximo, recuar destruindo tudo que não pudesse ser levado para não deixar nada para o inimigo, a política de “terra arrasada”, e formar grupos guerrilheiros, a cavalo ou a pé, para desencadear a guerra de guerrilhas nos territórios invadidos.
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Esta estratégia era fundamental, para desgastar o inimigo e ganhar o tempo suficiente para organizar a retaguarda e prestar todo apoio às Forças Armadas soviéticas a fim de produzir cada vez mais equipamentos, armas, tanques e aviões, assim como provisões de alimentos e preparar a contra-ofensiva e a vitória. Ganhar tempo para a defesa do Estado Socialista e derrotar o nazismo. Este era, inclusive, o caráter principal do pacto de não agressão firmado com a Alemanha diante da posição traiçoeira da França e Inglaterra de não realizarem um acordo com URSS para a defesa da Europa contra as agressões nazistas.
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Em outubro de 1941 a situação era crítica, com os nazistas às portas de Moscou. Mesmo assim, Stalin e o governo permanecem em Moscou e participam das comemorações do 24º aniversário da revolução socialista de outubro. A histórica defesa de Moscou impôs a retirada do exercito alemão impingindo-lhe a primeira derrota na 2ª guerra mundial. Acabava a lenda da invencibilidade do exército de Hitler.
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“A Batalha da Rússia” registra aquela que foi a maior na história de todas as guerras, a Batalha de Stalingrado. A ordem de guerra 227 do governo soviético era: “Nenhum passo atrás, Stalingrado não deve render-se ao inimigo”. Em fevereiro de 1943 todo o 6º exército e parte do 4º exército alemães foram capturados. O Exército Vermelho fez mais de 330 mil prisioneiros, entre eles o Marechal Von Paulus e 20 generais.
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A partir de Stalingrado iniciou-se a contra-ofensiva geral que foi liberando, uma a uma, todas as regiões da URSS que os alemães haviam ocupado desde o inicio da guerra.
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Em 1943 e 1944 a Alemanha segue sofrendo uma derrota atrás da outra na URSS. Hitler havia concentrado ali 95% de todas suas tropas. Assim, foi justamente o povo soviético que aniquilou o nazi-fascismo.
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Em 16 de abril de 1945, o Exército Vermelho lançou a última ofensiva sobre Berlim. Após uma dura batalha pelas ruas da capital alemã, a bandeira vermelha tremula na capital do território inimigo. O alto comando alemão, em 9 de maio de 1945, assina a capitulação total e incondicional. 9 de maio é declarado o Dia da Vitória.
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O povo soviético na “Grande Guerra Pátria” escreveu algumas das maiores epopéias da história da humanidade, como por exemplo, o transporte de toda a indústria do ocidente para o oriente, toneladas de máquinas foram transportadas por milhares de quilômetros. O heroísmo do Exército Vermelho e dos guerrilheiros, o trabalho abnegado de todo o povo, velhos e jovens, homens, mulheres e crianças, a justa direção do Partido Comunista unindo o povo, superaram as dificuldades na resistência à invasão alemã. Mais de 25 milhões de soviéticos deram suas vidas em defesa da URSS, do socialismo e da humanidade.
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“A Batalha da Rússia”, ressalvando alguns pequenos pontos, como, por exemplo, o destaque exagerado dado ao inverno como fator da derrota alemã e a informação incorreta de que o governo soviético se retirou de Moscou junto com o corpo diplomático durante o cerco à cidade, é um documentário de inestimável valor. É uma produção do próprio governo norte-americano capaz de oferecer os elementos para desmentir as “acusações” – lançadas pelo revisionismo e alimentadas pelo imperialismo – de que a URSS não havia se preparado para a guerra, porque não acreditava na invasão e por isso foi pega de surpresa pelos alemães.
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O documentário “A Batalha da Rússia” foi realizado pelo Departamento de Guerra norte-americano, em 1943, quando já ficava insustentável a não participação dos EUA na guerra aos nazistas, na Europa, onde se decidia a 2ª Guerra Mundial. (Os países imperialistas “Aliados” manobravam para o enfraquecimento da URSS. Os EUA já haviam se comprometido a combater na Europa em 1942, com o objetivo de abrir uma nova frente de guerra contra a Alemanha, e lá chegaram apenas em junho de 1944). Era preciso sensibilizar os norte-americanos, tentar neutralizar o anticomunismo tão presente e tão estimulado na sociedade estadunidense.
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“A Batalha da Rússia” é um dos raros filmes progressistas realizados nos EUA sobre a 2ª Guerra Mundial (lembramos aqui de outros três: “O grande ditador”, de Chaplin; “Casablanca”, de Michel Curtis (1942) e “O Sabotador”, de Hitchcock (1942). Particularmente da década de 50 em diante, num artifício nazista de repetir mil vezes uma versão mentirosa de um fato, gastaram rolos e rolos de filmes para fazer as novas gerações acreditarem (até os dias de hoje) que foram os norte-americanos que derrotaram os nazistas.
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A vitória da URSS demonstrou toda a superioridade do socialismo sobre o capitalismo e o acerto do Partido Comunista da União Soviética em colocar em primeiro plano a questão política, a mobilização de todo o povo e não ver a guerra meramente como uma questão militar.
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A Batalha da Rússia. (The Battle of Russia). Documentário. EUA. Direção: Frank Capra, Anatole Litvak. Ano: 1943. Duração: 80 min. Preto e branco, com legendas. Clássicos do Cinema - Breno Rossi (VHS). Também em DVD.
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Este artigo encontra-se em www.cecac.org.br
09/05/2005
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Batalha da Rússia I e II
The Battle of Russia

Sinopses

por NetMovies 
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"Na história, não se conhece maior demonstração de coragem como demonstrada pelo povo da Rússia" - Henry L. Stimson, Secretário de Guerra. "Nós e nossos aliados temos e reconhecemos o eterno débito de gratidão com o exército e o povo da União Soviética" - Frank Knox, Secretário da Marinha. "A bravura e o espírito lutador e agressivo dos soldados russos, requerem toda a admiração das forças armadas americanas". George C. Marshall, Membro Chefe do Exército dos EUA. "Junto-me em admiração pela defesa histórica e heróica da União Soviética". Ernest J. King, Comandante-Chefe dos EUA. "A escala de grandeza demonstrada pela Rússia, marcaram-na como o maior sucesso militar de toda a história da humanidade". General Douglas Mac Arthur. Comandante Chefe da área do Sodoeste do Pacífico. 
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http://www.netmovies.com.br/filmes/batalha-da-russia-i-e-ii.html
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O mais recente crash financeiro - Marco Antonio V. dos Santos

O mais recente crash financeiro - uma análise marxista-leninista da crise do imperialismo - Marco Antonio V. dos Santos - CeCAC

O mais recente crash financeiro.
Uma análise marxista-leninista da crise do imperialismo

Marco Antonio V. dos Santos

“Em todos os países da Europa, tornou-se agora uma verdade demonstrável a todo o espírito sem preconceitos e apenas negada por aqueles cujo interesse está em confinar os outros a um paraíso de tolos que nenhum melhoramento da maquinaria, nenhuma aplicação da ciência à produção, nenhuns inventos de comunicação, nenhumas novas colônias, nenhuma emigração, nenhuma abertura de mercados, nenhum comércio livre, nem todas estas coisas juntas, farão desaparecer as misérias das massas trabalhadoras; mas que, na presente base falsa, qualquer novo desenvolvimento das forças produtivas do trabalho terá de tender a aprofundar os contrastes sociais e a agudizar os antagonismos sociais.” (Karl Marx )[1].
Sexta-feira, 13 de julho. “Fusões levam Bolsas mundiais a recordes” - destacou a Folha de São Paulo na manchete principal de seu caderno sobre economia e finanças que, apropriadamente, chama-se “Dinheiro” – que é só o que importa no final das contas, não só à Folha, mas a todos os capitalistas. O primeiro parágrafo da matéria é bastante esclarecedor para algumas teses que buscaremos apresentar e demonstrar neste texto:
“O mercado acionário mostrou ontem que tem fôlego para seguir com a quebra de recordes neste segundo semestre. Com as preocupações com a cena econômica dando trégua, os investidores focaram nas notícias corporativas. Houve valorização expressiva nas principais praças mundiais” (Folha de S.Paulo, B1, 13.07.2007).
A matéria seguia ainda com euforia incontida, revelando o recorde histórico em pontos nominais dos índices Dow Jones da bolsa de Nova Iorque e Merval, da de Buenos Aires, e o nível mais elevado em seis anos alcançado pelo Nasdaq. Em relação à Bovespa, celebrava o seu 29º recorde de 2007, tendo se valorizado, até aquele dia de julho, 29,5%, após valorização de 32,9% em 2006. A matéria destaca, por fim, o papel dos investidores estrangeiros, que constituem o grupo “que mais negocia no mercado acionário paulista”. Nesse contexto, e sem que seja necessário falar dos lucros dos bancos, dos grandes exportadores, etc., fica mais clara a frase de Lula de que em seu governo os ricos ganham dinheiro como ninguém [2].
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Quarta-feira, 25 de julho. “A economia mundial mantém um crescimento pujante”, segundo o FMI em uma atualização das suas projeções econômicas mundiais divulgadas originalmente em abril. Para os Estados Unidos, embora tivesse rebaixado seu crescimento previsto para 2007, de 2,2% para 2%, era afirmado que o país retomaria o crescimento e estaria já no potencial máximo no meio do próximo ano. Setor imobiliário? Sua correção estava continuando e os riscos negativos para a demanda estavam diminuindo... Estava tudo tão bem na visão do FMI que, segundo ele, tinham aumentado as probabilidades de aumentos nas taxas de juros mundiais pelos bancos centrais! [3]
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Recapitulemos: sucessivas quebras de recordes nas bolsas mundiais, “trégua” nas preocupações com a economia cujo crescimento seria “pujante”, retomada nos EUA e aumento nas taxas de juros para conter a demanda e a inflação. Essas eram as ilusões de julho.
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Fechemos a cortina do primeiro ato, saltemos menos de um mísero mês em nossa cronologia, troquemos de jornal, da Folha para o Valor Econômico (note-se que foi trocado o título do periódico, mas não seus patrões. Coisas da concentração de capitais, como diria Marx) e iniciemos o segundo ato.
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Sexta-feira, 17 de agosto. “O mundo fora de controle” - constatava o colunista de investimentos do jornal, Angelo Pavini. E seguia com seu assombro:
“O mundo está de ponta-cabeça. Quem era pessimista há um mês, hoje é considerado otimista. De 19 de julho, quando bateu 58.124 pontos, até ontem, o Índice Bovespa perdeu 19,28%, percentual que, em dólar, chega a 30,81%, por conta da crise de liquidez iniciada com as perdas de fundos internacionais com títulos hipotecários de risco ‘subprime’” (Valor, 17.08.2007).
Vamos tentar qualificar o que está, de fato, de ponta-cabeça, ou melhor dizendo, no que se resume o mundo para as classes dominantes. Deixemos o próprio presidente do banco central dos Estados Unidos nos contar: “as perdas financeiras globais excederam, e muito, mesmo as projeções mais pessimistas” [4]. Quais eram então essas projeções? Segundo o próprio, em depoimento no Senado do principal país imperialista, seriam superiores a US$100 bilhões (Folha de S. Paulo, B7, 20.07.2007). Sim, de fato, Bernanke tinha razão. As perdas serão muitíssimo superiores à já gigantesca cifra que ele mencionou em julho.
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“Bolsa-lucro” aos barões imperialistas
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Para tentar evitar a propagação dessa crise financeira – e cumprindo fielmente o seu papel de aparelhos internacionais a serviço da garantia da reprodução do capital (retomaremos e desenvolveremos essa tese ao final deste artigo) – os bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão, principalmente, emprestaram em uma ação concertada US$395 bilhões aos seus bancos em apenas três dias, 9, 10 e 13 de agosto (Carta Capital, pg.18, 22.08.2007).
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A continuidade desses “empréstimos de liquidez” fez aquela enorme cifra quase multiplicar-se por dez, já se aproximando de US$3,5 trilhões, se considerarmos os meses de agosto e setembro (Valor, 24.09.2007). Para se indicar uma dimensão de magnitude relativa, esse montante equivaleria a, aproximadamente, 25% do PIB dos EUA ou quase o triplo do PIB brasileiro.
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Se considerarmos em relação ao total de créditos imobiliários subprime dos EUA, estimado em US$2 trilhões, esses empréstimos já corresponderiam quase ao dobro de todo o estoque. A continuação desse “auxílio financeiro” aos bancos com problemas, uma “bolsa-lucro” aos barões imperialistas, durante o restante de agosto e setembro pode ser interpretada como um sinal de permanência e da magnitude das contradições que levaram à eclosão de mais essa crise.
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Como ocorreu essa mágica misteriosa que fez transformar-se, subitamente, o que era, na aparência, um céu de brigadeiro dos especuladores financeiros em um furacão que destrói impiedosamente o castelo de cartas do capital fictício auto-reproduzido?
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Crises econômicas periódicas
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A economia política burguesa, com seus espadachins mercenários a excelentes soldos, sempre gastou enormes quantidades de energia e tinta na infrutífera tentativa de mostrar que o sistema econômico capitalista tem uma noção de equilíbrio como seu centro gravitacional, qualquer que seja sua definição, negando tanto as contradições intrínsecas quanto suas conseqüentes crises econômicas periódicas.
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Para relembrar, de forma rápida, os movimentos bruscos que ocorreram a partir da década de 1970, basta-nos enumerar a seqüência de crises desde a crise de 1973-75, quando se iniciaram os eventos que geraram a atual e prolongada crise do imperialismo com seu movimento de reconfiguração da economia mundial que temos sucessivamente buscado analisar no CeCAC [5] (http://www.cecac.org.br/).
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Essas crises, tais como comumente apresentadas na imprensa e por analistas burgueses, são:
1. a primeira crise do petróleo (recessão mundial desde o final de 1973 a começo de 1975),
2. a segunda crise do petróleo (1979),
3. a recessão mundial de 1980-1982,
4. a crise da dívida externa dos países latino-americanos (1982), que se prolongou por toda a década, batizando-a como “década perdida”,
5. a crise bancária do sistema de poupança e empréstimos (savings and loans) dos EUA (1985),
6. a quebra da bolsa de Nova Iorque (1987),
7. no Japão (1990), o estouro das bolhas acionária e imobiliária, seguido de mais de uma década de recessão, estagnação e deflação,
8. a recessão americana de 1990-1991,
9. a crise do sistema monetário europeu e o ataque à libra esterlina (1992),
10. a crise do México (1994-1995),
11. a crise asiática (1997),
12. a quebra do fundo especulativo Long Term Capital Management (1998) nos EUA,
13. a crise russa (1998),
14. a desvalorização do real (1999),
15. a crise da Turquia (2001),
16. a crise da Argentina (2001),
17. o estouro da bolha acionária e a recessão nos EUA (2000-2001) [6].
Isso fora a estagnação e as taxas recordes de desemprego na Europa do final dos anos 1990 e começo dos anos 2000. Ou seja, 17 eventos de crise – de aparência, profundidade, duração e abrangência distintas – em três décadas e meia, um a cada dois anos, em média.
Na verdade, pode-se depreender mesmo dessa simples enumeração de eventos que as crises passaram a ser a regra e que a exceção foram os anos de 2002 a 2006 de relativa tranqüilidade na economia mundial. Mais que isso, essa “anomalia” está na raiz da crise atual, na medida em que os “remédios” tomados para tentar superar, ou melhor, empurrar para frente a crise de 2000-2001 nos EUA, juntamente com a agudização das contradições do sistema imperialista, criaram as condições para a eclosão da crise atual [7], para “solução” da qual, inclusive, parecem em andamento medidas similares, com resultados igualmente previsíveis.
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Tendência à queda da taxa de lucro, tendência à crise
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Em termos teóricos, como isso pode ser interpretado? A resposta é que – e essa é uma tese marxista fundamental – o próprio processo de produção/reprodução ampliada do capitalismo, como resultado de suas contradições internas, traz em si as condições de sua negação, a crise. A expansão do capital (submetida à lei do valor), sempre em busca de lucros crescentes, gera, por sua própria natureza contraditória, uma tendência à queda da taxa de lucro, uma tendência à crise. Nas palavras do próprio Marx:
“O desenvolvimento da força produtiva de trabalho gera, na queda da taxa de lucro, uma lei que em certo ponto se opõe com a maior hostilidade a seu próprio desenvolvimento, tendo de ser, portanto, constantemente superada por meio de crises” [8].
Ou ainda, no último parágrafo da sua seção consagrada à apresentação e à análise da lei tendencial à queda da taxa de lucro, como que a sintetizar a dialética da unidade dos contrários no sistema capitalista: desenvolvimento/crise.
“A enorme força produtiva, em relação à população, que se desenvolve dentro do modo de produção capitalista e, ainda que não na mesma proporção, o crescimento dos valores-capital (não só seu substrato material), que crescem muito mais depressa do que a população, contradizem a base cada vez mais estreita em relação à riqueza crescente, para a qual opera essa enorme força produtiva, e as condições de valorização desse capital em expansão. Daí as crises” [9].
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Crises periódicas: eventos localizados? Desequilíbrios momentâneos?
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É preciso fazer aqui um alerta importante para os que buscam realizar uma análise marxista-leninista do imperialismo, de suas contradições e crises. Embora seja mais simples, e até mesmo de alguma forma útil para sua identificação, nomear as crises conforme seu epicentro, essa prática esconde um perigoso problema teórico.
Ao falarmos “crise do México”, “crise asiática”, ou atualmente “crise dos mercados hipotecários” ou “crise dos mercados subprime”, ainda que involuntariamente:
1. colocamos em lugar secundário, ou mesmo eliminamos por completo, a referência ao seu aspecto central, o caráter de crises do sistema mundial do capitalismo, de crises do sistema imperialista;
2. reforçamos apenas suas características mais aparentes, superficiais e específicas, prejudicando – ou no limite impossibilitando – o correto entendimento da conjuntura do sistema mundial capitalista e também a conjuntura de cada formação social;
3. passamos a impressão de que a crise se circunscreveu ou se limitou a um único país, deixando de vê-la no sistema mundial do capitalismo;
4. com isso estamos contribuindo para a interpretação da economia burguesa de que essas crises foram “localizadas”, “momentâneas”, fruto de “erros” das autoridades ou dos mercados ou, como chamam os economistas burgueses, meras “falhas”, “imperfeições” ou “assimetrias” de mercado, ou qualquer outro eufemismo da moda.
Ou seja, ao invés de ressaltar o essencial, o caráter cíclico e tendencialmente inevitável das crises econômicas do capitalismo determinadas pelas contradições inerentes a este modo de produção (agravadas e modificadas em sua fase imperialista, quando o capitalismo se constitui em sistema mundial), ou mesmo suas características específicas no contexto da prolongada crise do imperialismo nas últimas décadas, uma crise latente como veremos abaixo, poderíamos passar a idéia das crises como eventos localizados, isolados e conjunturais, desequilíbrios momentâneos em um sistema que prontamente se restabeleceria.
Dito isso, como interpretar os acontecimentos dos últimos meses? Quais suas características mais gerais? É essa resposta que buscamos oferecer aos camaradas, ao debate, através da análise da crise do imperialismo, buscando avançar, aperfeiçoar e desenvolver nossas formulações anteriores.
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Análise marxista-leninista da crise do imperialismo
“Podemos constatar o fantástico crescimento dos ‘mercados financeiros’ a partir da crise de 1973/1975 ... [como] sendo uma das expressões do processo que vimos apontando: uma permanente e contínua sobreacumulação na esfera financeira de capitais que não encontram aplicação no setor produtivo à taxa média de lucro”. (A crise do imperialismo expressa o agravamento de todas as suas contradições).
“[A] reconfiguração do sistema imperialista tende a [gerar]:
...
tendências a agravar a superprodução de mercadorias e a superacumulação de capitais que, cada vez mais impossibilitados de se aplicarem à produção, necessitam ser valorizados na esfera financeira. Capitais que - não podendo ser aplicados produtivamente - vêm sendo valorizados na esfera financeira, do que vem resultando em sucessivas crises financeiras, ou melhor, uma crise financeira latente: tendência a uma crise financeira geral”. (Luta de classes e crise do imperialismo).
Antes de discutir a crise do imperialismo é importante fazer um parêntese para chamar atenção a um fato muito comum hoje. Mesmo aqueles que se reclamam marxistas, que se queixam de seguir “um dos marxismos” em moda, esquecem de Lênin, ou para não ficarmos em circunlóquios e ir direto ao centro da questão, esquecem de Marx e, filisteus, põem-se a serviço da versão em moda da ideologia da classe dominante. Esquecer Lênin é abandonar Marx e enterrar qualquer possibilidade de analisar e combater o imperialismo.
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Novas características do processo de produção/reprodução capitalista
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Em nossas análises sobre a economia mundial, nas quais, como diz Lênin, “nos baseamos integralmente na teoria de Marx” [10], temos avançado uma tese para a discussão. Tese de que a partir da crise de 1973/1975, a primeira crise do pós-guerra que atingiu todo o sistema mundial do capitalismo, o processo de produção/reprodução capitalista vem adquirindo novas características, especialmente nos países imperialistas e, por conseqüência, também nos países dominados, nesse caso, com importantes características nacionais específicas.
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Em primeiro lugar, as crises econômicas mundiais do sistema capitalista – nas palavras de Marx, o “fenômeno mais intrincado da produção capitalista – a crise do mercado mundial”, que constituem “a convergência real e o ajuste à força de todas as contradições da economia burguesa” [11] – as crises do imperialismo, o que inclui a de 1973/1975 e todas as posteriores, acima enumeradas, devem ser entendidas em seu duplo aspecto. Isso quer dizer que a análise marxista deve avaliar, por assim dizer, conjuntamente, suas causas gerais, as contradições inerentes à produção capitalista, que igualam todas elas como crises do sistema capitalista, e seus aspectos particulares, exatamente os que as diferenciam, referentes a cada conjuntura histórica. Desse duplo aspecto da crise, a oposição geral/particular, o geral é o dominante.
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Dessa forma, as crises que enumeramos acima permanecem com seu caráter geral de crises do capitalismo. Permanecem expressões da contradição entre a produção social e a apropriação privada sob o capitalismo. Permanecem fruto da contradição entre o desenvolvimento da produtividade, expresso no aumento da proporção de capital constante na composição orgânica, e a diminuição da base de extração de mais-valia, a diminuição da proporção de capital variável, levando à tendência de queda da taxa de lucro. Permanecem resultados da contradição entre a lógica férrea de acumulação individual de cada capitalista e o resultado da acumulação de todos os capitalistas, da anarquia de mercado, na qual cada capitalista produz de costas para o mercado, em concorrência, sob o risco de ser expropriado por outro capitalista (centralização de capitais). Ou seja, mesmo sabendo dos riscos de crise, cada capitalista individual não pode deixar de agir buscando lucros crescentes, mesmo que isso, para o conjunto dos capitalistas signifique acelerar a chegada da crise ou mesmo torná-la inevitável [12].
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A impossibilidade de uma retomada “virtuosa”
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A nova característica, em seu aspecto geral, que temos procurado discutir e que caracteriza as crises econômicas do imperialismo a partir da crise mundial de 1973/1975 [13] e de sua retomada é, resumidamente, que a crise econômica não mais consegue queimar capital suficiente para uma retomada “virtuosa”.
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Aqui uma explicação é necessária. Evidentemente, o “virtuosa” acima não tem nenhuma relação com a conquista de direitos pelas classes dominadas. Esses só serão arrancados ao capital e a seus governos com uma luta de classes ferrenha e constante e estarão – como agora no Brasil, por exemplo – sempre ameaçados pela ganância dos capitalistas e de seus governantes que têm orelha para ouvi-los e que a eles se ajoelham. “Virtuosa”, no parágrafo anterior, é do ponto de vista da lógica do capital, com o início de um novo ciclo ascendente, a retomada de um processo de acumulação/reprodução ampliada do capital, de produção de mais-valia, de intensificação da exploração do proletariado. Lógica que a citação de Karl Marx que serve de epígrafe a este texto destaca de forma cristalina. Continuemos.
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O que queremos dizer é que as crises não mais desempenham integralmente, em geral, o papel que Marx descrevia para as crises do período do capitalismo concorrencial, pré-imperialista, de sua época. Esse papel, de destruir valor e capital e possibilitar uma nova reprodução, está explicitado por Marx nas Teorias da Mais-Valia, que nos sentimos obrigados a transcrever:
“Quando se fala de destruição de capital por crises, há duas coisas a distinguir.
À medida que estagna o processo de reprodução e que o processo de trabalho se restringe ou pára de todo em certos pontos, destrói-se capital real. Não é capital a maquinaria que não se utiliza. O trabalho que não se explora equivale a produção perdida. Matérias-primas que jazem ociosas não são capital. Edifícios (e também nova maquinaria construída) que para nada servem ou permanecem inacabados, mercadorias que apodrecem em depósito, tudo isso é destruição de capital. Tudo isso se reduz à paralisação do processo de reprodução e a que as condições de produção existentes não exercem na realidade as funções de condições de produção, não são postas em atividade. Então seu valor de uso e valor de troca vão para o diabo.
Mas, no segundo significado, destruição de capital por crises é depreciação de valores que os impede de renovarem depois, na mesma escala, o processo de se reproduzirem como capital. É a queda ruinosa dos preços das mercadorias. Com ela não se destroem valores de uso. O que um perde, o outro ganha. Os valores operantes como capital ficam impossibilitados de se renovar como capital nas mesmas mãos. Os velhos capitalistas quebram. ... Grande parte do capital nominal da sociedade, isto é, do valor de troca do capital existente, é destruída de uma vez para sempre, embora essa própria destruição, por não atingir o valor de uso, incentive muito a nova reprodução” [14] (negritos nossos).
Essa nova característica da crise decorre, fundamentalmente, das novas características adquiridas pelo capitalismo em sua fase imperialista, com o domínio dos monopólios financeiros (centralização dos capitais produtivo e bancário, é bom lembrar), e com a total repartição do mundo entre esses monopólios. Elimina-se, assim, por esgotamento, importante fator contrariante à queda da taxa de lucro, a possibilidade de expansão de mercados via comércio exterior, que implicava a incorporação de novas porções do globo à esfera do capitalismo. Agora só resta a guerra entre os países imperialistas para permitir uma nova repartição dos mercados, como Lênin mostrou teoricamente e as seguidas guerras desde a primeira guerra mundial mostram na prática.
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A saída não “virtuosa”: ampliação da acumulação fictícia
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Além disso, dado o nível atingido pela sobreacumulação de capitais e pela superprodução de mercadorias, ao nível global [15], a magnitude da queima de capital exigida para uma retomada “virtuosa”, tenderia a alcançar relativamente proporções e duração de uma crise mundial maior que a de 1929 e/ou de uma guerra mundial como as duas do século passado, com o conseqüente avanço da luta de classes e do socialismo. Esse impasse, expresso na dupla impossibilidade: da crise desempenhar seu papel tradicional de queima de capitais na magnitude necessária, e da acumulação retomar sua escalada, encontrou uma solução, parcial e transitória, na criação de um novo “mercado” para o capital, solução que só foi possível na conjuntura de defensiva do proletariado e das demais classes dominadas na luta de classes.
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Podemos dizer, usando uma tópica, que de forma similar à que o capital inglês da época de Marx ampliava sua área de atuação via comércio internacional, o capital monopolista ampliou sua esfera de acumulação criando um novo espaço, uma verdadeira máquina especulativa de reprodução fictícia de capital.
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Esse capital fictício [16] – mais comumente referido pela economia burguesa como “especulação financeira” – incessantemente gerado, cumpre o papel de buscar manter e ampliar a lucratividade do capital sobrante que os capitalistas têm cada vez mais dificuldade de aplicar em suas atividades (produtivas e financeiras) tradicionais, devido à sobreacumulação.
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Assim, seu efeito global é contraditório, pois ao tempo em que esse capital fictício poderia aumentar a capacidade de acumulação produtiva (investimentos) ou de consumo improdutivo (ampliando a demanda) do seu possuidor em seu aspecto de capital individualmente real, e com isso contribuir para ampliar a escala de reprodução (aumentar o crescimento), ele também resulta em uma nova opção de valorização por parte do capitalista.
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Em conjuntura de sobreacumulação permanente e recuo das taxas de lucro, com a eliminação das regulamentações que restringiam a valorização fictícia, as decisões de investimento vêm pendendo cada vez mais para a acumulação fictícia, ampliando a tendência de estagnação/recessão, ao invés da crise econômica “virtuosa” e retomada da reprodução ampliada do capital.
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Atuação dos Aparelhos Internacionais
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Nesse processo soma-se outro aspecto detendo/limitando a crise: a atuação dos Estados nacionais, principalmente os dos países imperialistas a serviço de seus capitais, e dos aparelhos internacionais criados/fortalecidos a partir do pós-guerra para gerenciar as condições gerais nas quais ocorre a produção/reprodução do capital, sejam eles os chamados organismos financeiros internacionais (FMI, Banco Mundial, Banco de Compensações Internacionais, o “banco dos bancos”, significativamente situado na Suíça, etc.) ou os bancos centrais dos principais países imperialistas, atuando de forma cada vez mais orquestrada [17].
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Por fim, mas não menos importante, e seguindo uma velha lição do marxismo-leninismo, não podemos jamais esquecer de que o capitalismo é um modo de produção cindido irremediavelmente por contradições antagônicas que não podem ser progressivamente atenuadas por reformas até desaparecerem, não podemos jamais esquecer a luta de classes, no interior da qual se dá a acumulação capitalista.
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Toda a análise marxista do capitalismo tem como pressuposto o antagonismo burguesia/classe operária, processo de produção que é, ao mesmo tempo, processo de exploração. Todo único constituído pelo processo de exploração e produção, no qual as condições de exploração à qual os trabalhadores são submetidos produzem sua resistência à opressão capitalista. Tanto no nível econômico imediato, relativo às condições concretas nas quais se dão o processo produtivo e a divisão da mais-valia produzida, quanto em nível superior com a luta política da classe operária, criação de seu partido visando à derrubada do regime burguês.
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Defensiva da classe operária na luta de classes
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O processo de crise/reconfiguração do imperialismo, do sistema mundial do capitalismo, que estamos analisando, ocorre em período de defensiva da classe operária na luta de classes, marcado por um amplo domínio de posições revisionistas e reformistas, isto é, posições burguesas entre os trabalhadores e suas organizações de vanguarda, com destaque para o PT, PCdo B, etc. Essa defensiva marcou o início, nos níveis teórico e político, do movimento que levou à restauração do capitalismo na ex-União Soviética e nos países da Europa oriental e, com a especificidade da manutenção de partidos nominalmente comunistas no poder, também na China.
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Para a análise que estamos desenvolvendo nesse artigo, podemos apreender esse processo como um fator contrariante adicional à queda da taxa de lucro, pois o resultado da restauração capitalista nesses países implica na abertura de novos espaços à reprodução ampliada do capital em nível mundial, com taxa de lucro potencialmente maior que a dos países imperialistas e mesmo que a de alguns países dominados.
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Temos, então, criadas as condições para que as crises econômicas se dêem em outras condições de reprodução do capital. As crises deixam de cumprir integralmente seu "papel" de reposição das condições de acumulação, de reposição das condições do desenvolvimento capitalista, de mudança no aspecto dominante do processo de reprodução, de crise para desenvolvimento, que permite a ultrapassagem daquele momento (as crises) da contradição desenvolvimento/crise – antagonismo expresso no fato de que o capitalismo gera, inexoravelmente, seus próprios limites, como resultado do desenvolvimento anterior – mediante sua superação e recolocação em novas condições dos opostos desenvolvimento/crise, tornando-se o desenvolvimento/reprodução ampliada aspecto dominante.
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Crise latente
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Agora, ao não criarem condições suficientes para uma nova retomada do processo de acumulação, mediante a desvalorização/queima do excesso de capital, as crises passam a ser, em geral, menos profundas e menos duradouras, atingindo principalmente as condições vigentes de valorização fictícia. No entanto, essa mesma condição faz com que os obstáculos à acumulação produtiva se recoloquem cada vez mais prontamente ou mesmo não sejam eliminados. A cada momento, as contradições não são resolvidas (inteiramente), ao invés disso a sua resolução é “adiada”, dando uma sobrevida a este processo de acumulação com predomínio na valorização fictícia do capital. Isso, porém, gera as condições para que as contradições se recoloquem a seguir, agravadas. Esse processo gera um estado de crise latente, entremeado com as freqüentes erupções que temos visto.
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Mais concretamente, avaliamos que ocorreram dois movimentos gerais principais na tentativa de retomada da acumulação na virada dos anos 1970/1980.
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Primeiro, o que temos denominado de reconfiguração da economia mundial do imperialismo, com uma nova divisão internacional do trabalho, na qual, em movimento inédito, os países imperialistas transferem parcelas significativas do conjunto de sua indústria para outros países, notadamente a China, em busca de condições mais favoráveis para a valorização produtiva do capital, principalmente o elevado grau de exploração da força de trabalho, expresso no seu ínfimo valor.
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A restauração do capitalismo na China (e também em outros países, juntamente com o aumento da exploração do trabalho nos países dominados) levou a que se constituísse em local privilegiado para a expansão do capital imperialista, como zona de produção de mercadorias baratas [18] para o mercado mundial, via exploração da força de trabalho a níveis impensáveis mesmo pelo mais cruel burguês.
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Esse movimento está mais detalhadamente analisado nos textos do CeCAC (http://www.cecac.org.br/) mencionados neste artigo. Esse mesmo processo criou condições/necessidades novas para a (re)inserção dos países dominados na economia mundial, a necessidade de uma reconfiguração da divisão internacional do trabalho, o que determina as características nacionais específicas que mencionamos acima e que temos analisado no que se refere ao Brasil, como uma regressão a uma situação colonial de novo tipo (http://www.cecac.org.br/MATERIAS/formacao_social_bras_fev_06.htm).
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O segundo movimento é exatamente o de criação de um conjunto de mecanismos voltados a possibilitar o funcionamento da verdadeira máquina de valorização fictícia do capital que vemos em funcionamento hoje na economia mundial e também dentro de cada formação econômico social. Como já mencionado, as crises mundiais dos anos 1970/1980 obstaculizaram o processo de valorização produtiva e, com isso, geraram estímulo a que o capital buscasse formas alternativas/complementares de valorização. Essa necessidade, férrea e cega, de valorização produziu as políticas de liberalização e desregulamentação dos fluxos internacionais de capitais na economia mundial e também dentro de cada país, processo que têm como marco político os governos de Reagan, nos EUA, e de Thatcher, na Inglaterra.
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Com isso foi constituído, e vem sendo reforçado, o chamado “mercado financeiro” que, na virtual ausência de controles com o seguimento do processo de liberalização e desregulamentação, cria seguidas “inovações financeiras”, ou em termos mais apropriados, novas formas de acumulação fictícias, nunca antes imaginadas.
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A reprodução conjunta produtivo/financeiro-fictícia
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O que é importante ressaltarmos nesse momento é que, uma vez consolidado esse processo, todo e qualquer capitalista individual passa a incorporá-lo, ou seja, passa a haver a reprodução conjunta produtivo/financeiro-fictícia de qualquer parcela individual de capital. Cada capitalista passa a reproduzir, conjuntamente, seu capital de forma produtiva e também fictícia. Não existe mais, a não ser na imaginação dos reformistas, a figura do capitalista industrial puro, contra o qual estaria oposto um puro especulador [19]. Eles se interpenetram e, no limite, são um só. O capitalista industrial (onde existisse só com seu capital aplicado à indústria) é levado a, de forma crescente, aplicar suas sobras de caixa, seu capital de giro, em atividades financeiro-fictícias para aumentar a taxa de lucro global do seu negócio. Logo em seguida, não serão mais apenas as “sobras”, mas a própria decisão dessa repartição, acumulação produtiva/acumulação financeiro-fictícia, que será condicionada pelas condições da reprodução/rentabilidade financeiro-fictícia. A separação acima mencionada, ideológica, é a visão que os próprios capitalistas e seus defensores gostam de propagar de si mesmos, quando necessário.
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Quando dizemos reprodução conjunta produtivo/financeiro-fictícia de qualquer parcela individual de capital queremos dizer que as decisões de reprodução de capital, no nível de qualquer capitalista individual, contemplam, sempre, todo o investimentos possível na sua atividade específica, o ramo da indústria ao qual está vinculado, quanto na esfera financeiro-fictícia, em fundos de investimento, dívida pública, ações, derivativos, hedge, e quantas variações forem possíveis.
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Essa valorização fictícia do capital já se entranhou na valorização do capital global, pressionando as condições de valorização do capital aplicado à produção. Isso quer dizer que a rentabilidade esperada dos investimentos fictícios passa a ser critério para decisões de acumulação na esfera produtiva.
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Enfim, a proporção entre esses investimentos é dada pelas condições conjunturais concretas a cada momento, embora de forma geral possamos afirmar que a parcela financeiro-fictícia vem sendo crescente.
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Também é importante enfatizar que esse é um processo sem retorno. Uma vez construída essa máquina de valorização financeiro-fictícia ela tende a permanecer e se fortalecer, alterando as condições de reprodução ampliada. Ou seja, nem mesmo um cada vez mais improvável novo período de acumulação produtiva “virtuosa” levaria ao desmonte dessa máquina especulativa. Pelo contrário, sua permanência é critério cada vez mais importante do cálculo da valorização global de cada capital e fator que permite a reprodução do capital.
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Pressuposto da constituição e do fortalecimento dessa máquina de valorização financeiro-fictícia foram os movimentos de liberalização e desregulamentação de capitais. Pressionados pela necessidade de novo espaço de valorização, os estados imperialistas fizeram, na verdade, uma “regulamentação negativa”, abrindo novos espaços antes bloqueados à valorização autônoma do capital.
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Aparelhos Internacionais: fator contrariante adicional à queda da taxa de lucro
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Nesse processo, o que estamos chamando de “aparelhos internacionais” desempenhou papel fundamental, não apenas na “regulamentação negativa” que estava a seu encargo (bancos centrais) e na propaganda incessante ou mesmo imposição dessas medidas a todos os países (FMI, Banco Mundial, etc.), mas também na definição das condições mais gerais de reprodução do capital. Condições como as taxas de juros e de câmbio, os demais instrumentos de política monetária, política fiscal e, no limite, no escancarado salvamento dos “coitados” dos capitalistas que estão tomando prejuízos com a eclosão da crise. Aqueles mesmos que ou acreditaram na ilusão do crescimento permanente ou foram forçados a agir dessa maneira pela concorrência entre os capitais, sendo pegos de “surpresa” com a chegada da crise. Ilusão e surpresa bem expressos na citação da Folha de S. Paulo do início deste artigo.
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Assim, essas instituições servem à produção/reprodução ampliada do capital, em nível nacional e mundial, como um fator contrariante adicional à queda da taxa de lucro, manipulando juros, empréstimos de liquidez e demais instrumentos.
Como afirmado por nós em artigo anterior:
“É o processo de construção e sustentação de uma máquina de valorização financeira - e vamos aqui avançar uma tese: a construção de Aparelhos Internacionais a serviço da reprodução do sistema imperialista, tradução na superestrutura do processo de formação de uma economia capitalista mundial cada vez mais integrada, o imperialismo -, que vem permitindo o processo que analisamos de valorização de capitais no ‘mercado financeiro’.
Sem estes Aparelhos, a valorização do capital no ‘mercado financeiro’ não poderia se dar sem uma crise que se generalizasse para a economia como um todo e para toda a economia mundial. O que quer dizer, crise que inviabilizasse a ‘máquina financeira’ enquanto espaço de valorização e que estendesse seus efeitos ao setor produtivo, a indústria” (A crise do imperialismo expressa o agravamento de todas as suas contradições).
Em meados de setembro, o Banco Central dos Estados Unidos diminuiu sua taxa de juros de 5,25% para 4,75% e, em outubro, para 4,5%, retomando a não-saída da crise pela tentativa de ajustar as condições ao reinício da ciranda especulativa. Essa medida gerou duas reações distintas. Por um lado, uma parte dos próprios defensores do capitalismo foram-lhe contrários, defendendo que a especulação teria ido longe demais e que seria necessária uma crise mais profunda, com falências “pedagógicas”, em benefício dos interesses mais permanentes, de longo prazo, do próprio sistema [20]. Por outro, os especuladores, sem essas preocupações nem esses escrúpulos, imediatamente retomaram com toda a fúria a geração de capital fictício, criando novos recordes nas bolsas de valores e, esquecendo do dia de ontem, preparando a próxima “surpresa” que os espera em breve, muito breve. Como estampa o caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo: “Bolsa volta a bater recorde e zera as perdas com a crise” (FSP, B1, 25.09.2007), valorização que o jornal atribui ao retorno dos especuladores estrangeiros. É claro que Lula não perdeu mais essa chance de bajular os gringos, assunto de sua especialidade [21].
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Como se trata de uma “surpresa previsível”, passaram-se alguns dias e novas manchetes: “EUA injetam US$41 bi para acalmar mercados. Valor é o maior desde o pós-11 de Setembro; situação dos bancos afeta Bolsas” (FSP, primeira página, 02.11.2007) e “Temor com bancos faz Bolsas recuarem. Dow Jones cai 2,6%, com rebaixamento de nota de Citigroup; Fed faz maior injeção de dinheiro desde setembro de 2001” (FSP, B1, 02.11.2007).
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Em suma, a crise atual, mais uma expressão da crise latente do sistema mundial do capitalismo, do imperialismo, não será a crise final do imperialismo, e nem haverá uma. Essa crise nos mostra, novamente, os limites aos quais a valorização produtivo/financeiro-fictícia tem levado o imperialismo, suas contradições e seu caráter regressivo, parasitário. A única solução para essa contradição é a inauguração de uma nova era com a transição para o socialismo, rumo ao comunismo. E, para que seja possível avançar nessa tarefa, é necessário retificar, aprofundar a análise da conjuntura na qual lutamos, forjar uma linha justa para dirigir a luta e desta forma - em um trabalho político cotidiano, combativo, tenaz e persistente entre as massas exploradas e oprimidas - fazer avançar as posições do proletariado na luta de classes.
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Notas:
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[1] Marx (Dezembro de 1864). Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores. In: Marx e Engels. Obras Escolhidas em Três Tomos, vol. 2, Edições Avante. Lisboa, 1983 – pg. 9. [voltar]
[2] O cinismo da frase de Lula, várias vezes repetida, a última em seu “famoso” pronunciamento das duas orelhas, quando declarou que tem uma para ouvir vaias e outra só para aplausos, merece a citação integral, para que ninguém se esqueça e nem diga que não sabia: “os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo. Os que estão vaiando, Prefeito, posso garantir, são os que ganharam muito dinheiro neste País no meu governo. Aliás, a parte mais pobre é que deveria estar mais zangada, porque ela teve menos do que eles tiveram. É só ver quanto ganharam os banqueiros, é só ver quanto ganharam os empresários.” (conforme versão transcrita pela própria Presidência da República).
Disponível em: http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr249-2@.doc). [voltar]
[3] Ver comunicado do FMI: La economía mundial mantiene un crecimiento pujante. Disponível em http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2007/update/01/pdf/esl/0707s.pdf. [voltar]
[4] Ben Bernanke. Housing, Housing Finance, and Monetary Policy. Discurso pronunciado em conferência anual do Federal Reserve Bank de Kansas City, em 31.08.2007. Disponível apenas em inglês em http://www.federalreserve.gov/newsevents/speech/Bernanke20070831a.htm. [voltar]
[5] A crise do imperialismo expressa o agravamento de todas as suas contradições (http://www.cecac.org.br/MATERIAS/Crise_do_imperialismo_outubro_06.htm), de outubro de 2006, e Luta de classes e crise do imperialismo (http://www.cecac.org.br/MATERIAS/ Luta_de_classes_e_crise_do_imperialismo_junho07.htm), de junho deste ano. Ver também Formação econômico-social brasileira: regressão a uma situação colonial de novo tipo (http://www.cecac.org.br/MATERIAS/formacao_social_bras_fev_06.htm), de fevereiro de 2006. [voltar]
[6] Essa sucessão de crises não passa despercebida pelos analistas econômicos burgueses mais atentos (ou menos apologéticos). Alguns até mesmo tentam interpretar o período em conjunto, criticando a globalização e defendendo um retorno a um “capitalismo organizado” que teria vigorado no pós-guerra. Veja-se, por exemplo, Yoshiaki Nakano, um tucano covista, afirmando “nunca na história tivemos uma sucessão tão grande de crises financeiras” e, em seguida enumerando várias delas (“As raízes da atual crise financeira”, Valor, 28.08.2007). Enumeração similar faz o keynesiano Luiz Gonzaga Belluzzo, afirmando que a “crise provocada pelo estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos é uma reprodução de crises que assolam o capitalismo desde o século XIX, a partir da criação de um sistema bancário e financeiro, articulado com grandes empresas”, recusando-se a chamar o imperialismo - conceito forjado por Lênin - pelo nome (“Risco moral torna atual crise mais profunda e perigosa”, Agência Carta Maior, 30.08.2007). Disponível em http://www.agenciacartamaior.com.br/ templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14606. Até mesmo o ex-Secretário do Tesouro dos EUA, ex-economista-chefe do Banco Mundial e ex-presidente da Universidade Harvard, Lawrence Summers, concorda que “Durante os últimos 20 anos grandes distúrbios financeiros ocorreram aproximadamente a cada três anos”, para, logo após, enumerá-los. (“This is where Fannie and Freddie step in”, Financial Times, 26.08.2007. Disponível apenas em inglês em http://www.ft.com/cms/s/0/1d9b2d1c-5403-11dc-9a6e-0000779fd2ac.html). [voltar]
[7] Isso quer dizer, mais exatamente, no caso específico da crise atual, que foram as medidas adotadas para sair da crise anterior que geraram a crise atual. Mais concretamente, a prolongada política de juros reais negativos, implementada pelo Banco Central dos Estados Unidos, e seguida na Europa e no Japão, tornou possível a formação da bolha imobiliária e a criação dos novos mercados de crédito para financiá-la. De forma simplificada, juros reais negativos (ou muito baixos) estimularam a tomada de empréstimos imobiliários, tendo as próprias casas como garantias. Esse aumento da procura por casas fez subir seus preços, possibilitando novos empréstimos com a mesma garantia. Essa maior procura também estimulou a construção civil e outros setores produtivos, ampliando a sobreacumulação de capitais e superprodução de mercadorias. A espiral especulativa foi estimulada com a criação de novos tipos de empréstimos (inovações financeiras), destacando-se os sem garantias adequadas pelos padrões anteriores (subprime), e o repasse dos riscos para fundos interessados em altos riscos/altos lucros, via securitização, que magnificou o contágio mundial da crise. [voltar]
[8] Marx. O Capital, livro III, vol. IV, cap. 15. 3ª ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988, pg. 185. [voltar]
[9] Idem. Ibidem, pg. 191. [voltar]
[10] Lênin (Outubro de 1899). Nuestro programa. In: Obras Completas. Tomo 4, Moscú: Editorial Progreso, 1981. 194 p. Publicado pelo CeCAC em comemoração aos 90 anos da Revolução Bolchevique (http://www.cecac.org.br/MATERIAS/Lenin_nosso_programa.htm). [voltar]
[11] Marx (1862-1863). Teorias da Mais-Valia: história crítica do pensamento econômico. Livro IV de O Capital, vol. 2. São Paulo: Ed. Difel, 1980, pg. 937 e 945 (negrito nosso). [voltar]
[12] Por exemplo, olhando a posteriori, parece evidente a qualquer um que a bolsa de Xangai subir 100% por ano ou mais, todos os anos, era inviável, uma bolha em busca de estourar. Acontece que um “capitalista racional” que tivesse saído da bolsa em 2006 – porque achava que o desempenho dela era incompatível com os fundamentos – perdeu uma valorização de 100% do seu capital que o capitalista seu vizinho, munido da “ganância irracional”, como diz Alan Greenspan, teve. Os exemplos são inúmeros e se repetem a cada crise. Essa “irracionalidade” das bolhas financeiras já gerou até mesmo estórias como as da Merposa. Para os curiosos, uma visita ao clipping do Ministério da Fazenda, que reproduz matéria do Valor de 08.02.2006, sobre essa, digamos assim, empresa, poderá ser instrutiva e também divertida (http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?cod=264593). O “M...” na matéria, que um provável sentimento de pudor do jornal não permitiu escrever por extenso, é merda mesmo, negociada alegremente pelos especuladores da época. [voltar]
[13] Aqui é preciso chamar atenção para um trabalho publicado por Antonio Mendonça “A crise econômica e a sua forma contemporânea”, realizado sob orientação de Suzanne de Brunhoff, para obtenção do grau de doutor em economia, no qual é um dos primeiros a assinalar as novas características que vai assumindo o imperialismo; “O ano de 1974 parece ter constituído um ponto de viragem decisivo no funcionamento da economia capitalista mundial.” (MENDONÇA; 1990, 34 p.). [voltar]
[14] Marx (1862-1863). Teorias da Mais-Valia, pg. 931-932. [voltar]
[15] Para exemplificar a magnitude dessa sobreacumulação de capitais que tem como centro a principal economia imperialista do planeta, tornando-os crescentemente incapacitados de se reproduzirem ampliadamente à taxa de lucro desejada, pode-se consultar o livro de Robert Brenner. O Boom e a Bolha: os Estados Unidos na Economia Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2003 (concluído em julho de 2001). Com o objetivo de analisar os fatores que permitiram “a perpetuação de uma longa estagnação na economia mundial, entre 1973 e 1995” (pg. 13), Brenner aponta sua causa: “o excesso de capacidade no setor manufatureiro internacional, que há muito é responsável direta ou indiretamente pelo reduzido crescimento econômico... Disso resultou uma queda acentuada da lucratividade” (pg. 17). Brenner segue durante todo o livro demonstrando esses fatos, analisando os principais setores da economia americana e sua respectiva sobreacumulação, mostrando a bolha acionária e de tecnologia de informação como uma “válvula de escape” e a crise do “estouro da bolha” como retorno à tendência de estagnação.
Mais recentemente, Aglietta, analisando o que chama de “desordens” no capitalismo mundial – que teriam como marco inicial, marco da “mudança de regime” de acumulação, a crise “asiática”, de 1997, e como antecedentes a crise do sistema de paridades fixas e controles de capital de Bretton Woods (a partir de 1971, com a flutuação do dólar), os choques do petróleo nos anos 1970, a crise “da dívida” dos países dominados nos anos 1980 e a restauração do capitalismo nos países socialistas, evento que “abriu o mundo inteiro ao capitalismo ocidental” (pg. 8) a partir do que considera a criação de “um espaço livre para a expansão do capital à procura de rentabilidade elevada” (pg. 13) – também aponta a sobreacumulação de capital: “Não é igualmente nada surpreendente que os Estados Unidos tenham sido o principal país em termos de sobrecapacidade produtiva entre 2002 e 2005” (pg. 24), sobreacumulação posta a nu com o estouro da bolha em 2001: a “formação da bolha e seu posterior estouro arremataram o desenvolvimento de sobrecapacidades permanentes” (pg. 30). Michel Aglietta e Laurent Berrebi. Désordres Dans Le Capitalisme Mondial. Paris: Éditions Odile Jacob, março de 2007. [voltar]
[16] Nunca é demais lembrar que o capital fictício, parcela do capital que se reproduz autonomamente, dissociada do valor efetivamente investido na produção e da mais-valia aí obtida, tem que ser considerado em seu caráter contraditório: fictício do ponto de vista social e bastante real do ponto de vista do capitalista individual que o detém. Ou seja, embora não amplie o montante de mais-valia produzida a cada período, atua na repartição dessa mais-valia na esfera da circulação, na reprodução, ampliando a parcela desta que cabe a seu detentor (na divisão da mais-valia produzida), aumentando a concentração de capitais em suas mãos. [voltar]
[17] Um único exemplo basta para demonstrar essa orquestração, reforçando nosso argumento. Como diz (e torce) o Estadão, “Os bancos centrais vão intervir nos mercados de forma coordenada para tentar evitar que a atual crise se prolongue” (OESP, B1, 11.09.2007). Ainda de acordo com a matéria, o presidente do Banco Central Europeu e porta-voz do grupo, após reunião em Basiléia, na Suíça, falava de ação concertada não apenas com seus pares imperialistas, mas também com “os BCs de países emergentes”. Mais explicitamente: “Nossos encontros ilustram as relações íntimas que existem entre BCs, na troca de informações de forma honesta. A confiança mútua que temos repercute em cada uma de nossas decisões domésticas. As responsabilidades hoje são pesadas sobre os BCs”. Na mesma ocasião, o presidente do BC do Brasil, o ex-banqueiro internacional Henrique Meirelles, tratou de fazer-lhe eco: “Os BCs estão em contato permanente, para que estejam prontos a entrar num processo de coordenação mais de perto caso haja necessidade”. [voltar]
[18] Mercadoria barata aqui não significa produção de bugigangas ou de produtos a R$1,99 apenas. Essa caracterização da produção chinesa, embora ainda importante em suas exportações mundiais de brinquedos, produtos têxteis e demais manufaturados intensivos em mão de obra, não reflete mais o conjunto do que é produzido pelas filiais das empresas transnacionais na China e pelos próprios monopólios chineses. O início da produção e exportação, em fábricas instaladas na China, de mercadorias industriais mais elaboradas, com maior tecnologia e maior “valor agregado” não só já é uma realidade como tenderá a agravar ainda mais os conflitos econômicos e políticos interimperialistas. [voltar]
[19] Três significativos exemplos para não nos alongarmos demasiadamente em algo que deveria ser por demais evidente. Um industrial conhecido, como Antônio Ermírio de Moraes, o bilionário chefe do grupo Votorantim, iniciado faz quase um século com uma tecelagem e depois expandido para as áreas de cimento, metalurgia, celulose e papel, energia, agroindústria e química, também atua na área financeira. Há vinte anos foi criada uma holding financeira encabeçada pelo Banco Votorantim que hoje conta com financeira, gerenciadora de ativos, empresa de leasing e corretora. O Banco Votorantim é, de acordo com informação do Banco Central referente a junho de 2007, o 8º maior banco privado por ativos e o 6º por patrimônio líquido.
Em seguida, um especulador conhecido como Armínio Fraga Neto, ex-funcionário de George Soros em Nova Iorque e ex-presidente do Banco Central, depois de deixar o governo FHC criou uma bilionária empresa de “gestão de ativos”, a Gávea Investimentos, uma das maiores do país. Além de gerenciar agressivos hedge funds, a empresa também tem participações em fazenda de café, na editora Nova Fronteira, no McDonald’s, em portos, é administradora de shopping centers entre outros negócios da economia real. Por fim, apenas para não esquecer o ex-chefe de Armínio, George Soros, o estereótipo do especulador internacional, acaba de comprar uma usina de açúcar e álcool em Minas Gerais e deve investir também no Mato Grosso do Sul, em ambos os casos por intermédio de sua empresa de bioenergia e alimentos. Além disso, exemplo final, os fundos de hedge, que são geridos pelas maiores aves de rapina do capitalismo atual, contam entre os seus investidores ou cotistas com o mesmo capitalista “industrial” (afinal de contas, se não fosse deste, capital de quem eles investiriam?) que reclama dos juros altos, do câmbio apreciado, da isenção de imposto de renda aos investidores estrangeiros, da carga tributária, da falta de infra-estrutura, etc. [voltar]
[20] É bastante significativo que esse seja o tema de editorial da bíblia semanal dos capitalistas, a revista inglesa The Economist. Com o título de “Será que uma recessão não faria bem aos EUA?” (republicada pelo jornal Valor, em 27.08.2007) defende a recessão dizendo que “Muitos dos atuais problemas financeiros americanos podem ser atribuídos à moderação da recessão de 2001”, quando o país “recebeu a maior injeção monetária e fiscal de sua história”, o que “simplesmente substituiu uma bolha [de ações] por outra [imobiliária]”. Para a revista, a “recessão purga os excessos do boom anterior, deixando a economia mais saudável”, e por isso, um conjunto de medidas semelhantes às de 2001 “provavelmente tornará uma futura correção mais dolorosa”. Assim, o dilema seria entre “uma recessão branda agora e uma recessão mais grave mais adiante”. A revista, no entanto, curva-se à lógica férrea da acumulação de capital, que determina que seus aparelhos internacionais façam o máximo para salvar os capitalistas de si mesmos e conclui: “mesmo se uma recessão estivesse alinhada com o interesse econômico americano de longo prazo, seria um suicídio político defendê-la. Se um presidente de banco central aventasse a idéia, logo poderia deixar de sê-lo”.
Outro a defender essa posição é Martin Wolf, colunista do Financial Times, no artigo “Insensatez e suas conseqüências” (republicado no Valor, 29.08.2007). [voltar]
[21] Mesmo estando em cerimônia de inauguração de um aeroporto em Cabo Frio, em 28.09.2007, não perdeu a chance de achar uma deixa e fazer uma demonstração de servilismo explícito: “o dia em que nós, brasileiros, e, sobretudo, os nossos empresários tiverem 50% da confiança no Brasil que estão tendo os investidores estrangeiros, este País vai dar um salto de qualidade em dez anos, que ele não deu em 50 anos. Vai dar um salto de qualidade extraordinário” (De acordo com transcrição do Planalto. Disponível em http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr364-2@.doc). [voltar]
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11/novembro/2007
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