Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 19 de maio de 2013

Porto: A nova vida das velhas salas de cinema

**JornalismoPortoNet*
Porto: A nova vida das velhas salas de cinema
Do Cinema Águia d'Ouro, aberto em 1900, hoje já só resta a fachada, que dá cara a um hotel

Foto: DR

Porto: A nova vida das velhas salas de cinema

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Durante décadas, o cinema era uma das distrações mais populares entre os portuenses. Hoje, das salas de espetáculo da Sétima Arte, restam edifícios com histórias bem diferentes para contar.
Até aos anos 80 eram vários os cinemas espalhados um pouco por toda a cidade do Porto, desde a baixa até à Foz. O declínio dos lucros e o aparecimento dos multiplex fez com que muitos fechassem ou desaparecessem enquanto outros "renasceram" em forma de negócios como hóteis, bingos e até igrejas. O JPN foi descobrir o que resta daquelas que foram, há mais de 20 anos, algumas das salas mais importantes do Porto.

Cinema Olympia

O cinema Olympia, na rua Passos Manuel, bem perto do Coliseu do Porto, abriu portas a 18 de maio de 1912 pela mão de Henrique Alegria - produtor cinematográfico, filho de pai brasileiro e mãe portuguesa.

Os jornais da época descreviam asinstalações como "modelares, elegantes e luxuosíssimas", na altura já com iluminação elétrica e a projeção dos filmes com uma nitidez e fixagem absolutas. Tinha uma lotação para 600 pessoas e que várias vezes encheu com filmes de cariz mais popular, como os de cowboys, por exemplo, mas também com estreias como "Amor de Perdição", de George Pallu.
"O cinema deixou de render, de dar lucro e de compensar tê-lo aberto"

Margarida Neves

Foi comprado pela empresa da família Neves&Pascaud e na época de 60 e 70 já se encontrava numa fase de decadência, com uma programação secundária. Na década de 80, o cinema fecha de vez e dá lugar a uma sala de bingo. A razão, segundo Margarida Neves, neta do antigo proprietário, é bastante simples: "O cinema deixou de render, de dar lucro e de compensar tê-lo aberto", disse Margarida ao JPN.
Mas o bingo acabou por ter o mesmo destino que o cinema e, hoje em dia, o Olympia não é mais do que um prédio fechado e vazio. Pertence à empresa Sopete, do Casino da Póvoa, e sem futuro previsto.

Cinema Trindade

Futuro semelhante ao Olympia, teve o Cinema da Trindade. Hoje o espaço tem uma sala de bingo mas em pleno funcionamento e gerido pela empresa Cinema da Trindade, depois de também ter tido a tutela da Neves&Pascaud. O motivo para o fecho do cinema foi exatamente o mesmo que o do Olympia, segundo Margarida Neves.

O Cinema da Trindade foi inaugurado um ano depois do Olympia - a 14 de junho de 1913. Tinha capacidade para 1191 lugares e uma programação de excelência: "No Cinema da Trindade passavam filmes de maior qualidade como as grandes estreias e os filmes dos Óscares", conta ao JPN Margarida Neves.

Cinema Águia D'Ouro

Do Cinema Águia D'Ouro resta a fachada. Situada na Praça da Batalha, a antiga sala de cinema pertence, agora, à cadeia de hotéis Endutex. A reconstrução, depois da aquisição em 2008 pelo grupo, resultou na demolição do interior do edifício, após mais de 20 anos de espera e de degradação que contrastam com outros tempos de glória. O investimento foi de 6,7 milhões e o projeto esteve a cargo dos arquitetos Nelson Almeida e Rosário Rodrigues, responsável por obras como a Torre das Antas ou o edifício Trindade Domus.

Na data da remodelação, foram salientadas as necessidades de manter a identidade do espaço, sendo este parte da memória coletiva da cidade Invicta. De acordo com Gisela Barros, da assessoria do hotel, a aposta no espaço manteve a "fachada Art Déco da década de 1930". Foram, ainda, recuperados "suportes de partituras da orquestra, um microfone antigo e uma bobina, entre outros achados arqueológicos que poderão ser visto no hall do hotel".

Tentativas de requalificação

Antes da criação de um hotel, foram várias as tentativas de devolução do espaço, enquanto centro de cultura, à cidade do Porto. Em 2006, após o restauro parcial do Cinema Batalha, foi muita a especulação sobre a reabertura do Águia D'Ouro. Na Internet, surgiu uma petição, dirigida ao presidente da Câmara, Rui Rio, que pedia uma solução para o cinema que corria "o risco de desaparecer, dado ao seu elevado estado de degradação". "Salvem o Águia D'Ouro e abram o Cinema Batalha", exigia-se. A hipótese de restauro esteve, também, em cima da mesa em 2003, quando o grupo Solverde, que se tornou o proprietário do espaço, viu chumbado o projeto para transformar o espaço num casino.
Em retrospetiva, o Águia D'Ouro abriu, em primeiro lugar, como um café, em janeiro de 1839. Camilo Castelo Branco e Antero de Quental eram clientes assíduos do espaço. O cinema surge posteriormente, já em 1908, com espetáculos e filmes mudos, já que o cinema sonoro apenas chegou cerca de 20 anos depois, em 1930, com o "All That Jazz".
Em 1931, a fachada foi remodelada e o espaço reaberto. No pórtico foi colocado os símbolo que lhe dá o nome: uma águia de ouro. O cinema pertenceu à família Neves&Pascaud, a detentora do monopólio cinematográfico da cidade Invicta. O fecho deu-se em 1989 e foi motivado pela ausência de espetadores.

Cinema Vale Formoso

O Cinema Vale Formoso, aberto ao público em 1949, localizava-se numa área residencial do centro do Porto e funcionava mais como "cinema de bairro". Tal como tantos outros, era explorado pela Lusomundo.

Encerrada em 1993, a sala de Vale Formoso foi adquirida pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), depois da tentativa falhada em comprar o Coliseu do Porto. Até 2010, o Cinema Vale Formoso foi usado como santuário pela IURD, mas acabou por fechar as portas quando o grupo religioso passou para a sua nova catedral, na Rua de Serpa Pinto.
O edifício mantém a plateia, com uma capacidade de 900 lugares, mas sofreu algumas mudanças, entre elas um novo palco, feito em mármore. O JPN contactou a Igreja Universal do Reino de Deus para obter mais informações sobre o antigo Cinema Vale Formoso, mas não obteve nenhuma resposta.

Cinema Passos Manuel

O Cinema Passos Manuel data de 1971. Está albergado no Coliseu do Porto e é, desde 2004,uma sala dedicada a várias artes além do cinema, sendo também um um bar e uma discoteca. "Se isto fosse apenas um cinema, já teria fechado porque, tal como todas as artes, dá prejuízo", explica António Guimarães, responsável pela exploração do espaço, ao JPN. António acrescenta que, para manter o cinema a funcionar, não ia cair na "asneira" de ter um espaço dedicado em exclusivo à exibição de filmes.
"Se isto fosse apenas um cinema, já teria fechado"

António Guimarães

"Escolhi o Passos Manuel porque era um sítio que estava fechado e onde eu vim ao cinema durante anos e anos", conta António que, depois de saber do encerramento da sala, contactou imediatamente os responsáveis pela gestão do Passos Manuel. Depois, fez algumas remodelações para albergar o modelo de negócio atual - um investimentode "centenas de milhares de euros".
O cinema foi a arte predileta do espaço durante trinta anos, até ao seu encerramento temporário, em 2002. António conseguiu a licença de exploração e reabriu-o em 2004. O contrato entre o empresário e o Coliseu do Porto termina em 2014 e António prefere esperar pelo futuro para decidir o que fazer. Caso permaneça à frente do cinema, poderá melhoraro auditório, pois o projeto "tem pernas para andar".

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Porto ~ Livraria Lello e Irmão

 guia

lazer 

 
© 2011 PÚBLICO





Por Nelson Garrido

 



27.01.11 Por Susana Cruto
É considerada uma das mais belas livrarias do mundo. A centenária Lello é uma instituição do Porto e é já visita obrigatória para quem vem de fora.

Entra-se e há livros... muitos livros. Um local onde o passado, o presente e o futuro se entrelaçam numa escadaria vermelha, que sozinha conta histórias e ilustra imagens. Na Rua das Carmelitas, no Porto, a Livraria Lello & Irmão faz na próxima quinta-feira 104 anos e já mostrou a quem por lá passa que é mais do que uma loja de instrumentos de leitura.
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Perto da ala nocturna da Rua das Galerias de Paris, onde os mais jovens acolhem a noite com risadas e euforia, está a requintada e histórica livraria - uma segunda casa para muitos, um ponto de visita para outros.
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Tacos de madeira, organizados, compõem o chão que os nossos pés pisam levemente. Dois andares e uma união arrebatadora: uma longa e característica escadaria vermelha. São mais de 120.000 títulos que embelezam este local de grande culto nas mais diversas áreas e línguas.
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Um refúgio sem dúvida hospitaleiro que faz parte da memória de Beatriz Pacheco Pereira desde criança. Fundou o Fantasporto, escreve sobre o Porto e luta pela cidade Invicta. "É uma livraria que me acompanha, mas tem um defeito grande. Entra-se atraído pelas montras, sempre cuidadas, mas depois há um momento de esplendor que nos faz esquecer por que entramos, o livro da montra que iríamos comprar. E talvez estes deslumbres sejam maus para o negócio dos livros", partilha. Mas também tem uma qualidade. "Continua a ser uma livraria a sério, como já não há muitas na cidade. Requintada, solene, um templo do livro e do saber. Magnífica. E, para raiva de muitos, no Porto...E o ambiente? Calmo, nada tecnológico e industrial. Entre o sublime e o realista."
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A Lello é um recanto sagrado, onde os livros fazem viajar a lugares encantados. Entramos num mundo cheio de pormenores que embelezam o número 144 da Rua das carmelitas. Em estilo neo-gótico, possui uma magnífica fachada, formada por um amplo arco abatido, cuja entrada se divide numa porta central, ladeada por duas montras que constituem verdadeiramente os expositores públicos da livraria. Dos lados da janela, destacam-se duas figuras pintadas, da autoria de José Bielman, simbolizando uma a Arte e a outra a Ciência.
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Um ambiente acolhedor, onde pontificam os livros e uma decoração imponente. Uma vasta sala, com uma galeria que dá acesso a uma escada ornamental, onde correm algumas mesas que servem para exposição dos livros. Bancos em madeira e revestidos a couro e estantes a toda a altura desta sala perfazem o espaço interior próprio de uma livraria actual, mas que guarda a memória do passado. À esquerda e à direita, nos longos pilares, distinguem-se os ilustres homens das letras, como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Teófilo Braga ou Guerra Junqueiro. E se é do tempo do filme O Xangô de Baker Street recorde-se que aqui foram filmadas algumas cenas desse filme baseado no romance de Jô Soares.
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Já dizia Fernando Pessoa que o poeta é um fingidor. Mas António Pedro Ribeiro não é de representar. Entrou pela primeira vez na livraria há cinco anos e ficou impressionado. Um poeta e cronista do Porto que invade poucas vezes a livraria, mas que já conseguiu traçar uma caracterização bastante poética. "A Lello é um espaço aberto ao leitor e à leitura. Um hino ao livro e à leitura. E é mais do que uma livraria. É uma maravilha da arquitectura. Uma casa do livro, do convite à leitura e do convívio entre leitores", qualifica.
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O aspecto arquitectónico chama logo à atenção a quem seja ou não arquitecto. Mas os especialistas da matéria têm mais a dizer. São amigos de longa data, mas foi há sete anos que Vasco Morais Soares, arquitecto da Lello & Irmão, convidou António Fuentes Flores a visitar a reabilitação que tinha concretizado. Veio do México, pisou a obra histórica e não escondeu que ficou encantado. E comenta, sem rodeios, as virtudes desta obra. "É um espaço bonito, muito bem feito, que preserva e respeita o seu estilo original, com trabalho de madeira também fantástico nas prateleiras. A escada central iluminada e um vidro manchado magnífico, assim como as inovações tecnológicas do seu tempo, como o carrinho de faixas para o transporte dos livros, são pormenores belos. Eu não me atreveria a mudar alguma coisa neste espaço", refere.
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A Lello & Irmão é considerada a livraria mais antiga de Portugal. Está no Porto desde 1881 e fica num prédio com vitrais, painéis, colunas e com uma escadaria no centro. "A principal, e extraordinária característica do edifício, é singular. Nunca se ouviu dizer que é parecido com..." - é assim que José Manuel Lello, um dos responsáveis da livraria, começa a descrição deste mundo dos livros. Já conhece os turistas e consegue revelar algumas das reacções a este espaço. "Os turistas, além de ficarem espantados à entrada - embora a conheçam de fotografias, querem conhecer o espaço ao vivo -, procuram livros sobre Portugal, o Douro, Vinho do Porto, azulejos, guias turísticos, literatura portuguesa traduzida na sua língua, e também recordações da livraria - brochura com a história, postais, etc.", conta.
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Há quem diga ao ouvido que, se a Lello fosse uma pessoa, poderia ser um filósofo aristocrata ou até mesmo Salomé, segundo os desenhos de Aubrey Beardsley para a peça de Oscar Wilde. Mas há quem vá mais longe e consiga relatar um dia completo desta mulher. Inês Botelho é autora da trilogia de fantástico O Ceptro de Aerzis, composta por A Filha dos Mundos (2003), A Senhora da Noite e das Brumas (2004) e A Rainha das Terras da Luz (2005) e narra assim um dia desta mulher Lello: "Vinha todos os dias sentar-se na esplanada, a figura elegante, mas nunca totalmente correcta. Na roupa de corte irrepreensível, entre o clássico e o moderno, havia uma bainha dobrada, ou uma pequena nódoa de tinta-da-china, ou um ombro deformado pelo peso da pasta sobrelotada de livros, revistas, jornais." E deixa correr a imaginação: "Ou então era o cabelo, bem penteado mas desgrenhado pelo vento, ou pelos dedos que o levantavam e enrodilhavam num gesto inconsciente. Ou talvez se limitasse a um excesso de perfume, um odor demasiado intenso a lavanda que lembrava prados junto a um castelo granítico após uma manhã de temporal, ou uma fragrância forte, a tender para o doce e a convocar noites quentes em cafés vagamente orientais." Mas põe um travão na fantasia e termina: "Algo incerto, imprevisível. Pequenas preciosidades, como os berlindes, canetas, flores secas, caderninhos que numa ou noutra ocasião lhe caíam dos bolsos."
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E se um dia for editado algum livro sobre a história da livraria, Beatriz Pacheco Pereira escreveria assim no prefácio: "Nasceu neogótica como era a grande moda do século XIX, com ares de Walter Scott, com toques pré-rafaelitas. Depois assumiu-se local de saber e do livro, depois local de romagem nostálgica ou divertidamente turística. Há uma confluência mágica na Lello."

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Porto" - três significados, duas interpretações


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Enviado por em 17/02/2010
Ao longe o mar  -  Madredeus

Porto calmo de abrigo
De um futuro maior
Inda não está perdido
No presente temor

Não faz muito sentido
Já não esperar o melhor
Vem da névoa saindo
A promessa anterior

Quando avistei
Ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar

Sim, eu canto a vontade
Canto o teu despertar
E abraçando a saudade
Canto o tempo a passar

Quando avistei
Ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar

Quando avistei
Ao longe o mar
Sem querer deixei-me
Ali ficar

 

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Enviado por em 09/12/2007
Rui Veloso ao vivo no Porto. É muita emoção carago.
Com fotos desta cidade linda feitas ao longo de 9 meses.
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Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar
Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.
Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério
dum rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria
[refrão]
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa


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Enviado por em 12/04/2010
Porto Covo - Litoral Alentejano - Musica de Rui Veloso

Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no brazeiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

 

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