Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Exposição traça paralelos entre Oriente e Ocidente

Cultura | 06.01.2011

 

Há séculos que o Oriente fascina viajantes, pesquisadores e artistas ocidentais. Uma exposição em Karlsruhe, na Alemanha, mostra como os países orientais viam o Ocidente e como também admiravam a cultura ocidental.

 

Expostas no Museu Estadual de Baden, em Karlsruhe, estão várias figuras conhecidas na Alemanha e associadas ao Oriente: cigarros da marca "Sultan" (sultão), chocolates que remetem às Mil e Uma Noites e figuras que lembram o universo de países orientais. O cartaz de uma cervejaria bávara estampa beduínos em cima de um camelo, transportando garrafas de cerveja.
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Brincando com estereótipos
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O universo de tais clichês povoa há muito a imagem que os ocidentais têm do Oriente. No mesmo espaço, contudo, encontra-se um relógio cuco – um produto tipicamente alemão, pensa o visitante admirado, antes de perceber que há, no lugar do pássaro que anuncia as horas, uma pequena caixa de som, da qual ecoa, a cada meia-hora (da mesma forma que o cuco do relógio original), o chamado do muezim para a oração. 
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Viajante ocidental em trajes beduínosBildunterschrift: Viajante ocidental em trajes beduínos
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Essa obra de arte-relógio, de autoria da artista Via Lewandowsky, embora seja uma persiflage, remete a um fenômeno cultural, observa Schoole Mostafawy, a curadora da mostra. "Os relógios europeus chegaram ao Oriente já no século 17. Os relógios cuco são hoje populares nos países orientais, podem ser comprados nos bazares de Teerã, Istambul ou Damasco ou encontrados nas salas de visitas nesses países", diz Mostafawy. O que um belo tapete usado pelos nômades do deserto ou uma peça artesanal de cerâmica significa no Ocidente, um relógio cuco da Floresta Negra é no Oriente: um sinal de cosmopolitismo.
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Adoção da outra cultura
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A exposição em Karlsruhe brinca com estereótipos e mostra como existiu, durante séculos e mais séculos, um intercâmbio cultural rico, diversificado e hoje praticamente esquecido entre Oriente e Ocidente: tratava-se de um dar e receber, de uma troca, numa relação ainda não marcada pela ganância ocidental por matérias-primas ou pelo estabelecimento de rotas comerciais e pela falta de apreço pela população muçulmana. "Queremos mostrar aqui que o Oriente não é apenas um receptor passivo da cultura ocidental, mas também assimila essa cultura estranha a ele", observa o curador Jako Möller.
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Proibição de imagens e arte visual
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No século 19, quando a fotografia se tornou popular no Ocidente, pesquisadores e viajantes viajavam rumo ao Oriente e documentavam suas impressões em imagens. Quando o "Orientalismo" virou moda, o mundo islâmico assumiu ele próprio a nova mídia, passando por cima, de forma soberana, da proibição da reprodução em imagens ditada pelos líderes religiosos.
Mais ainda: os líderes religiosos acabaram encontrando até mesmo uma explicação para o motivo da súbita permissão da reprodução em imagens, explica Möller. "Eles argumentavam que a fotografia não era uma arte visual, mas meramente um procedimento científico, através do qual a luz é refletida sobre um papel fotográfico – o que, de fato, corresponde a uma descrição exata da fotografia."
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O ato de fotografar se transformou num símbolo da modernidade e nas imagens cotidianas foi sendo refletida uma nova autoconsciência. Líderes orientais passaram a encomendar fotografias com prazer, nas quais a própria cultura misturava-se com a alheia. Assim vemos mulheres de haréns, deitadas num divã, vestidas com um casaco e uma saia curta, como era comum na virada do século 20 nos países ocidentais.
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Imagem do profeta?
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Um suposto retrato do profeta é também um achado surpreendente. Ele mostra, de fato, Maomé? O retrato é até hoje objeto de veneração no Irã. 
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A suposta imagem de Maomé, à esquerda, e a fotografia original, à direitaBildunterschrift: A suposta imagem de Maomé, à esquerda, e a fotografia original, à direita
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No entanto, a imagem era originalmente uma fotografia. Ela mostra um jovem tunesiano, fotografado pelos alemães Rudolf Franz Lehnert e Ernst Heinrich Landrock no início do século 20. Mostafawy, a coordenadora do projeto da exposição em Karlsruhe, explica: "Esse era antigamente o contraponto às fotos das mulheres bérberes, com pouca roupa. Para os fotógrafos e seus clientes era sinônimo dos países orientais, ao lado de outros tópicos". 
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Transferência de bens culturais
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Objetos de arte e cotidianos mostram que a cultura islâmica também adaptou fenômenos do Ocidente. A recepção da arte europeia se deu a partir do século 18. Retratos de líderes, imagens de santos e papéis de parede combinam motivos religiosos do Islã com detalhes ocidentais, também cristãos, integrando, por exemplo, uma cadeira moderna ou um homem de terno com representações tradicionais do paraíso. 
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Imagens de deuses da Índia e do Irã lembram muito a carga simbólica da imagem de Maria conhecida no Ocidente. "Artistas dos países islâmicos deixaram-se influenciar pelos motivos do Ocidente, cujo estilo e temas são usados como de um catálogo."
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Cotidiano, nostalgia e traumas
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Aqueles que viajavam e tomavam contato com a cultura do outro carregavam consigo sonhos distintos. Enquanto os europeus admiravam profundamente o clima e as palmeiras da região mediterrânea, os artistas muçulmanos pintavam seus sonhos em forma de montanhas, florestas frias e pequenos riachos. 
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Uma capítulo surpreendente da exposição é dedicado à cultura cotidiana. Quem, de longe, vê os tapetes afegãos, já pode admirar belos ornamentos orientais. De perto, contudo, tudo muda de figura, pois ali se vê kalashnikovs, tanques de guerra, armas de fogo. "Esses tapetes foram feitos na época da guerra civil. Provavelmente sob encomenda para oficiais russos, mas mostram o cotidiano dos costureiros de tapetes e seus traumas", explica Jakob Möller.
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Tapete: 'Juízo Final'Bildunterschrift: Tapete: 'Juízo Final'
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O contraponto fica em frente: um tapete da Pomerânia, na costa alemã do Mar Báltico, com peixes e anzóis, tudo em estilo e ornamentos orientais. Naquela região, até os anos 1960, os tapetes eram uma ocupação alternativa para pescadores desempregados, uma arte popular. Os tapetes pomeranos são comumente conhecidos até hoje como "os persas do Báltico", embora a produção já tenha cessado.
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Autora: Cornelia Rabitz (sv)
Revisão: Alexandre Schossler

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

"Miss Tschörmänie": Merkel vira personagem de história em quadrinhos

Cultura |


A chanceler federal alemã virou personagem de uma história em quadrinhos que conta como uma física da antiga Alemanha Oriental passou, em pouco tempo, do completo anonimato ao mais alto cargo do governo alemão.

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A história começa no futuro, precisamente em 27 de setembro de 2009, dia das próximas eleições parlamentares na Alemanha. Em um bar no bairro central de Mitte, na capital Berlim, Gerhard Schröder, antecessor de Angela Merkel na chancelaria federal, e Edmund Stoiber, frustrado candidato conservador ao posto que Merkel veio a ocupar um pleito depois, discutem "como a coisa pôde chegar a esse ponto".

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A ascensão de Angela Merkel a chefe de governo da Alemanha permanece para eles um mistério, mesmo após quatro anos de coalizão entre social-democratas e conservadores. É a hora de fazer uma retrospectiva.

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Assim começa a história que Miriam Hollstein e Heiko Sakurai escreveram e desenharam. Ela trata da surpreendente biografia de uma física da Alemanha Oriental que, em pouco tempo, passou do completo anonimato ao mais alto cargo do governo alemão. O resultado não é nem um calhamaço politicamente correto nem um panfleto sarcástico, mas uma história em quadrinhos leve e irônica, que serve de entretenimento mesmo em tempos de campanha eleitoral.

Bildunterschrift:

Críptica e enigmática

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A dupla de autores pesquisou durante um ano. Para Sakurai, a chanceler federal, que ele nunca conheceu pessoalmente, já se tornou quase uma velha conhecida. "Mesmo em meu trabalho como caricaturista eu já tinha que lidar com ela diariamente, por assim dizer. Ela sempre fez parte do meu repertório." Sua história incomum, sua esperteza política e a vontade de se impor o fascinava, mas mesmo assim a protagonista continua sendo para ele uma incógnita.

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"Não consegui entender ela completamente", admite, argumentando que sua fisionomia é frequentemente impenetrável. "Dá para ver que ela não gosta de abrir o jogo." Pensando nisso, Sakurai a desenhou de forma enigmática, profunda e críptica, com habilidade para tirar do jogo seus concorrentes e rivais políticos.

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Leitura de chanceler?

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Em Miss Tschörmänie (Miss Germany, com um carregado sotaque alemão), Merkel está acompanhada de personagens da vida política na Alemanha dos últimos 20 anos – alguns dos quais já caíram no esquecimento, enquanto outros continuam na ativa.

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Para muitos, a desconhecida da ex-Alemanha Oriental era um desafio, uma provocação. A história mostra os truques, táticas e intrigas do governo, e como a predileta do antigo chanceler federal Helmut Kohl driblou todo mundo.

Autorretrato do desenhista Heiko Sakurai

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Autorretrato do desenhista Heiko Sakurai

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Mas as demais lideranças políticas em Berlim não parecem despertar a fantasia do desenhista. Por enquanto, não há ideias para uma continuação da história. Sakurai e a autora Miriam Hollstein tem agora outras preocupações: eles esperam que Merkel leia o volume, quem sabe durante as férias.

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O final da história em quadrinhos da primeira chanceler federal alemã permanece em aberto. "Afinal, somos cronistas e não profetas", disse Heiko Sakurai.

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Às 18h do dia de eleição, chega o momento da divulgação do primeiro prognóstico. Schröder e Stoiber, depois de muitas cervejas, ligam o televisor e veem Merkel nas nuvens, dizendo: "Vocês são apenas passado, enquanto eu sou história".

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Autora: Cornelia Rabitz

Revisão: Alexandre Schossler

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