Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Nara Leão - Pedro Pedreiro


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Enviado por  em 27/08/2011
℗1966 (Brasil). Sung in Portuguese. Written by Chico Buarque.

Pedro pedreiro penseiro
esperando o trem
manha parece carece
de esperar também para o bem
de quem tem bem
de quem não têm vintém.

Pedro pedreiro fica assim pensando
assim pensando o tempo passa
e a gente vai ficando para traz
esperando, esperando, esperando, esperando o sol
esperando o trem
esperando o aumento
desde o ano passado
para o mês que vem

Pedro pedreiro espera o carnaval
e a sorte grande do bilhete
pela federal todo o mês
esperando, esperando, esperando, esperando o sol
esperando o trem
esperando o aumento
para o mês que vêm
esperando a festa
esperando a sorte
e a mulher de Pedro
tá esperando um filho
pra esperar também.
Pedro pedreiro ta esperando a morte
ou esperando o dia de voltar pró norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
espera alguma coisa mais linda que o mundo
maior que o mar.
Mas pra quê sonhar sei lá?
No desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás
quer ser pedreiro
pobre e nada mais sem ficar
esperando, esperando, esperando, esperando o sol
esperando o trem
esperando o aumento
para o mês que vêm
esperando um filho pra esperar também
esperando a festa
esperando a sorte
esperando a morte
esperando o norte
esperando o dia de esperar ninguém
esperando enfim nada mais que além
que a esperança aflita, , bendita, infinita do apito do trem.


Nara Leão ~ Carcará


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Enviado por  em 07/08/2010
Nara Leão Track: Carcará Album: O Canto Livre de Nara

Gloria a Deus, Senhor nas alturas
e viva eu de amargura
nas terras do meu senhor...

Carcará pega, mata e come
carcará não vai morrer de fome.
Carcará, mais coragem do que homem.
Carcará pega, mata e come!

Carcará, lá no sertão
é um bicho que avoa
que nem avião.
É um pássaro malvado,
tem o bico volteado
que nem gavião

Carcará quando vê roça queimada
sai voando e cantando:
carcará vai fazer sua caçada,
carcará come inté cobra queimada!

Quando chega o tempo da invernada
No sertão não tem mais roça queimada.
Carcará mesmo assim não passa fome.
Os borregos que nasce na baixada...

Carcará pega, mata e come...

Carcará é malvado, é valentão,
é a águia de lá do meu sertão.
Os borrego novinho não pode andá:
Ele puxa no imbigo até matá.

Carcará pega, mata e come...

Zélia Barbosa - Feio Não É Bonito


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Enviado por  em 08/10/2007
(Carlos Lyra - Gianfrancesco Guarnieri)
Published on record "Sertão e Favelas" (Le Chant du Monde LDX 7 4346 - 1968)

Feio,
Não é bonito
o morro existe
mas pedem pra se acabar

Canta
mas canta triste
porque tristeza
e só o que se tem pra cantar

Chora
mas chora rindo
porque é valente
e nunca se deixa quebrar

Ama,
o morro ama
um amor aflito
um amor bonito
que pede outra história


Zelia Barbosa - Opinião


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Enviado por  em 05/02/2009
LP: Sertão e Favelas
Year: 1971
Label: La Chant du Monde (France)

Raquel Chaves - Guitar
Max Hediguer - Bass
Nelson Serra de Castro - Percussion

Featured on:
Kon And Amir - Off Track Volume One: The Bronx (BBE/2007)

Stereo: http://www.youtube.com/watch?v=GGWlC8cTUTA&fmt=18 

Podem me prender,
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer,
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio, não !

Se não tem água, eu furo um poço.
Se não tem carne, eu compro um osso
E ponho na sopa e deixo andar,
Deixo andar.

Fale de mim quem quiser falar !
Aqui eu não pago aluguel.
Se eu morrer amanhã, seu doutor,
estou pertinho do céu.

Podem me prender...

Zélia Barbosa - Canção da Terra


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Enviado por  em 27/04/2011


Olorum dê
Olorum dê
Olorum
I si bê o bá
I si bê o bá

Ave meu pai o teu filho morreu

Sem ter nação para viver
sem ter um chão para plantar
sem ter amor para colher
sem ter voz livre pra cantar
e meu pai morreu

Salve meu pai o teu filho nasceu 

E preciso ter força para amar
pois o amor é uma luta que se ganha
e preciso ter terra para morar
e o trabalho que é teu ser teu
só teu de mais ninguém 

Salve meu pai teu filho cresceu 

E muito mais é preciso não deixar
Que amanhã por amor possas esquecer
que quem manda na terra tudo quer
e nem o que e teu bem vai querer dar
por bem não vai não vai 

salve meu pai o teu filho viveu

Olorum dê




Zelia Barbosa - Zelão


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Enviado por  em 04/01/2011
Zelia Barbosa - Zelão

Todo morro entendeu
quando Zelão chorou
ninguém riu, ninguém brincou
e era Carnaval

No fogo de um barracão
só se cozinha ilusão
restos que a feira deixou
e ainda é pouco só.

Mas assim mesmo Zelão
dizia sempre a sorrir
um pobre ajuda outro pobre
até melhorar

Chovem, chovem,
e a chuva botou sem barraco
no chão
nem foi possível
salvar violão
que acompanhou morro abaixo
a canção
das coisas todas
que a chuva levou
pedaços tristes do seu coração

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Zelia Barbosa - Pau de Arara


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Enviado por  em 19/07/2011
From Album Canto Della Terra (Sertão Favela)
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Eu um dia cansado que tava
Da fome que eu tinha
Eu não tinha nada
Que fome que eu tinha ,
Que seca danada no meu ceará
Eu peguei e juntei
Um restinho de coisas que eu tinha :
Duas calças velhas e uma violinha
E num pau de arara
Toquei para cá.
E de noite eu ficava na praia de copacabana
Zazando na praia de copacabana
Dançando o chachado pras moças olhá

Virgem santa
Que a fome era tanta
Que nem voz eu tinha
Meu deus quanta moça
Que fome que eu tinha

Mais fome que tinha no meu ceará
Puxa vida que num tinha uma vida
Pior do que a minha
Que vida danada , que fome que eu tinha
Zazando na praia pra lá e pra cá
Quando eu via toda aquela gente
No come que come
Eu juro que eu tinha saudades da fome
Da fome que eu tinha no meu cearà
E ai eu pegava e cantava
E dançava o xaxado
E só conseguia porque no xaxado
A gente só pode mesmo se arrastá.

Virgem santa
Que a fome era tanta
Qu'inté parecia que mesmo xaxado
Meu corpo subia
Igual se tivesse querido voar.

Vou-me embora pró meu ceará
Porque lá tenho um nome
Aqui não sou nada
Sou só zé com fome
Sou só pau de arara
Nem sei mais canto
Vou picar minha mula
Vou antes que tudo rebente
Porque estou achando que o tempo está quente
Pior do que antes não pode ficar.

Funeral do Lavrador no Auto da Morte e Vida Severina


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.Enviado por  em 19/08/2009
Nenhuma descrição disponível.

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Enviado por  em 25/01/2009
Album "Sertão e Favelas" - Zélia Barbosa


Vida e Morte Severina de João Cabral de Melo Neto


Esta cova em que estás
Com palmos medidos
e a conta menor
que tiraste em vida !

E de bom tamanho
nem largo nem fundo
e a parte que te cabe
nesse latifúndio ...

Não é cova grande
e a cova medida
e a terra que querias
vai ser dividida

E uma cova grande
pra teu pouco defunto
mas estás mais ancho
que estavas no mundo

E uma cova grande
pra teu defunto parco
porém mais que no mundo
te sentirás largo.

E uma cova grande
pra tua carne pouco
mas a terra dada
não se abre a boca

E a parte que te cabe
nesse latifúndio
E a terra que querias
ver dividida



http://www.lyricstime.com/z-lia-barbosa-funeral-do-lavrador-lyrics.html