Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 27 de março de 2010

Artesanato: Botas alentejanas ... na era da internet


As botas alentejanas protegiam os pés e parte da perna dos rigores da vida no campo. Hoje, as botas, são mais um adorno do que um sapato de trabalho. Perderam peso e ganharam um desenho mais moderno. Mário Grilo começou a fazer botas alentejanas por medida aos 12 anos e nunca mais deixou. É com prazer que fala da sua actividade tradicional, onde gosta de inovar. De Cuba, no Alentejo, chegou ao mundo através da persistência.

Sara Pelicano | sábado, 9 de Janeiro de 2010
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Mário Grilo deixou um novo comentário na sua mensagem "Botas alentejanas - Feitas à medida na era da inte...":

Sem dúvida um especatdor atento das minhas Botas Alentejanas , quando me deparo com momentos como este , dá vontade de continuar esta tradião que já levoh á 26 anos .
Sinceros cumprimentos , Mário Grilo

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http://alentejanaspormedida.blogspot.com,

Arte Tradicional

Arte Tradicional
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Victor Nogueira disse...
Viva :-) Grato pela Visita. Ém Évora estudei e vivi, em Évora nasceram os meus filhos, em Beja nasceu a mãe dos meus filhos, e no Alentejo, que percorri duma ponta a outra, ficou uma parte de mim. Do Alentejo ficou o hábito de usar botas caneleiras no inverno, embora as últimas tenham sido compradas em Benedita (Alcobaça) Penso que o artesanato deveria ser preservado e nesse aspecto o blog Café Portugal tem feito um trabalho meritório Mas nada escapa à falsificação, como está por exemplo sucedendo com os tapetes de Arraiolos. O trabalho feiro à mão custa caro e a industrialização e fabrico em série embaratece, muitas vezes em prejuízo da qualidade e sabor genuínos Um abraço, amigo, bom trabalho e longa vida Victor Nogueira

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Botas alentejanas - Feitas à medida na era da internet





As botas alentejanas protegiam os pés e parte da perna dos rigores da vida no campo. Hoje, as botas, são mais um adorno do que um sapato de trabalho. Perderam peso e ganharam um desenho mais moderno. Mário Grilo começou a fazer botas alentejanas por medida aos 12 anos e nunca mais deixou. É com prazer que fala da sua actividade tradicional, onde gosta de inovar. De Cuba, no Alentejo, chegou ao mundo através da persistência.

Sara Pelicano | sábado, 9 de Janeiro de 2010
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Na vila de Cuba, Alentejo, há 25 anos atrás, enquanto os jovens de 12 anos lançavam o peão, brincavam ao berlinde, Mário Grilo passava as férias de Verão a trabalhar com um sapateiro. Deu, assim, os primeiros passos na arte de fazer sapatos. Rápido, os sapatos tornaram-se a actividade diária de Mário Grilo. Passados 25 anos, o sapateiro tem um negócio de sucesso produzindo botas alentejanas por medida, entre outros sapatos. É com orgulho que fala do seu ofício e, vincando este gosto, brinca comentado que «continua de férias». Isto porque continua a entregar-se à sua profissão com o entusiasmo de um jovem de 12 anos numas férias de Verão.
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A oficina deste sapateiro de 37 anos localiza-se numa típica casa alentejana: rés-do-chão, fachada pintada de branco com friso azul a contornar porta e janelas. O silêncio da rua é quebrado quando se abre a porta da casa. Mário trabalha ao som da música que o rádio emite como é comum em casa de sapateiro. Amontoa-se o couro, sobretudo de vaca, linhas de coser sapatos, canos de botas já talhados à espera de um pé para fazer a base e, por fim, numa prateleira uma pequena mostra do que são as botas alentejanas deste jovem sapateiro.
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«Tudo o que faço já está vendido», conta Mário Grilo revelando que «já teve de abandonar algumas feiras porque depois não consegue responder a todas as encomendas». ‘Não tem ninguém que o ajude?’
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«Já tive alguns colaboradores. Mas tirar medidas de pés, alguns com problemas, e moldar os materiais não são tarefas fáceis. E, depois, há as dores nas costas, que ninguém gosta. Ora, hoje em dia poucas pessoas estão predispostas para este trabalho», diz. Após uma pequena pausa no discurso, remata: «O ofício está dentro da pessoa».
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A vila alentejana onde nasceu e tem vivido grande parte do tempo é o local «onde faz sentido fazer as botas alentejanas», confessa o artesão. Contudo os largos quilómetros que o separam dos grandes centros urbanos não o impediram de levar a sua arte a todo o país e também além fronteiras. Mário afirma orgulhoso: «Sozinho, consegui chegar a 31 países». Todos os meses ruma ao Norte para comprar material de fabrico. É lá que se encontram as fábricas e «como não há sapateiros, não há vendedores que se desloquem às terras».
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Quebrar distâncias parece, assim, ser uma outra arte deste jovem artesão. O recurso à Internet tem sido uma outra forma de ‘sair’ de Cuba. «Tenho as minhas botas espalhadas em muitos sítios da Internet. Uma rápida pesquisa e encontra-se logo o meu nome», comenta enquanto retoma o trabalho. A pele que molda é semelhante à de uma zebra. Mário sabe que é estranha e antes mesmo da pergunta diz: «Gosto de inovar».
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Este ano quero pegar no tradicional e dar-lhe nova confecção, brincar com as cores. Afinal tudo o que seja calçado eu faço porque gosto» e continua: «As actividades tradicionais pecam por não querer inovar por não saber brincar e, às vezes, basta mudar a cor da pele».
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Um par de botas alentejanas hoje em dia-a-dia é mais um adorno do que um sapato de trabalho. Procuradas por diversos estratos sociais, Mário Grilo vai respondendo às exigências dos seus clientes em encomendas muitas vezes feitas por telefone.
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«Faço vários pares ao mesmo tempo. Um par levaria dois dias sempre mais do que oito horas de trabalho. Eu entendi que devia começar o maior número de pares e ir acabando, assim é possível ter sempre um par de botas. Dou assistência durante toda a vida das botas». Antigamente este calçado chegava a pesar três quilos, hoje um número 40 pesa perto de dois quilogramas.
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Mário Grilo confessa que nunca teve apoios ou incentivos à sua actividade. E revela que quando começou o ofício existia mais aptidão dos municípios para mostrar as artes tradicionais do concelho de Cuba e lamenta que esse interesse se tenha desvanecido. «Nessa altura [há 20 anos atrás] gostavam de ter em feiras uma representação daquilo que era o nicho do artesanato do concelho. Os anos passaram e essa apetência desapareceu um pouco. O que é pena porque se o município divulgar um pouco essas actividades gera emprego e trabalho e, assim, este saber fica um pouco no meu segredo».
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Mário considera que as artes tradicionais vão sobreviver quando houver uma mudança de mentalidade na sociedade e se coloque o gosto por um ofício à frente dos lucros. Este trabalho «para ser rentável é preciso meter o coração à frente do dinheiro e esquecer todas as horas de trabalho».
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Nunca tive apoios de ninguém e não há grandes incentivos. A nível local já tivemos uma pessoa na câmara. Há 20 anos, um pessoa que tinha aptidão por estas coisas. Nessa altura gostavam de ter em feiras uma representação daquilo que era o nicho do artesanato do concelho. Os anos passaram e essa apetência desapareceu um pouco. Se o município divulgar um pouco essas actividades gera emprego e trabalho e assim fica um pouco no meu segredo. Para ser rentável é preciso meter o coração à frente do dinheiro e esquecer todas as horas de trabalho.
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Oficina dos Ovos-Moles de Aveiro - Conhecer, fazer e provar


Em barricas ou em hóstias, os ovos-moles de Aveiro querem-se docinhos e de cor bem amarela. Na Oficina do Doce revela-se a história e prova-se a iguaria conventual. A confecção chega ao visitante que pode participar no enchimento e no corte. Na descoberta deste atractivo da nossa doçaria exploramos, ainda, a importância da Indicação Geográfica Protegida e a indústria, crescente, das barricas de madeira.

Sara Pelicano | segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
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Correm na Ria os moliceiros. Barcos de borda baixa, com proa e ré bem torneadas. Pintados de cores vivas, retratam quase sempre cenas caricatas do dia-a-dia. Desfilam pela ria de Aveiro, também nome de cidade, captando olhares curiosos. Nas margens, as atenções voltam-se para as barricas, pintadas com cenas do mar e pequenas formas marítimas, como búzios, amêijoas e conchas. Assim se apresentam os ovos-moles de Aveiro. Na cidade o doce conventual típico tornou-se atractivo turístico, existindo mesmo locais onde o visitante pode confeccionar ovos -moles. «Na visita à Oficina do Doce, o visitante terá oportunidade de conhecer todo o envolvimento histórico associado à origem desta especialidade da cidade de Aveiro, seguido de demonstração in loco da forma de fabrico dos ovos», explica Rui Miguel Almeida, da administração da Oficina do Doce, localizada no centro da cidade. É nesta área de confecção que os mais audazes podem meter mãos na massa. «Para os visitantes interessados, convidamo-los a participar no enchimento e corte, que representa a parte final da produção dos Ovos-Moles de Aveiro», conta Rui.
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A despedida deste local didáctico sobre os ovos-moles faz-se com uma prova. O doce da cidade à beira ria terá nascido nos conventos existentes na região até ao século XIX. Por essa altura os conventos foram extintos, mas a receita das freiras continuou viva nas mãos das jovens educadas nas instituições religiosas. A proximidade com a ria e com o mar deu ao doce formas de amêijoas, búzios e conchas. Nas estações de comboios, as doceiras, vestidas a preceito, tinham bancas de venda. Adoçavam a boca dos viajantes. Os ovos-moles de Aveiro foram assim sobrevivendo ao avanço do tempo e ainda hoje se confeccionam de acordo com a receita original. «A certificação de Indicação Geográfica Protegida (IGP) é uma grande mais-valia para o produto e seus produtores, uma vez que garante que daqui em diante, só poderão estar à venda os ovos-moles de Aveiro que respeitem integralmente a receita original, que envolve a qualidade das matérias-primas e, evidentemente, o saber fazer das doceiras que o confeccionam», afirma o também vice-presidente Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro (APOMA).
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Na descoberta da Oficina do Doce, Rui Miguel Almeida levanta uma pontinha do véu que encobre o segredo desta iguaria aveirense. O segredo como nos diz, «está muito associado à qualidade das matérias-primas e à experiência das doceiras que o confeccionam».
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A riqueza dos ovos-moles
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O doce que se serve em hóstias com formas do mar e dentro de barricas ilustradas também elas com imagens marítimas tornou-se um atractivo turístico. Os ovos-moles ganham adeptos nas margens da ria de Aveiro do mesmo modo que os moliceiros captam atenções para os mesmos canais que serpenteiam a cidade. Rui Miguel Almeida confessa que tem havido um incremento da procura de ovos-moles e associa este crescimento ao trabalho de «divulgação que temos feito, quer a APOMA, quer os diversos produtores, pela qualidade do produto apresentado, quer pela participação em feiras do sector». O mesmo responsável deixa claro que «a doçaria ocupa uma posição muito importante na indústria da cidade e no seu crescimento, são muitas e boas as ofertas dentro da doçaria que o visitante encontra por cá». A par da riqueza directa que os ovos-moles geram, nasce uma indústria paralela, as barricas. «Existe apenas uma empresa na cidade que se dedica à produção das barricas de madeira pintadas à mão. Neste momento sabemos que o negócio das barricas de madeira tem tido algum crescimento e portanto perspectiva-se que vá continuar de boa saúde», comenta Rui Miguel Almeida, deixando um alerta «as barricas de madeira e porcelana, juntamente com a hóstia são as três forma possíveis de apresentação dos ovos-moles de Aveiro. Quaisquer outras formas de apresentação não são permitidas».
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