Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Livro anti-islâmico gera indignação na Alemanha mesmo antes do lançamento

Alemanha | 28.08.2010 DW World

Após divulgação de trechos do polêmico livro, o Partido Social-Democrata rechaça opiniões de Thilo Sarrazin, do Banco Central Alemão. Em 2009, episódio semelhante custou punição leve ao então vice do Bundesbank.


Antes mesmo de seu lançamento, programado para a próxima segunda-feira (30/08), o livro de Thilo Sarrazin vem provocando ondas de indignação. Com o título Deutschland schafft sich ab: Wie wir unser Land aufs Spiel setzen (A Alemanha se extingue a si mesma: Como estamos colocando em risco o nosso país), o membro do conselho executivo do Bundesbank (Banco Central alemão) redigiu o que o jornal online FAZ.net define como "um dossiê antimuçulmano".
Livro acusa muçulmanos de tornar 'mais burra' a sociedade alemã 
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Entre tantas outras generalizações, Sarrazin acusa os membros da comunidade islâmica de se terem se beneficiado muito mais da previdência social do país do que contribuíram para a mesma. 
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Além disso, correligionários social-democratas e a imprensa alemã consideram inequivocamente racista sua afirmação de que a sociedade alemã estaria "emburrecendo" pelo fato de os muçulmanos gerarem mais filhos do que a população "nativa".
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"Na Alemanha, um exército de encarregados de imigração, especialistas em estudos islâmicos, sociólogos, politólogos, representantes de associações trabalha de mãos dadas com uma horda de políticos ingênuos, na minimização, auto-ilusão e na negação de problemas", escreve Sarrazin, acrescentando que a política estatal de migração da Europa tem sido "predominantemente anti-histórica, ingênua e oportunista". Acima de tudo, ele diz querer evitar que os alemães se tornem estranhos em sua própria terra.
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O periódico popular Bild antecipou o lançamento de Deutschland schafft sich ab publicando trechos seletos do livro, em seis capítulos. Notório por suas opiniões reacionárias, desde junho último o ex-secretário de Finanças de Berlim vinha ocupando as manchetes alemãs com observações anti-islâmicas. Entretanto, numa entrevista ao semanário Die Zeit, ele se exonerou de acusações de racismo: "Não sou racista. O livro aborda limites culturais, não étnicos".
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Déjà-vu... ou farsa?
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O presidente da Federação Turca da Alemanha, Kenan Kolat, exigiu neste sábado que a chefe de governo alemã, Angela Merkel, demova Sarrazin do cargo no Bundesbank. Kolat declarou que, com esse livro, ele haveria ultrapassado uma fronteira. "É o ápice de um novo racismo intelectual, e prejudica a imagem da Alemanha do exterior."
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Sigmar Gabriel, presidente do Partido Social Democrata (SPD) 
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O Partido Verde e A Esquerda apoiam as exigências de Kolat. Os social-democratas (SPD), por sua vez, se distanciaram das afirmativas do correligionário Sarrazin. O chefe do partido, Sigmar Gabriel, classificou-as de "violentas", comentando: "Se os senhores me perguntarem por que [Sarrazin] ainda quer estar afiliado a nós, eu digo que não sei".
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Todo o atual episódio ganha um ar de déjà-vu, se não de farsa, quando se considera que, em outubro de 2009, Thilo Sarrazin, então vice-presidente do Bundesbank, causara acalorada polêmica ao distinguir, numa entrevista à revista de cultura Lettre International, entre os "bons" e "maus" imigrantes na sociedade da Alemanha. Entre suas afirmações na época constava a de que a maioria dos árabes e turcos de Berlim, por exemplo, não tem "nenhuma função produtiva, a não ser no comércio de frutas e verduras".
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Apesar de veementes exigências de punição, o social-democrata natural do Leste alemão foi apenas destituído de parte de suas funções no Banco Central.
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Autoria: Richard Connor / Augusto Valente
Revisão: Simone Lopes

domingo, 29 de agosto de 2010

A mídia e o "novo analfabetismo" Venicio A. de Lima *


Colunas

Vermelho - 27 de Agosto de 2010 - 0h45

A mídia e o "novo analfabetismo"

Venicio A. de Lima *

Faz tempo que os estudiosos chamam a atenção para o problema do excesso de informação nas sociedades contemporâneas. Em precioso artigo intitulado "O novo analfabetismo", publicado no Jornal do Brasil, há exatos seis anos, Emir Sader lembrava que:

"Até um certo momento, a capacidade de compreensão do mundo, e de nós dentro do mundo, esbarrava na falta de informações. Mais recentemente, passamos a sofrer o fenômeno oposto: excesso de informações. Nos dois casos, o que sofre é a capacidade de compreensão, de apreensão dos fenômenos que nos rodeiam, que produzem e reproduzem o mundo tal qual é e nós dentro dele. (...) A informação contemporânea, massificada, fragmentada, atenta contra a capacidade de compreensão da realidade como uma totalidade. Os noticiários de televisão enunciam uma enorme quantidade de informação, sem capacitar para sua compreensão, com um ritmo e uma velocidade que impedem sua assimilação e o questionamento do sentido proposto" (íntegra aqui).
Já tive a oportunidade de argumentar neste OI que informação não é conhecimento e que o excesso de informação passou a ser sinônimo de desinformação [cf. "Internet, informação e conhecimento" in OI nº. 297 de 5/10/2004]. Além disso, o principal problema provocado pelo excesso de informação tem sido identificado como a incapacidade do cidadão comum de "compreensão da realidade como uma totalidade".
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Há, todavia, outro aspecto pouco lembrado: a informação que está disponível "em excesso" nem sempre é aquela que permite a "compreensão da realidade como uma totalidade". Ou ainda: não é nem mesmo a informação correta sobre fatos e dados de grande interesse público.
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Presidente muçulmano em país antimuçulmano?
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Parte dos resultados de uma pesquisa nacional realizada nos Estados Unidos pelo conceituado Pew Research Center, agora divulgados, dramatiza essa nova realidade.
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O número de americanos que acredita que o seu presidente é muçulmano tem aumentado ano a ano e chegou a 18% da população, em agosto de 2010. Se somados àqueles que declaram "não saber" ou que ele é de "outra religião" que não a sua, 63% dos americanos desconhecem que Barack Obama, na verdade, é cristão [ver quadro].


Quando perguntados como souberam qual a religião de Obama, 60% daqueles que acreditam que ele é muçulmano citam a mídia. Dezesseis por cento mencionam a televisão como sua fonte.
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Alguns ainda podem acreditar que não se deva atribuir maior significado aos dados revelados pelo Pew Center. No entanto, bastaria lembrar a crescente onda anti-islâmica que varre os Estados Unidos [por exemplo, "The US blogger on a mission to halt `Islamic takeover´"], ou mencionar a manchete de capa da revista Time desta semana [vol. 176, nº. 9] que pergunta "A América é islamofóbica?" e publica os assustadores resultados de outra pesquisa nacional:
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** 25% consideram os muçulmanos americanos não patriotas;
** 28% dos americanos afirmam ser contra um muçulmano integrar a Suprema Corte (nunca houve nenhum); e
** 33% se opõem a um muçulmano concorrendo à presidência.
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E o dever de informar?
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É imperativo, portanto, perguntar: se o grau de informação (desinformação?) dos americanos em relação à crença religiosa do seu próprio presidente expressa a qualidade da informação sendo oferecida pela grande mídia – sobretudo, a televisão –, estaria ela cumprindo sua missão fundamental na democracia que é informar corretamente ao cidadão?
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A lição para nós, brasileiros, é a reiterada necessidade de se estar atento às muitas contradições das posições públicas assumidas pela grande mídia e suas entidades representativas.
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A defesa da liberdade de imprensa em nome do direito de informar – que, na verdade, é o corolário do direito básico do cidadão de ser informado – não significa que a informação necessária e correta esteja disponível. Mesmo em sociedades onde, eventualmente, possa existir "excesso de informação".


* é professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010
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* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
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  • OS PIGs SÃO COMO TRAFICANTES DE DROGAS

    28/08/2010 20h13
    Este artigo é mais um alerta para todos nós, que os "comedores de luz" entendam que a mídia tem a sua lógica fundamentada na mercantilização da informação, sem se importar qual o tamanho efeito nocivo aos incautos que o absorve como verdade absoluta. Com a intensidade cada vez maior, para que não haja tempo nem para se analisar a origem dassas dessas des-informações, sua utilidade para a sociedade e o porque foi passada naquele momento, daquela forma.Liberdade nunca deve ser comfundida com o abuso e irresponsabilidade de tão poderoso instrumento da atualidade: o uso da concessão pública para um interresse privado.E como ser livre, para vender droga sem sem ao menos pagar nenhum tributo à sociedade.
    JOSÉ EVANGELISTA RIOS DA SILVA
    SALVADOR - BA
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sábado, 30 de janeiro de 2010

A esquecida perseguição às mulheres durante a 2ª Guerra Mundial

 

Mundo

Vermelho - 25 de Janeiro de 2010 - 17h05

 A esquecida perseguição às mulheres durante a 2ª Guerra Mundial

A Gestapo de Hitler prendeu milhares de mulheres que admitiram ter tido casos com trabalhadores forçados estrangeiros na Alemanha, apesar de muitas confissões serem falsas e feitas sob pressão. Muitos homens foram executados e as mulheres, enviadas para campos de concentração pelo crime de "degradação racial". Algumas continuaram sofrendo as consequências muito depois do fim da guerra.

  Sobrevivente do campo de concentração de Ravensbrück, Maria K.e outros sobreviventes dizem que a humilhação de moradores de suas cidades continuaram por vários anos após a queda do regime nazista na Alemanha
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Em 19 de setembro de 1941, Maria K. assinou o registro de seu interrogatório. Em sua declaração por escrito ao detetive de polícia, a menina de 14 anos confessou que havia "compartilhado a cama do polonês Florian Sp. e que também teve relações sexuais com ele".
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O incidente supostamente ocorreu em uma tarde de sábado em julho. Ela havia cuidado das vacas durante o dia, e à noite ela e sua amiga Hedwig, de 18 anos, convidaram os dois poloneses para lhes fazer companhia.
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Segundo sua declaração assinada, elas os beijaram e depois os quatro foram para o quarto. Hedwig com Josef G. e Maria com Florian. No quarto, o polonês tirou suas calcinhas. Eles fizeram sexo três vezes naquela noite e duas vezes nos dias seguintes, uma delas depois do almoço, atrás de um arbusto em um campo próximo. Esse é o relato feito em sua confissão assinada.
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Maria K., que hoje tem 82 anos, cobre o rosto com as mãos quando fala sobre a "confissão" que mudou sua vida para sempre e que levou à morte os dois rapazes. Ela se envergonha, embora o detetive da Gestapo tenha forjado a declaração e a espancado para assiná-la. Essa é sua história hoje, e outros documentos sustentam sua veracidade.
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Gisela Schwarze, uma historiadora da cidade de Münster, no oeste da Alemanha, passou anos investigando casos como esse, vasculhando os arquivos dos tribunais especiais em cidades como Dortmund, Bielefeld e Kiel. Ela descobriu a história de Maria K. em um arquivo local. Ela se desenrolou em Asbeck, uma aldeia com uma população no tempo da guerra de 850 pessoas, na região ocidental de Münsterland.
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"Degradação racial"
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Em consequência de sua pesquisa, Schwarze descobriu um grupo de vítimas do regime nazista que havia sido negligenciado até hoje. Ele consiste em mulheres e meninas que membros do governo acusaram de ter tido relações sexuais com trabalhadores forçados estrangeiros. Alguns dos relacionamentos românticos realmente existiram, enquanto outros foram inventados, mas a punição foi quase sempre extrema. As mulheres foram enviadas para campos de concentração aos milhares, enquanto os homens geralmente foram executados.
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"Cidadãos alemães que se envolvem em relações sexuais com trabalhadores civis, homens ou mulheres, de nacionalidade polonesa, cometem outros atos imorais ou se envolvem em casos amorosos serão presos imediatamente", ordenou Heinrich Himmler, o chefe das SS, em 1940.
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O crime que os advogados nazistas haviam inventado chamava-se "degradação racial". No início ele só era aplicado a relações entre judeus e não-judeus, mas a invenção racista seria ampliada mais tarde para incluir os eslavos.
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Os prisioneiros de guerra civis deportados eram obrigados a trabalhar em fábricas e nos campos, onde tinham contato com os habitantes locais, muitos deles mulheres. Os homens estavam lutando no front. Mas em toda parte havia informantes preparados para denunciar -vizinhos, colegas de trabalho e professores-, contribuindo para uma atmosfera infernal de ódio racial e preconceito.
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Maria K., a terceira mais jovem de 11 irmãos, ficou órfã quando criança. Um irmão mais velho cuidou dos outros, mas ele acabou sendo recrutado para o exército alemão, e sua mulher de 27 anos tinha de cuidar dos próprios filhos. Para ajudá-la, o senhorio mandou Florian Sp., um trabalhador forçado polonês, em quem as crianças logo passaram a confiar.
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"Medidas de guerra necessárias"

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O relacionamento confortável entre o trabalhador polonês e a família era visto com suspeita na aldeia. Maria foi presa e, durante seu interrogatório, o oficial da Gestapo a atingiu no rosto e lhe disse para confessar que havia tido sexo com o polonês. A garota impotente e ingênua assinou a confissão, que apenas marcou o início de suas piores privações. Em outubro de 1941, a Gestapo em Münster apresentou um pedido para "iniciar as medidas de guerra necessárias" contra Maria, que agora fora classificada como uma "garota alemã desonrada".
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Ela foi colocada em vários reformatórios e finalmente levada para um lugar que as SS tinham montado para abrigar jovens criminosas: o Campo de Proteção da Juventude Uckermark, uma filial do campo de concentração de Ravensbrück.
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Ela recebeu um número de prisioneira, 290, e a partir daí não teve mais nome. Sofreu espancamentos, chicotadas, fome e atos de humilhação. Foi libertada no outono de 1944 e levada para uma escola preparatória para babás de crianças perto de Berlim. No final de 1945 ela conseguiu voltar a Asbeck, viajando pela Alemanha ocupada. Os dois trabalhadores poloneses já tinham sido enforcados em Asbeck em 28 de agosto de 1942. A causa da morte registrada em seus atestados de óbito foi "desconhecida".
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As pessoas que praticaram a maioria dessas execuções continuaram sem punição depois da guerra e, em 1963, o ministério público de Münster encerrou a investigação dos casos. Mas as humilhações continuaram para Maria K.. Durante serviços na igreja, os aldeões a insultavam como "a prostituta do polonês" e "a amante do polonês". Muitas mulheres que sobreviveram à perseguição nazista foram tratadas da mesma maneira.
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Algumas semanas atrás, Maria K. e a historiadora Schwarze viajaram juntas para o campo de Uckermark, onde hoje se ergue um memorial -uma pedra enrolada com tiras de ferro. Maria K. espalhou um punhado de terra no local, que ela havia apanhado na floresta onde os dois jovens poloneses foram mortos.
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Fonte: Der Spiegel
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves/UOL Mídia Global
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  • 1277214002130030071

    26/01/2010 1h07
    Em tempos de massacres de palestinos por judeus,confesso que a enxurrada de filmes remontando ao holocausto nazista contra aqueles,têm,no mínimo,me suscitado sentimentos contraditórios.É claro que eu repudiu tais práticas.Mas estas não podem ser elevadas á categoria de genocídio maior!Os nazitas também perseguiram e assassinaram ciganos,homossexuais.Submeteram a populaçao de Leningrado à um cruel cerco,concebido para privar milhões de pessoas de provisões vitais.O que é também um massacre repugnante.Confesso que nunca tive conhecimento de que a crueldade do racismo nazista tivesse chegado ao ponto de eliminar e seviciar alemães,sob a acusação dantesca de prática de crime de"degradção racial".Gostaria de ver este estudo interessar a algum diretor realista.É material suficiente e inédito,para produzir um filme sobre o nazismo sob um enfoque mais universal de suas pervisidades intrísecas, para além da visão quase natural,de que tinha como propósito exclusivo a eliminação do povo judeu.
    Darcy Brasil Rodrigues da Silva
    Rio de Janeiro - RJ
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domingo, 17 de janeiro de 2010

Um espectro de racismo assusta o planeta



 

Mundo

Vermelho - 29 de Novembro de 2009 - 19h39

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Enquanto, entre os seus pares, as fronteiras da União Européia estão sendo cada vez mais dissipadas, verifica-se em toda a forte Comunidade Européia uma onda de xenofobia contra estrangeiros de várias origens, sobretudo os pobres, que para lá tentam imigrar em busca de sobrevivência.

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Sonhos de uma vida mais digna e justa têm sido quebrados com perseguições, prisões, maus tratos e expulsões sumárias com um perigoso teor discriminatório que, em muito, lembra os anos 30 a 40 do século passado. Esses fatos têm acirrado a já histórica aversão ao outro, fruto do eurocentrismo, que vê os migrantes como negativamente diferentes, como aqueles que vêm perturbar a ordem e colocar em risco a segurança do europeu.
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Nesses últimos meses a Europa tem dado exemplos de intolerância, discriminação e racismo. Como se tal absurdo não bastasse, os últimos acontecimentos na Itália deixaram o planeta em alerta. Na já chamada "deriva fascista", denúncias colocaram a público que 70 eritreus permaneceram durante 20 dias em alto mar tentando entrar na Itália pela costa da Ilha de Lampedusa – a principal rota marítima que liga a África à Europa.
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A notícia virou manchete quando se constatou que esses imigrantes ilegais haviam morrido antes de pisar em terra firme, sem qualquer ação de socorro por parte da marinha italiana. Esta, ciente do que ocorria, os abandonou à míngua, com fome e sede, ignorando por completo uma histórica lei marítima que prevê o socorro em casos dessa envergadura.
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Enquanto isso, outros países europeus, como Alemanha, Inglaterra, Espanha e França, também têm promulgado legislações evidentemente xenófobas visando criminalizar a imigração, tornando-a ilegal. Esta postura não visa apenas às populações africanas, alvo do racismo. Ela é muito mais ampla e atinge muçulmanos, ciganos, latino-americanos e habitantes de muitos países da Europa Oriental.
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A Europa talvez nunca tenha sido realmente tolerante, mas, quando os empregos considerados inferiores não eram aceitos pela maioria dos europeus, um grande número de imigrantes foi recebido para preencher esses cargos indesejados. Com a recente crise econômica mundial, no entanto, esse mesmo europeu, assolado pelo medo do desemprego, voltou a enxergar o estrangeiro como um inimigo à espreita, pronto a dar o bote e roubar seu espaço no mundo do trabalho. Por conta de um possível medo da concorrência, uma parcela da população européia voltou a eleger o estrangeiro como bode expiatório. Assim, criou-se um perigoso espaço para partidos políticos de extrema direita, de cunho nazi-fascista.
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Apesar de não ser considerado xenófobo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, eleito com uma plataforma de extrema direita, chegou a apoiar a tese de que a França só deve receber "trabalhadores inteligentes e diplomados". Defendeu ainda a realização de testes de DNA para estrangeiros, vindos da África, que queiram provar graus de parentesco na França e, assim, serem liberados a entrar. Aprovada pelo Parlamento francês em 2007, essa idéia acabou não sendo posta em prática em função de fortes pressões externas.
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Conquanto o governo francês tenha enfatizado a não obrigatoriedade dos testes, analistas e estudiosos estão alertando que, graças ao avanço da engenharia genética, tal medida pode abrir um precedente perigoso. Testes como esses podem servir para detectar a origem dos pretendentes a ingressar no território francês, o que lembra justamente no país que proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos a sombria política de eugenia (que significa "bem nascido" em grego), que assustou o mundo na Alemanha nazista.
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Para completar esse quadro, já foi aprovado no Senado italiano, e está em discussão na Câmara dos Deputados, uma proposta do partido de extrema direita Liga Norte, defendida pelo governo Berlusconi, que impõe aos médicos delatarem imigrantes ilegais que buscarem tratamento. Uma medida que deixaria orgulhoso o fascista Mussolini. A respeitada instituição "Médicos sem Fronteiras" reagiu e afirmou: "somos médicos e não espiões".
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Essa aversão ao estrangeiro não é nova na historiografia mundial. Segundo a historiadora Pietra Diwan, foi nos Estados Unidos – o mesmo país que ergueu o chamado "muro da vergonha" que separa os estadunidenses dos mexicanos – que o número de instituições eugênicas cresceu vertiginosamente entre os anos de 1905 e 1920. O medo era de que a "raça pura" norte-americana pudesse ser contaminada com a entrada maciça de asiáticos, libaneses, moradores do Leste Europeu, além de todo europeu pobre, incluindo, por ironia do destino, países como a Espanha e a própria Itália.
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Nesse sentido, o que a Alemanha nazista fez foi transformar em política de Estado um processo que já vinha ocorrendo, inclusive, nas escolas estadunidenses. Talvez não seja por acaso que temáticas como a inclusão tenham surgido depois que o mundo presenciou até onde o homem pode chegar ao dividir a humanidade em binômios excludentes, tais como superior e inferior, apto e não apto. Esperemos que a Europa não venha, em pleno século 21, a reeditar essa política discriminatória e estigmatizante contra o "diferente".
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Por Guga Dorea, José Juliano de Carvalho Filho, Luis Eça, Marietta Sampaio e Thomaz Ferreira Jensen, do Grupo de São Paulo - um grupo de pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ.
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Fonte: Correio da Cidadania

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Movimentos reagem a resolução que equipara nazismo a estalinismo

Movimentos

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Vermelho - 21 de Agosto de 2009 - 14h55
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Na última terça-feira (18), o Cebrapaz lançou uma nota assinada por diversas entidades do movimento social brasileiro, em repúdio à moção aprovada pela Assembléia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE) que equipara o estalinismo ao nazismo. A movimentação se soma a outras reações, como a declaração do parlamento russo que também condena a resolução da OSCE.


Parlamento russo foi o primeiro a criticar equiparação entre estalinismo e nazismo
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No dia 03 de julho, a Assembleia Parlamentar da OSCE, que reúne 320 deputados de 56 países, aprovou uma resolução que condena, em igual medida, o estalinismo e o nazismo. A resolução, cujo texto foi apresentado pela Lituânia e Eslovénia, recebeu oito votos contra e quatro abstenções, tendo a delegação russa boicotado a votação. No texto afirma-se, nomeadamente, que “os dois principais regimes totalitários, o nazismo e o estalinismo, trouxeram o genocídio, a violação dos direitos e liberdades do homem, crimes militares e crimes contra a Humanidade”. A Assembleia Parlamentar da OSCE condena “o elogio de regimes totalitários, incluindo a realização de manifestações públicas que glorifiquem o passado nazi ou estalinista”.
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Rubens Diniz, Diretor de Planejamento e Patrimônio do Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz), avalia que a declaração reacionária da Assembléia Parlamentar européia é "fruto da onda conservadora que existe hoje na Europa" e que a intenção é "fazer uma releitura dos fatos históricos". Rubens compara esta declaração à criminalização da juventude comunista recentemente impetrada pelo governo da República Tcheca.
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A nota do Cebrapaz se soma a uma série de manifestações contrárias à referida moção. A primeira reação veio do parlamento russo, que considera a resolução da Assembleia Parlamentar da OSCE uma tentativa de romper o diálogo entre a Rússia e o Ocidente, conforme declaração aprovada pelos dirigentes das duas câmaras do Parlamento russo na semana seguinte à aprovação da referida resolução.
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Confira, abaixo, a nota do Cebrapaz assinada por entidades do movimento social brasileiro e deixe o seu comentário.
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"Declaração dos movimentos populares e sociais brasileiros
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Nós, entidades do movimento popular e social brasileiro, repudiamos novo episódio que demonstra a escalada antidemocrática na Europa, representada pela aprovação de uma moção, no âmbito da Assembléia Parlamentar da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação da Europa), no último dia três de julho, que ataca o papel das forças que protagonizaram a derrota do nazismo na segunda guerra mundial, em especial os povos soviéticos, e iguala o papel da União Soviética ao do nazismo, numa grosseira falsificação da história.
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Os patrocinadores desta moção são os mesmos que em vários países da União Europeia, em especial no Leste Europeu, perseguem e mesmo proíbem a existência de correntes de opinião mais vinculadas aos trabalhadores e à juventude. É o caso, por exemplo, da República Tcheca, que ocupa a presidência de turno da União Europeia, onde uma organização de juventude está atualmente banida.
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Ao mesmo tempo, vemos com preocupação o ressurgimento na União Européia de tendências fascistas, xenófobas e de agressão a imigrantes. Neste sentido, hipotecamos nossa mais ampla solidariedade ao povo europeu em defesa da democracia e pela liberdade de pensamento e de opinião.
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São Paulo, 18 de agosto de 2009.
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Cebrapaz – Centro Brasileiros de Solidariedade aos Povos e luta pela Paz
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
UNE – União Nacional dos Estudantes
Ubes – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
UJS – União da Juventude Socialista
Conam – Confederação Nacional das Associações de Moradores
UBM – União Brasileira de Mulheres
Unegro – União dos Negros pela Igualdade"
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Por Luana Bonone, da Redação, com informações de DaRussia
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uso da internet para propaganda neonazista preocupa autoridades alemãs

Alemanha | 14.08.2009

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Extremistas de direita utilizam portais como o YouTube para difundir ideias racistas e xenófobas entre jovens. Controle é difícil, afirmam empresas e autoridades.

O extremismo de direita alemão tem uma presença cada vez mais agressiva na internet. Especialistas afirmam que há cerca de 1.800 sites em língua alemã administrados por neonazistas, com destaque crescente para o uso de plataformas da Web 2.0.

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Um exemplo é o portal de vídeos YouTube. Quem fizer uma busca usando típicas palavras-chave da cena neonazista alemã encontrará centenas de vídeos – muitos são de Horst Mahler, conhecido ideólogo da cena neonazista.

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Mahler foi condenado pela Justiça alemã por incitação popular (Volksverhetzung) e cumpriu pena de prisão. Mas as suas ideias continuam circulando livremente no YouTube. Num dos vídeos, Mahler, um antissemita assumido, nega a existência do Holocausto.

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Sites bem elaborados

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De acordo com Stefan Glaser, da iniciativa Jugenschutz.net, os radicais de direita estão cada vez mais audaciosos. Segundo ele, os sites de conteúdo racista e xenófobo são cada vez mais bem elaborados, com frases de efeito, música e animações.

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"Eles não se apresentam mais como antiquados sites nazistas, mas se mantêm dentro da lei, sem cometerem qualquer infração. Nada de suásticas e coisas assim, mas símbolos simpáticos. E slogans como 'Nós agitamos o sistema – junte-se a nós!'. Nossa experiência mostra que, quando jovens acessam sites como esses, num primeiro momento dizem 'Ok, vamos continuar clicando'", relata Glaser.

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Jugendschutz.net é uma iniciativa de governos estaduais alemães. Cerca de 20 funcionários tentam identificar quais servidores armazenam propaganda extremista. Quando encontram algo, exigem que provedores e empresas de comunicação responsáveis bloqueiem as páginas.

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Segundo Glaser, em geral os pedidos são prontamente atendidos. "Isso porque é prejudicial aos negócios ser associado a neonazistas e conteúdos ofensivos à dignidade humana. Claro que se teme perder clientes caso isso se torne público."

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Web 2.0

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Segundo os observadores do Jugendschutz.net, os extremistas usam cada vez mais plataformas da Web 2.0, como o Facebook e o YouTube. O objetivo é atingir o público jovem da forma mais ampla possível.

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Um dos principais alvos de críticas na Alemanha é o YouTube. Entre outros motivos por causa de um vídeo neonazista que difama o ex-presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha Paul Spiegel, já falecido. Por causa do vídeo, a viúva de Spiegel entrou na Justiça contra o portal.

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O YouTube, que pertence à empresa de software Google, eliminou o filme de sua plataforma, ainda que com atraso. Mas se nega a dar garantias de que o vídeo nunca mais será disponibilizado.

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A Google da Alemanha argumenta que não é responsável pelo conteúdo posto no site pelos usuários. A empresa diz que age quando é alertada, mas alega que um controle prévio não é possível.

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Um porta-voz da empresa não quis se manifestar sobre o processo nem sobre o número de vídeos denunciados ou de funcionários que trabalham no controle do que é divulgado no portal.

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Difícil controle

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Os grupos que lutam contra o extremismo de direita exigem que os portais e provedores invistam mais no controle do conteúdo disponibilizado e ajam com maior agilidade em caso de denúncia.

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Muitos observadores se dizem frustrados, alegando que o trabalho de cooperação com os portais demanda muito tempo. Pior do que isso: cada vez mais os agitadores da cena de direita optam por colocar sua propaganda em portais fora da Alemanha.

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Segundo os especialistas, o problema é de difícil solução: basta um site ser bloqueado para ele logo reaparecer em algum outro ponto da internet.

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Autor: Jens Rosbach

Revisão: Simone Lopes

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terça-feira, 9 de junho de 2009

1935: Nazis expatriam e perseguem oposição


Calendário Histórico

1935: Nazistas expatriam oposicionistas

Em 8 de junho de 1935, o Ministério do Interior do Reich decretou a cassação da nacionalidade alemã dos indesejados pelo regime. Os principais atingidos foram os artistas e escritores, como Bertolt Brecht.

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A ascensão de Hitler e de seu braço direito Joseph Goebbels ao poder, em 1933, provocou quase que simultaneamente o início da perseguição a todos os que se opusessem ao regime racista.

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O primeiro episódio havia sido a queima de livros em praça pública, promovida por universitários fanáticos. Em junho de 1935, então, baseados numa lei aprovada seis meses antes, publicaram a quarta lista, desta vez com 41 nomes de pessoas expatriadas por serem inconvenientes ao regime nacional-socialista.

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Os principais atingidos foram os escritores, nomes conhecidos da vida cultural alemã, como Bertolt Brecht, Heinrich Mann e Kurt Tucholsky. A lei não se aplicava apenas aos críticos do regime e dissidentes, mas também a autores e artistas que já viviam no exílio e cujas propriedades na Alemanha podiam então ser confiscadas.

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No total, mais de 40 mil pessoas tiveram seus direitos civis cassados na Alemanha durante o regime de Hitler, sem contar os judeus obrigados a emigrar ou deportados. Todas puderam voltar a requerer a cidadania alemã depois da Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o artigo 16 da Lei Fundamental Alemã proíbe a cassação da cidadania.

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Bastava estar fora do país


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A lista divulgada a 8 de junho de 1935 foi a quarta série de nomes de artistas expatriados pelo Ministério do Interior do Reich nazista, em concordância com o Ministério do Exterior. Entre as 41 pessoas que a partir desse dia deixavam de ser alemãs, estavam Erika Mann, Brecht e jornalistas críticos, como Karl Höltermann.

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As bases para a expatriação haviam sido criadas pelo regime nazista seis meses após ascender ao poder, através de alterações na legislação. Embora esta permitisse a cassação da nacionalidade para o caso de falta de fidelidade à pátria, para muitos bastava terem deixado o país.

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Já os bens que ficavam na Alemanha eram confiscados pelo governo. Até 1938, os nazistas divulgaram mais de 80 listas, contendo 5 mil nomes de expatriados. No total, a expatriação atingiu 40 mil pessoas, entre as quais mais de 100 deputados do Parlamento – um número que não inclui, entretanto, os judeus deportados pelos nazistas.

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Sabine Ochaba (rw)

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in DW.DWORLD

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