Alemanha | 28.08.2010 DW World
Revisão: Simone Lopes
Aprender, Aprender Sempre ! (Lenine) ..... Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Alegria e Fantasia (Victor Nogueira) ..... Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
O extremismo de direita alemão tem uma presença cada vez mais agressiva na internet. Especialistas afirmam que há cerca de 1.800 sites em língua alemã administrados por neonazistas, com destaque crescente para o uso de plataformas da Web 2.0.
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Um exemplo é o portal de vídeos YouTube. Quem fizer uma busca usando típicas palavras-chave da cena neonazista alemã encontrará centenas de vídeos – muitos são de Horst Mahler, conhecido ideólogo da cena neonazista.
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Mahler foi condenado pela Justiça alemã por incitação popular (Volksverhetzung) e cumpriu pena de prisão. Mas as suas ideias continuam circulando livremente no YouTube. Num dos vídeos, Mahler, um antissemita assumido, nega a existência do Holocausto.
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Sites bem elaborados
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De acordo com Stefan Glaser, da iniciativa Jugenschutz.net, os radicais de direita estão cada vez mais audaciosos. Segundo ele, os sites de conteúdo racista e xenófobo são cada vez mais bem elaborados, com frases de efeito, música e animações.
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"Eles não se apresentam mais como antiquados sites nazistas, mas se mantêm dentro da lei, sem cometerem qualquer infração. Nada de suásticas e coisas assim, mas símbolos simpáticos. E slogans como 'Nós agitamos o sistema – junte-se a nós!'. Nossa experiência mostra que, quando jovens acessam sites como esses, num primeiro momento dizem 'Ok, vamos continuar clicando'", relata Glaser.
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Jugendschutz.net é uma iniciativa de governos estaduais alemães. Cerca de 20 funcionários tentam identificar quais servidores armazenam propaganda extremista. Quando encontram algo, exigem que provedores e empresas de comunicação responsáveis bloqueiem as páginas.
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Segundo Glaser, em geral os pedidos são prontamente atendidos. "Isso porque é prejudicial aos negócios ser associado a neonazistas e conteúdos ofensivos à dignidade humana. Claro que se teme perder clientes caso isso se torne público."
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Web 2.0
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Segundo os observadores do Jugendschutz.net, os extremistas usam cada vez mais plataformas da Web 2.0, como o Facebook e o YouTube. O objetivo é atingir o público jovem da forma mais ampla possível.
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Um dos principais alvos de críticas na Alemanha é o YouTube. Entre outros motivos por causa de um vídeo neonazista que difama o ex-presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha Paul Spiegel, já falecido. Por causa do vídeo, a viúva de Spiegel entrou na Justiça contra o portal.
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O YouTube, que pertence à empresa de software Google, eliminou o filme de sua plataforma, ainda que com atraso. Mas se nega a dar garantias de que o vídeo nunca mais será disponibilizado.
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A Google da Alemanha argumenta que não é responsável pelo conteúdo posto no site pelos usuários. A empresa diz que age quando é alertada, mas alega que um controle prévio não é possível.
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Um porta-voz da empresa não quis se manifestar sobre o processo nem sobre o número de vídeos denunciados ou de funcionários que trabalham no controle do que é divulgado no portal.
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Difícil controle
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Os grupos que lutam contra o extremismo de direita exigem que os portais e provedores invistam mais no controle do conteúdo disponibilizado e ajam com maior agilidade em caso de denúncia.
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Muitos observadores se dizem frustrados, alegando que o trabalho de cooperação com os portais demanda muito tempo. Pior do que isso: cada vez mais os agitadores da cena de direita optam por colocar sua propaganda em portais fora da Alemanha.
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Segundo os especialistas, o problema é de difícil solução: basta um site ser bloqueado para ele logo reaparecer em algum outro ponto da internet.
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Autor: Jens Rosbach
Revisão: Simone Lopes

A ascensão de Hitler e de seu braço direito Joseph Goebbels ao poder, em 1933, provocou quase que simultaneamente o início da perseguição a todos os que se opusessem ao regime racista.
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O primeiro episódio havia sido a queima de livros em praça pública, promovida por universitários fanáticos. Em junho de 1935, então, baseados numa lei aprovada seis meses antes, publicaram a quarta lista, desta vez com 41 nomes de pessoas expatriadas por serem inconvenientes ao regime nacional-socialista.
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Os principais atingidos foram os escritores, nomes conhecidos da vida cultural alemã, como Bertolt Brecht, Heinrich Mann e Kurt Tucholsky. A lei não se aplicava apenas aos críticos do regime e dissidentes, mas também a autores e artistas que já viviam no exílio e cujas propriedades na Alemanha podiam então ser confiscadas.
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No total, mais de 40 mil pessoas tiveram seus direitos civis cassados na Alemanha durante o regime de Hitler, sem contar os judeus obrigados a emigrar ou deportados. Todas puderam voltar a requerer a cidadania alemã depois da Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o artigo 16 da Lei Fundamental Alemã proíbe a cassação da cidadania.
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Bastava estar fora do país
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A lista divulgada a 8 de junho de 1935 foi a quarta série de nomes de artistas expatriados pelo Ministério do Interior do Reich nazista, em concordância com o Ministério do Exterior. Entre as 41 pessoas que a partir desse dia deixavam de ser alemãs, estavam Erika Mann, Brecht e jornalistas críticos, como Karl Höltermann.
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As bases para a expatriação haviam sido criadas pelo regime nazista seis meses após ascender ao poder, através de alterações na legislação. Embora esta permitisse a cassação da nacionalidade para o caso de falta de fidelidade à pátria, para muitos bastava terem deixado o país.
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Já os bens que ficavam na Alemanha eram confiscados pelo governo. Até 1938, os nazistas divulgaram mais de 80 listas, contendo 5 mil nomes de expatriados. No total, a expatriação atingiu 40 mil pessoas, entre as quais mais de 100 deputados do Parlamento – um número que não inclui, entretanto, os judeus deportados pelos nazistas.
Sabine Ochaba (rw)
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in DW.DWORLD
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