Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 25 de julho de 2010

Caravaggio contra o tempo

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Ípsilon

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Público - 08.06.2010 - Sérgio Costa Andrade, em Roma, com Luís Miguel Queirós


Os santos deste mestre do barroco são da mesma carne dos pecadores e os seus anjos têm sexo - a assinalar o 4.º centenário da morte de Caravaggio, um mestre que ajudou a fundar a pintura moderna, Roma está a expor a maior reunião jamais realizada dos seus quadros, nas Escuderias do Quirinal.
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Tem sido sempre um a corrida contra o tempo, e agora mais do que nunca, porque já só há mais uma semana para ver a exposição que está a confirmar-se como "o acontecimento artístico do ano" em Roma. 
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Trata-se da exposição comemorativa dos 400 anos da morte de Caravaggio (1571-1610), que está nas Escuderias do Quirinal, mesmo ao lado do palácio presidencial na capital italiana, só até ao próximo domingo.

Quando a visitámos, há pouco mais de uma semana, o cartão de jornalista poupou-nos a uma longa fila de pessoas aguardando a sua vez durante horas sob o sol quente do Mediterrâneo. Mas não evitou que, já dentro da galeria, tivéssemos que fazer também longos compassos de espera atrás das pequenas multidões que se detinham frente a cada uma das pouco mais de vinte obras do grande pintor nascido em Milão. As filas têm sido, aliás, uma constante desde que a exposição foi inaugurada ano dia 20 de Fevereiro, quando já se acumulavam 50 mil reservas para ver Caravaggio.

Mesmo que, pouco tempo antes, muitas obras do pintor tivessem sido também exibidas em Roma na exposição Caravaggio-Bacon, na Galeria Borghese (2 de Outubro de 2009 a 24 de Janeiro de 2010). O que é que este pintor que marcou a transição do maneirismo para o barroco tem de especial que atrai assim multidões? "É o pintor do diabo", comentava um visitante perante o impressivo quadro David com a Cabeça de Golias (1610), esse mesmo em que, dizem os especialistas, o próprio Caravaggio se auto-retratou no rosto do gigante decapitado pelo jovem rei que conquistou Jerusalém. Nele, David manifesta mais compaixão do que júbilo pela morte do inimigo, cuja expressão está paralisada num esgar de dor. A tela David com a Cabeça de Golias - que, juntamente com A Anunciação (1608), fecha o percurso da exposição no Quirinal, na segunda das duas alas que ela ocupa - foi pintada no último ano de vida do pintor, que nessa altura e desde 1606 andava fugido pelo Sul da península itálica (com passagens por Nápoles, Malta e Sicília), tentando escapar a uma condenação à morte por ter assassinado um jovem numa rixa com arma branca. As armas, que Caravaggio manejava tão bem como o pincel, eram o outro instrumento que melhor expressava a energia deste homemiconoclasta e um pouco rufia, que viveu depressa, morreu jovem (aos 38 anos), mas que não terá tido um cadáver bonito, já que foi vitimado pela malária numa praia da Toscana - as reais circunstâncias da sua morte estão ainda por apurar de forma fidedigna
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Michelangelo Merisi, que ficaria conhecido por Caravaggio por ter vivido a infância na localidade com o mesmo nome, na região de Milão, em 1571, iniciou-se na pintura em oficinas da sua terra e depois em Veneza. Mas seria a sua fixação em Roma, em 1592, que viria a confirmar a sua vocação e a abrir horizontes para a sua arte e carreira. Na cidade dos Papas, desenvolve a sua aptidão e o seu interesse pela ilustração de temas do cristianismo junto de mestres como Lorenzo, "o Siciliano" eAntiveduto Grammatica, este um pintor maneirista protobarroco que haveria de marcar o percurso do jovem artista. Três anos depois de chegar a Roma, Caravaggio conhece o cardeal Francesco Maria del Monte (1549-1627), figura eminente da aristocracia eclesiástica e política, que se torna no seu mecenas. É ao longo da década de 90 que pinta uma série de quadros em que avultam Jogadores de Cartas (1594), Os Músicos (1595), Cabeça de Medusa (1597) e Cesta de Frutas (1599) - este último abrindo, juntamente com Rapaz com Cesta de Frutas (1593), a exposição no Quirinal. 
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São obras que definem desde logo um novo estilo de utilização da cor, no jogo claro-escuro e numa inovadora utilização dramática da iluminação. "Caravaggio é um dos fundadores da pintura moderna", diz Vítor Serrão, especialista em História da Arte e professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em simultâneo com os trabalhos sobre esta temática secular, Caravaggio vai encenando também a mitologia cristã, dando expressão nova a inúmeras figuras e episódios do Velho e do Novo Testamento. A Anunciação, sucessivas representações de João Baptista, desde 1602 (quando o pinta ainda criança, corpo e sexo nus e expostos com um realismo até aí nunca ousado, até o representar na idade adulta e na sua decapitação a pedido de Salomé), e quadros como Judite e Holofernes, Adoração dos Pastores, Flagelação de Cristo, A Deposição e Conversão de Saulo (todos visíveis na exposição do Quirinal) são algumas das obras com que o pintor celebrou a iconografia católica.
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"Caravaggio acredita piamente nos valores cristãos", nota Vítor Serrão, mas realça o facto, absolutamente inovador para a época, de o fazer na linha do "cristianismo primitivo, mais ecuménico e mais democrático". Interessa-lhe mostrar "o drama humano" através de "gentevulgar" e, para isso, Caravaggio recorre à gente da rua e à margem da sociedade - bêbados, prostitutas, delinquentes e outros membros do bas-fond - para serem modelo dessas cenas religiosas. É uma pintura que faz "um aprofundamento radical do realismo", que assume a (sua)contemporaneidade e que contrasta com a pintura efabulativa italiana da época, acrescenta Vítor Serrão.
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Também Paulo Cunha e Silva, conselheiro cultural da Embaixada Portuguesa junto do Palácio do Quirinal, realça esta "marca carnal" na pintura de Caravaggio. E explica que foi essa característica que, de certo modo, justificou a associação da obra do pintor barroco com a do ritânico Francis Bacon (1909-1992), na exposição realizada no final do ano passado no Palácio Borghese. Caravaggio-Bacon sugere-nos "um confronto óbvio, desde logo por aquilo a que poderíamos chamar o império da carne que os dois dominam", mas também pela presença, na obra de ambos, daquilo a que o médico, professor e diplomata designa como "uma ontologia do vulgar". Paulo Cunha e Silva refere-se também ao recurso que tanto Caravaggio como o pintor britânico do século XX fazem a modelos da marginalidade social para essa "promoção da carne".
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"Este convívio com a marginalidade que os dois praticavam à saciedade levou-os a transformar o vulgar num novo ser, numa nova entidade", acrescenta o conselheiro cultural e ex-presidente do Instituto das Artes. E defende que, na exposição que antecedeu a do Quirinal, foi óbvio que Bacon "perdeu" no confronto com Caravaggio, no sentido em que este "cria um império positivo", ao passo que o britânico cria "um império negativo". "Para os dois, a carne é central, mas Caravaggio sacraliza-a e Bacon bestializa-a", explicita Paulo Cunha e Silva, não querendo, com isso, significar que o italiano seja melhor que o autor da série em torno do Papa Inocêncio X. Não pondo em causa a importância da exposição em exibição em Roma - que é a mais extensiva alguma vez realizada sobre a obra do pintor, que continua a ser alvo de muita discussão, nomeadamente no que diz respeito à autenticação dos seus quadros -, Paulo Cunha e Silva considera, contudo, que o melhor lugar para ver a obra de Caravaggio é nas igrejas. "Trata-se de um autor muito site specific", diz, referindo-se às múltiplas obras que o milanês pintou correspondendo a encomendas para lugares específicos. Este facto constitui, curiosamente, uma boa alternativa para quem não conseguir visitar, até ao próximo domingo, a exposição do 4.º centenário da morte de Caravaggio (que passa no dia 18 de Julho, e que está também a ser assinalado com outras exposições espalhadas por Itália, e inúmeras iniciativas de investigação sobre aspectos ainda obscuros da sua biografia e obra). É que a capital italiana continua a dispor de um "roteiro Caravaggio" invejável, por entre igrejas, palácios e museus.
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Algumas dessas obras estão actualmente na exposição do Quirinal (que reúne quadros vindos de instituições de todo o mundo, de Nova Iorque a Berlim, de Dublin a Florença, do Texas ao Vaticano). Mas quem não puder arranjar tempo (ou bilhete) para visitá-la, poderá, bem junto à Praça Navona no centro histórico de Roma, entrar na Basílica de Santo Agostinho e aí admirar, calmamente, a Madonna dos Peregrinos (ou do Loreto). Ou, mesmo ao lado, na Igreja de S. Luís dos Franceses, ver o tríptico com que Caravaggio decorou uma das capelas, entre 1599-1602, uma encomenda que lhe foi proporcionada pela intervenção do Cardeal Del Monte. A Vocação, Martírio e São Mateus e o Anjo são, juntamente com a Madonna, obras que expressam bem aquilo que é a quinta-essência da arte de Caravaggio: o realismo e a verdade com que impregnou os seus quadros (onde os anjos têm sexo). Na Madonna dos Peregrinos, o pormenor que nos surge em primeiro plano é o dos pés nus, sujos e gretados de um homem ajoelhado aos pés da Virgem com Jesus ao colo, também ela uma mulher do mundo real, e usando um manto vermelho - quando a cor da iconografia tradicional da representação da Virgem era o azul... E também a utilização das cores vivas e do claro-escuro - os feixes de luz como elemento de dramatização da cena, seja o Anjo a deitar a mão a São Mateus prostrado no chão, seja Cristo a fazer o chamamento do futuro Evangelista quando este se encontrava a jogar numa mesa de taberna...

Essa luz que fez Caravaggio vencer a sua corrida contra o tempo. 


Madonna de Loreto

De Wikipedia, a enciclopedia livre

Madonna de Loreto ou dos Peregrinos
(
Madonna dei Loreto ou dei Pellegrini)
Caravaggio, 1604
Pintura ao óleo - Barroco
260 cm × 150 cm
Sant'Agostino, Roma, Itália
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Madonna de Loreto é um quadro de Michelangelo Merisi dá Caravaggio, feito em 1604 por ordem de Ermete Cavalletti, que o desejava para sua capilla familiar na basílica de Sant'Agostino. A pintura é de um carácter votivo, afastado da natureza morrida própria de Caravaggio. A virgen tem uma pose muito pouco religiosa, pois o modelo era a prostituta conhecida como «Lena», comum nos quadros de Caravaggio. A obra chegou no tempo do Jubileo Contrarreformista de 1600, pelo que o pintor foi duramente criticado e até tachado de herege.
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== Bibliografía utilizada CARRASAT, Patricia: Maestros da pintura, Spes Editorial, S.L.2005. ISBN 84-8332-597-7

Referências em linha

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De Wikipedia, a enciclopedia livre

    Ficheiro:Michelangelo Caravaggio 062.jpg
    Dimensões desta vista prévia: 586 × 599 píxeles


    Menino com um cesto de frutas, h. 1593. Óleo sobre lienzo, 67 x 53 cm. Galería Borghese, Roma.

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    Ficheiro:Michelangelo Caravaggio 069.jpg
    Dimensões desta vista prévia: 394 × 600 píxeles
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    A morte da virgen. 1601 - 1606. Óleo sobre lienzo, 396 x 245 cm. Museu do Louvre, Paris.
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    Ficheiro:Amor Victorious.jpg
    Dimensões desta vista prévia: 439 × 600 píxeles
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    O amor vitorioso. 1602 - 1603. óleo sobre lienzo. 156 x 113 cm. Gemäldegalerie, Berlim. Caravaggio mostra a Cupido acima de todos os poderes terrenales: guerra, música, ciência, governo.
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    Ficheiro:Michelangelo Caravaggio 052.jpg
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    Ficheiro:Judith Beheading Holofernes by Caravaggio.jpg
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    Ficheiro:Caravaggio.emmaus.750pix.jpg
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    Os discípulos de Emaús, 1601. Óleo sobre teia, 139 x 195 cm. National Gallery de Londres.
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    domingo, 18 de abril de 2010

    Francis Bacon (Pintor) - Vida e Obra

    Francis Bacon (artista)

    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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    Francis Bacon
    Nome completo Francis Bacon
    Nascimento 28 de outubro de 1909
    Londres
    Morte 28 de Abril de 1992
    Londres
    Nacionalidade Britânica
    Ocupação pintor

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    Francis Bacon (28 de Outubro de 1909 - 28 de Abril de 1992) foi um pintor anglo-irlandês de pintura figurativa. Foi descendente colateral de Francis Bacon, filósofo do Período Elisabetano. Seu trabalho é mais conhecido como audaz, austero, e freqüentemente grotesco ou imagem de pesadelo.

    Índice

     

      Início da vida

    Francis Bacon nasceu em Dublin de pais ingleses. Seu pai, Eddy Bacon, foi um veterano da Segunda Guerra dos Boêres e se tornou um treinador de corrida de cavalos. Sua mãe Winnie, herdeira de um negócio de aço e de uma mina de carvão, era notável pela sua natureza saliente, gregária, um total contraste em relação ao seu marido. Francis foi cuidado pela enfermeira da família, Jessie Lightfoot. Uma criança asmática e com muita alergia a cães e cavalos, Bacon muitas vezes teve que tomar morfina para aliviar seus sofrimentos durante os ataques. A sua família mudou muitas vezes de casa, e durante esse período mudou-se entre a Irlanda e a Inglaterra, levando a um sentimento de displicência que permaneceu com o artista durante toda a sua vida. Em 1911 a família morou em Cannycourt House, próximo a Kilcullen, no Condado de Kildare, mas posteriormente mudou-se para Westbourne Terrace, em Londres, próximo a onde Eddi Bacon trabalhou Exército Territorial.

    Abbeyleix

    Retornando a Irlanda após a Primeira Guerra Mundial. Bacon foi enviado para viver um tempo com sua avó maternal, Winifred Supple, e seu marido Keery, em Farmleigh, Abbeyleix, Condado de Laois. Eddy Bacon depois comprou Farmleigh de sua sogra, até seu filho se mudar novamente para Straffan Lodge, Naas, Condado de Kildade, o lugar onde seus pais nasceram. Embora Francis tenha sido uma criança tímida, ele adorava se vestir bem. Isso, junto com sua maneira afeminada, freqüentemente enfurecia seu pai, o fez se criar uma distância entre dois. Em 1924 seus pais se mudaram para Gloucestershire, primeira para Prescott House em Gotherington, depois para Linton Hall, situado próximo a Herefordshire. Francis passou dezoito meses na Dean Close School, Cheltenham, de 1924 a 1926. Isso foi sua única experiência com educação formal de pintura, pois ele saiu semanas depois.
    Em uma festa a fantasia na quinta casa da família em Cavendish Hall, Suffok, Francis se fantasiou de Flapper as roupas próprias, batom, salto alto e um cigarro longo.
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    Em 1926 sua família voltou para a Irlanda, em Stranffan Lodge. Sua irmã, Ianthe recordou que Bacon fez desenhos de mulheres com chapéus Clochês e longos cigarros. Após esse ano, Francis foi banido de Straffan Lodge seguindo um incidente em que seu pai o viu se admirando em frente ao espelho usando as roupas de baixo de sua mãe.

    [editar] Londres, Berlim e Paris

    Bacon passou o outuno e o inverno de 1926 em Londres, com a ajuda de £3 por semana que sua mãe enviava, vivendo uma vida simples, e lendo Nietzsche. Para incrementar suas economias, ele trabalhava como empregado doméstico, mas apesar de ele gostar de cozinhar, ele se tornou logo entediado e resignado. Ele foi demitido de um emprego de atendente telefonista de uma loja de roupas femininas em Poland Street, Soho, depois do dono do estabelecimento receber uma carta anônima. Ele descobriu que ele atraia homens ricos, uma atração que ele estava tirando vantagem, tendo desenvolvido um bom paladar para vinho e comida. Um dos homens era um ex-militar do exército amigo do seu pai, outro criador de cavalos de corrida, com nome de Harcourt-Smith. Bacon depois reivindicou que seu pai pediu a seu amigo para transformá-lo em um "homem". Francis teve uma difícil relação com seu pai, uma vez admitindo que estavam tendo uma relação. Indubitavelmente, Eddy Bacon sabia da fama de seu amigo de viril, mas não da sua atração por homens jovens.
    Na primavera de 1927, Bacon foi levado por Harcourt-Smith para a opulenta, decadente Berlin da República de Weimar, ficando juntos no Hotel Adlon. Foi assim que Bacon viu o filme Metropolis de Fritz Lang.
    Bacon passou dois meses em Berlin, enquanto Harcourt-Smith passou apenas um - "Ele logo ficou cansado de mim, claro, e foi embora com uma mulher… Eu realmente não sabia o que fazer, então eu fiquei por mais um tempo, e depois, quando consegui juntar um pouco de dinheiro, decidi ir para Paris.". Bacon passou o próximo ano e meio em Paris, onde conheceu Yvonne Bocquenti, pianista e connoisseur, na abertura de uma exposição. Ciente de necessidade de aprender francês, Bacon viveu três meses com a Madame Bocquentin e sua família na sua casa próximo a Chantilly. No Château de Chantilly (Musée Condé) ele viu o quadro O Massacre dos Inocentes de Nicolas Poussin, uma pintura que ele se referiu várias vezes posteriormente em seu trabalho. De Chantilly, ele esteve em uma exibição que o inspirou decididamente para pintar. A visita a uma exibição de 1927 com 106 pinturas de Picasso na Galeria Paul Rosenberg, despertou o seu interesse artístico. Bacon frequentemente apanhava o comboio para Paris, cinco vezes ou mais durante a semana, para ver exposições de artes; Bacon viu o filme épico de Abel Gance Napoleão na Paris Opéra na sua premiação em abril de 1927. No outono de 1927, Bacon ficou no Paris Hôtel Delambre in Montparnasse.

     Vida e obra

    Este artista irlandês de nascimento, tratou com uma extraordinária complacência alguns temas que continuam a chocar a nossa vida em grupo. As fantasias masoquistas, a pedofilia, o desmembramento de corpos, a violência masculina ligada à tensão homoerótica, as práticas de dissecação forense, a atracção pela representação do corpo (um especial fascínio pelos fluidos naturais, sangue, bílis, urina, esperma, etc.) e, no geral, com tudo o que está directamente ligado à transgressão seja relacionada com o sexo, a religião (são paradigmáticos os seus retratos do Papa Inocêncio X que efectuou a partir da obra de Diego Velázquez) ou qualquer tabu, foram as peças com as quais Bacon construiu a sua visão "modernista" do mundo.
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    Nasceu em 28 de Outubro de 1909, em Dublin e sofria de asma. Esta debilidade irritava seu pai, um homem rude e violento, que o costumava chicotear para o "fazer homem". Devido a isto Bacon criou um comportamento de oposição a seu pai. Uma infância difícil, que sempre o influenciou na sua arte e lhe inspirou um certo desdém por essa Irlanda de sua infância, tal como Oscar Wilde e James Joyce.
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    A sua primeira exposição individual na Lefevre Gallery, em 1945, provocou um choque e não foi bem recebida. Toda a gente estava farta de guerra e de horrores, só se falava da "construção da paz" e as imagens de entranhas dos quadros de Bacon, com os seus tons sanguíneos, provocaram mais repulsa do que admiração.
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    Como homem do seu tempo, Bacon transmitiu a ideia de que o ser humano, ao conquistar e fazer uso da sua própria liberdade, também liberta a besta que existe dentro de si. Pouca diferença faz dos animais irracionais, tanto na vida - ao levar a cabo as funções essenciais da existência como o sexo ou a defecação - como na solidão da morte; representando o homem como um pedaço de carne.
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    A sua obra esteve em exposição, em Serralves, em 2003.

     Leilões

     Mulher Sentada

    Em Paris a 12 de Dezembro de 2007, a Sotheby's leiloou a obra Mulher Sentada avaliada entre 7,5 e 10 milhões de euros.
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    O quadro é o retrato de uma mulher, Muriel Belcher (Fundadora do clube privado de bebida Colony Room em Londres), quase enrolada numa cadeira partida, pertencente a um coleccionador norte-americano.

    Tríptico

    A obra Tríptico, datado de 1976, foi comprado em Maio de 2008 em Nova Iorque em leilão por cerca de 53 milhões de euros por um coleccionador privado.
    Foi a mais cara pintura moderna do mundo.