Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ainda LeYa


* Luís Filipe Cristóvão

Grupo Leya

Miguel Pais do Amaral apresentou ontem o Grupo LEYA, futuro maior grupo editorial português (já o é no livro geral, está em segundo no escolar) que agrupa as editoras Texto, Dom Quixote, Caminho, Asa, Nova Gaia e Gailivro (e isto só em Portugal, também detém editoras em Angola e Moçambique). Dessa apresentação há a notar os seguintes aspectos:

- Todas as editoras vão manter o seu nome e equipa criativa, sendo que partir de agora os livros passarão a estar no mercado com a denominação do grupo antes do da editora (Leya-Texto, Leya-Asa, Leya-Caminho, Leya-Dom Quixote,...). Ou seja, os receios de alguns autores em relação à identidade de cada um dos projectos editoriais confirmam-se. A partir de agora, a referência passa a ser a Leya, cada projecto editorial ganha o valor de uma sub-editora ou colecção, e assim se começa a esvaziar o valor da marca adquirida.

- Vão criar um prémio para um livro de ficção inédito no valor de 100 mil euros. Sim, 100 mil euros. Portugal passa a ter um prémio literário ao nível de vários prémios europeus. Mesmo que surjam dúvidas quanto aos critérios, aos júris e aos vencedores, um escritor receber um prémio deste valor só pode ser boa notícia. É bom saber que alguns de nós não vão precisar de esperar pela idade da reforma para receber um prémio que se veja.

- "A aposta é no escolar porque é na escola que se ganham os hábitos de leitura". Parece uma frase de um pai endinheirado que paga a propina num colégio ao seu filhinho loiro. Seria bem mais real dizer-se que a aposta é no escolar porque é na escola que as pessoas são mesmo obrigadas a comprar livros, porque é no escolar que praticam as margens mais benéficas para as editoras. Resta agora saber se funcionarão como a simpática e eficiente Nova Gaia ou se, à imagem da Texto, vão continuar a não fornecer caixas para quem levanta as encomendas do escolar nos seus armazéns.

- Quanto às práticas do grupo, nenhum esclarecimento. Percebe-se, pelos números dos despedimentos e pela notícia de eliminação de funções que se sobrepunham, que o mais provável é haver uma facturação conjunta e uma equipa de vendas com um comercial para cada zona em representação da totalidade do grupo. Ou muito me engano, ou vou mesmo ter que me habituar a racionar as compras destas editoras.

Em jeito de conclusão, o surgimento do Grupo Leya, para além de inevitável, é sinónimo de boas notícias para um grande grupo de pessoas - o investimento significará que muitos verão os seus meios melhorados. Em contrapartida, as exigências de resultados serão também muito maiores, mas uma coisa vem com a outra, nenhuma empresa deve ser a Santa Casa da Misericórdia. Ao mesmo tempo, os últimos dois exemplos de "entradas a matar" no mercado português (Dom Quixote no tempo da gestão-Gillete, Bertrand na ditadura da livraria) tiveram resultado díspares; no caso da Dom Quixote, uma editora, significou um recuo à casa de partida. Tenho a certeza que Pais do Amaral saberá o que está a fazer - e enquanto o livro poderá ganhar bastante com isso, talvez a literatura venha a perder.


in milnove79

08 Janeiro 2008



terça-feira, 8 de janeiro de 2008

LeYa - caminho texto dom quixote asa & Companhia










LeYa

Leya - “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”

Em vez de leão, jibóia

Lembram-se desta metáfora visual zoológica (que alguns talvez tenham considerado excessiva)? Ontem, Isaías Gomes Teixeira corroborou-a:

A estratégia a adoptar no Brasil, onde Pais do Amaral também pretende vir a comprar editoras, ainda não foi delineada, mas será uma prioridade no futuro do grupo. “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”, disse Gomes Teixeira. “O Brasil virá a seu tempo…”

LeYa

LeYa

A marca LeYa (com y maiúsculo, segundo o Público) foi hoje apresentada, no Centro de Congressos do Estoril, por Isaías Gomes Teixeira, administrador da holding de Miguel Pais do Amaral. Além da intenção já antes demonstrada de fazer com que o projecto “cresça” (previsão de mil novos títulos em 2008 e um volume de negócios de 90 milhões de euros, tendo como objectivo tornar-se, em breve, «o maior grupo editorial de toda a área da língua portuguesa»), houve duas grandes novidades:

  • O esclarecimento de que cada editora manterá a sua chancela antecedida pelo nome do grupo. Ou seja, teremos a LeYa-Caminho, a LeYa-Dom Quixote, a LeYa-Asa, etc. (A marca LeYa foi criada pelo publicitário Carlos Coelho, que a considera «nobre, simbolizando o Y a abertura da nossa língua».)
  • O anúncio da criação do prémio literário LeYa, no valor de 100 mil euros, para um romance inédito escrito em português, a atribuir durante a Feira de Frankfurt (com a ideia de “exportar” os “nossos autores”). O regulamento será conhecido a 15 de Fevereiro.

Quanto ao primeiro ponto, parece-me que haverá inevitavelmente uma descaracterização da identidade de cada uma das editoras, agudizada pelo previsível nivelamento das linhas gráficas. Ter o nome da holding à frente (e não atrás) da designação original das editoras, empobrece-as, coloca-as em segundo plano, exibe de forma quase hostil quem realmente manda. E, para piorar as coisas, a marca LeYa é de uma pobreza franciscana. Fora o imperativo fonético (leia!), não diz absolutamente nada. Parece um nome made in China, um nome da loja dos trezentos. Já para não dizer que o simbolismo do Y enquanto «abertura da nossa língua» (abertura a quê ou de quê?) é um rotundo disparate, a começar pelo facto da letra tão na moda (veja-se a Byblos) não existir sequer no alfabeto português.

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O prémio literário levanta-me ainda mais dúvidas. Cem mil euros é muito dinheiro. Ou seja, tanto como o atribuído pelo Prémio Camões, de longe o mais importante do espaço da lusofonia, mas que distingue uma carreira (como o Nobel) e não um livro concreto. Neste campeonato, digamos assim, o LeYa não tem rival à altura na CPLP: o Prémio PT de Literatura em Língua Portuguesa atribui um total de 70 mil euros (mas apenas 37.500 para o vencedor), o Prémio Saramago ”fica-se” pelos 25 mil euros e o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores não ultrapassa os 15 mil euros. Na verdade, o LeYa pede meças aos principais prémios do mundo anglófono, sendo superior ao Costa Book Awards (40 mil euros) e mesmo ao tão mediático Man Booker Prize (cerca de 67 mil euros), ficando apenas aquém do maior prémio para um livro: o IMPAC Dublin (127 mil euros).

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Financeiramente, o LeYa vai ser incontornável. Resta saber qual a sua credibilidade. É que se alguns dos prémios atrás referidos são patrocinados por empresas assumidamente não-literárias (especialistas em investimentos alternativos, café ou sistemas de controlo), o LeYa vai ter como patrono uma holding editorial. Como é que vão ser geridos os conflitos de interesses? Se o prémio é aberto a todos os autores de língua portuguesa, será que os escritores publicados pela LeYa podem participar? Por outro lado, se os nomes fortes da casa ficarem de fora (como a lógica e a transparência exigem), que interesse é que a LeYa terá em premiar e promover autores de outras editoras ou grupos concorrentes?

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Ainda há aqui muitas zonas de sombra. Esperemos que se dissipem no dia 15 de Fevereiro.

PS — Estou muito curioso de saber que figuras serão convidadas para o júri…

PS 2 — O objectivo de “internacionalizar” os autores lusófonos, anunciando o prémio em Frankfurt, revela ambição. Mas, é bom dizê-lo, também alguma ingenuidade. Sabendo-se que por aqueles dias os suecos revelam a identidade do Nobel da Literatura, alguém vai ligar alguma coisa ao vencedor do prémio português com nome patusco?

[Foto: DN]

Segunda-feira, 7 Janeiro 2008 Geral, Mundo editorial


Leya: Vender, vender, vender mais


Editora aposta em mil livros por ano
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* Ana Maria Ribeiro

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Vender, vender, vender mais. Eis o mote da Leya, a holding que detém as seis editoras compradas por Miguel Pais do Amaral nos últimos nove meses e que foi apresentada ontem no Centro de Conferências do Casino Estoril, em Cascais.

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O objectivo do grupo editorial – o maior do País – é lançar mil livros por ano e apostar no mercado internacional, projectando os autores portugueses lá fora, sobretudo tendo em conta que, dentro em breve, o número de falantes da nossa língua será de meio bilião.

A extinção dos nomes das editoras não está prevista, ou seja, a partir de hoje os novos lançamentos da Caminho, da Dom Quixote ou da Asa – só para referir as mais sonantes do grupo – vão aparecer sob a chancela Leya Caminho, Leya Dom Quixote, Leya Asa e por aí adiante. Também não estão previstos, por enquanto, lançamentos em nome próprio: a Leya não vai editar, a não ser “em situações excepcionais”.

Foi, pelo menos, o que explicou Isaías Gomes Teixeira, que, em nome do holding, se escusou a revelar os valores do negócio realizado por Pais do Amaral, mas adiantou, com satisfação, que desde que o grupo começou a trabalhar no mercado escolar – outra das suas apostas fortes – as vendas de manuais para Angola e Moçambique já aumentaram de 13 milhões em 2006 para 20 milhões em 2007.

A estratégia a adoptar no Brasil, onde Pais do Amaral também pretende vir a comprar editoras, ainda não foi delineada, mas será uma prioridade no futuro do grupo. “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”, disse Gomes Teixeira. “O Brasil virá a seu tempo...”

DESPEDIMENTOS PACÍFICOS

Em Março, a Leya deverá inaugurar as suas novas instalações, em Alfragide, mas até lá os funcionários continuarão a trabalhar no mesmo local de sempre. Dos 670 que trabalhavam nas várias empresas, 120 foram dispensados e não estão previstos novos despedimentos.

Gomes Teixeira garante que foi tudo feito de forma pacífica. “As pessoas saíram sem dramas, rapidamente, e a reestruturação está praticamente concluída. Há apenas algumas questões pontuais a resolver.”

UM PRÉMIO LITERÁRIO DE CEM MIL EUROS

Segundo garantiu Gomes Teixeira, a Leya não vai alterar os critérios editoriais das seis empresas que representa. Pretende “apenas” editar “mais e melhor”. “Os catálogos estarão sempre a crescer”, afirmou.

Para garantir o prestígio da marca, a Leya vai passar também a distinguir, anualmente, um inédito de ficção em língua portuguesa com um prémio de cem mil euros. Apesar de não estar ainda constituído o júri do prémio – e de não estarem definidas as suas condições – sabe-se que o Prémio Leya será anunciado durante a Feira do Livro de Frankfurt. Para que desde logo o autor tenha a máxima projecção possível. “Isto revela o nosso empenhamento em exportar os nossos autores”, explicou também Gomes Teixeira.

Os romances não serão necessariamente de autores desconhecidos – a única condição, até ao momento, é de que sejam inéditos.

NOTAS

ASA ERA PRIORITÁRIA PELO MOVIMENTO

Entre as seis editoras detidas pelo grupo de Pais do Amaral está a Asa, a maior editora do grupo e que movimentava, por ano, 12,5 milhões de euros. A sua aquisição era prioritária para a Leya.

D.QUIXOTE E CAMINHO TINHAM OS AUTORES

A D. Quixote e a Caminho traziam os grandes nomes, como José Saramago, Lobo Antunes ou Lídia Jorge, e a Texto Editora assegura à Leya uma posição na luta pelo mercado editorial escolar.
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in Correio da Manhã 2008.01.08
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Foto Bruno Colaço - Pais do Amaral só não revela quanto lhe custou comprar seis editoras, entre as quais a Caminho e a Dom Quixote