Discurso de Lula da Silva (excerto)

___diegophc
Mostrar mensagens com a etiqueta Helder Almeida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Helder Almeida. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Crimes nas cidades: Setúbal

http://www.mapasmurais.com/images/mapa_setubal.jpg
Sérgio Lemos

Gangs juvenis atacam nas ruas

Pequenos grupos de rapazes, com idades entre 12 e 16 anos, armados na maior parte das vezes com facas – e que marcam as vítimas mais frágeis que lhes saem ao caminho para assaltar com violência. As pessoas, normalmente, acabam por ficar sem telemóveis, ouro e dinheiro que transportem na rua. Depois dos assaltos à mão armada a estabelecimentos comerciais, é esta a nova tendência do crime na cidade de Setúbal, desde o final de 2009 até agora, segundo a PSP.
  • 25 Maio 2010 - Correio da Manhã
Por:Helder Almeida
.
O retrato actual mostra uma realidade diferente daquela a que a cidade habituou os habitantes. "Em 2008 e 2009, qualquer estabelecimento que tivesse uma caixa registadora era um alvo, principalmente farmácias e bombas de gasolina. E tivemos imensos estabelecimentos assaltados à mão armada para roubar apenas 20 ou 30 euros", diz ao CM o comandante da PSP local, intendente Bastos Leitão. Mas os dados disponíveis até Abril deste ano indicam que houve uma mudança de registo. "Hoje é mais um crime de rua" (ver entrevista).
.
Sentada numa cadeira, na esplanada de um café, está Fátima Silva, de 43 anos, funcionária de caixa num supermercado e residente na avenida Bento de Jesus Caraça, nas imediações do bairro da Bela Vista, há 20 anos. "A partir das 20h00 é muito complicado andar na rua, há muitos grupinhos de rapazes. Todas estas lojas aqui da zona já foram assaltadas, é só perguntar. Quando chego a casa tarde vou sempre a correr, com medo". De facto, não é fácil encontrar nesta zona um estabelecimento que não tenha sido alvo de um assalto. Cristina Paradela, 38 anos, gere uma papelaria e um café. "O estabelecimento já foi assaltado três vezes, a última foi há um ano. As coisas só melhoraram quando coloquei o gradeamento na porta". 
.
Logo à frente, a gerente da pastelaria Trigo de Mel, Isabel Santana, de 45 anos, conta que num espaço de dois meses foi assaltada duas vezes, com uma semana de intervalo. "Partiram as janelas para entrar. Nunca nos sentimos seguros aqui e também vemos poucas vezes a polícia", queixa-se. Jorge Gomes, 44 anos, reformado, mora mesmo ao lado do bairro. E queixa-se do tráfico. "Aqui há muita droga e é tudo feito à vista desarmada. Por isso é que a polícia tem vindo cá ultimamente fazer algumas rusgas aos cafés, sobretudo à noite".
.
DISCURSO DIRECTO
.
"MUDANÇA DE PADRÃO": Bastos Leitão, comandante da PSP de Setúbal 
.
Correio da Manhã – Qual o tipo de crime mais usual na cidade?
Bastos Leitão –Existe em Setúbal uma criminalidade maioritariamente praticada por jovens, cuja idade pode variar entre os doze e os dezasseis anos. É bastante vulgar jovens com estas idades serem detectados por nós no cometimento de crimes.
.
– E quais são os alvos destes grupos?
– Na cidade, em 2008 e 2009, os grandes alvos desta criminalidade foram os estabelecimentos comerciais, sem dúvida. Neste momento o padrão é um crime de rua, no espaço público, mais grupal do que era anteriormente, e com recurso a arma branca.
.
– Qual o balanço do primeiro trimestre de 2010?
– Muito positivo. Neste momento há um abaixamento na criminalidade grave e violenta em dez por cento. E na criminalidade geral a descida é de dois por cento. 
.
"DEPOIS DE ESCURECER JÁ NÃO SE VÊ NINGUÉM AQUI"
Toda a zona da Baixa de Setúbal até à zona dos bares, no final da avenida Luísa Todi, é considerada pelas autoridades uma área sensível. Essencialmente uma zona de comércio, por volta das 20h00, nas ruas estreitas, já é raro ver passar alguém, e quem o faz é sempre com o coração nas mãos. Quando está de serviço, de porta aberta (das 20h00 às 22h00), é à Farmácia Lisboa que muitos setubalenses se dirigem em busca de um remédio. Situada na rua Dra. Paula Borba, no centro da Baixa, também esta farmácia já foi assaltada no ano passado. 
.
"Fomos obrigados a contratar um segurança, pago à hora, para que as pessoas que aqui vêm estejam descansadas e para que quem cá trabalha se sinta seguro", conta ao CM Teresa Chitas, 50 anos. A responsável pela farmácia diz mesmo que era normal ver chegar ali pessoas "completamente assustadas". A própria revela ter receio quando sai tarde, uma vez que "a zona é perigosa pois quando começa a escurecer não se vê absolutamente ninguém".
.
Mesmo em frente da farmácia está a Ourivesaria Pedroso, propriedade de Aida Teixeira, 52 anos. E também ela não escapou aos assaltantes, em Janeiro deste ano. "Roubaram todo o ouro, jóias, muitas pratas e os relógios das melhores marcas", conta. Queixa-se da falta de polícias na zona e quando sai à noite da ourivesaria prefere não pensar no que lhe pode acontecer. Mas a PSP garante que os polícias estão lá, mas à civil. "Foi uma táctica que começámos a utilizar durante o ano passado e que continua. Foi eficaz pois os roubos [a estabelecimentos] baixaram, mas já não dá tantos resultados para o crime de rua" (ver texto principal), lamenta Bastos Leitão. 
.
290 POLÍCIAS EM CINCO ESQUADRAS
A PSP é responsável pela segurança da cidade de Setúbal, que tem cerca de 110 mil habitantes. Conta com cerca de 290 polícias, que se dividem pela 1ª Esquadra, na avenida Luísa Todi; pela 2ª Esquadra, no Bairro da Bela Vista; pela Esquadra de Investigação Criminal, a Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial e a Esquadra de Trânsito. É também na cidade que está o comando desta força e o comando da GNR, além da Polícia Judiciária.
.
SAIBA MAIS
.
FARMÁCIAS A SAQUE
Setúbal foi o distrito do País que mais registou assaltos a farmácias em 2009.
.
35 785
É o número de participações criminais em 2009, em Setúbal, referidas no Relatório Anual de Segurança Interna.
.
3001
Ocorrências graves e violentas participadas. Setúbal é o terceiro distrito do País com a criminalidade mais grave. 
.
ÁREAS MAIS SENSÍVEIS
.
BAIRRO DA BELA VISTA
Com uma grande diversidade étnica e socioeconómica, é do bairro da Bela Vista que emerge uma maior fatia da criminalidade na cidade de Setúbal e no distrito. 
.
AV. BENTO DE JESUS CARAÇA
Nas imediações do problemático bairro da Bela Vista, são poucos os espaços comerciais que ainda não tenham sido assaltados na avenida Bento de Jesus Caraça. 
.
BAIXA DE SETÚBAL
A partir das 20h00, são poucos os que se aventuram no emaranhado das ruas da baixa setubalense. Em 2009 os assaltos a estabelecimentos foram frequentes.
.
AVENIDA LUÍSA TODI
A principal artéria da cidade de Setúbal não foge à regra. A zona dos bares fica numa das pontas da avenida Luísa Todi – e é onde se registam vários desacatos e assaltos.
.
BAIRRO DA CAMARINHA
Não é um caso tão problemático como a Bela Vista, mas ainda assim, por vezes, a polícia é chamada ao bairro para pôr termo a confrontos violentos.
.
.
http://www.portugal-hotels.com/mapas/setubal.gif

Gangs dominam a Sul do Tejo e no Grande Porto

Crime nas cidades: Margem Sul
Manuel Moreira
O Bairro da Jamaica é conhecido pelo tráfico de droga e pelos confrontos
São os jovens delinquentes e as comunidades imigrantes quem mais preocupa as polícias que investigam os crimes e patrulham a Costa de Caparica, Monte de Caparica, Charneca, Trafaria, Almada, Corroios, Seixal, Barreiro ou Moita, na Margem Sul. A par de Setúbal, são estas zonas, situadas entre o rio Tejo e o rio Sado, que mais contribuem para que o distrito seja o terceiro do País, logo depois de Lisboa e do Porto, com um maior índice de criminalidade, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna.
  • 0h30 - Correio da Manhã - 2010.05.26
Por: Helder Almeida

Fontes policiais adiantam ao CM que as comunidades de imigrantes, muitos em situação ilegal, que cresceram sem controlo e enquadramento social na Margem Sul, são, de facto, "um problema grave pelo número de situações de crime violento em que surgem envolvidas". 
.
A Costa de Caparica é um dos locais que a polícia tem sob vigilância apertada. "Pelas condições naturais da Costa instalou-se lá uma grande comunidade imigrante, nomeadamente de cidadãos brasileiros, e que de facto está relacionada com muitos dos crimes graves praticados em toda a Margem Sul", dizem as mesmas fontes policiais. 
.
Sandro Bala – que está foragido no Brasil – é um exemplo. Recrutava compatriotas no país natal, com conhecimentos de jiu--jitsu, utilizando-os depois em extorsões a discotecas, bares e restaurantes. Dominou o crime organizado na Margem Sul e estendeu-se a Lisboa – o Budha Bar e a discoteca W, na capital, foram visitados e destruídos pelo grupo, que pretendia impor serviços de segurança. 
.
Em 2008, o alarme social disparou, provocado por vários jovens imigrantes que na internet se assumiam como representantes em Portugal do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa brasileira responsável por vários motins nas cadeias brasileiras.

.Mas o comandante da PSP de Setúbal, Bastos Leitão, chama a atenção para o facto de já acontecer "em muitos assaltos, portugueses falarem com sotaque brasileiro para despistarem a polícia". Por outro lado, os roubos com faca na rua, cometidos por grupos de jovens entre os 12 e os 16, segundo a PSP, são a nova tendência desde o final do ano passado, depois dos assaltos a estabelecimentos. "O Vale da Amoreira é uma zona muito fustigada por este tipo de criminalidade grupal", refere Bastos Leitão. "Já em Almada, actuam de forma mais isolada".
.
DISCURSO DIRECTO
.
"ROUBO COM ARMA DE FOGO": Calado de Oliveira, coordenador da PJ de Setúbal 
.
Correio da Manhã – Qual é o crime mais investigado pela PJ na área entre o Tejo e o Sado?
Calado de Oliveira – Em toda a área Sul o crime mais investigado é o de roubo com arma de fogo. Já em 2008 e 2009 tinha sido. Têm algum significado os roubos na via pública e a estabelecimentos comerciais, como postos de combustível e pequenos estabelecimentos comerciais.
.
– E este ano, há alguma alteração no tipo de criminalidade?
– Mantêm-se as tendências, apesar de haver um ligeiro decréscimo deste tipo de crimes no primeiro trimestre deste ano.
.
– E quanto à criminalidade organizada?
– Os nossos indicadores não apontam para uma organização. Existe uma actividade grupal, com grupos que evoluem diariamente mas que não revelam consistência.
.
– Qual o perfil do criminoso?
– Muito jovem, com idade entre os 16 e os 25, com pouca instrução e poucos hábitos de trabalho
..
"ASSIM QUE CAI A NOITE COMEÇAM OS PROBLEMAS"
O final do ano de 2009 e o início de 2010 foi "a altura mais complicada de assaltos" na Costa de Caparica, segundo o presidente da junta de freguesia, António Neves. Os problemas são muitos: "pouco efectivo da GNR, miséria e toxicodependência", aponta o autarca.
.
Os concessionários dos bares da Costa de Caparica, situados junto à praia, foram dos primeiros a sentir na pele os efeitos da criminalidade na zona. Quase todos foram já notícia por terem sido alvo de assaltos, com elevados prejuízos.
.
É o caso do Delícias do Mar, que já foi roubado duas vezes. "Das duas vezes partiram os vidros para entrar. Assim que cai a noite começamos a olhar para as pessoas com outros olhos. Começam os nossos problemas", conta Cristina Lourenço, 38 anos, filha do gerente.
.
Um pouco mais à frente fica o Espaço 20, que já foi visitado pelos assaltantes em quatro ocasiões. E o método é sempre o mesmo. "Partem os vidros da parte de trás e aproveitam a protecção da duna artificial que está demasiado alta e esconde o bar da estrada", refere, quase conformada, Manuela Cardoso, 44 anos, gerente.
.
O presidente da junta da Costa de Caparica diz que agora "tudo tem estado mais calmo", até porque, apesar do efectivo pequeno, "tem havido boa acção policial".
.
SAIBA MAIS
.
GNR DE SETÚBAL
O comandante de Setúbal, coronel Porteira de Almeida, garante que este ano "há uma ligeira descida da criminalidade em geral", apesar de ser ainda um "distrito complicado".
.
12
Número de elementos que pertencem às Equipas de Prevenção e Reacção Imediata da PSP e que patrulham todo o distrito de Setúbal em motos de alta cilindrada.
.
3500
Estimativa do presidente da junta da Costa de Caparica sobre o número de imigrantes brasileiros legais na freguesia.
.
BOMBAS DE GASOLINA
Setúbal foi o distrito do País que mais assaltos a postos de abastecimento de combustível registou em 2009, com 70 participações à GNR e PSP, seguido do Porto e Braga. 
.
ÁREAS SENSÍVEIS
.
BAIRRO DA JAMAICA
Situado no Fogueteiro, o Bairro da Jamaica é uma das zonas mais degradadas e que alberga muitas pessoas oriundas, essencialmente, das antigas colónias. 
.
QUINTA DA PRINCESA
Igualmente constituída por pessoas vindas das ex-colónias, a Quinta da Princesa é rival do Bairro da Jamaica no tráfico de droga. Os confrontos com violência são frequentes. 
.
VALE DA AMOREIRA
É uma zona situada na Baixa da Banheira e que preocupa a PSP principalmente por estar associada ao crime violento praticado por gangs formados por jovens. 
.
BAIRRO DO PICA-PAU
Situado no Monte de Caparica, é sobretudo conhecido por ser o ponto de origem de vários gangs juvenis que praticam assaltos no Metro Sul do Tejo e nos autocarros. 
.
QUINTA DO CONDE
É uma vasta área, no concelho de Sesimbra, marcada pelo desordenamento do território e degradação, pela imigração ilegal e pelo tráfico de droga. 
.
http://www.vacances-location.net/aluguer-ferias/maps/detailed/portugal/lisboa/peninsula-de-setubal.png 
-
Grande Lisboa e Península de Setúbal
_____
.
Crimes nas cidades: V. N. de Gaia e Matosinhos
Diogo Pinto

Criminalidade sem abrandar

Nos concelhos de Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia e Gondomar, a criminalidade violenta e grave passa pelo furto de veículos usados depois em assaltos a espaços comerciais, estações de serviço, bancos, farmácias e residências. O tráfico de droga faz-se pelas urbanizações sociais de Vila D’Este e Olival, em Gaia, pelas ruas dos bairros da Biquinha, em Matosinhos, e do Tardariz, em Gondomar. O crimes não abrandou nos últimos anos.
  • 25 Maio 2010 - Correio da Manhã
Por:Manuela Teixeira
.
A segurança nos concelhos limítrofes ao Porto é partilhada pela PSP e GNR, mas há zonas em que ambas as forças actuam. Ainda há cerca de um mês, a GNR de Gaia fez uma grande operação em Vila D’Este, que passou há pouco tempo para a jurisdição da PSP. Apreendeu 35 quilos de haxixe numa das habitações de um dos maiores bairros do País, onde residem 17 mil pessoas. Entre estes, há moradores que fazem da casa ponto de tráfico de estupefacientes. Em Gaia, o bairro do Olival é outro ponto de venda. 
.
Nestes concelhos em redor da cidade do Porto registam-se a maioria dos assaltos a postos de abastecimento de combustíveis, nomeadamente os que estão localizados nas estradas nacionais e municipais. As vias de fácil acesso também facilitam a fuga rápida sem deixar rasto. Os assaltantes actuam em grupos de dois a quatro homens, encapuzados e armados. Os carros que usam nos assaltos são geralmente furtados. Em 2009, o Grande Porto registou 62 ataques postos de venda de combustíveis, a maioria com recurso a arma de fogo para coagir os funcionários. Raramente são disparados tiros.
.
Segundo os números das autoridades, a criminalidade no distrito aumentou em alguns casos. Carros topo de gama, residências e farmácias são também muito atacados.
.
Os crimes graves contra as pessoas rondam no distrito do Porto os 35 casos por cada mil habitantes. Em 2009 foram apresentadas às forças de segurança 3846 situações. Alguns destes ataques ocorreram dentro das casas das vítimas.
.
Um dos novos alvos de roubos no Grande Porto são as máquinas de venda de cigarros e as carrinhas de transporte de tabaco. Alguns assaltos a cafés têm como objectivo levar apenas a máquina do tabaco. O elevado preço dos cigarros representa já um negócio ilegal rentável.
.
17 MIL RESIDENTES EM VILA D'ESTE
Vila D’Este é uma urbanização construída em finais dos anos 70 e princípio de 80 através do sistema corporativo. Tem mais de duas mil habitações em vários prédios.
.
Moram lá cerca de 17 mil pessoas. A Câmara de Gaia prevê investir cerca de 20 milhões de euros em obras de reabilitação.
.
SAIBA MAIS
.
AGRESSÕES
Os ladrões são cada vez mais agressivos e recorrem com frequência a armas de fogo e a facas para ameaçar e ferir as vítimas.
.
62
Durante 2009, as autoridades registaram 62 assaltos as posto de venda de combustíveis, só no distrito do Porto.
.
35
Os crimes contra pessoas praticados no Grande Porto rondam os 35 casos por cada mil habitantes
.
TABACO
As máquinas e carrinhas de tabaco são os novos alvos dos ladrões, devido ao elevado preço dos cigarros.
.
"A LOJA FOI ASSALTADA TRÊS VEZES EM POUCO TEMPO"
Joaquim e Luísa Pereira já foram alvo de vários assaltos. O casal é dono de uma loja de vestuário no centro de Matosinhos e não tem sido poupado pelos ladrões. "Nos últimos anos, a nossa loja já foi assaltada de noite três vezes" disse ao CM Joaquim Pereira, de 76 anos. O comerciante, que também já foi roubado na rua e ficou sem os seus haveres, está revoltado. Maria Luísa, de 50 anos, mulher de Joaquim, viveu as mesmas más experiências e até presenciou outras. "Aqui na loja já apanhei várias pessoas a roubar roupas e algumas conseguiram fugir com elas", contou.
.
No último fim-de-semana, o casal presenciou o roubo ao interior de um carro estacionado perto da loja. Partiram os vidros e roubaram tudo o que havia lá dentro.
.
Maria Luísa chega a garantir que cada dia se sente mais insegura. "Acho que há pouca polícia nas ruas a vigiar. A presença da polícia fardada afasta quem anda a rondar as zonas com intenção de roubar", afiançou.
.
O mesmo sentimento tem Paula Antunes, residente em Gaia. "Até tenho medo de ir meter gasolina à noite por causas dos assaltos às bombas", disse a funcionária de uma repartição de Finanças. Paula nunca foi vítima de qualquer ataque violento mas diz que já sofreu um ataque de pânico por suspeitar de um homem que, pensou por momentos, a iria roubar.
.
"Foi no multibanco. Fui levantar dinheiro e um sujeito na máquina ao lado estava parado a olhar para mim com um ar muito estranho. Pensei que ia puxar de uma faca mas acabou por sair normalmente", contou ao CM.
.
Vitória, de 18 anos, também apanhou um susto em Fânzeres, Gondomar, quando foi a casa de um familiar residente numa zona pouco iluminada. "Parou um carro ao meu lado com dois homens lá dentro e eu achei que eram bandidos", recordou a jovem – que desatou a correr, fugindo dos ‘suspeitos’, e ficou sem saber qual seria a razão da abordagem.
.
DISCURSO DIRECTO
.
"POLÍCIAS NÃO COMUNICAM": César Nogueira, Associação Profissionais da GNR/Norte
.
Correio da Manhã – Em concelhos partilhados por GNR e PSP as comunicações entre as duas forças funcionam?
César Nogueira – Não funcionam bem porque ainda temos sistemas de comunicação diferentes. No caso de perseguição a uma viatura suspeita que vá em direcção a uma área da PSP, a informação tem que ser via telefone. Perde-se tempo fundamental.
.
– Os meios da GNR nesta área de jurisdição são suficientes e operacionais?
– Temos sempre falta de carros- -patrulha. Alguns estão sempre a avariar por estarem velhos. Há carros com mais de 500 mil quilómetros que já não estão muito operacionais.
.
– Quais são as zonas mais complicadas no Grande Porto?
– Vila Nova de Gaia tem vários problemas porque tem diversos acessos que permitem fugas rápidas às autoridades. A urbanização Vila D’Este, por ter muita gente, é sempre um barril de pólvora. Claro que há boas pessoas a morar lá, mas também há muitos criminosos.
.
CASOS NA REGIÃO
.
VIOLÊNCIA
Grupo atacou e roubou Adelaide Rebelo, de 68 anos, em casa, na Madalena, Gaia. Amarraram-lhe os pés e mãos e colaram uma fita adesiva na boca para não gritar.
.
BANCOS
Onde há dinheiro há ladrões. Os bancos continuam a ser assaltados à luz do dia. Os assaltantes ameaçam os funcionários com armas de fogo para obter os euros em caixa.
.
TABACO
O assalto a um café em Santa Maria do Avioso, na Maia, acabou com tiroteio dos ladrões contra uma testemunha. Roubaram a máquina de tabaco.
.
CARROS QUEIMADOS
Automóveis queimados como acto de vandalismo ou vinganças pessoais começam a ser frequentes. Em outros casos ateiam fogo às viaturas furtadas e usadas em assaltos.
.
ARMAS
Uma das últimas operações da PSP de Espinho apreendeu na feira semanal várias armas ilegais. O armamento é também negócio de alguma venda ambulante.
.
.
http://www.aulasconsoftware2006.org/images/mapa_porto_gd.jpg
.
Grande Porto
.
.

domingo, 9 de maio de 2010

Vila operária em ruínas sumiu-se de repente numa colina de Lisboa

Duarte Roriz
As casas resvalaram encosta abaixo e com elas todo o recheio. Um monte de entulho ocupou os bombeiros durante horas em busca de vítimas. Vizinhos de um prédio contíguo foram retirados

Lisboa: Moradores da freguesia dos Anjos alertaram câmara para o perigo

“Vi degraus engolidos pela terra”

"Gritei tanto para a minha vizinha me vir ajudar. Pensei que morria porque vi os degraus a serem engolidos pela terra e de repente as casas dos meus vizinhos deixaram de existir." Os lábios de Madalena Gonçalves tremiam cada vez que recordava o momento em que cinco casas ruíram com um deslizamento de terras, ontem à tarde, nas escadinhas Damasceno Monteiro, na freguesia dos Anjos, na encosta da Graça, em Lisboa. Só um milagre fez com que as três pessoas que viviam na Vila Martins, casal de idosos e a mulher de 52 anos, escapassem à tragédia.
  • 06 Maio 2010 - Correio da Manhã
Por:Magali Pinto/Helder Almeida com L.M./A.P..
.
Apenas duas casas eram habitadas, sendo que as restantes eram ocupadas apenas durante a noite por sem-abrigo e toxicodependentes. 'O meu vizinho ficou sem nada, com a casa completamente destruída. Eu só me salvei porque fui alimentar os meus cães e quando vi aquela destruição toda só tive tempo de fugir', continuava a mulher, que vive sozinha. O casal de idosos não estava em casa porque tinha ido a uma consulta no médico. Foram também retiradas dezenas de pessoas, de pelo menos cinco prédios, por haver risco de novas derrocadas. Ao todo são quinze as pessoas desalojadas (ver págs. 6 e 7). 'Eu comecei a estranhar porque o meu pátio começou a abrir, mas nunca pensei que uma coisa dessas pudesse acontecer aqui', disse, incrédula, a mulher de 52 anos.
A situação provocou ainda uma onda de revolta entre os moradores da zona, que referiram ter enviado vários alertas à Câmara a dar conta do estado de degradação das casas da Vila Martins. 'Os canos já vertiam água por todos os lados e nunca ninguém nos ouviu. É preciso haver uma desgraça para alguém fazer alguma coisa', salientou Manuela Antunes, 55 anos, que há dois anos tinha juntado 1500 assinaturas para a Câmara intervir. 
.
De resto, está é uma situação confirmada ao CM pelo presidente da Junta dos Anjos. 'Admito que há mais de dois anos que recebemos a mesma queixa, mas não podemos fazer muita coisa porque não é da nossa competência e, da parte da Câmara, também nunca tivemos qualquer feedback', garantiu João Grave. Já o vereador da Protecção Civil da Câmara Municipal de Lisboa disse que 'é muito cedo para encontrar causas'.
.
DISCURSO DIRECTO
'É MUITO CEDO PARA AVALIAÇÕES': Manuel Brito, Vereador da Protecção Civil da CML
Correio da Manhã – Já são conhecidos os motivos que levaram ao deslizamento de terras?
Manuel Brito – Neste momento o mais importante é assegurar que as pessoas que ficaram desalojadas estão a ser acolhidas e já a partir de hoje [ontem] vamos lutar para conter a situação, mas ainda é muito cedo para avaliações concretas. A partir de agora temos de pensar em limpar.
.
– Quais as medidas que vão ser tomadas a partir de hoje?
– Já fizemos uma reunião de emergência e decretámos o estado de necessidade, devido à gravidade do que se passou. Em primeiro lugar temos de pensar no bem das pessoas que, felizmente, sobreviveram. 
.
– Quais os meios que ficam envolvidos a partir de agora?
– A PSP fica cá e hoje [ontem] vamos fazer vistoria completa até para avaliar a segurança de quem cá fica e que está com medo. 
.
CÃES À PROCURA DE CADÁVERES
O primeiro alerta chegou ao Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa por volta das 17h20. Num primeiro momento suspeitou-se da existência de vítimas, pelo que foram desde logo accionados vários meios de socorro e salvamento, entre os quais os cães da Unidade Especial de Polícia (UEP), que procuravam cadáveres. Estiveram também no local vinte bombeiros, com cinco viaturas, várias ambulâncias do INEM, a Polícia Municipal de Lisboa, a EDP e ainda a EPAL.
.
'ESCAPÁMOS POR MINUTOS'
Na Vila Martins, José António, de 51 anos, Vítor Sousa, de 42, (estes dois na foto à direita) e Francisco José, de 38, utilizavam uma das casas arrasadas para manter um pequeno ginásio privado. O proprietário da casa, José António, conta que ontem a habitação já estava com 'rachas de cerca de dez centímetros, enquanto no dia anterior não passava os dois'. Naquela vila, os problemas eram muitos. 'Não havia luz eléctrica na rua, nem esgotos, e havia muito lixo acumulado', descreve por sua vez Vítor Sousa.
.
Ontem, foi por pouco que os três homens não ficaram debaixo dos escombros. 'Estávamos a ir para o ginásio, que eu tinha remodelado há pouco tempo, quando começámos a ver tudo a cair. Ainda tentei salvar uma máquina mas foi impossível', refere José António. 'Aquilo foi uma desgraça total, por cinco minutos que não ficámos ali os três. Se tivéssemos ido mais cedo não tínhamos escapado', assegura Vítor Sousa. Foram estes três homens que correram a chamar por socorro assim que as casa caíram, provocando 'um estrondo enorme' e libertando 'uma nuvem de poeira gigante' que cobriu todo o bairro por algum tempo. 
.
'É LOCAL DE GRANDE PERIGO'
Um total de 15 pessoas ficaram desalojadas ontem, na sequência da derrocada que destruiu cinco casas, na Vila Martins, na zona dos Anjos, em Lisboa, confirmou ao início da noite o vereador da Protecção Civil da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Manuel Brito. Doze destas pessoas são moradoras num prédio que fica junto ao local da derrocada e que, segundo o responsável pela Protecção Civil, ficou descalço, constituindo por isso 'um local de grande perigosidade'. As outras três viviam na vila que ficou destruída.
.
Os três moradores da Vila Martins que ficaram sem casa vão ficar temporariamente com familiares, enquanto os restantes doze vão ser realojados durante os próximos dias em habitações da câmara, assegurou ao CM o director do Departamento de Protecção Civil da CML, Vítor Vieira.
.
A Polícia ficou no local durante a noite a guardar o perímetro de segurança que foi criado. Todos os outros meios de emergência – bombeiros, INEM e equipas de resgate – foram desmobilizados, depois da certeza de que ninguém tinha ficado soterrado. Havia o receio de que alguns toxicodependentes que frequentavam as casas abandonadas tivessem ficado debaixo dos escombros.
.
As causas da derrocada ainda não foram apuradas, mas a vereadora da Habitação da CML, Helena Roseta, apontou o facto de o terreno naquela zona estar 'muito húmido', corroborando as suspeitas de moradores que falavam de um cano que durante muito tempo verteu água sem ser arranjado.
.
Hoje, os bombeiros vão proceder à limpeza do local, depois de cortarem a electricidade na zona. Manuel Brito admite que vai ser um trabalho de alto risco. 'Os bombeiros podem mesmo correr risco de vida, o local é muito perigoso'. Já Helena Roseta afirma que não pode dizer 'quanto tempo vai demorar' a voltar tudo ao normal. Os dois vereadores admitiram mesmo ter assistido a uma segunda derrocada quando chegaram ao local.
.
Os dois vereadores da CML decretaram ainda, verbalmente, o ‘estado de necessidade’ que permite à câmara intervir em terrenos de privados sem notificar os proprietários. Hoje vão ser também reforçadas várias estruturas para evitar mais derrocadas. 

SAIBA MAIS
.
O QUE É UMA VILA?
Habitação das famílias operárias, as vilas datam do séc. XIX. Não tinham sanitários nem água corrente e construíam-se à margem dos arruamentos a que acediam por serventia. Aproveitavam os interiores dos quarteirões.
.
350
vilas foram contabilizadas em Lisboa na edição 1979 do Anuário Geral de Portugal..

A VILA AO LUXO
O Páteo Bagatella, às Amoreiras, hoje urbanismo de luxo, era antes a Vila Bagatella, construída em 1890 por Manuel Monteiro, emigrante regressado rico do Brasil.
.
DISCURSO DIRECTO
'ÁGUA PODE TER AJUDADO À DERROCADA': Gonçalo Ribeiro Telles, Arquitecto paisagista
Correio da Manhã – O que terá provocado o deslizamento de terras nos Anjos?
Gonçalo Ribeiro Telles – Há muitas hipóteses, mas a mais provável é o excesso de água no solo. A infiltração de água nos diferente estratos pode ter ajudado à derrocada.
.
– Há outras situações semelhantes a esta em Lisboa?
– É uma cidade colineira, logo onde há colinas pode haver deslizamentos. Um dos exemplos é o Vale de Alcântara.
.
– Como se evitam estas situações?
– Através de um ordenamento de território sério que leve em consideração a circulação das águas. Estudar os diferentes vales da cidade e como é feita a circulação das águas.  
.
'TÍNHAMOS VÁRIOS ALERTAS HÁ DOIS ANOS'
João Grave, presidente da Junta de Freguesia dos Anjos, afirmou ter conhecimento do estado de degradação das casas da Vila Martins. 'Tínhamos vários alertas há mais de dois anos mas sem o apoio da câmara não podemos actuar. Felizmente não houve vítimas, porque se trata de habitações muito antigas e que têm de ter uma atenção especial e ,portanto, temos de intervir', disse o presidente ao CM. 
.
.
Click here to find 
out more!
Só duas das oito casas estavam habitadas. Não houve vítimas

Vila operária em ruínas sumiu-se de repente numa colina de Lisboa

Público  06.05.2010 - 08:51 Por José António Cerejo
"Aquilo desabou tudo de um momento para o outro." Francisco José, trinta e tantos anos, nem teve tempo de salvar os aparelhos de ginástica que tinha numa das casas da degradada Vila Martins, na encosta que liga o miradouro da Senhora do Monte, na Graça, à Rua Damasceno Monteiro, por cima do Intendente, em Lisboa.
A derrocada fez 12 desalojados  
A derrocada fez 12 desalojados (Nuno Oliveira)
Pouco passava das 17h30 e os oito tugúrios térreos que em grande parte do século passado alojaram famílias de operários - seis dos quais desabitados e semi-arruinados - desapareceram pela encosta abaixo, no meio do pó e de um estrondo surdo.

"Por sorte não estava ninguém lá dentro", conta uma jovem enfermeira, residente num prédio vizinho, que saiu de casa a correr, a ver se podia ajudar alguém. Os cães pisteiros da PSP reforçariam depois a sua convicção, não encontrando sinal de vida sob os escombros acumulados na base da encosta. O casal de idosos que habitava uma das casas estava ausente e a mulher que vive na outra estava ali, desesperada, a contar como tinha sido obrigada a fugir, ao ver as paredes a rachar e a poeira a levantar-se. Os sem-abrigo que por vezes pernoitavam nas casas abandonadas não tinham sido vistos durante a tarde e os cães, um dos quais feriu uma pata no meio do entulho, não encontraram vestígios deles.

Amontoados no cruzamento da Damasceno Monteiro com as Escadinhas do mesmo nome, por onde se acedia à Vila Martins, através de uma estreita travessa, dezenas de moradores assistiam ao vaivém dos bombeiros e da protecção civil e assestavam baterias contra a Câmara de Lisboa e os senhorios. Uns falavam num primeiro abaixo-assinado há perto de 30 anos, a pedir a demolição dos casebres, que "nem sequer tinham casa de banho nem estavam ligados aos esgotos". Outros já só se lembravam de um protesto com cerca de 20 anos, realizado pouco depois de uma outra "barraca" existente junto à vila ter ido abaixo.

Os mais novos já não tinham conta das cartas, telefonemas, abaixo-assinados e e-mails a pedir uma solução. Nem tão-pouco das vistorias camarárias que confirmavam, segundo garantem, o risco de ruína e a falta de condições de habitabilidade da velha Vila. "O problema é que os senhorios estão-se marimbando. Pagam as coimas e pronto. Fica tudo na mesma", queixava-se um morador de um dos prédios da Damasceno Monteiro, situado mesmo por baixo das casas que agora se sumiram.

Nas traseiras deste edifício ainda estão dois armazéns, já assentes em socalcos, uns metros abaixo e à esquerda da Vila, onde em tempos se fabricou um dos ex-libris de Lisboa: a ginjinha Espinheira, que ainda tem loja aberta nas Portas de Santo Antão. "Há uns 30 anos, quando fizemos o primeiro abaixo-assinado, o senhor Espinheira foi um dos subscritores", recorda um reformado que abriu as portas do seu quarto andar aos jornalistas que não tinham outra maneira de ver o local do acidente.

Do topo do prédio, o rasgão lavrado na escarpa mostra o que sobra de uma das muitas chagas que Lisboa esconde. É um espaço minúsculo, de pouco mais de uma centena de metros quadrados, escondido entre prédios, visível apenas dos telhados. A encosta sobe a pique, quase na vertical, e era por ela que seguiam a escada ao longo da qual se empoleiravam as oito barracas, que já tinham sido casas pobres, de gente pobre, mas de tijolo e cimento. A imagem lembra morros e favelas e põe a nu muito do que a cidade tem de podre. "A encosta está oca por falta de drenagem das águas. Ainda pode cair algum prédio nas escadinhas", dizia um dos moradores.
.
.