Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Alemanha: Aliança contra manifestações neonazistas em Dresden

13 DE FEVEREIRO DE 2012 - 16H10 
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A cidade de Dresden lembra o dia de sua destruição, pouco antes do fim da Segunda Guerra. Há anos, extremistas de direita usam a data com propósitos escusos, que, no decorrer dos últimos anos, contudo, enfraqueceram


Pouco depois das 10 horas da noite de 13 de fevereiro de 1945, aviões de bombardeio, em sua maioria britânicos, sobrevoaram Dresden. Em 15 minutos, transformaram 75% do centro da cidade em ruínas. Poucas horas mais tarde, acontecia um segundo ataque, que desencadeou um incêndio de enormes proporções, causando a morte de mais de 20 mil pessoas.

Historiadores divergem até hoje a respeito do sentido militar da destruição de Dresden, que em função de sua arquitetura barroca era chamada de Florença do Elba. Certo é que a destruição da cidade representou, de fato, um baque para os nazistas alemães. Três meses depois, o Exército Vermelho destruia o que restara do Terceiro Reich, que capitulou sem quaisquer exigências.

Desde 1946, os sinos das igrejas da cidade soam sempre no dia 13 de fevereiro, em lembrança do ocorrido. Desde 1998, contudo, neonazistas usam da data, encenando eventos nos quais a culpa alemã pelo Holocausto é negada. Tais manifestações começaram com menos de cem participantes e se transformaram em um evento de massa: nos últimos anos, cerca de 6,5 mil neonazistas foram às ruas da cidade no que chamam de "marcha do luto".

Em sinal de oposição ao fantasma do fascismo, que ameaça frequentemente retornar, os habitantes de Dresden e pessoas de outras cidades mostraram resistência. Em 2011, 15 mil pessoas participaram de uma corrente humana neste dia.

A aliança "Dresden sem nazistas" iniciou um bloqueio através de uma corrente humana contra a marcha nazista. Na época, houve confrontos violentos entre a polícia, que enfrentou em peso os manifestantes antineonazistas. Do ponto de vista do governo da Saxônia, estado do qual Dresden é a capital, são ilegais as correntes humanas e bloqueios para impedir manifestações permitidas oficialmente pelas autoridades.

Como só viria a se saber posteriormente, as autoridades responsáveis pela segurança local espionaram mais de um milhão de dados de ligações de celulares dos manifestantes. Entre as vítimas da espionagem estavam principalmente manifestantes pacíficos e moradores, que nem tinham ligações com o fato. Políticos e autoridades da Saxônia vêm sendo desde então acusados de terem criminalizado os manifestantes antineonazistas.

O secretário-geral do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Stephan Kramer, aponta uma "virada da situação jurídica" e uma "estigmatização" dos manifestantes. Kramer defende abertamente as correntes humanas. Aiman Mazyek, presidente do Conselho Central dos Muçulmanos no país, tem a mesma opinião em relação aos protestos, segundo informações da aliança "Dresden sem nazistas".

Três deputados federais de origem turca conclamaram a população a participar dos protestos. Sevim Dagdelen (A Esquerda), Aydan Özoguz (Partido Social Democrata) e Memet Kiliç (Partido Verde) esperam uma forte participação sobretudo de migrantes que vivem na Alemanha. De ônibus e trens, espera-se o maior número possível de manifestantes, vindos de Berlim e de outras regiões do país, nesta segunda-feira.

Os migrantes participam comparativamente pouco de manifestações. Kiliç credita isso legislação relativa aos estrangeiros no país, que por muito tempo era restritiva neste sentido, dificultando ou até mesmo impedindo o engajamento político. Muitos migrantes e estrangeiros sentem-se mais como objetos da política e menos como seus sujeitos, diz Kiliç. O parlamentar verde assinala a necessidade de tornar claro que "nos solidarizamos com nossa sociedade e com nossa Constituição".

Uma aliança de políticos, sindicatos e igrejas convocou para o próximo sábado (18) outra manifestação pública de oposição aos neonazistas. Protestos anteriormente marcados pela extrema direita para este dia foram oficialmente cancelados.

Especialistas em segurança avaliam o cancelamento como sinal de resignação e divergências entre os próprios neonazistas, forçados a uma posição defensiva depois da recente divulgação da série de assassinatos cometidos por membros da cena. O recuo pode ser percebido também no que diz respeito ao partido de extrema direita NPD. No país, discute-se intensamente sobre a proibição do partido, representado em duas assembleias legislativas de estados alemães.

Com informações da Deutsche Welle

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Falsificando a História: Rússia "assume" morte de poloneses ou o massacre de Katyn

Mundo

Vermelho - 26 de Novembro de 2010 - 21h12

O parlamento russo aprovou nesta sexta-feira (26) uma condenação ao massacre de 20 mil poloneses cometido na Segunda Guerra Mundial, atribuindo a culpa a Stalin (1924-1953). O massacre foi denunciado na época pelo sistema de propaganda nazista, que ocupava a região onde supostamente teria sido encontrada a vala onde jaziam os corpos dos poloneses.

A União Soviética tentou incluir o caso no julgamento de Nuremberg, trazendo provas concretas de que os poloneses haviam sido assassinados com armas e balas alemãs, amplamente utilizadas pelo exército nazista.

O Partido Comunista da Federação Russa tem denunciado há anos a falsificação dos documentos "abertos" pelo governo capitalista depois da contra-revolução de 1991. O governo russo teria criado uma central de falsificações para alterar a história do país e incriminar ex-líderes soviéticos. Vários dos documentos contêm falsificações grosseiras, como carimbos que não existiam à época da guerra, nomes fictícios, erros em nomes de instituições e organizações.

Em entrevista ao jornal georgiano Georgia Times, o neto do líder soviético Josif Stálin dá sua versão sobre o massacre cometido contra oficiais poloneses nas florestas de Katyn, então União Soviética, durante a Segunda Guerra Mundial.

Questionado sobre a construção de um monumento em memória aos soldados mortos, que atribui o massacre ao governo soviético, Iakob Djugashvili traz à tona partes da história omitidas pelo Ocidente em relação ao caso. Leia a seguir um trecho da entrevista, publicada no blog Mamayev Kurgan:

Georgian Times: Um monumento em memória aos poloneses executados em Katyn durante a época de Stálin foi erigido. O que você acha disso?

Iakob Djugashvili: Vou lhe dizer algumas coisas interessantes sobre a Polônia. Em 1934 (depois que os Nazis tomaram o poder na Alemanha) a Polônia tornou-se um aliado oficial da Alemanha. No verão de 1938, quando a Alemanha anexou a Áustria, a Polônia não cumpriu com as suas obrigações com a França, não se opondo à invasão alemã da Áustria. No outono do mesmo ano, sob o Tratado de Munique, a Alemanha não só engoliu a Tchecoslováquia como também a região de Szczecin, na Polônia.

A Polônia sabia que isso aconteceria, mas não concordou nem com as partes do Pacto de Munique. A Polônia então cessou a conversação com a União Soviética, com a Franca e com o Reino Unido sobre a formação de um pacto anti-Hitler. No dia primeiro de setembro do mesmo ano, a Alemanha invadiu a Polônia e no dia 10, os patriotas, o Governo e os Generais da Polônia liderados por Sikorski deixaram o território polonês orgulhosamente e corajosamente.

Em 13 de Abril de 1942, Goebbels – com o objetivo de separar a União Soviética de seus aliados – declarou que em 1940 os judeus da União Soviética haviam executado milhares de oficiais poloneses. Dois dias depois, no dia 15 de Abril, o chefe exilado do Governo polonês e aliado do Reino Unido, Sikorski, confirmou publicamente a afirmação de Goebbels sem fazer nenhuma investigação ou mostrar algum fato.

Em 1943, os britânicos planejaram um ataque à Noruega para cortar os alemães no Báltico. Mas os alemães descobriram isto. Então a paciência inglesa chegou ao fim e em julho de 1943 o avião em que Sikorski voava do Marrocos para a Inglaterra caiu no Estreito de Gibraltar. Apenas os pilotos ingleses sobreviveram, Sikorski e seus filhos morreram.

O Governo polonês daquele tempo traiu todos seus aliados (até seu próprio povo) e deste modo provocou a Segunda Guerra. O truque propagandístico de Goebbels trouxe 1.8 milhões de voluntários ao exército alemão, prolongando a guerra e aumentando o sacrifício.

A questão de Katyn voltou aos holofotes em 1989 quando traidores comandavam a União Soviética. Eles queriam desmontar a União Soviética e um dos meios de essenciais de fazê-lo era destroçar o Pacto de Varsóvia. A Polônia então se juntaria à OTAN.

Agora o Ocidente fascista precisa da questão de Katyn para forçar a Federação Russa a pagar sua compensação. Eu tenho material de estudo nesta questão e ele me convenceu de que os alemães fuzilaram os poloneses na floresta de Katyn próxima a Smolensk, em 1941, quando eles controlavam Smolensk. Hoje todos culpam a União Soviética por executar poloneses em Katyn e usam esta questão para melhorar suas carreiras políticas ou para outros fins. Estas pessoas são os filhos espirituais de Goebbels e eu os considero meus inimigos.

O formato de nossa conversação não me dá a oportunidade para ir mais a fundo neste problema, e é por isso que eu aconselho aquelas pessoas que ainda tem dignidade e lucidez a ler o livro “Detetive de Katyn” de Yuri Mukhin, seu filme “Katinskaya Podlost” e seu mais novo livro, “Sud Nad Stalinim”, o qual Yuri Mukhin, Sergei Strigin e Mikhail Shved, os quais investigaram a questão, apresentam seus argumentos. Eu quero fazer seus leitores ficarem interessados ao dizer que Sergei Strigin descobriu 43 sinais de falsificação no argumentos do “Pacote Especial nº 1”.

Da redação, com informações do blog Mamayev Kurgan
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Guerra da Coreia: A primeira derrota militar estadunidense


Mundo

Vermelho - 4 de Agosto de 2010 - 15h55

Há 60 anos eclodiu a guerra da Coreia. Este episódio, definitivamente, marcou o século 20. Foi primeiro conflito armado entre os dois campos nos quais se dividia o mundo: o socialista e o imperialista. Os Estados Unidos e seus aliados se utilizaram dos métodos mais bárbaros, como bombardeios massivos de alvos civis e utilização de armas bacteriológicas.

Por Augusto Buonicore *

Sul-coreanos escarnecem de vítima nortista Sul-coreanos escarnecem de vítima nortista
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Também foi ali que a principal potência capitalista sofreu sua primeira derrota numa guerra. Foi vencida pelo aguerrido exército popular norte-coreano, comandado por Kim Il-sung e pelos voluntários chineses.

Em outubro de 1949 foi proclamada a República Popular da China. O povo chinês, dirigido por Mao Tse-Tung, havia imposto uma grande derrota aos planos hegemonistas do imperialismo na Ásia. Alguns meses depois, o presidente Mao era recebido, com todas as honras, por Stalin na União Soviética. Os governos daqueles dois grandes países – agora dirigidos por forças socialistas – assinaram importantes acordos de cooperações econômico e militar. Formou-se, assim, um vasto campo democrático-popular que abarcava o leste da Europa e parte significativa do território asiático.

O avanço socialista e a guerra fria

Um pouco antes, outro acontecimento havia tirado o sono do governo dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais. A URSS explodiu seu primeiro artefato nuclear e quebrou, assim, o monopólio atômico estadunidense.

Desde então, a histeria anticomunista propagou-se nos principais países capitalistas. O ex primeiro ministro inglês Winston Churchill, num discurso feito nos Estados Unidos, declarou que uma “cortina de ferro” havia descido sobre a Europa oriental. Este era o sinal para o inicio do que se chamaria guerra fria.

Até a vitória da revolução chinesa, as próprias autoridades militares estadunidenses afirmavam que a península coreana estava fora do seu perímetro de segurança. Ou seja, sua localização geográfica não ameaçava diretamente os interesses daquela potência imperialista.

No entanto, nos círculos mais conservadores dos Estados Unidos, fortalecia a opinião de que todo planeta deveria ser considerado seu perímetro de segurança. Não era se deveria ceder um milímetro ao avanço das forças simpáticas ao socialismo. Haveria agora dois mundos antagônicos: o mundo comunista e o “mundo livre”. Deste último, comandado pelos EUA, fazia parte os regimes fascistas da Espanha e Portugal – e, também, as ditaduras latino-americanas.

A guerra quente na Coreia

A península da Coreia havia sido ocupada por mais de 40 anos pelo imperialismo japonês, que tentou transformá-la numa colônia, destruindo sua cultura e identidade nacional. Uma dura luta de resistência foi travada pelos comunistas, liderados pelo jovem Kim Il-sung. Durante a Segunda Guerra Mundial, eles conseguiram um aliado imprevisto: os Estados Unidos. Este último, atacado pelo Japão, entrou na guerra e concentrou suas ações militares na Ásia.

Nos primeiros anos da guerra, os soviéticos travavam lutas titânicas contra os poderosos exércitos de Hitler na frente européia. Depois de derrotá-los, passou a dar um maior apoio à libertação da China e da Coreia, contribuindo decididamente na expulsão dos invasores japoneses. Mas, o território coreano – como aconteceu com a Alemanha – acabou sendo dividido em duas zonas de ocupação militar, demarcadas pelo paralelo 38. O sul ficou sob supervisão dos Estados Unidos e o norte da URSS. O objetivo a médio prazo era unificar as duas partes numa única nação.

Porém, em agosto de 1948, desrespeitando o ritmo das negociações, os Estados Unidos promoveram a eleição de um governo títere no sul, fundando a República da Coreia. O novo presidente era Synghmam Rhee, um ardoroso anticomunista, que pensava unificar a península sob sua batuta, integrando-a ao campo imperialista. Como resposta, em setembro, foi constituída a República Popular da Coreia, presidida por Kim Il-sung.

Após a proclamação das duas repúblicas coreanas, os exércitos dos Estados Unidos e da URSS saíram da região. Acabava, assim, a tutela internacional. Contudo, as tensões entre os dois países – que não se reconheciam – aumentaram cada dia mais. As lideranças norte-coreanas denunciavam a ocorrência de constantes atos de provocação armada na sua fronteira. Esta foi a justificativa para que elas empreendessem uma grande ofensiva militar contra o governo de Synghmam Rhee, visando a unificação do país.

O Exército Popular da Coreia do Norte, em poucos dias, conquistou a capital sulista, Seul. A guerra parecia estar chegando ao fim, com uma vitória magistral das forças populares e socialistas. Este, com toda certeza, teria sido o resultado da guerra se a contenda tivesse ficado apenas nas mãos do povo coreano.

Invasão estrangeira e genocídio na Coreia

Os Estados Unidos, aproveitando-se da ausência da URSS, aprovou no Conselho de Segurança da ONU uma condenação à Coreia do Norte. Eles conseguiram também que a entidade formasse uma força especial de combate para “defender” a Coreia do Sul, ameaçada pelos comunistas. Os motivos para ausência dos soviéticos, que tinham direito a veto no Conselho de Segurança, são ainda desconhecidos.

Depois da fatídica decisão, que desmoralizou a ONU como instrumento da paz, soldados de 15 países foram mobilizados para combater na Coreia, embora o grosso das forças que lutaria naquele conflito viesse mesmo dos EUA. Por isso, o comando das operações militares coube ao general Douglas MacArthur, o mesmo que comandara os aliados na luta contra os japoneses no Pacífico.

Depois das várias derrotas desmoralizantes, que quase jogou seu exército de volta para o mar, encurralado numa estreita faixa de terra no sul da península, os EUA foram obrigados a mobilizar um aparato bélico ainda mais poderoso – o maior desde o final da Segunda Guerra Mundial. Seus aviões iniciaram os bombardeios criminosos por trás das linhas inimigas.

Começava nesse momento uma das páginas mais tenebrosas da história do século 20. Milhares de aviões despejavam diariamente toneladas de bombas sobre cidades e aldeias indefesas da Coreia do Norte. Todos os centros urbanos foram arrasados. Na capital não ficou nenhum edifício de pé. Pela primeira vez, foram usadas armas químicas e bacteriológicas em grande escala contra população civil. Os exércitos dos Estados Unidos e da ONU podiam, sem dificuldades, serem comparados aos de Hitler. Este era um claro sinal que tempos sombrios estavam chegando.

A entrada em cena dos aviões de caça soviéticos ajudou melhorar a situação, mas não pode quebrar a grande superioridade aérea dos Estados Unidos. A URSS era muito cautelosa para não ser acusada de estar envolvida no conflito ao lado dos norte-coreanos, contra uma decisão da ONU. Contudo, não há dúvida que sua ajuda foi decisiva, quer preparando os quadros militares norte-coreanos quer fornecendo os armamentos necessários. Vários pilotos e assessores soviéticos chegaram mesmo a participar dos combates.

O lado estadunidense não respeitou os acordos de Genebra. Os oficiais da Coreia do Sul mandavam degolar os soldados inimigos aprisionados. As fotos dessas cabeças decepadas, que correram o mundo, causaram embaraços para as forças da ONU. Também chocaram o mundo as imagens de mulheres e crianças carbonizadas sob os destroços das aldeias.

Cabe destacar o papel da URSS e do Movimento Comunista Internacional no desencadeamento de uma grande campanha – uma das maiores já vista na história – contra a agressão imperialista à Coreia, pela interdição das armas bacteriológicas e atômicas.

As tropas dos Estados Unidos e da ONU, desrespeitando o que fora lhes delegado, avançaram para além do paralelo 38, conquistando Pyongyang, capital nortista. Ficava claro que o plano era esmagar o Exército Popular, unificar a Coreia sob a batuta de Synghmam Rhee e transformá-la num protetorado americano na Ásia. O imperialismo teria assim uma importante “ponta de lança” contra a China.

A cartada chinesa

Os exércitos inimigos chegaram, perigosamente, muito próximos da fronteira chinesa, pondo em risco sua soberania e suas conquistas revolucionárias. Diante de tal ameaça, Mao Tse-Tung resolveu reagir, incentivando a formação de um Exército de Voluntários para combater ao lado do Exército Popular da Coreia do Norte, liderado por Kim Il-sung.

A partir de novembro de 1950 mais de um milhão de combatentes chineses atravessaram o rio Yalu e foram reforçar a luta de libertação do povo coreano. A ação, que pegou de surpresa os Estados Unidos, inverteu a sorte da guerra.

As tropas norte-coreanas e os voluntários chineses ultrapassaram o paralelo 38 e ocuparam novamente a capital da Coreia do Sul. O duro inverno – mais de 20 graus abaixo de zero – molestava as tropas invasoras. O quadro era bastante desolador para os Estados Unidos.

As derrotas sucessivas fizeram com que o general MacArthur apresentasse a proposta de bombardear o território chinês, expandindo a área de conflito, ameaçando transformá-lo numa guerra mundial. Diante da perspectiva real de vitória dos comunistas, o general chegou propor a utilização de armas atômicas contra a Coreia do Norte e a China.

Vários países aliados, como o Reino Unido, se alarmaram com tal possibilidade. Grandes manifestações foram realizadas em todas as partes do mundo pela paz na Coreia e contra utilização das armas atômicas. Por fim, o próprio presidente Truman não endossou as propostas temerárias do aventureiro MacArthur e o destituiu do comando das operações.

Profundamente desgastado pelos resultados da guerra, Truman desistiu de concorrer para um novo mandato presidencial e, em novembro de 1952, o candidato democrata foi derrotado pelo general republicano Dwight Eisenhower. Quase ao mesmo tempo em que os Estados Unidos “trocavam sua guarda”, em março de 1953, morria o líder soviético Joseph Stalin. Os novos dirigentes de Moscou se empenharam em dar um fim definitivo ao conflito.

A paz: uma derrota do imperialismo estadunidense

Apesar de todos os esforços realizados – que incluíram a re-conquista de Seul –, os exércitos estadunidenses não conseguiram ir muito além do paralelo 38. A guerra entrou numa espécie de “ponto morto”. Nenhum dos dois lados parecia ter condições de vencê-la. Iniciou-se, então, um longo e tortuoso processo de negociação de paz, que levaria vários anos. Durante todo período que durou as negociações, os EUA continuaram com sua política genocida contra a população norte-coreana. O armistício de Panmujon foi assinado em 27 de julho de 1953. Era o fim da Guerra da Coreia.

Segundo cálculos feitos pela própria ONU mais de 3 milhões de coreanos perderam suas vidas neste conflito. Toda infra-estrutura da Coreia do Norte foi destruída pelos sucessivos bombardeios. Agora a grande tarefa que se apresentava ao povo norte-coreano era a de reconstruir o país, a partir de suas próprias forças, e preparar-se ainda mais contra futuras agressões externas. Este era o preço que teriam que pagar pela manutenção de sua independência.

Os Estados Unidos perderam, entre mortos e feridos, 150 mil soldados. Eles só haviam tido tamanho número de baixas nas duas guerras mundiais e na Guerra Civil nos tempos de Lincoln. Outra consequência negativa para o país foi o fortalecimento do complexo industrial-militar que passaria ser o maior incentivador – e beneficiário – da política intervencionista estadunidense.

Sem dúvida, podemos dizer que a Guerra da Coreia representou a primeira grande derrota militar dos Estados Unidos, que até então eram considerados imbatíveis numa guerra. Foram derrotados pelo exército de um pequeno país asiático e pelos voluntários chineses. Encerrava-se, assim, o segundo grande capítulo da luta pela emancipação da Ásia, o primeiro foi a Revolução Chinesa. Outras páginas heróicas ainda seriam escritas no Vietnã, no Camboja e no Laos.

Augusto Buonicore é historiador e secretário-geral da Fundação Maurício Grabóis. 
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