Discurso de Lula da Silva (excerto)

___diegophc
Mostrar mensagens com a etiqueta Indicadores Sociais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Indicadores Sociais. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Redes Sociais crescem em Portugal - Francisco Costa

 

Posted on Feb 18th, 2010 by Francisco Costa

Redes Sociais
.
Em Portugal, 1 em cada 3 pessoas possui presença nas redes sociais. Em 2008 cerca de 25% da população já possuía uma presença nestas redes o que posicionava Portugal como o 3º Pais Europeu nas redes sociais. No ano passado, contrariando a tendência de várias industrias que foram afectadas pela crise global, este mercado da Internet continuou a crescer, quer ao nível de utilizadores e de investimento publicitário.
.
Estudos recentes apontam que em 2009 a dimensão das redes sociais em Portugal chegou aos 3.6 milhões de registos o que representa um share de 87.2% dos internautas nacionais.

.
Mas a adesão às redes sociais torna-se ainda maior pelo grau de fidelização e pelo uso que os portugueses dão. Durante o ano passado foram impressas cerca de 7.2 mil milhões de páginas, o que corresponde a 2008 páginas/utilizador. Quanto ao tempo despendido ascende a 51.5 milhões de horas, uma média de 14 horas e 20 minutos por utilizador.
.
Para este aumento muito contribuiu as 3 eleições realizadas em 2009, onde os partidos políticos, recorreram às redes sociais para contactar com o eleitorado um pouco à semelhança com o que se passou nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2008.

.
A adopção da rede social Facebook em Portugal, que em Janeiro de 2009 ultrapassou as 100.000 contas criadas também ajudou este crescimento, bem como a divulgação e utilização do Twitter nos meios de comunicação social.
.
Mesmo assim, a rede com maior adesão continua a ser o HI5, rede social para os mais jovens, que conta com uma presença significativa de utilizadores portugueses à vários anos.
.
Aqui estão os gráficos do Netpanel:
.
netpanel-socialnetwork-001netpanel-socialnetwork-002netpanel-socialnetwork-003

.
HEY. ENJOY THAT? MORE TNW Portugal:

ABOUT THE AUTHOR

It's a web consultant that has a strong connection to some Portuguese blogs and an influential presence in social networks. Currently is mastering Innovation and Technological Entrepreneurship and his passionate about web stuff and open-source. You can get in touch with through his personal page, Twitter or LinkedIn.
.
http://thenextweb.com/pt/2010/02/18/redes-sociais-crescem-em-portugal/
.
.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Criança, TV e batata frita Sidnei Liberal

Colunas

Vermelho - 28 de Julho de 2010 - 0h10

Criança, TV e batata frita

Sidnei Liberal *

15% das nossas crianças já são consideradas obesas e 30% estão acima do peso normal para a idade. Em todo o mundo, pelo menos 42 milhões de crianças com menos de 5 anos estarão obesas ou acima do peso até o fim deste ano de 2010. Destas, quase 34 milhões vivem em paises em desenvolvimento, como o Brasil. São dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgados em matéria de Carolina Khodr, especial para o Diário de Pernambuco1de 17/07/2010.  Outro dado a ser avaliado: 50% da publicidade na TV são dirigidas às crianças. É aí onde a criança é estimulada ao uso do refrigerante, que contém cerca de 3 colheres de sopa de açúcar. Há outra colher para cada bola de sorvete. Cada biscoito recheado contém 60% do seu peso em açúcar.
.

Cifras preocupantes de gordura saturada dão a cremosidade e o sabor aos biscoitos recheados, aos sorvetes, salsichas e pizzas. O sal de uma Coca-cola “zero”, de um salgadinho, pizza, salsicha, altera o equilíbrio hídrico do organismo da criança, com retenção de líquido e aumento do peso corpóreo e da pressão arterial. O aumento do consumo de refeições industrializadas e de alimentos com excessos de açúcar, sal e gordura é um risco para a saúde e assusta os especialistas. São os riscos que a publicidade desses tipos de produtos agora é obrigada a deixar claro ao consumidor. É a nova resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quem diz.
.
Uma pesquisa do Ministério da Saúde mostra uma progressiva queda no consumo de alimentos saudáveis, substituídos por produtos industrializados e refeições prontas. São estes os novos vilões de uma alimentação inadequada, por excesso de açúcar, sal e gordura, que, consumidos com frequência, são responsáveis por sérios problemas de saúde. Informações que justificam as novas regras da Anvisa, que introduzem veiculações de alertas nos comerciais de televisão e rádio. Um texto como “o produto tal contém muito açúcar e, consumido em grande quantidade, aumenta o risco de obesidade e cárie dentária”, será corriqueiro em nossas guloseimas.
.

Além disso, a Anvisa estabeleceu limites para os constituintes de cada classe de alimentos. Assim, num pacote de 100 gramas de biscoitos recheados, que contém cerca de 60gramas de açúcar, a doçura não pode mais passar de 15 gramas. Nos salgados, o limite de gordura saturada passa a ser de 5%. De sal (sódio), apenas 0,4%. Razões sobram ao governo para incidir numa desordem alimentar que, de acordo com a OMS, leva mais de 45% da população brasileira ao excesso de peso e cerca de 20% à obesidade. Excesso de peso e má alimentação desencadeiam problemas cardiovasculares, responsáveis principais pelos óbitos no País.
.
Como explica a Anvisa, os brasileiros, especialmente os jovens, “são muito influenciados pelas propagandas. A iniciativa da Anvisa visa a proteger os consumidores da omissão de informações e da indução ao consumo exagerado”. E "os alertas nas propagandas vão possibilitar a reflexão do consumidor, para que ocorra uma mudança de comportamento, desestimulando os excessos. Essa medida reflete a capacidade e o dever do Estado de proteger a população".
.

Informa Carolina Khodr que em sua última assembleia, realizada em Genebra, 2010, a OMS “recomendou que os países adotassem medidas para reduzir o impacto da propaganda de alimentos pouco nutritivos sobre as crianças, já que as escolhas delas influenciam em até 80% as compras feitas pela família”. As crianças, segundo fonte da Fundação Oswaldo Cruz, “são estimuladas por sons, cores e imagens, são tentadas pelas logomarcas e seduzidas pelos presentes oferecidos com os alimentos". Como conseqüência, altos riscos de alterações metabólicas, obesidade, hipertensão arterial.
.
Há na matéria do bravo e eterno Diário de Pernambuco uma pequena menção à responsabilidade compartilhada da mídia, em especial a Televisão, por este risco à saúde dos nossos adultos e da nossa infância. A preocupação é procedente e não poderia estar ausente do debate nacional no atual cenário eleitoral. Pautar sua discussão, entretanto, não é fácil. É o que demonstra a irada reação dos donos do poder midiático a um programa prévio de uma das candidaturas a presidência, por conter indícios de discussão sobre o papel dos meios de comunicação no Brasil. À luta, pais!
.
(1) http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/07/17/brasil6_0.asp
.
.

ONU inclui acesso à água na Declaração dos Direitos Humanos

Mundo

Vermelho - 29 de Julho de 2010 - 18h47

A ONU aprovou, na última quarta-feira (28) em Genebra, Suíça, a inclusão do acesso à água potável na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A proposta, apresentada pela Bolívia e respaldada por outros 33 países, recebeu 122 votos a favor, nenhum contra e 41 abstenções, além de receber grande apoio na Assembleia Geral.

A Assembleia estipulou também que o acesso aos serviços sanitários básicos é um direito, tendo em vista que a contaminação da água é uma das principais causas da mortalidade nos países mais pobres.

Segundo o texto proposto pela Bolívia, mais de 2.600 milhões de pessoas vivem sem instalações sanitárias adequadas, o que contribui para a morte anual de um milhão e meio de crianças por enfermidades relacionadas com a falta de higiene.

Fonte: Adital
.
.

domingo, 11 de julho de 2010

Cuba tem menor índice de mortalidade infantil da América Latina

América Latina

Vermelho - 7 de Julho de 2010 - 15h49

Apesar do bloqueio econômico e comercial que os Estados Unidos mantêm contra Cuba, o país caribenho goza do menor índice de mortalidade infantil até o primeiro ano de vida na América Latina. A conquista se deve aos massivos planos de saúde e bem-estar social que governo da Ilha implementa para o benefício de sua população.

Nesse sentido, o presidente da Associação Mundial de Pediatria, Chok-wan Chan, afirmou, na semana passada em Cuba, que os indicadores de mortalidade infantil de Cuba são melhores que em países desenvolvidos com rendas muito mais elevadas.

Chan assegurou durante sua explanação na Oficina Internacional “Experiência em Atenção à Saúde Infantil”, que as estatísticas cubanas desse setor são superiores se comparadas às dos Estados Unidos.

Considerou também que Cuba é um bom exemplo de realização de indicadores positivos, como o desenvolvimento em seu sistema de saúde universal e gratuito, o nível educacional alcançado por toda a população e a atitude pró-ativa de seus profissionais.

Segundo informou o portal de notícias internacionais TeleSur, a diretora do Departamento de Saúde Infantil e de Adolescentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Elizabeth Mason, afirmou que somente o sistema de saúde da Inglaterra pode ter resultados tão positivos com o de Cuba.

Ela disse também que a OMS está trabalhando conjuntamente com o Ministério da Saúde Pública da Ilha para contar esta história – de maneira que se possa utilizar a experiência cubana para ajudar outros países da região, registrou o site Cubadebate.

Mesmo com o bloqueio econômico e comercial imposto pelos EUA, que trouxe perdas a milhares de cubanos, além de limitar o acesso a medicamentos e outros recursos, Cuba registra uma taxa de mortalidade infantil de 4,8 crianças para cada 1.000 nascidas vivas.

De acordo com fontes oficiais cubanas, o bloqueio tem causado um dano econômico a Cuba de aproximadamente US$ 96 bilhões – o que representaria, no câmbio atual, cerca de US$ 236 bilhões.

Cuba fechou o ano de 2009 com uma taxa de mortalidade infantil de 4,8 crianças por cada mil nascidas vivas, em meio à pandemia provocada pelo vírus da Gripe A. Os resultados obtidos representam a segunda menor taxa na história do país, depois de 2007.

Há municípios no interior de Cuba que conseguiram reduzir a taxa de mortalidade infantil até um ano de vida a zero. A Gripe A mostrou sua maior força contra as gestantes e recém-nascidos (os primeiros 42 dias depois do parto), as crianças menores de um ano de idade e as pessoas com enfermidades crônicas.

Em outubro de 2009, a diretora geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, também manifestou que sua visita à Ilha era de grande importância “para ver e aprender sobre os excelentes esforços que o sistema de saúde cubana, o trabalho que desenvolvem na atenção primária e nas comunidades, a igualdade e acesso para todos à assistência médica”.

A principal causa de mortalidade neonatal em 2009 esteve relacionado com as crianças nascidas muito abaixo do peso e menores de um ano que morreram como consequência de anomalias congênitas. Em 1962, Cuba tinha uma taxa de mortalidade infantil de 41,7 falecimentos por cada mil crianças nascida vivas. Atualmente, a Ilha se posiciona acima do Canadá (6), Estados Unidos (7) e Chile (7), na América, de acordo com documento Situação Mundial da Infância 2010, da UNICEF.

Fonte: Agência Bolivariana de Notícias


.
.

Mais de metade dos portugueses não usa a Internet, revela inquérito

A maioria por falta de interesse ou por ignorância
07.07.2010 - 10:51 Por Lusa
Mais de metade dos portugueses (55,4 por cento) não usa a Internet, a maioria dos quais por falta de interesse ou ignorância, segundo um inquérito que é divulgado hoje.
O estudo de opinião é apresentado, hoje, na 11.ª Conferência Anual
 do World Internet Project, no Instituto Superior das Ciências do 
Trabalho e da Empresa  
O estudo de opinião é apresentado, hoje, na 11.ª Conferência Anual do World Internet Project, no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (José Carlos Coelho)

De acordo com um estudo sobre o impacto da Internet na sociedade portuguesa, realizado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), apenas 44,6 por cento dos portugueses utilizam esta ferramenta, apesar de se registar uma subida relativamente aos dados de 2008: 38,9 por cento.

Entre os que não utilizam a Internet, 47,5 por cento têm 55 ou mais anos, enquanto a maior fatia dos que a usam - 61,9 por cento - situa-se naturalmente entre os 15 e os 34 anos.

Participaram neste inquérito 1.255 pessoas. As 696 que afirmaram não utilizar justificaram a resposta com o facto de não se interessarem pela Internet ou a considerarem pouco útil (44,4 por cento), ou pelo simples facto de não saberem utilizar a ferramenta (26,3 por cento).

Mais de 20 por cento afirma não ter um computador ou considerar o acesso à Internet demasiado caro.

Do grupo de pessoas que não utilizam a Internet, mais de 50 por cento acha que nunca irão começar a fazê-lo.

As diferenças entre homens e mulheres são hoje mais reduzidas, conclui ainda o estudo.

Em relação ao acesso à informação, 77 por cento dos inquiridos considera a televisão “importante” ou “muito importante”, seguida dos jornais (55,6 por cento). A Internet surge apenas em terceiro lugar, com 52,3 por cento, à frente da rádio, com 50,6 por cento.

Em relação ao entretenimento, a televisão é novamente a primeira opção, enquanto a Internet é a última, com 23,9 por cento dos inquiridos a considerarem “nada importante”.

Dos que utilizam a Internet, 56,5 por cento fazem-no diariamente para consultar o e-mail, 46,9 para usar sistemas de mensagens instantâneas. Nos últimos lugares surge a realização de chamadas, apontada por apenas sete por cento.

Quanto a redes sociais, 25 por cento dos inquiridos (315 pessoas) afirmaram estar registados em pelo menos uma, sendo que 75,6 por cento apontaram o Hi5 e 70,2 por cento o Facebook.

O estudo de opinião é apresentado, hoje, na 11.ª Conferência Anual do World Internet Project, no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa - Instituto Universitário de Lisboa.
.
.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Portugal - 20% dos pais dos alunos do superior só têm a 4.ª classe



Portugal

por PEDRO SOUSA TAVARESOntem
.
Inquérito de 2008/09 mostra que muitos estudantes estão a vencer barreiras socioeconómicas.
.
Cerca de 20% dos alunos que entraram no ensino superior em 2008/09 têm pais com a antiga quarta classe. Perto de metade não vai além do 9.º ano. E só 25% dos progenitores tiraram cursos superiores. Os números resultam das respostas de 70 mil estudantes a um inquérito conduzido na altura do acesso às instituições.
.
A estatística sobre "informação socioeconómica" dos estudantes que se inscreveram pela primeira vez no 1.º ano, divulgada agora pelo Ministério do Ensino Superior, terá ainda de ser aprofundada. Isto porque dos 117 383 que então chegaram ao superior público e privado, cerca de 48 não identificaram as habilitações do pai, da mãe ou de ambos. Mas a amostra alargada dos que responderam já aponta para uma nova realidade, mais democrática, no acesso ao superior. 
.
As baixas habilitações dos pais comprovam o atraso do País ao nível das qualificações - estima-se que só 10,5% da população activa tenham o ensino superior, quando a média da União Europeia ronda os 25%. Mas o facto de muitos filhos estarem a dar o "salto" sobre esta barreira histórica indica que Portugal está a mudar. E rapidamente. 
.
Quem vive por dentro o ensino superior admite que poderemos, de facto, estar perante uma nova realidade. Mas também demonstra cautela, avisando que é preciso perceber se o crescimento no ingresso de alunos de origens mais modestas está a ser feito de uma forma consolidada. 
.
"Ainda não conheço esse estudo, mas parece-me ser um bom sinal", admite Virgílio Meira Soares, presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (ver entrevista). "Há estudos, embora mais antigos, que dizem que apesar do esforço feito internacionalmente, a realidade do acesso ao ensino superior não mudou muito", lembra. "Será preciso fazer estudos mais aprofundados, mas, a confirmarem-se, esses dados serão um sinal de que pela primeira vez há essa evolução, e não estou a falar só do caso de Portugal."
.
Para André Caldas, presidente da Federação Académica da Universidade de Lisboa, não há dúvidas de que "entrámos numa fase em que o ensino superior já não é uma questão de privilégio, mas um direito dos estudantes". No entanto, o aluno de Direito da Clássica avisa que ainda há trabalho a fazer para que esse acesso seja efectivamente democrático.
.
Ao nível das ofertas formativas, defende, é preciso garantir que o curso não dá apenas "prestígio", mas também "condições para uma efectiva melhoria das condições de vida dos alunos em comparação com as dos pais", através do emprego. Além disso, acrescenta, tem de se garantir que as dificuldades económicas não travam a meio o percurso dos alunos. "É preciso saber se a Acção Social Escolar os abrange, ou se os alunos estão sobretudo a recorrer a empréstimos [bonificados] dos bancos", ilustra.
.
A necessidade de criar condições para que os estudantes - sobretudo os carenciados - não apenas entrem mas concluam o superior tem sido reforçada pelas instituições. Esta semana, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, António Rendas, defendeu o reforço da figura do provedor do estudante, para melhor controlar quebras de resultados. Já o representante dos politécnicos, Sobrinho Teixeira, defendeu que as instituições devem ter mais autonomia para definir o número de anos que os alunos podem ficar inscritos até concluírem o curso, para dar resposta a diferentes realidades sociais.
.
.

domingo, 9 de maio de 2010

Postura: Doença cada vez mais frequente nos jovens

Getty Images
Esforços causam lesões na coluna


7 milhões sofrem das costas

Uns não ligam às dores nas costas por acreditarem que são passageiras. Outros deixam arrastar até ao limite os sintomas, que afectam sete em cada dez portugueses. Em muitos casos, quando recorrerem ao médico pouco ou nada há a fazer. A operação passa a ser a solução aconselhada.
  • 0h30 - Correio da Manhã - Domingo, 9 de Maio de 2010
Por:Alexandre M. Silva
.
"A melhoria depende de um diagnóstico precoce, mas muitos doentes aparecem tarde demais", refere ao CM o neurocirurgião Paulo Pereira, coordenador nacional da campanha ‘Olhe pelas Suas Costas’.
.
Em Portugal, segundo o estudo elaborado pela empresa Spirituc – Investigação Aplicada, as dores nas costas afectam 72,4 por cento da população portuguesa (mais de sete milhões), sendo a segunda causa da ida aos médicos. Entre as principais doenças associadas às dores nas costas, destacam-se as hérnias discais (33,6%), os bicos de papagaio (19,4%) e as escolioses (14,8%).
.
"Quase todas as pessoas, numa determinada altura da vida, têm dores nas costas de uma forma mais ou menos intensa. Na maioria dos casos deve-se ao desgaste dos discos e das articulações entre vértebras", acrescenta o neurocirurgião, frisando os erros de postura, o sedentarismo, a falta de descanso e os esforços bruscos no trabalho ou no desporto como alguns dos factores que motivam as lesões.
.
Além de prejudicarem a capacidade física, as tarefas domésticas e até a actividade sexual, as dores nas costas são das principais causas de ausência no trabalho em todo o mundo. Em 2008, 421 030 portugueses faltaram ao emprego devido a dores nas costas. Segundo o estudo, 28% teve necessidade de faltar entre dois a cinco dias e 24% mais de dez dias. As baixas médicas foram pedidas por 31,3%. 
.
Apesar de o estudo não indicar, os especialistas afirmam que as dores nas costas afectam cada vez mais os jovens. 
.
"Não há estudos que indiquem modificações das incidências, mas há mais jovens a queixarem-se de dores nas costas. As mochilas pesadas, as longas horas em frente à televisão e ao computador com posturas incorrectas e a falta de exercício prejudicam a coluna. É preciso manter os músculos activos, porque são eles o suporte da coluna", aconselhou o clínico. 
.
OSTEOPATIA E MASSAGENS
O recurso à osteopatia e às massagens é cada vez menos encarado pelos pacientes apenas como uma forma de prevenção dos problemas das costas. Segundo especialistas, há patologias que têm elevada taxa de sucesso quando combatidas a este nível. "Cerca de 70 por cento dos doentes que recorrem à osteopatia consegue evitar a intervenção cirúrgica", disse ao CM o osteopata Manuel Alface, acrescentando que há cada vez mais pessoas a recorrer a estes tratamentos.
.
'OLHE PELAS SUAS COSTAS' CORRE O PAÍS
A campanha ‘Olhe pelas Suas Costas’ foi criada após a análise do estudo que revelou a elevada incidência de dores nas costas nos portugueses. A iniciativa, pioneira no País e lançada por três sociedades ligadas às patologias das doenças das costas, serve para sensibilizar a população para as doenças da coluna vertebral, desmistificar os medos sobre os riscos da cirurgia e dar a conhecer formas de prevenção e tratamento. Já com várias sessões realizadas, as próximas acções vão acontecer no dia 20, na Universidade Sénior Portela Sábios (Lisboa), no dia 21, na Universidade Sénior de Paços de Ferreira e no dia 24, na Universidade Sénior de Monção. 
.
CONSELHOS
.
HÁBITOS DE VIDA
Não fumar e manter uma alimentação saudável, para não engordar, são medidas preventivas também importantes para a saúde das costas.
.
ACTIVIDADE FÍSICA
Caminhadas ou natação são actividades físicas que fortalecem as costas. Os desportos violentos são para evitar.

POSTURA CORRECTA
Manter uma postura correcta, não se recostar e usar calçado confortável são fundamentais para evitar doenças.
.
RELAXAMENTO
Se sentir as costas tensas, estenda o tronco para trás, de forma gentil e lenta. Este movimento ajuda a aliviar a tensão acumulada e a dor.
.
O MEU CASO: RUI RAPOSO
.
"MAL ME CONSEGUIA MEXER"
Um acidente de viação, quando tinha 19 anos, desencadeou em Rui Raposo não uma, mas duas dolorosas hérnias discais. "Foram sequelas que nunca mais me largaram. Primeiro eram dores passageiras, mas nos últimos três anos passaram a ser frequentes", recorda.
.
As dores eram de tal forma intensas que prejudicaram a sua vida profissional. "Em muitos dias, mal me conseguia mexer. São dores horríveis, que não dão para descrever", refere.
.
Em Janeiro de 2009, um especialista recomendou a cirurgia. Apesar dos receios, Rui aceitou e foi parar ao bloco operatório, em Agosto do mesmo ano, para tratar uma das hérnias.
.
"Ao princípio tinha um nó no estômago, por se tratar de uma delicada cirurgia à coluna. Mas, por outro lado, sabemos que é a melhor solução para os nossos problemas. Temos de confiar nos médicos", frisa.
.
O pós-operatório foi um pouco complicado, mas hoje, aos 37 anos, Rui reconhece que foi a melhor opção. "Eram para ser duas semanas de repouso e acabaram por ser cinco. Sinto-me muito melhor e tenho mais qualidade de vida, embora já tenha tido dores resultantes de uma contratura muscular", referiu.
.
Depois de operado, voltou a pegar no seu filho ao colo sem quaisquer receios da dor.
.
ACUPUNCTURA
As agulhas dos tratamentos de acupunctura são um recurso para alguns dos pacientes para aliviar a dor
.
DIAGNÓSTICO
Odiagnóstico precoce é determinante para a cura da lesão. O avançar da idade limita o sucesso do tratamento
.
ATENÇÃO À POSTURA
Os especialistas aconselham os pais a tomar atenção à postura que as crianças adoptam frente à TV e computador
.
.

Portugal: um retrato do catolicismo



Conheça o panorama da religião católica apostólica romana a partir dos dados mais recentes da Conferência Episcopal Portuguesa e do Anuário Católico de Portugal

Click here to find 
out more!

 http://www.publico.pt/papaemportugal/Infografia/Details/1435830 .

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Política e a Questão Racial - Antonio Ozaí da Silva


blog da Revista Espaço Acadêmico

ISSN 1519-6186, mensal, ANO IX

Política e a Questão Racial

antonio-ozaipor Antonio Ozaí da Silva*

“A propaganda abolicionista, com efeito, não se dirige aos escravos.(…) A emancipação há de ser feita entre nós, por uma lei que tenha os requisitos, externos e internos, de todas as outras. É, assim, no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade”. (Joaquim Nabuco. O Abolicionismo)
“A sociedade brasileira largou o negro ao seu próprio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar-se e de transformar-se para corresponder aos novos padrões e ideais de homem, criados pelo advento o trabalho livre, do regime republicano e do capitalismo”. (Florestan Fernandes. A Integração do Negro na Sociedade de Classes)

Considerado do ponto de vista institucional, isto é, sob a ótica do Estado, a participação política dos negros e negras foi historicamente neutralizada, ora por mecanismos de cooptação (principalmente nas regiões mais atrasadas do Brasil), ora pela repressão. O próprio movimento abolicionista realizou-se em seu nome e com objetivos colaboracionistas, colocando senhor e escravo no mesmo patamar: vítimas iguais de um mesmo sistema. Aos escravos foi negado o direito de ser agente de transformação da sua própria história. Então, veio a abolição, mas a causa da liberdade permaneceu irresoluta: ao escravo liberto não foram facultadas as condições econômicas e sociais para o usufruto da plena liberdade.
.
As condições históricas da inserção do negro na sociedade brasileira são elementos facilitadores do controle e exclusão política. Escravos na colônia e no império, sustentáculos do desenvolvimento econômico brasileiro durante décadas, foram jogados no seio de uma sociedade fundada em bases secularmente racistas. Libertos foram preteridos do mercado formal de trabalho em nome de um projeto elitista de branqueamento do país. Tiveram que disputar com o imigrante europeu até mesmo as mais modestas oportunidades de trabalho livre, como a de engraxate, jornaleiro ou vendedor de frutas e verduras, transportadores de peixe e carregadores de sacas de café, etc. as mulheres negras garantiram a sobrevivência da família trabalhando, ontem como hoje, como domésticas, faxineiras, babás, doceiras, cozinheiras, lavadeiras e outras atividades similares. As melhores ocupações ficaram com seu concorrente direto: o europeu.
.
Desconsiderado econômica, social e culturalmente, o negro, a exemplo dos brancos pobres, foi excluídos do jogo político das oligarquias que dominavam a república velha. Esta situação não foi modificada com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder: manteve-se o critério de que a política é uma atividade restrita às elites. E isto foi ainda mais aprofundado durante o Estado Novo: cabia às camadas inferiores do povo, sendo a raça negra sua maioria, contentar-se com a função submissa de colaborar para a harmonia e a manutenção da ordem social, condições para o progresso e o desenvolvimento econômico brasileiro.
.
É verdade que no curto período denominado pelos sociólogos e historiadores como populista, os trabalhadores e trabalhadoras foram alçados à posição de coadjuvantes no cenário da política brasileira do período pós II Guerra Mundial até o golpe militar de 1964. É fato também que a política oficial não podia mais desconsiderar estes sujeitos históricos (por isso a necessidade do golpe militar).
.
Mas, uma análise mais cuidadosa nos mostrará que, apesar dos avanços na participação política, inclusive dos negros, e mesmo na forma como os governos populistas encaravam a questão social, estávamos longe de colocar a questão racial como um tema central da política brasileira. Aliás, a admissão da questão racial adquiriu até mesmo ares de antipatriotismo Com efeito, a forma corriqueira de negar a existência do racismo e de todas as suas conseqüências é simplesmente fazer de conta de que não temos este problema. Consequentemente, os negros continuavam excluídos.
.
Nos anos da redemocratização, a questão racial foi de novo relegada a um plano secundário: afinal, tratava-se de libertar o país do jugo da ditadura. Se não podemos nos surpreender com a atitude historicamente preconceituosa do pensamento dominante, é interessante observar como os partidos e organizações políticas de esquerda, que defendem idéias igualitárias e contra todo tipo de opressão, também terminam por negligenciar a questão racial.
.
Eurocêntrica em sua fundamentação teórica, a esquerda brasileira teve como parâmetro um determinismo economicista que reduz todas as relações sociais às determinações de classe, ou seja, vêem o trabalhador e a trabalhadora, negro ou branco, negra ou branca, sob a lente do conflito Capital X Trabalho. Passa-lhe despercebido que o homem e a mulher não são apenas agentes econômicos, mas seres sociais e, ao mesmo tempo, específicos.
.
Uma esquerda enviesada por tal reducionismo tende a passar ao largo de questões como o racismo. Impregnada pela ideologia racista dominante, não compreende o papel e a importância desta ideologia enquanto elemento reprodutor e estruturante das desigualdades em nossa sociedade. Por conseqüência, transforma a questão racial em mera questão relativa às ‘minorias’.
.
Em suma, se considerarmos o âmbito institucional, a situação do negro e da negra parece estática. É verdade que hoje eles podem escolher de quatro em quatro anos quem os governarão pelo próximo período. É verdade também que temos canais de participação política e mesmo a possibilidade dos negros e negras tornarem-se senadores/as da república e/ou ministros.
.
Ainda é pouco e antes constitui a exceção que confirma a regra. Quantos vereadores negros e negras temos em nossas câmaras municipais? E nas prefeituras? Qual a porcentagem de deputados negros e negras nos estados e no Congresso Nacional? E no senado? E se considerarmos as direções dos partidos políticos, mesmo os de esquerda? Será diferente nas direções sindicais? Em todos os casos veremos que a participação da raça negra segue a mesma lógica observável nos demais setores da sociedade: no mercado de trabalho, no acesso à educação superior etc., as estatísticas demonstram que o negro e a negra são minoritários e tratados como inferiores.
.
Contudo, a despeito das adversidades em que a luta anti-racista foi historicamente submetida, inclusive através do isolamento político, o negro e a negra sempre resistiram. Há uma história política não institucional que nem sempre é contada. A começar por Quilombo dos Palmares, símbolo da resistência de um povo que luta pela vida em liberdade. Esta experiência histórica, em geral desconhecida, mesmo no ensino formal, representou uma radical contestação à ordem dominante, subvertendo a ideologia dominante quanto à boçalidade e indolência dos trabalhadores negros.

A resistência negra também se fez presente na organização de suas entidades: como a Frente Negra Brasileira nos anos 20/30 (colocada na ilegalidade em 1937 por Getúlio Vargas); o Movimento Negro Unificado, organizado em 1978; a emergência do Movimento de Mulheres Negras que, em 1995, interferiram nos fóruns nacionais e internacionais que preparavam a Conferência Beijin 95 no sentido de incluir a questão racial na pauta das discussões feministas. Os negros resistiram ainda através da formação de associações comunitárias negras, do candomblé, das escolas de samba, da imprensa negra, da participação em movimentos e partidos políticos.
.
As diversas formas de resistência convergiram para que o negro e a negra se impusessem enquanto sujeitos políticos potenciais. Lutam pelo reconhecimento público da questão racial. Sabem que a assimilação do diferencial de raça enquanto elemento constitutivo da reprodução da desigualdade e do acesso aos chamados direitos de cidadania é de fundamental importância para o combate a todas as formas de racismo e a construção de uma sociedade realmente democrática.
.
A política racial, através da ação direta dos negros e negras, tem sido o caminho mais fecundo para a defesa de uma população que, em sua maioria, é mantida à margem da política institucional. Os negros e negras aprenderam que só assim é que conquistaram seu espaço, inclusive nas instituições do Estado (incluindo-se aí os partidos políticos). Em outras palavras, a participação política dos negros e negras é necessariamente diferenciada.
.
Quando se é negro e negra não basta, por exemplo, lutar pela cidadania participando de um partido político de esquerda. É preciso definir a qualidade desta cidadania e, simultaneamente, organizar-se enquanto setor diferenciado no interior deste partido. E isso ocorre porque a luta contra o racismo ainda não foi suficientemente abraçada por todos aqueles que, independente da cor, acreditam e lutam por uma sociedade plenamente democrática e justa.


* Docente do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá (UEM). Blog: http://antonio-ozai.blogspot.com. E-mail: aosilva@uem.br. Publicado na REA, nº 13, junho de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/013/13polracial.hrm .
.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mídia perdeu capacidade de análise: o Haiti não é o Afeganistão

América Latina

Vermelho - 4 de Fevereiro de 2010 - 11h13

Os 20 mil soldados norteamericanos no Haiti, país com 9 milhões de habitantes perfaz proporção superior às forças conjuntas dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão nesse primeiro ano do governo Obama: 70 mil para uma população de 28 milhões. Nenhuma emissora de televisão e nenhum jornal de renome chamaram a atenção de sua audiência e de seus leitores para esse fato.

Por Washington Araújo*, em Carta Maior

A repórter se aproxima, cria o suspense básico, informa que tem uma pessoa soterrada a menos de três metros de seus pés, aumenta o suspense carregando aflição na voz, aproxima o microfone do chão sem deixar de dizer que “já posso ouvir a voz de uma pessoa, de uma mulher, tem uma mulher aqui embaixo!”
.
Quantas dessas cenas não assistimos nas últimas semanas? É inegável que havia compaixão nas cenas gravadas pela repórter. Também é inegável que ela já intuíra que aquelas cenas iriam ocupar o melhor espaço na escalada de notícias da noite, levadas ao conhecimento público por seu principal telejornal. Reportagens como esta correram o mundo e imagens das vítimas, vivas ou mortas, fizeram o mesmo trajeto.
.
Foi assim que o mundo tomou consciência da existência do Haiti. Em nosso imaginário, o Haiti assume as feições de pessoa ferida, impotente, entre a vida e a morte, cercada por destroços de construções e também nas informações dando conta que 150 mil a 200 mil pessoas morreram no país em decorrência do terremoto do dia 12/01/2010. As imagens na televisão capturam aquela poeirinha fina, agregando ao ar respirado partículas de areia, cimento e cal.

Repórteres incluem em suas matérias frases, antes impactantes e agora absolutamente normais, óbvias como: “Aqui, no que foi um prédio de 6 andares, deve haver algumas centenas de pessoas soterradas” ou frases mais elaboradas e não menos dramáticas como “Estamos em um imenso cemitério... Porto Príncipe está todo assim!” A linha que separa jornalismo de sensacionalismo foi, é e continuará sendo tênue, muito tênue.
.
Nos últimos 21 dias o trabalho da imprensa se resumiu a mostrar imagens da destruição da capital haitiana. Devastação e caos. Resgate das vítimas. Ajuda humanitária a caminho. A cobertura brasileira abriu capítulo especial: estamos de luto também por Zilda Arns, Luiz Carlos da Costa e mais 19 militares que atuavam na Força de Paz mantida pela ONU em Porto Príncipe. A imprensa potencializou as dificuldades do país: para lidar com sua reconstrução e demonstrou que o país caribenho apresentava sérios ´defeitos´ de construção.
.
Terra de ninguém. Será mesmo?
.
A história do Haiti verá o terremoto como evento que desnudou de vez a extrema pobreza e miséria em que o país se encontrava aprisionado. É corrente a percepção que se o Haiti fosse menos pobre os efeitos da tragédia seriam imensamente menores. O Haiti aparece no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) relativo a 2008 na 148ª posição, sendo a nação mais pobre das Américas, com uma expectativa de vida de 60,78 anos e analfabetismo atingindo 52,9% da população. Dos quase 9 milhões de habitantes, 80% vivem abaixo da linha da pobreza. Nos últimos anos, empresas multinacionais, principalmente têxteis, se instalaram no Haiti atrás de mão de obra barata.
.
Um mundo tão permeado de boas intenções, tão rápido em oferecer (e enviar) ajuda humanitária, tão sensível a ponto de oferecer aporte financeiro de monta para a reconstrução do devastado país parece deslocado ou incompetente para criar plano de reconstrução do país calcado em princípios básicos de autosustentabilidade.
.
O Haiti precisa ser ajudado não apenas por ter sofrido terremoto de magnitude 7 mas porque tem uma história marcada por outras tragédias. No século XIX três potências européias invadiram o Haiti, a França em 1869, a Espanha em 1871 e a Inglaterra em 1877; no século XX os Estados Unidos invadiu o Haiti três vezes: 1914, 1915, permanecendo até 1934; e novamente voltou a invadi-lo em 1969. Cada invasão externa assemelha-se a uma fábrica de saques, ruínas, destruição, dor e morte.
.
Os haitianos foram, portanto, vítimas de terremotos morais provocados por outras nações tiveram sua autoestima como nação e povo reduzida a nota de rodapé da História. É bom recordar que uma nação não invade outra, mobiliza tropas, gasta fortunas com deslocamentos e guerras unicamente pelo prazer de invadir. Um país é invadido porque tem riquezas a serem saqueadas, possui localização geográfica estratégica e sua população – militar e civil – é despreparada para o exercício bem sucedido da autodefesa.
.
As invasões, isoladamente, não foram suficientes para exterminar o Haiti e na entressafra de invasões estrangeiras o povo haitiano foi vítima de ditaduras sanguinárias instaladas pelo médico François Duvalier, o temido bicho-papão (tonton macoute) conhecido como Papa Doc (1957 a 1971), sucedido por seu filho Papa Doc (1971 a 1986). Ajoelhado, ante o pedestal dos dominadores estrangeiros, o Haiti viu sua história desaparecer no ralo. E de forma quase ininterrupta.
.
A imprensa substitui olho humano por olho de vidro
.
A imprensa vem informando que o maior desafio pós-terremoto é levar a ajuda humanitária aos milhões de necessitados, no menor espaço de tempo possível. E até a guerra de bastidores envolvendo brasileiros e usamericanos para determinar qual país seria o responsável pela coordenação geral das operações recebeu amplo espaço na imprensa. O Brasil tinha 1.266 militares no Haiti, subiu para 2.600. Os Estados Unidos que tinha menos que 1.000 soldados no país apoiando a Força de Paz da ONU para Estabilização do Haiti (Minustah) elevou este contingente para 20.000.
  .
Considerando que a embaixada dos EUA em Porto Príncipe era a terceira maior embaixada americana no mundo e tinha 3 mil homens, o número de americanos no Haiti ronda os 25.000. Neste ponto a imprensa tem deixado vazios abissais como o de não apresentar tabelas comparativas com número de militares, por nacionalidade, chegando e saindo do Haiti e inexistência de “boxes” no estilo “Entenda o caso” para informar sobre a história do país e a relação destes com algumas das potências estrangeiras que no passado ali estiveram como invasores e agora como pontas-de-lança de ajuda humanitária pós terremoto.
.
A cobertura privilegia o superficial, as imagens da tragédia, as dificuldades para a vida voltar ao normal na capital haitiana, denúncias sobre seqüestro de crianças vem sendo veiculadas. Mas nenhuma emissora de televisão e nenhum jornal de renome chamaram a atenção de sua audiência e de seus leitores para o fato de que os 20.000 soldados norteamericanos no Haiti, país com 9 milhões de habitantes perfaz proporção superior às forças conjuntas dos Estados Unidos e da OTAN no Afeganistão nesse primeiro ano do governo Obama: 70 mil para uma população de 28 milhões.
.
A imprensa parece ter perdido nos escombros de Porto Príncipe sua capacidade de análise, afinal, em um cálculo preliminar constata-se que numa base per capita haverá mais tropas no Haiti do que no Afeganistão, zona de guerra declarada já há bastante tempo.
.
Para além das imagens de mães em transe acalentando filhos mortos em seus braços, cenas que perfuraram minha alma como se fossem afiados ganchos, a imprensa apresentou ao mundo o Haiti como um país, como um Estado falido, uma nação desgovernada por completo, como se um terremoto - por maior que fosse sue grau na escala Richter – tivesse o poder letal de transformar em ruína a capacidade de um povo de usufruir o direito à autodeterminação.
.
Nesse sentido, vemos o terremoto como pano de fundo para que se passe à opinião pública mundial o conceito de que o Haiti é incapaz de se organizar e se governar por si só. Está, então, desfraldada a perversa tese de que o Haiti necessita ser monitorado e seu bem-estar passa por um regresso aos tempos dos protetorados. E tudo isso para o seu bem. Os haitianos que vi nos telejornais eram todos eles sobreviventes da catástrofe.
.
Procuram-se: 8.800.000 haitianos
.
Onde se encontram os demais oito milhões e oitocentos mil haitianos, esse formidável contingente populacional não afetado diretamente pelo terremoto? Faltam imagens em minha mente de haitianos não afetados diretamente pelo terremoto e falando de seu país. É preciso destacar que a população do Haiti ultrapassa aos 9 milhões. Onde estão professores, engenheiros e médicos haitianos? E seus comerciantes e donas de casa? Por que não foram alcançados pelos diligentes profissionais da imprensa?
.
Será que não deveríamos saber a opinião dos próprios haitianos sobre como entendem que deveria ser conduzido o trabalho de reconstrução de Porto Príncipe? Como a população vê a ação de militares estadunidenses ao empreender o resgate de seu país tão terrível e tragicamente empobrecido? Eles entendem que se trata, desta vez, de uma ação humanitária ou de uma nova invasão? Alguém conhece algum jornalista haitiano que tenha se pronunciado sobre o dia seguinte sobre a semana seguinte após o terremoto?
.
A cobertura sobre o Haiti, como um todo, nos subtraiu a voz e o pensamento dos haitianos. E chega de mais matérias tratando apenas do sofrimento humano.
.
É mais fácil, claro, tirar um peso da consciência assinando cheque de US$ 375 milhões ou de 50 milhões de euros do que propor e executar políticas públicas de inclusão social e educacional, diminuir sua elevada taxa de mortalidade infantil e criar mecanismos para elevar a qualidade de vida do povo haitiano. Quanto a este aspecto penso que a imprensa tem um importante papel a desempenhar trazendo tais temas para a agenda relacionada à cobertura do Haiti nos próximos meses.
.
Existem muitas maneiras de ajudar o povo do Haiti, mas nem só de pão vivem vítimas de catástrofes, sejam estas naturais ou históricas. Veículos de comunicação poderiam influir no futuro do Haiti se mantivessem ´acesas´ reportagens críticas ao mero assistencialismo - sábio e oportuno num primeiro momento e danoso como forma de minar a capacidade de seu povo – e colocassem na agenda do dia a necessidade de que governos e organismos multilaterais agissem de forma ousada e consistente para reconstruir a confiança dos haitianos de que é eles quem melhor poderão... escrever seu próprio futuro.
.
*Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México.
.
.
  • 1277214002130030071

    06/02/2010 17h05 "E não paro por aqui",pois todos aprendemos recorrente e pedagogicamente "os meios ,a vontade e a visão das grandes potências para cumprir os compromissos assumidos".Ora,Thiago,ou você é uma alma inocente,absolutamente pura,que não teve que se expor aos martírios e sofrimentos de que somos objetos ao conhecermos os horrores registrados nas páginas da História- que nos falam precisamente dos "meios,da vontade e dos compromissos das grandes potências",para com os povos por elas colonizados,saqueados.assassinados,etc-ou,então,é um agente a serviços dos interesses dessas potências a militar contra os interesses dos povos,como tantos outros que também nos deparamos.Não se esqueça jamais que foi com essa massa podre que Golbery moldou o seu SNI.Mas,como em nós ainda subsiste um pouco de pureza,queremos acreditar de todo coração,que não passas de uma alma pura e boa, comovida com os acenos de ajuda humanitária e desinteressada das grandes potências,recusados por nós.
    Darcy Brasill rodrigues da Silva
    Rio de Janeiro - RJ
  • 1277214002130030071

    06/02/2010 14h16 Desde quando "um grupo de intelectuais haitianos" é representativo do contingente de 9 milhões de haitianos?E mais,tal grupo em vez de denunciar a ameaça que as tropas americanas representam à soberania do Haiti,capitulam e subscrevem um atestado de incapacidade do povo haitiano para autogovernar-se?"Intelectuais" como estes,nós também os temos-e aos montes-espraiados pelas nossas academias,embora não constituam a sua maioria.Um destes"intelectuais",por sinal,por aqui nos deu aulas inesquecíveis de traição nacional.A propósito,Papa Doc também se contava entre o seleto grupo de intelectuais haitianos.Conhecemos bem o material de que são feito supostos membros desta "elite intelectual",em um país onde a maioria do seu povo carece de escolarização .São espíritos colonizados.Neles,a instrução não afugentou o complexo de inferioridade que o colonilismo secular buscou impingir em seu povo-muito pelo contrário-somente a reforçou.Trata-se de uma "doença"de que você,Thiago,também padece!
    Darcy Brasill rodrigues da Silva
    Rio de Janeiro - RJ
  • Erro

    04/02/2010 15h55 Caro Washington Araujo, Com todo o respeito, o senhor comeca o texto com um erro grosseiro: 20.000 sobre 9 milhoes nao eh proporcao maior do que 70.000 sobre 28 milhoes. Nao que o numero nao seja consideral, mas o tal fato que anunciou eh um erro matematico. Abraco
    Pedro Fernandes
    Rio de Janeiro - RJ
  • E não para por aí

    04/02/2010 15h13 O grupo ainda afirma que "apenas as grandes potências têm a vontade, a visão e os meios para responder no longo prazo pelos compromissos assumidos. O Haiti não tem condições de servir outra vez como tubo de ensaio para ambições de POTÊNCIAS REGIONAIS, cujo papel nos últimos anos tem sido, na melhor das hipóteses, supérfluo. Erros repetidos não podem ser acobertados pelos escombros. A responsabilidade jamais assumida por resultados jamais alcançados não deve desaparecer numa vala comum". Assinam o texto os seguintes haitianos: Michèle Oriol (professora de sociologia da Universidade de Estado do Haiti); Daniel Supplice (professor de história da Universidade de Estado do Haiti; Michel Soukar (historiador); Eric Balthazar (sociólogo) e Jean-Philippe Belleau (professor de antropologia da Universidade Harvard). Taí... Para bom entendedor, pingo é letra!
    Thiago Nogueira
    Rio de Janeiro - RJ
  • O que os haitianos realmente querem

    04/02/2010 15h10 Por ignorância ou má-fé, o autor do texto omite que os haitianos já expressaram a sua vontade sobre o processo de reconstrução da capital Porto Princípe. Pouco mais de uma semana após o terremoto que devastou a cidade, a Folha públicou um artigo escrito por grupo de intelectuais haitianos. Gostaria de destacar alguns trechos: "Nos últimos seis anos, os arranjos estabelecidos entre um Estado falido e as desorientadas Nações Unidas e outras organizações multilaterais produziram um fracasso retumbante. Enquanto estas ofereciam os fundos de ajuda, aquelas legitimavam-nas e implementavam-nos, com resultados, na melhor das hipóteses, inexpressivos. À frente dessa nova estrutura de comando e coordenação SOMENTE PODERIAM ESTAR OS AMERICANOS OU OS FRANCESES, uma vez que a liderança dos esforços multilaterais por países caribenhos ou latino-americanos nos últimos 15 anos simplesmente não funcionou".
    Thiago Nogueira
    Rio de Janeiro - RJ
  • A ponta de um iceberg...

    04/02/2010 13h42 Washington Araújo, voce está de parabens pelo excelente texto que resume a tragedia do Haiti. Fica demonstrado que existe uma tragedia bem anterior ao terremoto.E este só fez trazer a tona a ponta de um iceberg de dominações historicas explicitas ou disfarçadas de naçoes europeias e dos USA mais recentemente.O rei estava nú, a grande midia esconde esta nudez e voce disse tudo.
    Tadeu Colares
    Recife - PE
  • Perda d.e. capacidade

    04/02/2010 11h53
    Parabéns ao Mestre Araújo pelo texto, mas a mídia não perdeu capacidade de análise, perdeu a capacidade de informar, o que é muito pior!
    Edú Fróes
    Belo Horizonte - MG
    .
    .

domingo, 17 de janeiro de 2010

Brasil - Entidades pedem fim do genocídio contra juventude negra


Movimentos

Vermelho - 28 de Novembro de 2009 - 13h31

.

Integrantes de diversas entidades defensoras do direito à igualdade racial denunciaram que está em curso no país um verdadeiro “genocídio” contra a juventude negra. Eles cobraram dos governantes medidas para coibir a violência e também denunciaram a sociedade civil por se manter alheia à questão. 

.

O assunto foi tratado no seminário “Políticas Públicas de Juventude: a favor da vida, contra o genocídio da juventude negra”, que aconteceu esta semana no auditório da Secretaria Nacional da Juventude, em Brasília.
.
Segundo a mediadora do evento, a coordenadora da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), Ângela Guimarães, a questão é preocupante, pois hoje em dia no país os jovens negros estão sendo vítimas de um verdadeiro “genocídio”. Todas a estatísticas que tratam de homicídios praticados com armas de fogo as principais vítimas são os jovens de cor negra na faixa etária dos 17 aos 23 anos.
.
Ela disse que as consequências são alarmantes e denunciou que a matança tem influído no decréscimo dessa população. “As pesquisas censitárias ao longo dos últimos dez anos mostram claramente que a curva demográfica dessa parcela da população vem diminuindo claramente”, denunciou.
.
A solução segundo ela, é uma tomada de consciência sobre o problema por parte de toda a sociedade civil, sobretudo a mídia que tem banalizado a questão e pressionar os órgãos governamentais para atacar o problema.
.
“Isto não é um problema somente do executivo, mas também do legislativo e judiciário. Ele deve ser tratado não somente a nível federal, mas estadual e municipal com ações coordenadas e políticas públicas inclusivas voltadas para o jovem negro”, afirmou.
.
Estatísticas alarmantes
.
Os participantes citaram várias estatísticas sobre a questão, sobretudo o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), ao afirmar que, no Brasil, a possibilidade de ser uma vítima de homicídio é maior entre os adolescentes e jovens e a probabilidade de ser assassinado é quase 12 vezes maior quando o adolescente é do sexo masculino do que do feminino. O risco também é quase três vezes maior para os negros em comparação aos brancos.
.
O vice-presidente do Conjuve, Danilo Moreira reconheceu que o momento é oportuno para trazer para a sociedade civil esse debate. Segundo ele, existem muitas ações governamentais voltadas para a juventude, mas a pauta primordial deve ser a garantia à vida. “Devemos concentrar esforços em políticas e ações que garantam o direito à vida dos jovens, sobretudo a juventude negra”, comentou.
.
O assessor da Secretaria Especial de Direitos Humanos, o pesquisador Ivair dos Santos reconhece a gravidade do problema e afirma que o combate à mortalidade juvenil dever ser a prioridade de todas as prioridades das ações do governo. Segundo ele, esses crimes não podem ser tratados simplesmente como uma questão racial. “Esse é um problema de segurança, de saúde pública, e também econômico. O país está abrindo mão de uma mão de obra importante e que tem muito a contribuir para o crescimento da economia”, alertou.
.
Santos ainda denunciou a questão dos homicídios como um problema de “racismo institucionalizado” e difícil de ser combatido. Ele citou como exemplo a mídia que banaliza a questão e trata o assunto de modo sensacionalista e abusivo. “Hoje o jovem negro da periferia é tratado como uma besta fera que precisa ser combatido a todo custo”,comentou.
.
A solução para o problema é o reconhecimento por toda sociedade que esse jovem está sendo massacrado e que hajam ações sociais coordenadas entre todas as esferas governamentais para combater esse mal.
.
O coordenador de políticas públicas de juventude, do Ministério da Justiça, Reinaldo Gomes afirmou que o Seminário apresenta um tema que deve ser tratado como prioridade nas políticas de segurança do país, que é a “proteção à vida”.
.
“Todos os aspectos que dizem respeito à segurança como a jurídica, a social, a política são muito importantes, mas a garantia do direito à vida tem que estar à frente de toda discussão nesse sentido”, comentou. Ele reconhece que o principal desafio do Governo atualmente é construir um projeto de segurança pública vinculado às políticas públicas de juventude.
.
“É fato, segundo estatísticas que quem mata e morre nesse país é o jovem, em especial, o negro e pobre. Assim, devemos dar ênfase às políticas de prevenção e não repressão para diminuir as estatísticas de mortes”, afirmou.
.
Ele disse que o Ministério desenvolve um trabalho junto aos estados e municípios de “repressão qualificada”, que é a valorização dos serviços de inteligência e estatísticos de combate ao crime, abordagem não letal e uso da força bruta, somente em últimos casos. “Tenho a convicção de que com a união dos esforços entre governo e sociedade temos plenas condições de estabelecer uma política sólida de proteção à vida do jovem”, concluiu. 

.
.

O fim da classe média negra nos EUA

 

Mundo

Vermelho - 26 de Novembro de 2009 - 16h32

.

A julgar pela maioria dos comentários sobre o assunto Gates-Crowley [1], poder-se-ia pensar que uma perigosa "elite negra" está perigosamente fora de controle. Primeiro, Gates mostrou muito pouca deferência com Crowley, depois Obama ao exceder-se quando declarou que a polícia tinha atuado "estupidamente".

.

Por Barbara Ehrenreich*, para o Sin Permiso

Este foi o fim dos "Estados Unidos brancos" que a Atlantic tinha previsto na sua capa de janeiro/fevereiro? Ou será que os preconceitos de classe – classe trabalhadora no caso Crowley – impuseram-se, finalmente sobre os preconceitos de raça?
.
Para lá do emaranhado de comentários de raça e de classe, está aumentando o empobrecimento – digamos antes o reempobrecimento – dos afro-estadunidenses enquanto grupo social. De fato, o efeito mais notável e duradouro da atual crise poderá ser o fim da classe média negra. De acordo com um estudo da Demos e do Instituto for Assets and social Policy, 33% da classe média negra já está ameaçada de perder esse status com o começo da crise. Gates e Obama, tal como Oprah e Cosby, manterão sem dúvida a sua posição, mas milhões de negros idênticos ao oficial Crowley – de operários fabris até empregados da banca de colarinho branco – caminham para a demissão.
.
Para os afro-estadunidenses – e um grande número de latinos – a recessão acabou. Ocorreu entre 2000 e 2007, período em que o emprego negro diminuiu 2,4% e os rendimentos diminuíram 2,9%. Durante a longa recessão negra de sete anos, um terço dos negros vivia na pobreza e o desemprego – inclusive o de licenciados – cresceu o dobro do desemprego branco. O que acontece é que agora há uma depressão.
.
O desemprego entre os negros está em 14,7% comparado com 8,7% dos brancos. Em Nova Iorque o desemprego negro cresceu 4 vezes mais rapidamente que o dos brancos. Lawrence Mishel, presidente do Economic Policy Institute, estima que, em 2010, 40% dos afro-estadunidenses terão experimentado o desemprego ou o sub-emprego, o que aumentará a pobreza infantil das crianças negras estadunidenses de um terço para cerca de 50%. Ninguém consegue explicar totalmente a extraordinária perda de postos de trabalho entre os afro-estadunidenses, ainda que se possa dizer que entre os fatores que o influenciam se inclui a relativa concentração de trabalhadores negros nos massacrados setores de retalho e de manufaturas, tal como é menor percentagem de trabalhadores negros em posições de colarinho branco, as mais bem pagas.
.
Uma coisa é certa: a velha diferença de riqueza racial torna os afro-estadunidenses particularmente vulneráveis à pobreza quando vão para o desemprego. Em 1998, o valor líquido das casas dos brancos era em média de mais 100.700 dólares que o das casas dos brancos. Em 2007, a distância aumentou para 142.600 dólares. O estudo das finanças do consumidor, elaborado cada 3 anos pela Reserva Federal, cada vez que é feito constata que a diferença da riqueza racial aumentou. Em outras palavras: em 2004, por cada dólar de riqueza de uma família branca, uma família negra tinha somente 12 centavos. Em 2007 tinha 10. De forma que quando um trabalhador negro estadunidense cai no desemprego normalmente não há poupanças que o possam defender, não têm pais bem colocados em quem se apoiem nem poupanças de reforma.
.
A tudo isto há que somar a grande calamidade de cunho racial que são as hipotecas de alto risco. Depois de décadas de recusa de hipotecas por critérios raciais, os negros estadunidenses apareceram como um mercado tentador para os prestamistas da bolha imobiliária, como Countrywide, onde indivíduos negros de elevados rendimentos tinham quase o dobro das probabilidades de ter uma hipoteca de alto juro do que brancos de rendimentos baixos. De acordo com o Center for Responsible Lending, os latinos acabarão por perder, na avaliação da casa para venda devido às hipotecas lixo, entre 75 e 98 bilhões de dólares, enquanto os negros perderão entre 71 e 92 bilhões de dólares. United for a Fair Economy qualificou como a "maior perda de riqueza pelos negros na história moderna dos EUA".
.
Mas apesar da profunda depressão dos afro-estadunidenses, alguns comentaristas, tanto brancos como negros, ainda estão obcecados com as supostas deficiências culturais da comunidade negra.
.
Num editorial do Washington Post, Kay Hymowitz atribuiu os problemas da economia dos negros ao fato de 70% das crianças serem filhas de mães solteiras, mas não se referiu às famílias tradicionais de pai e mãe brancos estarem em diminuição a um ritmo superior ao das das famílias tradicionais negras. A proporção de crianças negras em famílias monoparentais aumentou 155% entre 1960 e 2006, enquanto a proporção de crianças brancas vivendo em famílias monoparentais aumentou surpreendentes 229%.
.
Precisamente no mês passado na PNR, o comentarista Juan Williams despreciou a NAACP (Organização de Defesa dos Afro-estadunidenses e contra o Racismo) dizendo que cada vez mais os grupos relevantes se centram em "pessoas que obtiveram vantagens da integração e oportunidades de educação e emprego ao contrário dos que estão apanhados por ciclos geracionais de pobreza" que, prosseguiu, se caracterizam pelo envolvimento nas drogas e no crime. O fato de estar em curso uma crise que afeta desproporcionalmente a classe média afro-estadunidense – provocada mais pela cobiça de Wall Street que pelos "valores do gueto" - parece não lhe importar.
.
Não precisamos de mais análises moralizantes e eloquentes, de classe e raça, que podiam ter sido escritas nos anos 70 do século passado. A crise está mudando tudo. Está redesenhando os contornos de classe nos Estados Unidos de tal forma que nos deixarão mais polarizados que nunca e, isso sim, castiga as antigas classes médias e trabalhadoras. Mas a depressão sofrida ameaça com algo em uma escala completamente diferente, que é o desaparecimento dos negros da classe média.
.
[1] Nota do Tradutor: Refere-se ao professor negro que foi preso em sua própria casa e humilhado, apesar de ter provado a sua identidade e ser proprietária da casa, por ter entrado pela janela, em virtude de ter perdido as chaves.
.
*Barbara Ehrenreich é presidente da United Professsionels.
.
Publicado em ODiario.info. O original está em www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=2831.
 
.
.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Idosos, raça e desigualdades - Gilberto Pucca


Idosos, raça e desigualdades

Dezembro 7, 2009
 
por Gilberto Pucca*
.
O que aconteceu, nas últimas décadas, em relação à população brasileira? Que mudanças fundamentais aconteceram e que podem determinar planejamentos e decisões em saúde pública?  Estes indicadores, que funcionam como uma espécie de mapa e bússola no momento de se encaminhar discussões e de se distinguir o que é importante de que é urgente, apontam alguns fatos inesperados e outros nem tanto.
.
De uma maneira geral, porem, o estado atual da população brasileira, em relação a categorias como urbanização, educação e saneamento não são mais do que o resultado de processos históricos recentes e de uma seqüência de políticas que visam predominantemente  à manutenção de um sistema econômico-financeiro fechado em si mesmo, em detrimento de políticas de cunho social. Senão vejamos:
.
Queda na natalidade e na fecundidade, o que implica, obviamente, numa diminuição do crescimento populacional.
.
Aumento significativo da população idosa, aqui entendida enquanto pessoas com mais de 60 anos. Este grupo já constitui 8,7% da população total no Brasil. Este aumento constitui-se em fortes demandas ao sistema de saúde, que devem ser equacionadas o quanto antes. A tendência é que o sistema de saúde tenha que enfrentar problemas de doenças da Terceira Idade, e mais um grande contingente da chamada “velhice abandonada”. Pobreza e idosos caminham juntos nesse país.
.
Na década de 80 e 90 houve um forte movimento de urbanização. Este fenômeno esta relacionado a três outros; à aceleração nas cidades de porte médio, à redução drástica da população rural e à menor pressão sobre as capitais, mas não sobre as cidades periféricas das regiões metropolitanas.
.
No entanto são os indicadores econômicos que parecem constituir a espinha dorsal da situação brasileira., isto é, o que nos permite ver de maneira mais clara e panorâmica o estado em que as populações dos vários ‘brasis’ parecem viver, ou sobreviver. Três  aspectos saltam aos olhos, um em cada década antecedente; concentração de renda (década de 70); recessão sem distribuição (década de 80), estabilização da moeda e desemprego (década de 90).
.
Este caminho histórico legou, naturalmente, o aumento das desigualdades territoriais e sociais, onde estão incluídas desigualdades de renda e serviços e gastos públicos entre regiões, o surgimento de estratos sociais e dicotomias bem marcadas – e profundamente desiguais – como ‘cidade e campo’ , ‘centro e periferia’.
.
Quando ao saneamento, houve expansão da cobertura dos serviços de saneamento, particularmente da água.
.
Os números da Educação não revelam muitas mudanças, apesar do alarde do Governo Federal: os índices de analfabetismo e baixa escolaridade permanecem elevados, e a única boa noticia é um pequeno aumento da escolaridade da população mais jovem. Sem se analisar a qualidade, por certo.
.
Na Saúde, nota-se a expansão da cobertura da rede básica de saúde e assistência hospitalar, mas com qualidade ainda extremamente insatisfatória.
.
A situação dos idosos no Brasil desvela as profundas desigualdades sociais no pais. É preciso revelar os mecanismo das desigualdades. Um exemplo disso é o estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) mostrando a distorção entre o nível educacional de brancos e negros: a pesquisa revela que os índices são os mesmos do século XIX, isto é, que a grande diferença entre o nível educacional dos brancos e o dos negros não foi sequer atenuada. Dados indicam que irá demorar cerca de 20 anos para o negro igualar esse período. Isso se algo começar a ser feito hoje. Só isso.
.

* Mestrado em Epidemiologia do Envelhecimento pela Escola Paulista de Medicina. Trabalha no Ministério da Saúde. Publicado na REA nº 15, agosto de 2002, disponível em 
.
.