Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Gracias a Mercedes Sosa


Colunas

Vermelho  - 7 de Outubro de 2009 - 18h49

Gracias a Mercedes Sosa

José Carlos Ruy *

Os traalhadores perdem a voz que cantava a confiança na luta e o otimismo no futuro.

Ouvi Mercedes Sosa pela primeira vez no início da década de 1970. Em 1969, um grupo de secundaristas de São Bernardo do Campo, do qual fazia parte, criou o Centro Cultural Guimarães Rosa. Era um verdadeiro biombo para a discussão cultural e política naquele período de ditadura pesada. Um dia, aí por 1972-1973, nos momentos de espera de uma apresentação do grupo de teatro do Centro Cultural, ouvi a voz maravilhosa de uma cantora que não conhecia, cujo canto tinha versos que despertaram meu interesse em saber quem era.

Era ela – Mercedes Sosa. Em minha memória, virou um signo dos anos de resistência, com canções que encarei como verdadeiros hinos de confiança na luta dos trabalhadores, uma afirmação, com sonoridade cristalina, de que as profundas dificuldades daqueles anos seriam vencidas.

Era a voz de um otimismo popular, proletário, que agradecia à vida que me há dado tanto. Vida que deu “Os dois materiais que formam meu canto / e o canto de vocês que é o mesmo canto / e o canto de todos que é meu próprio canto”. São versos da chilena Violeta Parra que exprimem um sentimento de unidade contra a ditadura e de confiança no futuro. Eles foram espalhados por todos os lados pela voz de La Negra.

Era, claramente, uma cantora com posição política – e somente muito mais tarde soube que era comunista, filiada ao Partido Comunista da Argentina e militante da resistência popular desde muito jovem.

Naquela época, eu não sabia isso, mas desconfiava. Como não pensar na opção socialista e revolucionária depois de ouvir Volver a los 17, também de Violeta Parra e cantada por Mercedes Sosa? Uma leitura superficial sugere a volta à juventude. Mas sempre imaginei que a canção aludia também a outro 17, ao ativismo e iniciativa popular da Revolução Russa, um instante fecundo. Indicação do caminho da mudança em busca de um mundo melhor.

Acho que tinha razão ao interpretar assim aquelas palavras. Afinal, a própria Mercedes proclamou isso em Todo cambia (Tudo Muda). “Muda o superficial / muda também o profundo / Muda o modo de pensar / muda tudo neste mundo”. Mas há coisas que não mudam, como a lembrança, “nem a dor / de meu povo e de minha gente”. Mas “o que mudou ontem / terá que mudar amanhã / assim como mudo eu / nesta terra estranha”.

Além disso lembrou também em várias canções que a mudança tem um personagem, um protagonista. Como em Te recuerdo Amanda, em cursos versos Mercedes fala do amor e da luta dos trabalhadores e do pesado preço pago pela ousadia de lutar pela liberdade. “Lembro de você, Amanda / a rua molhada / correndo para a fábrica / onde trabalha Manuel”.

Ia sorridente, para um encontro fugaz durante um breve intervalo na jornada diária. “A vida é eterna / em cinco minutos”, que terminam ao som da sirene que chama de volta ao trabalho. Mas Manuel “partiu para a serra”, onde “caiu destroçado”. E quando a sirene chama “de volta ao trabalho / muitos não voltaram / entre eles Manuel”.

Os povos das Américas perderam sua cantora no último domingo (dia 4), quando Mercedes Sosa deixou de viver. Os trabalhadores do mundo perderam uma voz que chamava para a luta mas também para a reflexão, para o afeto. Que olhava e cantava o belo, que persiste apesar dos males e das dificuldades. Olhando o futuro que nasce na luta diária. Gracia a la vida, Gracias a Mercedes!
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* Jornalista, editor da Classe Operária, membro da Comissão Nacional de Comunicação e do Comitê Central do PCdoB; é da Comissão Editorial da revista Princípios
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  • venceremos

    09/10/2009 15h15 ruy belissimo texto, nestes tempos em que falar de conteudo é raro,onde predomina o superficial tempos em que categorias, como classe social,independencia,soberania,é um atentado ao bem saber das academias,louvar mercedes sosa nos fortalece a consciencia, pois como dizia a propria mercedes é preciso que a america latina desperte de seu sono secular um grande abraço

    jose carlos tisiu
    são paulo sp - SP

  • La Negra!

    08/10/2009 8h57
    Obrigado, camarada, por trazer tão belas palavras sobre nossa amada Mercedes Sosa, cuja voz nos trazia alento e força para as nossas lutas - eu que ao final dos anos 70 fazia parte do movimento estudantil através do então chamada "Centro Cívico" - hoje Grêmio Estudantil- do meu colégio. Muitas foram as reuniões que aconteciam animadas pela voz de La Negra (en)cantando-nos com CANCION DE LAS SIMPLES COSAS entre tantas outras. Saudades de La Negra...
    Expedito Ximenes Pontes
    Fortaleza - CE
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    Colunas

    Vermelho - 7 de Outubro de 2009 - 20h01

    Gracias, Mercedes, "que nos ha dado tanto"

    Paulo Vinícius *

    Duas das figuras que mais contribuíram para que eu me tornasse um internacionalista e pudesse me encontrar com a América Latina foram Mercedes Sosa e Pablo Neruda. Este pela prosa poética vertida em Confesso que Vivi, e aquela, "la negra", por tudo de arrebatador e pungente que há em seu repertório irretocável.

    Como se hoje fora, recordo da saudade que senti de Neruda - estranha nostalgia de quem não se conheceu, lastreada em poesia. Tal sentimento se intensificou ao ouvir na voz de Mercedes Sosa os zambas, chacareras, os versos de justiça e amor, voando pelo espaço aninhados naquela voz vibrante, forte, inconfundível.

    Foi assim, exposto a esta dupla influência que me vi repentinamente órfão da América Latina, lastimando-me por não a ter conhecido antes, inconformado e intrigado ante o paradoxo em que a proximidade geográfica não se faz amizade, conhecimento mútuo, identidade. E desde então isso mudou a maneira como me situava no mundo. Descobrira-me, malgrado tanto lixo que se nos empurra, enfim, latino-americano.

    E o que Mercedes Sosa cantou me ensinou tanto! Meu portunhol bem ajambrado foi aprendido com ela, cantando e entendendo a rebeldia e o amor, a ânsia por justiça e a grandiosidade com que aquela tucumana afirmava nossa origem comum, nossa irmandade de história, povo e sonhos.

    Ela dizia a simplesmente e dura realidade, que "a esta hora exatamente há uma criança na rua". Reinventou a geografia ao afirmar que "um verde Brasil beija meu Chile de cobre e mineral". Lembrou-nos em meio a tantas vicissitudes que "tudo muda e mudarmos não é estranho" ainda que "não mude meu amor por mais distante que eu esteja, nem a lembrança nem a dor do meu povo, da minha gente". Ademais, com os versos de Atahualpa Yupanqui, definiu para mim a amizade, ao mostrar-nos que temos "tantos irmãos que nem os podemos contar/, no bairro, na montanha/, no pampa e no mar/ cada qual com seu trabalho, com seus sonhos cada qual/ com a esperança adiante e as recordações lá de trás", "tenho tantos irmãos que nem os posso contar e uma irmã muito linda que se chama liberdade".

    Versos assim se cravam no peito se os canta como ela cantava, ao clamar às massas empobrecidas, "irmão, dá-me a mão, venha comigo buscar esta coisa pequenina que se chama liberdade. Esta é a hora primeira e este é o justo lugar, em que com tua mão e a minha, irmão, havemos de começar. Olha adiante irmão, tua terra que te espera, sem distâncias nem fronteiras que a afastem de tua mão, sem distâncias nem fronteiras, nesta hora primeira em que o punho americano marque o rosto dos tiranos e a dor enfim vá embora".

    Por tudo isto, quando ela veio a Brasília em 2008, senti que enfim chegava a oportunidade - que até desacreditava - de ouvi-la ao vivo, oportunidade que provavelmente fosse a última. E foi como um reencontro, essa sintonia tão estranha de fã, quando a ouvi erguer-se por cima da evidente fragilidade física pelas palavras de carinho e a voz inacreditável que venceu o tempo. E do meu lugar no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, depois de ir ao Chile, Cuba, Paraguai, Bolívia, Nicarágua e Venezuela, depois de ver os ventos de mudanças tão ansiados em seus versos se fazerem realidade, pude ouvi-la frente a frente, a dizer tão bem do Brasil, de nosso povo, cantando nossa música, aquela irmã argentina a declarar um amor tão sincero ao nosso país. Não foi em vão.

    E agora que ela partiu, em paz consigo e com seus sonhos de uma intimorata e bela América Latina, não posso pranteá-la, apenas. Tenho na verdade é de lhes sugerir o único tributo verdadeiro para uma pessoa que dizia que "se cala o cantor, cala-se a vida, porque a vida, a vida mesma é toda um canto". Não podemos é permitir-nos não ouvi-la, pois assim permanece viva, tão necessária que é a iluminar os caminhos singulares em que a arte nos faz entender com uma profundidade total esta irmandade latino-americana, este amor aos oprimidos e o ódio às injustiças.

    Conheçam Mercedes Sosa e partilhem do legado caudaloso de sua obra, das lições e do prazer de ouvi-la cantar, da poesia tão bem escolhida por uma intérprete que sabia o que dizer à mente e ao coração, uma irmã tucumana, argentina, latino-americana que, como a vida, pôde nos dar tanto.



    Mais canções citadas (pra você curtir):

    1- Gracias a la Vida - Violeta Parra - http://www.youtube.com/watch?v=xm9sIAW39o0

    2- Hay un Nino en la Calle - Armando Tejada Gómez - Ángel Ritro - http://www.youtube.com/watch?v=apzGIJNipdY

    3- Canción con todos - A. Tejada Gomez e Cesar Isella - http://www.youtube.com/watch?v=icrCSlBGkl0

    4- Todo Cambia - Julio Numhauser - http://www.youtube.com/watch?v=In5TjoaYMRs

    5- Los Hermanos - Atahualpa Yupanqui - http://www.mercedessosa.com.ar/cancionero/letras/loshermanos.htm

    6- Hermano Dame tu Mano - Jorge Sosa, J. Sánchez - http://www.youtube.com/watch?v=F9-pdpfHxrs

    7- Si se calla el cantor - Horacio Guarany - http://www.youtube.com/watch?v=xm9sIAW39o0
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    * Cientista social e bancário.
    * Opiniões aqui expressas não refletem necessáriamente as opiniões do site.
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    • Obrigado!

      30/11/2009 11h53 Grande camarada Paulo Vinicius! Só tenho uma coisa a dizer: muito obrigado por tão bela homenagem a nossa querida Mercedes Sosa, cujo canto embala nossas lutas e nossos amores.

      Expedito
      Fortaleza - CE

    • Maravillosa...

      20/10/2009 16h51 Sou chilena que mora faz 2 anos no Brasil... Fiquei maravilhosamente emocionada pelas palavras aqui expostas... Somos uma só américa, somos o canto dos valientes... Não existe fronteras, nem idiomas para sentir a voz " De La Negra" dançando no nosso universo américano... Viva la Negra, por siempre... Nunca te apagarás Negra querida! "Gracias a la vida que me ha dado tanto..."

      Carla
      Sorocaba - SP

    • Nenhum Cd da Negra

      09/10/2009 14h35 Em Florianopolis, capital de SC,em nenhuma loja de ventas de Cds tem siquer um de Mercedes Sosa, como diz um jornalista , como se as livrarias só vendese best sellers.

      maria teresa
      florianopolis - SC

    • gracias camarada Paulo,

      09/10/2009 13h49 por nos oferecer um texto taõ rico em sentimento, poesia e fervor REVOLUCIONÀRIO,acompanhado de toda mágia e seduçaõ das canções da eterna MERCEDES. Até a VITÒRIA SEMPRE!!! por uma AMÈRICA LATINA unida e justa.

      claudio romero
      brasília - DF

    • Sabia!

      08/10/2009 20h57 Sabia que faria esta homenagem. Realmente há em você Neruda e Mercedes. Espero que esteja bem.

      Daniela
      São Paulo - SP

    • "La Negra" da América Latina

      08/10/2009 8h59 Tomba a pessoa, mas não sua obra... O canto de liberdade, amor e justiça de Mercedes Sosa continuará reverberando por essa nova América Latina que vai surgindo, altiva e cada vez mais unida! Excelente artigo, PV!

      Mario César Fonseca da Silva
      Campo Grande - MS

    • GACIAS

      07/10/2009 17h09 Gracias por tomar mi video... las imaenes de las mujres indigenas fueron filmadas mientras Mercedes Sosa moría en Buenos Aires... Hasta la Victoria Siempre

      Memorias de laTierra - Luis
      Formosa - AM

    • Sadaudes eterma Mercedes

      07/10/2009 9h11 É isso ai PV, a sensibilidade revolucionária e a busca da unidade e avanço está na "alma e no espirito" de luta. Parabéns pelo feliz artigo. Um abraço, Zezito Reis

      Zezito Reis
      Brasília - DF

    • Gracias Mercedes,.....

      07/10/2009 1h27
      Muito bom seu artigo. Eu tb admiro tanto Mercedes Soza, Pablo Neruda. És felizardo, a viu cantar! Ficamos, todos, mais pobres!!!!
      Elisa Helena de Carvalho Santos
      Guaratinguetá - SP
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domingo, 17 de janeiro de 2010

O canto do cisne de Mercedes Sosa



 

Cultura

Vermelho - 25 de Novembro de 2009 - 13h03

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Num de seus depoimentos, no documentário em DVD que acompanha o disco "Cantora", Mercedes Sosa diz que, se não fosse a ideologia, ela seria apenas mais uma cantora. Verdade confirmada por seu trajeto e sua postura política, mas que também permite observação contrária: não fosse uma grande intérprete, com seu belo timbre de contralto, e a sensibilidade na escolha de repertório e acompanhantes, ela não passaria de mais uma artista engajada.

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Seu canto de cisne, reunindo 19 duetos com artistas hispano-americanos de diferentes gerações e estilos, "Cantora" foi produzido no ano passado, num estúdio de Buenos Aires - com eventuais gravações nos países de alguns de seus convidados -, e, mesmo que tenha conteúdo irregular, serve como um belo testamento dessa voz que tantas fronteiras derrubou.
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A voz estava fragilizada, sem atingir algumas notas, mas Mercedes, então com 73 anos e muitos quilos a mais, sempre sentada - seja nas entrevistas ou gravando -, tinha experiência e talento para driblar as dificuldades físicas. O DVD, dirigido por Rodrigo H. Vila, documenta passo a passo a gravação deste que acabou sendo o último disco em vida da cantora - e que, no início de novembro, um mês após a sua morte, ganhou o troféu de Álbum Folclórico na décima edição do Grammy Latino.
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É um conceito bem elástico de "folclórico" - mesmo que esse viesse sendo o campo habitual da intérprete, nascida em 9 de julho de 1935, em Tucumán, e que lançou seu primeiro LP em 1962, "La voz de la zafra" -, já que há em "Cantora" a presença de muitos representantes da música pop hispano-americana contemporânea. E as baladas de gente como os argentinos Charly Garcia ("Desarma y sangra") e Fito Paez ("Zamba del cielo") e o uruguaio Jorge Drexler ("Sea") soam monocórdias, com melodias por demais escravas de suas letras, um mal frequente na produção desses chamados cantautores.
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Sem ufanismo, um dos destaques é o encontro com Caetano Veloso em "Coração vagabundo", faixa gravada no Rio, aproveitando a passagem da argentina pelo Brasil em outubro de 2008, quando recebeu a insígnia da Ordem do Mérito Cultural, em cerimônia realizada no Teatro Municipal. Juntos no estúdio, eles saboreiam os desenhos melódicos da velha pérola de Caetano, que Mercedes canta num português com leve sotaque.
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O encontro, virtual, com Daniela Mercury - que gravou a sua parte sozinha, em Salvador - é outro bom momento, graças à força perene de "O que será", em versão, com arranjo do guitarrista Jorge Giuliano, que reforça o sotaque caribenho presente na composição de Chico Buarque.
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Há também a tentativa, bem-sucedida, por sinal, de aproximar Mercedes do rap, em "Canción para un niño en la calle" - ela cuida da melodia enquanto René Pérez, da dupla porto-riquenha Calle 13, da parte falada, com a habitual temática sociopolítica que caracteriza o estilo. Funciona. Bem melhor do que o encontro com o espanhol Joaquín Sabina em "Violetas para Violeta", balada sonolenta, com letra baseada em canção da chilena Violeta Parra, mas que patina nas boas intenções. Não basta ser engajado.
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Fonte: O Globo

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Volver a los diecisiete-Mercedes Sosa-Veloso-Gal-Buarque-Nascimento-Violeta Parra


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Elitacate
8 de Agosto de 2009
VOLVER A LOS DIECISIETE VIOLETA PARRA Mercedes Sosa-Caetano Veloso-Gal Costa-Chico Buarque-Milton Nascimento TV Globo (1986)
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Enviado por Zé Pinto (FaceBook)
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Volver a Los 17

Milton Nascimento

Composição: Violeta Parra
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Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.
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Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
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Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.
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Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
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Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.
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Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
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El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.
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Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
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De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.
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http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/47460/
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sábado, 9 de janeiro de 2010

Todo Cambia - Mercedes Sosa


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CachopaLinda
17 de Novembro de 2008
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Todo Cambia
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Cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo
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Cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño
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Cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante
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Cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no extraño
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Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
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Cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera
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Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño
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Pero no cambia mi amor
por mas lejos que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente
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Lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana
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Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
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Pero no cambia mi amor...
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Para ti amigo.Espero que gostes.Beijocas Fofas!!
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Ola amigo, desejo que 2010 seja para ti um ano de mta. Paz e mto. Amor,
Olha eu só fiz 62 primaveras!!!Estou a brincar!!EHEHEH!!!!
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Odete (hi5) - 6/Jan 14:45

Mercedes Sosa - Pablo Milanés - Años


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nlimonge
29 de Fevereiro de 2008
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Silvio Rodriguez is the composer of this wonderful song. Pablo Milanez is probably its more representative interpreter. And Mercedes Soza has contributed with this marvellous dueto.

Lyrics in english and spanish. English by me and Google Translater. (Please, if you do better, send me a youtube mail.)

YEARS - Pablo Milanéz

The time happens, we are put ourselves old
and the love not reflected it, like yesterday.
In each conversation, each kiss, each hug,
a piece of reason always prevails.


The years goes by
And changes what I feel
What yesterday used to be love
Become to another feeling

Because years ago
Take your hand and
Kiss you
Without any force
Were part of a truth

The time happens, we are put ourselves old
and the love not reflected it, like yesterday.
In each conversation, each kiss, each hug,
a piece of reason always prevails.

We are living
Viewing hours
Passing by
The old discussions
Are losing itself
Between the reasons

For all I say yes
For nothing I say no
To build
Tremendous harmony
That puts old the hearts

As time passes
We are getting old
And love
No more seems as yesterday
In every conversation
In every kiss in every hug
Reason
Always is required

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Años - Pablo Milanéz
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El tiempo pasa,
nos vamos poniendo viejos
y el amor no lo reflejo, como ayer.
En cada conversación,
cada beso, cada abrazo,
se impone siempre un pedazo de razón.
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Pasan los años,
y cómo cambia lo que yo siento;
lo que ayer era amor
se va volviendo otro sentimiento.
Porque años atrás
tomar tu mano, robarte un beso,
sin forzar un momento
formaban parte de una verdad.
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El tiempo pasa,
nos vamos poniendo viejos
y el amor no lo reflejo, como ayer.
En cada conversación,
cada beso, cada abrazo,
se impone siempre un pedazo de temor.
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Vamos viviendo,
viendo las horas, que van muriendo,
las viejas discusiones se van perdiendo
entre las razones.
A todo dices que sí,
a nada digo que no,
para poder construir la tremenda armonía,
que pone viejos, los corazones.
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El tiempo pasa,
nos vamos poniendo viejos
y el amor no lo reflejo, como ayer.
En cada conversación,
cada beso, cada abrazo,
se impone siempre un pedazo de razón(more)
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5/Jan 23:30
Carmen diz:
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PARABÉNS, AMIGO VICTOR :) PROCUREI NO SEU PERFIL O TIPO DE MUSICA DE QUE GOSTA E COMO NADA DIZ, ESCOLHI DE ACORDO COM A MINHA PREFERÊNCIA (ALIÁS, EU SOU COMO O VICTOR, TAMBÉM DEPENDE, RSRSRS)! UM BEIJINHO, COM MUITA AMIZADE E SINCERA ADMIRAÇÃO, MEU LINDO AMIGO!
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