Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Avelino Cunhal



QUINTA-FEIRA, 1 DE JANEIRO DE 2009

Localização, na planta de Seia, das ruas com nome de artistas

Voltando ao assunto da Rua Tavares Correia, apresenta-se agora o mapa da cidade (1) com a localização dessa e de outras artérias que evocam figuras das artes locais. Ignora-se se a rotunda actualmente em construção junto às piscinas municipais (nº 33 no Mapa), quebrando a Rua Tavares Correia em duas, permitirá manter a actual designação.

Existem várias avenidas e ruas com nomes de escritores / homens de letras locais, sem esquecer o incontornável Luís de Camões ou o agradável Silva Gaio (autor do romance “Mário”, cuja acção decorre em São Romão), mas no que respeita às artes chegámos a 4 nomes.


A – Rua José Tavares Correia de Carvalho (Seia, 1908 – Coimbra, 2005)
B – Rua Pintor Lucas Marrão (Seia, 1824 – Lisboa, 1894)
C – Travessa Eduardo Correia (Fotógrafo, Porto, 1881 – Seia, 1973)
D – Rua Dr. Avelino Cunhal (Seia, 1887 – Lisboa, 1966) 



Avelino Henriques da Costa Cunhal não foi propriamente artista plástico mas era um intelectual multifacetado, com obra literária conhecida e alguma produção plástica.
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Liberal e republicano, o pai de Álvaro Cunhal chegou a Governador Civil da Guarda durante a I República. Nunca foi comunista mas opôs-se frontalmente ao regime de Salazar ao defender presos políticos em tribunal, leccionando na "Universidade Popular", e até nas actividades de tempos livres, escrevendo e pintando.
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Publicou cinco livros: Senalonga, Nevrose e três peças teatrais – sob o pseudónimo de Jorge Serôdio. Foi ainda colaborador da revista Seara Nova.

Na área da pintura, conhecem-se poucas obras de Avelino Cunhal. Há coisa de dois anos, apareceu no mercado um quadro a óleo s/madeira, de sua autoria, que esteve exposto na Sociedade Nacional de Belas Artes.
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A propósito de exposição na SNBA, refira-se que um dos seus quadros mais famosos é "O Menino da Bandeira Branca", que foi apreendido pela P.I.D.E. em Maio de 1947, por ocasião da II Exposição Geral de Artes Plásticas na SNBA. A exposição contou com 89 artistas participantes, muitos deles unidos na oposição ao regime salazarista. Avisado dos secretos objectivos da exposição, o regime reagiu na primeira página do jornal Diário da Manhã ("órgão da unidade nacional") e efectuou uma rusga policial à exposição. Foram apreendidos seis quadros, entre os quais o de Avelino Cunhal, e alguns artistas foram interrogados pela P.I.D.E. Este acontecimento é marcante na história do neo-realismo português pois transformou as Exposições Gerais da SNBA num reduto neo-realista e levou a censura prévia à exposição seguinte (Maio de 1948). Foi a primeira vez, em Portugal, que houve censura prévia nas artes plásticas. Eis mais uma curiosidade da vida de Avelino Cunhal.









(Fontes: Roteiro Turístico de Seia, JFS-Héstia (mapa) / Escritores e Artistas Senenses, J. Quelhas Bigotte, 1986 / Exposições Gerais de Artes Plásticas - Arte Portuguesa-Anos Quarenta, FCG, vol.1, 1982.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Literatura - José Saramago, Avelino Cunhal, António Gedeão

O Caderno de José Saramago
O Prémio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa lançou, no dia 25, em Lisboa, o seu novo livro, intitulado O Caderno. A sessão foi transmitida em directo para todo o mundo através da Internet e consistiu numa conversa entre o autor e os bloguistas Isabel Coutinho e José Mário Silva sobre meio ano de actividade do blog (http://blog.josesaramago.org) onde, desde Setembro de 2008, o escritor tem divulgado os textos agora reunidos numa edição impressa. Em Itália, onde o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, vetou a publicação do livro na editora Einaudi, de que é proprietário, o lançamento da obra está previsto para Setembro, sob a chancela da Bollati Boringhieri, e contará com a presença dos escritores Claudio Magris, Umberto Eco e Dario Fo que se solidarizaram com Saramago. O escritor português tem feito duras críticas ao governante transalpino, a quem chama «delinquente, corrupto, um líder mafioso». Por isso Berlusconi tentou impedir a publicação do livro, mas apenas fez com que a Einaudi perdesse um autor do qual já tinha publicado cerca de 20 títulos.



Romance inédito de Avelino Cunhal
Nenúfar no Charco é o título do romance de Avelino Cunhal, escrito e ilustrado pelo próprio em 1935, altura em que a sua publicação foi proibida pela censura fascista. Passados 74 anos, as edições Leitor trazem finalmente esta obra à luz do dia, embora, como salientou o editor, Leonardo de Freitas, seja quase certo que a nova censura económica impedirá que este livro, à semelhança de tantos outros, chegue ao grande público através das grandes superfícies que controlam a quase totalidade do mercado livreiro. Na sessão de lançamento realizada no dia 24, no Centro de Trabalho Vitória, em que esteve presente Eugénia Cunhal, o romance foi apresentado por Domingos Lobo que identificou influências de Dostoiévski e Tólstoi, de Zola e Victor Hugo no realismo social sempre perseguido por Avelino Cunhal tanto na literatura como no seu trabalho de pintor. Sobre o autor, José Casanova, director do Avante!, fez questão de lembrar o papel de Avelino Cunhal na defesa dos direitos e liberdades democráticas. Neste sentido, referiu, é legítima a associação com o seu filho, Álvaro Cunhal.

Um conto de Rómulo de Carvalho
Datado de 1942, Bárbara Ruiva é um conto de Rómulo de Carvalho, a quem muitos preferem chamar António Gedeão, só agora publicado pela editora Página a Página. O original, encontrado entre os papéis do escritor depois da sua morte, permaneceu inédito porque Rómulo de Carvalho o teria desvalorizado, como se refere no aprofundado prefácio de Manuel Gusmão. No entanto, sublinha ainda Manuel Gusmão, este conto «não é uma produção imatura nem inferior a alguns dos que integram o volume de ficções, A Poltrona e Outras Novelas, publicado em 1973». Tratando-se de «uma narrativa de uma súbita paixão (…) é um texto bem curioso, porque o acontecer dessa paixão nos é dado quase em directo».
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in Avante 2009.07.02
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