Discurso de Lula da Silva (excerto)

___diegophc
Mostrar mensagens com a etiqueta Teologia da Libertação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Teologia da Libertação. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de março de 2013

Granovsky: Quando a inquisição colocou Boff no assento de Galileu

Página Inicial
 
4 de Março de 2013 - 11h29



Ele esperou até 1992 para deixar os hábitos de monge franciscano e abandonar o monastério onde vivia. A essa altura já havia atravessado uma experiência impactante: no dia 7 de setembro de 1984, o chefe da antiga Inquisição, hoje chamada de Congregação para a Doutrina da Fé, o colocou no mesmo assento que ocuparam o teólogo Giordano Bruno e o astrônomo Galileu Galilei.

Por Martín Granovsky, Página 12





montagem redação Vermelho

O inquisidor era o cardeal Joseph Ratzinger, então braço direito doutrinário de João Paulo II e depois Papa a partir de 2005 até a última quinta-feira (28). O interrogado era o brasileiro Leonardo Boff.

Boff não foi queimado vivo como Giordano nem foi obrigado a pedir perdão como Galileu. Mas, em 1985, Raztinger o condenou ao silêncio e, desde então, as hierarquias eclesiásticas dificultaram cada vez mais a chance de expressar suas ideias com liberdade. Depois de Igreja, Carisma e Poder, o livro que o levou diante de Ratzinger, cada novo trabalho encontrava obstáculos para sua publicação em editoriais ou revistas obrigadas a pedir permissão às autoridades da Igreja católica.

Nos últimos dias, durante o debate sobre o futuro da Igreja em função do impacto da renúncia do Papa, Boff recordou em seu blog (http://leonardoboff.com ) que ele foi “colocado na mesma banqueta de Giordano e Galileu”. Ler essa frase provoca uma perplexidade: Foi, realmente, o mesmo banco? Era possível que a mensagem da Santa Sé para demonstrar autoridade fosse transmitida com uma nitidez tão crua? O Página/12 decidiu fazer essas perguntas diretamente a Boff.

Esta foi sua resposta, enviada por email: “Fui julgado no prédio que fica à esquerda da grande praça para quem vai na direção da basílica (de São Pedro). Há séculos que é a sede da Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício e ex-Inquisição. É um edifício grande, escuro, com três pisos ou mais. Teve um processo doutrinário com todos os requisitos jurídicos. Eu me sentei onde todos os julgados pela Inquisição foram julgados. Ali sentaram Galilei Galilei, Giordano Bruno e outros. Não estou jogando com metáforas, mas sim com a realidade”.

Inquisidor e condenado se conheciam bem. O teólogo brasileiro nascido em 1938 estudou em Munique e Ratzinger, então um sacerdote de mente aberta, era conferencista. Talvez por isso ou por simples pudor – é difícil de acreditar, mas no mundo tem gente que vivem sem olhar o próprio umbigo -, Boff jamais deixou de criticar Bento XVI por suas ideias e atos, mas nunca travou esse debate em termos pessoais. E uma vez, há três anos, chegou a ser até profético.

Boff falou à revista IstoÉ, em 28 de maio de 2010, segundo pode se ler: “O Papa, para seu próprio bem e da Igreja, deveria renunciar. Devemos exercer a compaixão. É um homem doente, velho, com problemas próprios da idade e com dificuldades para a administração, porque é mais professor do que pastor. Por esse motivo faria bem em ir para um convento rezar sua missa em latim, cantar seu canto gregoriano que tanto aprecia, rezar pela humanidade que sofre, especialmente pelas vítimas da pedofilia, e se preparar para o grande encontro com o Senhor da Igreja e da história. E pedir misericórdia divina”.

Os dois anos que se passaram entre a opinião de Boff e o helicóptero de Ratzinger são um lapso curto para os ritmos vaticanos. O certo é que depois desse tempo, Ratzinger se converteu em Papa emérito e, em seguida, predicará em um convento.

Giordano e Galileu
Campo de Fiori é a única grande praça de Roma sem igreja. A vinte quadras do Vaticano e muito perto de Piazza Navona, pela manhã funciona um mercado. Senhoras vestidas de preto que parecem recém chegadas do campo vendem fruta, massa seca e verduras, brócolis romano, de cor verde clara e odor suave, ou brócolis siciliano, escuro e mais forte, que se come aqui. À tarde, as pizzarias e restaurantes das ruas laterais ficam cheios e, no lugar das matronas, estão os turistas de vinte e poucos anos que comem penne regate e, sobretudo, bebem cerveja como se fosse a última vez.

As senhoras da manhã e os meninos da tarde vivem sua vida alheios à estátua que está sobre o pavimento de Campo de Fiori. Mostra um monge alto e ligeiramente encurvado. O escultor Etore Ferrari deu a ele um rosto com gesto decidido e arrumou as dobras da batina de modo que elas parecem seguir se movendo. Abaixo, uma frase em italiano: “A Bruno – Secolo da lui divinato, qui dove il rogo arse”. A tradução: “O século que ele adivinhou (está) aqui, onde o fogo ardia”.

Em 1600, o napolitano de 52 anos que havia sido frei dominicano foi queimado pela ordem da Santa e Geral Inquisição no mesmo lugar onde hoje está a estátua. O queimaram vivo por heresia. “Tremeis mais vós ao anunciar esta sentença do que eu ao recebê-la”, disse um pouco antes de morrer. Entre outras ideias sustentou a centralidade do sol, como Copérnico, e desafiou a centralidade do papa. Jamais, nos 413 anos que se seguiram à sua execução, a hierarquia da Igreja pediu perdão ou voltou a incluí-lo de alguma maneira em seu seio.

A instalação da estátua foi ela mesma uma grande batalha no século XIX. Promovida por personalidades de toda a Europa, desde Vitor Hugo até Mikhail Bakunin, a homenagem a Giordano Bruno só se configurou no monumento de Campo de Fiori em junho de 1889. E o Papa de então, Leão XIII, inclusive ameaçou afastar-se ostensivamente de Roma neste dia. Só se absteve de fazê-lo quando o governo italiano o advertiu que se deixasse a cidade era melhor que não voltasse.

Trezentos anos antes dessa polêmica, na Inquisição, o julgamento foi conduzido pessoalmente pelo cardeal Roberto Belarmino, o mesmo que obrigou Galileu Galileu a se retratar do heliocentrismo em 1616 para não acabar torturado e incinerado como Bruno.

O pontífice, sumo
Belarmino não era um simples chefe de torturadores, mas sim um teórico fino e um sutil funcionário da Santa Sé. Em seu Tratado sobre o poder dos sumos pontífices nos assuntos temporais, de 1610, disse que o papa pode se opor a quem politicamente possa colocar em perigo a cristandade. E meio à crise da Igreja e ao nascimento da Reforma protestante, Belarmino atualizou assim a doutrina do papa Gregório VII que, em 1075, deu o grande giro na construção da Igreja como monarquia absoluta quando estabeleceu que ao pontífice “é lícito depor os imperadores”, que tem o direito exclusivo de depor ou recolocar bispos e que “pode eximir os súditos da fidelidade até aos príncipes iníquos”.

O investigador Jean Touchard escreveu em seu livro clássico, “História das ideias políticas”, que “o movimento iniciado por Gregório VII é irreversível”. E explicou: “A centralização romana e a refundação administrativa (com a organização da Cúria, que é seu principal elemento) farão do bispo de Roma o Soberano Pontífice, dignidade ou autoridade que os papas dos séculos precedentes nunca conseguiram assegurar de forma duradoura”.

Depois que Boff se sentou pela última vez no assentou de Giordano e Galileu, a Congregação para a Doutrina da Fé seguiu trabalhando, até que um ano depois pediu que ele ficasse em silêncio. A notificação dos inquisidores a Boff está disponível na internet e pode ser consultado neste endereço: http://bit.ly/YEk3j0 .

Vale a pena o esforço de ler alguns parágrafos inteiros, onde uma visão teológica aparece como um modo de respaldar a construção do poder supremo do Vaticano desde Gregório VII e Belarmino até o último período de João Paulo II (papa que teve Ratzinger como inquisidor) e Bento XVI. Boff, ao contrário, teria cometido o pecado de cair em “uma concepção relativizante da Igreja”, a partir das “críticas radicais dirigidas à estrutura hierárquica da Igreja Católica”. Os parágrafos:

“A única fé do Evangelho cria e edifica, através dos séculos, a Igreja Católica, que permanece una na diversidade dos tempos, diferentemente das situações que caracterizam as múltiplas igrejas particulares.”

“A Igreja universal se realiza e vive nas Igrejas particulares e estas são Igreja, permanecendo precisamente como expressões e atualizações da Igreja universal em um determinado tempo e lugar. Assim, com o crescimento e progresso das Igrejas particulares cresce e progride a Igreja universal; enquanto que, com a atenuação da unidade, diminuiria e faria decair também a Igreja particular”.

“Por isso, a verdadeira reflexão teológica nunca deve se contentar somente em interpretar e animar a realidade de uma Igreja particular, mas sim deve tratar de penetrar os conteúdos do sagrado depósito da Palavra de Deus, confiado à Igreja e autenticamente interpretado pelo Magistério”.

“A práxis e as experiências, que surgem sempre de uma situação histórica determinada e limitada, ajudam o teólogo e obrigam a tornar acessível o Evangelho a seu tempo. No entanto, a práxis não substitui a verdade nem a produz, mas sim está a serviço da verdade que nos foi entregue pelo Senhor”.

“L. Boff se situa, segundo suas palavras, dentro de uma orientação na qual se afirma ‘que a Igreja como instituição não estava no pensamento no Jesus histórico, mas sim que surgiu como evolução posterior à ressurreição, especialmente com o progressivo processo de desescatologização’”.

“(p. 129) Por conseguinte, a hierarquia é, para ele, “um resultado da terrena necessidade de se institucionalizar”, “uma mundanização” ao “estilo romano e feudal” (p.70). Daí se deriva a necessidade de uma ‘mudança permanente da Igreja (p. 112); hoje deve surgir uma “Igreja nova” (p. 110 e seguintes), que será “uma nova encarnação das instituições eclesiais na sociedade, cujo poder será simples função de serviço” (p. 111).

“Não resta dúvida de que o Povo de Deus participa na missão profética de Cristo (cf. LG 12); Cristo realiza sua missão profética não só por meio da hierarquia, mas também por meio dos laicos (cf. LG 35). Mas é igualmente claro que a denúncia profética na Igreja, para ser legítima, deve estar sempre ao serviço da edificação da própria Igreja. Não só deve aceitar a hierarquia e as instituições, mas também cooperar positivamente para a consolidação de sua comunhão interna; além disso, o critério supremo para julgar não só seu exercício ordenado, mas também sua autenticidade, pertence à hierarquia (cf. LG 12).”

LG é Lumen Gentium, Luz dos Povos, uma das constituições emanadas do Concílio Vaticano II, que se reuniu entre 1962 e 1965 e atualizou a Igreja, Ratzinger foi um de seus secretários. Boff relacionou o Concílio com a Teologia da Libertação que, nos anos 60, foi abraçada por muitos sacerdotes, religiosos e laicos no mundo e na América Latina. Segundo consta na notificação da Congregação para a Doutrina da Fé, na sessão de 1984, com Boff, Ratzinger foi assistido por um argentino, Jorge Mejía, que havia sido diretor da revista católica argentina Criterio.

A era do gelo
Em 1992, quando deixou a batina porque sentiu que estava se chocando, segundo suas palavras, “contra uma muralha”, Boff disse que “a forma atual de organização da Igreja (que nem sempre foi a mesma na história)” cria e reproduz desigualdades”.

Quando a Congregação o citou, Boff buscou e obteve a cobertura pastoral de dois cardeais, o arcebispo de Fortaleza, Aloisio Lorscheider, e o arcebispo de São Paulo, Paulo Evaristo Arns, ambos franciscanos e simpatizantes da doutrina de opção pelos pobres. A sanção a Boff pode ter sido também uma resposta a este grupo de bispos brasileiros. A história posterior talvez seja uma prova de que a mensagem tinha múltiplos destinatários, porque nenhum deles foi substituído por bispos da mesma linha, mas sim por conservadores.

Na quarta-feira passada, outro teólogo, o suíço Hans Kung, uma figura chave para os teólogos da libertação, escreveu no The New York Times uma coluna na qual se perguntava ser era possível uma primavera vaticana.

Kung, que foi companheiro de estudos de Ratzinger e trabalhou com ele como teólogo no Concílio há cinquenta anos, assinalou que o Vaticano pode ser comparado a outra monarquia absoluta, a Arábia Saudita, ainda que esta tenha somente duzentos anos de vida. Também mencionou três reformas de Gregório VII para conformar o “sistema romano”: um papado “centralista-absolutista”, “um clericalismo compulsivo” e “a obrigação do celibato para sacerdotes e outros membros do clero secular”.

Nem sequer o Concílio Vaticano II, segundo Kung, limitou o poder da Cúria, “o corpo de governo da Igreja”. E nos papados de João Paulo II e Bento XVI houve, além disso, “um retorno aos velhos hábitos monárquicos da Igreja”.

Apesar de que, como símbolo, o Papa tenha dialogado quatro horas com Kung em 2005, “seu pontificado esteve marcado por colapsos e más decisões”. Por exemplo, “irritou as igrejas protestantes, os judeus, os muçulmanos, os índios da América Latina, as mulheres, os teólogos reformistas e os católicos partidários de uma reforma”. E reconheceu a Sociedade de São Pio X, dos seguidores do arcebispo ultraconservador Marcel Lefebvre, do mesmo modo que fez com o bispo Richard Williamson, um negador do Holocausto. Para não falar dos abusos de crianças e jovens por parte de clérigos que o Papa encobriu quando era o cardeal Joseph Ratzinger. Ou dos fatos relevados nos Vatileaks, com “intrigas, lutas pelo poder, corrupção e deslizes sexuais na Cúria, que parecem ser a razão principal da renúncia de Bento”.

Kung escreveu que “nesta situação dramática, a Igreja necessita de um Papa que não vida intelectualmente na Idade Média, que não encabece nenhum tipo de teologia, constituição da Igreja e liturgia medievais”. O papa necessário deveria voltar à democracia seguindo “o modelo do cristianismo primitivo”.

O exemplo alemão reflete algumas tensões. “Uma pesquisa recente mostra que 85% dos católicos da Alemanha está a favor de que os sacerdotes possam se casar, 79% apoiam que os divorciados possam voltar a ser casar e 75% apoia a ordenação de mulheres”, aponta Kung. Depois de se perguntar se a Igreja será capaz de convocar um novo concílio reformista ou uma assembleia de bispos, sacerdotes e laicos, Kung apresenta sua conclusão: “Se o próximo conclave eleger um papa que siga o mesmo velho caminho, a Igreja nunca experimentará uma nova primavera, mas sim cairá em uma nova era do gelo e correrá o perigo de ficar reduzida a uma seita crescentemente irrelevante”.

Neste caso, o assento de Giordano, Galileu e Boff será um vestígio tão ou mais forte que o trono de Pedro.

(Título original "Quando a inquisição colocou Boff no mesmo assento de Giordano Bruno e Galileu" alterado por redação Vermelho; tradução: Marco Aurélio Weissheimer)

quarta-feira, 31 de março de 2010

A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos

Click here to find 
out more!
 Monumento a João Paulo II - Foto Gaspar de Jesus no Blog Arte Fotográfica

Análise

A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos

Público - 27.03.2010 - 21:03 Por António Marujo

A Igreja Católica atravessa a mais profunda crise do último século. Para encontrar algo de dimensão semelhante, devemos recuar até ao início do século XX, com o anti-modernismo do Papa Pio X. Ou antes, a 1870 e ao Concílio Vaticano I, com o dogma da infalibilidade papal, o cisma dos velho-católicos e o fim dos Estados Pontifícios. Há uma diferença: esta crise atinge um catolicismo universal, ao contrário do de há um século, quando ainda era uma realidade pouco mais que europeia.
Será um Papa ferido o que vem a Portugal 
Será um Papa ferido o que vem a Portugal (Tony Gentile/Reuters)
Há várias questões à volta deste tema que, de repente, coloca um Papa académico perante um dos mais graves problemas pastorais da Igreja. Será ele capaz de afrontar o problema com a coragem necessária?

Ratzinger é um teólogo notável no diálogo cultural, mesmo com filósofos não-crentes como Jürgen Habermas ou Paolo Flores d’Arcais (como se pode perceber em Existe Deus?, editado na Pedra Angular). Eleito para um pontificado de transição, cuja marca seria afirmar a importância do facto cristão no diálogo multicultural contemporâneo, Bento XVI tem o desafio de “limpar a Igreja” da sua sujidade, como ele próprio afirmou na Via-Sacra de Sexta-Feira Santa de 2005, poucos dias antes da morte de João Paulo II.

1. Esta crise, como diz o étimo da palavra, pode ser uma oportunidade de mudança. A começar pela relação entre catolicismo e sexualidade – que o teólogo Hans Küng definiu como uma “relação crispada”. Não para dizer que o celibato é a causa da pedofilia. O celibato como opção voluntária pode ser dedicação extraordinária a uma comunidade. Como disciplina obrigatória (com excepções nas Igrejas Católicas orientais ligadas a Roma e, agora, com os anglicanos que decidiram aderir ao catolicismo), poderá ser revisto.

É certo que a esmagadora maioria de casos de abusos acontece com pais e familiares próximos das crianças. Como escrevia o Papa na carta aos católicos irlandeses, a pedofilia não é um problema que se restringe aquele país nem à Igreja Católica. Bem pelo contrário. Mas encarar a questão da sexualidade significa afrontar, desde logo, a formação nos seminários, tantas vezes castradora de afectos. E que é uma das causas profundas da pedofilia entre membros do clero.

A Igreja tem, na sua base bíblica e evangélica, uma fonte harmónica e integral que séculos de moralismo esconderam. Ao contrário do que diz Saramago, a Bíblia não é um manual de maus costumes. Mas, ao contrário do que pensam e dizem muitos católicos, ela tão pouco é um manual de bons costumes. A Bíblia é sobretudo uma proposta de relação – do ser humano com Deus e entre os seres humanos como imagem de Deus.

Aqui reside uma primeira dificuldade no exercício que a Igreja terá de fazer: muitos responsáveis católicos insistem numa abordagem dualista, legalista e pecaminosa (numa perspectiva greco-romana) da sexualidade. E que tem sido geradora de hipocrisias.

2. A crispada relação com a sexualidade reflecte-se também no modo como a doutrina católica olha a contracepção – e o preservativo, nomeadamente. Há quatro décadas, a encíclica Humanae Vitae interditou os métodos “artificiais” de planeamento familiar, apenas porque alguns cardeais da Cúria Romana não aceitavam a mudança doutrinal proposta por uma vasta comissão de médicos, teólogos e casais.

Se o Papa Paulo VI (que encarava a possibilidade de mudar a posição oficial) não tivesse cedido à pressão da Cúria, o preservativo não seria hoje um tabu doutrinal (mesmo se distribuído aos milhares por freiras e padres comprometidos na luta contra a sida, por exemplo). E o catolicismo das últimas décadas teria sido bem diferente.

Esta relação difícil do catolicismo oficial com a sexualidade tem manifestações visíveis como os abusos sexuais cometidos por padres sobre religiosas, em África, conhecidos há uma década; ou o padre mexicano Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, de quem se sabe que teve filhos de várias mulheres às quais ocultava a sua identidade, foi pedófilo, incestuoso e toxicodependente.

A instituição por ele fundada é exemplo dos grupos católicos que hoje, na Igreja, insistem na perspectiva moralista e para os quais a vida só importa quando se fala de aborto, preservativo ou homossexualidade.

Não é de estranhar que mais se condene quem mais moralismo apregoa e acaba por ter tantos pecados (ou crimes) no seu interior. Com uma agravante: as pessoas que confiavam os seus filhos a responsáveis da Igreja eram, em grande parte, membros da própria comunidade cristã. Para elas, o sentimento de terem sido traídas por aqueles em quem confiavam é esmagador.

3. A acusação de encobrimento atinge agora o próprio Papa. Na carta que escreveu aos irlandeses, há oito dias, Bento XVI acusa vários bispos de terem falhado “por vezes gravemente”. Seria estranho que o Papa tivesse escrito o que escreveu, se tivesse telhados de vidro. De outra forma, estaria agora sob escrutínio e sem autoridade perante os seus “irmãos bispos”.

Pode haver aqui duas coisas diferentes. Como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), Joseph Ratzinger conhecia, obviamente, vários casos. Mas pode ser forçado dizer que os encobriu. O mais emblemático, noticiado pelo “New York Times” esta semana, revela que nem os poderes públicos agiram sobre o padre que abusou de 200 crianças – tal como aconteceu na Irlanda. E que Ratzinger só conheceu duas décadas depois dos factos.

O célebre documento de 1962 (que Ratzinger, então um padre com 35 anos, não escreveu, ao contrário do que muita ignorância afirma por aí), que defendia o secretismo, foi depois substituído em 2001, não para prosseguir a mesma orientação, mas para dar um passo em frente: o de obrigar os bispos a comunicar os casos de pedofilia ao Vaticano. Só nessa ocasião Ratzinger e a CDF passam a tomar conta destes casos, quando a questão já era um escândalo nos Estados Unidos (dois anos depois, João Paulo II chamaria vários bispos dos EUA para enfrentar a crise, pela primeira vez, de forma dramática). Só o total esclarecimento do papel do Papa em cada caso poderá aclarar de vez a sua quota-parte de responsabilidade – isso mesmo já foi pedido há dias pelo “National Catholic Repórter”.

4. O encobrimento e a tolerância social da pedofilia era a atitude normal até há três ou quatro décadas – o caso Polanski reapareceu a recordá-lo.

Durante séculos, a Igreja Católica entendeu-se como sociedade perfeita, sem necessidade de instâncias civis: tinha os seus tribunais, as suas penas, chegou a ter as suas prisões.

Também sabemos que a comunicação social é mais severa com a Igreja Católica do que com outros. E desproporcional: dá-se sempre mais dimensão aos escândalos do que aos caminhos de solução ou aos resultados, omite-se que o fenómeno atinge uma pequeníssima minoria do clero (embora bastasse um caso para que fosse grave). Sabe-se que os números aparecidos na Alemanha nas últimas semanas são resultado do trabalho iniciado pela Conferência Episcopal quando surgiram os casos nos Estados Unidos – mas isto também quase não é dito.

Mas desde 1990 há uma avalanche de casos. O que se passou na Irlanda, que durou até há poucos anos, mostra que não se atalhou o problema logo que ele começou. Em 1993, os bispos do Canadá publicaram um extenso documento com uma reflexão profunda sobre o tema e propostas de solução – que tiveram sucesso. O caminho deveria ter sido seguido em outros países.

Por isso não se entende a lamentável e infeliz declaração do cardeal Saraiva Martins: a Igreja é pela “tolerância zero”, mas não lava a “roupa suja” em público. Há mais de 60 anos, o Papa Pio XII dizia que a opinião pública é “vital” para a Igreja. Entenda-se, portanto, que a lavagem de “roupa suja” em público mais não é que uma desafortunada expressão para referir o debate interno, que está na matriz genética do cristianismo. E foi pela falta de tolerância zero que se chegou aqui.

5. A mês e meio da viagem de Bento XVI a Portugal, percebe-se que a crise continuará a revelar mais casos. Como em todas as histórias, percebe-se que também há interessados em atingir a credibilidade da Igreja. Mas esta tem que ser a primeira a reflectir o porquê dessa aversão e a procurar razões no seu interior – uma atitude própria desta Semana Santa que os cristãos hoje começam a viver. O cerco à volta de Ratzinger também continuará. Será, por isso, um Papa ferido aquele que virá a Portugal. Talvez rodeado por grupos interessados prioritariamente em defender a instituição dos “ataques” – já correm textos nesse sentido na Internet, em blogues, em mails…

Convém não esquecer que foi a preocupação pela defesa da honra da instituição que levou ao actual estado de coisas. Só uma atitude purificadora e aberta à mudança permitirá à Igreja recuperar a credibilidade perdida nesta crise. Os cristãos chamam a esse acontecimento ressurreição. E celebram-na no próximo domingo.
 

URL desta Notícia

http://publico.pt/1429760

Comentário + votado

A IDOLATRIA E PEDÓFILIA RELIGIOSA É BEIJO DE JUDAS

FÁTIMA FAZ PARTE DO IMAGINÁRIO HUMANO RELIGIOSO DOUTRINÁRIO CULTURAL, ...

Comentários 1 a 10 de 40

  1. Nome , CIDADE DU BOCAGE. 30.03.2010 21:51

    A IDOLATRIA E PEDÓFILIA RELIGIOSA É BEIJO DE JUDAS

    FÁTIMA FAZ PARTE DO IMAGINÁRIO HUMANO RELIGIOSO DOUTRINÁRIO CULTURAL, DOGMÁTICO, IDÓLATRA, INQUISIDOR PAPAL TRADICIONAL, DA CONSCIÊNCIA E INTELIGÊNCIA INTELECTUAL E ESPÍRITUAL, QUE NÃO DÁ CERTO EM PORTUGAL, DAÍ TODA A TRAGÉDIA HISTÓRICA NACIONAL DE ATRAZO E ILECTERACIA INTELECTUAL E ESPÍRITUAL EM PORTUGAL, A IGNORÂNCIA BÍBLICA E RFELIGIOSA SOCIAL, DO CATACISMO ROMANO IDÓLATRA PAPAL, DE ALIENAÇÃO E MANIPULAÇÃO RELIGIOSA SOCIAL ACTUAL, COMO EMBUSTE, EMBRUTECIDO E IMPOSTOR PAPAL QUEREMOS A VERDADE BÍBLICA SEM O DOGMA IDÓLATRA PAPAL, O CRISTIANISMO BÍBLICO APOSTÓLICO, COMO DOUTRINA CRISTÂ ESPÍRITUAL. QUEREMOS A CRUZ VAZIA NA IGREJA, COMO A NOSSA PÁSCOA ESPÍRITUAL ACTUAL, PELA RESSURREIÇÃO DE JESUS, PAZ PARA O MUNDO, TOLERÂNCIA, E AMÔR FRATERNAL, SEM O DOGMA PAPAL...É NECESSÁRIO CONHECER A HISTÓRIA BÍBLICA E O INICIO DA DINASTIA DOGMÁTICA E IDÓLATRA DO CATOLOCISMO E CATECISMO ROMANO PAPAL, NA HISTÓRIA DEPORTUGAL;ACTUAL
  2. RAVIREI , SOL. 30.03.2010 16:07

    Salvar as reservas morais!

    A Igreja tem uma História de resistência imensa aos ataques que lhe são dirigidos. Sempre vimos a Igreja resistindo! Porém, não será por ataques que a Igreja cairá! A Igreja cairá pelo abandono,... e isso já está a acontecer. E o abandono da Igreja irá aumentando á medida que as reservas morais da humanidade forem despertando!
  3. ANTONIO , RIO TINTO. 30.03.2010 14:15

    A Pedofilia na IGREJA

    A Pedófilia vai continuar na Igreja. ..Acabará, quando forem autorizados a casar. Quando se vai para padre, por princípio não se gosta de mulheres...Está tudo dito nesta frase. Acabará quando só aceitarem para padres, quem realmente gosta de ""mulheres". Versus casamento. Só com o casamento é que se poderá banir em parte, a podridão Milenar...Sem medos.O Padre é um ser carna,l como qualquer um de nós. Por isso precisa de casamento, e constituir família. Só assim se banirá, em parte a nossa desconfiança.
  4. Emídio Cardoso , Vile. 30.03.2010 13:55

    A realidade da Igreja...

    Uma vez máis a Igreja Católica esta em crise.Ora para todos aqueles que mais ou menos conhecem um pouco da história da Igreja católica,isto nao é surpresa para ninguêm.A Igreja Católica sempre esteve rodeada de escandalos,provocados,pelos defeitos humanos dos seus, dirigentes,ditos ministros.Como é que se pode pregar uma moral e esconder realidades mundanas...totalmente ofensivas a essa moral?As eleiçoes dos papas sempre estiveram marcadas pelos desmedidos interesses pessoais dos candidatos.Pois esses cardeais,pessoas curtidas deveriam mostrar,outros sentimentos,a Deus e aos seus semelhantes.Nao pretendo salientar os escandalos sexuais,nos quais estiveram envolvidos;papas,bispos e padres...pois que o sexo faz parte dos seres vivos e negar-lo é um atentado á criaçao divina.O grande Cisma do ocidente...A Inquisiçao...Alexandre VI...Martinho Lutero...etc.A Igreja Católica sempre tentou tapar o Sol com a peneira,em favor dos seus interesses mundanos,de uma sociedade corrúpta.Nos nossos dias,a sociedade tornou-se materialista,em parte devido a este regabofe histórico desta organizaçao.Porquê esta organizaçao se afastou completamente dos ensinamentos de JESUS?O que é JESUS para a Igreja ...
  5. Albino , Portugal. 30.03.2010 13:01

    Coitadinhos

    Quer dizer, o Papa não presta, e os que dizem tal coisa querem provar que eles próprios é que são bons ?
  6. Nome , Localidade, País. 30.03.2010 12:57

    Título

    Texto
  7. Eduardo Bulhões , Localidade, País. 30.03.2010 12:43

    Até que enfim um texto equlibrado

    Finalmente li um texto que demonstra percepção. Sem dúvida é uma crise, mas a Igreja é essencialmente uma sobrevivente de crises. Desde a quinta feira Santa, quando os apostolos fugiram no Horto, a Igreja já vive em crises.
  8. Mário Santos Lopes , Bombarral. 30.03.2010 11:55

    Os cardeais não gostam do Ratzinger! Porquê será?

    Antigamente - eu lembro-me bem - quando terminava um concílio para eleger um Papa, saiam todos com caras de grande alegria, e fazia-se festa gritando "habemus papa"! No entanto, há pouco, quando foi eleito este último, este Ratzinger, todos saíram de caras muito sérias, sem manifestar nenhuma alegria. Deu-nos a impressão de que os cardeais elegeram este Ratzinger mas não gostaram nada de o eleger! Porquê será?
  9. Antonio , Rio Tinto. 30.03.2010 11:34

    Este Papa não presta.

    Este Papa não presta. Não se recomenda a ninguém. Pelo menos para representar a Igreja. Não tem nada de parecido com S. Pedro. É bom para os fanáticos católicos. E, sou católico Apostólico e Romano.
  10. ATILA , Lisboa, Portugal. 30.03.2010 11:25

    Título

    A Igreja católica ainda não saiu da impunidade do período dos Bórgias. Ouvi a entrevista no programa de Miguel S.Tavares a um dos bispos portugueses mais lúcidos, D. Januário Torgal, e fiquei estarrecido, este senhor afirmou ser contra o casamento dos padres porque assim estes poderíam abusar dos seus filhos !!! e o MST tão crítico e tão opinativo que é, ficou calado! seria do choque...O Pastor Alemão, actual Papa, encobriu o violador de 200 crianças só porque, coitado, estava a morrer... A igreja sempre teve um comportamento mafioso em relação aos seus, são intocáveis para a justiça humana. Quem se lembra do caso de Monsenhor Mancirus aquando do problema com o Banco Ambrosiano o qual meteu assassinatos a boa maneira de Chicago, e o que aconteceu ? S.S. João Paulo II devolveu-a à América longe da justiça europeia....Que aconteceu no Funchal com o célebre padre Frederico, o seu patrono Bispo do Funchal protegeu-o...,etc,.etc.etc. Deu se existe deve estar corado de vergonha com os seus representantes terrenos!!!
    .
    .

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Emir Sader: Política e religião


Geral

Vermelho - 12 de Janeiro de 2010 - 14h29

.

Uma das mais importantes conquistas democráticas no mundo contemporâneo é a separação entre religião e política. Não é que não tenham nada a ver, mas as relações políticas, sociais, cívicas, não podem ser orientadas pelas opções religiosas. Os Estados democráticos são Estados laicos.

Por Emir Sader
.

Todos devemos ser iguais diante das leis, sem influência de nossas opções individuais – religiosas, sexuais, de diferenças étnicas, etc. Somos diversos nas nossas opções de vida, mas devemos ser iguais nos nossos direitos como cidadãos.
.
Os Estados religiosos – sejam islâmicos, sionistas ou outros – fazem das diferenças religiosas elementos de discriminação política. Xiitas e sunitas têm direitos distintos, conforme a tendência dominante em países islâmicos. Judeus e árabes são pessoas com direitos totalmente distin.tos em Israel. Para dar apenas alguns dos exemplos mais conhecidos.

Um Estado democrático, republicano, é um Estado laico e não religioso, nem étnico. Que não estabelece diferenças nos direitos pelas opções privadas das pessoas. Ao contrário, garante os direitos às opções privadas das pessoas. Nestas deve haver a maior liberdade, com o limite de que não deve prejudicar a liberdade dos outros de fazerem suas opções individuais e coletivas.
.
Por razões de sua religião, pessoas podem optar por não fazer aborto, por não se divorciar, por não ter relações sexuais senão para reprodução, por não se casar com pessoas do seu mesmo sexo. São opções individuais, que devem ser respeitadas, por mais que achemos equivocadas e as combatamos na luta de idéias. Mas nenhuma religião pode querer impor suas concepções aos outros – sejam de outras religiões ou humanistas.
.
A educação pública deve ser laica, respeitando as diferenças étnicas, religiosas, sexuais, de todos. Os que querem ter educação religiosa, devem tê-la em escolas religiosas, conforme o seu credo. Os recursos públicos devem ser destinados para as escolas públicas.
.
Da mesma forma a saúde pública deve atender a todos, conforme suas opções individuais, sem prejudicar os direitos dos outros.
.
A Teologia da Libertação é um importante meio de despertar consciência social nos religiosos, como alternativa à visão tradicional, que favorece a resignação (esta vida como “vale de lágrimas”, o sofrimento como via de salvação). Mas não pode tentar impor visões religiosas a toda a sociedade que, democrática, não opta por nenhuma religião. Os religiosos devem orientar seus fieis, conforme suas crenças, mas não devem tentar impor aos outros suas crenças.
.
Religião e política são coisas diferentes. A opção religiosa ou humanista é uma opção individual, da mesma forma que as identidades sexuais, as origens étnicas ou outras dessa ordem.
.
Misturar religião com política, ter Estados religiosos – Irã, Israel, Vaticano, como exemplos – desemboca em visões ditatoriais, até mesmo totalitárias. Na democracia, os direitos individuais e coletivos devem ser garantidos para todos, igualmente. Ninguém deve ter mais direitos ou ser discriminado por suas opções individuais ou coletivas, desde que não prejudique os direitos dos outros.
.
Que possamos ser diversos, desde que não prejudiquemos aos outros. Iguais, nos direitos e nas possibilidades de ser diferentes. Diferentes sim, desiguais, não.
.
Fonte: Agencia Carta Maior

.
.

  • Ditadura do Estado, ditadura da religião.

    13/01/2010 12h49 É inegável que em toda a historia, quem determina a religião predominante e o Estado, mas sabemos que ate mesmo o Estado muda suas posições, quando percebe que as massas estão tendenciosas a outras crenças. Um grande exemplo foi Roma, que ao perceber o grande crescimento do cristianismo, mudou do politeísmo para o cristianismo, como crença oficial do estado. Isso só reforça que construir um estado laico, e uma tarefa difícil.
    Anderson Lima de Moraes
    São Paulo - SP
  • para ser salvo

    13/01/2010 10h27 Se você quizer ser salvo tem que lamber o cão da igreja. Toda noite orava a DEUS senão eria castigado. Orava o pai nosso. Até que um dia resolvi prestar atenção nessa oração que diz: Perdoe nossos pecados e ai conclui que o homem é o unico produto que pede perdão ao fabricante por ser fabricado errado. que engraçado. Se isso tudo for verdade DEUS DEVE SER BURRO
    Marcos Benith Zinani
    São Paulo - SP
  • Religião e política não se misturam?

    13/01/2010 9h53 "Uma das mais importantes conquistas democráticas no mundo contemporâneo é a separação entre religião e política." Antes fosse. A conquista - que ocorreu e se mantém em alguns países - é a separação entre religião e Estado. Religião sempre teve cunho político e não há como não tê-lo. No mais, artigo bom e útil.
    Carlos Pompe
    Brasília - DF
  • Religião e política não se misturam?

    13/01/2010 9h53 "Uma das mais importantes conquistas democráticas no mundo contemporâneo é a separação entre religião e política." Antes fosse. A conquista - que ocorreu e se mantém em alguns países - é a separação entre religião e Estado. Religião sempre teve cunho político e não há como não tê-lo. No mais, artigo bom e útil.
    Carlos Pompe
    Brasília - DF
  • Estado e religião

    12/01/2010 14h54
    O PNDH3 sugere que em organizações do Estado não devem existir símbolos religiosos. Perfeito. Não é porque a maioria da população é , ou se diz, católica, que os órgãos da administração pública devem conter símbolos da religião predominante. O catolicismo no Brasil, que nos anos 60 representava algo em trono de 95% da população, hoje está em torno de 65%. A religião, por outro lado, deve ser praticada em locais apropriados, igrejas, sinagogas, mesquitas, terreiros, templos, etc.. Os órgãos da administração pública não são locais de manifestação religiosa.
    Ricardo Oliveira
    Rio de Janeiro - RJ
    .
    .