Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Primeiro de Maio, dia da luta de classes



Editorial
Vermelho
1 de Maio de 2010 - 0h00
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No dia 1 de Maio de 1886, por convocação da Federação dos Trabalhadores dos Estados Unidos e do Canadá, milhares de trabalhadores lançaram-se a uma greve geral e a manifestações de rua para lutar pela redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.

Vinte anos antes o Congresso da 1ª Internacional tinha inscrito essa bandeira em seu programa de lutas, compreendendo que a redução da jornada era condição indispensável ao êxito do esforço emancipador. As manifestações dos Estados Unidos foram ferozmente reprimidas pelas forças do capital. Espancamentos, prisões e assassinatos vitimaram centenas de pessoas, principalmente em Chicago. Oito dirigentes operários foram presos, cinco dos quais condenados à morte, dois a prisão perpétua e um a 15 anos de prisão.

Os mártires de Chicago, passaram à História como os primeiros heróis desta luta fundamental dos trabalhadores, que tem caráter libertador. Anos depois, o 1° de Maio foi internacionalizado, por decisão de um congresso socialista realizado em Paris. Pela primeira vez, em 1890, o 1° de Maio é comemorado simultaneamente em todo o mundo, transformando-se assim no Dia Internacional dos Trabalhadores.

Dia de luta, dia da luta de classes, do trabalho contra o capital. Naquela altura, já estava em plena ação o movimento operário consciente e organizado, provado em duros combates e batalhas do proletariado que crescia e se concentrava, na mesma medida em que se expandia o capitalismo. Nos principais países capitalistas surgiam e reforçavam-se os sindicatos, os partidos operários e expandia-se o movimento socialista internacional, que se orientava pelas ideias libertadoras e científicas do Manifesto Comunista de 1848, redigido por Marx e Engels.

A partir da Revolução Socialista na velha Rússia em 1917, as comemorações do 1° de Maio celebravam igualmente o exercício do poder político pelos trabalhadores e eram momentos de luta e também de reflexão sobre o alcance estratégico das lutas da classe dos explorados e oprimidos e dos seus partidos por uma nova sociedade, organizada a partir da emancipação dos trabalhadores e do exercício do poder político por estes.

A vigência do sistema econômico e político do imperialismo introduziu questões novas na luta dos trabalhadores – a luta econômica e social, além de entrelaçar-se com a luta política por um novo poder, socialista, ganhou novos contornos com os combates antiimperialistas, pela paz e pela libertação nacional e social dos povos e nações oprimidos pelo poder dos monopólios e potentados internacionais. Estes passaram a ser também os lemas das comemorações do 1° de Maio em todo o mundo.

A burguesia e seus aliados no movimento operário, ajudados por uma mídia mentirosa e uma indústria cultural degenerada e retrógrada, hoje tudo fazem para retirar do Primeiro de Maio sua conotação política, combativa e classista, transformando a data maior do movimento operário num feriado anódino ou num momento de conciliação com os exploradores e opressores.

Mas porque o tempo não para e a realidade é inexorável na sua tendência a contrariar as vontades daqueles que lutam contra o desenvolvimento histórico, o Primeiro de Maio, apesar de tudo, continua sendo comemorado pelas forças do trabalho como um dia de luta. O capitalismo, enredado em insanáveis contradições, vive crises de conseqüências terríveis para os trabalhadores. Como sempre, o instinto animal dos exploradores, leva-os a atirarem sobre os ombros de quem trabalha os efeitos mais deletérios dessa crise. Mais e mais o capitalismo se revela um “sistema superado”, como assinala o Programa do PCdoB aprovado no 12° Congresso no ano passado, incapaz de assegurar justiça, progresso, desenvolvimento, independência nacional, democracia, estabilidade e paz. Nessa medida, objetivamente o socialismo vai aparecer como a solução de fundo aos olhos dos trabalhadores.

No Brasil, também foi pontilhada de lutas e atos heróicos a história das celebrações do Primeiro de Maio. Nos últimos anos, a data tem sido um momento especial para reforçar a unidade dos trabalhadores no combate por históricas reivindicações, dentre as quais sobressai a luta, mais atual do que nunca, pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, cuja conquista é um dos pressupostos para alcançar uma vida digna para os trabalhadores e impulsionar o projeto nacional de desenvolvimento, elo da luta pelo socialismo no Brasil.
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domingo, 2 de maio de 2010

Recortes & Leituras - Maio sempre actual

Recortes & Leituras
Maio sempre actual

Em diferentes momentos, o PCP destacou a importância da celebração do 1.º de Maio. Em condições muito distintas, o traço comum tem sido a intensa ligação das origens aos objectivos da luta dos trabalhadores na actualidade. Aqui deixamos apenas alguns exemplos, separados por décadas e unidos na intervenção presente.

Nem com a morte

(...) «As grandes manifestações do 1.º de Maio sempre mobilizaram a actividade do nosso Partido e as concentrações que se conseguiram na luta contra o regime fascista, tanto nas grandes cidades como noutras localidades do País, demonstraram a consciencialização das classes trabalhadoras, que nunca se vergaram perante a repressão.»
(...) «Todas as manifestações do 1.º de Maio no nosso país se deveram, única e exclusivamente, à mobilização feita pela vanguarda revolucionária das classes trabalhadoras. Eram as pinturas nas paredes, as distribuições de panfletos pelas ruas e transportes públicos, toda uma campanha de agitação a preparar a grande jornada de luta das massas trabalhadoras.
Mas também aqui o trabalho não se fazia sem sacrifícios. Muitos camaradas nossos foram presos durante as campanhas de agitação. Outros foram mortos quando participavam nas manifestações contra o regime fascista, o qual não hesitava perante todos os meios para tentar calar a voz dos trabalhadores. Foi o que sucedeu durante as grandiosas manifestações do 1.º de Maio de 1962» (...).
«Em Aljustrel, quando se realizava um grande comício para comemorar o 1.º de Maio, as forças repressivas intervieram e prenderam dois operários que falavam aos seus camaradas e, como se desencadeasse um movimento de protesto, por parte dos trabalhadores, que se recusaram a admitir as prisões, as forças repressivas dispararam sobre os trabalhadores, matando os mineiros António Adângio e Francisco Madeira e ferindo mais quatro trabalhadores, entre os quais uma mulher. Nesse mesmo dia, em Lisboa, que se encontrava coalhada de manifestantes, desde o princípio da tarde, os assassinos da PIDE não hesitaram em matar cobardemente o operário Estêvão Giro.» (...)

«Nem com a morte o fascismo impediu a luta do 1.º de Maio» era o título de uma peça publicada no Avante! de 1 de Maio de 1975, em duas páginas dedicadas a tratar «O 1.º de Maio na luta do povo e do PCP durante os anos da ditadura fascista»


República sem melhorias

(...) «Em 1910 é proclamada a República.
As acções grevistas multiplicaram-se e muitas delas terminam com significativas vitórias. O governo republicano fixa novas leis que consagram a redução do horário de trabalho. As comemorações do 1.º de Maio vão-se transformando fundamentalmente em jornadas de protesto e de luta.
Na verdade, com a instauração da República, o movimento operário no nosso país não passou a contar com menores dificuldades para as suas reivindicações. Em 1911, é desencadeada uma forte repressão contra os operários de Setúbal; em 1912, é declarado o estado de sítio em Lisboa, é encerrada a Casa Sindical e são presos centenas de trabalhadores; em 1913, é proibido o cortejo comemorativo do 1.º de Maio.
Nos anos seguintes, esta situação de confronto mantém-se e chega mesmo a agudizar-se no período da I Grande Guerra.» (...)

Excerto do artigo «O Centenário do 1.º de Maio», publicado n' O Militante, em Abril de 1986


Ofensiva desvirtuadora

«Desde o momento em que o congresso fundador da II Internacional proclamou o 1.º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador que se desencadeou a ofensiva do grande capital contra essa jornada de luta. Através da proibição na lei da organização e da acção dos trabalhadores, da repressão policial e militar, da provocação e do divisionismo. E, igualmente, através da ofensiva ideológica, procurando diluir e desvirtuar os objectivos de combate que são parte integrante do 1.º de Maio.
A celebração do 1º de Maio antes de esse dia ser conquistado como dia feriado em muitos países (em Portugal essa consagração tardou 85 anos) teve sempre o significado de uma paralisação geral do trabalho. É um dia de convergência das lutas dos trabalhadores, e é nessa luta que reside a sua força e o seu significado fundamental. Por isso o patronato, com a ajuda do sindicalismo conciliador, procurou diluir esse aspecto essencial desta jornada, tornando-a - onde não podia reprimi-la - em jornada “de descanso” e de “recreação” e, como foi tentado em diversas ocasiões, remetida para o domingo seguinte, para a separar da paralisação do trabalho.
Outro elemento de desvirtuação consiste na tentativa de “despolitizar” as lutas e as reivindicações dos trabalhadores e, portanto, o 1.º de Maio. No “Manifesto”, Marx e Engels sublinham o essencial: toda a luta de classes é uma luta política. Se os trabalhadores que se deixassem embalar pelas tentativas de “despolitização” da sua luta estariam a aceitar entrar desarmados num combate em que o adversário trava uma luta política de vida ou de morte: a da vida ou da morte de um sistema que tem no seu cerne a exploração implacável do trabalho. O Portugal de Abril que tem uma das suas mais sólidas raízes no 1.º de Maio revolucionário de 1974, tem aí o testemunho inesquecível de que o 1.º de Maio é sempre, necessariamente, luta e acção política.
Outro elemento de desvirtuação consiste na sobrevalorização dos aspectos comemorativos e festivos do 1º de Maio e na diluição das suas reivindicações fundamentais, que são as do trabalho, num conjunto de reivindicações “transversais” e desprovidas de sentido de classe.»

Excerto de «A ofensiva ideológica contra o 1.º de Maio», um dos capítulos que constituem o dossier publicado esta semana no sítio do PCP na Internet


Dia da consolidação

(...) «O 1.º de Maio de 1974 é um 1.º de Maio de características muito particulares na luta pela consolidação do regime democrático em Portugal.
É preciso não esquecer que o Spínola tentava abafar tudo aquilo que fosse movimento popular, que ele se esforçava por impedir que as massas populares viessem para a rua, que participassem com os militares, nesses primeiros dias, na consolidação do 25 de Abril, e havia muitas coisas que indicavam que o Spínola não estava nada interessado em abrir para uma grande manifestação no 1.º de Maio.»
(...) «Nesses dias foi feita uma grande discussão na Cooperativa Esteiros, aqui na Rua Braancamp, era o quartel-general do movimento operário nessa altura - do Partido, do MDP, da Intersindical, toda a gente reunia ali na Esteiros. E posso dizer que foi uma luta difícil, porque havia tendências, no próprio movimento sindical, de fazer do 1.º de Maio uma acção estritamente operária e sindical. E teve de travar-se uma batalha, que foi uma batalha até ao último minuto, para que vencesse a outra tendência, na qual nós, os comunistas, estávamos interessados, de fazer do 1.º de Maio uma grande jornada política, com a participação dos partidos políticos.» (...)

Afirmações de António Dias Lourenço, director do órgão central do PCP e membro da Comissão Política do Partido, na mesa-redonda «A experiência vivida na primeira linha do combate», publicada no Avante! de 30 de Abril de 1986, e em que também participaram Álvaro Rana, Carlos Fraião, Vítor Ranita e Vítor de Sá
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Nº 1900 - Avante
29.Abril.2010
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Significado e dimensão históricos do 1.º de Maio e a luta dos trabalhadores na actualidade

Intervenção de José Ernesto Cartaxo, Casa do Alentejo, Lisboa, 

120 anos do 1º de Maio

Significado e dimensão históricos do 1.º de Maio e a luta dos trabalhadores na actualidade

 A história do movimento operário internacional está recheada de acontecimentos e datas extremamente importantes. O 1º de Maio assume, indiscutivelmente, particular relevo e o mais profundo significado histórico.

A este dia estão intimamente ligadas muitas das maiores e mais exaltantes jornadas e movimentações de luta da classe operária, que, com sofrimento, coragem e determinação, demonstrou claramente o quanto é capaz a vontade colectiva dos trabalhadores para melhorar as suas condições de vida e de trabalho, vencer injustiças e desigualdades sociais, mudar mentalidades, transformar as sociedades e pôr fim à exploração do homem pelo homem.
   
- AS ORIGENS DO 1º DE MAIO

   
   Pesem embora algumas deturpações e desvirtuamentos produzidos pelo arsenal ideológico do capital, é generalizadamente reconhecido que as origens do 1.º de Maio estão associadas aos trágicos acontecimentos que ocorreram em 1 de Maio de 1886, na cidade norte-americana de Chicago.
  
    Todavia, para se ter uma visão dialéctica do seu significado histórico, importa assinalar que, na sequência da Revolução Industrial, verificada nos finais do século XVIII, o operariado era objecto de uma intensíssima e desumana exploração, que se traduzia em imensas privações e brutalidades, sendo forçado a trabalhar 12, 14, 16 e mais horas por dia, na indústria e no comércio e, de sol a sol, na agricultura. 
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A exploração desmedida, sem qualquer tipo de escrúpulos, do trabalho infantil e do trabalho feminino era uma fonte suplementar de lucro para o empresário capitalista.
  
     Passada a revolta inicial contra as máquinas, por considerarem serem elas as causadoras dos seus sofrimentos, a classe operária, nascente, e os trabalhadores, em geral, encontram nas ideias contidas no Manifesto Comunista de Marx e Engels, publicado em 1848, as respostas sobre as verdadeiras causas que estão na origem de tão desumana e feroz exploração e sobre os caminhos a trilhar.
    As causas estavam no sistema capitalista, cujo modo de produção se baseia na apropriação privada dos meios de produção e na exploração desenfreada de quem neles trabalha, para a obtenção do máximo lucro, e o caminho apontado era a unidade, a organização e a luta. A palavra de ordem era: PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!

Animado e estimulado por estas ideias, o operariado empreende lutas constantes centradas na redução da jornada de trabalho, por melhores salários e contra a exploração, procurando pôr termo a esta desumana e intolerável situação.
 
    É assim que, em 1866, o Congresso de Genebra da 1ª Internacional estabelece como objectivo a limitação da jornada de trabalho em 8 horas como “condição indispensável ao êxito de qualquer outro esforço emancipador” e adopta, como divisão racional do tempo diário de trabalho, 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas para a cultura e a educação, que se converte em exigência iniludível para a protecção do trabalhador como ser humano. 
  
    É neste contexto que a Federação dos Trabalhadores dos Estados Unidos e do Canadá, numa conferência anual, que teve lugar em Dezembro de 1885, convoca uma greve geral para o dia 1 de Maio de 1886, pelas 8 horas. 

       No âmbito desta greve, a que aderiram muitos milhares de trabalhadores, realizaram-se diversas e grandiosas manifestações.
 
   Foi num comício de massas, realizado no dia 4 de Maio, na Praça Haymarket (Mercado do Feno), em Chicago, que foi montada uma manobra provocatória, que constou do rebentamento de uma bomba, colocada de propósito para justificar uma feroz e sangrenta repressão que se abateu sobre os manifestantes, que provocou várias mortes e centenas de feridos e levou à prisão de centenas de militantes sindicais, sendo de distinguir a de oito destacados dirigentes, mais tarde conhecidos como os “oito mártires de Chicago”, sete dos quais condenados à pena de morte e o outro a 15 anos de prisão. 
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    Mas esta heróica luta não foi em vão, porque 50.000 dos operários em greve conquistaram imediatamente o dia de 8 horas de trabalho, enquanto outros 200.000 conseguiram uma certa redução do horário de trabalho.
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        Os trágicos acontecimentos de Chicago tiveram um grande significado, não só para os operários norte-americanos, mas também para todo o proletariado mundial, tendo merecido da parte deste a mais viva solidariedade e enérgica condenação. 
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De tal modo que, em 1889, os representantes dos movimentos socialistas de diversos países se reúnem em Paris e resolvem internacionalizar o 1.º de Maio, declarando-o dia de luta do proletariado, pela jornada de oito horas, e marcando para o 1.º de Maio seguinte, 1890, manifestações simultâneas em todos os países.
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  Nascia, assim, há 120 anos, o Dia Internacional do Trabalhador e estava dado um novo e importante passo na luta do Trabalho contra o Capital. 
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- O 1.º DE MAIO EM PORTUGAL
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 Desde o primeiro ano das comemorações do 1.º de Maio, em 1890, até aos dias de hoje, passando pela monarquia, pela 1.ª República e durante a ditadura fascista, o operariado português sempre comemorou activamente o Dia Internacional do Trabalhador, em unidade e luta e com solidariedade internacionalista, reclamando junto do patronato e das autoridades portuguesas o estabelecimento das 8 horas de trabalho diário e a melhoria das suas condições de vida e de trabalho.
      
         Neste percurso histórico, os ecos da Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, chegam a Portugal e suscitam um grande entusiasmo nos trabalhadores portugueses.
  
  Em 1919, após um 1.º de Maio grandioso, é conquistada e consagrada, em Lei, a jornada das 8 horas diárias e 6 dias de trabalho por semana, ainda que só para os trabalhadores da indústria e do comércio.
        
   A 6 de Março de 1921, forma-se o Partido Comunista Português e a classe operária inicia a construção da sua vanguarda revolucionária.
         
    Na ditadura fascista - que suprimiu as liberdades fundamentais, fascizou os sindicatos e oprimiu o nosso povo durante 48 anos – o regime, desde cedo, procurou impedir as comemorações do 1.º de Maio. Em vão, porque, de acordo com a situação concreta em cada momento, o proletariado português, sob a orientação do PCP, soube sempre encontrar as formas mais apropriadas à sua comemoração, não obstante a repressão de que era alvo.
        
        As lutas do 1.º de Maio de 1962, nas quais se empenham mais de 150 mil trabalhadores agrícolas do Sul, do Ribatejo e do Alentejo, acabam por impor o reconhecimento das 8 horas de trabalho diário, pondo termo ao feudal sol a sol.

           Assinalam-se, ainda, importantes manifestações nos 1.º de Maio que se seguiram até 1973 e que, em articulação com as inúmeras lutas que se travavam ao nível das empresas e dos locais de trabalho e na frente sindical, forjaram as condições que viriam a tornar possível a vitoriosa madrugada libertadora do 25 de Abril, desencadeada pelo glorioso Movimento das Forças Armadas.
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Apenas 6 dias após a manhã da liberdade, o povo português comemorou o mais espantoso 1.ºde Maio, organizado pela Intersindical, criada em 1970. Era a alegria incontida de um povo que enterrava 48 anos de terror, de miséria, de obscurantismo. Era a consagração popular do 25 de Abril.
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         Pela primeira vez, dando satisfação a uma reivindicação da Intersindical, o 1.º de Maio era consagrado feriado nacional.
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          A arrancada do 1.º de Maio de 1974 vai dar início a uma série de conquistas que correspondem a prementes reivindicações e anseios das classes trabalhadoras e das massas populares. A determinação e a energia criadora das massas populares em movimento impulsionam a evolução do processo de democratização da vida e da sociedade portuguesa. Conseguem-se profundas transformações económicas e sociais com as nacionalizações, a reforma agrária e o controlo operário. Conquistam-se liberdades e direitos fundamentais.
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         É em 1996, na sequência da luta travada e de várias iniciativas parlamentares do PCP, nomeadamente a apresentação de um projecto de Lei, em 17 de Janeiro deste ano, que o governo de Guterres é forçado a consagrar, na lei, as 40 horas semanais com dois dias de descanso semanal.
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- A IMPORTÂNCIA E ACTUALIDADE  DA LUTA 
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 Como se comprova, ainda que de forma muito sintética, o movimento operário e sindical, através da luta, dura, difícil e perseverante que desenvolveu, escreveu algumas das páginas mais exaltantes da sua história contra a exploração capitalista, o que permitiu alcançar conquistas e avanços civilizacionais que em muito contribuíram para a melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores e das suas famílias. 
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  Contudo, o capital não dorme nem desarma. A partir de 1976, com as políticas de direita seguidas pelos sucessivos governos, a contra-revolução desencadeia-se e de novo se abate sobre os trabalhadores a exploração, a repressão e a tentativa de destruição das conquistas alcançadas.
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A prová-lo está a ofensiva neoliberal em curso de que é exemplo a postura do governo PS/Sócrates, que, ao rever para pior o já negativo Código do Trabalho do PSD/CDS, deu alento à ofensiva patronal, no sentido de o desregular e de impor como jornada de trabalho “normal” as 10, 12 ou mesmo 14 horas por dia, sem o pagamento de qualquer compensação pelo trabalho extraordinário, o que constitui um regresso ao século XIX e às condições de trabalho que estiveram na origem do 1.º de Maio e da sua internacionalização. 
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É em honra da memória dos “mártires de Chicago”e da luta de gerações e gerações de revolucionários, muitos deles com o sacrifício da própria vida, e contra a exploração capitalista que temos o dever e a obrigação de tudo fazer para que se desenvolva e intensifique a luta de massas por uma ruptura com as políticas de direita e para que as comemorações do 1.º de Maio, constituam uma imponente jornada internacionalista de unidade e luta por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sem exploradores nem explorados.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Outros Outubros virão ...


88 anos da Revolução Bolchevique: "outros Outubros virão..."
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Viva a Revolução Bolchevique!
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A Revolução Bolchevique completa em 7 de novembro (25 de outubro no antigo calendário russo) 88 anos. Revolução proletária e socialista, um exemplo da inesgotável força da aliança operária e camponesa que conquistou o poder de Estado na Rússia.
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Na escola da vida, na escola da luta, o proletariado aprendeu a exercer sua condição de classe dominante, quebrar a resistência dos opressores e constituir um novo Estado, através de formas de organização soviéticas.
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A Revolução Bolchevique é também um exemplo da justeza da teoria marxista, na sua capacidade de analisar cientificamente a realidade e ser um guia para a ação revolucionária. O Partido Comunista da Rússia (Bolchevique) e seu principal dirigente, Lênin, souberam desenvolver o marxismo analisando corretamente a guerra imperialista e a conjuntura específica da Rússia. Acreditaram e dirigiram as massas. Ousaram fazer a revolução.
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A experiência da Revolução Bolchevique e a situação atual
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Com a revolução bolchevique de outubro de 1917 o proletariado e os camponeses na Rússia chegavam ao poder através de uma insurreição do povo em armas. Fato histórico que marca uma nova época do progresso social no mundo, foi a primeira revolução popular vitoriosa a consolidar-se, revolução das massas, dos explorados, da maioria, derrotando a minoria, destituindo do poder a burguesia e seus aliados. E uma revolução de caráter socialista, que significou a construção de um Estado socialista, a ditadura do proletariado, com perspectivas de derrotar definitivamente a burguesia e o capitalismo, e construir uma nova sociedade, comunista.
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Lênin, o principal dirigente do Partido Bolchevique, afirmava na reunião do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Petrogrado, em 7 de novembro (25 de outubro):
“Camaradas! A revolução operária e camponesa, de cuja necessidade os bolcheviques sempre falaram, realizou-se. Que significado tem esta revolução operária e camponesa? Em primeiro lugar, o significado desta revolução consiste em que teremos um governo soviético, o nosso próprio órgão de poder, sem qualquer participação da burguesia. As próprias massas oprimidas criarão o poder. Será destituído de raiz o velho aparelho de Estado e será criado um novo aparelho governativo sob a forma das organizações soviéticas. Começa agora uma nova fase na história da Rússia, e a presente revolução russa, a terceira, deve em última análise conduzir à vitória do socialismo.”.
Enquanto uma revolução proletária e popular, empreendida através da participação revolucionária das massas, a revolução bolchevique contou com o heroísmo e a abnegação do povo russo. Esta impressionante combatividade dos povos que constituíram a União Soviética ficou demonstrada em todo o processo revolucionário, em 1905, em fevereiro de 1917, na primeira etapa da revolução, com a derrota do czarismo, em outubro, na revolução socialista e nos anos seguintes de guerra civil para consolidar o novo poder e enfrentar a intervenção militar e o cerco dos países capitalistas, do imperialismo mundial.
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Mas para a vitória da revolução – para a qual contribuíram uma série de acontecimentos, como a 1ª Guerra Mundial, guerra de repartilha do mundo pelos países imperialistas, que tanto agravou a miséria e a fome na Rússia, criando as condições objetivas de crise para a revolução – teve um papel decisivo, determinante, a direção imprimida pelo proletariado que uniu e liderou as massas populares, em especial os camponeses pobres, rumo à vitória. Esta direção ideológica, política, teórica e prática do proletariado foi exercida através do Partido Bolchevique, o Partido Comunista da Rússia.
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“A vitória estará do lado dos explorados”
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Ao analisar a revolução russa de outubro de 1917 é impossível não destacar a contribuição de Vladimir Ilitch Ulianov, Lênin, Secretário-geral do Partido Bolchevique e o primeiro presidente do Governo soviético, que encarnou como ninguém todo o espírito revolucionário do povo, a capacidade dos proletários e camponeses dirigirem seu próprio poder, o poder soviético, e construir uma nova sociedade. Que vislumbrou o significado histórico da revolução proletária russa como uma comprovação na prática da combatividade, criatividade e capacidade das massas populares e um estímulo formidável à revolução mundial, à luta pela libertação do jugo do capital e do imperialismo do proletariado de todos os países e dos povos das nações exploradas, dos países coloniais e semicoloniais. Lênin encerrava um curto texto - “Os que estão assustados com a falência do velho e os que lutam pelo novo”, escrito dois meses após a vitória da revolução, defendendo o duro e difícil caminho de construção do socialismo:
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“À medida que cresce a resistência da burguesia e dos seus parasitas cresce a força do proletariado e do campesinato que a ele se uniu. Os explorados fortalecer-se-ão, amadurecerão, crescerão, aprenderão, afastarão de si o ‘velho Adão’ da escravidão assalariada à medida que crescer a resistência dos seus inimigos – os exploradores. A vitória estará do lado dos explorados, porque de seu lado está a vida, do seu lado está a força do número, a força da massa, a força das fontes inesgotáveis de tudo o que é abnegado, avançado e honesto, de tudo que aspira a avançar, de tudo que desperta para a construção do novo, de toda a gigantesca reserva de energia e talentos do chamado ‘baixo povo’, os operários e camponeses. A vitória pertence-lhes.”
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Marxismo: “a análise concreta da situação concreta”
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Um outro aspecto a ser destacado na Revolução de Outubro e do mérito de Lênin, enquanto seu principal dirigente, foi a confirmação na prática da teoria científica do proletariado, o marxismo, do materialismo dialético e o materialismo histórico como guia para ação revolucionária da massas, da capacidade de analisar cientificamente a realidade, a situação concreta e transformá-la, de compreender e praticar o que sempre disseram Marx e Engels: “Nossa doutrina não é um dogma, mas um guia para a ação”.
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E este aspecto da direção de Lênin, de ser fiel aos princípios gerais do marxismo, resgatando seu caráter revolucionário e ao mesmo tempo combatendo o subjetivismo e o dogmatismo, as fórmulas imutáveis desligadas da vida, tem particular atualidade para enfrentar a “crise do socialismo”, na verdade a atual crise do movimento revolucionário mundial, assumindo o marxismo-leninismo, enriquecendo-o e desenvolvendo-o. Lênin nos dá um magnífico exemplo de como utilizar o método marxista na “Apreciação do momento”, nas suas “Cartas sobre Tática”, na Carta I, de 4 de abril de 1917, quando defende de forma original, pois a realidade é original, de que a primeira etapa da revolução, (democrático-burguesa), vitoriosa há menos de dois meses, tinha terminado e que a Rússia vivia uma fase de transição para a segunda etapa da revolução (socialista):
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“O marxismo exige de nós que tenhamos em conta do modo mais preciso e objetivamente verificável a correlação das classes e as particularidades concretas de cada momento histórico. Nós, bolcheviques, sempre nos esforçamos por ser fiéis a esta exigência, absolutamente obrigatória do ponto de vista de qualquer fundamentação científica de uma política.
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‘A nossa doutrina não é um dogma, mas um guia para a ação’, disseram sempre Marx e Engels, zombando com razão da aprendizagem de cor e a simples repetição de ‘fórmulas’, capazes, no melhor dos casos, de apontar apenas tarefas gerais, necessariamente modificáveis pela situação econômica e política concreta de cada fase particular do processo histórico.
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...as palavras de ordem e as idéias bolcheviques no geral foram plenamente confirmadas pela história, mas concretamente as coisas apresentaram-se diferentemente daquilo que podia (quem quer que seja), esperar, mais originais, mais peculiares, mais matizadas.
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Ignorar, esquecer este fato significaria igualar-se aos ‘velhos bolcheviques’ que já mais de uma vez desempenharam um triste papel na história do nosso partido, repetindo uma fórmula insensatamente aprendida de cor em vez de estudar a peculiaridade da realidade nova e viva.
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... Agora é necessário assimilar a verdade indiscutível de que um marxista deve ter em conta a vida viva, os fatos precisos da realidade, e não continuar a agarrar-se a uma teoria de ontem, que, como qualquer teoria, no melhor dos casos apenas indica o fundamental, o geral, apenas se aproxima da apreensão da complexidade da vida.”
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Análise marxista da realidade mundial e brasileira – um desafio
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Com a derrota do socialismo na União Soviética – na verdade, a derrota da direção político-ideológica que renegou as tradições revolucionárias do marxismo-leninismo, com a revisão do marxismo incorporando práticas e concepções teóricas e ideológicas da burguesia – e com a crise global do imperialismo que acirra a luta de classes no mundo, aumentando a exploração e a luta do proletariado mundial e dos povos das nações dominadas, está colocado na ordem do dia para os revolucionários retomar/desenvolver o marxismo, o marxismo-lenismo, a herança teórica e prática da Revolução Bolchevique.
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Este exemplo do Partido Bolchevique e de Lênin de apreciar a realidade a partir de uma posição de classe, proletária, de elaborar uma análise científica da realidade para guiar o proletariado e os camponeses na revolução deve inspirar a análise da atual crise mundial do imperialismo e da formação social brasileira e a construção, teórica e prática, do projeto nacional da revolução brasileira. E estimular esforços de não transformar os conceitos e termos específicos da formação social e da revolução russa e suas formas de luta, em fórmulas e rótulos desprovidos de vida, transplantados para a situação atual de forma mecânica e anti-marxista.
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Está colocado na ordem do dia este desafio, para o qual o CeCAC se propõe a dar uma contribuição. Desafio de elaborar a teoria da revolução brasileira ligada como unha e carne à força, à organização e consciência revolucionária do povo, e que certamente não se realizará num piscar de olhos.
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Analisar a realidade da luta de classes no Brasil e no mundo do ponto de vista do proletariado, compreender o estágio atual da crise do imperialismo e as estratégias que implementa para tentar contrarrestar sua crise que levam, inevitavelmente, ao aprofundamento da exploração, da miséria e da violência contra os povos dos países dominados e contra os trabalhadores dos países imperialistas. Nesse sentido, o CeCAC busca somar esforços, através de grupos de estudos sobre a teoria marxista, sobre a formação social brasileira e sobre a economia mundial, o imperialismo, e por meio da elaboração de análises de conjuntura e debates, além da divulgação de lutas populares no Brasil e no mundo.
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"Outros Outubros virão...". É urgente concentrar esforços no desafio de enfrentar a opressão, a miséria, o desemprego que se alastra no mundo e no Brasil, ou seja, enfrentar o imperialismo, o capitalismo em crise profunda que já empurrou e continua levando a humanidade para a barbárie.
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Artigo elaborado com base nos Boletins do CeCAC de outubro/novembro de 2000 e novembro de 2001.
Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
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07/novembro/2005
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O fim do Socialismo? - Henrique Rattner


O fim do Socialismo?

Novembro 8, 2009
rattnerpor Henrique Rattner*

Introdução

A queda do muro de Berlim e a derrocada do ex-império soviético propiciaram um terreno fértil para que surgisse a tese de F. Fukuyama sobre “O fim da História”, da luta de classes e das contradições entre o mercado e o Estado. Decorrida pouco mais de uma década, os vaticínios de Fukuyama e seus adeptos não deixam de ser ridículos, sobretudo à luz dos permanentes confrontos internos à imensa maioria das sociedades e as guerras travadas em todos os continentes.
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A derrota dos socialistas franceses nas eleições de abril de 2002 e a ascensão da extrema direita liderada por Le Pen têm provocado interrogações e interpretações das mais diversas na mídia e nos meios acadêmicos e políticos, afirmando alguns peremptoriamente “o fim do socialismo”.
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Efetivamente, o fenômeno Le Pen parece ser mais um elo na cadeia de expansão da extrema direita – xenófoba, racista e ultranacionalista – sobretudo, no continente europeu.
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As vitórias nas eleições francesas de Le Pen, de Silvio Berlusconi na Itália, Jorge Haider na Áustria, Pia Kjaersgaard na Dinamarca e de Pim Fortuyn na Holanda convidam para uma reflexão sobre a dinâmica dos movimentos políticos da “esquerda” e suas perspectivas nesta “era de incertezas”.
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Na ânsia de prever e predizer o futuro, os arautos da derrota “irreversível” do socialismo se baseiam em idéias genéricas para explicar casos específicos enquanto ignoram as especificidades contextuais.
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Uma análise mais correta dos fatos nos remete à dinâmica das origens e das relações históricas presentes na gênese do pensamento e dos movimentos socialistas. Longe de ter esgotado seu papel na História, o socialismo ressurge como única alternativa humanista face à irracionalidade, os desmandos e a alienação do sistema capitalista.
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Das origens: do socialismo utópico ao científico e ao “real”

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Dos escombros da Revolução Francesa e da Restauração posterior ao Congresso de Viena (1815) surgiram várias propostas e projetos visando a construção de relações sociais mais dignas e eqüitativas. Os assim chamados socialistas utópicos – Fourier, R. Owen e Saint Simon, seguidos pelo cooperativismo de Proudhon refletiram os esforços de seus protagonistas em corrigir as assimetrias sociais e as injustiças cometidas contra os trabalhadores e suas famílias no sistema industrial emergente. Em 1848 saiu publicado o livro de F. Engels sobre “A situação da classe operária na Inglaterra” e, no mesmo ano, o Manifesto Comunista de K. Marx e F. Engels conclamou os proletários de todos os países a unir seus esforços para romper as cadeias de exploração capitalista na luta pela conquista dos Direitos Humanos. As derrotas fragorosas das revoluções burguesas em 1848, na França, na Alemanha, na Áustria, Hungria, Polônia e Rússia, não conseguiram conter as pressões de milhões de trabalhadores arregimentados pelo processo de industrialização emergente.
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Na segunda metade do século XIX, a expansão do modo de produção industrial estimulou a formação de sindicatos e, posteriormente, de partidos políticos dos trabalhadores em todos os países europeus. Embora considerados base dos partidos políticos socialistas, seus lideres julgaram a ação sindical insuficiente para induzir transformações do sistema, uma discussão apaixonada e prolongada que perpassou os movimentos em todo o continente europeu, particularmente na Rússia Czarista e na Alemanha imperial.
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“Reforma ou revolução” foi o divisor de águas em todos os partidos socialistas e social democratas, sendo os defensores mais articulados da primeira opção os teóricos alemães K. Kautsky e Eduardo Bernstein e os Mencheviques, na Rússia. Os revolucionários, minoritários nos partidos, contaram entre seus porta-vozes mais brilhantes Lênin e Trotsky na Rússia e Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht (ambos assassinados em 1919) na Alemanha. Sem rejeitar a luta contínua por reformas sociais, por melhorias na situação dos trabalhadores e pela defesa das instituições democráticas, os revolucionários se orientaram por seu objetivo último – a conquista de poder político e a abolição do sistema de exploração capitalista. A luta pela reforma social seria o meio, a revolução social – o fim.
Sob a liderança da social-democracia alemã e francesa foi fundada em 1889 a Segunda Internacional Socialista (a Primeira tinha sido dissolvida em 1873, em conseqüência das intermináveis disputas entre a facção anarquista liderada por Bakunin e os grupos seguidores de Marx e Engels). Mas, apesar do crescimento numérico contínuo dos partidos filiados e sua conquista de bancadas nos respectivos parlamentos, a Segunda Internacional literalmente implodiu com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, quando os partidos socialistas votaram a favor da guerra e conclamaram a classe trabalhadora a apoiar o esforço bélico nacional. Em vez de unir-se contra o massacre que durou quatro anos ceifando dezenas de milhões de vidas, os partidos, com a honrosa exceção de Jean Jaurés, na França, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburg, na Alemanha e os Bolcheviques na Rússia entoaram discursos patrióticos em defesa dos respectivos monarcas e pátrias.
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Para manter acesa a chama do internacionalismo, reuniram se sucessivamente em duas aldeias suíças, Zimmerwald (1915) e Kienthal (1916) uma dezena de representantes das correntes revolucionárias, elaborando um manifesto que conclamava para o fim imediato das hostilidades e a instalação de governos republicanos em todos os países. A eclosão da Revolução Russa (fevereiro e outubro de 1917) e sua defesa vitoriosa contra as invasões de vários exércitos que pretendiam restaurar a monarquia pareciam inclinar a balança a favor dos movimentos revolucionários.
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Mas, as repressões sangrentas dos movimentos revolucionários na Hungria (1919) e na Alemanha, bem como a derrota das tropas soviéticas frente ao exército polonês do Marechal Pilsudski fizeram refluir a onda revolucionária e levaram ao isolamento da União Soviética. Uma das conseqüências da hostilidade do mundo capitalista e suas organizações internacionais foi a instalação da sede da Terceira Internacional Comunista em Moscou e seu total controle pelo PCUS – Partido Comunista da União Soviética e, posteriormente, pela KGB, a polícia secreta de Stalin.
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As barbaridades cometidas por esta durante a Guerra Civil espanhola (1936-39) contra militantes oposicionistas, particularmente os anarquistas e trotskistas pelas tropas e a polícia sob controle dos stalinistas; suas denúncias e a entrega de militantes comunistas opositores à Gestapo – a polícia secreta dos nazistas e finalmente, a assinatura do Pacto de não-agressão entre os ministros de Relações Exteriores da Alemanha (Ribbentrop) e da URSS (Molotov) em 1939 pareciam ter selado o destino da Terceira Internacional.
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Eliminando brutalmente os partidos e correntes oposicionistas, a “ditadura do proletariado” passou à ditadura do partido, dirigido pelo Comitê Central que, por sua vez, estava totalmente controlado pelo secretário geral o “camarada” Stalin.
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O dilema existencial causado aos militantes comunistas sobretudo na Alemanha e Europa Central em conseqüência da aliança entre Hitler e Stalin, reforçou e confirmou as criticas levantadas contra o Termidor – a decapitação da elite revolucionária de 1917, levada aos tribunais, condenada e executada nos famigerados processos de Moscou.
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Na mesma época, ocorreu o exílio forçado seguido de perseguição implacável do líder da oposição Leon Trotsky (autor de “A Revolução Traída”) até o México, onde foi assassinado a mando de Stalin, em 1940. A invasão da ex-URSS pelas nazistas em 1940 e sua aliança com as democracias ocidentais (EUA e Grã-Bretanha) na guerra contra as potências do eixo, Alemanha, Itália e Japão, abafaram as críticas e restrições contra o regime de terror e seu partido, enquanto os PCs da França e Itália, alcançaram grande votação nos anos pós-guerra.
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A reconstrução da Europa pelo Plano Marshall e a eclosão da Guerra Fria iniciaram um processo de perda de prestígio e de votos dos PCs e criaram condições para o ressurgimento dos partidos social democráticas e socialistas como representantes dos trabalhadores, nos países da Europa Ocidental, na luta por uma distribuição mais eqüitativa do produto dos “milagres econômicos”.
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O ponto culminante desta tendência foi a ascensão ao governo de W.Brandt seguido da H.Schmidt na Alemanha, de F. Mitterand na França, de M. D’Alema e R.Prodi na Itália; governos social-democráticos nos países escandinavos, na Bélgica e Holanda e, por último, a reconquista do poder das mãos da conservadora M. Thatcher pelos trabalhistas de T. Blair.
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A partir dos anos 90, com a queda do socialismo “real” no leste europeu, novamente ofereceu-se uma chance aos partidos social democratas para que cumprissem o papel histórico de apresentar uma alternativa viável aos desmandos e a irracionalidade do sistema capitalista em sua versão neoliberal.
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Acreditando na possibilidade de desenvolvimento econômico nos parâmetros da dinâmica do capital financeiro, mesmo para os países de desenvolvimento “tardio” ou o chamado “terceiro mundo”, os dirigentes dos partidos social democratas aliaram-se aos partidos de “centro direita” para assumir o governo. Para justificar suas políticas de compromissos e de abandono das reivindicações dos trabalhadores ao aderir ao receituário neoliberal do FMI, foi elaborada uma esdrúxula teoria sobre a “Terceira Via” a partir de idéias seminais de Anthony Giddens, acadêmico e guru de Tony Blair, esposada pelos principais chefes de Estado europeus, reunidos num encontro, em 1999, em Florença, Itália, e ao qual compareceram também os presidentes B. Clinton dos EUA e F.H. Cardoso do Brasil. A reunião que devia oficializar a doutrina da Terceira Via, na realidade foi o início de sua decadência, com a perda sucessiva de votos, cadeiras no Parlamento e inclusive de governos, na Áustria, no Portugal, na Itália e, mais recentemente, na França de Lionel Jospin. O eleitorado, tradicionalmente de “esquerda” que dava apoio e votos aos partidos social democratas, expressou seu descontentamento e descrédito e afastou-se das lideranças tradicionais, abstendo-se de votar e  abrindo espaço para o avanço dos partidos da “direita”, os conservadores xenófobos, racistas e ultranacionalistas.
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O cenário emergente no final do século vinte criou desafios econômicos, sociais e políticos  para os quais a social democracia, mesmo vestida de seu manto de Terceira Via, não estava preparada e capacitada de responder. Com a recessão profunda que se abateu sobre a economia norte americana cujos efeitos se propagaram como em círculos concêntricos através de todo o sistema mundial, inúmeros países “emergentes” praticamente afundaram em suas dívidas e contradições sociais internas. O colapso da Argentina em 2001 parece assinalar que o sistema financeiro internacional estaria nos limites de poder “salvar” economias falidas, endividadas e corruptas (México, Tailândia, Indonésia, Rússia, Brasil, Turquia, Equador, Filipinas e outras). Mas, ao caos econômico segue inevitavelmente o social e político, profusamente demonstrado pelas manifestações de massas de revoltados, cidadãos empobrecidos e marginalizados.
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Do outro lado da “cortina de ferro”, a derrocada do sistema stalinista na ex-URSS e nos países satélites resultou de imediato numa deterioração violenta das condições de vida da maioria das populações, repentinamente expostas às turbulências do mercado, sem a proteção paternalista (educação, saúde, habitação, emprego) do Estado.
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Na década dos noventa, quarenta países estavam sendo dirigidos por governos social democratas ou por alianças dominadas pela “esquerda”. Entretanto, revelaram se impotentes para induzir mudanças sociais e econômicas face à pressão avassaladora da globalização econômica e militar e, devido aos compromissos assumidos com os representantes do capital nacional e internacional.
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As lideranças políticas dos partidos social democratas inclusive o nosso PSDB ficaram presas na armadilha que elas próprias construíram. Tendo pregado e defendido durante anos que não haveria futuro fora do sistema neoliberal, assumiram plenamente a responsabilidade pelas políticas econômicas, financeiras e trabalhistas decorrentes, contribuindo para o agravamento da marginalização e exclusão de milhões de pessoas em conseqüência do aumento da “divida social”, enquanto nas questões de política externa aderiram à doutrina da globalização “inevitável”, aliando-se incondicionalmente à superpotência hegemônica.
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Socialismo no século XXI

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As políticas neoliberais e suas desastrosas conseqüências em termos da deterioração da qualidade de vida dos trabalhadores e da maioria da população estão na raiz do distanciamento das massas de seus partidos tradicionais e dos governos com os quais estes colaboraram, ou apoiaram. Para os grupos mais politizados, os partidos social democratas e socialistas perderam o poder mobiliza dor, incapazes que foram para evocar uma visão alternativa da sociedade. Outra parte das vozes e votos discordantes foi para a “direita” (vide o avanço de Le Pen, J. Haider e outros) que , pregando também contra a globalização, acolheram os votos dos pobres marginalizados, da baixa classe média e dos desempregados que se sentiram abandonados pelos partidos de esquerda tradicionais.
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Votos de protesto apoiando os candidatos da oposição não significam necessariamente uma tomada de posição consciente, uma adesão a uma plataforma ideológica e política alternativa. Parece, contudo, cada vez mais nitidamente que, para os partidos tradicionais da esquerda, o objetivo de construir uma sociedade alternativa mais justa foi substituído pela necessidade de manter a organização burocrática e os privilégios decorrentes de seu funcionamento e das alianças celebradas com os antigos adversários. A participação nas instituições da ordem burguesa capitalista abriu as portas para a cooptação das organizações sindicais e políticas e de seus dirigentes. Assim, os partidos socialistas e social democratas não apenas legitimaram as políticas do sistema capitalista, mas passaram também a defendê-las nos fóruns nacionais e internacionais.
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Sendo assim, persiste o impasse histórico de “reforma ou revolução”.
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Tanto os social democratas reformistas quanto os revolucionários replicaram em suas organizações e nas práticas políticas os padrões de conduta e de liderança autoritários, baseados em raciocínios cartesianos lineares e unilaterais com suas interpretações deterministas da História. Uma proposta alternativa abrangeria inevitavelmente desde uma visão do mundo diferente (“o mundo não é uma mercadoria”..) até novas formas de organização e mobilização social. A nova visão, ao rejeitar a globalização imposta “de cima para baixo”, propõe a integração a ser realizada pelas populações, “de baixo para cima”. Em vez de um punhado de executivos, empresários, tecnocratas e seus intelectuais orgânicos, serão as organizações populares e democráticas, baseadas na participação e o engajamento de todos, que conduzirão o processo de transformação social, econômica e política. Essa empreitada e as tarefas dela conseqüentes não podem ser atribuição de uma minoria “iluminada”. A conquista dos Direitos Humanos, a plena vigência do Estado de Direito e da justiça social exigem ações coletivas nas quais os atores sociais se tornem agentes ativos e conscientes do processo histórico e gestores de seu destino.
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Aos céticos e cínicos que desdenhem de uma análise crítica do contexto histórico, sob a alegação da inviabilidade e inutilidade de “utopias”, deve se lembrar o que seria o mundo se não houvesse, em todas as gerações, indivíduos capazes e corajosos de pensar as alternativas, posteriormente transformadas em realidade. Baseando-nos na premissa “toda a realidade é construção social” inferimos que aquilo que foi construído por seres humanos, por eles pode ser desconstruído e reconstruído.
Afinal, a História do capitalismo data de alguns séculos apenas, em que foram travadas inúmeras guerras, com dezenas de milhões de pessoas exterminadas e inestimáveis recursos naturais devastados.Impelido por uma dinâmica perversa de concentração e polarização em todas as esferas da vida social, o sistema não parece dispor de saídas para romper o círculo vicioso. Portanto, seria ilógico e injusto rejeitar o socialismo, invocando o fracasso da única experiência de sua implantação, em condições históricas extremamente adversas.
Mas, diferentemente do embate entre capital e trabalho nos séculos XIX e XX que polarizou os conflitos sociais e políticos, o socialismo em nosso século será construído pelas alianças e redes entre movimentos e organizações sociais, em nível local, nacional e internacional. Suas lutas transcendem as questões salariais para enfrentar os problemas da exclusão social, do desemprego, da destruição de pequenas empresas da precarização das relações de trabalho, da biodiversidade e da devastação ambiental, das reformas agrária e urbana e, sobretudo, da defesa intransigente dos Direitos Humanos em todas suas dimensões.
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Para corresponder ao anseio generalizado por uma cidadania plena, de direitos e responsabilidades, o socialismo do século XXI será democrático, aberto à participação de todos e visceralmente comprometido com a liberdade individual e a justiça social.
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Voltamos, portanto, a afirmar “um outro mundo é possível!”


* Professor da FEA (USP) e membro da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças (ABDL). Publicado na REA, nº 12, maio de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/012/12rattner.htm
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sábado, 7 de novembro de 2009

Internacionais e internacionalismo - Subsídios para a história


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Escrito por Albano Nunes   
26-Out-2009


A luta pela unidade internacional dos trabalhadores é uma constante na história do movimento operário.
Os avanços e recuos do processo revolucionário acompanham de perto a evolução da solidariedade internacional dos trabalhadores e a cooperação das forças políticas que exprimem os seus interesses e aspirações. Para os partidos comunistas que se proclamam e, como no caso do PCP, realmente são vanguarda da classe operária e dos trabalhadores, é necessário cuidar simultaneamente do seu enraizamento nas massas trabalhadoras e da sua inserção no movimento comunista e revolucionário.


«Proletários de todos os países, uni-vos!»

Patriotismo e internacionalismo são realidades inseparáveis. Esta é uma verdade comprovada pela história do movimento operário e comunista cuja razão de fundo Marx e Engels desvendaram e que reside na própria missão histórica universal do proletariado como coveiro do capitalismo.
Ao contrário da burguesia e do seu indecente cortejo de rivalidades e conflitos que arrastaram o mundo para guerras de trágicas proporções, entre a classe operária dos diferentes países é comum o projecto de uma sociedade sem classes e a sua realização exige, não apenas a unidade da classe operária e dos trabalhadores no plano nacional mas também no plano internacional. É a esta necessidade que corresponde a inspirada palavra de ordem do Manifesto do Partido Comunista «proletários de todos os países, uni-vos!».
Se, ao contrário do que infelizmente aconteceu com alguns outros partidos então comunistas, o PCP mantém com orgulho esta palavra de ordem no cabeçalho do seu orgão central e nas suas edições «Avante!» é porque ela expressa uma componente fundamental da própria identidade do Partido.
Ao longo de toda a sua história, do seu nascimento em 1921 sob a influência da Revolução de Outubro à actualidade, embora com o prejuízo do longo período em que esteve isolado, o PCP sempre procurou honrar a sua definição internacionalista e contribuir, com o exemplo da sua intervenção no plano nacional e a sua política de relações internacionais, para o reforço do movimento comunista e sua projecção no mundo como grande corrente revolucionária do nosso tempo.
A importância do internacionalismo é hoje maior do que nunca. O alargamento do leque das forças sociais atingidas pela globalização imperialista e que lutam contra a exploração e a opressão, determina também uma maior amplitude do internacionalismo justificando a utilização do conceito de «solidariedade internacionalista». Mas o internacionalismo não deixa de ter como núcleo e cimento a solidariedade de classe, o internacionalismo proletário. Alianças mais amplas não só não devem conduzir à diluição do movimento comunista, como o reforço da cooperação entre os partidos comunistas é necessário ao fortalecimento da frente anti-imperialista. 
A profunda crise do capitalismo que aí está põe em evidência os limites históricos do sistema e confirma a exigência da sua substituição por uma forma de organização social superior, a sociedade socialista. O evidente atraso das condições subjectivas necessárias à superação revolucionária do capitalismo não põe em causa a importância do internacionalismo. Pelo contrário. As debilidades dos partidos comunistas e os atrasos evidentes na sua cooperação internacionalista, agravados qualitativamente pelas derrotas sofridas no final do século XX com o desaparecimento da URSS e do sistema socialista mundial, constituem o principal obstáculo à transformação revolucionária de um sistema capitalista caduco e em crise manifesta.
O PCP fará o que estiver ao seu alcance para reforçar a solidariedade internacional dos comunistas, dos trabalhadores e dos povos apoiando-se na rica experiência do movimento comunista internacional, de Marx aos nossos dias.

Nasce o movimento comunista

As formas orgânicas de cooperação e solidariedade internacionalista têm variado ao longo do tempo, cada uma correspondendo a diferentes fases de desenvolvimento do movimento operário e às tarefas fundamentais que a evolução da situação mundial colocou diante de si.
Nesta como em todas as questões da táctica e da estratégia do movimento comunista e revolucionário não há soluções à priori e intemporais. Em cada fase tratou-se de dar resposta a situações concretas criadas pelo desenvolvimento histórico de modo a fazer avançar a consciência e a independência de classe do proletariado, a influência do socialismo científico, o partido de vanguarda da classe operária e o seu enraizamento nas massas, a unidade de pensamento e acção dos comunistas de todo o mundo.
O movimento comunista nasce como organização internacional.
A Liga dos Comunistas, fundada em Londres em 1848, foi simultaneamente a primeira experiência de um partido político independente do proletariado e a primeira forma de articulação internacional do proletariado revolucionário. Sob o impulso da revolução francesa de Fevereiro de 1848 e de outras revoluções democrático-burguesas que em 1848/49 abalaram a Europa, nas quais a classe operária levantou pela primeira vez as suas reivindicações próprias, a criação da Liga dos Comunistas correspondeu à necessidade de dotar o proletariado de uma organização própria, orgânica, política e ideologicamente independente da burguesia.
O Manifesto do Partido Comunista, redigido como Programa da «Liga» por Marx e Engels, foi o primeiro programa comunista e constituiu um instrumento decisivo da luta contra a influência da ideologia pequeno-burguesa no seio do movimento operário. O papel histórico da Liga dos Comunistas com o Manifesto foi o de apresentar aos trabalhadores de todo o mundo a teoria cientificamente fundamentada da sua libertação do jugo do capital.

A I e a II Internacionais

A vida da Liga dos Comunistas foi curta mas foi grande a sua contribuição para as condições políticas e ideológicas que conduziram, com a criação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), a um grande salto em frente na difusão do marxismo e no seu enraizamento na classe operária de numerosos países (1) .
Foi também em Londres, em 28 de Setembro de 1864, numa reunião internacional realizada no Saint-Martin's Hall por iniciativa do conselho londrino dos Sindicatos («Trade Unions») e em que participaram representantes de organizações operárias da Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Polónia, que surgiu a Associação Internacional dos Trabalhadores ou I Internacional. Coube a Marx apresentar meses depois ao Conselho Geral a célebre «Mensagem Inaugural» (2) , que enuncia os grandes princípios e aponta os grandes objectivo desta organização. Marx foi eleito Secretário do Conselho Geral com sede na capital inglesa.
Integrada por organizações muito diversas – políticas, sindicais, mutualistas, de educação popular, cooperativas – e de ideologia diferenciada – Marx, Proudhon, Blanqui, Mazzini, Owen, Bakunine – a I Internacional foi palco de uma luta ideológica intensíssima, opondo os defensores das concepções e prática revolucionária de massas de Marx e Engels a concepções e práticas de raíz pequeno-burguesa que acompanharam o nascimento da classe operária a partir do campesinato e do artesanato.
Depois do combate ao socialismo pequeno-burguês anarquizante de Proudhon e seus discípulos (3) , Marx e Engels bateram-se com sucesso crescente contra as concepções e práticas de correntes como o blanquismo e o anarquismo, cujo principal expoente foi expulso da I Internacional no Congresso da AIT de Haia em 1872 devido à actividade de sapa divisionista conduzida pela sua fração secreta, a «Aliança da Democracia Socialista».
Criada no quadro de um novo afluxo revolucionário na Europa, a I Internacional teve na Comuna de Paris de 1871 a sua grande realização. A partir de 19 de Março e durante 72 dias a classe operária deteve o poder pela primeira vez. Apesar de derrotada e afogada em sangue por uma das mais cruéis vinganças de classe que a História regista, a Comuna teve um impacto internacional de extraordinária dimensão e constituiu uma experiência de grande valor. Teses marxistas fundamentais, nomeadamente no que respeita a questão do Estado e à ditadura do proletariado, conheceram importantíssimos desenvolvimentos (4) .
A violenta perseguição desencadeada em França e por toda a Europa aos revolucionários da Internacional criou grandes dificuldades à sua acção. Em 1872, ao mesmo tempo que era reforçada a orientação de constituir partidos nacionais onde não existissem, foi decidido transferir a sede para Nova Iorque. Em 1876, a AIT foi dissolvida por decisão da Conferência de Filadelfia, mas a sua tarefa fundamental fora cumprida: difundir e tornar dominante no movimento operário a concepção marxista do mundo e da sua transformação, criar fortes núcleos de revolucionários «internacionalistas» nos principais países capitalistas, de que o Partido Operário Social Democrata Alemão (POSDA), fundado em 1869 no Congresso de Eisenach por Bebel e Wilheim Liebknecht, é o mais importante exemplo. O Partido Socialista Português foi fundado em 10 de Janeiro de 1875. O enraizamento do marxismo em numerosos países e a constituição neles de fortes destacamentos revolucionários da classe operária guiando-se pelas ideias de Marx e e Engels, colocou de novo a necessidade de uma organização internacional para articular e coordenar a sua acção.Há 120 anos, em 1889, com a activa participação de Engels (Marx havia falecido em 1883) é criada a II Internacional que, também ela, teve um importante papel na consolidação da independência orgânica, ideológica e política do proletariado. Alguns partidos, como o POSDA, transformaram-se em grandes partidos de massas disputando terreno aos partidos burgueses, incluindo no terreno eleitoral, o que acarretou o desenvolvimento de ilusões eleitoralistas que acabaram por minar o seu carácter revolucionário.
E numa época de desenvolvimento pacífico do capitalismo, em que as contradições inerentes ao sistema não se manifestaram em agudas crises económicas e sociais, e em que a exploração colonial fornecia uma almofada que escamoteava o antagonismo da contradição entre o capital e o trabalho (com a criação de uma «aristocracia operária» conciliadora), desenvolveram-se, após a morte de Engels, concepções revisionistas do marxismo (5) , que acabaram por conduzir a II Internacional para o pântano do oportunismo em que definitivamente se afundou com o desencadear da guerra imperialista de 1914/1918.

A Internacional Comunista

A III Internacional ou Internacional Comunista, fundada por Lénine, surge após um longo combate conduzido contra as teses revisionistas de Bernstein e outros dirigentes da II Internacional (como Kautsky que inicialmente o combateu mas que após a Revolução de Outubro foi o seu mais destacado continuador) e como resposta ao vazio criado pela sua degenerescência oportunista, que se revelou no abandono do internacionalismo proletário e na participação ao lado das burguesias nacionais respectivas na guerra de partilha imperialista que foi a I Guerra Mundial. A votação em 4 de Agosto de 1914 no Reichstag dos créditos de guerra pelos deputados do mais influente partido da II Internacional (enquanto os deputados bolcheviques na Duma russa votavam contra e seguiam a caminho dos campos de concentração da Sibéria) permanece como símbolo odioso de uma enorme traição aos interesses do proletariado e das massas trabalhadoras.

A fundação da III Internacional em 1919 (6) , há 90 anos, no quadro da conquista do poder pelo proletariado russo é inseparável da palavra de ordem leninista de transformação da guerra imperialista em revolução socialista. Consumava-se a divisão histórica do movimento operário não sem antes ter havido porfiados esforços, apoiados por Lénine, para superar contraposições e conseguir ao menos a unidade na acção dos partidos comunistas («social-democratas» então) para fazer frente à pior reacção e combater a guerra. As Conferências de Zimmerwald (1915) e Kiental (1916) são exemplo destes esforços que soçobraram diante do anticomunismo dos principais dirigentes da II Internacional e da Internacional II i/2  «centrista» que acabaram por fundir-se em 1923 na «Internacional Operária Socialista», de que a actual «Internacional Socialista», transformada em pilar da ordem imperialista, é herdeira e continuadora.

A Internacional Comunista, constituiu-se desde o início como «partido internacional», com uma estrutura centralizada e uma direcção supranacional (os Congressos da IC e o seu Comité Executivo sediado em Moscovo), de que os partidos nacionais, como o PCP, eram simples «secções» obrigados a seguir as orientações centrais e sujeitos à disciplina estipulada nas «21 condições» para a adesão.
A Internacional Comunista desempenhou um papel importantíssimo na história do movimento operário e comunista internacional. A sua acção foi fundamental para combater o oportunismo e o revisionismo em que a II Internacional se atascou, libertar o movimento operário da sua influência dominante, apoiar a criação de partidos revolucionários de «novo tipo» na esteira do Partido Operário Social Democrata Russo (bolchevique) de Lénine, estimular a solidariedade activa – e essa foi na altura tarefa principal – para com a primeira revolução socialista triunfante e divulgar as suas realizações.

Tais tarefas foram honrosamente cumpridas num período histórico extraordinariamente complexo, marcado por um lado pelo afluxo revolucionário que acompanhou a vitória da revolução russa e pela heróica e criativa primeira experiência de edificação de uma nova sociedade, por outro lado pela profunda crise do capitalismo que o crash da Bolsa de Nova York de 1929 simboliza, o ascenso do fascismo, o desencadeamento da II Guerra Mundial.

Mas a ideia de que era possível pôr termo à exploração capitalista e reorganizar a sociedade no interesse das massas trabalhadoras animou a luta dos povos, o marxismo- leninismo tornou-se uma força ideológica poderosa, por todo o mundo criaram-se e afirmaram-se partidos comunistas, em muitos casos com um papel determinante na luta dos seus povos. Por paradoxal que pareça foi este enraizamento nacional da opção comunista, conjugada com a realidade do fascismo e da guerra e as tremendas dificuldades de contacto com as suas diferentes «secções», que conduziu em 1943 à decisão de dissolver a Internacional Comunista (7) .

Na nova situação criada, quando a generalidade dos partidos comunistas estava já em condições de caminhar pelo seu próprio pé, a centralização e a disciplina da Internacional Comunista em lugar de favorecer o reforço do movimento comunista tornava-se um travão ao seu desenvolvimento, em resposta à diversidade de situações, ao enraizamento dos comunistas entre as massas.
Pode discutir-se, e discute-se ainda hoje, a justeza da dissolução da Internacional Comunista. Há quem veja nela uma cedência pragmática e oportunista às campanhas sobre a «mão de Moscovo», ou mesmo um compromisso sem princípios do Estado soviético com os «aliados» na luta contra a barbárie nazi-fascista. Mas é facto histórico que a decisão teve o apoio praticamente unânime dos partidos comunistas a começar pelos mais influentes. O PCP apoiou a dissolução: o «Avante!» da 1.ª quinzena de Junho de 1943 dá conta dessa posição.

Mais tarde, em 1947, frente ao desencadeamento da «guerra fria» e da violenta ofensiva anti-comunista foi criado, com sede em Varsóvia, o Bureau de Informação ou Cominform pelos partidos comunistas no poder no Leste da Europa e os dois maiores da Europa Ocidental, o francês e o italiano, com objectivos limitados de informação e articulação.
Não é pacífica a avaliação do que o Cominform efectivamente representou durante a curta existência, nomeadamente quanto à Jugoslávia e à via muito particular que os comunistas jugoslavos entenderam seguir.
Os tempos da Internacional ficaram para trás e a resposta às exigências de cooperação internacionalista, incluindo de análise, estudo e elaboração colectiva, teve de procurar novos caminhos em que, no quadro do ideal e do objectivo comum do socialismo e do comunismo, o reconhecimento da diversidade de situações e orientações e o respeito pela independência de todos e de cada um dos partidos comunistas, é condição necessária embora não suficiente.

Entra-se então no tempo em que o trabalho para o reforço do movimento comunista internacional e da sua unidade se realiza, não pela via da disciplina organizativa e uniformização ideológica mas através de uma densa rede de relações bilaterais e multilaterais em que as Conferências Mundiais de Partidos Comunistas (8) e mais recentemente os Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários desempenham um importantíssimo papel (9) .

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A classe operária é por sua própria natureza internacionalista, mas o impulso para a sua unidade internacional, para a unidade e cooperação internacional dos comunistas, não se realiza espontaneamente, antes requer porfiados esforços.
Diferentes graus de desenvolvimento socio-económico, factores culturais, étnicos e religiosos, problemas herdados da história constituem obstáculos sérios ao desenvolvimento de laços de solidariedade internacionalista, implicando grande trabalho de organização e de educação das massas.

Por outro lado, sabendo que a grande força dos trabalhadores reside na sua unidade, a burguesia não regateia esforços para enfraquecê-la e dinamitá-la. O recurso ao chauvinismo e ao nacionalismo pequeno-burguês constitui porventura o perigo principal, como foi patente na I Guerra Mundial, ou no processo que conduziu à destruição da URSS ou ao desmembramento da Jugoslávia.
O nacionalismo pequeno-burguês (não o patriotismo) é inimigo irreconciliável do internacionalismo e ao longo da História causou grandes danos à cooperação internacional dos trabalhadores e à unidade do movimento comunista internacional, originando agudas polémicas, divisões e cisões e conduzindo mesmo ao corte de relações entre partidos comunistas e conflitos entre países socialistas que chegaram a atingir a forma de conflito militar.

De entre muitas lições que podem extrair-se da história das Internacionais e do movimento comunista internacional, duas parecem particularmente actuais. O indispensável fortalecimento da cooperação internacional dos comunistas constrói-se combinando firmeza de princípios e persistência; impaciência, voluntarismo, imposições deram sempre resultados contrários aos pretendidos. Patriotismo e internacionalismo, enraizamento nacional e empenhamento internacional são inseparáveis.
O PCP não poupará esforços para, como o fez sempre ao longo de toda a sua história, honrar os seus compromissos com a classe operária portuguesa e o proletariado internacional

Notas

(1) Ver O Militante n.º 272 de Setembro/Outubro 2004, «No 140.º aniversário da I Internacional. Questões do Internacionalismo».
(2) Ver Obras Escolhidas de Marx e Engels em três volumes, Edições «Avante!», Vol. II, p. 5.
(3) Na qual desempenhou papel de relevo «A Miséria da Filosofia» de Marx, Lisboa, Edições «Avante!».
(4) «A Guerra Civil em França», in Obras Escolhidas de Marx e Engels em três volumes, Edições «Avante!», Vol. II, p. 195, partindo da experiência concreta da «Comuna», constitui um dos grandes monumentos de elaboração teórica marxista.
(5) O principal expoente do revisionismo foi Eduard Bernstein, autor do célebre aforismo «o movimento é tudo o objectivo final não é nada».
(6) A Conferência Internacional Comunista que se transformou em 1.º Congresso da Internacional Comunista, iniciou-se em Moscovo em 2 de Março de 1919 e nela tomaram parte 52 delegados representando 35 organizações de 21 países da Europa, América e Ásia. Duas obras fundamentais de Lénine enquadram a formação da IC: «O Estado e a Revolução» e «A revolução proletária e o renegado Kautsy», in Obras Escolhidas de V. I. Lénine em 6 tomos, respectivamente no tomo 4, p. 10 e tomo 3, p. 189.
(7) Na ausência de condições para reunir um Congresso da IC em 15 de Maio de 1943 o Presidium da IC, presidido por Demitrov, decidiu propor às «secções»/partidos comunistas a dissolução que, devido à concordância praticamente unânime, se tornou efectiva em 10 de Junho ao mesmo tempo que a Internacional Juvenil Comunista tomava também a decisão de cessar a sua actividade.
(8) Realizaram-se três importantes Conferências de Partidos Comunistas e Operários: 1957 (dos partidos comunistas no poder nos países socialistas, incluindo a China), 1960 (com a participação de 81 partidos de todos os continentes) e 1968 (com 75 partidos, com ausência do Partido Comunista da China).
(9) Começaram em 1998, em Atenas. Em 10/12 de Novembro de 2006, a 9.ª edição foi acolhida em Lisboa pelo PCP e teve a presença de 63 partidos. O próximo Encontro realizar-se-á no mês de Novembro, na Índia.

«A evolução mundial determina uma maior amplitude do internacionalismo. Alarga-se a todas as forças em luta contra a exploração e a opressão. Alarga-se não apenas à classe operária e aos trabalhadores, mas a forças sociais e políticas em luta pela liberdade, a democracia, o progresso social, a independência nacional e o socialismo. Mas, mantém como mais profunda raíz a sua natureza de classe e a sua decorrente característica anticapitalista. A ideia de um “novo internacionalismo” que abandone essas características essenciais de carácter económico e social e seja concebido como a cooperação e solidariedade entre as “forças de esquerda”, cuja determinação é aliás muito fluida – deixa de ser internacionalismo e insere-se melhor na definição do sistema de alianças necessárias e desejáveis que podem ser mais ou menos conjunturais.»

(Álvaro Cunhal, entrevista aos “Quaderni Comunisti”, em O Militante de Maio-Junho/95)


Albano Nunes

Sobre o Autor:

Membro da Comissão Política do Secretariado do Comité Central do PCP