Acho piada quando o meu pai diz que o vinho do Porto (e a VistaAlegre) são dos poucos produtos que nos promovem no estrangeiro. Em termos de desenho, as embalagens e tudo o que se refere à promoção do vinho do porto pode ser analisado com uma evolução. As suas representações, demonstram a mentalidade de cada época e a forma como viam o produto “vinho”.
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“Os rótulos do Vinho do Porto revelam (ainda) algumas curiosidades em torno deste produto identitário de uma região. … o Vinho do Porto é apresentado como um produto com propriedades terapêuticas, algo bem diferente das actuais campanhas anti-álcool».
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O vinho era embalado especificamente para as farmácias, onde era vendido como um tónico regenerante, indicado para astenias, depressões, problemas estomacais e outros males do corpo. «Algumas versões eram reforçadas com carne, o que o tornava mais nutritivo», acrescenta.
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Numa outra variante terapêutica era adicionado quinino, os chamados vinhos quinados recomendados na profilaxia da febre-amarela. Neste caso pretendia-se atingir os mercados tropicais, onde as temperaturas elevadas certamente não convidavam ao consumo de um vinho com um elevado grau alcoólico».
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Não foi com intenção e nem sabia da exposição do museu do Douro, antes de ir pesquisar sobre este assunto, mas o facto é que está a decorrer neste local uma exposição intitulada “Imagens do Vinho do Porto: Rótulos e Cartazes”, bastante interessante.
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” Revelar o processo publicitário de um produto nacional ao longo dos anos é um dos objectivos da mostra que, do Peso da Régua, onde se situa o museu, seguirá para Gaia, assim como outras localidades da região duriense. Uma exposição que estará também patente em Lisboa. Natália Fauvrelle, coordenadora dos Serviços de Museologia, fala sobre esta iniciativa. O discurso da exposição ‘Imagens do Vinho do Porto’ centra-se em torno das imagens publicitárias produzidas para este produto até à primeira metade do século XX. Os rótulos e cartazes servem de mote para mostrar diferentes linguagens de comunicação que as empresas do Vinho do Porto adoptaram, que vão desde um estilo que recorre às emoções e evoca factos apelativos para o consumidor até se centrar nas características mais técnicas de cada vinho», diz.”
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“As imagens em rótulos colados nas garrafas e os cartazes de publicidade deixam perceber a evolução quanto a estratégias de mercado, mas também das técnicas de impressão, cores, formatos e suportes. «A exposição aborda a imagem do Vinho do Porto a partir das linguagens de comunicação, que não está ainda muito estudado, em parte porque as fontes são escassas. Deste modo, acabamos por juntar estudos parcelares sobre a garrafa e sobre a publicidade para conseguir contar uma história», conta Natália.”
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“No século XIX, D. Antónia Ferreira foi uma das primeiras produtoras de vinho a apostar na qualidade e mensagem do rótulo das garrafas. Segundo a nossa entrevistada, D. Antónia teve mesmo o cuidado de escolher uma gráfica francesa para fazer a impressão.
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A mensagem transmitida é sobretudo de confiança e de qualidade: se no início do século tal imagem era dada pela quantidade de medalhas que um vinho recebia, hoje essa garantia é dada ao consumidor pela assinatura do enólogo ou pelas características do vinho», remata Natália.”
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Segundo Francisco Providência, comissário da exposição, esta “relata uma sequência de acontecimentos e de formas que traduzem a evolução teórica das estratégias que subjazem à sua afirmação global. Olhando para as suas embalagens, rótulos e/ou cartazes impressos, até à primeira metade do século XX, verificamos a adopção de diferentes estratégias de persuasão visual que mais não são do que a tentativa de superação da experiência organoléptica do vinho, pela sua representação visual».”
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Olhando para as suas embalagens, rótulos e/ou cartazes impressos, até à primeira metade do século XX, verificamos a adopção de diferentes estratégias de persuasão visual que mais não são do que a tentativa de superação da experiência organoléptica do vinho, pela sua representação visual”.
Entre os arquétipos comunicacionais dessa época, o mais curioso é talvez a conotação do vinho do Porto com as suas qualidades, sanitárias e psicotrópicas, na luta contra a neurostenia (depressão) e a debilidade física (anemia), justificando o seu engarrafamento e comercialização por farmácias e organizações de saúde.
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