Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 16 de dezembro de 2012

Arqueólogos investigam naufrágio e querem fazer dele um museu em Tróia


Restos de um veleiro de madeira estão a seis metros de profundidade, em bom estado de conservação. Mas a história deste navio ainda tem pontas soltas
  • Terá sido um dos últimos navios à vela portugueses em funções, provavelmente do final do século XIX, e antes de naufragar ao largo da península de Tróia, no distrito de Setúbal, deveria transportar sal ou ser usado para a pesca.
    Ainda não há certezas sobre a história deste barco, baptizado de Tróia 1, mas uma equipa de investigadores está perto de desvendar o mistério.
    Um grupo de arqueólogos, conservadores, biólogos, geólogos e mergulhadores está a analisar os “restos mortais” deste navio que jaz no mar a seis metros de profundidade, encontrado no ano passado por dois pescadores.
    Após cinco mergulhos e alguns meses de pesquisas, os investigadores já têm algumas pistas: o Tróia 1 aparenta ser um lugre – um veleiro, com velas latinas quadrangulares, construído em madeira com cavilhas em bronze. Teria 30 a 35 metros de comprimento, com capacidade para uma tripulação de 20 a 40 pessoas.
    “É um tipo de barco robusto, de casco alto, que pode ter quatro ou cinco mastros, e é polivalente – podia servir para a pesca ou para transporte de bens. O mais conhecido do género é o Creoula, da Marinha Portuguesa”, explica Adolfo Miguel Martins, arqueólogo e director do projecto. A investigação, iniciada em Maio, está a ser feita no âmbito de uma pós-graduação em Arqueologia Subaquática e de um mestrado em História, Arqueologia e Património, do Instituto Politécnico de Tomar e da Universidade Autónoma de Lisboa.
    Dispersos no fundo do mar, numa zona de areia já fora do estuário do Sado, virados para Sul, os restos do navio dividem-se em quatro núcleos: estrutura do barco, com duas âncoras e a amarra; uma âncora e o cepo em madeira; um grupo de cavernas; e por último a quilha (parte inferior do casco, onde se fixam as peças curvas do barco).
    “Definimos um ponto central. A partir daí, o núcleo a Sul está a 80 metros, o núcleo a Norte está a 40 metros e o que está a Este dista 50 metros”, explica o arqueólogo. Da análise feita pelos conservadores conclui-se que grande parte da estrutura está bem preservada. “Por ser de madeira e por ser periodicamente coberto de areia, devido à hidrodinâmica do local, se se mantiverem as condições actuais teremos o barco por muitos anos”, espera Adolfo Miguel Martins. Entre as peças encontradas está, por exemplo, uma chaleira de ferro (ou o que resta dela), uma placa de chumbo e sete âncoras.
    Muitos navios naufragados
    A cada mergulho aumentam as dúvidas sobre a história do naufrágio. “No arquivo municipal de Setúbal encontrámos documentos que remetem para naufrágios de navios de transporte de sal e de pesca, naquele período – final do século XIX ou mesmo início do século XX – e naquele local”, explica o coordenador do projecto. “Na zona de Tróia há muitos navios naufragados. Este é o Tróia 1 mas certamente haverá mais”, acrescenta.

    O local onde o navio afundou é uma zona de abrigo natural para os navios. “A costa deixa de ser direita e os barcos que se aproximam têm de se desviar para Oeste para entrar na barra de Setúbal. Se não houver marcos ou referências visuais, podem fazer uma aproximação errada e naufragar”, explica o investigador. Terá sido o que aconteceu com o Tróia 1? “O navio parece ter encalhado em dia de mar violento, ter batido na areia e com a corrente forte da zona acabou por naufragar.” Mas como ainda não há certezas, os mergulhos vão continuar até Março.
    Assim que for resolvido o enigma, o próximo passo é criar um museu e fazer do naufrágio um ponto de mergulho recreativo. “Queremos definir um circuito subaquático, como se fosse um museu. É como entrar numa sala, que neste caso é o mar, e depois ir visitando os vários núcleos, onde estarão placas identificativas”, explica Adolfo Miguel Martins, que destaca ainda a riqueza do local em termos de fauna marinha.
    “É um mergulho absolutamente deslumbrante”, sublinha. Em dias de boa visibilidade, o naufrágio é mesmo visível à tona da água, garante o arqueólogo, referindo-se ao “enorme potencial turístico” do local, além do interesse para investigação científica. Devido à baixa profundidade, “será um local ideal para fazer baptismos de mergulho junto aos vestígios”, garante.
    Segundo o coordenador, o projecto, que inclui estagiários dos dois estabelecimentos de ensino superior, está a ser feito sem qualquer tipo de financiamento, com recurso apenas ao apoio logístico de algumas entidades e empresas locais.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Colégio de Moimenta da Beira desafiou Salazar para imitar Niemeyer







Há 50 anos, as curvas de Niemeyer eram demasiado arrojadas para um país em ditadura, mas um grupo de estudantes conseguiu mantê-las de pé.



O arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, que morreu na quarta-feira a poucos dias de comemorar 105 anos, nunca esteve em Moimenta da Beira. Mas os arcos que desenhou para o Palácio da Alvorada, em Brasília, inspiraram o projecto de construção de um colégio naquela vila do distrito de Viseu e fizeram estalar a polémica.
Foi a 2 de Abril de 1962. Passava das 13h30 quando Pedro Abreu, então com 17 anos, e o irmão mais velho chegaram ao Externato Infante D. Henrique, onde frequentavam o quinto ano do liceu. Os pedreiros estavam já a demolir parte da fachada do colégio, sustentada em arcos que fazem lembrar redes estendidas nas varandas dos casarões coloniais.
A ordem de demolição tinha vindo dos serviços de urbanismo do regime, de Viseu, recorda Pedro Abreu: “Houve uma inspecção e acharam que o estilo do prédio era avançado de mais.” As semelhanças entre o edifício e o palácio que serve hoje de residência oficial da Presidente da República do Brasil, desenhado pelo arquitecto comunista e inaugurado em 1958, não agradaram às autoridades. A solução era substituir os pilares em arco por colunas rectangulares.
“O meu irmão, mais encorpado do que eu, mandou-os parar. Os pedreiros também estavam contrariados. Outros alunos começaram a chegar e pegou-se ali o rastilho”, conta Pedro Abreu, hoje com 67 anos. Aos alunos que se manifestavam à porta do colégio, foram-se juntando os habitantes da vila e até alguns professores apoiaram o protesto. “Instigaram-nos a protestar, mas não se punham no nosso lugar, era à sorrateira.”
Dali partiram para a igreja. “As pessoas que viviam à volta foram chegando mas achávamos que ainda éramos poucos. Fomos para a igreja tocar o sino a rebate”, diz Pedro Abreu. De tanto tocar, o sino até rachou. Foi assim que as populações vizinhas souberam do protesto e se juntaram à manifestação, pouco habitual numa região onde não há memória de grandes revoltas populares. No fim, os pedreiros pararam a obra e voltaram a pôr tudo como estava.
“Os arcos eram uma coisa nossa, diferente. Representavam progresso”, explica Pedro Abreu. O desenho do edifício foi pedido por um dos directores do colégio, Amadeu Baptista Ferro, a um emigrante de Moimenta da Beira no Brasil, que nem era arquitecto. “O director foi a Brasília, ficou impressionado com a arquitectura do Palácio da Alvorada e pediu a um amigo que fizesse o desenho”, explica o assessor da autarquia, Rui Bondoso. “Na altura, houve rumores de que os arquitectos do departamento de Viseu ficaram chateados por não lhes ter sido encomendado o projecto e fizeram queixa”, recorda Pedro Abreu.
Na mira da PIDE
“Até diziam, na rua: andam os comunistas em Moimenta!” Mas a revolta nada teve a ver com política, garante o ex-aluno, embora admita que entre os manifestantes havia militantes do PCP. O caso ganhou contornos nacionais e até a polícia do regime, a PIDE, foi de Lisboa a Moimenta da Beira para interrogar os “cabecilhas” do grupo. Pedro Abreu, que era menor, não foi ouvido. “O meu pai era presidente da Câmara e lá conseguiu que só interrogassem os mais velhos”, conta.

Ninguém foi detido. “A PIDE pensava que os comunistas tinham influenciado a miudagem, mas não. Toda a população estava contra aquela patifaria”, afirma. Até o arquitecto Oscar Niemeyer escreveu a um dos directores do colégio e pároco de Moimenta da Beira, o padre António Bento da Guia – que as autoridades terão ameaçado de prisão caso a fachada não fosse alterada. “Na carta, Niemeyer elogia a arquitectura do edifício e diz que está ao lado da luta dos estudantes”, descreve Rui Bondoso.
Os arcos nunca foram demolidos mas no Verão daquele ano, aproveitando a ausência dos alunos em férias, foram tapados por um muro de metro e meio. “Ficou monstruoso”, recorda Pedro Abreu. Depois do 25 de Abril de 1974, o edifício foi comprado pelo Estado e os arcos foram destapados. Desde então funcionaram ali várias escolas e actualmente o edifício acolhe a Escola do 1.º Ciclo Infante D. Henrique. Em Janeiro, esta será transferida para o novo centro escolar do concelho e o imóvel – um edifício com dois pisos, várias salas, ginásio e espaços administrativos – vai acolher o novo centro cívico de Moimenta da Beira.



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http://cmmoimenta.dev.wiremaze.com/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27594&noticiaId=34517&pastaNoticiasReqId=27576


http://escolasmoimenta.pt/blog/semana-cultural/

quarta-feira, 14 de março de 2012

Golfinhos voltaram ao Tejo, agora desenhados nos pilares da ponte 25 de Abril


 


Marisa Soares
A Estradas de Portugal está a decorar as sapatas dos pilares da ponte 25 de Abril, que liga Lisboa a Almada, com imagens de golfinhos, orcas, cachalotes e aves marinhas.

Esta iniciativa, intitulada "Ponte Viva", tem como parceiro o Projecto Delfim, uma associação científica que estuda animais marinhos e se dedica, por exemplo, a acompanhar a população de golfinhos residentes no estuário do Sado.

O objectivo é "mostrar que é possível fazer o casamento entre as infra-estruturas rodoviárias, que normalmente têm um grande impacto no ambiente, e os projectos de sensibilização ambiental", disse a responsável pelo gabinete de Ambiente da EP, Ana Cristina Martins, que acompanhou os jornalistas nesta quarta-feira numa visita aos pilares da ponte.

As pinturas estão integradas nos trabalhos técnicos de conservação das sapatas da ponte, uma intervenção que se tornou necessária depois de a inspecção subaquática aos pilares, que decorreu entre Fevereiro e Abril do ano passado, ter detectado "alguma corrosão" naquelas estruturas.

"As obras de conservação das sapatas já foram feitas, esta é a última fase desse trabalho", afirmou a responsável da EP pela ponte 25 de Abril, Fernanda Santos, acrescentando que o orçamento necessário para este projecto se inclui no valor total destinado aos trabalhos de inspecção, 76.300 euros. A pintura das sapatas estava já prevista, só mudam as cores das tintas, que variam entre o cinzento claro e escuro, o preto e o branco. 

As pinturas, que estão a ser feitas por 15 trabalhadores, decorrem em função das marés. Quando há maré cheia, a água sobe dois metros e obriga a interromper os trabalhos. Quando a maré está baixa, tem de ser limpa a superfície de cimento, é aplicada uma primeira demão de tinta, e meia hora depois os pintores avançam para a segunda demão. 

Para já ainda só está concluída a pintura do pilar três, que fica junto à margem Sul do Tejo. No pilar quatro, que fica a meio da ponte, os trabalhadores ainda não concluíram as imagens dos golfinhos e das orcas. Em terra, nos pilares junto às Docas de Alcântara, em Lisboa, vão ficar também golfinhos, que acompanham os flamingos, os maçaricos e os alfaiates.

As pinturas deverão estar concluídas no final de Março. Até ao final do ano, a EP conta terminar todos os trabalhos que dizem respeito à inspecção da ponte, que voltará a acontecer daqui por cinco anos.

Notícia corrigida às 19h32: clarifica o título 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O maior depósito de marfim do país foi descoberto em Reguengos de Monsaraz


Mais de 300 elementos referentes a diversos objectos e animais

30.07.2010 - 08:43 Por Marisa Soares
Numerosas peças arqueológicas, de um realismo inédito e com 5500 anos, foram encontradas no Complexo dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz.



O que terá ocupado os 16 hectares do Complexo Arqueológico dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, Évora, há 5500 anos? Um povoado ou um meeting point, parecido com o Stonehenge inglês? A resposta não é consensual, mas uma coisa é certa: o espaço reuniu muita gente, com conhecimentos astronómicos e técnicos avançados, e poderá ter funcionado como ponto de passagem para o comércio do marfim entre a Península Ibérica e o Norte de África.

As escavações mais recentes indicam que os dois sepulcros já estudados nos Perdigões têm o maior depósito de marfim do país. Os arqueólogos, que investigam o local desde 1997, registaram 300 elementos referentes a diversos objectos, sobretudo figuras de animais.

"Encontrámos estatuetas com um realismo notável, que reproduzem animais em tamanho pequeno, quando noutras comunidades predominava a arte esquemática", frisa António Valera, arqueólogo da ERA Arqueologia, a empresa responsável pelas escavações, em parceria com a empresa de vinhos Esporão. "A variedade destes animais é inédita em território nacional", sublinha. O passo seguinte é apurar a proveniência do marfim. Se for de origem indiana, comprova "a rede de contactos em que se integrava a Península Ibérica" no Calcolítico (3000 anos a.C.), disse o responsável, numa conferência, anteontem, em Lisboa.

O estudo dos rituais funerários daquela época está na base das escavações, desenvolvidas inicialmente numa zona de necrópole. Há três anos, os arqueólogos dedicaram-se aos fossos que delimitam o complexo. Nos dois locais encontraram ossadas humanas e animais, e nos últimos dias acharam esqueletos incinerados. "A diversidade na gestão da morte é uma das questões centrais para entender o que foi este local pré-histórico, ao longo dos 1500 anos em que esteve ocupado", diz Valera.

As pesquisas, em que participam investigadores de várias universidades internacionais, fornecem dados também sobre a organização social dos habitantes dos Perdigões. Por exemplo, para a escavação de cada um dos fossos, foi necessário retirar 55 toneladas de rocha. "Tudo isso escavado à mão ou apoiados com pedra, hastes e animais. Isso exige uma grande organização social e logística", explica Valera. Além disso, o complexo circular e com 500 metros de diâmetro está construído "com uma orientação astrológica e cosmológica". As portas, localizadas a nordeste e a sudeste, coincidem com os solstícios de Verão e de Inverno.

Uma escavação arqueológica fora do comum

A investigação em curso nos Perdigões pouco tem a ver com as escavações arqueológicas tradicionais. Este é um projecto de "arqueologia em construção", afirma Miguel Lago, administrador da Era Arqueologia. Qual a diferença? "Não queremos apresentar um trabalho final após a escavação, mas sim inserir a população no processo de interpretação à medida que vamos descobrindo novos elementos", explica.

A Era Arqueologia e a Esporão, empresa de vinhos que adquiriu a Herdade dos Perdigões em 1996, querem tirar partido do potencial cultural do complexo, promovendo visitas guiadas aos locais das escavações.

Para isso, João Roquette, presidente da Comissão Executiva da Esporão, está à procura de parceiros que financiem o projecto. A ideia é criar um "pacote" que inclua turismo, gastronomia e vinhos, tirando partido dos empreendimentos turísticos em construção na zona do Alqueva. O objectivo é avançar em breve, depois de uma análise dos investimentos e infra-estruturas necessárias, garantem os responsáveis.O que terá ocupado os 16 hectares do Complexo Arqueológico dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, Évora, há 5500 anos? Um povoado ou um meeting point, parecido com o Stonehenge inglês? A resposta não é consensual, mas uma coisa é certa: o espaço reuniu muita gente, com conhecimentos astronómicos e técnicos avançados, e poderá ter funcionado como ponto de passagem para o comércio do marfim entre a Península Ibérica e o Norte de África.

As escavações mais recentes indicam que os dois sepulcros já estudados nos Perdigões têm o maior depósito de marfim do país. Os arqueólogos, que investigam o local desde 1997, registaram 300 elementos referentes a diversos objectos, sobretudo figuras de animais.

"Encontrámos estatuetas com um realismo notável, que reproduzem animais em tamanho pequeno, quando noutras comunidades predominava a arte esquemática", frisa António Valera, arqueólogo da ERA Arqueologia, a empresa responsável pelas escavações, em parceria com a empresa de vinhos Esporão. "A variedade destes animais é inédita em território nacional", sublinha. O passo seguinte é apurar a proveniência do marfim. Se for de origem indiana, comprova "a rede de contactos em que se integrava a Península Ibérica" no Calcolítico (3000 anos a.C.), disse o responsável, numa conferência, anteontem, em Lisboa.

O estudo dos rituais funerários daquela época está na base das escavações, desenvolvidas inicialmente numa zona de necrópole. Há três anos, os arqueólogos dedicaram-se aos fossos que delimitam o complexo. Nos dois locais encontraram ossadas humanas e animais, e nos últimos dias acharam esqueletos incinerados. "A diversidade na gestão da morte é uma das questões centrais para entender o que foi este local pré-histórico, ao longo dos 1500 anos em que esteve ocupado", diz Valera.

As pesquisas, em que participam investigadores de várias universidades internacionais, fornecem dados também sobre a organização social dos habitantes dos Perdigões. Por exemplo, para a escavação de cada um dos fossos, foi necessário retirar 55 toneladas de rocha. "Tudo isso escavado à mão ou apoiados com pedra, hastes e animais. Isso exige uma grande organização social e logística", explica Valera. Além disso, o complexo circular e com 500 metros de diâmetro está construído "com uma orientação astrológica e cosmológica". As portas, localizadas a nordeste e a sudeste, coincidem com os solstícios de Verão e de Inverno.

Uma escavação arqueológica fora do comum

A investigação em curso nos Perdigões pouco tem a ver com as escavações arqueológicas tradicionais. Este é um projecto de "arqueologia em construção", afirma Miguel Lago, administrador da Era Arqueologia. Qual a diferença? "Não queremos apresentar um trabalho final após a escavação, mas sim inserir a população no processo de interpretação à medida que vamos descobrindo novos elementos", explica.

A Era Arqueologia e a Esporão, empresa de vinhos que adquiriu a Herdade dos Perdigões em 1996, querem tirar partido do potencial cultural do complexo, promovendo visitas guiadas aos locais das escavações.

Para isso, João Roquette, presidente da Comissão Executiva da Esporão, está à procura de parceiros que financiem o projecto. A ideia é criar um "pacote" que inclua turismo, gastronomia e vinhos, tirando partido dos empreendimentos turísticos em construção na zona do Alqueva. O objectivo é avançar em breve, depois de uma análise dos investimentos e infra-estruturas necessárias, garantem os responsáveis.
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