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Discurso de Lula da Silva (excerto)
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Histórica Livraria Portugal vai encerrar
segunda-feira, 29 de março de 2010
Texas apaga Thomas Jefferson do currículo. E o hip-hop também
Texas apaga Thomas Jefferson do currículo. E o hip-hop também
Já não é preciso saber onde fica Washington DC. E a palavra capitalismo foi substituída por "sociedade de livre empreendedorismo". Se forem ratificadas, as mudanças na disciplina de Estudos Sociais podem estender-se a outros estados. Por Rita Siza, Washington.
Num voto de 11-4, dominado pelos membros republicanos daquele conselho estadual, ficou determinado que os livros que os estudantes do Texas actualmente utilizam serão substituídos por outros novos, de acordo com um novo programa de cariz fortemente conservador, cujo objectivo declarado é "reforçar as tradições americanas de nação judaico-cristã".
Os novos critérios para o ensino introduzem lições obrigatórias dedicadas aos sistemas teológicos de Calvino e S. Tomás de Aquino, às teorias económicas "alternativas" e à importância de figuras e instituições do movimento conservador do país, como Phyllis Schlafly (que se opunha à igualdade de direitos entre homens e mulheres), a Minoria Moral, a Heritage Foundation, o "Contrato com a América" ou a National Riffle Association (NRA).
As lições sobre Thomas Jefferson, uma das figuras de proa da história da América, autor da Declaração de Independência e terceiro Presidente dos Estados Unidos, não resistiram ao ímpeto dos educadores conservadores do Texas e foram retiradas do currículo. As ideias revolucionárias de Jefferson, que é referido nos manuais como um dos modelos de pensamento do Movimento Iluminista, não agradam aos membros do Conselho de Educação, que se opõem à separação entre o Estado e a Igreja, como defendido por aquele "pai fundador".
O revisionismo dos membros do Conselho de Educação sobre o papel e a importância dos presidentes americanos é selectivo: os alunos não vão ouvir mais falar de Thomas Jefferson, mas em compensação terão mais capítulos dedicados a Ronald Reagan. E o discurso de tomada de posse do Presidente Abraham Lincoln, que pôs fim à Guerra Civil, já não será o único que os estudantes vão analisar - os manuais vão passar a conter a intervenção inaugural de Jefferson Davis, o presidente da Confederação que lutou pelo secessionismo.
Conspiração confirmada
Outra das lições históricas que foram alteradas é aquela que diz respeito ao chamado McCartismo. Os manuais do Texas vão dizer que a teoria da conspiração defendida pelo polémico senador do Wisconsin Joseph McCarthy, referente a uma infiltração comunista no Governo dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, foi confirmada depois da sua morte pela divulgação dos "Arquivos Venona", um conjunto de documentos que reproduzem as comunicações entre americanos pagos para espiar pela União Soviética. Acontece que os historiadores disputam essa leitura dos arquivos, dizendo que nenhuma das referências prova a existência de uma ligação soviética no Governo norte-americano.
Mas não é só a história política americana que vai ser ensinada segundo novos critérios. O currículo também foi modificado nas secções de economia e até mesmo de cultura, onde foi banida a referência ao hip-hop como uma forma popular de expressão artística do século XX.
Da lista dos feriados nacionais que os alunos devem estudar, foi retirado o Dia de Martin Luther King e incluído o Dia dos Veteranos. O termo capitalismo foi substituído pela expressão "sociedade de livre empreendedorismo". Já não será preciso saber apontar no mapa dos Estados Unidos onde fica a capital, Washington DC. E referências a geografias mais distantes, como o Amazonas ou os Himalaias, desaparecerão totalmente dos manuais escolares.
As alterações propostas estão a gerar enorme controvérsia, e não só entre a comunidade educativa. Mas o mais proeminente membro do Conselho de Educação do Texas, Don McLeroy (que se descreve como um "fundamentalista cristão"), defendeu a revisão do currículo, sublinhando que as mudanças foram introduzidas para "contrariar o preconceito liberal e secular vigente nos programas escolares".
Mavis Knight, uma das quatro democratas com assento no Conselho de Educação - composto por vários advogados, um dentista e o editor de um jornal semanário -, abandonou a meio a discussão sobre os critérios que deveriam presidir à escolha das matérias a ensinar aos alunos. "Houve uma evidente manipulação das propostas, que têm a ver com ideologias políticas e não com preocupações educacionais", explicou. "A única discussão que interessa ao Conselho é o conservadorismo contra o liberalismo."
"Para os secularistas, não há verdade, não há Deus... Para eles, só há evolução. Mas não é isso que está na nossa Declaração de Independência, o documento fundador do nosso país", sublinha, por seu lado, Don McLeroy. "Nós não vamos dizer aos alunos que a América é uma teocracia, mas vamos ensiná-los que os princípios sobre os quais a América foi fundada eram bíblicos."
"Os membros do Conselho de Educação do Texas têm certamente todo o direito de acreditar no que quiserem. O problema só existe quando as suas crenças religiosas obrigam a reescrever a história que os nossos filhos vão aprender", contesta o presidente da Aliança Interfés, Welton Gaddy. "A separação da Igreja e do Estado é dos princípios mais fundamentais da fundação do país, quer estes senhores gostem ou não."
Os dirigentes do Conselho Nacional para o Ensino da História também denunciaram as revisões propostas pelos legisladores do Texas como "factualmente incorrectas".
"O que está aqui em causa não é se a visão de um partido é superior à visão do outro partido, mas sim o bom ensino da História. E isso só se consegue com respeito e fidelidade aos factos", comentou o presidente daquela organização, Fritz Fischer.
Texanos e taliban
Os departamentos de História de várias universidades americanas já vieram a público condenar a iniciativa do Conselho de Educação do Texas. "Muito francamente, o nível de politização dos manuais escolares a que estamos a assistir é preocupante. Os danos para o sistema educativo desta revisão ideológica estendem-se muito para além do Texas, e é nossa obrigação moral condenar os critérios que foram utilizados", escreveu a Washington University em St. Louis, numa tomada de posição oficial. "Para nós, a subeducação, ou pior, a educação incorrecta e deliberada, é absolutamente intolerável."
O jornal The Houston Chronicle, da maior cidade do estado, arrasou a decisão num editorial intitulado A América não é uma teocracia: "Durante anos, o Conselho de Educação do Texas foi um embaraço e uma desgraça. Mas agora bateu no fundo, tomando como reféns os livros que vão instilar nos nossos filhos uma mentalidade que chega a ser anti-americana", acusou o diário. "A revisão do currículo de Estudos Sociais pela maioria conservadora daquele conselho tem como objectivo reescrever a História. Em vez do nosso passado complicado, os membros extremistas daquele órgão querem ensinar uma história simples do triunfo dos soldados cristãos. (...) Mas nós somos uma democracia, não uma teocracia, e somos livres de adorar o que quisermos. É esta ideia crucial que separa os texanos dos taliban."
Por seu lado, vários grupos evangélicos e conservadores têm elogiado a actuação do Conselho de Educação, considerando que o novo currículo garante aos estudantes texanos "um ensino de qualidade excepcional a nível mundial".
A reforma curricular aprovada pelo Conselho de Educação do Texas (e que terá ainda de ser ratificada num novo voto em Maio, depois de um período de consulta pública) pode acabar por estender-se aos outros estados do país, que, por razões financeiras, geralmente adoptam os mesmos manuais escolares.
O maior mercado de livros
O Texas, com 4,7 milhões de estudantes, é o maior mercado de livros escolares nos Estados Unidos, levando as editoras a usar aquele currículo como standard para os manuais que são publicados todos os anos. Apesar de ter idêntica responsabilidade na definição dos seus próprios programas, a maior parte dos outros estados acaba por encomendar as mesmas edições, uma vez que a produção maciça torna os manuais substancialmente mais baratos.
No entanto, vários políticos da Califórnia, o outro grande mercado para as editoras escolares, já prometeram agir para evitar que o revisionismo texano se torne norma naquele estado. O senador estadual Leland Yee apresentou uma proposta legislativa, que a sua bancada democrata prometeu apoiar, no sentido de impedir a adopção dos manuais com o currículo do Texas.
"O programa de Estudos Sociais que o Texas pretende ensinar não só é historicamente errado como é um insulto para todos aqueles que lutaram pelos direitos cívicos e pela representatividade das minorias", considera Yee. "Enfatizar o papel dos grupos conservadores e ignorar a existência de sindicatos e grupos de pressão liberais é incompreensível. Descrever os generais racistas do exército confederado como heróis americanos é simplesmente absurdo."
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Portugal - Sector dos Livros não sofre crise
Livros: Sector passa ao lado da crise e mantém estabilidade
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A compra de livros em Portugal manteve-se estável no primeiro semestre de 2009, apesar da crise económica mundial e de «alguma contenção inicial na edição», segundo a avaliação da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL)..
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in Diário Digital 2009.08.04
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
"If you can't beat them, join them" - Amazon acquires Zappos for $920 million
BLOG >>> Posts
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Segunda-feira, 27/7/2009
Julio Daio Borges
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A Amazon, e suas aquisições via @TechCrunch.
Julio Daio Borges
27/7/2009 às 11h00
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Amazon Acquisitions and Investments
Including Zappos for $920 million
"If you can't beat them, join them" - Amazon acquires Zappos for $920 million
There's a reason that Amazon is the largest online retailer in the world, it realises that if a rival firm is too much of a threat, instead of competing with them, just buy them!
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With news today that Amazon has dug deep for a US$928 million deal with online shoe retailer Zappos.com, it is clear that the Seattle-based company is desperate to corner the market in all retail sectors.
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Despite starting off as online bookstore in 1995, Amazon quickly diversified and today sells music downloads, DVDs, clothes, electronics, furniture and clothes. As such, it has made a number of acquisitions over the years that have since their stocks soar and their profits rocket.
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Along with today's purchase of Zappos, notable purchases include:
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Audible.com - the online audio-book provider was purchased by Amazon in 2008 for US$300 million.
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AbeBooks/Shelfari - In August 2008, Amazon reverted back to its bookshop origins and purchased AbeBooks, a retailer of new, used and rare books. It also acquired the Seattle-based Shelfairi, a book based social network site. In addition, it got an additional stake in Shelfari's competitor LibraryThing, which AbeBooks had previously purchased a 40 percent stake in, and total ownership of Bookfinder.com, Gojaba.com, and listing-management service FillZ, all owned by AbeBooks at the time of acquisition.
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CD Now - the online music retailer was purchased in 2003.
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Amazon has also purchased the popular Internet Movie Database and Box Office Mojo, a site that tracks movie sales in theatres effectively cornering the online movie site sector. Zappos, is also not its first clothing purchase; in February 2006, Amazon acquired the Wisconsin-based Shopbop, an online clothing and accessory store for women. A year later, Endless.com, a separate shoe firm was purchase with Fabric.com following a few months later.
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2009 is so far, the second largest year for Amazon and similar deals with the company investing in seven firms. 1999 holds the highest amount with Amazon putting money into 14 businesses.
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What becomes clear though, is Amazon policy to healthy competition - "If you can't beat them, join them" and with their profits margins, do it by throwing large quantities of cash at them.
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terça-feira, 21 de julho de 2009
Dia de quem?
por Regina Abrahão*
Palavras rebeldes? Não, não se trata de rebeldia. Ou talvez trate-se da boa rebeldia. É que ao buscar a origem destas datas, encontraremos primeiro algumas festas pagãs, com sentido absolutamente diverso, depois cooptadas pelo cristianismo e por fim adaptadas pelo capitalismo, que via em cada comemoração personalizada a possibilidade de ganhos, lucros e vendas. Desta forma, o dia dos pais nos EUA teve sua data unificada por Nixon em 1972; antes disto, cada estado comemorava seu dia, de acordo com o comércio local.
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O próprio natal, ápice do consumo no mundo inteiro, deriva de uma festa pagã. A cultura celta comemorava o nascimento do sol em um festival, aproximadamente na data do natal, quando os romanos cristianizaram a Europa e os ''pagãos'', apropriando-se inclusive desta festa. Daí o primeiro natal com sentido de nascimento de Cristo data do ano de 336, em Roma. Ou seja, totalmente descolado do que seria a idéia original. Como a Bíblia diz que os reis magos trouxeram presentes, a idéia pegou. O resto, todo o povo conhece...
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Na Grécia e Roma antigas haviam festivais chamados Lupercália, dedicados à fertilidade. Aconteciam em fevereiro. Depois, o catolicismo proibiu a realização destas festas e se apropriou da data, que virou dia de San Valentin. Aqui no Brasil, o publicitário João Dória da Standart Propaganda fez uma campanha para as lojas Clippert, tentando movimentar as vendas que estavam fracas. A campanha dizia: ''Não é só com beijos que se prova o amor''. A moda pegou. Assim nasce o dia dos namorados. Foi um sucesso.
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O primeiro dia das mães no Brasil acontece em 1912 numa campanha conjunta entre a Associação Cristã de moços e os lojistas de Porto Alegre, num mês de fraquíssimo movimento. Marcaram para 12 de maio uma comemoração que tinha com o slogan ?Dê um presente para quem lhe deu o maior presente: a vida.? Em seguida, a idéia espalhou-se pelo país e unificou-se, uma vez que a data já era comemorada em maio em outros países.
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O problema todo fica sendo os sem. Sem, bem entendido, dinheiro para comprar os presentes, sem presentes para receber ou vontade para presentear. Os sem vontade de se enquadrar no que diz o capitalismo que devemos, obrigatoriamente fazer.
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Como agora, quando amigos e amigas surgem sorridentes a se abraçar, passam torpedos e e-mails, e até aí, tudo bem. Inofensivo dia do amigo. Em algumas floriculturas já vi pequenos vasos de flores para amigos. Cartões para amigos. Torpedos telefônicos O docinho, o bom-bom. A flor, a cerveja, café com chantili. Talvez esteja na hora de instituirmos o dia do só abraço no amigo. Mas penso que este não contará com apoio da mídia.
*Regina Abrahão, é do Rio Grande do Sul, funcionária pública estadual, dirigente de políticas sociais do Semapi, da CTB e do PCdoB de Porto Alegre, coordenadora do núcleo Cebrapaz, estuda Ciências Sociais na UFRG.
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in Vermelho - 21 DE JULHO DE 2009 - 20h09
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Os próximos capítulos do negócio do livro .
Digestivo nº 423 >>> Os próximos capítulos do negócio do livro
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Enquanto os jornalistas ainda discutem se os jornais vão acabar – e eles continuam acabando –, Jeff Bezos, da Amazon, vai mexendo seus pauzinhos para dominar, nos próximos anos, o chamado negócio do livro. Bezos mereceu a capa na última Fast Company, que, por causa do Kindle, aproxima a Amazon da Apple e seu fundador, de Steve Jobs. A revista sugere que: assim como iPod e iTunes redefiniram o negócio da música, entregando o monopólio da distribuição on-line à Apple e a Jobs, o Kindle e seu software podem redefinir o negócio do livro, encurtando a distância entre autores e leitores, relegando editores, gráficas e outros profissionais da indústria do papel a um segundo plano. Um exemplo: se hoje os ganhos dos autores, em porcentagem, são insignificantes, por conta dos custos de revisão, edição, diagramação, impressão, distribuição e divulgação, no modelo da Amazon, esses mesmos ganhos podem ser tornar, proporcionalmente, mais relevantes – porque não haverá mais custos relacionados à produção e à circulação do livro físico. Se os antigos editores já começam a se preocupar, deveriam se preocupar ainda mais porque o Google está se aliando à Sony, para entrar nesse jogo, enquanto há suspeitas de que a própria Apple estaria preparando seu leitor eletrônico (embora Jobs negue, como negou, aliás, o vídeo no iPod e a sua fusão com o celular, o iPhone). E enquanto acadêmicos ficam discutindo se ler na tela é a mesma coisa que ler no papel, a internet vai reinventando a narrativa, com o link, o áudio e o vídeo. O livro vai acabar como o jornal? Não; mas vai sofrer transformações que os velhos editores nem sonham ainda...
>>> Amazon Taps Its Inner Apple
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in Digestivo Cultural
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Ainda LeYa

* Luís Filipe Cristóvão
Grupo Leya
Miguel Pais do Amaral apresentou ontem o Grupo LEYA, futuro maior grupo editorial português (já o é no livro geral, está em segundo no escolar) que agrupa as editoras Texto, Dom Quixote, Caminho, Asa, Nova Gaia e Gailivro (e isto só em Portugal, também detém editoras em Angola e Moçambique). Dessa apresentação há a notar os seguintes aspectos:
- Todas as editoras vão manter o seu nome e equipa criativa, sendo que partir de agora os livros passarão a estar no mercado com a denominação do grupo antes do da editora (Leya-Texto, Leya-Asa, Leya-Caminho, Leya-Dom Quixote,...). Ou seja, os receios de alguns autores em relação à identidade de cada um dos projectos editoriais confirmam-se. A partir de agora, a referência passa a ser a Leya, cada projecto editorial ganha o valor de uma sub-editora ou colecção, e assim se começa a esvaziar o valor da marca adquirida.
- Vão criar um prémio para um livro de ficção inédito no valor de 100 mil euros. Sim, 100 mil euros. Portugal passa a ter um prémio literário ao nível de vários prémios europeus. Mesmo que surjam dúvidas quanto aos critérios, aos júris e aos vencedores, um escritor receber um prémio deste valor só pode ser boa notícia. É bom saber que alguns de nós não vão precisar de esperar pela idade da reforma para receber um prémio que se veja.
- "A aposta é no escolar porque é na escola que se ganham os hábitos de leitura". Parece uma frase de um pai endinheirado que paga a propina num colégio ao seu filhinho loiro. Seria bem mais real dizer-se que a aposta é no escolar porque é na escola que as pessoas são mesmo obrigadas a comprar livros, porque é no escolar que praticam as margens mais benéficas para as editoras. Resta agora saber se funcionarão como a simpática e eficiente Nova Gaia ou se, à imagem da Texto, vão continuar a não fornecer caixas para quem levanta as encomendas do escolar nos seus armazéns.
- Quanto às práticas do grupo, nenhum esclarecimento. Percebe-se, pelos números dos despedimentos e pela notícia de eliminação de funções que se sobrepunham, que o mais provável é haver uma facturação conjunta e uma equipa de vendas com um comercial para cada zona em representação da totalidade do grupo. Ou muito me engano, ou vou mesmo ter que me habituar a racionar as compras destas editoras.
Em jeito de conclusão, o surgimento do Grupo Leya, para além de inevitável, é sinónimo de boas notícias para um grande grupo de pessoas - o investimento significará que muitos verão os seus meios melhorados. Em contrapartida, as exigências de resultados serão também muito maiores, mas uma coisa vem com a outra, nenhuma empresa deve ser a Santa Casa da Misericórdia. Ao mesmo tempo, os últimos dois exemplos de "entradas a matar" no mercado português (Dom Quixote no tempo da gestão-Gillete, Bertrand na ditadura da livraria) tiveram resultado díspares; no caso da Dom Quixote, uma editora, significou um recuo à casa de partida. Tenho a certeza que Pais do Amaral saberá o que está a fazer - e enquanto o livro poderá ganhar bastante com isso, talvez a literatura venha a perder.
in milnove79
08 Janeiro 2008
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Leya - “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”
Em vez de leão, jibóia
Lembram-se desta metáfora visual zoológica (que alguns talvez tenham considerado excessiva)? Ontem, Isaías Gomes Teixeira corroborou-a:
A estratégia a adoptar no Brasil, onde Pais do Amaral também pretende vir a comprar editoras, ainda não foi delineada, mas será uma prioridade no futuro do grupo. “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”, disse Gomes Teixeira. “O Brasil virá a seu tempo…”
LeYa
A marca LeYa (com y maiúsculo, segundo o Público) foi hoje apresentada, no Centro de Congressos do Estoril, por Isaías Gomes Teixeira, administrador da holding de Miguel Pais do Amaral. Além da intenção já antes demonstrada de fazer com que o projecto “cresça” (previsão de mil novos títulos em 2008 e um volume de negócios de 90 milhões de euros, tendo como objectivo tornar-se, em breve, «o maior grupo editorial de toda a área da língua portuguesa»), houve duas grandes novidades:
- O esclarecimento de que cada editora manterá a sua chancela antecedida pelo nome do grupo. Ou seja, teremos a LeYa-Caminho, a LeYa-Dom Quixote, a LeYa-Asa, etc. (A marca LeYa foi criada pelo publicitário Carlos Coelho, que a considera «nobre, simbolizando o Y a abertura da nossa língua».)
- O anúncio da criação do prémio literário LeYa, no valor de 100 mil euros, para um romance inédito escrito em português, a atribuir durante a Feira de Frankfurt (com a ideia de “exportar” os “nossos autores”). O regulamento será conhecido a 15 de Fevereiro.
Quanto ao primeiro ponto, parece-me que haverá inevitavelmente uma descaracterização da identidade de cada uma das editoras, agudizada pelo previsível nivelamento das linhas gráficas. Ter o nome da holding à frente (e não atrás) da designação original das editoras, empobrece-as, coloca-as em segundo plano, exibe de forma quase hostil quem realmente manda. E, para piorar as coisas, a marca LeYa é de uma pobreza franciscana. Fora o imperativo fonético (leia!), não diz absolutamente nada. Parece um nome made in China, um nome da loja dos trezentos. Já para não dizer que o simbolismo do Y enquanto «abertura da nossa língua» (abertura a quê ou de quê?) é um rotundo disparate, a começar pelo facto da letra tão na moda (veja-se a Byblos) não existir sequer no alfabeto português.
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O prémio literário levanta-me ainda mais dúvidas. Cem mil euros é muito dinheiro. Ou seja, tanto como o atribuído pelo Prémio Camões, de longe o mais importante do espaço da lusofonia, mas que distingue uma carreira (como o Nobel) e não um livro concreto. Neste campeonato, digamos assim, o LeYa não tem rival à altura na CPLP: o Prémio PT de Literatura em Língua Portuguesa atribui um total de 70 mil euros (mas apenas 37.500 para o vencedor), o Prémio Saramago ”fica-se” pelos 25 mil euros e o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores não ultrapassa os 15 mil euros. Na verdade, o LeYa pede meças aos principais prémios do mundo anglófono, sendo superior ao Costa Book Awards (40 mil euros) e mesmo ao tão mediático Man Booker Prize (cerca de 67 mil euros), ficando apenas aquém do maior prémio para um livro: o IMPAC Dublin (127 mil euros).
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Financeiramente, o LeYa vai ser incontornável. Resta saber qual a sua credibilidade. É que se alguns dos prémios atrás referidos são patrocinados por empresas assumidamente não-literárias (especialistas em investimentos alternativos, café ou sistemas de controlo), o LeYa vai ter como patrono uma holding editorial. Como é que vão ser geridos os conflitos de interesses? Se o prémio é aberto a todos os autores de língua portuguesa, será que os escritores publicados pela LeYa podem participar? Por outro lado, se os nomes fortes da casa ficarem de fora (como a lógica e a transparência exigem), que interesse é que a LeYa terá em premiar e promover autores de outras editoras ou grupos concorrentes?
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Ainda há aqui muitas zonas de sombra. Esperemos que se dissipem no dia 15 de Fevereiro.
PS — Estou muito curioso de saber que figuras serão convidadas para o júri…
PS 2 — O objectivo de “internacionalizar” os autores lusófonos, anunciando o prémio em Frankfurt, revela ambição. Mas, é bom dizê-lo, também alguma ingenuidade. Sabendo-se que por aqueles dias os suecos revelam a identidade do Nobel da Literatura, alguém vai ligar alguma coisa ao vencedor do prémio português com nome patusco?
[Foto: DN]
Leya: Vender, vender, vender mais

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* Ana Maria Ribeiro
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O objectivo do grupo editorial – o maior do País – é lançar mil livros por ano e apostar no mercado internacional, projectando os autores portugueses lá fora, sobretudo tendo em conta que, dentro em breve, o número de falantes da nossa língua será de meio bilião.
A extinção dos nomes das editoras não está prevista, ou seja, a partir de hoje os novos lançamentos da Caminho, da Dom Quixote ou da Asa – só para referir as mais sonantes do grupo – vão aparecer sob a chancela Leya Caminho, Leya Dom Quixote, Leya Asa e por aí adiante. Também não estão previstos, por enquanto, lançamentos em nome próprio: a Leya não vai editar, a não ser “em situações excepcionais”.
Foi, pelo menos, o que explicou Isaías Gomes Teixeira, que, em nome do holding, se escusou a revelar os valores do negócio realizado por Pais do Amaral, mas adiantou, com satisfação, que desde que o grupo começou a trabalhar no mercado escolar – outra das suas apostas fortes – as vendas de manuais para Angola e Moçambique já aumentaram de 13 milhões em 2006 para 20 milhões em 2007.
A estratégia a adoptar no Brasil, onde Pais do Amaral também pretende vir a comprar editoras, ainda não foi delineada, mas será uma prioridade no futuro do grupo. “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”, disse Gomes Teixeira. “O Brasil virá a seu tempo...”
DESPEDIMENTOS PACÍFICOS
Em Março, a Leya deverá inaugurar as suas novas instalações, em Alfragide, mas até lá os funcionários continuarão a trabalhar no mesmo local de sempre. Dos 670 que trabalhavam nas várias empresas, 120 foram dispensados e não estão previstos novos despedimentos.
Gomes Teixeira garante que foi tudo feito de forma pacífica. “As pessoas saíram sem dramas, rapidamente, e a reestruturação está praticamente concluída. Há apenas algumas questões pontuais a resolver.”
UM PRÉMIO LITERÁRIO DE CEM MIL EUROS
Segundo garantiu Gomes Teixeira, a Leya não vai alterar os critérios editoriais das seis empresas que representa. Pretende “apenas” editar “mais e melhor”. “Os catálogos estarão sempre a crescer”, afirmou.
Para garantir o prestígio da marca, a Leya vai passar também a distinguir, anualmente, um inédito de ficção em língua portuguesa com um prémio de cem mil euros. Apesar de não estar ainda constituído o júri do prémio – e de não estarem definidas as suas condições – sabe-se que o Prémio Leya será anunciado durante a Feira do Livro de Frankfurt. Para que desde logo o autor tenha a máxima projecção possível. “Isto revela o nosso empenhamento em exportar os nossos autores”, explicou também Gomes Teixeira.
Os romances não serão necessariamente de autores desconhecidos – a única condição, até ao momento, é de que sejam inéditos.
NOTAS
ASA ERA PRIORITÁRIA PELO MOVIMENTO
Entre as seis editoras detidas pelo grupo de Pais do Amaral está a Asa, a maior editora do grupo e que movimentava, por ano, 12,5 milhões de euros. A sua aquisição era prioritária para a Leya.
D.QUIXOTE E CAMINHO TINHAM OS AUTORES
A D. Quixote e a Caminho traziam os grandes nomes, como José Saramago, Lobo Antunes ou Lídia Jorge, e a Texto Editora assegura à Leya uma posição na luta pelo mercado editorial escolar.
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in Correio da Manhã 2008.01.08
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Foto Bruno Colaço - Pais do Amaral só não revela quanto lhe custou comprar seis editoras, entre as quais a Caminho e a Dom Quixote






