Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 29 de agosto de 2010

A mídia e o "novo analfabetismo" Venicio A. de Lima *


Colunas

Vermelho - 27 de Agosto de 2010 - 0h45

A mídia e o "novo analfabetismo"

Venicio A. de Lima *

Faz tempo que os estudiosos chamam a atenção para o problema do excesso de informação nas sociedades contemporâneas. Em precioso artigo intitulado "O novo analfabetismo", publicado no Jornal do Brasil, há exatos seis anos, Emir Sader lembrava que:

"Até um certo momento, a capacidade de compreensão do mundo, e de nós dentro do mundo, esbarrava na falta de informações. Mais recentemente, passamos a sofrer o fenômeno oposto: excesso de informações. Nos dois casos, o que sofre é a capacidade de compreensão, de apreensão dos fenômenos que nos rodeiam, que produzem e reproduzem o mundo tal qual é e nós dentro dele. (...) A informação contemporânea, massificada, fragmentada, atenta contra a capacidade de compreensão da realidade como uma totalidade. Os noticiários de televisão enunciam uma enorme quantidade de informação, sem capacitar para sua compreensão, com um ritmo e uma velocidade que impedem sua assimilação e o questionamento do sentido proposto" (íntegra aqui).
Já tive a oportunidade de argumentar neste OI que informação não é conhecimento e que o excesso de informação passou a ser sinônimo de desinformação [cf. "Internet, informação e conhecimento" in OI nº. 297 de 5/10/2004]. Além disso, o principal problema provocado pelo excesso de informação tem sido identificado como a incapacidade do cidadão comum de "compreensão da realidade como uma totalidade".
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Há, todavia, outro aspecto pouco lembrado: a informação que está disponível "em excesso" nem sempre é aquela que permite a "compreensão da realidade como uma totalidade". Ou ainda: não é nem mesmo a informação correta sobre fatos e dados de grande interesse público.
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Presidente muçulmano em país antimuçulmano?
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Parte dos resultados de uma pesquisa nacional realizada nos Estados Unidos pelo conceituado Pew Research Center, agora divulgados, dramatiza essa nova realidade.
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O número de americanos que acredita que o seu presidente é muçulmano tem aumentado ano a ano e chegou a 18% da população, em agosto de 2010. Se somados àqueles que declaram "não saber" ou que ele é de "outra religião" que não a sua, 63% dos americanos desconhecem que Barack Obama, na verdade, é cristão [ver quadro].


Quando perguntados como souberam qual a religião de Obama, 60% daqueles que acreditam que ele é muçulmano citam a mídia. Dezesseis por cento mencionam a televisão como sua fonte.
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Alguns ainda podem acreditar que não se deva atribuir maior significado aos dados revelados pelo Pew Center. No entanto, bastaria lembrar a crescente onda anti-islâmica que varre os Estados Unidos [por exemplo, "The US blogger on a mission to halt `Islamic takeover´"], ou mencionar a manchete de capa da revista Time desta semana [vol. 176, nº. 9] que pergunta "A América é islamofóbica?" e publica os assustadores resultados de outra pesquisa nacional:
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** 25% consideram os muçulmanos americanos não patriotas;
** 28% dos americanos afirmam ser contra um muçulmano integrar a Suprema Corte (nunca houve nenhum); e
** 33% se opõem a um muçulmano concorrendo à presidência.
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E o dever de informar?
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É imperativo, portanto, perguntar: se o grau de informação (desinformação?) dos americanos em relação à crença religiosa do seu próprio presidente expressa a qualidade da informação sendo oferecida pela grande mídia – sobretudo, a televisão –, estaria ela cumprindo sua missão fundamental na democracia que é informar corretamente ao cidadão?
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A lição para nós, brasileiros, é a reiterada necessidade de se estar atento às muitas contradições das posições públicas assumidas pela grande mídia e suas entidades representativas.
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A defesa da liberdade de imprensa em nome do direito de informar – que, na verdade, é o corolário do direito básico do cidadão de ser informado – não significa que a informação necessária e correta esteja disponível. Mesmo em sociedades onde, eventualmente, possa existir "excesso de informação".


* é professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010
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* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
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  • OS PIGs SÃO COMO TRAFICANTES DE DROGAS

    28/08/2010 20h13
    Este artigo é mais um alerta para todos nós, que os "comedores de luz" entendam que a mídia tem a sua lógica fundamentada na mercantilização da informação, sem se importar qual o tamanho efeito nocivo aos incautos que o absorve como verdade absoluta. Com a intensidade cada vez maior, para que não haja tempo nem para se analisar a origem dassas dessas des-informações, sua utilidade para a sociedade e o porque foi passada naquele momento, daquela forma.Liberdade nunca deve ser comfundida com o abuso e irresponsabilidade de tão poderoso instrumento da atualidade: o uso da concessão pública para um interresse privado.E como ser livre, para vender droga sem sem ao menos pagar nenhum tributo à sociedade.
    JOSÉ EVANGELISTA RIOS DA SILVA
    SALVADOR - BA
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domingo, 25 de julho de 2010

Mandela e a falsificação da História

Mundo

Vemelho - 25 de Julho de 2010 - 17h57

Muitas são as inverdades que "a máfia midiática", a serviço das várias tendências políticas da burguesia e do imperialismo, têm veiculado e continuam a veicular sobre as lutas libertadoras dos povos. Neste texto, Cabrera diz que Nelson Mandela não foi o "pacifista descafeínado" que a burguesia nos pretende apresentar no final da sua vida e fala-nos da enorme contribuição de Cuba revolucionária para a libertação da África. 

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Por Ángel Guerra Cabrera*, no Diario.Info

A hipocrisia dos Estados Unidos da América e dos seus aliados pode ser comprovada, em toda a sua dimensão, ao promoverem a proclamação pela Assembleia Geral da ONU 18 de julho como Dia Internacional de Nelson Mandela, data natalícia do lendário dirigente sul-africano.

Era isto que dizia de forma exemplar o insubstituível correspondente de La Jornada nos Estados Unidos, David Brooks, ao pôr em contraste os encomiásticos e oportunistas elogios da secretária de Estado Hillary Clinton a Mandela, com o testemunho de um veterano da luta contra o apartheid naquele país, que recordava que o prestigiado líder e a sua organização, o Congresso nacional Africano (ANC), foram mantidos pelo governo estadunidense na lista oficial de terroristas, nada mais nada menos que durante todo o mandato de Bill Clinton, anos depois de Mandela ter sido eleito presidente da África do Sul (1994).

Querem fazer-nos esquecer o apoio econômico, político e militar aos racistas brancos de Washington e os seus aliados da NATO e, naturalmente, de Israel, que dotou Pretória de armas nucleares, por incumbência da Casa Branca.

A verdade é que Mandela não foi o pacifista descafeínado inventado pela máfia midiática mas, desde a sua juventude, um rijo lutador pela libertação do seu povo que, quando viu o regime de minoria branca afogar em sangue as suas tentativas de lutar por meios pacíficos, não hesitou em encabeçar e organizar o Umkhonto we Size (A lança da Nação, em língua Xosa), braço militar do ANC, que executou arriscadas e audazes ações armadas até o apartheid entrar na sua fase agônica.

O diálogo e as eleições foram a conclusão de um prolongado ciclo de luta do povo negro e de alguns brancos revolucionários ou progressistas da África do Sul – entre eles, veteranos líderes do ANC como Joe Slovo, presidente do Partido Comunista da África do Sul – cuja última etapa, dos anos 20 aos anos 90 do século 20, foi reprimida sem piedade pelos racistas brancos.

A luta contra o apartheid conheceu na altura um grande impulso e levantou uma enorme solidariedade internacional a favor da descolonização de África e, finalmente, da libertação das colônias portuguesas e da notoriedade da SWAPO (na sua sigla em inglês), Movimento de Libertação da Namíbia, então colônia sul-africana.

É neste panorama que se insere outro dado fundamental que a história oficial omite ou falseia: as ações internacionalistas da Revolução Cubana em África. Estas ações estendem-se de tal modo, no tempo e no espaço, que só refiro sinteticamente o que se relaciona com este artigo.

Por solicitação do governo de Agostinho Neto, líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Havana enviou em 1975 um contingente de tropas que destroçou o plano dos Estados Unidos, da África do Sul racista e do Zaire de Mobutu de destruição da nova independência e de saque desse grande país [1]. Uma vez derrotada a invasão da África do Sul, dos mercenários europeus e das fações angolanas ao seu serviço, ainda ficaram em Angola forças cubanas suficientes para preservar a sua soberania.

Apesar disso, em 1988, depois de constantes incursões sul-africanas em território angolano e de uma grave ameaça militar dos racistas, novamente a pedido de Angola, cruzou a Atlântico um forte contingente de forças cubanas, com aviação de combate, tanques e artilharia pesada que, na batalha de Cuíto Cuanavale, situada a sul do território angolano, infligiram uma derrota estrondosa aos racistas, forçaram-nos a retirar das suas bases e avançaram até à Namíbia. Como escreveu o sub-secretário de Estado Chester Crocker ao seu chefe George Schultz, "o avanço cubano no sudoeste de Angola criou uma dinâmica militar imprevisível".

O imprevisível foi a ação das forças armadas cubanas em cooperação com as forças angolanas e namibianas terem obrigado os Estados Unidos e os racistas sul-africanos a sentar-se à mesa das negociações e aceitar a independência da Namíbia.

O fim do apartheid ter-se-ia prolongado até quando ninguém sabe sem a derrota do exército de Pretória em Cuíto Cuanavale e a ameaça de insurreição do povo negro da África do Sul por ela inspirado.

Nelson Mandela disse sobre isso: "Cuíto Cuanavale marca a viragem na luta para livrar o o continente e o nosso país do flagelo do apartheid".

Nota do tradutor:
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[1] Ver Piero Gleijeses, Missiones en Conflito, 2002, Ediciones Sociales, La Habana. Desta obra, que teve edições simultâneas nos EUA e em Cuba, foi há anos anunciada pela Editorial Caminho uma edição portuguesa que nunca chegou a aparecer.

* Colunista do diário mexicano La Jornada, jornal diário mexicano.

Fonte ODiario.Info. Este texto foi publicado em
www.jornada.unam.mx/2010/07/22/index.php?section=opinion&article=026a1mun. Tradução de José Paulo Gascão
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domingo, 11 de julho de 2010

James Brown : Say It Loud -- I'm Black and I'm Proud


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murphd09 | 11 de Abril de 2008
a video project for school
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James Brown : Say It Loud -- I'm Black and I'm Proud Lyrics

Songwriters: Brown, James; Ellis, Alfred James;


Uh! With your bad self!

Say it loud: I'm black and I'm proud!
Say it loud: I'm black and I'm proud!

Some people say we've got a lot of malice
Some say it's a lot of nerve
But I say we won't quit moving until we get what we deserve
We have been bucked and we have been scorned
We have been treated bad, talked about as just bones
But just as it takes two eyes to make a pair, ha
Brother we can't quit until we get our share

Say it loud: I'm black and I'm proud!
Say it loud: I'm black and I'm proud!
One more time!
Say it loud: I'm black and I'm proud!

I worked on jobs with my feet and my hand
But all the work I did was for the other man
Now we demand a chance to do things for ourselves
We're tired of beatin' our head against the wall
And workin' for someone else

Say it loud: I'm black and I'm proud
Say it loud: I'm black and I'm proud
Say it loud: I'm black and I'm proud
Say it loud: I'm black and I'm proud

We're people, we're just like the birds and the bees
We'd rather die on our feet
Than be livin' on our knees

Say it loud: I'm black and I'm proud
Say it loud: I'm black and I'm proud
Say it loud: I'm black and I'm proud
Say it loud: I'm black and I'm proud
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http://artists.letssingit.com/james-brown-lyrics-say-it-loud-im-black-and-im-proud-pt-1-5w39354
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Say It Loud – I'm Black and I'm Proud

From Wikipedia, the free encyclopedia

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"Say It Loud — I'm Black and I'm Proud"

The Say It Loud — I'm Black and I'm Proud album
Single by James Brown
from the album Say It Loud — I'm Black and I'm Proud
A-side Say It Loud — I'm Black and I'm Proud, Pt. 1
B-side Say It Loud — I'm Black and I'm Proud, Pt. 2
Released August 1968
Format 7" (stereo)
Recorded August 7, 1968 at Vox Studios, Los Angeles, CA
Genre Funk/Soul
Length 2:59 (Pt. 1)
Label King
6187
Writer(s) James Brown
Alfred Ellis
Producer James Brown
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"Say It Loud — I'm Black and I'm Proud" is a funk song written and recorded by James Brown in 1968. It is notable both as one of Brown's signature songs and as one of the most popular "black power" anthems of the 1960s. The song was released as a two-part single which held the number-one spot on the R&B singles chart for six weeks, and peaked at number ten on the Billboard Hot 100. [1] Both parts of the single were later included on a 1969 album of the same name.
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"Say It Loud — I'm Black and I'm Proud" was the first Brown recording to feature trombonist Fred Wesley, who went on to become the bandleader of The J.B.'s.

Contents

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Lyrics

In the song, Brown addresses the prejudice towards blacks in America, and the need for black empowerment. He proclaims that "we done made us a chance to do for ourself/we're tired of beating our head against the wall/workin' for someone else". The song's call-and-response chorus is performed by a group of young children, who respond to Brown's command of "Say it loud" with "I'm black and I'm proud!" Ironically, as the song was recorded in a Los Angeles area suburb, most of the children that Brown was able to recruit for the recording session were actually white and Asian, with only a few black children included in the ensemble.[2]
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The lyrics "We've been 'buked and we've been scorned/We've been treated bad, talked about as sure as you're born" in the first verse of the song paraphrase the spiritual "I've Been 'Buked".
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Several other Brown singles from the same era as "Say It Loud - I'm Black and I'm Proud", most notably "I Don't Want Nobody To Give Me Nothing (Open Up The Door, I'll Get It Myself)", explored similar themes of black empowerment and self-reliance.
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The song's opening exhortation, "With your bad self", is an example of linguistic reappropriation, and added a new entry to Brown's long list of sobriquets: "His Bad Self."

Place in Brown's repertoire

"Say It Loud — I'm Black and I'm Proud" was an immediate and massive hit for Brown. It became a highlight of his concerts, where arena crowds would shout out the "I'm black and I'm proud" response section. However, within a year of the release of the studio recording it had largely disappeared from Brown's concert repertoire, as he was concerned with how its message was being interpreted. In his 1986 autobiography Brown wrote:
The song is obsolete now... But it was necessary to teach pride then, and I think the song did a lot of good for a lot of people... People called "Black and Proud" militant and angry - maybe because of the line about dying on your feet instead of living on your knees. But really, if you listen to it, it sounds like a children's song. That's why I had children in it, so children who heard it could grow up feeling pride... The song cost me a lot of my crossover audience. The racial makeup at my concerts was mostly black after that. I don't regret it, though, even if it was misunderstood.[3]
Live recordings of "Say It Loud — I'm Black and I'm Proud" are included on the albums Motherlode (1988) and Say It Live & Loud: Live in Dallas, 1968 (1998).

Recognitions

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In 2004 "Say It Loud — I'm Black and I'm Proud" was ranked number 305 on Rolling Stone magazine's list of the 500 greatest songs of all time.
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The song inspired the title of a VH1 television special and six-disc box set, Say It Loud! A Celebration of Black Music in America. Brown's song is included on disc four of the collection.
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In Roddy Doyle's 1987 novel The Commitments and its 1991 film adaptation, the character Jimmy Rabbitte removes any doubt in his band's eyes about their ability to sing soul music due to the colour of their skin by getting them to say "I'm black and I'm proud".
Do you not get it, lads? The Irish are the blacks of Europe. And Dubliners are the blacks of Ireland. And the Northside Dubliners are the blacks of Dublin. So say it once, say it loud: I'm black and I'm proud.

Personnel

  • James Brown - lead vocal
with the James Brown Orchestra:

Other versions and uses

More than a dozen hip hop musicians and groups have sampled "Say It Loud - I'm Black and I'm Proud", including Eric B. and Rakim, Big Daddy Kane, LL Cool J and 2 Live Crew.
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A few performers have recorded cover versions of the song, including jazz saxophonist Lou Donaldson (on his 1969 album Say It Loud!), reggae singer Bob Marley (in a medley with "Black Progress") and the punk rock band Black Randy And The Metrosquad.
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A slightly modified version of the bassline of "Say It Loud — I'm Black and I'm Proud" appears in long sections of the track "Yesternow" on the Miles Davis album A Tribute to Jack Johnson.
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Jazz pianist Jaki Byard recites the title phrase at the onset of "Parisian Throughfare", the opening track of his album The Jaki Byard Experience. However, the recitation is only audible when the track is played at a high volume.
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The song is referenced in an episode of The Fresh Prince of Bel-Air, inspired by Black Power protests, Will, the African-American male lead attempts to hold a protest (ironically, Will and his cousin Carlton are the only black people in the room) to get a popular teacher reinstated, he inspires "Cornflake", a white fellow student, who stands up and shouts passionately "Fight the Power Will! Sing it loud, I'm black and I'm proud", to which Will replies "See, my man Conflake's got the spirit. He's a little confused but he's got the spirit".

Citations

  1. ^ Whitburn, Joel (2004). Top R&B/Hip-Hop Singles: 1942-2004. Record Research. p. 84. 
  2. ^ "Say It Loud -- I'm Black and Proud". Rolling Stone. 2004-12-08. http://www.rollingstone.com/news/story/6596150/say_it_loud__im_black_and_proud. Retrieved 2006-12-25. 
  3. ^ Brown, James, with Bruce Tucker. James Brown: The Godfather of Soul (New York: Macmillan Publishing Company,1986), 200.
Preceded by
"You're All I Need to Get By" by Marvin Gaye and Tammi Terrell
Billboard Hot R&B Singles number-one single
October 5, 1968 – November 9, 1968 (six weeks)
Succeeded by
"Hey, Western Union Man" by Jerry Butler


References

  • Leeds, Alan M., and Harry Weinger (1991). Star Time: Song by Song. In Star Time (pp. 46-53) [CD liner notes]. London: Polydor Records.
  • White, Cliff (1991). Discography. In Star Time (pp. 54-59) [CD liner notes]. London: Polydor Records.
  • White, Cliff (1988). Motherlode [CD liner notes]. London: Polydor Records.

External links

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Professor condenado a multa por chamar "preto" a aluno


Santarém
 
22.05.2010 - 09:13 Por Jorge Talixa
Um professor de Música da escola básica Mem Ramires, em Santarém, foi ontem condenado a pagar uma multa de mil euros pela prática de um crime de injúrias. Em causa está o facto de o docente ter usado a expressão "entra lá, ó preto", quando um aluno de 12 anos pediu autorização para entrar na sala de aula.
Segundo testemunharam os colegas, o aluno quase chorou e isolou-se
 no intervalo seguinte 
Segundo testemunharam os colegas, o aluno quase chorou e isolou-se no intervalo seguinte (Paulo Pimenta)
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Em 2009, este caso tinha já sido o primeiro e até agora único de discriminação racial que resultou em condenação pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Agora, o Tribunal Judicial de Santarém decidiu também absolver a mãe do menor, que estava acusada da prática de um crime de difamação agravada, no âmbito do mesmo processo, devido a queixas do professor, que contestou o teor de entrevistas dadas pela progenitora alguns meses depois. O docente, já com 26 anos de actividade lectiva, não quis falar aos jornalistas após a leitura da sentença, que o condena também a pagar as custas processuais.

O juiz Antunes Gaspar considerou provado que, na manhã de 9 de Janeiro de 2008, quando se iniciava uma aula de Música da turma D do 6.º ano, o professor terá dito, dirigindo-se ao aluno: "Entra lá, ó preto." O tribunal julgou bastante credíveis os relatos dos colegas de turma que confirmaram esta situação e não considerou plausível a tese do arguido de que teria sido outro aluno a usar aquela expressão.

Segundo testemunharam os colegas, o aluno quase chorou e isolou-se no intervalo seguinte. Quando chegou a casa, atirou a mochila ao chão e mostrou-se revoltado, contando à mãe o que se passara. Esta apresentou o caso aos responsáveis da escola mas, sem respostas concretas, decidiu apresentar queixa na PSP. Ao mesmo tempo deu algumas entrevistas a jornais locais condenando a atitude do professor.

O juiz considerou que, embora existam alguns testemunhos de que o professor também usaria termos como "cães" e "palhaços" quando se dirigia a alguns alunos, este terá sido um caso "pontual" que não configura a prática de crimes de xenofobia ou de racismo. Entende, contudo, que o professor "agiu com a intenção de ofender a imagem e o bom-nome do aluno", quando sabe que no exercício da profissão de docente lhes deve "um tratamento igual, digno e respeitador".

"Valeu a pena esta luta", disse a mãe, no final, ao PÚBLICO, acrescentando que continua preocupada com a cabeça do filho e com a forma como este pode encarar este tipo de situações.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nelson Mandela


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Nelson Mandela com a mulher, Winnie, a sair da prisão ULLI MICHEL/REUTERS

"Lembro-me que ele saiu da prisão com um sorriso"

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Durante os anos em que Nelson Mandela esteve preso, a sua imagem estava interdita ou tinha sido diabolizada. Da prisão, surge um homem alto, de expressão digna, andar lento e sorriso sereno. Um gigante mas não no sentido que o apartheid lhe tinha querido dar. Por Ana Dias Cordeiro
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O que mais surpreendeu Nelson Mandela, no dia da sua libertação, foi ver tantos brancos, juntos nas ruas com os negros, a festejar a sua saída. Disse-o no dia seguinte, na residência do arcebispo Desmond Tutu no primeiro amanhecer em liberdade depois de 27 anos na prisão. Estava "absolutamente surpreendido" por perceber que tantos sul-africanos se identificavam com o que estava a acontecer na África do Sul, um novo país que nascia e onde, dizia Mandela, havia lugar para todos. Confessou não ter palavras para transmitir o que sentira no momento em que passou os portões da prisão de Victor-Verster, há precisamente 20 anos. "Sou incapaz de descrever os meus próprios sentimentos. Foi de cortar a respiração. É tudo o que posso dizer." 
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Falava com ar calmo, nessa sua primeira conferência de imprensa, frente a 200 jornalistas. Quando foi preso, em 1964, não havia televisão na África do Sul. E em 1961 dera clandestinamente uma entrevista a um jornalista britânico do canal ITN. Mas esta era a sua primeira vez nas televisões da África do Sul e do mundo inteiro. A única imagem que dele existia de todos esses anos - a única tirada com a sua autorização e depois divulgada, pelo menos - era uma fotografia feita no pátio da cadeia junto ao seu companheiro de luta e de prisão Walter Sisulu, em 1964, nos primeiros tempos em Robben Island.
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Durante todo esse tempo, a divulgação da sua imagem fora proibida. Por isso, no dia da sua libertação, à euforia e aos cantos de alegria juntou-se o espanto de ver um homem envelhecido, digno e sereno caminhar sem sinais de rancor. Com 71 anos, Mandela tinha passado mais de um terço da sua vida preso. Muitos não sabiam o que ver no homem de quem o Governo tinha banido qualquer imagem, qualquer mensagem.
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Só em 1985, num comício no Soweto, em Joanesburgo, a sua filha Zindzi pôde passar a mensagem que trazia de uma das raras visitas autorizadas ao pai. No discurso que ela leu, Mandela, a quem as autoridades tinham oferecido a hipótese de uma saída da prisão sob estritas condições, queria deixar claro que só o aceitaria quando os outros presos políticos fossem libertados, o povo livre e o seu movimento, o Congresso Nacional Africano (ANC), legalizado. "A vossa liberdade e a minha liberdade são inseparáveis", dizia.
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No dia em que foi libertado, muitos sul-africanos, sobretudo os mais jovens, nunca tinham visto o dirigente do ANC. Antes de ser condenado a prisão perpétua por traição e sabotagem, Mandela passara vários anos na clandestinidade, tornara-se invisível.
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Tinha criado a ala militar do ANC e defendia a luta armada (mas nunca tendo como alvo a população civil) como única forma de resistir a um regime que usava a força contra o povo. Era considerado de tal modo perigoso pelo Governo que este o deixou preso, escondido e sem ser fotografado durante 27 anos, primeiro na prisão de alta segurança de Robben Island, numa ilha ao largo da Cidade do Cabo, depois na prisão de Pollsmoor, e, finalmente, na cadeia de Victor Verster.
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A ideia de Mandela que o Governo do apartheid fazia passar era a do líder de um movimento terrorista. E era ainda mais perigoso porque inteligente. Ele próprio, advogado, assumira a sua defesa no julgamento de Rivonia. E aí, como depois no discurso da Cidade do Cabo, disse que lutava contra a dominação branca, da mesma forma que combatia a dominação negra. Acreditava numa nação com oportunidades iguais para todos, com eleições livres em que a cada homem correspondesse um voto. 
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Para muitos jovens era um símbolo. De uma luta. 
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Símbolo de coragem 
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Com as mudanças políticas e o anúncio, nove dias antes, a 2 de Fevereiro de 1990, do Presidente F. W. De Klerk de que seria libertado incondicionalmente, Mandela passou de símbolo da opressão a símbolo da coragem.
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E porque escolheu quando e como saiu da prisão, porque caminhou e não foi transportado de carro da prisão, porque não exultou à saída nem se queixou dos anos de privações, porque não trazia na sua expressão nenhuma das marcas de um homem que tinha estado atrás das grades mais de um quarto de século, Mandela tornou-se maior que o símbolo. E mostrou que uma lenda fica maior e não mais pequena quando se torna humana, escreveu o ensaísta irlandês Fitan O"Toole, numa homenagem a Mandela.
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"Não sabíamos como ele seria. Mas o simples facto da sua libertação representava tudo aquilo que tínhamos querido alcançar", testemunhou à BBC a jornalista da estação Audrey Brown, que já em 1990 trabalhava num pequeno jornal anti-apartheid. "Ri-me e entreguei-me a uma alegria delirante porque tudo, de repente, parecia possível, como sabíamos que seria quando, em crianças, lançávamos pedras ao gigante que era o apartheid", disse, acrescentando: "E chorei porque tantos amigos e familiares tinham morrido a tentar concretizar isto, à espera disto."
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Para muitos jovens este era o momento em que viam Mandela pela primeira vez. O verdadeiro Mandela, não o do slogan em t-shirts ou posters que começaram a aparecer nas semanas que antecederam a sua libertação ou o do ar desafiador que a propaganda do apartheid difundira para sustentar a tese de que era o líder de um movimento terrorista.
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"Foi a primeira vez na minha vida que realmente vi o homem. Foi uma experiência verdadeiramente comovente", disse à AFP Siraaj Cassiem, na altura um activista anti-apartheid de 18 anos. David Teek tinha 23 anos e também nunca tinha visto uma fotografia de Mandela dos tempos da prisão. "E, no entanto, ele parecia tão longe do monstro assustador que era como o Estado o tinha retratado", disse num dos vários testemunhos recolhidos pela BBC. "Ouvi-lo falar foi um momento incrivelmente emocionante. Pouco depois da queda do Muro de Berlim [em 1989], os anos 1990 pareciam-nos a todos como um momento de viragem."
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Imagens interditas
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Mandela tinha estado preso e interdito - não era possível citá-lo nem mostrar as suas fotografias. Ao apagar-se a imagem tentou fazer-se desaparecer o homem. Mas terá esse interdito jogado a seu favor, ampliando o mito? Ou, como hoje, o líder não existiria, se dele não se vissem imagens?
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"A imagem de Mandela [a sair da prisão] teve uma força imensa, talvez até maior porque o desconhecíamos", diz Diana Andringa, que esteve presa pela PIDE, e que além de jornalista e realizadora de vários documentários está ligada ao movimento Não Apaguem a Memória. "Esse mistério aumentou muito a emoção no minuto em que ele sai." A sua invisibilidade pode ter ampliado "a aura romântica do preso", explica.
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Apesar da tensão e dos riscos que muitos sentiam, num país à beira de uma guerra civil, Mandela saiu a caminhar, acompanhado da mulher, Winnie, antes de entrar num carro que os levou à Cidade do Cabo, a cerca de 60 quilómetros dali. Pouco passava das quatro da tarde na África do Sul. Era domingo e estava um calor abrasador. "Lembro-me que ele saiu da prisão com um sorriso", disse à BBC Deborah Jane Cairns, que na altura tinha 11 anos.
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Milhões de pessoas no mundo acompanhavam o momento pela televisão. E milhares de sul-africanos tinham ido a pé ou de autocarro para ouvir o seu primeiro discurso em liberdade na varanda da Câmara Municipal da Cidade do Cabo. Para o verem.
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Para a realizadora Susana Sousa Dias, "este interdito sobre a imagem de Mandela acaba por ser um acto de violência que ganha uma grande relevância com os 27 anos de prisão". Porém, reconhece: "Ele podia estar presente através da imagem e esteve, afinal, omnipresente."
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"O Governo sul-africano tentou apagar Mandela, favoreceu o desaparecimento [da sua imagem]. E fez isso justamente devido à importância da imagem", continua Susana Sousa Dias, também professora da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa. "Se tivéssemos imagens de Mandela, tínhamos o reflexo da pessoa, a dimensão humana. E era isso que o Governo sul-africano queria evitar a todo o custo." 
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Mais de 500 mil pessoas encheram as ruas, descreveu o repórter da BBC que acompanhou as horas da libertação. A alegria em townships como o Soweto contrastou com a tensão e os motins nalguns bairros de brancos onde entraram negros. "Entrámos nas ruas de Joanesburgo, desafiando a polícia, entoando os nossos cânticos de vitória. Eles expulsaram-nos e bateram-nos", contou ainda a jornalista da BBC Audrey Brown.
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À alegria visível e à tensão latente juntou-se o medo de que Mandela pudesse ser assassinado por algum grupo extremista. O atraso e a espera contribuíram para os receios. 
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Firmeza no discurso 
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Mandela chegou à Câmara Municipal da Cidade do Cabo para o discurso cinco horas depois do previsto. E quando tomou a palavra em público, pela primeira vez em pelo menos três décadas, não olhou para o passado. Mas também não foi tão apaziguador como se esperava. Deixou clara a sua lealdade ao ANC e manteve o desafio ao Partido Nacional do Presidente Frederik De Klerk para cumprir a promessa e prosseguir a negociação que levaria às primeiras eleições livres de 1994. "A nossa luta atingiu um momento decisivo. A nossa marcha para a liberdade é irreversível", afirmou.
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Mandela defendia uma continuação da luta armada e das sanções internacionais ao regime, se persistissem as razões que tinham originado ambas. Nos dias que se seguiram, iniciou um périplo por várias cidades sul-africanas. Num grande comício no estádio do Soweto, milhares de pessoas entoaram o hino dos movimentos de libertação negros, Nkosi Sikelele iAfrika (Deus abençoe África), até então proibido.
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"Toda a gente queria saber o que este homem tinha para dizer e o que planeava fazer agora que estava livre", disse num testemunho à BBC Kevan Heesom, que era criança quando Mandela foi libertado. Vinha de uma família inglesa branca e frequentava uma escola numa área "muito africânder", contou, onde os professores proibiram os alunos de ver televisão e ouvir rádio nas semanas que antecederam o dia da libertação. Também o discurso de De Klerk a anunciar a libertação incondicional de Mandela, dias antes, tinha sido transmitida em directo para os Estados Unidos, mas em diferido e apenas por excertos na televisão estatal sul-africana. Esse discurso foi mais tarde descrito como o princípio do fim do regime segregacionista, "os 30 minutos que fizeram ruir o apartheid".
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