Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Vitor Hugo Soares ~ Carnaval e Política: o frevo de Deus e do Diabo


20 DE FEVEREIRO DE 2012 - 10H45 

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Antenado e polêmico que só ele, Caetano Veloso compôs para tomar conta das ruas de Salvador, Rio de Janeiro e do País, no Carnaval de 1973, um frevo chamado Deus e o Diabo. Canto de resistência, através da música e da poesia, em tempos temerários - assim eram os daquela folia - mas de uma atualidade "estarrecedora", para usar expressão da presidente Dilma, em visita às obras de transposição das águas do Rio São Francisco, durante as greves de PMs na Bahia e no Rio de Janeiro.


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PMs fazem ronda no Carnaval de Salvador
Por Vitor Hugo Soares*

Um frevo daqueles de rachar, como é típico dos frevos de verdade, mas sem o tom dogmático e incendiário tão freqüente nas cantigas de protesto daquela década, de choro e ranger de dentes. Muitas delas, diga-se a bem da verdade, entoadas a plenos pulmões pelo autor destas linhas nas ruas, becos e ladeiras da capital baiana em outros carnavais.

Além de antenado e provocador, Caetano Veloso é também um visionário. Este dom do artista é o que mais impressiona agora quando escuto, quase 40 anos depois - agora em CD - Deus e o Diabo, gravado no disco antológico Muitos carnavais, que guardo como uma de minhas preciosidades musicais preferidas.

Escutemos com atenção o filho de dona Canô. Olhos e ouvidos ligados principalmente na letra, apesar da zoada ensurdecedora em explosões de decibéis que faz lá fora, na rápida substituição da barulheira dos helicópteros da Força Nacional de Segurança sobrevoando Salvador, em voos rasantes nos dias da greve dos policiais militares. Movimento tão estranho em seu começo quanto no final surpreendente.


"Você tenha ou não tenha medo/ nego, nega, o carnaval chegou/ Mais cedo ou mais tarde acabo/ de cabo a rabo com essa transação de pavor/ o carnaval é invenção do diabo/ Que Deus abençoou/ Deus e o Diabo no Rio de Janeiro/ Cidade de São Salvador".

Fantástica antevisão de Caetano neste frevo de encher as medidas. Leiam as notícias destes últimos dias nos jornais impressos, mas principalmente nos sites e blogs. Vejam as imagens na televisão em cores e ao vivo - nos horários mais nobres na Band, na TVS, na Rede TV, na Globo - e confira com seus próprios olhos, para depois não dizer que eu estou inventando.

"Você queira ou não queira, nego, nega, o carnaval chegou", canta Caetano no vídeo do You Tube que escuto enquanto batuco estas linhas, sobre os insondáveis segredos da política e do extraordinário poder do carnaval, principalmente no eixo Rio-Bahia. Nos principais circuitos está instalada a folia de sempre, depois de andar ameaçada pelas estratégias do medo disseminadas nas duas pontas da corda esticada ao extremo.

Nas ruas das duas capitais carnavalescas por excelência e no resto do País, o tempo parece ter mudado da água para o vinho. Salvo pelos policiais que lideraram a greve, presos em Bangu 1 e na Cadeia Pública de Salvador, somados ao desassossego de seus familiares, advogados e raros políticos que cobram informações mais transparentes sobre o estranho desfecho do movimento, é quase como se nada tivesse acontecido.

Agora é o que se vê e se ouve nas duas maiores folias do País: por falha na estratégia dos PMs em greve que ocuparam a Assembleia Legislativa da Bahia e de lá ameaçaram acabar o carnaval em Salvador e no Rio - um erro fatal; ou talvez pelos ameaçados interesses grandiosos abrigados na organização e promoção da maior festa brasileira - políticos, empresariais, culturais e governamentais.

Golpe à greve

Tudo junto contribuiu, cada um à sua maneira, para golpear a greve (transformada em "motim"), com incrível eficácia e rapidez incomum em ações de governo e de estado. A tempo de limpar e preparar as ruas para o carnaval de 2012 passar e transmitir imagens bem mais agradáveis para o mundo, sobretudo aos olhos do poder.

"Não se grile/ a Rua Chile sempre chega pra quem quer/ Qual é!, Qual é!, Qual é!/ Quem pode, pode/ Quem não pode vira bode/ Foge pra Praça da Sé./ Cidades Maravilhosas/ Cheias de encantos mil/ Cidades maravilhosas/ dos pulmões do meu Brasil".

Em tempo: O governador petista Jaques Wagner passa metade do carnaval em Salvador e a outra metade no Rio de Janeiro, sua terra natal. Vai ao Sambódromo para, ao lado do colega peemedebista Sérgio Cabral, ver o desfile da Portela e de mais duas Escolas que neste Carnaval cantam "as maravilhas da Bahia". Os PMs e Bombeiros, depois da greve (ou motim?) cuidam da segurança dos foliões e dos muitos negócios envolvidos na festa. Até a presidente Dilma decidiu passar o Carnaval na Bahia.

Na Base Naval de Aratu, é verdade, mas tão próxima dos camarotes e dos trios, que pode não resistir à tentação de aparecer em uma destas grandes locomotivas atuais da folia baiana. A conferir.

Grande Caetano Veloso!

*Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site-blog "Bahia em Pauta".

Fonte: Terra

terça-feira, 15 de março de 2011

Os fuzilamentos de Setúbal - 1911

Arquivo: Edição de 14-03-2011
SECÇÃO: Cidade

Cidade recuou ontem 100 anos na sua história
foto

Mariana Torres e António Mendes assassinados e homenageados 

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Um século decorrido sobre o assassinato de dois operários conserveiros pela Guarda Republicana, o acto foi recordado e homenageado, ontem à tarde, na avenida Todi e com a inauguração de uma exposição itinerante.
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No dia 13 de Março de 1911, Mariana Torres e António Mendes, operários conserveiros setubalenses, foram mortos em plena avenida Luísa Todi, na sequência de uma manifestação de reivindicação por melhores condições de trabalho. Acontecia assim o início do divórcio entre o movimento operário e o regime republicano. 
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O importante acontecimento histórico ficou baptizado de “fuzilamentos”. Na tarde de ontem, 100 anos após esse incidente, a CULTRA - Cooperativa das Culturas do Trabalho e do Socialismo em parceria com a AJA – Associação José Afonso, evocaram a data.
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Na placa central da avenida Todi, frente ao Governo Civil, no local onde se supõe tenham ocorrido as mortes, num cenário de confrontos entre a classe operária conserveira e a Guarda Republicana, foram depositados cravos vermelhos na via pública, bem como indicações, em forma de peugadas, para o local da exposição. 
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No Clube de Amadores de Pesca de Setúbal (CAPS), sito na Rua Augusto Cardoso, ali a dois passos, foi inaugurada a exposição documental intitulada “Os Fuzilamentos” de Setúbal, seguido de um debate, praticamente participado pelas entidades organizadoras. 
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O historiador Albérico Afonso frisou a questão histórica de Setúbal na implantação da República. “Aqui começou a ser idealizada (com o 10.º Congresso de 1909, no teatro D. Amélia), mas também aqui começou a morrer, com estes dois assassinatos, numa altura em que a jovem República tinha sido implantada há apenas 5 meses.”
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A “nova aurora” trazida pelo 5 de Outubro de 1910 tingia-se, pela primeira vez no país, com o sangue dos operários. Simultaneamente, como que se esfumam as ilusões e expectativas com que os sectores de operários e trabalhadores olhavam o novo regime. 
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Albérico Afonso, Alice Samara e Álvaro Arranja, foram os historiadores que abordaram este acontecimento histórico, no colóquio realizado ontem à tarde no CAPS.
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Álvaro Arranja sublinhou que esta manifestação de operários conserveiros na avenida Todi, da qual resultou na morte de Mariana Torres e António Mendes “tem grande importância histórica, porque foi a primeira vez que a Guarda disparou sobre trabalhadores”, iniciando dessa forma o divórcio entre a República e o movimento operário.
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“Os Fuzilamentos” de Setúbal é uma exposição documental composta por oito painéis. É intenção ser uma mostra itinerante, em espaços do movimento associativo e escolar. Agendada está, para o próximo dia 26 do corrente, a inauguração desta mesma exposição na Associação de Moradores do Bairro da Anunciada (AMBA). 
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T.J.
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cultura rostos.pt - o seu diário digital
Os “fuzilamentos” de Setúbal
Homenagem a Mariana Torres e António Mendes
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Os “fuzilamentos” de Setúbal<br>
Homenagem a Mariana Torres e António MendesA CULTRA – Cooperativa das Culturas do Trabalho e do Socialismo, em parceria com a AJA – Associação José Afonso, vão promover um conjunto de iniciativas em Setúbal, evocando o centenário dos “fuzilamentos” de Setúbal, que marcam na História da República o momento simbólico em que se iniciou o profundo movimento de divórcio do movimento operário com o regime republicano.
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Em Março de 1911, a repressão violenta da novíssima Guarda Republicana sobre as operárias e operários conserveiros em greve por melhores salários, reivindicação que os industriais não queriam aceitar, provocou a morte em plena rua de Mariana Torres e do jovem António Mendes.

A “nova aurora” trazida pelo 5 de Outubro de 1910 tingia-se com o sangue dos operários. Esfumavam-se rapidamente as ilusões e as expectativas com que sectores de operários e trabalhadores olhavam o novo regime.

Para evocar esses acontecimentos, a CULTRA e a AJA promove em Setúbal no próximo Domingo, dia 13 de Março, quando passam justamente cem anos sobre os acontecimentos, as seguintes iniciativas:

16 horas na Avenida Luísa Todi
Homenagem a Mariana Torres e António Mendes

16,30 horas na Avenida Luísa Todi
Inauguração da exposição Os “Fuzilamentos” de Setúbal

Colóquio às 17 horas
Os “fuzilamentos” de Setúbal e o divórcio entre a República e o movimento operário
Alice Samara, O Republicanismo e a questão social
Albérico Afonso, Setúbal cidade industrial: enlatar e lutar (finais do séc. XIX primeiras décadas do século XX).
Álvaro Arranja, Os acontecimentos de Setúbal em Março de 1911e suas repercussões no Clube de Amadores de Pesca de Setúbal, Rua Augusto Cardoso nº 37 (junto à Praça de Bocage)

As iniciativas prosseguem com um Colóquio sobre Memórias do trabalho nas conservas, Sábado, 26 de Março às 17 horas, na AMBA, Associação de Moradores do Bairro da Anunciada, na Rua Batalha do Viso, Bairro da Anunciada (junto à Escola Secundária Lima de Freitas) e e encerram a 21 de Maio, sábado com uma Visita à Setúbal revolucionária dos tempos da República, conduzida por Albérico Afonso (historiador), com concentração na Praça do Bocage, junto à estátua às 14,30. Às 17 horas desse dia haverá um Colóquio sobre O mar e a vocação da cidade, no Clube de Amadores de Pesca de Setúbal, Rua Augusto Cardoso nº 37 (junto à Praça de Bocage).

quarta-feira, 12 de março de 2008

Setúbal - Dia da Mulher homenageia Mariana Torres

Uma apresentação em videoprojector e a inauguração de quatro exposições marcaram a homenagem a Mariana Torres, realizada no dia 8, Dia da Mulher, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS).

A apresentação em videoprojector de um projecto – escultura de Maria José Brito – de 'Monumento a Mariana Torres', operária da indústria conserveira assassinada pela GNR na greve de 1911, abriu o evento.

Seguiu-se a inauguração de quatro mostras, a primeira delas, de banda desenhada, de Nuno David, intitulada 'Por Dez Reis'. Um conjunto de nove obras da artista plástica Custódia Botas integra a exposição 'O Mundo é uma Arena', mostra que fica patente até 31 de Maio.

As restantes exposições inauguradas são 'Sonhos de Mariana', do pintor Luís Valente, e 'Sombras', com fotografias de Rosa Nunes. Ambas ficam patentes no MAEDS até 31 de Maio.

A presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, participou na homenagem a Mariana Torres, que terminou com um apontamento de dança pela bailarina Andreia Gravata.
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Hoje há música (7) - Greve Geral da Administração Pública


A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública convocou para o próximo dia 30 de Novembro, uma greve geral e nacional de trabalhadores da Administração Pública, para exigir melhores salários, uma verdadeira negociação das condições de trabalho e contrariar a destruição dos Serviços Públicos.

Deste modo, a Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública e os Sindicatos da Função Pública do Norte, do Centro, do Sul e Açores e dos Consulados e Missões Diplomáticas iniciaram já o processo de mobilização dos trabalhadores que representam para a participação nesta nova jornada de luta.

Numa altura em que o Governo se mostra intransigente no que toca aos aumentos salariais, tentando impôr percentagens que confirmam a perda de poder de compra já registada em anos anteriores; numa altura em que se perspectiva a entrada em vigor de um novo sistema de avaliação de desempenho que é apenas e só um instrumento de coacção dos trabalhadores; numa altura em que se prepara a destruição do vínculo público e dos sistemas de carreiras e de remunerações, a luta dos trabalhadores da Administração Pública é determinante.
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STAL e STML em Greve também
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Ver poema em José Afonso - Venham mais cinco