Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ary dos Santos - 4 poemas, 4 canções

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Festival RTP - 1969 Portugal "Desfolhada Portuguesa"
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Colocado por Galiza
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Filmado em 29 Março 2006 - Local: Madrid, Espanha
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A Desfolhada Portuguesa de Simone de Oliveira (1969) teria ficado em 1º lugar, mas devido ao regime salazarista em Portugal, a canção desceu para 9º lugar [Esta informação consta da Wikipedia, mas nã tenho memória deste facto nem refrência a ele encontrei numa breve pesquisa pela «teia»]. Houve ainda grande polémica devido ao facto de Simone cantar "Quem faz um filho, fa-lo por gosto", na Desfolhada Portuguesa.
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Festival da Canção - 1971 - Tonicha - Menina
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portuguesemusic
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Tonicha repete a canção "Menina" no final do Festival RTP 1971, com a qual se classificou em 1º lugar com 103 pontos.

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FESTIVAL TV 1971 - Fernando Tordo - CAVALO À SOLTA
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portuguesemusic
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Fernando Tordo interpreta "Cavalo À Solta" no Festival RTP 1971, classificando-se em 3º lugar com 42 pontos.
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Festival RTP 1973 -
Tourada - Fernando Tordo.
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Escrito no final de 1972, concorreu ao Festival da RTP de 1973 onde obteve o 1º lugar. Levantou grande polémica devido à sua letra. Ary concorria sob psudónimo e só no momento da divulgação das classificações se descobriam os verdadeiros autores, «proscritos» pela democracia salazar/caetanista. A Tourada e Desfolhada constituiram embaraçosas surpresas que ardilosamente conseguiram passar ao crivo da censura, tornando-se canções emblemáticas, tal como o então subversivo verso «quem faz um filho fá-lo por gosto (VN)
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Desfolhada Portuguesa - Simone de Oliveira
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Música - Nuno Nazareth Fernandes
Letra - Ary dos Santos
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Corpo de linho, lábios de mosto
Meu corpo lindo, meu fogo posto
Eira de milho, luar de Agosto
Quem faz um filho fá-lo por gosto
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É milho-rei, milho vermelho
Cravo de carne, bago de amor
Filho de um rei que sendo velho
Volta a nascer quando há calor
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Minha palavra dita à luz do sol nascente
Meu madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente
Em cada espiga desfolhada
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Minha raiz de pinho verde
Meu céu azul tocando a serra
Ó, minha mágoa e minha sede
Ao mar, ao sul da minha terra
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É trigo loiro, é além Tejo
O meu país neste momento
O sol, o queima, o vento, o beija
Seara louca em movimento
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Minha palavra dita à luz do sol nascente
Meu madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente
Em cada espiga desfolhada
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Olhos de amêndoa, cisterna escura
Onde se alpendra a desventura
Moira escondida, moira encantada
Lenda perdida, lenda encontrada
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Ó, minha terra, minha aventura
Casca de noz desamparada
Ó, minha terra, minha lonjura
Por mim perdida, por mim achada

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"Menina" - Tonicha
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Música - Nuno Nazareth Fernandes
Letra - Ary dos Santos
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Menina de olhar sereno
raiando pela manhã
no seio duro e pequeno
num coletinho de lã.
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Menina cheirando a feno
casado com hortelã.
Menina que no caminho
vais pisando formusura
levas nos olhos um ninho
todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
com um ribeiro à cintura.
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Menina da saia aos folhos
quem te vê fica lavado
água da sede dos olhos
pão que não foi amassado.

Menina do riso aos molhos
minha seiva de pinheiro
menina da saia aos folhos
alfazema sem canteiro.
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Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada
que se levanta primeiro
do que a terra alvoraçada.
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Menina de fato novo
ave-maria da terra
rosa brava rosa povo
brisa do alto da serra.
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Nota:

in Santos, Ary dos - As Palavras das Cantigas (organização, coordenação e notas de Ruben de Carvalho). Lisboa, Edições Avante, 1995.

Escrita em 1971. Interpretada por Tonicha, concorreu ao Festival da RTP em 1972, obtendo o 1º lugar. Teve incialmente o título de Menina do Alto da Serra. Interpretada por Tonicha no disco ORFEU SB 1118.

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Cavalo à Solta - Fernando Tordo
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Letra - Ary dos Santos
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Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
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Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
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Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
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Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
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Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
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Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
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"Tourada" - Fernando Tordo
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Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos
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Ver poema em Fados do Tempo da Outra Senhora (13) - Tourada
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Sobre os tempos da outra senhora que pé ante pé se vai reinstalando, desde há uns anos a pleno vapor, ficam estas «memórias». Homenagem a todos quantos não mudaram de barricada, escamoteando a travessa de lentilhas com sonoros mas inoperantes «Vivas à Liberdade e à Demo-cracia», mesmo usando cravo vermelho ao peito em fundo amarelo e laranja, a quem de facto vão pondo baias como se eles fossem os bandarilheiros «inteligentes» e os outros azémolas ou «chocas» papa açordas.

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Uma sessão cultural em Évora - 1972 - Victor Nogueira

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