Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Casa-museu Aquilino Ribeiro


* Emanuel Nunes
Jornalista
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Fundação e museu funcionam sem qualquer tipo de apoio público ou privado.
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No dia da trasladação de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional, a SIC visitou a Casa-museu do escritor em Moimenta da Beira. Uma instituição que funciona apenas graças à herança da família.
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Era numa casa de traço antigo, toda feita em pedra e rodeada por um enorme terreno de cultivo que moravam os avós de Aquilino Ribeiro. A propriedade fica em Soutosa, no concelho de Moimenta da Beira. Era aqui que o escritor passava os Verões e onde escreveu algumas das suas obras. É também nesta casa que está grande parte do espólio do autor de “O Romance da Raposa”.
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Exposta no museu, está também a secretária que o escritor usou em Lisboa e em Santo Amaro de Oeiras. Foi comprada em 1925 por 1100 escudos. Nestas salas, há também diversas primeiras edições de várias obras. Algumas com dedicatórias à primeira mulher: a alemã Grete Tiedemann.
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Desde 1988 que esta casa é tambem a sede da Fundação Aquilino Ribeiro. Uma instituição criada pelo filho e pela nora do escritor.
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Maria Josefa de Campos, de 86 anos, considera justa a homenagem que hoje se faz ao sogro. Só tem pena de não poder participar na cerimónia devido a um problema de saúde que a impede de sair à rua.
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A Casa-museu vai sobrevivendo com alguma dificuldade, apesar das valiosas obras de arte no seu interior. As receitas vêm apenas do que pagam os visitantes - 2 euros - e mesmo assim, há quem vá embora porque acha caro. De resto, não há nenhuma instituição pública ou privada que apoie a actividade do museu e da fundação.
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Publicação: 19-09-2007 15:04 Última actualização: 19-09-2007 17:35
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in SIC notícias
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Fotografia - Foi nesta casa que Aquilino Ribeiro escreveu algumas das suas obras

Reflexo e Sombras (1)

Setúbal

Lisboa (Rua Victor Cordon)

Lisboa (Centro de Trabalho do PCP reflectido no edifício da Bolsa de Valores)

Lisboa (Centro de Trabalho do PCP reflectido no edifício da Bolsa de Valores)


Águeda (reflectida no Rio Águeda)
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Fotografias por Victor Nogueira

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Para o Panteão Nacional - Trasladação de Aquilino Ribeiro divide opiniões


A partir de hoje Aquilino Ribeiro torna-se o décimo português a ter honras no Panteão Nacional, no entanto, a trasladação dos seus restos mortais do escritor está a dividir opiniões. O professor Mendo Castro Henriques afirma que o escritor esteve envolvido na morte do rei D. Carlos, enquanto regedor da Confraria Aquiliana defende que a obra do escritor é suficiente para justificar a honra conferida.
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O professor de Filosofia Mendo Castro Henriques, um dos subscritores de uma petição online contra a transladação do escritor, afirma, em declarações à rádio TSF, estar provado o envolvimento de Aquilino Ribeiro no regicídio. Para além de referir a existência de documentação que comprova a ligação de Aquilino Ribeiro à morte do rei D. Carlos, este docente da Universidade Católica refere que outra das provas é a fuga do escritor para Paris e a recusa do presidente francês Clemanceau em extraditá-lo. Este professor afirma ainda que a participação do escritor fica ainda comprovada pelas referências “ao longo da sua obra, até com expressões fortes como a que aparece no livro 'Lápides Partidas'”.
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Por sua vez, o regedor da Confraria Aquiliniana, Jerónimo Costa, citado pela mesma rádio, afirma que o alegado envolvimento de Aquilino Ribeiro na morte do rei D. Carlos “não tem qualquer tipo de confirmação”.
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Jerónimo Costa salienta a obra de Aquilino Ribeiro como uma das mais emblemáticas do séc. XX, motivo que considera ser “mais do que suficiente para a trasladação”.
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A urna com os restos mortais de Aquilino Ribeiro foi esta manhã trasladada para o Panteão Nacional, numa cerimónia com honras de Estado a assistiram o Presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro-ministro, José Sócrates, e o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
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in Correio da Manhã 2007.09.19
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Foto - Aquilino Ribeiro, sua mulher Grete Tiedemann e o primeiro filho Aníbal Aquilino Fritz Tiedemann Ribeiro, em Março de 1914, em Paris
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» Artigos Relacionados
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19-09-2007 - 00:00:00 A garra de um escritor
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» Comentários no CM on line
Quarta-feira, 19 Setembro
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- Nuno mas então tambem a Amália não devia ter ido para o Panteão, pois foi uma bandeira do antigo regime
- QM Que os Portugueses de Bem tomem conhecimento de mais um bárbaro atentado à Memória do Rei Mártir e do Príncipe Real!Aguardem pelo lançamento do livro O CÓDIGO DO REGICÍDIO e vão ficar a saber quem é esse "novo inquilino" do Panteão Nacional.E as ossadas do A.Costa e do M.Buiça, não lhes vão fazer companhia? Não há dúvida que estamos numa república podre e sem escrúpulos!! Que nojo!
- José Monteiro Aquilino Ribeiro é um dos maiores vultos da Cultura Portuguesa - Amadora
- PP O MELHOR MESMO,ERA TRANSLADAR O GOVERNO PARA OUTRO PAÍS (GÉNERO IRAQUE).
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» Comentários no CM on line ao artigo A garra de um escritor
Quarta-feira, 19 Setembro
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- fica la muito bem Caluniai, caluniai porque ficara sempre alguma coisa. Dizia o Goebells. Tenham vergonha, ou juizo, por favor!
- o corvo A história de um "albergue espanhol". Só falta o Buiça o Salazar, o Afonso Costa , o Barbieri Cardoso, o Miguel de Vasconcelos , o Cunhal , o Otelo o Ze do Telhado e sei lá quantos....
- ptp A vergonha instala-se sempre que o PS paga favores à MAÇONARIA IRREGULAR(LEIA-SE GOL)Antes de escritor e de "antifascista"foi bombista, anarquista , agitador caluniador e por fim cumplice material ou moral de um assassinato que se saiba! Na dita casa também está um proto-fascista que se revoltou contra Salazar porque ele não lhe deu o tacho que ele queria.
- Leandro Coutinho Foge cão que fazem Barão.. Para onde? - que me fazem Conde! Parece ser poreciso trazer esta frase á memória dos que estão tão "indignados" com as honras a Aquilino devido á sua militância anti-monárquica.. *ps- A frase em causa é atribuída a Eça..
- Américo Silva. Algés Aquilino queria que o Estado Novo subsidiasse a florestação das suas terras. Como não conseguiu, tornou-se um activista contra a florestação dos baldios.
- Pim Pam Pum Ao ser "profanado", o Panteão Nacional deixa de ter aquele fundo que atinge a alma da gesta heróica. Parece ter chegado a vez da Carbonária...e os traidores de ontem... São heróis hoje...A Maçonaria já todos a conhecemos...e quem.

A foto do leitor e a sua legenda - Cortejo do Bodo



* Ana Carla Gomes, Sobral De Monte Agraço

Sobral de Monte Agraço assistiu ao cortejo comemorativo dos 90 anos do último Bodo de São Brás. E no final, o Bodo (porco no espeto, pão e vinho) foi oferecido aos visitantes das Festas e Feira de Verão 2007.

in Correio da Manhã 2007.09.18

Machú Pitchú: Devolução


A Universidade de Yale (EUA) vai devolver ao Peru cerca de quatro mil peças arqueológicas retiradas da cidade de Machú Pitchú no início do séc. XX por um arqueólogo norte-americano.
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O acordo de restituição das peças foi concluído entre o Governo peruano e a Universidade após meses de negociações. Múmias, restos de corpos humanos, cerâmicas, utensílios e objectos de arte estão entre os artefactos que Hiram Bingham levou para Yale entre 1911 e 1916.
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in Correio da Manhã 2007.09.17

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Cerimónia de Estado: Trasladação é já depois de amanhã - Panteão Nacional recebe Aquilino

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* Dina Gusmão
Com Lusa
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Aquilino Ribeiro vai ser o décimo português a ocupar o Panteão Nacional, em cerimónia a realizar depois de amanhã com as honras de Estado que já antes receberam três escritores, quatro presidentes da República, um general e uma fadista, Amália de seu nome.
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Estava-se em Março deste ano quando, por deliberação parlamentar, foi decidido que os restos mortais do autor de ‘A Casa Grande de Romarigães’ seriam trasladados do Cemitério dos Prazeres para o Panteão Nacional, sito no Campo de Santa Clara, na freguesia de São Vicente de Fora, em Lisboa.
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A cerimónia que conta com Cavaco Silva e José Sócrates, Jaime Gama e familiares e amigos do homenageado, está marcada para as 11h00 no Panteão Nacional.
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A receber a urna vai estar uma guarda de honra da Guarda Nacional Republicana (GNR), a que se segue um cortejo até ao local de deposição da mesma.
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Na ocasião será interpretado o Hino Nacional pela Banda da GNR, momento a repetir uma hora mais tarde quando o presidente da Assembleia da República, o Chefe de Estado e o primeiro-ministro assinarem a autenticação da cerimónia.
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Do programa do dia, a decorrer sensivelmente entre as 11h00 e as 12h00, destaca-se a participação do actor Ruy de Carvalho, a quem cabe dar voz a alguns textos do escritor e do jornalista António Valdemar sobre quem recai o elogio fúnebre de Aquilino Ribeiro, a quem conheceu e com quem privou.
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À data do anúncio da decisão parlamentar, que na quarta-feira se concretiza, o CM contactou e agora recorda a reacção daquele que, em 1960, o indicou para Nobel de Literatura: Urbano Tavares Rodrigues.
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“Acho muitíssimo bem porque foi, juntamente com Torga, o maior escritor português do seu tempo. Aquilino tinha uma linguagem própria, original e riquíssima que, às características das beiras de onde era natural, somava elementos clássicos da literatura dos séculos XVII e XVIII. Por tudo isso, pela clareza da sua linguagem, pela sua extraordinária ironia, Aquilino era uma força da natureza”, afirmou o escritor.
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João de Deus, Almeida Garrett e Guerra Junqueiro são os escritores sepultados no Panteão Nacional, onde Aquilino Ribeiro irá partilhar sala com uma figura que muito admirava, Humberto Delgado, o general sem medo.
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PERFIL
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Aquilino Gomes Ribeiro nasceu em Tabosa do Carregal em 1885 e morreu em Lisboa em 1963. Entre uma e outra data sagrou-se um dos maiores romancistas do seu tempo. O primeiro passo para o sucesso deu-o em 1907 com ‘A Filha do Jardineiro’. Foi duas vezes nomeado para o Nobel de Literatura.
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REVISITAR AS OBRAS DE STA. ENGRÁCIA
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O Panteão Nacional situa-se no local onde em 1568 foi erigida uma igreja, por ordem da infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, por ocasião da criação da antiga freguesia de Santa Engrácia. O templo passou a ter a função de Panteão só a partir de 1916. A igreja original foi alvo de tantas modificações que hoje nada resta dela. A versão original sofreu um temporal em 1681 e o novo edifício (barroco) deu origem a uma saga de 284 anos. As obras duraram tanto tempo que deram origem à expressão popular que designa o eterno inacabado: obras de Santa Engrácia.
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DESTAQUES DO DIA
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BANDA DA GNR
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A Banda da GNR inaugura (11h00) e conclui (12h00) a cerimónia com o Hino Nacional.
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RUY DE CARVALHO
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O actor lê excertos de uma das obras de referência do escritor: ‘O Malhadinhas’, original de 1922, este ano reeditado pela Bertrand.
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METROPOLITANA
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A Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML) participa na cerimónia com interpretações de diversas obras do compositor português Luís de Freitas Branco
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in Correio da Manhã 2007.09.17
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Para saber mais sobre o escritor -> Aquilino Ribeiro
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» Comentários no CM on Line
Terça-feira, 18 Setembro
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- Pedro Ferreira-Weber Um regicida no Panteao Nacional?!?!?!?!?!? Transladado na presenca do Chefe de Estado?!?!?!?!?!? Que pena que os Portugueses nao tenham a coragem de ensinar uma licao ao governo...ja fomos uma Nacao valente e imortal. Hoje Portugal, o seu povo, e respectivos politicos nao sao mais do que sinonimo de vulgaridade e midiocridade....
Segunda-feira, 17 Setembro- Diana Que vergonha!
- Carla Ferreira É a vergonha nacional, colocar um regicida no Panteão Nacional!
- carlitos Que vergonha... os heróis são esquecidos e relembrados por alguém poderoso que se calhar pegou em algo do falecido há pouco e gostou! Se eu fosse famíliar não autorizava a transladação! Mas viva a República! Claro!
- Thémis Panteãodo - templo que os Gregos e os Romanos consagravam a todos os deuses; edifício onde se depositam os restos mortais dos homens mais ilustres pelos serviços prestados à humanidade
- Durão A orquestra Metropolitana de Lisboa não devia participar na cerimónia, o Panteão está mesmo a ficar muito mal frequentado, como diz o ditado "cantas, mas cantas mal, ó vai-te embora". Por outro lado, temos o regicídio, esse acto cobarde praticado em pleno Terreiro do Paço, gostava tanto do Rei D.Carlos e de seu filho, eram tão bonzinhos!
- Pedro Ferreira O Panteão Nacional não se fez para os génios da literatura mas para os que conjugaram a genialidade com o bem-comum. Aquilino foi um activista na conspiração para assassinar um Chefe de Estado de Portugal e o seu filho, pelo que não cumpre a segunda condição exigida aos "moradores do Panteão". Este país é, de facto, uma república das bananas!
- Américo Silva. Algés O Panteão está cada vez mais mal frequentado.
- Luís Dâmaso - Covilhã Uma vergonha! Aquilino participou no regicidio de 1908. Desde quando terroristas são heróis nacionais? Viva o Rei, Viva PORTUGAL!!!

Obras na zona histórica de Valença - Antiga cadeia transformada em museu

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* C.A.V.
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A empreitada de readaptação do edifício da antiga cadeia de Valença em Núcleo Museológico já começou. A intervenção, cujo valor ronda os 193 mil euros, pretende transformar o edifício, localizado na zona histórica – que já foi moradia régia, domus municipalis, cadeia e sala de exposições – em núcleo museológico e pólo central de uma rede de espaços e museus da Praça Forte de Valença.
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O novo espaço vai dispor de uma galeria de exposição, no piso inferior, instalações sanitárias no piso intermédio, gabinetes de apoio e depósito de materiais no piso superior e pretende mostrar o legado patrimonial, histórico e cultural do concelho, ao longo dos séculos, nomeadamente, no que toca à sua natureza militar.
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Entre os principais objectivos do museu destaca-se a promoção e divulgação dos aspectos históricos mais decisivos e marcantes da Praça Forte, na perspectiva da defesa das fronteiras do território nacional ao longo dos séculos. Também os aspectos mais marcantes do emblemático comércio tradicional estarão representados com espólio metrológico, bem como os objectos arqueológicos encontrados nas várias escavações em curso na Fortaleza e em outros espaços do concelho.
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O edifício é um dos mais antigos e simbólicos da zona histórica, destacando-se, no piso térreo, os tectos abobadados e os arcos indicativos da arquitectura gótica, do tempo de D. Afonso III.
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in Correio da Manhã 2007.09.17
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Foto - Muralhas de Valença do Minho

Loulé: Autarquia investe cerca de quatro milhões de euros - Ex-libris recuperado

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* José Carlos Eusébio
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A Câmara de Loulé vai investir quatro milhões de euros na completa renovação do interior do velhinho Cine-Teatro local. O edifício, que é considerado um dos principais ex-libris da cidade, foi adquirido pelo município há cerca de quatro anos, após demoradas e difíceis negociações com os proprietários.
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Segundo o presidente da Câmara local, Seruca Emídio, “o concurso público da empreitada foi aberto este mês, devendo a obra arrancar em Março do próximo ano e estar concluída no prazo de um ano e meio”.Todo o interior da sala de espectáculo, com capacidade para cerca de três centenas de espectadores, será remodelado, sendo instalado um novo e moderno palco com o dobro do tamanho do actual. A autarquia pretende que o cine-teatro fique vocacionado para a realização de espectáculos ao vivo.
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A empreitada contempla também a substituição de sistemas eléctricos e redes de água e esgotos, bem como haverá o reforço da segurança contra incêndios.
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Ao longo dos anos, a autarquia louletana tem vindo a efectuar diversas obras de manutenção do edifício, evitando desta forma que a casa de espectáculos fechasse as portas ou fosse mesmo demolido. Em 2003, a Câmara acabou por finalmente adquirir o Cine-Teatro Louletano e fez a reparação da sua parte exterior.
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O imóvel é considerado como uma das mais importantes salas de espectáculos da região algarvia, dispondo de excelentes condições acústicas. Este mês, por exemplo, está programado (dia 28), um espectáculo com o cantor de Jorge Palma.
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HISTÓRIA
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A inauguração do cine-teatro teve lugar a 19 de Abril de 1930, mas anteriormente já funcionara como cinema. A abertura oficial de portas deu--se com a Companhia Teatral, onde pontificava a actriz Ilda Stichini.
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Têm passado por aquela emblemática sala de espectáculos algarvia artistas de nomeada, como Alves da Cunha, Berta de Bívar, Raul Solnado ou Maria do Céu Guerra. Foram ainda projectados os mais famosos filmes internacionais.
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O edifício, cuja construção custou 180 contos, foi durante 75 anos propriedade da Sociedade Teatral Louletana, sendo adquirido há cerca de quatro anos pela edilidade. .
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PORMENORES
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AQUISIÇÃO
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O processo de aquisição do imóvel foi complexo, dado que envolveu negociações com cerca de 70 herdeiros dos proprietários. Custou 1,5 milhões de euros, tendo sido utilizadas verbas provenientes das contrapartidas de funcionamento dos casino.
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RECUPERAÇÃO
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Após a aquisição, a autarquia levou a cabo o arranjo de toda a parte exterior do imóvel, incluindo a reparação da cobertura. A empreitada que agora vai ser executada diz respeito somente à remodelação do interior do cine-teatro.
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INVESTIMENTO
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O requalificado cine-teatro vai ser destinado sobretudo à realização de espectáculos musicais e de teatro. Ao longo dos anos, a autarquia tem mantido a exibição de filmes, mas a actividade dá prejuízo.
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in Correio da Manha 2007.09.17
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Foto - Sandra Santos (Cine-Teatro Louletano com obras de remodelação a partir de Março)

Discos - POESIA (EN)CANTADA


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* Dina Gusmão
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São poucos os artistas que nunca foram buscar a um livro um poema para musicar e a testá-lo chega hoje ao mercado “Poesia (En)cantada”. Amália, Zeca Afonso, José Mário Branco, Rui Veloso ou Trovante são apenas alguns dos músicos que cantaram poetas como Camões, Pessoa, Natália Correia, Miguel Torga, Eugénio de Andrade ou Mário de Sá Carneiro.
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O CD em causa ostenta o selo da Emi–Valentim de Carvalho e nas palavras do seu presidente, David Ferreira, faz tanto pela música como pela poesia mas...
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“Apesar de irmos ao ponto de incluir uma poetisa galega, Rosalía de Castro (‘Cantar de Emigração’, por Adriano Correia de Oliveira), não são poucas as ‘faltas’ neste disco, tanto no que toca aos poetas como aos que os souberam cantar. Lá voltaremos um dia... o encanto da poesia cantada não acaba aqui”.
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ALINHAMENTO
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São 20 temas que, sem excepção, andam ou andaram na boca de toda a gente.
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De Camões a Camané, assim reza o subtítulo, temos “Com Que Voz” (Camões por Amália), “Endechas a Bárbara Escrava” (Camões por Sérgio Godinho), “Lisboa” (Eugénio por Trovante), “Mudam-se os Tempos...” (Camões por José Mário Branco), “No Comboio Descendente” (Pessoa por José Afonso),“Cantar de Emigração” (Rosalía por Adriano), “Abandono” (Mourão-Ferreira por Cristina Branco), “E Alegre Se Fez Triste” (Manuel Alegre por Janita), “Barca Bela” (Garrett por Teresa Silva Carvalho), “Partindo-se” (João Roriz de Castel Branco por Quarteto 1111)... E estes são só os dez primeiros temas, por revelar ficam outros tantos, já que, não basta lê-los. Há que ouvi-los.
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Quem já o fez, não tem dúvidas nem reservas e, garante, custa a crer que “em tempos aquelas palavras não foram cantadas”, David Ferreira dixit.
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in Correio da Manhã 2003.01.20
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imagem - Camões é cantado por Amália, Sérgio Godinho e José Mário Branco

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Molécula pode substituir transístor - Revolução nos computadores


A IBM anunciou dois grandes avanços na nanoelectrónica, que irão revolucionar o futuro dos computadores: a possibilidade futura de utilizar um único átomo para armazenar um bit de informação e a utilização de componentes moleculares para a computação.
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Até agora, os grandes avanços têm sido possíveis graças à miniaturização dos componentes electrónicos semicondutores. Cada vez se põem mais transístores num só chip e cada transístor que o compõe é cada vez menor. Só que a matéria tem os seus limites e se miniaturizarmos mais e mais, o comportamento dos semicondutores com que são feitos os transístores altera-se.
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Os laboratórios da IBM, na Suíça, conseguiram utilizar uma molécula para realizar a mesma tarefa que agora realizam os transístores de silício.
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in Correio da Manhã 2007.09.15
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imagem - A variação da orientação da molécula traduz-se em zeros e uns

Clima não afectou espécie - Homem venceu Neanderthal


Segundo um artigo publicado na revista ‘Nature’, o clima não terá sido o culpado do desaparecimento dos neanderthais na Europa há 30 mil anos. Dados obtidos pelos autores do artigo sobre a Era Glaciar mostram que não houve mudanças climáticas abruptas durante a fase final da extinção da espécie.
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A culpa, portanto, parece recair sobre os recém-chegados ao território Neandertal na Europa: os Homo Sapiens, um grupo tecnologicamente avançado e armado até aos dentes.A equipa de pesquisa considerou várias datas para a extinção da espécie Homo Neanderthalensis, tendo chegado à conclusão de que a data mais aceite é a de há 28 mil anos, após a descoberta da caverna de Gorham, em Gibraltar. Continua por apurar o que aconteceu realmente aos ‘primos’ dos homens.
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in Correio da Manhã 2007.09.15
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imagem - O Neanderthal eclipsou-se

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Templos Religiosos (5) - Pormenores

Mértola (Igreja Matriz)

Alvito (gárgula)

Almoster (convento)

Alenquer (Convento de S. Francisco ?)
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Fotografias por Victor Nogueira

Fortificações (5)

Lisboa - Torre de Belém (pôr do sol)


Castelo de Pombal

Castelo de Palmela (nocturno)

Castelo de Palmela
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Fotografias por Victor Nogueira

domingo, 16 de setembro de 2007

Lenços de Namorados


Lencos_namorados 1

Lenco_Quadras 2

Lenco_1950 3

Lenco_Coracoes 4

Lenco_Cravos 5

Lenco_Quadras 6
Lenco_Rosa_Meu_Peito 7
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Ver texto no Post anterior
com o mesmo título







Lenços de Namorados

Exposição - 10 a 15 de Fevereiro de 2007



O amor anda no ar com o Dia dos Namorados a aproximar!



É assim, imbuído deste espírito, que o Município de Espinho vai organizar uma exposição de “Lenços de Namorados” que estará patente, ao público em geral, no Centro Multimeios de Espinho e também aos alunos das escolas do nosso concelho.



Estes testemunhos da tradição e artesanato portugueses foram-nos deixados pelas moças que quando estavam próximas da idade de casar confeccionavam os seus lenços bordados a partir de um pano de linho fino ou de um lenço de algodão e que posteriormente iam ter às mãos dos "namorados" ou "conversados". Era em conformidade com a atitude destes os usarem publicamente ou não, que se decidia o início duma ligação amorosa.

(...)

História

É provável que a origem dos "lenços dos namorados" ou "lenços de pedidos" esteja nos lenços senhoris do séc. XVII - XVIII, adaptados depois pelas mulheres do povo, dando-lhe consequentemente um aspecto característico.

Antes de tudo, eles faziam parte integrante do traje feminino e tinham uma função fundamentalmente decorativa. Eram lenços geralmente quadrados, de linho ou algodão, bordados segundo o gosto da bordadeira.

Mas não é enquanto parte integrante do traje feminino que nos interessa o seu estudo, mas a sua outra função, não menos importante, e da qual vem o nome: a conquista do namorado.

A moça quando estava próxima da idade de casar confeccionava o seu lenço bordado a partir dum pano de linho fino que porventura possuía ou dum lenço de algodão que adquiria na feira, dos chamados lenços da tropa.

Para realizar esta obra, a rapariga utilizava os conhecimentos que possuía sobre o ponto de cruz, adquiridos na infância, aquando da confecção do seu marcador ou mapa.

Depois de bordado o lenço ia ter às mãos do "namorado" ou "conversado" e era em conformidade com a atitude deste de usar publicamente ou não, que se decidia o início duma ligação amorosa.

Os lenços carregam consigo, por isso, os sentimentos amorosos duma rapariga em idade de casar, revelados através de variados símbolos amorosos como a fidelidade, a dedicação, a amizade, etc.

Estes lenços eram originariamente em ponto de cruz, e por ser um ponto trabalhoso obrigava a bordadeira a passar, durante muitas semanas e mesmo durante meses os serões na sua confecção.

Como a escassez de tempo passou a ser um facto na vida moderna, a mulher deixou de ter tanto tempo para a confecção destes lenços, o ritmo de vida tornou-se mais intenso e a mulher teve que solucionar este problema adoptando no bordado outros pontos mais fáceis de bordar.

Com esta alteração outras se impuseram no trabalho decorativo dos lenços dos namorados: o vermelho e o preto inicial vai dar origem a uma grande quantidade de outras cores, e com elas novos motivos decorativos se impuseram. Os lenços não deixaram porém de ser ainda mais expressivos, acompanhados muitas vezes de quadras de gosto popular dedicados àquele a quem era dirigida tão grande fantasia: O Amado.

Significado

Dentro dos lenços existentes no Minho há uma variedade que pelas suas características se pode localizar com um mínimo de rigor a sua região de origem.


Para além destes lenços constituírem parte integrante do trajo do Minho eles eram também usados no Douro Litoral, Trás-os-Montes, Beira Alta, Estremadura, Alentejo e Açores.


" Os lenços de namorados" constituíam a um dado momento uma prova da declaração feita pela bordadeira ao seu namorado e na maior parte dos casos esta declaração era atendida e o conversado comprometia-se, também, publicamente nesta ligação usando o lenço por cima do seu casaco domingueiro, colocado ao pescoço com o nó voltado para a frente.


Caso a rapariga não fosse correspondida o lenço voltaria às suas mãos. Se o namorado trocasse de parceira fazia chegar à sua antiga pretendida o lenço, fazendo-o acompanhar de todos os objectos que daquela possuía: fotografias, cartas, etc.


Outras vezes os lenços eram motivo duma simples brincadeira ou troca de palavras. Nas festas os rapazes tiravam os lenços das raparigas simulando uma ligação amorosa. Quando o rapaz já tinha namorada o facto de simular uma ligação com outra ao roubar-lhe o lenço era muitas vezes motivo de desavença entre a sua namorada e aquela a quem o lenço tinha sido roubado.


O lenço no rapaz para além de ser usado por cima do casaco domingueiro podia, também, ser usado na aba do chapéu ou até mesmo na ponta do pau que era costume o rapaz trazer consigo.


Quando eram utilizados pelas suas “donas” no seu trajo de festa, estes eram colocados do lado direito da cintura, deixando pender uma das pontas, dando assim à sua indumentária uma graciosidade particular.


Os lenços traduzem os mais variados sentimentos duma rapariga em idade de casar, quer manifestados através dos símbolos que se prendem com a fidelidade, quer através de símbolos religiosos que referem o acto específico do casamento, ou ainda através de quadras de gosto popular, que na maior parte dos casos denunciam a ignorância ortográfica da bordadeira, pois facilmente nos deparamos com erros ortográficos dos mais variados.


Por vezes são também testemunhos de épocas (a emigração para o Brasil), de trabalhos agrícolas (vindimas) e até de críticas sociais. Em alguns dos lenços por nós recolhidos aparece mesmo o reverso do tema característico destes lenços, o desamor e alguns deles possuem quadras que embora denotem uma certa dificuldade de relação amorosa, possuem um carácter sobretudo provatório para com o namorado.


Tudo era feito em função da fantasia das fantasias - o Amor - e ele de facto parece ser a causa directa desta rica e exuberante manifestação artesanal.

Simbologia e composição decorativa

Segundo o professor Mota Leite os lenços eram na sua maioria de algodão branco, dos chamados lenços da tropa, que as raparigas adquiriam na feira e não de linho caseiro por este não permitir um trabalho muito perfeito no acto de bordar, devido às imperfeições de acabamento.


O ponto de cruz parece ter sido o ponto original destes lenços e por isso a sua confecção era muito morosa, levando por vezes semanas e até mesmo meses de serões pacientes no fabrico de uma fantasia que para a bordadeira era única, pois nele iam os seus sentimentos amorosos mesmo que indecifráveis para quem de fora os pudesse olhar.


A rapariga antes de se iniciar propriamente no trabalho destes lenços era ensinada na sua infância a trabalhar o ponto de cruz nos chamados marcadores ou mapas, onde adquiria a perfeição necessária para mais tarde, já moça, passar à confecção dos "lenços dos namorados".


Os lenços de namorados são geralmente de formato quadrado com dimensões que variam entre os 50 a 60 cm, com uma rica simbologia ligada à fidelidade à ligação amorosa e ao acto do casamento.


A fidelidade está presente na representação da pomba e do cão; a ligação amorosa, na representação variada do par de namorados, na silva que significa a prisão amorosa e na chave que une os dois corações; e finalmente o acto do casamento que está presente na representação de símbolos religiosos como a cruz, o vaso, o cibório, a custódia e o candelabro.


A decoração porém não se limita à representação destes elementos, mas de facto são estes os mais usados nos lenços de ponto de cruz. Apenas ressalvamos os vários tipos de ramos e a grega (espiral grego), representação geométrica que comporta em si um valor ancestral de grande importância: a própria vida do homem; a linha da vida, à qual o casamento se liga de forma incisiva e profunda: a perpetuação da espécie humana.


Apesar de poderem apresentar várias cores, como o verde ou o azul, os lenços de ponte de cruz limitam-se geralmente à utilização do vermelho e do preto obtendo-se deste modo uma grande sobriedade. De facto toda a decoração destes lenços é depurada, sendo curiosamente baseada toda a representação num modelo geométrico onde predomina a simetria. Assim um ângulo do lenço é igual ao outro ângulo, permitindo que os outros dois sendo iguais entre si possam ser diferentes dos dois primeiros. Predomina portanto a forma, na composição decorativa nestes lenços de ponto de cruz e, cada ângulo do lenço vai dar ao centro do lenço e é a partir dele que se constrói toda a decoração. Este tipo decorativo nem sempre é respeitado com rigor, mas é esta a disposição que predomina nas composições.


Com o andar do tempo a vida começou a ser mais agitada, a disponibilidade da bordadeira passou a ser menor e a morosidade na confecção dos lenços teve que ser de alguma forma evitada. A estratégia da bordadeira para diminuir esse tempo foi encontrada na utilização de outra variedade de pontos mais fáceis de bordar, como o "ponto pé-de-flor" ou o "ponto de cadeia" entre outros.


Logicamente, como consequência, a traça originalíssima dos lenços iria sofrer algumas alterações significativas, porém o espírito com que eram confeccionados era sem dúvida o mesmo.


As alterações que se vão notar mais significativamente prendem-se com as cores utilizadas: as cores vermelhas ou negras deram origem a uma policromia, que de resto deu a estes lenços uma maior popularidade, os motivos decorativos vão alargar o seu primitivo leque na simbologia empregue.

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Por vezes existe o excesso de decoração geralmente fitomórfica que nos dá a impressão que a simetria é sacrificada pelo efeito decorativo. Este fenómeno torna-se mais visível quando a exuberância de cores empregue é maior.


Aí é o efeito decorativo que sustenta toda a composição, onde nesse excesso o nosso olhar quase se perde.


As próprias quadras populares são nomeadamente sacrificadas à composição, pois são escritas a várias cores, possuindo também elas uma função decorativa na composição.


A temática nestes lenços é muito variada e vai desde a representação dos símbolos relacionados com a temática das vindimas (a cesta, a escada, o cântaro e o pipo) ao tema da emigração, traduzida não só nas quadras que o próprio lenço comporta, mas na utilização de símbolos com ela relacionados (o navio, a pomba que transporta uma carta, etc.), passando pela representação de símbolos ligados a crenças religioso-pagãs, como seja a representação da estrela de Salomão (a estrela de cinco pontas) de duplo significado, ao mesmo tempo símbolo do homem e símbolo do diabo (besta), vista direita ou invertida respectivamente. Ela é ao mesmo tempo o símbolo utilizado pelo povo contra qualquer maldição ou feitiçaria.


Neste caso a defesa do amor encontrado contra qualquer maldição. Noutros lenços toda a decoração parte dum canto do lenço e é a partir daí que se desenvolve. Em todos porém o tema do amor está presente quer através da representação de corações quer mesmo através da palavra amor neles bordada.


Se alguns lenços chegam a possuir quadras que poderemos interpretar como amores não correspondidos quer nos parecer que essas quadras são mais de provocação, dirigidas ao namorado e não propriamente casos de "amor impossível".


Mais "clássico" ou mais "barroco" na exibição decorativa, em todos está presente a temática amorosa.



Dizeres e quadras populares


“ Quando um jovem se encontra fortemente apaixonado, (...), tudo nele é poesia”


Dr. Teixeira de Sousa


Poesia que nos lenços de namorados se revela na forma de quadras populares, expressando o sentir da sua dona: amor, ternura, desejo, apreço, ansiedade, entrega, sinceridade, saudade, ciúme, desgosto, tudo isto num bom sabor popular característico da mulher minhota.


Raros são os lenços que não apresentam um ou dois dizeres, onde os erros de ortografia reinam, pois lembremos que a maioria das bordadeiras não sabiam ler nem escrever, limitando-se a copiar as letras e palavras de marcadores já elaborados.


Nestas quadras não se pode procurar concordância ou respeito pelas regras de ortografia. Há letras invertidas, letras que faltam ou que sobram, outras indecifráveis daí que seja necessário interpretar estes dizeres tão próprios do povo do Minho.


No entanto as quadras têm um elo em comum: o Amor, a temática subjacente à própria natureza dos Lenços de Namorados, onde é, na maioria das vezes, expressa por uma promessa de amor, como podemos constatar nas quadras seguintes:



E tan certo eu amarte


Como o lenço branco ser


Só deixarei de te amar


Cuando o lenço a cor perder


O meu coraca


O/ so a ti adora


So por ti suspi


Ra/ so por ti chora



Outra das representações encontradas em algumas quadras são as declarações de amor por parte da rapariga:



OT EULADOSATISFEITA


PASSOANO UTEIUDIA


SOTUS U M E U E NCANT


OAM I NHADOCE.ALEGRIA


(Ao teu lado satisfeita


Passo a noite e o dia


Só tu és o meu encanto


A minha doce alegria)



Não tão comuns mas que ainda se pode presenciar são as iniciativas das bordadeiras em oferecer o seu coração solitário. Nestas quadras podemos ver duas maneiras de o fazer: a primeira a bordadeira manda o lenço dar provas das suas aptidões a toda a freguesia para arranjar partido; na segunda mostra a sua lealdade a quem a quiser amar.



Bai lenco da minha mao


Bai currer a freguesia


Bai dar em formações


Da minha sabeduria


Méu curação lial quem


Mo qizér amar


Merserá gárnde


Castigo quem no cizér falsiar



Os Lenços são também formas de as moças expressarem as suas saudades e promessas de amor aos rapazes que se ausentam das suas terras. Podemos ver por exemplo nas seguintes inscrições:



Aqui tens meu coração


E a chabe pró abrir


Num tenho mais que te dar


Nem tu mais que me pedir.


Bai carta feliz buando


Nas asas dum passarinho


Cando bires o meu amor


Dále um abraço e um veijinho


Meu Manel bai pró Brasil


Eu tamen bou no Bapor


Guardada no coração


Daquele quê meu amor


Meu Manel bai pró Brazil


Eu tamem bou no bapor


Gardada no coração


Daquele qué meu amor



Evidentemente que nesta preciosidade artesanal podemos encontrar além destes outros estilos de quadras bordados nos lenços. Contudo, apenas nos limitamos a referir algumas. O certo é que os lenços de namorados pelos dizeres que contêm, pelo seu simbolismo e o seu significado sentimental se apresentam como a mais genuína forma de poesia popular utilizada pelas moças do Minho em idade de casar.



Certificação


Os lenços de namorados têm certificação de qualidade. A certificação foi concedida durante o ano 2000, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial através do Registo de Marca Colectiva de Associação, prevista no artigo 172º e seguintes do Código da Propriedade Industrial, aprovado pelo Decreto-Lei nº 16/95, de 24 de Janeiro.

O que significa?


Significa que um Lenço de Namorados certificado passou por um controle de qualidade, daí possuir o holograma da Marca Colectiva de Associação.


A concessão da Marca Colectiva de Associação “Lenços de Namorados do Minho” representa um primeiro grande passo na promoção e viabilização económica deste tipo de produto artesanal, bem como uma forma de protecção legal, que consubstancia não só um direito do consumidor, enquanto garantia de que aquele produto que compra é um produto genuíno e cumpridor das normas aplicáveis, como também, e principalmente, um dever que todos nós temos, de salvaguardar o nosso património cultural de séculos, neste caso, o nosso ARTESANATO.


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Designação: Lenço 1950

Dimensão: 45X45 cm


Origem: Vila Verde


História: desconhecida


Local onde foi encontrado: Aboim da Nobrega


Material utilizado: pano de linho, linhas de bordar de várias cores, linha de crochet


Pontos utilizados: pé-de-flor, cruz, nó, espinha de peixe, crivo, cheio, fantasia, baínha aberta trabalhada, picot



Transcrição:


O cravo depois de sêco


Senefica amôr perdido


ainda creira não posso


tirar de ti osentido



Bordadeira: Cristina Lopes – Aliança Artesanal




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Designação: Lenço dos Corações


Dimensão: 45X45 cm


Origem: Vila Verde



História: a Lúcia criou o desenho deste lenço, na Obra das Mães, a partir de um bordado encontrado numa saia do traje regional de Viana do Castelo. Mais tarde, bordou-o em homenagem ao nascimento da sua primeira filha.



Local onde foi encontrado: Vila Verde – Obra das Mães


Material utilizado: pano de linho, linhas de bordar de várias cores e linha de crochet de cor vermelha.


Pontos utilizados:canutilho, cheio, pé-de-flor, formiga, recorte, picot


Transcrição: não tem


Bordadeira: Lúcia – Obra das Mães

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Designação: Lenço dos Cravos


Dimensão: 45X45 cm


Origem: Vila Verde



História:este lenço foi bordado pela Maria para oferecer ao namorado que se encontrava nos Estados Unidos da América. Casou e emigrou para junto do marido. Regressaram passados muitos anos. Quando o casal faleceu os filhos que ficaram na América vieram a Portugal, e conhecendo a história que estava subjacente



Local onde foi encontrado:Valdreu


Material utilizado: pano de linho, linhas de bordar de cores várias e linha de crochet


Pontos utilizados: recorte, cadeia, pé-de-flor, cheio, canutilho, baínha aberta muito trabalhada, picot



Transcrição:


AMOR


Bordadeira: Carolina Carneiro – Aliança Artesanal


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Designação: Lenço das Quadras


Dimensão: 45X45 cm


Origem: Vila Verde

História: desconhecida. As quadras deste lenço remetem-nos para a época da emigração para o Brasil. A primeira fotografia é uma reprodução fiel do original. Na segunda fotografia o lenço está mais enriquecido, consequência da exigência dos novos clientes e da inspiração das bordadeiras da aliança artesanal.


Local onde foi encontrado: espólio do Prof. Mota Leite (FNAT – Federação Nacional das Associações de Trabalhadores - extinta em 1974). Com a extinção da FNAT desconhece-se o paradeiro do espólio


Material utilizado: pano de linho, linhas de várias cores, linha de crochet


Pontos utilizados: recorte, espinha de peixe, cheio, pé-de-flor, nó, picot



Transcrição:


Transcrição das Escritas:


Coração por coração


Amor num troques o meu


Olha que o meu corração


Sempre foi lial ó teu


Aqui tens meu o meu coração


E a chabe pró abrir


Num tenho mais que te dar


Nem tu mais que me pedir


Bai carta feliz buando


Nas asas dum passarinho


Cando bires o meu amor


Dále um abraço e um veijinho


Meu Manel bai pró Brasil


Eu tamen bou no Bapor


Gardada no coração


Daquele qué meu amor


Bordadeira: Obra das Mães (Vila Verde) – 1950


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Designação: Lenço Rosa do meu peito


Dimensão: 45X45 cm


Origem: Vila Verde


História: desconhecida


Local onde foi encontrado: Aboim da Nóbrega


Material utilizado: pano de linho, linhas de bordar de várias cores e linha de crochet


Pontos utilizados: cheio, recorte, pé-de-flor, baínha aberta trabalhada, fantasias



Transcrição:


A rosa do meu peito


A flor do meu jardim


Deicha de amar a quem


Amas se me queres amar


Amim. Amor


Amor tu es a estrela que a


De guiar o meu sêr pois


Sem ti meu querido


Anjo eme impossivel viver




Bordadeira: Aurora Maia – Aliança Artesanal



Designação: Lenço da Vira


Dimensão: 45X45 cm


Origem: Vila Verde


História: encontrou-se o desenho deste lenço no Centro de Educação Familiar em Vila Verde. Acreditamos que tenha sido inspirado no Lenço 1947, foi reproduzido em 1994 pela Aliança Artesanal.


Local onde foi encontrado: Vila Verde


Material utilizado: pano de linho, linhas de bordar de várias cores, linha de crochet


Pontos utilizados: canutilho, pé-de-flor, recorte, nós, espinha-peixe, cheio, picot



Transcrição:


O meu e o teu coração


Sempre juntos onde andar


Num a nada neste mundo


Que os possa separa



Bordadeira: Cristina Lopes – Aliança Artesanal


Informação retirada do site da “Aliança Artesanal” (http://www.aliancartesanal.pt/)

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Organização Apoio


Câmara Municipal de Espinho


Aliança Artesanal


ADERE.Minho – Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho


Fundação Navegar/Centro Multimeios de Espinho


Escola E. B. 2/3 Domingos Capela


Escola E. B. 2/3 Sá Couto


Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida


Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira


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