Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Carnaval - imagens

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007



Carnaval e Entrudo - Imagens

Maracatu em Olinda - 2006

Severino Borges - Maracatu Piaba de Ouro

José Francisco Borges - Maracatu do nordeste


Já em Pernambuco, destaca-se outro grande carnaval brasileiro, o de Olinda e de Recife. É desse Estado que surgiu um dos ritmos mais alucinantes da festa momesca: o envolvente e contagiante frevo. "E a multidão dançando, fica a 'ferver'..." Daí o surgimento da palavra "frevo".

Paralelamente, existe o maracatu, cortejo de origem africana, altamente expressivo. O berço dos maracatus foram as senzalas, quando os negros prestavam homenagem aos seus antigos reis africanos. Mesmo com o fim da escravidão, os cortejos continuaram. Daí o maracatu ganhou as ruas, tornando-se uma das peças essenciais do carnaval pernambucano.


Tarsila - Carnaval em Madureira


Jan Miel - Tempo de Carnaval em Roma - 1653

Carnaval en el Corso Romano, 1873- Mariano Fortunity

Corso Carnavalesco - Nice - 2006

Carnaval na Baia 2006 - fotografia de Arrison Oliveir



Veneza - vendedor de máscaras

Carnaval no Rio de Janeiro - samba


Carnaval no Rio de Janeiro

Carnaval no Rio de Janeiro- fotografia de Jacques VEYLET - 2005




Antonio Gonçalves Gomide - Pierrô e Columbina - óleo sobre cartão

Picasso - Arlequim

Picasso - Arlequim

Polichinelo, Capitão Crocodilo (agachado) e Francatripa, personagens da Commedia dell´Arte

É O CARNAVAL - PINTURA DE ROSE BRAGA



Polichinelo

Simbolo do Carnaval de Torres Vedras

Miró - O Carnaval do Arlequim





Arlequim e Pierrot - autor não identificado

Columbina - autor não identificado

Carnaval em Bronx - 1997 José Antonio Quirós


Entrudo - Brasil - Márcio Melo (2002)


Dia de Entrudo (Cena de carnaval no Brasil) 1823 - Jean Baptiste Debret

Baile Popular1972 - -Di Cavalcanti

"E viva o Zé Pereira
Pois que ninguém faz mal
Viva a bebedeira
Nos dias de carnaval".



Quadro de Heitor dos Prazeres (1898 - 1966), o pintor do morro carioca



Matin de Mardi-Gras - Gilles de Binche


Mardi Gras em Nova Orleâes


Cours de Mardi Gras - Otis Dobson

Combate entre o Carnaval e a Quaresma - Pieter Brueghel, o Novo

Carnaval em Veneza
La stagion del Carnovale
tutto il Mondo fa cambiar.
Chi sta bene e chi sta male
Carnevale fa rallegrar.

Chi ha denari se li spende;
chi non ne ha ne vuol trovar;
e s'impegna, e poi si vende,
per andarsi a sollazzar.

Qua la moglie e là il marito,
ognuno va dove gli par;
ognun corre a qualche invito,
chi a giocare e chi a ballar.

Carlo Goldoni






Carnaval de Olinda - arte naïf ..................................Carnaval - autor não identificado










Rei Momo

Máscaras de Carnaval em Veneza


Carnaval no século XVI




domingo, 22 de fevereiro de 2009

Ao Sabor do Olhar (23) - Carnaval e Entrudo

Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Ao Sabor do Olhar (23) - Carnaval e Entrudo

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Marcha de quarta-feira de Cinzas - poema de Vinicíus de Morais
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Algumas modas de Entrudo - vários
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Jogos Infantis - Pieter Brueghel, o Velho
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Provérbios do Carnaval e do Entrudo - popular
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A Banda - poema de Chico Buarque
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imagem retirada de e texto alusivo em attambur.com
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Património: Polícia protege painéis de Almada Negreiros

Bruno Colaço José de Almada Negreiros esteve no Restelo junto à moradia que tem uma dúzia de obras criadas pelo seu pai, cuja destruição conseguiu impedir na quinta-feira

José de Almada Negreiros esteve no Restelo junto à moradia que tem uma dúzia de obras criadas pelo seu pai, cuja destruição conseguiu impedir na quinta-feira
21 Fevereiro 2009 - 00h30

Património: Polícia protege painéis de Almada Negreiros

José Luís Feronha

Azulejos nas mãos da Câmara

A vereadora Helena Roseta vai tentar agendar para a próxima reunião da Câmara de Lisboa, na quarta-feira, com carácter de urgência, a classificação como património da moradia do Bairro do Restelo de onde foram retirados azulejos de Almada Negreiros na passada quinta-feira. A medida visa reforçar a protecção do edifício, tido como de grande-valia artística.



Caracterizados pelo arquitecto José de Almada Negreiros, filho do artista plástico falecido em 1970, como "dos maiores conjuntos de painéis cerâmicos alguma vez feitos em Portugal durante o modernismo", os referidos azulejos integram a lista do Inventário Municipal. Além disso, declarou Helena Roseta ao CM, "a obra feita na quinta-feira não tem licença", pelo que "quem fez os estragos vai ter de responder por eles".


A acção de operários que removeram azulejos na quinta-feira foi travada após iniciativas de José Almada Negreiros e da vereadora eleita pelo movimento ‘Cidadãos por Lisboa’.


Dos 12 painéis de azulejos, três já haviam sido removidos ou destruídos totalmente e outros dois parcialmente quando a Polícia Municipal chegou. Por determinação do vereador Manuel Salgado, a obra foi embargada. O pedido de demolição total da moradia deu entrada na autarquia a 29 de Janeiro, apresentado pela empresa Soindol, que o CM não conseguiu contactar.


Uma primeira tentativa de extracção dos painéis deu-se nos anos 60, por iniciativa de um estrangeiro que comprou o imóvel. "A Câmara interveio e impediu-o", recorda José de Almada Negreiros.


DETALHES

SIGNIFICADO CULTURAL

A construção da moradia da rua de Alcolena foi demorada, tendo terminado em 1954. Segundo José de Almada Negreiros, filho de um dos nomes maiores do modernismo português, "esta casa teve um enorme significado cultural".


COINCIDÊNCIA ESTRANHA

Precisamente na véspera do início de extracção dos azulejos, Helena Roseta tentou agendar, em vão, a classificação da moradia na Câmara. "Que estranha coincidência!", diz a vereadora.


COM E SEM AZULEJOS

Segundo relatos, a tentativa de extracção dos azulejos terá sido feita pelo penúltimo proprietário da moradia, que a vendeu "sem azulejos". Tanto Helena Roseta como José Almada Negreiros ouviram esta história, mas não dispõem de elementos que a confirmem.

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in Correio da Manhã 2009.02.21
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Carnaval ilustrado

Shadow Word generated at Pimp-My-Profile.com


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Carnaval - Brasil

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Carnevale di Venezia

Mardi Gras Pictures, Images and Photos

Mardi Gras Pictures, Images and Photos

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Enviado por Georgina Gi (hi5)

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Teatro em Setúbal

Dia Mundial do Teatro

'Estranhões e Bizarrocos', pelo TAS, às 16h00, 'Mim Romeu, Tu Julieta', pelo Teatro do Elefante, às 17h30, inauguração da exposição 'O que é o Teatro?', às 18h00, Conversas do 2.º Balcão, com o tema 'Teatro para todos/Todos os teatros', às 18h30, e 'O que aconteceu a Betty Lemon', pelo Teatro Estúdio Fontenova, às 21h30


Fórum Municipal Luísa Todi
A partir das 16h00
Entrada livre


Org.: CMS em parceria com companhias de teatro do concelho

27MAR08





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http://www.mun-setubal.pt/guiaeventos/default.asp
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Jangada do Btasil

O Carnaval na "Jangada do Brasil"

Arqueólogo: “Fui demitido por cumprir o dever”

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Sérgio Freitas A descoberta de ossadas humanas, há oito dias, fez parar as obras, o que não agradou aos construtores

A descoberta de ossadas humanas, há oito dias, fez parar as obras, o que não agradou aos construtores
20 Fevereiro 2009 - 00h30

Braga: Arqueólogo fiscalizava obra do novo hospital

* Secundino Cunha


O arqueólogo Luciano Villas Boas, que tinha sido contratado pela empresa Procesl e acreditado junto do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) para acompanhar as escavações do local onde vai ser construído o novo Hospital Central de Braga, foi despedido ao fim de um mês de trabalho.



A carta de despedimento faz referência a "dificuldades em se enquadrar na equipa", mas, ao que o CM apurou, o afastamento teve a ver com o facto de o arqueólogo estar a "obrigar a demasiadas paragens dos trabalhos". E a gota de água terá sido a comunicação que fez ao Igespar de "importantes achados arqueológicos das Idades do Ferro e do Bronze".


"Limitei-me a cumprir o meu dever. Só isso", disse Luciano Villas Boas ao CM, referindo que ficou "muito surpreendido com a decisão" e "convencido de que nada disso teria ocorrido se a descoberta não tivesse sido comunicada ao Igespar".


Já há cerca de oito dias, na sequência da descoberta por Villas Boas de ossadas humanas, que a Polícia Judiciária recolheu no local, as obras tiveram de parar. No entanto, os achados arqueológicos obrigariam a uma interrupção mais demorada.


A área onde vai ser construído o novo Hospital de Braga, junto ao complexo histórico das Sete Fontes, é muito sensível do ponto de vista arqueológico e ambiental, obrigando a fiscalização arqueológica. Função que, ao que apurámos, vai ser desempenhada por uma arqueóloga espanhola.


O CM tentou contactar o Igespar a Direcção Regional de Cultura do Norte, mas sem sucesso.

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in Correio da Manhã, 2009.02.20
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Tecnologia ataca roubos de carros


Inter Slide Informação é tratada num centro próprio

Informação é tratada num centro próprio
20 Fevereiro 2009 - 00h30







Segurança: ACP mostra ferramenta de combate ao carjacking

* João C. Rodrigues

Numa altura em que os números relativos ao carjacking não param de crescer em Portugal – de acordo com dados do Gabinete Coordenador de Segurança, só no primeiro semestre de 2008 registou-se uma subida de 55% (307 casos participados) – a solução para o problema vem da África do Sul. Uma parceria entre a empresa Cartrack e o Automóvel Clube de Portugal (ACP) vai permitir instalar nos veículos um sistema de localização e monitorização por GPS e rádio frequência que possibilita, entre outras valências, a imobilização remota do veículo.



Os responsáveis da empresa sul-africana – que detém naquele país uma taxa de recuperação de automóveis roubados na ordem dos 93% – garantem que o sistema "é o mais completo do mercado, pois acrescenta à localização por GPS um sistema de localização por rádio frequência. Indispensável caso o GPS seja retirado ou o carro escondido num parque subterrâneo", diz Zak Calisto, presidente da Cartrack.


O sistema, que também está disponível para não-sócios do ACP, e os protocolos assinados pela empresa sul-africana prevêem ainda que, em caso de roubo, sejam enviados dois seguranças privados para prestar assistência no local e um helicóptero que ajudará as autoridades competentes a localizar e recuperar os veículos.


Actualmente existem no mercado outros sistemas concorrentes, como os propostos pela Imob e InoSat, que funcionam apenas com recurso à localização por GPS.


"Temos essa experiência na África do Sul. Os ladrões sabem que ao retirar o GPS do carro não são localizados. E é aí que precisamos da rádio frequência", garante Zak Calisto. O objectivo é atingir os cem mil clientes ainda este ano.

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in Correio da Manhã 2\009.02.20
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cem mil visitam Darwin

13 Fevereiro 2009 - 00h30

Ciência: Na fundação Calouste Gulbenkian até 24 de Março

Cem mil visitam Darwin

Entre 70 a 100 mil pessoas vão passar, a partir de hoje e até 24 de Maio, pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde está patente uma exposição sobre a vida e legado de Charles Darwin. ‘A Evolução de Darwin’, é considerada a "melhor exposição sobre Darwin em toda a Península Ibérica", conforme afirmou Mariano Gago, ministro da Ciência e Tecnologia. Poderá ser vista de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 18h00, por 4 euros.



A expectativa junto do público mais jovem é enorme, tanto mais que as 600 visitas programadas para grupos de alunos estão esgotadas há mais de um mês e meio, existindo ainda uma lista de espera com centenas de escolas. "Essa é a nossa grande aposta. Às escolas que não conseguiram acesso a uma visita guiada, estamos a disponibilizar exactamente o mesmo material pedagógico que fornecemos às outras. Isso inclui uma biografia de Darwin, um livro ilustrado sobre evolução e manuais de visita detalhados", afirmou ao CM o biólogo José Feijó, comissário científico da exposição.

A iniciativa está inserida nas comemorações dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação do livro ‘A Origem das Espécies’, obra que mudou a forma como a Humanidade se via a si própria até à época.

Os grandes focos de atracção são, de acordo com José Feijó, a reconstituição da figura do naturalista inglês e a réplica do barco ‘HMS Beagle’. Quem visitar a exposição vai poder encontrar logo à entrada um Charles Darwin, em tamanho real, a observar um escaravelho na mão esquerda. A réplica foi feita por Elisabeth Daynss, com base em registos fotográficos do inglês, responsável por reconstituições famosas como a de Tutankhamon.

"Nesta antecâmara, a ideia é fazer uma ‘lavagem cerebral ao visitante’ de forma a que o visitante se depare com o mesmo cenário da época que antecedeu a Darwin", explicou José Feijó, realçando a importância deste ambiente: "É uma época de debate de ideias que motivou os interesses e as descobertas de Darwin."

Após esta viagem ao passado, o visitante entra num percurso alucinante de descobertas científicas que marcaram a Humanidade para sempre. Nos oito espaços distintos da exposição, estão em exibição vídeos sobre Darwin, a réplica do navio ‘HMS Beagle’ e um espólio riquíssimo de vários museus nacionais e internacionais.

INVESTIMENTO DE 1,3 MILHÕES

Para concretizar esta exposição foi necessário um investimento de 1,3 milhões de euros. "O objectivo não era criar algo que acabasse no final da exposição. Será algo maior que terminará com a construção de um museu permanente em Oeiras no final de 2011. Até lá, a exposição irá percorrer várias cidades do Mundo", explicou José Feijó.

FIGURAS-CHAVE DA EVOLUÇÃO HUMANA

1735 – Carl Linnaeus sugere que as plantas descendem de um antepassado comum. Publica ‘Sistema Naturae’, a base da taxinomia moderna.

1858 – Alfred Russel Wallace envia um ensaio a Darwin, no qual apresenta ideias sobre a evolução natural das espécies, pressionando Darwin a escrever ‘A Origem das Espécies’.

1865 – O monge checo Gregor Mendel investiga o caracter hereditário. As suas ideias só serão, contudo, reconhecidas no século XX.

1925 – O professor norte-americano John Scopes é condenado, no que ficou conhecido como o ‘Julgamento do Macaco’, por ensinar a Teoria da Evolução no Estado do Tennessee.

1933 – O extermínio na Alemanha Nazi baseou-se em experiências eugenistas, na Califórnia, onde 60 mil pessoas foram esterilizadas.

1953 – Descoberta a estrutura do ADN por James Watson e Francis Crick. Conhecido o código genético, surge a oportunidade de estudar a biologia molecular da evolução.

CRIACIONISMO CONTESTA EVOLUÇÃO

Na exposição da Gulbenkian está patente uma escada de ADN com 3,6 metros de altura que assinala a descoberta do código genético. Este avanço na Ciência não diminuiu a polémica nos EUA, existindo escolas que recusam ensinar a Teoria de Evolução de Darwin por acreditarem na criação divina. O ex-presidente Bush na campanha de 2000 defendeu o tratamento igual para as duas correntes.

CRONOLOGIA

1809

Charles Robert Darwin nasce a 12 de Fevereiro em Shrewsbury, em Inglaterra, no seio de uma família abastada. O pai, Robert Waring Darwin, era um reconhecido médico inglês que tentou recrutar o filho para a mesma profissão.

1825

Após uns primeiros anos de rebeldia, o pai decide dar um rumo a Darwin, inscrevendo-o no curso de Medicina na Universidade de Edimburgo. Dois anos depois, Charles Darwin abandona os estudos.

1831

A 27 de Dezembro, Charles Darwin deixa Plymouth a bordo do Navio de Sua Majestade Beagle. Com apenas 22 anos, dá início a uma viagem que terminaria em 1836. A primeira paragem foi em Cabo Verde.

1835

Em Setembro chega às ilhas Galápagos, onde as observações de Charles Darwin lhe permitem sustentar a teoria da evolução apresentada mais tarde.

1839

Em Maio, Charles Darwin publica ‘A Viagem do Beagle’ no qual descreve a aventura de cinco anos. No mesmo ano casa-se com a prima Emma Wedgood, com quem tem dez filhos. Muda-se para uma quinta em Downe onde morre.

1859

Uma reflexão de 20 anos até publicar o livro ‘A Origem das Espécies’, apresentando a sua teoria da selecção natural.

1871

Darwin publica ‘A Descendência do Homem’ demonstrando que Homem e macaco têm o mesma origem.

1882

A 19 de Abril, Charles Darwin morre com 73 anos, sendo enterrado na Abadia de Westminster.

INICIATIVAS

RECEITA DE BOLO

Receita de bolo de aniversário do cientista que a esposa, Emma, realizava. Disponível em www.darwin2009.pt.

RÉPLICA DO CIENTISTA

Réplicas do cientista e de hominídeos podem ser vista no Parque Biológico de Vila Nova de Gaia.

DIÁLOGO COM A ESPOSA

Conversa entre o cientista e a esposa Emma, no Centro de Ciência Viva de Aveiro.

ESPÓLIO NACIONAL

Exposição no Museu de História Natural da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

IMPACTO NA CIÊNCIA

4.º Ciclo de Conversas na Aldeia Global: ‘Do Mundo Fechado ao Universo Infinito’, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, pelas 21h30, a 12 de Setembro, 12 de Março e 16 de Abril.

ZOO

Em colaboração com o Jardim Zoológico de Lisboa, há animais vivos numa galeria anexa ao recinto da exposição, como tartarugas. A mostra na Gulbenkian integra também colecções de vários museus nacionais.

André Pereira

d.r.
15 Fevereiro 2009 - 00h30

Viagem no ‘HMS Beagle’

Portugal na rota de Darwin

A viagem de Charles Darwin a bordo do ‘HMS Beagle’ começou e terminou em terras bem conhecidas dos portugueses. A primeira paragem do navio, a 16 de Janeiro de 1832, foi na ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde. No regresso às terras de Sua Majestade, a ilha Terceira foi o porto de abrigo do ‘HMS Beagle’. O naturalista inglês esteve de 19 a 22 de Setembro de 1836 em território português



PERFIL

Charles Robert Darwin

Data de Nascimento: 12 de Fevereiro de 1809

Data da sua Morte: 19 de Abril de 1882

Jovem traquina, Charles Darwin desde cedo revelou pouco interesse pelos livros escolares, chegando mesmo a desistir do curso de Medicina imposto pelo pai. Com apenas 22 anos, inicia a sua viagem a bordo do ‘HMS Beagle’ que iria mudar a sua vida para sempre. O resultado desses cinco anos foram ‘A Origem das Espécies’ e ‘A Descendência do Homem’

DATAS DA VIAGEM

19 de Setembro de 1836 - ‘HMS Beagle’ ancora na Terceira

20 de Setembro de 1836 - Darwin aluga uns cavalos e ruma até ao interior da ilha acompanhado de alguns guias

21 de Setembro de 1836 - Passeou pela costa, visitou a cidade de Angra e regressou ao barco ‘HMS Beagle’

22 de Setembro de 1836 - Darwin deixa os Açores rumando a Inglaterra
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12 Fevereiro 2009 - 00h30

Opinião

Blog

Charles Darwin nasceu há exactamente 200 anos. A data tem pouca importância, porque ‘A Origem das Espécies’ foi publicada quando completou cinquenta anos. É a obra de uma vida – e da nossa vida, mesmo que não saibamos o que vem lá dentro.

O espírito moderno (na ciência, na observação, na vida) deve muito a Darwin, de quem gosto de recordar sobretudo a grande viagem à volta do Mundo, a bordo do navio ‘HMS Beagle’. O desprezo por Darwin continua a ser corrente nos nossos dias, fomentado pela cegueira e pela ignorância que, no entanto, não abalam a sua prodigiosa aventura, feita de descoberta, intuição, observação, encantamento. Até nisso Darwin é moderno, não atribuindo à ‘humanidade’ um lugar central no universo, preferindo situá-la na sua condição e na sua circunstância.

Francisco José Viegas, escritor

Sombras


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Enviado por Maria Mamede
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Marx, Darwin e a ampliação do saber





16 DE FEVEREIRO DE 2009 - 21h00



por Carlos Pompe*

Gigantes do pensamento do século 19, Karl Marx e Charles Darwin ainda hoje influenciam o modo como analisamos o mundo. Ambos tinham compromissos de classe diferenciados. Marx abraçou a causa socialista e a luta do proletariado. Darwin, integrante da classe dominante inglesa, abastado, investidor em ferrovias, convivendo com o clero e com a aristocracia, evitava os debates políticos públicos. Os dois se respeitavam, contudo, como cientistas que desejavam ''sinceramente a ampliação do saber e, a longo prazo, é certo que isso contribuirá para a felicidade da humanidade'', como escreveu Darwin na sua única carta conhecida endereçada a Marx.


Marx leu A Origem das Espécies, de Charles Darwin, em 1860, um ano após a publicação. Em dezembro, escreveu a seu amigo Friedrich Engels que o livro continha ''a base de história natural para nossa visão'' – a teoria do materialismo dialético –, que tinha desfeito a teologia, mas que fora escrito à ''maneira inglesa crua de apresentação''. No ano seguinte, comentou com Ferdinand Lassalle, outro socialista alemão, que ''o livro de Darwin é muito importante e me serve de base, na ciência natural, para a luta de classes na história''. Meses depois, em nova carta a Engels, registra uma crítica dessa obra de Darwin, tendo como pressuposto a sociedade vitoriana: ''É notável como Darwin reconhece entre animais e plantas sua sociedade inglesa com sua divisão de trabalho, competição, abertura de novos mercados, 'invenções' e a 'luta pela existência' malthusiana. É o 'bellum omnium contra ommnes' (guerra de todos contra todos) de Hobbes, e lembra a Fenomenologia de Hegel onde a sociedade civil é descrita como um 'reino animal e espiritual', enquanto em Darwin o reino animal figura como sociedade civil''.

Em carta a Ludwig Kugelman, de 1866, Marx comenta que ''em Darwin o progresso é meramente acidental e A Origem das Espécies não rendeu muito ''em relação à história e à política'', embora pudesse ter ''uma tendência socialista inconsciente''. Considera, porém, que tem ''fraqueza de pensamento'' quem queira fazer a história humana depender da expressão darwiniana de ''luta pela sobrevivência''.

O pensamento econômico que Darwin esposava era o de Malthus (para quem o excesso populacional era a causa de todos os males da sociedade). No Anti-Dühring, Engels aborda a influência do malthusianismo no naturalista: ''Darwin não sonhou sequer em dizer que a origem da ideia da luta pela existência era a teoria de Malthus. O que ele diz é que a sua teoria da luta pela existência é a teoria de Malthus aplicada a todo mundo vegetal e animal. Por maior que fosse o deslize cometido por Darwin de aceitar, na sua ingenuidade, a teoria malthusiana, vê-se logo, a um primeiro exame, que, para se perceber a luta pela existência na natureza – que aparece na contradição entre a multidão inumerável de germes engendrados pela natureza, em sua prodigalidade, e o pequeno número desses germes que podem chegar à maturidade, contradição que, de fato, se resolve em grande parte numa luta, às vezes extremamente cruel, pela existência – não há necessidade das lunetas de Malthus. E, assim como a lei que rege o salário conservou o seu valor muito tempo depois de estarem caducos os argumentos malthusianos sobre os quais Ricardo'' (David Ricardo, 1772-1823, inglês, um dos fundadores da ciência econômica – CP) ''a baseava, a luta pela existência pode igualmente ter lugar na natureza sem nenhuma interpretação malthusiana. De resto, os organismos da natureza têm, também eles, as suas leis de população, que estão pouco estudadas, mas cuja descoberta será de importância capital para a teoria do desenvolvimento das espécies. E quem, senão Darwin, deu o impulso decisivo nessa direção?''

Em 1873, Marx enviou a Darwin, ''da parte de seu sincero admirador'', um exemplar de O Capital, com uma referência ao efeito ''memorável'' da Origem. Darwin leu apenas algumas páginas do livro, mas respondeu: ''Agradeço-lhe por ter-me honrado com a remessa de sua grande obra sobre o capital, e, de todo o coração, gostaria de ser mais digno de recebê-la, tendo uma compreensão melhor do tema profundo e importante da economia política. Conquanto nossos estudos tenham sido muito diferentes, creio que ambos desejamos sinceramente a ampliação do saber e, a longo prazo, é certo que isso contribuirá para a felicidade da humanidade''.

Ao contrário do que escreveram alguns biógrafos, inclusive Isaac Berlin, Marx nunca esteve para dedicar O Capital a Darwin. A confusão aconteceu porque Darwin enviou carta a Edward B. Aveling (que depois seria genro de Marx) recusando a dedicatória que este, Aveling, faria para ele no folheto Darwin para estudantes, de 1881.

A teoria da evolução apresentada por Darwin, como toda teoria científica viva, é complementada a aperfeiçoada a cada nova descoberta possibilitada pelos avanços técnicos e científicos. Segundo Martin Gardner, ''a moderna teoria da evolução abrange a genética e todas as outras descobertas importantes da ciência do século 20. Darwin foi um lamarckista que aceitou a hoje abandonada ideia da herança dos traços adquiridos.''

Avanços e recuos da compreensão do mundo e da luta de classes levaram a que, no século passado, o marxismo deixasse de ser referência para muitos cientistas. Isso se refletiu nos que continuaram na trilha aberta por Darwin de compreensão da natureza, sem a correspondência com a compreensão das vicissitudes da história social. Mesmo pensadores progressistas e envolvidos nos debates dos grandes temas do momento, como o darwinista Richard Dawkins, tratam a conduta moral do homem (sua religiosidade, inclusive) como um aspecto da conduta natural, biológica. Desconsideram as classes sociais e a luta e relações que elas travam entre si. As qualidades e defeitos morais seriam instintivos, encontrados tanto nos humanos como nos animais. Aliás, Darwin chegou a escrever que os animais experimentam quase todos os sentimentos dos homens, como amor, lealdade etc. Quando muito, esses cientistas, tratam do enfrentamento entre o racionalismo (ciência) e anti-racionalismo (religião, crenças, preconceitos etc.) na sociedade.

Esta concepção tem a ''fraqueza de pensamento'' apontada pelo pensador alemão. Para os materialistas dialéticos e históricos, o homem é criador e transformador da natureza, conhece e conquista a sua própria natureza e transforma a realidade que o cerca. Por isso, a indicação de Marx de apropriar-se das descobertas de Darwin ''para a nossa visão''. Daí a compreensão de conjunto apontada por Engels, no discurso diante do túmulo de Marx, em 1883: ''Assim como Darwin descobriu a lei da evolução na natureza humana, Marx descobriu a lei da evolução na história humana''.




*Carlos Pompe, Jornalista e Curioso do mundo.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho 2009.02.17
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Charles Aznavour - La Bohéme


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Enviado por Guilhermina Abreu (hi5)
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ary dos Santos


A poesia do poeta

Poeta da Revolução, do Partido e do povo, Ary dos Santos deixou uma vasta obra reunida em livros, discos e nas mais de 600 canções que escreveu. Para além dos mais de 40 poemas declamados no CD que é possível adquirir com esta edição do Avante!, Ary dos Santos era uma presença assídua em comícios, festas e espectáculos promovidos pelo seu Partido – o PCP. Ficam aqui três poemas da sua autoria, com a consciência plena de que qualquer escolha, para além de discutível, é sempre redutora da obra do poeta. Mas não era possível falar do homem sem referir a obra.

Não Passam Mais

Em nome dos nosso braços
em nome das nossas mãos
em nome de quantos passos
deram os nossos irmãos.
Em nome das ferramentas
que nos magoaram os dedos
das torturas das tormentas
das sevícias dos degredos.
Em nome daquele nome
que herdámos dos nossos pais
em nome da sua fome
dizemos: não passam mais!

E em nome dos milénios
de prisão adicionada
em nome de tantos génios
com a voz amordaçada
em nome dos camponeses
com a terra confiscada
em nome dos Portugueses
com a carne estilhaçada
em nome daqueles nomes
escarrados nos tribunais
dizemos que há outros nomes
que não passam nunca mais!

Em nome do que nós temos
em nome do que nós fomos
revolução que fizemos
democracia que somos
em nome da unidade
linda flor da classe operária
em nome da liberdade
flor imensa e proletária
em nome desta vontade
de sermos todos iguais
vamos dizer a verdade
dizendo: não passam mais!

Em nome de quantos corpos
nossos filhos foram feitos.
Em nome de quantos mortos
vivem nos nossos direitos.
Em nome de quantos vivos
dão mais vida à nossa voz
não seremos cativos:
O trabalho somos nós.

Por isso tornos enxadas
canetas frezas dedais
são as nossas barricadas
que dizem: não passam mais!

E em nome das conquistas
vindas nos ventos de Abril
reforma agrária controlo
operário no meio fabril
empresas que são do Estado
porque o seu dono é o povo
em nome de lado a lado
termos feito um país novo.
Em nome da nossa frente
e dos nossos ideais
diante de toda a gente
dizemos: não passam mais!

Em nome do que passámos
não deixaremos passar
o patrão que ultrapassámos
e que nos quer trespassar.
E por onde a gente passa
nós passamos a palavra:
Cada rua cada praça
é o chão que o povo lavra.
Passaremos adiante
com passo firme e seguro.
O passado é já bastante
vamos passar ao futuro.

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
é tão vulgar que nos cansa –
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
a morte é branda e letal –
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto não pode ser
o poema dia a dia?
um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por afixia?
Ah não me venham dizer que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem
Poeta castrado não!

Nona Sinfonia

É por dentro de um homem que se ouve
o tom mais alto que tiver a vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida.

Num palácio de sons erguem-se as traves
que seguram o tecto da alegria
pedras que são ao mesmo tempo as aves
mais livres que voaram na poesia.

Para o alto se voltam as volutas
hieráticas sagradas impolutas
dos sons que surgem rangem e se somem.

Mas de baixo é que irrompem absolutas
as humanas palavras resolutas.
Por deus não basta. É mais preciso o Homem.
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.in Avante
Nº 1834
22.Janeiro.2009
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Ary dos Santos - Abrir as portas à vida - Para rasgar o silêncio


Abrir as portas à vida e lembrar José Carlos Ary dos Santos
Para rasgar o silêncio

Nem todas as limitações sentidas pelos criadores à difusão dos seus textos, dos seus filmes, do seu teatro – para nos limitarmos às artes que têm a palavra como modo privilegiado de transmissão de ideias, de emoções e de afectos (embora no cinema e em algum teatro contemporâneo a palavra possa ser apenas um meio subsidiário e não o veículo principal) – se abateram com a queda do fascismo.

Se no período sequente à Revolução de Abril foi possível aos criadores divulgar as suas obras e se criaram mecanismos de abolição dos entraves censórios e, consequentemente, se desenvolveram meios de apoio à sua geral prática e difusão pública, após o golpe reaccionário de 25 de Novembro a burguesia, com o apoio de alguns agentes conservadores, reciclados democratas em Estado Novo, cuidaram de gerar as estratégias de cerco – não já ostensivamente censórias, com lápis azul e broncos coronéis que o caruncho e o medo haviam compulsivamente levado a desertar para uma estratégica reforma – de forma mais subtil mas não menos segregadora da criação literária e artística livre e de clara opção anticapitalista, ou de tentar silenciar as vozes que ousassem criticar a deriva neo-liberal, então já claramente esboçada.
Os bloqueios socioeconómicos e profissionais não se fizeram esperar com os media a serem invadidos pelo grande capital, numa lógica rapace de controlo da informação e das ideias e de permanente intoxicação da opinião pública, visando não apenas o lucro mas, sobretudo, o poder de difundir o pensamento único.
Ary foi uma das vozes que esses poderes tentaram silenciar. Eduardo Pitta, com o desassombro que lhe reconhecemos, num texto publicado no livro Comenda de Fogo, em 2001, punha a faca a jeito e cortava onde doía, revelando que por parte da crítica instalada existia o silêncio ensurdecedor – aquele que por completo obliterou o poeta das Fotos-Grafias, uma espécie de agentes ideológicos, prontos a devorar as vozes mais incómodas e irreverentes. Nada, portanto, que já não se soubesse e que o próprio poeta, ainda em vida, não sofresse com a mágoa/raiva que lhe era peculiar, embora, quando a isso instado, esboçasse aquele sorriso de criança rebelde, remetendo-nos para os versos do poema Queixa e Imprecações dum Condenado à Morte: «Por existir me cegam,/Me estrangulam,/Me julgam,/Me condenam,/Me esfacelam./ Por me sonhar em vez de ser me insultam,/Por não dormir me culpam/E me dão o silêncio por carrasco/E a solidão por cela.» (1)

Voz incómoda

As ideologias de direita nascem das contradições do sistema, ajustam-se pragmaticamente às circunstâncias históricas do momento, têm um sentido aglutinador e concentracionário, mesmo que fragmentado, principalmente quando a crise abala o seu território.
Lenine recusava a redução das ideologias a sistemas de ideias e Gramsci avançava que enquanto historicamente necessárias, as ideologias possuem uma validade que é psicológica, ou seja, organizam as massas, formam o terreno onde os homens se movem, onde adquirem consciência da sua condição. O neoliberalismo serve-se da ideologia para criar o inconsciente cultural, que lhe permite o domínio e controlo dos imaginários que reflictam criticamente sobre o real, exercendo vigilância activa sobre os produtos culturais por forma a criar a necessidade psicológica da fuga ao sacrifício (ao real) para melhor estabelecer o seu domínio.
Foi, seguindo este método, que quiseram relegar o autor de O Sangue das Palavras, quando o escândalo do silêncio começava a desnudar o sujo da marosca, à qualidade «menor» de poeta de cantigas, como justificativo do cutelo segregador. Também por aí a coisa surtiu coxa. Estimáveis comparsas dessas luminárias, punham-se a jeito, sem disfarce, para que os cantores e cantadores da moda lhes trauteassem as medíocres letrinhas.
A manobra, tresandando a elitismo pacóvio, não pegou. Melhor e mais eficaz, lhes pareceu relegar a voz incómoda de Ary dos Santos (como anteriormente haviam feito com Armindo Rodrigues, João José Cochofel, José Gomes Ferreira, Manuel da Fonseca, etc.) para o limbo dos ícones de Abril e ter a maçada de lhes limpar o pó uma vez por ano, sem alardes excessivos, até que o tempo passe e deles se esqueçam os vindouros aos quais vão, subtilmente, sonegando a memória essencial.
A esta democracia, cada vez mais amarrada aos rumores de cavername do 28 de Maio, a palavra clara e firme de um poeta é-lhe insuportável, mesmo quando os seus versos transportam e afirmam os mais lídimos anseios do seu povo. A esta via sinuosa para o desastre, basta-lhe a birra suave e controlada de um poeta de voz cava e monocórdica que teima em afirmar, regianamente, que não vai por aí, mesmo que os ínvios caminhos escolhidos o reconduzam, como um Sísifo dos nossos dias, à praça onde paulatinamente os seus companheiros vão agrilhoando as canções e onde tentam fechar o vento que, pertinaz, vai transportando pelos ares o inconformado grito das vozes deste país.

Poeta de pé!

José Carlos Ary dos Santos foi sempre um poeta de pé, de coragem, de afrontamento. De causas. Excessivo e claro, generoso até ao osso, sensível até ao desatar das lágrimas, um sátiro que usava com destreza e originalidade o verbo para despir na praça os hipócritas, os sabujos e deixar à mostra o cetim estiraçado da moral burguesa. Para desmontar e subverter, criar a desordem que lançasse por terra os valores anquilosados: «A cabeça de vaca de minha tia refoga/nas lágrimas burguesas da família enlatada/cozinha-lhe a memória um viúvo de toga/descasca-lhe a cebola uma filha frustrada.» (2)
Ary é, assim, como o afirmou Natália Correia, «um dinamizador da matéria poética» mas, sobretudo, um exímio comunicador que sabia que as palavras têm peso, espessura, qualidades. Não quis nunca, mesmo nos primórdios, que os versos servissem para decorar a sala de visitas, ou entediar os serões da burguesia. Como Lorca, António Machado, Alberti, Neruda, ele sabia que a poesia era uma arma carregada de futuro (Gabriel Celaya), um caminho a desbravar, um instrumento mais para erguer a voz e cantar a justiça e a paz, para ajudar Abril a caminhar, acreditando que «O que é preciso é termos confiança/se fizermos de Maio a nossa lança/isto vai meus amigos isto vai».
Por isso, por este verbo rasante e justo, sem concessões, José Carlos Ary não rejeitava o epíteto de «poeta popular». Popular na mais ampla conexão etimológica; popular porque relacionado com o povo, com ele democraticamente solidário. Poeta popular porque reconhecido pelas massas, sancionado pelo povo; popular como o foram os poetas do Cancioneiro, como Camões, Bocage, Guerra Junqueiro, João de Deus, Gomes Leal. Popular, porque o Povo lhe sabe as cantigas, as canta em coro: Os Putos; Lisboa Menina e Moça; O amarelo da carris; O Cauteleiro; O Fado do Campo Grande; Amêndoa Amarga; Meu amor, meu amor; Alfama; A Tourada; A Desfolhada; A Cidade e mais de seiscentas outras que mudaram radicalmente o modo de escrever os versos das cantigas, que transformaram o panorama da nossa música ligeira, ainda no limbo do nacional cançonetismo.
Ao publicar (1975) uma narrativa em verso rimado intitulada As Portas que Abril Abriu, Ary dos Santos assume-se, isto é, interdita-se pela poética popular (nos seus traços exteriores) e pelo comprometimento na sua dimensão didáctica. (3)
Mas, igualmente, o poeta do verso intempestivo, ardente, onde perpassa uma matriz pré-surrealizante (Adereços, Endereços), e uma voz que mistura um Genêt carnal e físico, e o excessivo clamor de Rimbaud (A Liturgia do Sangue). É com Adereços, Endereços, que Ary afirma, no contexto das vozes reveladas nos anos 1960 e na poesia portuguesa contemporânea, a sua voz singular, a sua originalidade sintáctica, que disseca a modernidade, mas que a um tempo o afasta formalmente, pelo torrencial estilístico e inconformado rebelde dessa fala, de alguns poetas da Poesia 61, muito mais orgânicos e academizantes, embora lhe possamos assacar traços de familiaridade com o sarcasmo de Armando Silva Carvalho e no nebuloso surreal de Fernando Grade.
De resto, Ary é um dos poetas presentes na antologia Poesia 71, organizada por Fiama Hasse Pais Brandão e Egito Gonçalves, com 2 retratos dedicados a Guerra Junqueiro e Camões, retirados do livro Fotos-Grafias, que o poeta havia publicado em 1970.

A força de viver enraivecida

Independentemente de procurarmos saber que espaço ocupará a arte poética de Ary dos Santos na história da Literatura Portuguesa (o tempo se encarregará de separar trigo e joio), o poeta de VIII Sonetos (atenção ao magnífico estudo de Manuel Gusmão que acompanha a 1.ª edição deste livro) será sempre para os homens justos desta terra um dos mais raros e fecundos cultores da palavra poética da segunda metade do século XX português.
Frontal sempre, e sagaz e inquieto, construindo o poema com a textura precisa, moldável, com um ritmo substantivo e exacto para caber no poderoso fluxo da sua voz, essa voz que enche de colorações inusitadas, modelando as palavras e transfigurando-as, transmitindo-lhes reverberações que a leitura corrente, por mais atenta, não se atreve a descortinar – palavras que na sua voz ganham um fulgor novo e nos parecem quase inverosímeis de tão certeiras e urgentes.
A voz, o poder épico dessa voz, arrasta consigo o âmago mais secreto das palavras, cobre-as de sentido. De sentidos: no sarcasmo, na sátira, na denúncia, na emotividade. Ainda hoje não conseguimos ler As Portas que Abril Abriu sem lhe seguirmos o ritmo, a força, o exuberante clangor da forma como Ary diz os versos finais: «Agora, ninguém mais cerra/as portas que Abril abriu.»
Mesmo nesse rumor fundo do silêncio detectado por Eduardo Pitta, as palavras de José Carlos Ary dos Santos continuarão a estar vivas, a ressoar como um alerta aos nossos ouvidos, a caminhar ao nosso lado. Porque, por muito que tentem calar, um poeta «Nunca canta sozinho», dado que «É por dentro de um homem que se ouve/o tom mais alto que tiver a vida/a glória de cantar que tudo move/ a força de viver enraivecida». (4)

Nota: Os subtítulos são da responsabilidade da redacção do Avante!
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(1) – In “A Liturgia do Sangue” – Obra Poética – Ed. Avante
(2) – In “Insofrimento” - Obra Poética – Ed. Avante
(3) – in “10 Anos de Poesia em Portugal” de Manuel Frias Martins – Ed. Caminho
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in Avante
Nº 1834
22.Janeiro.2009
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Ary sempre!


José Carlos Ary dos Santos deixou-nos há 25 anos. No dia 18 de Janeiro de 1984. O seu funeral, realizado dois dias depois, sob intensa chuva, foi o maior que alguma vez um poeta teve em Portugal.
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Contou o Avante! de 26 de Janeiro desse ano que «uma multidão ininterrupta» homenageou o poeta, quer na Sociedade Portuguesa de Autores, onde o seu corpo esteve em câmara ardente, quer na romagem até ao cemitério. O cortejo fúnebre, «feito a pé, demoraria duas horas a chegar ao cemitério do Alto de São João, em Lisboa, onde o aguardavam novos milhares de pessoas para o acompanhar à campa rasa que recebeu o corpo do poeta».
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As razões de tanta amizade e tanta gratidão revelou-as José Casanova, intervindo no funeral em nome do PCP: «José Carlos Ary dos Santos é o camarada, o amigo, o poeta. Por isso, “foram não sei quantos mil” os que, ontem, na Sociedade Portuguesa de Autores, e hoje aqui, se encontraram com ele para comemorarem colectivamente a camaradagem, a amizade, a poesia: conquistas que, junto com ele, alcançámos e que são tão nossas que comemorá-las e defendê-las é condição indispensável para chegarmos ao futuro.»
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Mas não é a sua morte que assinalamos, mas a sua vida que celebramos. Passados vinte e cinco anos sobre o seu desaparecimento, José Carlos Ary dos Santos permanece vivo na lembrança de milhares e milhares de portugueses e, de forma muito especial, nas memórias e nos corações dos militantes comunistas que com ele conviveram, que com ele foram protagonistas das múltiplas batalhas de que é feita, todos os dias, a luta pelos ideais de justiça social, de liberdade, de fraternidade.
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Exemplo do intelectual que tomou partido, Ary dos Santos fez a sua opção política e de classe e o talento era a sua maior arma. Nos seus poemas, fundamentalmente aqueles que foram escritos entre 1974 e 1984, está a Revolução, de que foi, sem dúvida, o maior cantor. Lá está a festa e a alegria, a fraternidade e a camaradagem, a consciência revolucionária e a determinação de luta, a arte e a cultura, a justiça social e o progresso. Lá está tudo o que Abril mostrou ser possível.
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De então para cá, nestes 25 anos que passaram, a luta continuou: com as armas que temos na mão prosseguimos o combate procurando impedir que os ventos do passado cerrassem as portas que Abril abriu.
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E assim continuará a ser: com o poeta a dizer-nos que isto vai, meus amigos, isto vai – e nós a sabermos que, de facto, «isto vai», mesmo que não vá como e quando queremos – numa concordância absoluta que resulta da simples razão de um poeta militante ter sabido traduzir na sua obra, de forma transparente, com um talento singular, com a força dos seus ideais e das suas convicções, os anseios mais profundos do seu povo.
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Com esta edição do Avante!, é possível adquirir o CD Ary Sempre!, que contém 43 poemas declamados pelo próprio autor.
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Voltei, para quem possa interessar a notícia :-).


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Pois ...Após o meu computador ter pifado comprei um novo e após semanas sem ligação à NET vieram arranjar o modem. Assim, um bom 2009 para cada um(a) e para todos (todas). Vai ser difícil para a maioria, mas «Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida» (Gedeão) e que o importanta é transformar o mundo (Marx), não para uma minoria cada vez mais escassa mas para todos. E que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena (Pessoa).

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Vá lá, uma forcinha.Qual o tamanho da alma de quem me lê?

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