Aprender, Aprender Sempre ! (Lenine) ..... Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Alegria e Fantasia (Victor Nogueira) ..... Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
Zorba the Greek 1964. Lila Kedrova is Madame Hortence, a faded glory, who "does not have the bugs" and can still put on, a scaled down, show. Lila won the Oscar award for best actress for Zorba. . In 1983, she did it all over again on Broadway in NYC, in the musical version of Zorba the Greek, winning both a Tony Award for Best Performance by a Featured Actress in a Musical and a Drama Desk Award. . Alan Bates is laughing with Madame and Anthony Quinn is consoling her: "no more boom, boom". . Walter Lassally won the Oscar for his cinematography. The great, Mikis Theodorakis wrote the music and Michael Cacoyannis directed. Based on a novel by the Greek literary giant Nikos Kazantzakis. Shot on the island of Crete.
Zorba the Greek 1964. Eleni Anousaki is the prostitute, who calls Anthony Quinn: "papouli" meaning "old man". . Zorba is extravagant beyond his means, out for a good time and firmly believes he is is paradise being in bed with Eleni. . Walter Lassally won the Oscar for the cinematography, Mikis Theodorakis wrote the music and Michael Cacoyannis directed. Based on a novel by Nikos Kazantzakis. Shot on the island of Crete.
Relationships are a two-sided reciprocation. If one is not connected, the balance is broken. Not different when concerning the relationships between actors and directors. David Lean and Katherine Hepburn show in this movie that when actor and director are connected, it works marvellously. This shows throught this small movie of 1955 in which Hepburn is a single woman from Ohio that falls in love with a caliente italian lover played by Rozzano Brazzi. In this specific scene, Hepburn realizes Brazzi lied to her about a certain ancient Venietian tassel she bought at his store that was supposed to be very rare. I could pick several scenes from this movie to show how Katherine looks so natural and at ease. But I picked this one but I laughed my ass off when I watched. Result of a good relationship between a master director and a master actress. Enjoy!
Directed by Joshua Logan, based on a play by William Inge, this was the first movie Marilyn Monroe starred after quitting her Fox contract. The difference is clear, not anymore the dumb blonde girl, MM shine in the role of Cherie, a not-so-innocent singer that become the apple of a stubborn cowboy's eye. Catchy of attention are the close-ups (and extreme close-ups) Logan uses close to the end of the movie to convey the characters' innocence and struggle through the emotions of uncertainty, shame and love and attachment. I found it marvelous. It won't maybe make much sense unless you watch the whole movie, but here's a piece for you... Enjoy!
. DickFaulkner . Billy Wilder's 1955 comedy Seven Year Itch starring Tom Ewell and Marilyn Monroe. Song is Amy Grant's "Ask Me", which has absolutely nothing to do with the film; in fact it's about sexuel abuse. I chose it primarily for its rhythm, which I think goes well with the scenes. . .
. Eleanorfan1992 . This Is A Video clip I made, with pictures from the World Famous Marilyn Monroe. Including the two songs: 'I Wanna Be Loved By You' and 'Kiss'. . .
Eu sei que eu tenho um jeito Meio estúpido de ser E de dizer coisas que podem magoar e te ofender Mas cada um tem o seu jeito Todo próprio de amar e de se defender Você me acusa e só me preocupa Agrava mais e mais a minha culpa Eu faço, e desfaço, contrafeito O meu defeito é te amar demais Palavras são palavras E a gente nem percebe o que disse sem querer E o que deixou pra depois Mais o importante é perceber Que a nossa vida em comum Depende só e unicamente de nós dois Eu tento achar um jeito de explicar Você bem que podia me aceitar Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser Mas é assim que eu sei te amar
Comunidade cigana de Aveiro reuniu-se com o Ministério Público
Tradição do casamento fora da lei . * Carla Pacheco 07 Abril 2008 - 00.30h
O Ministério Público de Aveiro fez um levantamento dos casos judiciais em que foram detectados casamentos de menores de 16 anos na comunidade cigana e concluiu que há cerca de uma dezena de situações em que poderá vir a ser deduzida acusação, nomeadamente por crime de abuso sexual.
Para tentar pôr um travão a esta 'situação delicada' o procurador João Marques Vidal chamou os líderes das comunidades ciganas de Aveiro para uma reunião e compareceram 14 patriarcas. 'Tentámos sensibilizá-los para o que está na lei e para a necessidade de mudarem os procedimentos', adiantou o magistrado. No entanto – e apesar do encontro ter decorrido 'com grande abertura' – Marques Vidal constatou que os líderes das comunidades 'não estão dispostos a alterar as tradições do casamento'.
CRISE NOS COSTUMES
O casamento, sendo um dos pilares mais enraizados da cultura cigana, em que a virgindade da noiva é o garante da pureza da linhagem da família, não está imune às transformações da sociedade. Os elementos da comunidade admitem que actualmente, com a frequência da escola, as jovens estão mais expostas ao mundo exterior. 'Há que garantir que elas vão puras para o casamento, daíque muitos pais prefiram casá-las cedo a verem-nas fugir', explica Jaime Maia, um dos patriarcas.
Já Teófilo Santiago, responsável da Polícia Judiciária de Aveiro, acredita que 'muitas das situações acabam por chegar ao conhecimento das autoridades porque as raparigas têm hoje outra forma de pensar'. 'Os choques culturais que antes eram resolvidos no seio da comunidade são agora extravasados e obrigam por vezes à intervenção das entidades judiciais.'
Os casos mais graves registados pelas autoridades envolvem situações de sevícias e de violações, que implicam a autoria moraldos pais sempre que se trate de menores de 16 anos. 'Não é razoável que estas pessoas continuem com costumes ancestrais que estão de todo fora da lei e que, mesmo assim, reivindiquem o benefício dos apoios do Estado', salienta Teófilo Santiago.
APONTAMENTOS
ETNIA E TRADIÇÃO
O casamento é o maior acontecimento na comunidade cigana e representa a continuidade da etnia e a entrada na vida adulta. A festa, que conta com centenas de convidados, pode durar entre três a cinco dias. As mulheres da família do noivo comprovam a virgindade danubente e exibem depois um pano branco manchado desangue.
50 MIL EM PORTUGAL
No nosso país há cerca de 50 mil ciganos. As maiores comunidades encontram-se em Lisboa, Porto, Faro, Braga e Aveiro. O último relatório da Comissão Europeia Contra o Racismo e a Intolerância divulga que os ciganos são a minoria mais discriminada em Portugal.
CASOS SINALIZADOS
Uma das situações verificadas em Aveiro foi o de uma menina cigana, de 11 anos, que engravidou de um homem de 27. O relacionamento já durava há um ano quando, em Dezembro, a Polícia Judiciária deteve o indivíduo, que ficou em prisão preventiva.
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07 Abril 2008 - 16.16h | manuel gonçalves «Marques Vidal constatou que os líderes das comunidades não estão dispostos a alterar as tradições do casamento».Gostava de ver a nova Lei do Ministério das Finanças sobre os casamentos cumprida pelos ciganos.Não me façam rir.E não devem gastar pouco com tanta farra.Rendimento minimo,venha ele porque as leis são para os outros.
07 Abril 2008 - 15.35h | Nuno Exigem todos os direitos e regalias para viverem à custa do Estado, mas cumprir as normas e deveres já não é compatível com a cultura.. Se não adoptam comportamentos civilizados é porque não querem ser integrados na sociedade civil. Discriminados é que não, essa já não pega.
07 Abril 2008 - 15.31h | nicole fonseca continuaçao:conheço ciganas que casaram com 15,16anos e hoje tem 30,o marido é o mesmo e os filhos seguem a tradiçao dos pais,as jovens estam preparadas para o casamento,enquanto as joventude de hoje muitas sao maes solteiras com 15,16anos,o pai da criança desaparece e elas fiquam a criar um bébé sozinhas,isto quando nao cometem aborto,na etnia cigana nao se vÊ isto.lisboa
07 Abril 2008 - 12.31h | julio martinho sendo portugal um pais dito desenvolvido parece-me sureal que o estado continue a premitir situacoes destas só porque faz parte da tradicao cigana.em africa existem tradicoes ancestrais k jamais seriam aceites aki.penso k as etnias tem de viver com as leis do pais e nao o pais com as leis da etnias.em africa cortam o clitoris iriamos aceitar esta pratica faz parte da tradicao...
07 Abril 2008 - 11.03h | suissa e tempo de acabar com essas tradicoes seja em portugal ou noutro pais qualquer, esta situacao nao ixiste so em portugal a justica tem que aplicar a lei tal como é....ainda sao criancas que no seio desta comunidade ja sao adultas...aonde esta a protecao de criancas??? que sejam ciganos ou nao devemos meter um stop sao humanos assim como nos...nos tambem tivemos a nossa tradicao e acabamos com ela..
07 Abril 2008 - 06.15h | Lusitano em França São a minoria mais descriminada em Portugal? Então porque é que insistem em continuar a permanecer em Portugal? Para mim é porque podem em Portugal fazer um estado no estado, eles cumprem as leis Portuguêsas? Se Portugal não lhes convém porque não retornam aos pais deles? Ou não vão para um outro? Que os obriga a permanecer em Portugal? . .in Correio da Manhã . .
António Rilo
Manuel Nunes testemunhou tiroteio em acampamento. Pai de rapariga de 15 anos foi atingido pelo seu compadre
* Carla Pacheco
27 Março 2008 - 00.30h
Justiça: Tradição pode constituir crime
Casamentos ciganos estão sob suspeita
As autoridades judiciais estão cada vez mais preocupadas com a existência de casamentos entre jovens adolescentes, no seio da comunidade cigana, o que à luz da lei pode revelar a prática de crime de abuso sexual. Em "choque" estão a milenar tradição cigana e as leis, que impedem o casamento e as relações sexuais com menores de 16 anos.
A situação agudizou-se em Dezembro último, quando foi sinalizada uma menina de 11 anos que engravidou de um homem de 27 anos, que vivia com ela na mesma comunidade, em Oliveira do Bairro. Anteontem, o tema voltou à ordem do dia devido a um tiroteio num acampamento, também em Oliveira do Bairro, que terá tido origem na fuga de uma menor de 15 anos, a qual decidiu regressar a casa dos pais.Manuel Nunes, que conhece as famílias em desacordo, disse ao CM que a rapariga fugiu com o filho mais novo do patriarca de Portouro, também de 15 anos, para casarem, 'de acordo com a tradição deles'. As coisas terão corrido bem nos últimos dois meses, mas anteontem, por motivos desconhecidos, 'a jovem resolveu abandonar o acampamento do sogro e voltar para os pais'.
Luís Monteiro, de 49 anos, foi tirar satisfações com o compadre, num acampamento que fica a cerca de quatro quilómetros, e terá sido aí que foi agredido e baleado, numa perna e nas costas, estando internado, sem risco de vida, no Hospital de Aveiro.
Manuel Nunes, que assistiu à discussão – em romani, o dialecto cigano – já identificou o autor dos disparos, um homem de 40 anos, pai da menor. O suspeito foi detido pela PJ de Aveiro e ouvido ontem em tribunal, desconhecendo-se as medidas de coacção aplicadas.
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27 Março 2008 - 22.27h | Falcão Preocupados com os casamentos? só os casamentos? então e tudo o resto que esta gente não cumpre? ou seja fazem o que querem e ainda lhes dão dinheiro e casas.
27 Março 2008 - 22.26h | Graça Afonso Realmente é assustador o que fazem com as menores ciganas e as autoridades têm razão para ficar assustadas. Há que acabar com isto de vez!
27 Março 2008 - 20.20h | Emídio Cardoso A lei é igual para todos os cidadãos nacionais?Como se pode permitir que certas comunidades as saltem á toureira?Creio que há alguêm no meu país que não esta a cumprir com o seu dever.Os usos e costumes devem ser respeitados quando aceitaveis e lícitos á sociedade em que se praticam.
27 Março 2008 - 19.40h | Teresa Isto é muito giro....nao respeitam as leis do país onde vivem pois a maioridade em Portugal é aos 18 anos.Mas para receberem os subsidios e casas do Estado, é com eles....toca a fazer filhos e nós sustantamos essos ciganos todos.....
27 Março 2008 - 17.35h | Victor C E o bom senso manda que se respeitem as leis e se protejam as crianças. Ou isto de casar em idade de brincar é uma brincadeira? Estamos a falar de seres humanos, não de coelhos!
27 Março 2008 - 08.08h | Pedro Troviscais - Andalucia As tradições dos ciganos nestes casos são as leias da vida,quando um individuo está maduro sexualmente,é adulto e assim é!Quantas vezes se pergunta a um puto de 4 anos se já tem namorada e vice versa?E para quê usamos os outros animais,quanto mais cedo procriar melhor?Quantos reis se casaram com menos de 14 anos?Deixemo-nos de hipocrisias,e usemos o bom senso.
27 Março 2008 - 07.59h | revoltado á cerca de uma semana deu um comentário na tv de ciganos ,aonde o chamado rei dos ciganos dizia que só na raça dele é que não havia pedófilia ,e que só nas outras raças havia pedófilos,afinal pareçe que não é bêm assim...
27 Março 2008 - 02.25h | rosita casar-se muito jovem é tradição em meio cigano.Mas acho que eles devem respeitar as leis dos países onde moram. . .
Há coisas simples que todas as pessoas podem fazer para melhorar a sociedade em que vivem e uma das mais importantes delas é o diálogo. Um diálogo pode levar a propostas de ações transformadoras que apontem um porvir diferente, motivando os indivíduos a construirem este futuro radiante. E para produzir estes espaços de diálogo, há uma ferramenta muito interessante, o vídeo-diálogo :)
O formato é simples, as pessoas assistem a um vídeo, depois se sentam em roda e conversam sobre o que viram. Geralmente há um facilitador ou orientador, alguém que ajuda a frear aqueles que adoram monopolizar as falas, para que os mais tímidos também possam se expressar, além de cuidar para que não haja dispersão e estimular as propostas de acordo com as atividades que o grupo possa realizar.
Geralmente os melhores vídeos são aqueles que apresentam um tema que tenha a ver com o cotidiano de quem assiste, pois permite que cada um expresse suas sensações acerca daquilo que viu no vídeo, assim o diálogo fica mais gostoso, havendo uma espécie de comunhão entre as pessoas, o que pode ajudar a organizar uma equipe ativista depois.
O Festival É tudo Mentira, por exemplo, propõe a exibição de vídeos que desmacarem as mentiras que os poderosos nos contam e os problemas que geralmente são escondidos embaixo do tapete. Quanto mais próximo das pessoas, estas mentiras tendem a produzir um sentimento maior de indignação e de se produzir algo, um filme como O Brasil Além do Cidadão Kane, que mostra as mentiraiadas da Globo, pode levar a ações muito interessantes de produção de uma mídia local independente, para divulgar os pontos de vista dos participantes e notícias que acontecem na região e comumente não iriam ao ar nos grandes meios.
Esta ação simples, o diálogo derivado de um filme, pode então levar a ações conscientizadora que transcendam aquele pequeno círculo de pessoas, abrangendo um maior número de pessoas.
Envio um vídeo pequeno do Jorge Furtado, O Ilha das Flores, ele tem 12 minutos e um conteúdo bombástico. Uma combinação ideal para produzir uma conversa frutífera.
Para organizar o Festival É tudo Mentira, é simples, escolha um filme, consiga uma sala com vídeo, DVD e cadeiras, divulgue bastante e de preferência encha o saco daquelas pessoas que você sabe que sentem a necessidade de mudar o mundo para te ajudar nisso. Faça a exibição de preferência no dia 1º de Abril e não se esqueça de mandar notícias de como vai a organização.
Pode ver também algumas sugestões de filmes na página do cinecelula:
As mãos sobem e descem; o couro cede e retorna; o som é feito agudo e grave, conforme o tocador se mexe. Mas quem toca quem ? O atabaque move o homem ? Ou o homem faz o atabaque falar ? Não seriam os dois apenas um ?
Name:Teimosia Age:31
É quando se retesa o arco e se estica o arame; é quando a baqueta corta o ar e faz vibrar a cabaça; é quando se esquenta o couro com a palma da mão, e o suor corre em bicas. É quando o gunga grita e a função se desenrola; é quando no campo de mandinga, dois viram um. É quando a boca canta sozinha e quando o corpo vai sem rumo, cavalo sem cavaleiro que se veja - é justo nesse momento que estou vivo, uno com todos e ao mesmo tempo só. Vivo quando a perna passa e o tronco esquiva, quando os braços negaceiam. Vivo quando a tesoura derruba, quando rasteira de fraco põe forte no chão. E nesse balanço, nesse remelexo, nesse pega-não-pega, vou vendo siri dar em caranguejo, gavião apanhar de bem-te-vi. E quando o samba mexe meus joelhos, também estou vivo - escorregando, caindo, tretando, presepando, levantando, de banda, de lado, entortado, de viés. E aí, sacudido, balançado, tremelicado, pulsado, febril de jogar o jogo, de brincar a brincadeira, descanso. Uma pequena morte, diria - até que a vadiagem me faça viver de novo.
Dobro esquinas, subo e desço ladeiras, fluo pelas ruas. Serpenteio por avenidas paralelas e ruas oblíquas e praças circulares. De volta ao meu lugar, ao meu canto - minha cidade, que me escolheu. Com seus defeitos de cidade, com sua má-educação de cidade, mas também com suas pessoas de alma doce, mineira. Deixo o vento me gingar, escuto suas ladainhas nas arestas de cimento, observo os fios vibrando em arcos-postes que não se dobram. Ouço a música da cidade - embala eu, BH. Vejo as mazelas, os caídos no chão, e as árvores no parque, e os cães e os meninos sem dono, e os girassóis na praça que renasceu, e o rio que foi poluído e depois escondido, e a feira grátis sob o viaduto, e os que roubam para viver, e os que roubam para fumar, e o trem que me acorda a cada manhã. Embala eu, BH. Respiro a fumaça das descargas e o cheiro das azaléias e a urina dos cantos e os queijos do mercado. Vejo o cinza dos prédios e o roxo dos ipês, e o burburinho da feira e as nuvens que descem da serra. Embala eu, BH.
Jogo o jogo da vida, vivo na roda do mundo. Sou discípulo que aprende, e todo dia a vida me dá lição. Aprendo a ler um novo ABC a cada manhã, sinto o sangue correr nas palmas das mãos. Às vezes escorrego, e ouço da vida que "roupa de homem não serve em menino" - aprendo com os tropeços, tento não bulir mais com marimbondo. Mas a curiosidade que mata os gatos é a mesma que nos manda para a frente. Se buraco velho tem cobra dentro, às vezes também tem saco de dinheiro - é questão de saber em qual cumbuca meter a mão. Ando devagar, que sei como me doem os calos. E falo devagar, que me doem os dentes da queixada. Não tenho pressa, deixo o corpo dar o jeito que o corpo sempre dá. Enquanto a vida passa, sigo evitando siris que derrubam gameleira, facas de furar e ondas que viram canoas. Se no fundo do mar tem dinheiro, esse eu deixo às sereias. Continuo apanhando a areia branca do mar, continuo bebendo a água de beber. Volta de mundo, camará.
Eu canto para afastar nuvens. Canto para me manter acordado. Canto para aprender mais. Para deixar para trás o mal. Eu canto para não criar teias, para desembaçar a visão. Canto para ter notícias, canto para matar saudades. Eu canto e transmito sorte, canto e envio força. O canto é quente nas noites úmidas, e ecoa nas madrugadas frias. Meu canto é curioso, quer descobrir coisas. Levanta pedras e sacode árvores. Espalha papéis, e os lê em pleno ar. Prende aves no chão, seca pimenteiras, fecha corpos, carrega mandinga. É um canto forte, que sai da goela como se me tocassem tambores no peito - um canto que herdei, que corre no meu sangue negro. É canto vivo, que faz correr a tristeza e revira a mágoa pelo avesso. Canto do violeiro sem viola, de andarilho errante. Canto repentes e espanto inimigos, canto louvações e construo amizades e amores. Andando faço minhas loas, deixo meus marcos. Cantando, me defino e esboço meu mundo. O canto me mantém na trilha, me ensina a jogar. Meu canto me faz, e cantando eu sou.
Ando de banda pela vida, torto como a natureza não me fez, de lado feito caranguejo que sou. Olho obliquamente, enviesado, mas nunca pelas esquerdas - ando torto por linhas certas, mas tenho destino conhecido. Caranguejo que sou, vez por outra vejo a maré invadir minha praia, destruir o que construí. Mas tão logo ela recua, eu testo a areia com meus pés finos e canelas secas - e começo a caranguejar de novo. Torto, de lado - mas com rumo certo.
Trailer do filme vencedor da PALMA DE OURO de cannes 1962 dirigido por anselmo duarte e produzido por oswaldo massaini, lançado em home video por dynafilmes e autorado por createFX . .
O Pagador de Promessas (teatro)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Pagador de Promessas é um filme brasileiro do ano de 1962 dirigido por Anselmo Duarte. Em outras línguas tais como o inglês, o título foi traduzido como "A Promessa" e "A Palavra Dada" ("The Promise" e "The Given Word", respectivamente).
Duarte, que também foi um dos produtores do filme, adaptou o texto da famosa peça teatral escrita por Dias Gomes. O filme ganhou a Palme d'Or no Festival de Cannes, sendo o primeiro (e único, até hoje) filme brasileiro a realizar tal feito. Um ano depois, foi o primeiro filme brasileiro da história a ser indicado a um prêmio da Academia na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira.
Pequeno trecho do filme "O pagador de promessas" (primeira versão, 1962), onde há uma roda de capoeira na porta da igreja. Entre os participantes do filme estão Mestres Canjiquinha, Paraná, Gigante e Zoião.
Scene from the movie "O pagador de promessas", produced in 1962. It shows a roda in front of a church, in Salvador. The movie features Mestres Canjiquinha, Paraná, Gigante and Zoião . .
Zé do Burro é um homem humilde que enfrenta a intransigência da Igreja ao tentar cumprir a promessa feita em um terreiro de candomblé de carregar uma pesada cruz por um longo percurso.
Zé do Burro é o dono de um pequeno pedaço de terra no Nordeste do Brasil. Seu melhor amigo é um burro. Quando este adoece, Zé faz uma promessa à uma mãe-de-santo do Candomblé: se seu burro se recuperar, irá doar sua terra aos pobres e carregará uma cruz desde sua terra até a Catedral de Santa Bárbara em Salvador, onde oferecerá a oferecerá ao padre local. Assim que seu burro se recupera, Zé dá início à sua jornada.
O filme se inicia com Zé, seguido fielmente pela esposa Rosa, chegando à catedral de madrugada. O padre local recusa a cruz de Zé após ouvir dele a razão pela qual a carregou e as circunstâncias "pagãs" em que a promessa foi feita. Todos em Salvador tentam se aproveitar do inocente e ingênuo Zé. Os praticantes de Candomblé querem usá-lo como líder contra a discriminação[1] que sofrem da Igreja Católica, os jornais sensacionalistas transformam sua promessa de dar a terra aos pobres em grito pela reforma agrária. A polícia é chamada para previnir a entrada de Zé na Igreja, e ele acaba assassinado em um confronto violento entre policiais e manifestantes a seu favor. Na última cena do filme, os manifestantes colocam o corpo morto de Zé em cima da cruz e entram à força na Catedral.
O diretorAnselmo Duarte e a equipe do filme foram recebidos com um desfile público em carro aberto, ao desembarcar no Brasil após receber o prêmio em Cannes.
Conforme contou no programa de Jô Soares, Anselmo Duarte foi homenageado em sua terra natal e, dentre as honrarias, havia o discurso de um famoso político local. No decorrer do discurso, o político insistia em pronunciar o nome de "Anselmo" como "Ansérmo", o que causava risos nos presentes. Percebendo a reação, o político disse que falava a liguagem do povo, mas que também se expressava na linguagem culta. Logo em seguida, tentou corrigir o erro, mas acabou por dizer "Ansérmo Dualte".
Mais de vinte anos mais tarde, Dias Gomes adaptou sua própria obra para a Rede Globo, no formato de minissérie. Esta versão foi, no entanto, censurada à pedido dos patrocinadores, que não teriam gostado das menções positivas feitas à reforma agrária.[2]
Foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca. Neste filme fica perceptível a influência marcante do neo-realismo italiano na obra do diretor Nelson Pereira dos Santos.
Pressionados pela seca, uma família de retirantes composta por Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia, atravessam o sertão em busca de meios para sobreviver.
O livro retrata a vida de pessoas que vivem no sertão brasileiro e o sacrifício delas para sobreviver. Tendo como tema a luta pela sobrevivência diante do flagelo da estiagem, o autor traz em seus personagens muito da alma nordestina nos traços de Fabiano e sua familia.
Foi publicado em 1938 e aborda a problemática da seca e da opressão social no Nordeste do Brasil. Ao contrário dos romances anteriores, é uma narrativa em terceira pessoa, com o discurso indireto livre predominante, com a finalidade de penetrar no mundo introspectivo dos personagens já que esses não têm o dominio da linguagem necessário para estabelecer a comunicação.
O romance tem um caráter fragmentário. São "quadros", episódios que acabam se interligando com uma certa autonomia. Como coloca o crítico Affonso Romano de Sant'Anna: "Estamos sem dúvida, diante de uma obra singular onde os personagens não passam de figurantes, onde a história é secundária e onde o próprio arranjo dos capítulos do livro obedece a um critério aleatório".[1]
Os principais personagens são: Fabiano, Sinhá Vitória, Menino mais Velho, Menino mais Novo, a cachorra (Baleia) e o papagaio, que a família come para aliviar a fome.
Trechos
“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda da pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.” Cap. 1
“Se não fosse aquilo... Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou – e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos... Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. O demônio daquela história entrava-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos.” Capitulo. 3
Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia são os protagonistas do romance Vidas Secas – narrativa dos sertanejos retirantes da seca e seus dramas sociais, publicado por Graciliano Ramos em 1938.
O casal, Fabiano e Sinhá Vitória, representa o núcleo da trama: Fabiano mantém-se fiel a seus hábitos de vaqueiro - é uma extensão do animal, totalmente adaptado ao cavalo e à roupa de couro. No lado oposto, Sinhá Vitória – que também guarda o poder de adaptação às piores condições materiais, mas vive enaltecendo uma figura, para ela exemplar, o seu Tomás da bolandeira, um homem que sabia ler e tinha uma cama de couro.
Fabiano é uma pessoa que se ligou de maneira visceral ao meio. Ele se orgulha de sobreviver à seca e de fazer parte de uma paisagem que só admite os mais resistentes: ora exalta-se com secreta satisfação: ”Fabiano, você é um homem”; ora, se reconhece como a um animal: “Você é um bicho, Fabiano”, e o orgulho logo passa para a dúvida - quando pensa ser uma coisa da fazenda, um traste que possui apenas as perneiras, o gibão, o guarda-peito e o sapato de couro cru que, ao ser demitido, seria do vaqueiro que o substituísse.
Vaqueiro, rude, curto das idéias, sem instrução e sem capacidade de entendimento, Fabiano não tem planos e vive a procura de trabalho. Bebe muito e perde dinheiro no jogo. Sua auto-imagem varia de acordo com a situação e seu ânimo diante da dificuldade: quando se reconhece um homem e sente orgulho, Fabiano é a afirmação do indivíduo que se sobrepõe às dificuldades. Quando se reconhece um animal, ganha relevância o ser impessoal de existência desumana. Ao avistar Baleia – num momento de comunhão, envolvido na tragédia de pertencer à mesma realidade do animal, Fabiano conclui: “Você é um bicho, Baleia”.
Fabiano tenta, mas não consegue se comunicar. Como os animais, a família de Fabiano praticamente não tinha linguagem. Contando apenas com o instinto de sobrevivência, ele – um cabra vermelho, curtido pelo sol, é vencido por um soldado raquítico que desafia-o para uma partida de baralho. Humilhado, Fabiano chega a ser preso e não consegue se defender: a fragilidade de linguagem impede a possibilidade de divulgar a injustiça que sofrera e ele lamenta viver como um bicho, sem ter freqüentado a escola.
Estrutura
No que diz respeito à estrutura, o livro apresenta treze capítulos, dentre os quais alguns podem ate ser lidos em outra ordem (romance desmontável), que não a impressa no livro. Entretanto, alguns capítulos, como o primeiro, "mudança", e o último, "fuga", devem ser lidos nesta ordem. Esses dois capítulos reforçam a idéia de que toda a miséria que circunda os personagens de "Vidas Secas" representa um ciclo, em que, quando menos se espera, a situação se agrava e a família e obrigada a se retirar, repetidas e repetidas vezes.
A obra de Graciliano pode ser considerada um marco para a literatura brasileira, visto que há a implícita (e, em alguns casos, ate explícita) crítica social a toda pobreza no sertão nordestino, que atinge uma boa parcela da população, e que, de fato, acaba por prejudicar todo o país, impedindo maiores desenvolvimentos. Há a tentativa, portanto, de se mostrar a desarticulação dessa região com o resto do país (um Brasil pobre dentro de todo o Brasil).
O próprio titulo da obra, se analisado corretamente, nos dá pistas importantes da mensagem que Graciliano quer passar: "Vidas" se opõe a "Secas" pois a primeira tem sentido de abundância, enquanto, a segunda, de vazio, de falta, configurando um paradoxo (oposição de idéias resultando em uma construção de sentido ilógico). Alem disso, denotativamente, o adjetivo "secas" se refere a "vidas", e, dessa forma, teria o sentido de que a família sofre com a seca. Por outro lado, conotativamente, pode-se relacionar aquele adjetivo a uma vida privada, miserável.
Quase ausente em É tudo Verdade, audiovisual produzido nas periferias brasileiras reúne obras densas, criativas e inovadoras. Festival alternativo exibe, em São Paulo, parte destes filmes e vídeos, que já começam a ser recolhidos num acervo específico.
Por Eleilson Leite, no Le Monde Diplomatique Brasil
Termina neste domingo, 6 de abril, mais uma edição do Festival É tudo verdade, a mais importante mostra de documentários da América Latina. Criado em 1996 pelo crítico Amir Labaki, o evento chega a 2008 com a impressionante marca de 138 obras na programação, exibidas em 8 salas de São Paulo, além do Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Bauru e Caxias do Sul. Paralelamente, cineastas da periferia da Zona Norte de São Paulo realizam o Festival É tudo mentira. A iniciativa não é uma afronta ao grande festival. Os realizadores periféricos querem apenas brincar com o nome. Além disso, a mostra na quebrada começou em Primeiro de Abril...
A programação do evento paralelo traz obras como os curtas Lobisomem e o Coronel , além do lançamento de Kantuta, documentário de Renato Candido sobre a vida dos bolivianos no centro de São Paulo. O curta O menino, a favela e as tampas de panelas e o longa Entre nessa dança – hip hop no pedaço completam o modesto, porém consistente catálogo cinematográfico do beco. E tem uma vantagem. Nos locais de exibição, sempre rolam apresentações artísticas. Entre as atrações, os grupos de rap Cagebê, 4Vidas e D’Elite. Confira os detalhes na Agenda Cultural da Periferia.
Chequei a programação do É tudo verdade para ver o que de periferia rola no evento, além do fato de o Centro Cultural da Juventude (CCJ) da Cachoeirinha ser uma das salas de exibição da mostra. Decepcionei-me. De produção de cineastas periféricos, nada. Sobre a periferia, há dois filmes do Brasil e um de Moçambique. Do Brasil, o documentário Moro na Tiradentes, de Henri Arraes Geneverseau e Claudia Mesquita. A obra, que trata da história do Conjunto Habitacional da Cohab do bairro Cidade Tiradentes, na Zona Leste da Capital Paulista, é uma produção vinculada ao Centro de Estudos da Metrópole do Cebrap. O outro representante brasileiro é o filme de Luciana Burlamaqui, Entre a Luz e a Sombra. A fita aborda a formação da dupla de rap Dexter e Afro X, durante aulas de teatro no extinto Carandiru. A produção moçambicana chama-se Hóspedes da Noite e parece muito interessante. O filme de Licínio Azevedo conta a história de um hotel de luxo na cidade de Beira que, após anos de abandono, foi ocupado por sem-tetos e hoje, embora em ruínas, abriga 3.500 pessoas.
Parece-me que o festival É tudo verdade já teve um olhar mais atento à produção de cinema da periferia ou a filmes que têm o subúrbio como tema. Aí vai uma crítica tanto aos organizadores como aos cineastas das quebradas, que poderiam buscar se inscrever no evento, embora isso não seja garantia de inclusão no catálogo. Mas penso que teria lugar. Impressionei-me com tantos filmes biográficos. De Jimmy Carter a João Saldanha, passando por Waldik Soriano (filme da atriz Patrícia Pilar), Wilson Simonal, Paulo Gracindo e o dramaturgo Vaclav Ravel, ex- presidente da antiga República Tcheca. Até a Joy Division, cultuada banda de rock-pop dos anos 80, garantiu lugar na programação, com um documentário a seu respeito.
Chamou minha atenção também a inclusão do filme Lavra-dor, de Paulo Rufino. A obra é de 1968 e aborda o sindicalismo rural no estado de São Paulo pós-1964. A escolha se deve ao experimentalismo do trabalho, uma qualidade que o festival tem valorizado muito. Certamente trata-se de obra muito importante, mas parece coisa de aficcionado. Imagino que pouca gente tenha se interessado. Mais curioso ainda é a exibição do clássico Linha de Montagem de Renato Tapajós, documentário do início da década de 80 sobre as greves do ABC de 1978 a 1981. O filme é maravilhoso. Assisti umas cinco vezes em cursos de formação política, durante minha juventude. Mas não seria o caso de abrir espaço para uma produção mais recente, valorizando os talentosos cineastas da periferia?
Resolvi então dar uma de curador de uma mostra de mentirinha. Dei uma olhada em alguns documentários produzidos pela galera dos becos e favelas, em 2007 e 2008. Selecionei três títulos que me parecem representativos da criatividade artística e da sensibilidade social dos autores. São eles: É tudo nosso! O hip hop fazendo história, de Toni C; Panorama – arte na periferia, de Peu Pereira e David Vidal e Freestyle: um estilo de vida, vídeo-documentário de Pedro Gomes.
Além do fato de serem obras sobre a periferia, feitas por jovens cineastas suburbanos, os três filmes foram financiados por programas governamentais de fomento. O primeiro foi patrocinado pelo governo federal, por meio do programa Cultura Viva, que financia os Pontos de Cultura. A obra é uma produção do Ponto de Cultura Hip Hop a Lápis. O segundo teve o apoio da prefeitura de São Paulo por meio do VAI – Valorização de Iniciativa Culturais. E o terceiro teve financiamento do PAC – Programa de Ação Cultural — da secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, que tem uma linha dirigida exclusivamente ao hip hop. São três pequenas revoluções financiadas por políticas públicas. Olha que círculo virtuoso. Ficaria completo se essas obras estivessem num grande festival como o É tudo verdade, por sinal patrocinado pela Petrobrás e Banco do Brasil — além de empresas privadas que o apóiam por meio de renúncia fiscal. Traduzindo em bom português: dinheiro público.
Mas falemos dos filmes e fiquemos na torcida para que apareçam em outras telonas dignas de sua exibição. O vídeo de Toni C exige fôlego para assistir. ”Atenção, nação hip hop, para o toque dos quatro elementos”, anuncia o locutor na abertura de um dos capítulos. São três horas de duração! Mas o documentário está dividido em cinco partes que depois se desdobram, uma forma bacana de fracionar a extensa obra. Dá para assistir em três etapas, pelo menos. Chega a ser inacreditável a quantidade de material que este rapaz recolheu e colocou no DVD. Tem uma parte que dá um panorama do hip hop no Brasil, estado por estado. Você clica no Amazonas, e estão lá os manos da floresta falando do rap com carimbó. Em Minas Gerais, tem o pessoal da Rádio Favela e assim vai.
No capítulo 5º Elemento de É tudo Nosso!, há excelentes falas de poetas e rappers. Mano Brown aparece várias vezes, sempre muito pertinente. Tem até um capítulo internacional, que aborda o hip hop na África, EUA, Paraguai, Cuba, Venezuela e Argentina. Como diz o texto de É Tudo Nosso, "o hip hop é a primeira contra-cultura globalizada da humanidade”. O filme traz ainda preciosidades como um depoimento de Nazi, ex-vocalista do Ira! revelando a desinformados como eu que foi ele o produtor do primeiro disco de rap do Brasil, a Coletânea Rap Cultura de Rua. Vale a pena assistir o DVD. E dá para ver tudo de uma vez. Cansei de assistir filme cabeça que durava mais de três horas em épocas passadas. Garanto que ver a É tudo Nosso! foi mais prazeroso do que muitos filmes daqueles tempos em que era cinéfilo.
Panorama – arte na periferia é uma pequena obra-prima. O filme tem uma fluência muito agradável, revelando um talento de edição raro para iniciantes. Os depoimentos muito bem editados intercalam-se harmonicamente com apresentações musicais, filmes, dança, teatro, saraus e outras manifestações culturais que agitam a periferia da Zona Sul de São Paulo. São inúmeros artistas e grupos que exibem sua arte e falam da importância da cultura para suas vidas e para a comunidade. É especialmente interessante a fala de Estevão. Ele é um profissional de limpeza que dá duro todos os dias no trabalho, mas que, ao voltar pra casa, sente-se ele próprio parte de sua obra artística. Sua residência é uma instalação. Juntando todo tipo de material, compôs uma casa que lembra muito as catedrais catalãs de Gaudí. Algo indescritível, que precisa ser visitado. O filme dá uma boa mostra, mas é preciso conferir. Outro ponto forte do DVD são os depoimentos sobre o sentido da arte e a condição de artista, recolhidos de quem faz a cultura de periferia. Dá um tratado de sociologia.
O documentário Freestyle: um estilo de vida, de Pedro Gomes, é digno dos mais importantes prêmios do cinema documental brasileiro. Labaki, presta atenção nesse filme! Como é uma produção de 2008, dá para entrar na próxima edição do É tudo verdade. Pedro é um jovem de apenas 23 anos, mas teve a maturidade de realizar um filme de gente grande. O Freestyle é a batalha de MCs. Trata-se de uma disputa muito semelhante ao repente. Dois rappers enfrentam-se, tendo cada um seqüências de 30 segundos pra improvisar seus versos. Decide qual é o melhor o público — que julga a qualidade da letra, a pegada do MC e seu carisma. O jogo tem regras que impedem ofensas à dignidade do oponente. A batalha é também conhecida como rinha e tem ganho muito prestígio, a ponto de haver um evento nacional realizado no Rio de Janeiro (e registrado no filme). Os depoimentos são de uma eloqüência e humor que só quem é mestre do improviso da fala consegue ter. É imperdível. Com essa obra, Pedro Gomes já deixou um legado às futuras gerações. Ele que é tão jovem, pode dormir o sono dos justos. Não bastasse seu livro de sugestivo nome Rabiscos sobre certezas em constantes metamorfose, agora ele nos presenteia com seu belíssimo filme.
Para encontrar esses e outros bons filmes de produção independente periférica, procure o Centro de Mídia Juvenil da ONG Ação Educativa. Mas espero que, nas próximas edições dos festivais Verdade e Mentira, essas obras saltem do catálogo para as telas, para deliciar um público ávido de novidade, criatividade e dignidade artística. É tudo nosso!
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«Marques Vidal constatou que os líderes das comunidades não estão dispostos a alterar as tradições do casamento».Gostava de ver a nova Lei do Ministério das Finanças sobre os casamentos cumprida pelos ciganos.Não me façam rir.E não devem gastar pouco com tanta farra.Rendimento minimo,venha ele porque as leis são para os outros.
Exigem todos os direitos e regalias para viverem à custa do Estado, mas cumprir as normas e deveres já não é compatível com a cultura.. Se não adoptam comportamentos civilizados é porque não querem ser integrados na sociedade civil. Discriminados é que não, essa já não pega.
continuaçao:conheço ciganas que casaram com 15,16anos e hoje tem 30,o marido é o mesmo e os filhos seguem a tradiçao dos pais,as jovens estam preparadas para o casamento,enquanto as joventude de hoje muitas sao maes solteiras com 15,16anos,o pai da criança desaparece e elas fiquam a criar um bébé sozinhas,isto quando nao cometem aborto,na etnia cigana nao se vÊ isto.lisboa
sendo portugal um pais dito desenvolvido parece-me sureal que o estado continue a premitir situacoes destas só porque faz parte da tradicao cigana.em africa existem tradicoes ancestrais k jamais seriam aceites aki.penso k as etnias tem de viver com as leis do pais e nao o pais com as leis da etnias.em africa cortam o clitoris iriamos aceitar esta pratica faz parte da tradicao...
e tempo de acabar com essas tradicoes seja em portugal ou noutro pais qualquer, esta situacao nao ixiste so em portugal a justica tem que aplicar a lei tal como é....ainda sao criancas que no seio desta comunidade ja sao adultas...aonde esta a protecao de criancas??? que sejam ciganos ou nao devemos meter um stop sao humanos assim como nos...nos tambem tivemos a nossa tradicao e acabamos com ela..
São a minoria mais descriminada em Portugal? Então porque é que insistem em continuar a permanecer em Portugal? Para mim é porque podem em Portugal fazer um estado no estado, eles cumprem as leis Portuguêsas? Se Portugal não lhes convém porque não retornam aos pais deles? Ou não vão para um outro? Que os obriga a permanecer em Portugal?
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.in Correio da Manhã
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Manuel Nunes testemunhou tiroteio em acampamento. Pai de rapariga de 15 anos foi atingido pelo seu compadre
* Carla Pacheco
Justiça: Tradição pode constituir crime
Casamentos ciganos estão sob suspeita
As autoridades judiciais estão cada vez mais preocupadas com a existência de casamentos entre jovens adolescentes, no seio da comunidade cigana, o que à luz da lei pode revelar a prática de crime de abuso sexual. Em "choque" estão a milenar tradição cigana e as leis, que impedem o casamento e as relações sexuais com menores de 16 anos.A situação agudizou-se em Dezembro último, quando foi sinalizada uma menina de 11 anos que engravidou de um homem de 27 anos, que vivia com ela na mesma comunidade, em Oliveira do Bairro. Anteontem, o tema voltou à ordem do dia devido a um tiroteio num acampamento, também em Oliveira do Bairro, que terá tido origem na fuga de uma menor de 15 anos, a qual decidiu regressar a casa dos pais.Manuel Nunes, que conhece as famílias em desacordo, disse ao CM que a rapariga fugiu com o filho mais novo do patriarca de Portouro, também de 15 anos, para casarem, 'de acordo com a tradição deles'. As coisas terão corrido bem nos últimos dois meses, mas anteontem, por motivos desconhecidos, 'a jovem resolveu abandonar o acampamento do sogro e voltar para os pais'.
Luís Monteiro, de 49 anos, foi tirar satisfações com o compadre, num acampamento que fica a cerca de quatro quilómetros, e terá sido aí que foi agredido e baleado, numa perna e nas costas, estando internado, sem risco de vida, no Hospital de Aveiro.
Manuel Nunes, que assistiu à discussão – em romani, o dialecto cigano – já identificou o autor dos disparos, um homem de 40 anos, pai da menor. O suspeito foi detido pela PJ de Aveiro e ouvido ontem em tribunal, desconhecendo-se as medidas de coacção aplicadas.
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Preocupados com os casamentos? só os casamentos? então e tudo o resto que esta gente não cumpre? ou seja fazem o que querem e ainda lhes dão dinheiro e casas.
Realmente é assustador o que fazem com as menores ciganas e as autoridades têm razão para ficar assustadas. Há que acabar com isto de vez!
A lei é igual para todos os cidadãos nacionais?Como se pode permitir que certas comunidades as saltem á toureira?Creio que há alguêm no meu país que não esta a cumprir com o seu dever.Os usos e costumes devem ser respeitados quando aceitaveis e lícitos á sociedade em que se praticam.
Isto é muito giro....nao respeitam as leis do país onde vivem pois a maioridade em Portugal é aos 18 anos.Mas para receberem os subsidios e casas do Estado, é com eles....toca a fazer filhos e nós sustantamos essos ciganos todos.....
E o bom senso manda que se respeitem as leis e se protejam as crianças. Ou isto de casar em idade de brincar é uma brincadeira? Estamos a falar de seres humanos, não de coelhos!
As tradições dos ciganos nestes casos são as leias da vida,quando um individuo está maduro sexualmente,é adulto e assim é!Quantas vezes se pergunta a um puto de 4 anos se já tem namorada e vice versa?E para quê usamos os outros animais,quanto mais cedo procriar melhor?Quantos reis se casaram com menos de 14 anos?Deixemo-nos de hipocrisias,e usemos o bom senso.
á cerca de uma semana deu um comentário na tv de ciganos ,aonde o chamado rei dos ciganos dizia que só na raça dele é que não havia pedófilia ,e que só nas outras raças havia pedófilos,afinal pareçe que não é bêm assim...
casar-se muito jovem é tradição em meio cigano.Mas acho que eles devem respeitar as leis dos países onde moram.
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