Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Parque Natural da Arrábida









Quer «conhecer» o Parque Natural da Arrábida? Para além desta há outras Portas:


Maravilhas em areia - Algoz: Festival Internacional até domingo


O FIESA 2007 – Festival Internacional de Escultura em Areia fecha as portas no próximo domingo, dia 7 de Outubro.
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* Ana Palma

Trinta e cinco mil toneladas de areia esculpida, representando uma cidade onde se encontram 50 das mais belas ‘Maravilhas do Mundo’, estão patentes no recinto, que ocupa uma área com 15000 m2, junto à estrada entre Algoz e Pêra, onde os visitantes são subitamente colocados no centro de um espaço fantástico, único na Península Ibérica.

Na exposição, que reúne 50 esculturas gigantescas em areia, podem ser vistos, na secção dedicada a Portugal, o Padrão dos Descobrimentos, a Torre de Belém, caravelas no mar, casas lisboetas ou Amália a cantar o fado e ainda Fernando Pessoa sentado na Brasileira do Chiado.

Divididos por continentes, os trabalhos são da autoria de 47 escultores de vinte países, entre os quais uma dezena de portugueses.

A Torre Eiffel, rodeada por representações de música, dança e personagens célebres com Einstein, Newton, Gutemberg, Galileu e Madame Curie, ocupa o denominado “centro da Europa”.

Em Nova Iorque surge um enorme realizador de cinema, bem como o Empire State Building. As pirâmides do Egipto, animais do Parque Natural do Serengueti, a Opera House de Sydney, peixes do Grande Coral Australiano e a estátua de Cristo Redentor são outras tantas ‘maravilhas’ que o evento apresenta nesta 5.ª edição.

Desde o seu início, em 2003, o festival tem vindo a registar um número crescente de visitantes (este ano são esperados cerca de 150 mil) o que demonstra o enorme interesse por parte do público, tanto nacional como estrangeiro. O recinto do FIESA foi criado pela ProSandArt, fundada em 2002 pelo escultor turco Alper Alagoz. A exposição está aberta das 10h00 às 24h00.

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in Correio da Manhã 2007.10.03
Foto - Trinta e cinco mil toneladas de areia foram utilizadas para criar 50 esculturas gigantescas

A Vida no Monte da Arouca - UCP Soldado Luís (3)

Autocolante da UCP Soldado Luís

Alcácer do Sal e Rio Sado, outrora navegável do estuário até aqui.
Na outra margem, arrozais


Alcácer do Sal - habitação popular nos arredores.
Existem similares na Reserva Natural do Estuário do Sado,
junto ao Moinho de maré da Mourisca
A Eva e a Susana pelo carreiro da fonte e lavadouro público até ao momte


Alcácer do Sal - A Susana em luta para se vestir sozinha
Fotos de Victor Nogueira

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Em Memória de Che Guevara !

Che Vive!


Publicado em por Comandante Ludovicus Rex



(ampliar)

«Essa onda irá crescendo, cada dia que passe.[…] essa onda já não parará mais.»



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VerA Ler: EL CHE ÍNTIMO “Te podría decir que te extraño”

(Documentos inéditos facilitados pela sua viúva, Aleida March, revelam aspectos íntimos do mítico guerrilheiro convertido em ícone global)

Continuação em Momentos e Documentos

O Tempo das Cerejas fala também de Che Guevara AQUI e AQUI

terça-feira, 9 de outubro de 2007

40 anos após o assassínio de Che Guevara


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Folha Online - Che Guevara tentou aliar ... revolução e avanços na área de saúde, por MOACYR SCLIAR
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CMI Brasil - Revista Veja e o segundo assassinato de Che Guevara
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IRONIAS do DESTINO
Expresso: Carrasco de Che Guevara operado por médicos cubanos


Jornal oficial de Cuba fez a revelação
Carrasco de Che Guevara operado por médicos cubanos
Médicos cubanos desconheciam que o homem a quem curaram as cataratas tinha sido o executor de Che, mas garantem que teriam realizado a operação mesmo que soubessem quem era.
Miguel Conde Coutinho
16:32 Terça-feira, 2 de Out de 2007
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Os olhos do homem que disparou a bala que matou Che Guevara foram, quarenta anos depois, curados por médicos cubanos. Recorrer à "Operação Milagre", programa dirigido por Cuba e que presta serviços oftalmológicos por toda a América Latina, foi a solução encontrada por Mario Terán, ex-sargento do Exército boliviano, para resolver os problemas de cataratas que lhe toldavam a vista.
A revelação foi feita pelo jornal oficial do regime cubano, o "Granma", a poucos dias das comemorações do 40º aniversário da morte de um dos líderes da revolução cubana, assassinado na Bolívia a 8 de Outubro de 1967.
Os médicos que realizaram a operação revelaram ter ficado "indignados" quando souberam que tinham ajudado o carrasco de Che Guevara, mas Margarita Andreu, responsável pelo centro boliviano onde decorreu a operação, assegura que teriam tratado Moran, mesmo que conhecessem a sua identidade. "É nosso dever, nossa obrigação", declarou à AFP.
O "Granma" comentou também a ironia de ter tornado mais fácil a vida do homem que matou o mais exportado símbolo da revolução comunista de Cuba: "Agora na reforma, [Teran] poderá apreciar de novo as cores do céu e da floresta, conhecer o sorriso dos seus netos (...). Mas nunca será capaz de ver a diferença entre as ideias que o levaram a assassinar um homem a sangue-frio e as desse homem".

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Óscar Lopes - 90º aniversário

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O Secretário-Geral do PCP enviou uma saudação a Óscar Lopes, assinalando o seu 90º aniversário, sublinhando a grande admiração e fraternidade da Direcção do PCP pelo homem, pelo intelectual, pelo revolucionário e comunista e destacando a sua inestimável contribuição na conquista da liberdade e da democracia e na luta por uma nova sociedade.

90º aniversário de Óscar Lopes

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP


No dia em que se assinala o 90º aniversário de Óscar Lopes, o Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, endereçou ao militante comunista e prestigiado ensaísta, crítico literário e historiador uma saudação com o seguinte teor:
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«No momento em que celebras mais um aniversário de uma vida exaltante, e procurando interpretar a grande admiração e fraternidade da Direcção do Partido para contigo – pelo homem, pelo intelectual, pelo revolucionário e comunista – recebe um imenso abraço extensível à tua companheira.
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Tens dado camarada, uma inestimável contribuição na construção do Partido que temos e do Partido que somos, na conquista da liberdade e da democracia e na luta por uma nova sociedade.
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O teu exemplo dá-nos força e confiança para prosseguir os muitos combates que travamos para alcançar um devir colectivo mais justo, livre e solidário neste fazer e refazer permanente da nossa acção e da nossa luta».
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Terça, 02 Outubro 2007
Amanhã, no dia em que faz 90 anos, nasce, em Matosinhos, uma avenida com o nome deste homem de palavra, das palavras. Leitor emocionado, crítico rigoroso, nas noites de insónia escreve poemas à procura, talvez, de "errados nomes de desejo". Partilhou a vida entre a história da literatura, a linguística, as grandes questões sociais e o fraterno sentido de estar com os outros. Óscar Lopes, o leitor emocionado, é alvo de uma homenagem, organizada pelo "mais camarada" dos seus "patrões".
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Da obra poética do autor da Gramática Simbólica do Português apenas se conhece um poema, publicado em 1985, na antologia A Ilha dos Amores, edição da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. .

O poema, "Segunda Pessoa", surpreendeu, pela beleza e amargura, os leitores que de Óscar só conheciam o linguista, ensaísta ou historiador da literatura. Até à data, porém, o restante trabalho poético continua inédito, fechado na gaveta. Não por falta de editor, mas por desejo do autor. "O meu livro de poemas não é provável que saia enquanto estiver vivo."
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O fascismo português impediu o co-autor da mais importante História da Literatura Portuguesa de leccionar na universidade. Mas não teve força nem engenho, contudo, para lhe tolher a intervenção cívica e política, que alguns consideravam prejudicial ao trabalho de linguista e investigador. Óscar Lopes sempre contestou essa ideia: a actividade política e cívica, sublinha, é tão importante com o resto do trabalho.
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No longo caminho do leitor emocionado e oposicionista à ditadura há, fácil de adivinhar, a passagem pela prisão por motivos políticos. E até aí, "na enxovia" - na prisão da PIDE, na Rua do Heroísmo, Porto - mal iluminada continuava o fascínio de ler, de ler os outros, mesmo que fosse numa posição incómoda. "Tinha que subir a uma cadeira colocada em cima da mesa e ler a essa altura, porque a luz era fraquíssima."
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O editor José da Cruz Santos, que organiza juntamente com a Cooperativa Árvores a homenagem, conhece há muito a generosidade do linguista solidário. Óscar Lopes foi o primeiro director da Inova, editora que Cruz Santos criou em 1968. "Ele não se importava de fazer as coisas mais simples, lia originais, fazias as badanas dos livros, escrevia folhetos de divulgação." Sempre com boa vontade, "sobrecarregado de trabalho", é certo, mas a editora e as suas palavras de fogo cumpriam uma intervenção cívica. Um dia, lembra o editor, Óscar Lopes ofereceu-lhe um livro, onde deixou esta dedicatória: "Ao mais camarada de meus patrões."
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O leitor emocionado é também um homem justo. Só podia ser um homem justo. Sabia separar as águas. Vergílio Ferreira, na Conta-Corrente, várias vezes o fustiga, tocado por ódios ideológicos e não só. Mesmo assim, Óscar não riscou das suas preferências o desabrido crítico. Prova disso, a dedicatória que escreveu, a pedido de Cruz Santos, ao autor de Aparição. "Vergílio Ferreira, pode não gostar do que escrevo, do que julga eu representar, e até de mim. Isso não me dá direito de não gostar daquilo que gosto, em si e na sua obra. Tanto mais que até gosto de toda a gente. ’Pobre gente, toda gente’.
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Esquecimentos convenientes sobre Óscar Lopes - O Blogue do Castelo

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007
Esquecimentos convenientes sobre Óscar Lopes
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Óscar Lopes faz amanhã 90 anos. Historiador da Literatura Portuguesa, escritor, ensaísta, professor, etc, foi ainda um opositor do regime fascista e continua a ser um comunista coerente e convicto. Amanhã receberá uma merecida homenagem que incluirá a atribuição do seu nome a uma avenida de Espinho. Vai iniciar-se no dia 10 de Outubro um ciclo de homenagem a esse nome incontornável da cultura portuguesa, onde participam políticos como o secretário-geral do PCP e a ministra da Cultura, asim como intelectuais como Urbano Tavares Rodrigues, Maria Alzira Seixo, Magalhães Godinho, Carlos Reis, Vasco Graça Moura, Baptista-Bastos, Viale Moutinho, José Manuel Mendes, etc.
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Pois bem, leio hoje um artigo no Diário de Notícias sobre o homenageado e pasmo! Pasmo por ver como é possível escrever longamente sobre um homem como Óscar Lopes, os seus méritos e qualidades, referir o corajoso passado de anti-fascista com passagem pela prisão e conseguir fazer isso tudo sem uma referência à sua filiação partidária. Que pudores avassalarão a alma de tal escriba para evitar dizer o que muitos sabem: que Óscar Lopes é comunista e não renegou? E como lhe teria sido proveitoso! Que diferença entre a coluna vertebral erecta dos verdadeiramente grandes e o curvar de cerviz dos medíocres!
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E a pergunta vem-nos à mente. A sua militância comunista seria igualmente esquecida se ele fosse um ex? Não estaria a comunicação social dominante a fazer um escarcéu sobre a sua saída?
Ah! O pobre escrivão chama-se Henrique Mangas e o pobre escrito pode ser lido aqui.
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in O Blogue do Castelo

Para saber mais ver:

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Óscar Lopes na Wikipedia
DGLB pesquisa de autores: Óscar Lopes e a História da Literatura Portuguesa
O fim do fascismo e a queda da PIDE no Porto
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Caricatura de Óscar Lopes - autor não identificado

A Vida no Monte da Arouca - UCP Soldado Luís (2)

Alcácer do Sal - A Susana enxotando um cão


Alcácer do Sal - A Susana carregando a carteira da mãe, ao fundo, de casaco vermelho,
à frente da Senhora Catarina, de braço engessado.
O Rui tomando banho de alguidar (As casas dos trabalhadores rurais não tinham banheiro, nem sanita nem lavatório nem água corrente ou canalizada)


A Celeste com a Eva, uma das alunas, neta da Senhora Catarina.
O imenso lençol de água era dos arrozais, à espera de nascerem. Ao fundo, do outro lado do rio Sado, que se atravessava de bote chamando pelo barqueiro, fica a aldeia de Vale de Guiso, com apeadeiro de caminho de ferro a uns kms, tendo a igreja no ponto mais alto e destacado. A maior parte do rancho, a maioria mulheres, moravam na aldeia, que tinha melhores condições de vida. No monte, moravam o feitor e família, o Senhor Custódio e mulher (senhora Catarina) com duas filhas e uma neta e mais uma família cujo nome esqueci, para além da professora e do esposo fotógrafo, fim-de-semana-sim, fim-de-semana-não, alternado com Évora, onde ficava a nossa residência oficial. Mais de 2/3 das casas do monte estavam desabitadas.
Havia alunos da Celeste que nunca tinham ido à Vila, a uma dezena de km, e que ficaram abismados quando viam o comboio pela 1ª vez, um monstro para eles. O Renault 4 ficava com a Celeste, para ir à Vila ou para Évora, ou para ir-me buscar à Rodoviária, em Alcácer, nos fins-de-semana que me calhavam.
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Fotografias de Victor Nogueira

domingo, 7 de outubro de 2007

A Vida no Monte da Arouca - UCP Soldado Luís (1)

Fotos por Victor Nogueira

O regresso do avio em Vale de Guiso, do outro lado do Rio Sado
A D. Maria (minha sogra) e a Sra Catarina (trabalhadora na UCP)
O verde é arroz, que no verão produzia núvens de incómodos e sanguinários mosquitos, ao cair do dia.
A casa da professora (seis alunos) igual à dos restantes trabalhadores
Cuidando do «jardim»

A D. Maria (ou Mariazinha) preparando a refeição
No Monte não havia electricidade e a água era tirada dum poço, ao pé do tanque colectivo da lavagem da roupa, com uma bomba e corada ao sol


A Celeste à lareira
Cada casa tinha apenas a porta de entrada. com coberto de telha vã, e três divisões:
a sala comum, com a lareira e uma braseira para a camilha, e dois quartos iguais, que somavam
a área da sala comum, sem portas, resguardados com cortinados.
As paredes não chegavam acima e a casa de banho tinha de ser forçosamente ao ar livre,
porque os agtários não se preocupavam com essas miudezas.
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Para se chegar ao Monte ia-se por um trilho que começava junto à Herdade da Barrosinha, ao longo duma das valas para irrigar os campos de arroz, intransitável no tempo das chuvas. A alternativa era apanhar um outro trilho mais adiante, a caminho de Montemor o Novo, fixar pontos de referência para não nos perdermos no emaranhado de trilhos, dos quais apenas um desembocava no Monte, que era uma pequena aldeia de casas iguais, excepto a dos agrários, que estava sempre fechada e onde nunca iam.
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sábado, 6 de outubro de 2007

Tudo bem ?


Os lobos não faltaram


* Correia da Fonseca
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A televisão permitiu-me, permitiu-nos, ouvir Ruy de Carvalho ler, no Panteão Nacional e em plena cerimónia da trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro, umas páginas de «O Malhadinhas». Apesar da voz esplêndida de Ruy de Carvalho e da sua indiscutível capacidade de leitura, por mim teria preferido um outro texto onde a beleza da prosa de Aquilino se revelasse melhor e a oralidade regional não implicasse o risco de confundir o auditor. Talvez as páginas iniciais de «A Casa Grande de Romarigães», por exemplo. Suponho, porém, que a escolha de «O Malhadinhas» correspondeu também à ideia muito generalizada de que aquela é a mais conhecida obra de Aquilino (embora tenha surgido como um conto apenas de «Estrada de Santiago», em 1922, desse livro tendo sido retirado e ampliado mais tarde, em 46, um pouco a contragosto do autor). Por mim, se convidado a indicar qual a obra de Aquilino mais conhecida neste pardacento tempo em que «Aquilino já não é lido», como agora se ouviu dizer na TV por mais de uma vez, indicaria «Quando os Lobos Uivam», onde aliás muitos e significativos textos como que aguardavam a voz do Ruy de Carvalho. Não foi essa a escolha, tenho pena, não é grave, mas, tendo mau feitio, sinto que me fica a mordiscar uma suspeita decerto injusta: a de que a preterição do livro pelo qual Aquilino foi arrastado para um tribunal fascista terá resultado da intenção de não lembrar esse momento no decurso de uma cerimónia desejada como de «união nacional». Contudo, como se sabe, «Quando os Lobos Uivam» até surgiu há relativamente pouco tempo aos olhos dos portugueses sob a forma de uma série televisiva de excelente qualidade. Sendo assim, intriga-me que se possa dizer que «O Malhadinhas» é mais conhecido. Enfim, pode ser. Porque, como repete agora um fatigante estribilho publicitário, «há coisas fantásticas, não há?».

O que está provado

É preciso registar que a RTP cumpriu desta vez o seu dever, fazendo uma larga cobertura da trasladação e das intervenções que homenagearam Aquilino (incluindo a intervenção musical com obras de Luís de Freitas Branco), recorrendo à útil e saborosa colaboração de Baptista-Bastos, fazendo umas entrevistazinhas não muito bem conduzidas e repetindo tudo isso noutros canais. Alguém terá lembrado à RTP os seus deveres de «serviço público». Entretanto, já terminara a cerimónia e as figuras presentes em dispersão, estava a reportagem então sediada ao ar livre, diante do portal da Igreja de Santa Engrácia, quando chegou aos microfones e também aos ouvidos dos presentes um distante clamor, qualquer coisa que chegou a lembrar uns uivos mas que eram apenas vaias lançadas por um grupo monárquico discordante da homenagem. Invocavam esses tais que Aquilino Ribeiro terá estado envolvido na conspiração de que resultou o regicídio, isto é, a morte do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe no Terreiro do Paço quando regressavam de mais uma caçada em Vila Viçosa. De facto, é apenas uma acusação, nada está apurado. O que está apurado e provado, isso sim, é que desde o ano anterior, 1907, D. Carlos se situara numa posição de ilegalidade constitucional ao colocar o País sob uma ditadura gerida por João Franco. E também que grandes escândalos, com relevo para o chamado «escândalo dos adiantamentos à Casa Real», agravados por uma intensificação feroz da repressão policial, colocavam o rei na situação moral de réu. A 28 de Janeiro uma tentativa revolucionária malogrou-se em Lisboa. O País estava como que em guerra civil virtual. Rei e príncipe foram abatidos nesse contexto por dois homens que bem sabiam que também iriam morrer imediatamente, como veio a acontecer. Tudo isto é aqui sumariamente lembrado para sublinhar que, de qualquer modo, estar de acordo com os conspiradores não era estar de acordo com vulgares assassinos. Mas o caso serviu para que um punhado de obsoletos monárquicos tentasse dar nas vistas. Por isso se lhes ouviu as vaias que pareceram uivos. Era natural os lobos não faltarem à cerimónia.
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in Avante 2007.09.27


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* Paulo Martins
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O que quer que se escreva sobre Álvaro Cunhal, em especial na hora da morte, corre o risco de resvalar para o lugar comum. Perdendo a essência de uma personalidade demasiado complexa para poder reduzir-se a fórmulas simplistas ou, pior, maniqueístas.
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Pode escrever-se que foi uma figura ímpar do Portugal contemporâneo, cuja influência no século XX só pode medir-se por comparação com Oliveira Salazar, o seu arqui-inimigo, a cujo combate dedicou parte substancial da vida. Que, nesse sentido, morreu ontem um pedaço da nossa História. Que, quisesse ele dedicar-se exclusivamente à cultura, teria sido um escritor de razoável qualidade ou um desenhador de traço característico. Que, extracção de uma certa burguesia com simpatias republicanas, poderia simplesmente afirmar-se como advogado de renome, bem instalado na vida, ainda que com de olho nos movimentos de oposição à ditadura do Estado Novo.
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É também estes territórios - tantas vezes desbravados, mas ainda tão desconhecidos - que o trabalho apresentado pelo JN percorre. Descobre, por entre os milhões de linhas escritas sobre o dirigente histórico do PCP, os caracteres da sua identidade, não se circunscrevendo, naturalmente, ao plano político. Ou melhor: seguindo o que em Álvaro Cunhal é o "plano político" - não apenas a intervenção "institucional", tendo o Partido Comunista como pano de fundo, mas cada opção, cada acto, cada linha escrita, cada discurso, cada desenho.
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Em Cunhal, com efeito, tudo era política, simplesmente porque a política era uma atitude perante a vida. Daí que não falte quem no seu envolvimento com o movimento comunista vislumbre um "sacerdócio" ou, pelo menos, uma "fé". Visão que ele sempre repudiou, embora admitindo ter professado o catolicismo na sua juventude.
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Como um dia afirmou, o seu lema consistia em "agir como se pensa que se deve agir". Não se travava, apenas, de um apelo de consciência, mas de um apelo de consciência que correspondia à imperiosidade de ter da passagem pela vida uma concepção "finalista". Isto é: uma vida com um objectivo, ao qual tudo deveria ser sacrificado e que a tudo deveria resistir. Mesmo às duras condições da vida na clandestinidade ou à, ainda pior, passagem pelas prisões salazaristas. É por isto, por tudo isto, que não são dissociáveis as várias "marcas" que legou à posteridade.
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A figura de Cunhal não deixou - não poderia ter deixado - ninguém indiferente. Mário Soares, que com ele travou uma das batalhas da sua vida política, não hesita em admitir que eram "inimigos íntimos". Francisco Martins Rodrigues, que dele se afastou "pela Esquerda" nos idos de 60, continuou pela vida fora a acusá-lo de ter traído a Revolução e, em simultâneo, de ter feito um favor a quem a queria liquidar. Eduardo Lourenço elogia-lhe a coerência, mesmo quando a realidade desabava estrepitosamente, como aconteceu quando os regimes do Leste europeu caíram de podres.
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Um "sedutor"
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Mário Soares, Martins Rodrigues e Eduardo Lourenço dão, nesta edição do JN, o seu testemunho sobre Álvaro Cunhal. Tivesse Paulo Portas a mesma oportunidade e talvez surpreendesse os leitores menos precavidos. Talvez recuperasse o parágrafo com que, em 1990, iniciava nas páginas de O Independente o texto de uma longa entrevista concedida pelo ex-líder comunista a ele próprio e a Miguel Esteves Cardoso. Uma conversa, escrevia, com "um homem de palavra". Rezava assim: "Éramos três conservadores à mesa do café. Os doutores Cunhal, Portas e Esteves Cardoso. Ou, se preferirem, os camaradas Álvaro, Paulo e Miguel. Como seria de esperar, demo-nos lindamente. Vimo-nos aflitos para discordar minimamente".
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Os extremos tocam-se, como diz o povo, ou estava aqui em causa, apenas, uma questão de "sedução"? Que Cunhal era um "sedutor", pelo menos político, é algo que muito boa gente reconhece. A começar pelo seu biógrafo não oficial, José Pacheco Pereira. O historiador, ex-deputado do PSD, dedicou-lhe - continua a dedicar-lhe - parte substancial do tempo que dedica à investigação. Mas afiança que a atracção intelectual nunca lhe turvou a capacidade de análise crítica da vida do biografado. Nem tão pouco a constatação de outros traços de personalidade, que por diversas vezes destacou, como o obstinação, uma atitude implacável perante a discordância, um certo "culto da personalidade" que segundo Pacheco Pereira cultivava, embora sempre o desmentisse.
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Diluído no "colectivo"
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Cunhal, em boa verdade, nunca se deu a conhecer se não na exacta medida do que entendia dever ser conhecido. Não há uma única entrevista em que se perceba que autorizou o interlocutor a franquear a fronteira da intimidade . De si, quase sempre diluído no "colectivo" tão caro aos comunistas, revelava apenas o que entendia útil à sua missão. Claro que nunca abriria as portas às revistas "cor-de-rosa". Não porque tivesse algo a esconder, mas apenas porque a exposição pública era, na sua mundivisão, condenável. Uma certa aura de mistério, como alguém já escreveu, ajudava a consolidar o "mito".
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É de um mito que falamos, quando falamos de Cunhal? O militante anónimo do Partido Comunista garantirá que não, porque sempre tomou o "camarada Álvaro" - apenas Álvaro - como um dos seus. Um dos que activamente resistiram ao fascismo, um dos não cediam perante a adversidade. Que encontrava sempre palavras de ânimo quando o destino pregava partidas, como no momento em que caiu o muro de Berlim.
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Muitos dos militantes que se envolveram nas sucessivas vagas de dissidência que o PCP produziu nas últimas duas décadas pouparam Cunhal, na hora da despedida. Porventura para não rasgarem por completo páginas das suas próprias biografias, foi a "corte" que denunciaram, não o "rei". Há quem detecte na atitude resquícios de uma "reverência" que nunca se extinguiu, mesmo quando a ruptura foi absoluta.
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Quem ficou, apodado ou não de "ortodoxo", continuará a admirar o homem que foi o rosto e a alma do partido durante décadas. Como se continuasse presente, omnipresente. Como se a sua voz ainda se ouvisse no Comité Central. Como se ainda cumprisse o seu dever de voto, como acontecia nos últimos anos de vida, praticamente cego, acompanhado de um camarada.
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in Jornal de Notícias 13 Junho 2005

Obras do acervo do Partido em Exposição




Foi inaugurada anteontem, no Museu da Cidade, em Lisboa, a exposição de arte do acervo do Sector Intelectual de Lisboa do PCP.


A exposição, que estará patente até ao final de Outubro no Museu da Cidade de Lisboa, consta de 72 obras que são parte do acervo do Sector Intelectual de Lisboa do PCP. Entre os artistas presentes, pontificam nomes como António Carmo, António Domingues, Carlos Canhão, César Roussado, Hilário Teixeira Lopes, João Hogan, Jorge Vieira, Juan Soutullo, Lourdes Leite, Rogério Ribeiro ou Virgílio Domingues.
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A inauguração ocorreu anteontem, com a presença de dezenas de pessoas, entre as quais o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Na ocasião, Pedro Penilo, do Sector Intelectual, realçou que a «dimensão e riqueza» do espólio à guarda do sector, que ultrapassa largamente o número de obras apresentadas, «não podiam ficar confinadas ao momento da sua doação ou à inércia da sua propriedade, não podia quedar-se como jóia de família». A exposição, realçou, é um gesto de gratidão para com os artistas: para os que aí estão representados ou para outros que, «nunca tendo oferecido nenhum trabalho seu assinado para o espólio do PCP, ofereceram horas, dias, metros de arte efémera, para as mais variadas actividades do Partido».
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A exposição é também uma homenagem a Maria Dinis, médica comunista já falecida, que organizou o acervo e sonhou expô-lo. No catálogo, o seu nome surge à cabeça no comissariado da exposição.

Confiança no Partido

A seguir, foi a vez do escritor Manuel Gusmão lembrar que as obras expostas foram, «ao longo dos tempos, oferecidas pelos seus autores ao PCP». Estes artistas, valorizou o membro do Comité Central, «não as venderam, não esperavam contrapartidas, cargos ou honrarias». Pelo contrário, «o seu acto de oferta ou doação manifesta, sim, mesmo daqueles que não são membros do Partido, um gesto de confiança no Partido Comunista Português, na sua luta e nas gerações de lutadores que o vão formando».
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Na opinião de Manuel Gusmão, esta exposição revela que o Partido confia nestes artistas e «saúda o seu trabalho de construção dos mil rostos da beleza». Mas significa ainda que «o Partido em quem confiaram lhes responde, não deixando estas obras a serem vistas e apreciadas apenas no espaço de um Centro de Trabalho, mas expondo-as num espaço público e perante um público potencialmente mais vasto, favorecendo a possibilidade do encontro com elas por parte de outras gentes».
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Desta forma, concluiu, estimula-se também o «acesso à fruição cultural por parte de muitos daqueles a quem esse direito é na prática denegado».

Não cortar as asas ao sonho!

A «diversidade de caminhos expressivos» que a exposição testemunha revela, na opinião de Manuel Gusmão, a apropriação pelo colectivo partidário das reflexões de Álvaro Cunhal acerca do papel do artista. Como afirmou o histórico dirigente do PCP, em 1978, na do Sector de Artes e Letras, «um Partido como o nosso, capaz de todos os sacrifícios para libertar o homem, luta também necessariamente para libertar o artista». «Quando a própria revolução é a realização de sonhos milenários, como poderia o nosso Partido, força revolucionário que é, cortar as asas ao sonho?»
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Continuando a citar Álvaro Cunhal, Manuel Gusmão lembrou que «o Partido não procura impor aos artistas nem escolas nem estilos. Modelo estético partidário é coisa que não existe».
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in Avante 2007.09.20
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Na ocasião, foi apresentado o Vídeo "Preto no Branco", que em torno da iniciativa agora realizada, presta homenagem à camarada Maria Clementina Diniz, grande dinamizadora da mesma e recentemente falecida (O Vídeo pode ser visto aqui ).

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Estruturas (2)

Lisboa (Ponte 25 de Abril)


Porto (cúpula do Pavilhão dos Desportos)

Mafra (obras na fachada do Convento)

Lisboa (Estação do Oriente)
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Fotografias por Victor Nogueira

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Paula Rego - Obra

Paula Rego - The Complete Graphic Work by T. G. Rosenthal - thameshudson books

Paula Rego Carmen and the Bird, 1998. Courtesy Birmingham Museum and Art Gallery

Paula Rego Come to Me, 2002. Courtesy Birmingham Museum and Art Gallery

Paula Rego Mother Goose, 1989. Courtesy Birmingham Museum and Art Gallery



Paula Rego - The Complete Graphic Work - T. G. Rosenthal
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'A beautiful, fascinating work – a must-have for anyone interested in painting, narrative images or, of course, any Paula Rego fan’
– Artists & Illustrators
‘Magnificent’
– Financial Times Magazine
‘Beautiful ... a meticulous survey’
– RA Magazine
‘The reproductions in this catalogue are so good they are almost equivalent to the originals’
– The Sunday TelegraphNow in paperback, this is the first monograph to deal exclusively with Paula Rego’s graphic work. It discusses and illustrates all her prints, including unpublished work – over 200 etchings and lithographs spanning half a century from 1954 to 2003.
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Many of the greatest artists since Dürer and Rembrandt have used the print medium to explore some of their most important ideas. Paula Rego is in this tradition, giving full rein to her imagination in both etching and lithography, and using the media with exuberance to create work that is as disturbing, erotic and powerful as her paintings.
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Many of her prints are based on themes. Among these are Rego’s Nursery Rhymes, the Peter Pan series of 1992, and Pendle Witches of 1996, for which she collaborated with the poet and writer Blake Morrison, who in turn was inspired by her series The Children’s Crusade. The book concludes with her most recent portfolio of lithographs, based on Jane Eyre.
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The author discusses the background to each series, and comments on each print. He also quotes extensively from his and others’ conversations with the artist, underlining Rego’s subversive humour and her strongly feminist outlook.
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This is a unique review of a major aspect of this leading artist’s work and its recources include:• Fully illustrated catalogue raisonné by Hannah Begbie • Description of Rego’s etching techniques by the artist and printmaker Paul Coldwell • List of exhibitions• Chronology• Bibliography
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T.G.Rosenthal is the author of Sydney Nolan which is also published by Thames & Hudson.

Maior retrospectiva de Paula Rego inaugurada (...) em Madrid


Museu Rainha Sofia


* Alexandra Lucas Coelho

Paula Rego está no meio da sala de exposições a falar com uma mulher. Há uma sensação de estranheza quando se olha com mais atenção. O rosto de traços largos e bem definidos da mulher que conversa com a pintora parece multiplicar-se quase até ao infinito nos quadros que nos rodeiam.

Paula Rego faz um sinal para nos aproximarmos. "Desculpem, estava aqui a falar com a Lila." E, de repente, já não há mistério. Lila Nunes é, desde há muitos anos, a modelo com que a pintora trabalha. É ela o corpo, e o rosto, de muitos dos quadros da retrospectiva — a mais abrangente feita até à data — do trabalho de Paula Rego, que é inaugurada hoje no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid.

É Lila o corpo das mulheres que abortam, na série sobre o aborto, é ela as avestruzes que querem voar e não conseguem na série sobre as Avestruzes de Walt Disney, é ela a Mulher Cão, de cócoras e boca aberta, em poses de humilhante submissão. É Lila que vemos em muitos dos 89 quadros que, juntamente com mais de cem aguarelas, desenhos e gravuras, compõem esta exposição, que é também a primeira grande mostra em Espanha do trabalho da pintora nascida em Portugal em 1935 e a viver em Inglaterra há mais de cinco décadas. Paula Rego está feliz por expor "na cidade onde está a melhor pintura do mundo".

Lila despede-se, vai tentar ver a Guernica de Picasso, e logo aparece outra mulher jovem, acompanhada por um homem e uma rapariga. "Já te viste ali, Vicki?", pergunta Paula. E voltando-se para nós: "É a minha filha, que foi meu modelo naquele quadro, está a ver, a Noiva? Ela tem este vestido, que a aperta, como um casulo. É noiva, mas também é uma traça."

Paula avança pela sala, o olhar saltando de um quadro para o outro, percorrendo todo o seu universo, os seus fantasmas, os seus sonhos e os seus pesadelos, que se tornam histórias vivas, à nossa volta, quando ela as conta, como se ao contá-las as personagens despertassem e tudo acontecesse, uma e outra vez. Ali — aponta para um dos quadros (A Dormir, 1994) —, "a Mulher Cão está a descansar sobre o casaco do dono. Tem ao pé a comida. Já comeu e agora está a fazer uma soneca. E naquele, ela e a mãe andam à procura de homens no campo, assim arreganhadas".

Depois volta-se para a imagem da mulher agachada, de boca aberta (Mulher Cão, 1994): "Era uma senhora de idade que estava rodeada dos bichinhos todos de casa, as galinhas, os coelhos. Depois veio uma voz pela chaminé abaixo, como um vento, a dizer umas coisas esquisitas. A mulher agachou-se, abriu a boca, os bichos começaram a andar à volta da mesa, à volta, e meteram-se pela boca dela dentro e ela comeu-os todos. Parece-me que é um conto tradicional português. São extraordinários esses contos, são de uma violência extraordinária."

Branca de Neve e o Padre Amaro

Aqui, explica, avançando, "mandei fazer uma capela, é a capela das Avestruzes Dançarinas do Walt Disney (1995), tem um tríptico, como nas capelas".

Lá está novamente Lila, o corpo pesado, que se recusa a voar. "Querem voar, mas estão velhas, não conseguem, acordam, querem um beijinho, mas não há lá ninguém." Sai, por momentos, da história para explicar que usa sempre modelos. "Nunca uso fotografias, não consigo. E com o pastel não se consegue fazer de cabeça, porque não há informação suficiente para aqueles músculos todos." Paula e Lila trabalham das dez às sete da noite, e a modelo, depois de muitos anos de prática, "já aguenta uma hora, uma hora e meia" numa posição.

Outra sala, outra história. Desta vez o Padre Amaro, de Eça de Queiroz, e o seu crime, a Amélia grávida e "o bebé que vai ser morto". "O Padre Amaro era um livro que o meu pai apreciava muito, porque é anticlerical, mas ao mesmo tempo é uma história de amor. Ele porta-se muito mal", diz, e acrescenta imediatamente, "mas, coitado, não tinha vocação nenhuma para ser padre, para viver assim sem nada, sem mulheres". Lá está ele, o padre, quando era pequeno, mas aqui representado como um homem, deitado, em pose de menino mimado (Entre as Mulheres, 1997). "Só se sentia bem com as criadas, encostava-se às saias, faziam-lhe mimos, vestiam-no de menina. Ele gostava muito, sentia-se muito protegido. Mas sentia-se muito sozinho, só tinha uma boneca no quarto, que era a Nossa Senhora. E ali fi-lo na cama, a masturbar-se por cima da Nossa Senhora, que coisa horrível, já viu? Mas ele não tinha mais nada [A Cela, 1998]."

Para vingar a trágica Amélia, morta no parto antes de o filho ser, também ele, morto, Paula Rego criou o Anjo (Anjo, 1998), uma figura "redentora e vingativa", de camisa preta e saia comprida, sem asas brancas, mas com uma espada numa mão e uma esponja na outra. "Serve para várias histórias de mulheres maltratadas, abusadas." Não muito longe do anjo, está "a madrasta a inspeccionar as cuecas da Branca de Neve, para ver se têm sangue", e a Branca de Neve "a morrer envenenada com a maçã, mas a puxar as saias para baixo, para tapar o rabo, por pudor" (Branca de Neve e a Madrasta e Branca de Neve engole a maçã envenenada, 1995).

Branca de Neve e avestruzes surgiram de uma encomenda para uma exposição em Londres sobre a influência do cinema nos artistas. Paula foi rever os filmes com a Lila. "Vimos a Fantasia, depois fomos comprar aqueles fatos de ballet, não sabíamos nada de ballet, mas comprámos tudo, fomos à loja do Disney comprar o fato da Branca de Neve" e a pintora fez renascer, na sua versão, as personagens da Disney que via quando era pequenina e ia à tarde ao Tivoli com a avó, levando "lanche e tudo, para comer no intervalo no camarote".

O Homem Almofada

E das memórias do cinema de infância para outra sala e para a série sobre o aborto, feita "por causa do referendo em Portugal, aquele em que ninguém foi votar". Paula franze a testa. "Fiquei muito aborrecida e pensei "tenho que fazer qualquer coisa, porque isto não pode ser". "Isto" é a hipocrisia "porque as pessoas com dinheiro iam à Suíça, e as pobres, lá na Ericeira, iam a sítios terríveis, apareciam mortas na praia, todas inchadas como as vacas, depois de os namorados as terem mandado fazer abortos".

Passamos por Peter Pan e o Capitão Gancho, Jane Eyre "a entrar no escuro", o casamento falhado do Marriage à la Mode (de 1999, a partir de um quadro de Hogarth na National Gallery, em Londres), a convidada de um casamento violada na casa-de-banho, a Sereiazinha (2003) — "quando lhe cortam as pernas tem umas dores horríveis" — e muitas outras histórias de 52 anos de trabalho de Paula Rego, com as figuras oscilando sempre, numa sábia mistura, entre a inocência e a crueldade, a perversidade e o prazer

E chegamos, por fim, aos mais recentes, já com o Homem Almofada (série que começou há uns quatro anos, tendo com modelos bonecos de tamanho natural, feitos por ela própria), a personagem da peça de Martin McDonagh, que, diz a artista, transformou a sua vida. "Vi aquela peça e pensei: 'Como é que há pessoas que sabem isto?'"

"Quando comecei a fazer o Homem Almofada, percebi logo que aquilo era sobre o meu pai. Ali está ele a ler O Inferno de Dante, ilustrado pelo Gustave Doré, mas não é o Inferno, o que mostra ali é o futuro da filha, ela já está transformada em bicho. Ao fundo é o paraíso, as criadas na praia com os meninos. Tudo isto é verdade." Sorri, fala do Estoril da sua juventude, dos "senhores que iam à praia meter-se com os rapazinhos", da morte do pai, da sua professora de dança inglesa que todos diziam que era espia. Olha mais uma vez para o quadro. "A minha filha veio aqui e disse que isto era eu, o meu pai e a minha mãe." Encolhe os ombros. "É uma história de família, tudo isto. É só o que a gente faz, são histórias de família."


in Público 25.09.2007 - 10h39

Quadro - The Dance 1988 Paula Rego

terça-feira, 2 de outubro de 2007

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Fotografias por Victor Nogueira