Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quadro de Picasso atinge os €29.7 milhões

A Leitura”, 1932, de Pablo Picasso, representando Marie-Thérèse adormecida, com um livro no regaço.

A Leitura”, 1932, de Pablo Picasso, 
representando Marie-Thérèse adormecida, com um livro no regaço.

"A Leitura" foi a peça mais bem vendida no leilão da Sotheby's.

Inês Posser de Andrade (www.expresso.pt)
9:49 Quarta feira, 9 de Fevereiro de 2011

Uma importante obra de Picasso, "La Lecture" (A Leitura), representando a sua amante Marie-Thérèse Walter, foi vendida por €29.7 milhões (acima da sua estimativa de €14.3 a €21.5 milhões), no leilão de Arte Moderna e Impressionista da Sotheby's de Londres.

Segundo a leiloeira, o quadro do pintor espanhol despertou o interesse de sete potenciais compradores, licitando na sala e através de telefones, que o disputaram animadamente durante cerca de seis minutos, tendo sido finalmente arrematado por um comprador anónimo ao telefone.

Datada de 1932, "A Leitura" foi executada no mesmo ano de "Nu, Folhas Verdes e Busto", também de Picasso e igualmente inspirada em Marie-Thérèse e que, em Maio passado, foi vendida por €80 milhões, tornando-se na obra de arte a ser vendida pelo valor mais elevado em leilão.

A Sotheby's totalizou €81.1 milhões com esta venda e entre as outras peças, com os valores mais elevados, encontram-se: a escultura "A Ideia para o Cavaleiro" de Marino Marini vendida por €4.9 milhões; "Fim de Tarde em Argenteuil" de Claude Monet que subiu até aos €4 milhões; e "O Professor de Escola" de René Maggritte, estabeleceu um novo recorde para o artista em leilão, numa obra em papel, arrematada por €2.9 milhões.
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"O Samba que Mora em Mim" foca anônimos do Carnaval

Cultura

Vernelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 12h47
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Ganhador do Prêmio especial do júri da Mostra de Cinema de São Paulo do ano passado, "O Samba que Mora Mim" faz um retrato intimista de quem está por trás dos holofotes na avenida Marquês de Sapucaí, no Rio.
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"O Samba que Mora em Mim" foca anônimos do Carnaval

São pessoas anônimas que, durante o ano todo, respiram samba e criam fantasias para que celebridades e gente comum possam brilhar na passarela. O filme estreia em São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre.

Dirigido por Georgia Guerra-Peixe, o filme é uma busca pessoal do samba e de seu entorno. A documentarista, filha de um historiador do assunto e sobrinha-neta do maestro César Guerra-Peixe, cresceu ouvindo sambas-enredo da Mangueira, sem nunca ter subido o morro. O documentário acompanha essa primeira experiência.

Em seu passeio pela Mangueira, Georgia encontra pessoas que narram suas histórias. Em troca, a diretora conta as suas. A favela por onde a documentarista circula é diferente daquela que se costuma ver no cinema - especialmente em filmes como "Cidade de Deus" e "Tropa de Elite". Não que "O samba que mora em mim" esconda ou finja que não existe tráfico ou violência, mas não faz disso o seu assunto. A diretora mostra que a comunidade possui valores, respeito e criatividade.

Confessando que o que a intriga desde a infância não é o samba em si, mas as pessoas que vivem em torno da música, Georgia usa essa ideia como força motriz para sua câmera. Suas conversas desbravam a comunidade e seus habitantes e destacam a importância do samba ao dar a essas pessoas a sensação de pertencer a uma sociedade.

Munida de curiosidade e boa intenção, a diretora é capaz de registrar bons depoimentos, graças ao seu faro para personagens repletos de histórias de vida. Falta ao filme um pouco de ambição para se aprofundar nos detalhes desses personagens que ganham alguns minutos de fama diante da câmera. Em todo caso, Georgia faz uma bonita homenagem aos anônimos que transformam o Carnaval do Rio no maior espetáculo do gênero no mundo.

Veja abaixo o trailer:


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Fonte: Reuters


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bossanovafilms | 10 de Novembro de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 3 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Trailer oficial do Filme "O Samba que Mora em Mim" dirigido por Georgia Guerra-Peixe (documentário, HD, 72 minutos, 2010).

www.osambaquemoraemmim.com.br

Um documentário ambientado no Morro de Mangueira, na cidade do Rio de Janeiro, no período do pré-carnaval. O ponto de partida é a quadra da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, lugar do reencontro da diretora Georgia Guerra-Peixe com sua própria história. É no inicio do documentário, em primeira pessoa, que a diretora conta o que o carnaval sempre significou na sua família e na sua vida. Da quadra, ela parte para subir o morro pela primeira vez, movida pelo desejo de ir além do samba. "Se eu pudesse calar uma escola de samba...." O olhar muito particular da diretora conduz este deixar-se ir continuo pelo morro; um caminhar que naturalmente vai adquirindo variações melódicas e cadências rítmicas diferentes, resultando na composição do que poderia ser chamado de samba enredo documental ou um samba de olhar. Além da quadra mora o samba de Georgia Guerra-Peixe. Um samba que é jeito de ser, de viver e também, mas não só, de cantar e dançar.

PRODUÇÃO :: BossaNovaFilms
CO-PRODUÇÃO: Filmes do Tejo II
PRODUTORES: Denise Gomes
CO-PRODUTORES: François d'Artemare e Maria João Mayer
PRODUTORA EXECUTIVA: Paula Cosenza
DIRETORA: Georgia Guerra-Peixe
DIRETOR DE FOTOGRAFIA: Marcelo Rocha
ROTEIRO: Ticha Godoy e Georgia Guerra-Peixe
MONTAGEM: Mair Tavares, Nani Garcia e Jair Peres
DESENHO DE SOM E SOM DIRETO: Leandro Lima
TRILHA ORIGINAL: Dimi Kireeff
MIXAGEM: Pedro & Branko
MIXADOR: Branko Neskov
PÓS PRODUÇÃO DE IMAGEM: Post Republic
SUPERVISÃO CRIATIVA DE IMAGENS: Giuliano Saade
ASSISTENTE DE DIREÇÃO E PESQUISA: Gisela Camara
PESQUISA: Fernando Antonio Guerra-Peixe
LOCUÇÃO: Georgia Guerra-Peixe

COM :: Timbaca, Cosminho, Lili, Vó Luciola, Hevalcy, Mestre Taranta e DJ Glauber
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bossanovafilms | 21 de Janeiro de 2011 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
trecho do making of do filme O Samba que Mora em Mim da diretora Georgia Guerra Peixe by Joquistão.

(documentário, HD, 72 minutos, 2010)

www.sambaquemoraemmim.com.br
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A voz e a imagem de Marlene Dietrich


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michalmaciejewski | 10 de Novembro de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 42 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Sag mir wo die blumen sind, Marlene Dietrich
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ukinut | 29 de Setembro de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 16 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Marlene Dietrich sings Lili Marleen in German
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alabardiere65 | 5 de Maio de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 15 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Lied: Wenn die Soldaten, Marlene Dietrich - Video material: Leni Riefenstahl - Clip: Bernhard Fruehling-Brauner
NOTA VN - Sendo Marlene Dietrich antinazi é um abuso usar uma canção sua para funddo musial duma cineasta glorificadora do nacional-socialismo, Leni Riefenstahl 
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blumentopf443 | 17 de Janeiro de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 12 utilizadores que não gostaram deste vídeo
marlene dietrich-die fesche lola 
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Berlusconi chama de "subversivas" manifestações contra ele

Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 15h27

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta segunda-feira (14) que os protestos realizados por mulheres contra ele foram uma manifestação intransigente e partidária.

"Me pareceu um pretexto para sustentar uma tese jurídica que não tem nenhuma base na realidade", disse o premier, acrescentando que as manifestações ocorreram "contra a minha pessoa, da parte de uma esquerda que extrapola qualquer meio para me abater".  "Foram mobilizações subversivas e partidárias contra mim", completou ele.

Leia também
No domingo (13), centenas de mulheres foram às ruas de diversas cidades italianas protestar contra Berlusconi, a quem elas acusam de denegrir a reputação feminina. O movimento foi intitulado de ‘Se não agora, quando?’.

Denúncias

O primeiro-ministro italiano é investigado pela Procuradoria de Milão pela suspeita de ter mantido relações sexuais com menores de idade, entre elas a marroquina Karima "Ruby" El Mahroug. Os promotores acreditam que a garota participou de festas realizadas no ano passado na casa do chefe de Governo em Arcore.

"Todas as mulheres que tiveram oportunidade de me conhecer sabem quanta consideração e respeito eu tenho por elas", disse Berlusconi, em entrevista a um programa televisivo local.

Na semana passada, a Procuradoria de Milão pediu o julgamento imediato do primeiro-ministro. Os promotores afirmam que o pedido se sustenta pela "evidência de prova" contra o chefe de governo.

Fonte: Opera Mundi
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"O Ocidente esquece seus vizinhos árabes", diz escritor sírio


Mundo | 13.02.2011

O escritor sírio Rafik Schami vive na Alemanha desde 1971. Em entrevista à Deutsche Welle, ele comenta a onda de protestos no mundo árabe e critica as posturas hesistantes da UE e dos EUA em relação à região.

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Deutsche Welle: Em seu romance Die dunkle Seite der Liebe (O obscuro lado do amor), de teor parcialmente autobiográfico, o protagonista Farid luta contra represálias de um regime autocrático, mas sem sucesso. Por que essa consciência da necessidade de justiça, liberdade e democracia envolve as sociedades do Oriente Médio como um todo exatamente agora, de tal forma que surgem até movimentos de massa a partir daí?

Rafik Schami: Muita coisa aconteceu. Por um lado, os governantes ficaram, de fato, 30, 40 anos sem fazer nada. Isso foi se acumulando e as mentiras perderam, com o tempo, sua credibilidade perante a maioria da população. No início, apenas cidadãos críticos – intelectuais talvez, professores universitários e jornalistas – percebiam que tudo era mentira. Mas a maioria é sempre lenta. Até que entendam, é preciso de tempo.

Por outro lado, os meios de comunicação de massa sofreram uma revolução. O intercâmbio crescente de informação levou a uma concentração do ódio. A pobreza, a humilhação e a postura fraca dos soberanos frente à nação – que pensam, acima de tudo e de forma brutal, no enriquecimento próprio – contribuíram. Reunindo tudo isso, poderia-se explicar por que isso tudo está acontecendo agora e não aconteceu há 10 ou 20 anos. 

Em sua obra, você denuncia o profundo marasmo cultural e as incongruências tanto em sua terra natal, a Síria, quanto em outros países árabes. A mudança política, que observamos ali no momento, é uma mudança de toda a sociedade ou apenas fogo de palha, que vai se apagar daqui a pouco?

Para não ser ingênuo, é preciso cogitar as duas possibilidades. Há sempre a possibilidade de um retrocesso. Sempre houve revoluções que se autodevoraram e se transformaram em ditaduras sangrentas. Mas os egípcios criaram uma nova alternativa. Como povo antiquíssimo, eles conduziram, pela primeira vez na história da humanidade, uma revolução pacífica, com o apoio de oito a nove milhões de cidadãos, que agora reconhecem o quanto são capazes de agir.

Esses cidadãos carregam agora as flores que brotam, como na primavera, dessas novas conclusões. Mas para que daí surjam frutos, é necessário abelhas, como sabemos em analogia ao universo das plantas. E é preciso haver ajuda de fora e situações favoráveis. Esses jovens não só deixaram para trás os intelectuais, como também ignoraram todos os partidos.

Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudançasBildunterschrift: Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudanças
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Se os partidos fossem sinceros, eles precisariam admitir que estão ficando defasados. Quais serão os efeitos disso na consciência da população? Ainda não se pode dizer. Só é possível esperar que tudo não acabe em uma guerra civil. Para um povo que destituiu um ditador de forma pacífica, o conceito da "paz" é muito fértil.

Acabamos de ver que o impulso da revolução veio diretamente do povo, dos jovens. Os países ocidentais não intervieram. Como você vê o papel do Ocidente na região depois dos últimos acontecimentos?

Para ser sincero, acho o papel do Ocidente vergonhoso, principalmente essa hipocrisia dos EUA. De súbito, eles ficam preocupados com a liberdade e tal. E eles nos repreendem diante da possibilidade de que a Irmandade Muçulmana possa assumir o poder. É tudo mentira. A Irmandade Muçulmana representa uma força política de aproximadamente 10%. Ou seja, eu não iria agora questionar a democracia porque um partido mais à direita governa.

No Egito, há uma ampla gama de todas as forças políticas: religiosas, nacionalistas, liberais, socialistas, independentes, mentes absolutamente livres, talvez também anarquistas. Esses são os egípcios e o Ocidente fica olhando. Há três semanas, as pessoas lutam por meio do bem mais precioso da democracia, ou seja, através das manifestações pacíficas. E ninguém lhes ajuda. As pessoas percebem que se o Ocidente quisesse ajudar, reagiria de outra forma.

Na sua opinião, o Ocidente passou tempo demais observando e apoiando Estados árabes autocráticos?

Sim, mas acredito que nem tenha sido com más intenções. Acho que o Ocidente confia rápido demais nos governantes; confia demais no silêncio tumular, que impera nesses países; confia rápido demais que o consumo poderia mudar alguma coisa. Isso é um lado, mas o Ocidente – e me refiro aqui, em primeira linha, à Europa – esquece muito rapidamente que os países do Mediterrâneo são seus vizinhos.

Nicolas Sarkozy e Ben Ali, em 2008: 'apoio constrangedor', diz Schami 
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A Itália está localizada em frente à Tunísia e ao Norte da África. Aqui ainda não se tem de forma alguma a consciência, de que aquilo que acontece lá, também diz respeito ao Ocidente. Quando se vê como os governantes em todos os países europeus, não somente na Alemanha, reagem, e quando se vê como a França apoiou Ben Ali até o último minuto, percebe-se o quanto a situação é estimada de maneira errônea. A imbecilidade dessa oferta a Ben Ali foi tamanha que dava para quase ter pena de Sarkozy.

Por muito tempo acreditou-se que os povos árabes não estavam preparados para uma democracia. E que só podiam escolher entre ditadura e Estado religioso. Qual é sua opinião sobre isso?

Já ouvi esse argumento com frequência e tive também meus medos, porque faço parte de uma minoria cristã. Mas, depois de um tempo, passei a não acreditar mais nisso. É sempre possível haver retrocessos, mas eles também podem existir em uma democracia. A população foi mantida quieta, anos a fio, sob mão de ferro. Os islâmicos e a Irmandade Muçulmana eram o único grupo protegido pela Arábia Saudita: com recursos financeiros, propaganda, treinamentos.

E o Ocidente via isso com prazer. Enquanto eles podiam ser instrumentalizados como anticomunistas, eram até cortejados. Mais tarde, as forças conservadoras autocráticas pareciam ser a única alternativa. Mas tudo aquilo que estava fermentando entre a população, isso a mídia não entendeu, nem a árabe, nem a europeia.

Rafik Schami (65) é um conceituado escritor sírio, radicado na Alemanha desde 1971. Entre suas obras mais conhecidas estão O obscuro lado do amor, de 2004, e O segredo do calígrafo, lançado em 2008.

Entrevista: Nader Alsarras (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
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Pintura y Tango - Uruguay - El Choclo - La Puñalada


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hectortierno | 1 de Fevereiro de 2009 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
El lenguaje de la imagen; imágenes del sentimiento.
La obra de Pablo Briozzo (Uruguay).
Para él, para nuestro paisito y para nuestra grande América.
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Presentación.
Música:
1) El Choclo (Orquesta Filarmónica de Montevideo, Uruguay),
2) La Puñalada (Camerata Punta del Este, Uruguay).
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tangoteatro | 12 de Maio de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 23 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Compañía TangoTeatro: www.tangoteatro.org
Tango satira con Marcelo Guardiola y Giorgia Marchiori.
An italian tourist in Buenos Aires because of the Tango World Championship meets a classic argentinian tanguero: in their embrace two worlds and epochs confront each other...
Scene from the show "Habia una vez el Tango..." (Once upon a time there was the Tango) - Los Guardiola: "El Choclo"
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ndr118 | 12 de Dezembro de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 6 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Una rivisitazione di El Choclo, Tango di Angel Villoldo (Ángel Villoldo) di Louis Armstrong, si trova sui suoi cd con il nome di Kiss of Fire
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mxdxrx | 20 de Fevereiro de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
LA ETERNA PUÑALADA

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Help - The Beatles

 
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YeohTS | 11 de Janeiro de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 27 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Help! the follow-up film to the Beatles fantastically successfully A Hard Day's Night, is a funfilled adventure that takes us back to a simpler era - a time when The Beatles and a whole generation took themselves less seriously.

Help! follows the Fab Four on a worldwide jaunt around the globe.

Casts: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, Leo McKern, Eleanor Bron. Roy Kinnear. Victor Spinetti,
Produced by Walter Shenson - Directed by Richard Lester - Story by Marc Behm - Screenplay by Marc Beam and Charles Wood
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OliveMonkeys | 30 de Setembro de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 2 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Directed by Richard Lester, who also directed the band's debut feature film 'A Hard Days Night', 'Help!' made its theatrical debut in 1965. The story follows The Beatles as they become passive recipients of an outside plot that revolves around Ringo's possession of a sacrificial ring, which he cannot remove from his finger. As a result, he and his bandmates John, Paul and George are chased from London to the Austrian Alps and the Bahamas by religious cult members, a mad scientist and the London police. In addition to starring the Beatles, 'Help!' has a witty script, a great cast of British character actors and features 7 classic Beatles tracks.

Copyright 2007 Subafilms LTD/Bruce A. Karsh And The Beatles
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PopRockArt | 14 de Março de 2009 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 3 utilizadores que não gostaram deste vídeo
for HIGH QUALITY STEREO SOUND:
click on the URL: http://www.youtube.com/watch?v=yQL1cM...


The Beatles Help! original 1st version promo film, London, 1965
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Help Lyrics
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Help, I need somebody,
Help, not just anybody,
Help, you know I need someone,
Help!

When I was younger, so much younger than today,
I never needed anybody's help in anyway.
But now these days are gone, I'm not so self assured,
Now I find I've changed my mind, I've opened up the doors.

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being 'round.
Help me get my feet back on the ground,
Won't you please, please help me?

And now my life has changed in oh so many ways,
My independence seems to vanish in the haze.
But every now and then I feel so insecure,
I know that I just need you like, I've never done before.

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being 'round.
Help me get my feet back on the ground,
Won't you please, please help me?

When I was younger, so much younger than today,
I never needed anybody's help in anyway.
But now these days are gone, I'm not so self assured,
Now I find I've changed my mind, I've opened up the doors.

Help me if you can, I'm feeling down
And i do appreciate you being 'round.
Help me get my feet back on the ground,
Won't you please, please help me?
Help me,
Help me,
Ooooooo.
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.http://www.sing365.com/music/lyric.nsf/help-lyrics-the-beatles/94a50592ce91d51248256bc2001356c4
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

A morte do multiculturalismo - Eduardo Bomfim

Colunas

Vermelho - 12 de Fevereiro de 2011 - 0h01

Eduardo Bomfim *

Na década de setenta passada surgia na Inglaterra e nos Estados Unidos o neoliberalismo. Algum tempo depois, em 1989, Francis Fukuyama, norte-americano, até então um obscuro professor de História e Filosofia, publica um artigo, em uma revista de circulação restrita, intitulado “O fim da História” e posteriormente, em 1992, o livro “O fim da História e o último homem”.

Estava lançada uma das bases da maior ofensiva conservadora em escala planetária depois da segunda guerra mundial. Na verdade, Fukuyama era uma das figuras chaves do governo do presidente dos EUA Ronald Reagan.

Mas faltava algo que associado às teses neoliberais na economia e às ideias do “fim da História” completasse o arcabouço de uma doutrina de caráter estratégico que permitisse a construção de uma hegemonia em dimensão planetária.

Assim é que toma corpo definitivo, nos EUA e Inglaterra, um conjunto de políticas institucionais amplamente conhecidas como o multiculturalismo.

Tal foi o investimento midiático e a aceitação acrítica dessas ideias que elas se espalharam pelo planeta como algo incontestável, consagradas pelo termo imperativo do “politicamente correto”.

De acordo com muitos jornalistas, intelectuais, artistas de expressão nacional, etc., o “politicamente correto” é uma expressão utilizada para se exercer um novo tipo de censura, a “censura envergonhada”.

Todos esses fenômenos possuem origem na nova ordem mundial, em um mundo desenhado na hegemonia unipolar dos EUA.

O que se instalou foi uma época regressiva, ou contra-revolucionária, pobre de espírito, mesquinha, intolerante, de fragmentação social.

Portanto o que estamos vivendo é uma crise de civilização, associada a uma crise sistêmica da atual ordem econômica mundial, com a resistência dos povos a essa hegemonia, como ocorre atualmente no Egito e mundo árabe.

Esse multiculturalismo global transformou falsos conceitos em política de Estado. Assim foi no Brasil, nos últimos dezesseis anos, em duas gestões presidenciais distintas, com consequências perniciosas ao pensamento avançado no País.

Na semana passada o premiê inglês Cameron e a chanceler alemã Merkel em entrevista coletiva disseram que o multiculturalismo perdeu a sua utilidade e decretaram a sua falência. A criatura já não é mais útil aos seus criadores. Essa morte anunciada, sinal dos tempos, provocará um terremoto cultural no mundo. Ainda bem.

* Advogado, membro do Comitê Central do PCdoB
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
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  • Multiculturalismo...Já vai tarde

    13/02/2011 19h15 Adeus neoliberalismo, 3º via, pós-modernismo, fim da história, politicamente correto, para nunca mais voltar. Espero que o mundo daqui pra frente seja mais influenciado pelos anos 50 a 80.
    Filipe
    Ipatinga - MG
  • Filho do Neoliberalismo

    12/02/2011 19h58 Concordo com você Luiz, este artigo bota o dedo na ferida desta tese pobre, dissimulada que atende pelo nome de multiculturalismo,ela rebaixa o debate considera tudo certo mas não respeita as diferenças, o politicamente correto é simbolo de itolerancia, tenta esconder o papel da historia, e minimiza a ação politica dos povos, no Brasil tem provocado muitas duvidas entre a população mais joven, é uma das faces "oculta"do neoliberalismo.
    hilario leal
    salvador - BA
  • Dedo na ferida

    12/02/2011 7h35
    Muito oportuno seu artigo, Bonfim. É preciso meter o dedo na ferida dessa cretinice do multicultiralismo e do não menos cretino politicamente correto. Até porque tais conceitos ganharam influência na esquerda brasileira, gerando um certo - e insuportável - fundamentalismo que a eles submete todo e qualquer projeto estratégico. No fundo, ao contrário do que pregam, tais conceitos dividem a sociedade, isolam seus atores sociais em guetos culturais,procuram destruir qualquer idéia mais totalizante. Diante disso, obviamente o "status quo" é todo agradecimentos.
    Luiz Manfredini
    Curitiba - PR
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Eu Tão Só - Conjunto Académico João Paulo

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belezadeoutono | 21 de Setembro de 2009 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo 
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EU TÃO SÓ

Tudo acabou
Nessa manhã de fim de Verão
Tudo mudou
Porquê viver sem ti
Se o que há do nosso amor
Nessa praia ficou
E eu tão só, eu tão só

Vivo a pensar
Em que outros braços andarás
Nem quero saber
Se saudades terás
Mas lamento esse amor
Que na areia nasceu
E nas ondas se foi
Para sempre morreu

E eu tão só, tão só, sem ninguém para amar
E eu tão só, tão só, sem ninguém para amar
E eu tão só, tão só, sem ninguém para amar
E eu tão só

Quero viver
E para longe partirei
Quero encontrar
O amor que sonhei
Sem chorar abandono
Essa minha ilusõa
E eu tão só, eu tão só

Fazei meu Deus
Com que não tenha de voltar
Quero esquecer
Essa praia, esse mar
Pois lamento esse amor
Que na areia nasceu
Que nas ondas do mar se foi
Para sempre morreu

E eu tão só, tão só, sem ninguém para amar
E eu tão só, tão só, sem ninguém para amar
E eu tão só, tão só, sem ninguém para amar
E eu tão só, tão só, sem ninguém para amar

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http://www.fotolog.com/sonhador13/58039737

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A primeira metade do século XX


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jstenico | 3 de Maio de 2009 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Governo e a Igreja Instituição católica: a dissimulação - Joaquim Paceco de Lima

blog da Revista Espaço Acadêmico


por JOAQUIM PACHECO DE LIMA*
Há uma inflexão entre o Governo Dilma e a Igreja-Instituição católica. Em entrevista a Folha de São Paulo, 19.01.2011, o Arcebispo de Brasília, aponta que para o diálogo é preciso que a presidenta explicite suas convicções religiosas. A postura de Dom João de Aviz, [conheço-o desde os idos de 1980 na diocese de Apucarana-PR, nos estudos filosóficos e teológicos] e continua com a mesma visão de homem, mundo e sociedade, neotomista, referenciado na teologia fenomenológica europocêntrica. A sua referência política – poder – é a da terceira via, a democracia cristã. Tal corrente política restou o fracasso nas experiências postas (Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Grécia, etc.). O ex-coordenador de pastoral apucaranaense não é um dogmático, mas tem a missão de estabelecer o diálogo Estado-Igreja sem provocar conflito explícito.  Defensor da ‘desigualdade’ como ordem natural da sociedade, a prédica nega, por isso, incumbe-lhe o papel de distender conflito ideológico com o pensamento marxista (PT, PC do B e a plêiade de correntes) dissimulando neutralidade, mas também delimitando campo para evitar que os seus próceres aliem-se a corrente oponente, inimiga. O apoio do parlamentar Gabriel Chalita (PSDBS-SP), por razões particulares da política, a campanha da presidenta Dilma acendeu o farol. Noutro campo, quer demarcar e esconder a aproximação com a social-democracia (PSDB). Faz jogo de movimento (gramsciano) com setores do petismo no governo (o ‘igrejeiros’ da antiga corrente Articulação).
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A aproximação política da Igreja Universal com o Governo Dilma é notória – por meio da TV Record no embate ideológico. A TV do pastor Edir Macedo, inimiga da TV Globo e da Folha abre espaço para de defesa dos atores e idéias governamentais, contrapondo os seus inimigos no campo da mídia. Por outro lado, setores da Pastoral Social da Igreja Católica e os movimentos sociais aproximados (CPT-CIMI, Movimentos de Barragens, mulheres, setores do MST, Direitos Humanos e outros) fomentam rusgas no campo pragmático do realismo político x princípios matriciais partidários, socialismo – utopia.
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O arcebispado de Brasília, desde a ditadura e na redemocratização, assumiu postura de defesa da ordem e do pensamento conservador. Considerando a complexidade econômica, cultural e política da sociedade brasiliense, ou dos candangos a identidade da Igreja como ‘capelã dos militares’ não respondia mais a demanda pela nova identidade simbólica religiosa. Para encurtar o diapasão Igreja-mundo, Igreja-sociedade e mediar as relações com o poder-central a Santa Sé escolhe a dedo um de seus colaboradores para tal tarefa.
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A tentativa de aplicação dos princípios e valores cristãos (solidariedade, partilha, equidade, igualdade, etc.) na vida política nacional e internacional como mimetização do liberalismo, que tem como matriz a propriedade privada e o mercado, escondem uma manipulação grosseira dos elementos religiosos para fins econômicos e interesses políticos das classes dominantes. Na ideologia as idéias não podem explicitar contradições.
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O sistema capitalista e globalizado pode aparecer envolto de um ‘aroma religioso’ e sua capacidade de produzir e reproduzir mais-valia, classes sociais, também produz e reproduz seu próprio universo simbólico, sua espiritualidade, e sua religião. Capaz as contradições e dissimulações é papel da hermenêutica, da ciência, da filosofia e da teologia.
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Na gênese do Capital está a morte, no Deus de Jesus de Nazaré está a Vida em abundância. Conciliar, mimetizar tal antagonismo somente com dissimulação.
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* JOAQUIM PACHECO DE LIMA é professor de filosofia e sociologia. Colaborador da CPT – junto ao Regional da CNBB-Sul II de 1984-1994.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ana de Amsterdam - Chico Buarque


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rmboemer | 1 de Novembro de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Ana de Amsterdam

Composição: Chico Buarque/Ruy Guerra

Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, das trocas de pernas
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas
Até amanhã
Sou Ana
Da cama, da cana, fulana, sacana
Sou Ana de Amsterdam

Eu cruzei um oceano
Na esperança de casar
Fiz mil bocas pra Solano
Fui beijada por Gaspar

Sou Ana de cabo a tenente
Sou Ana de toda patente, das Índias
Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada
Sou Ana, obrigada
Até amanhã, sou Ana
Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos
Sou Ana de Amsterdam

Arrisquei muita braçada
Na esperança de outro mar
Hoje sou carta marcada
Hoje sou jogo de azar

Sou Ana de vinte minutos
Sou Ana da brasa dos brutos na coxa
Que apaga charutos
Sou Ana dos dentes rangendo
E dos olhos enxutos
Até amanhã, sou Ana
Das marcas, das macas, da vacas, das pratas
Sou Ana de Amsterdam
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Mutilação genital ameaça 3 milhões de mulheres por ano

Geral

Vermelho - 8 de Fevereiro de 2011 - 6h14

Segundo agência da ONU, existem mais de 140 milhões de meninas e de mulheres circuncidadas; Guiné-Bissau vai debater lei contra a prática. A ONU observou no último domingo (6), o Dia Internacional contra a Mutilação Genital Feminina. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, mais de 140 milhões de meninas e mulheres são circuncidadas.

A prática ameaça ainda 3 milhões de mulheres por ano. Com o Dia, as Nações Unidas pretendem combater a mutilação genital.

Profissionais de Saúde

De acordo com a OMS, o envolvimento dos profissionais da saúde contribui para legitimar ou manter as mutilações, sendo necessário implementar "ações de conscientização para conter a prática."

Na Guiné-Bissau, um dos países mais afetados pela prática na África, as autoridades estimam em 300 mil o número de mulheres mutiladas. Cerca de 80 mil meninas correm o risco de serem circuncidadas.

Em Entrevista à Rádio ONU, o embaixador do país junto das Nações Unidas, João Soares da Gama, disse que as autoridades guineenses estão determinadas em avançar com uma lei que proíba a mutilação.

Direitos

"Em Burkina Fasso, Senegal e outros países já há leis concretas que abordam esta questão de forma constrangedora e punitiva. Penso que já é momento dos parlamentares do país assumirem esta questão e tentarem, de uma vez por todas, abolir esta prática", disse.

A mutilação genital feminina é tida como nociva, por "violar os direitos das meninas e de mulheres." A OMS comprometeu-se a eliminar a prática na atual geração "recorrendo à advocacia, pesquisa e direcionamento dos profissionais da saúde."

A OMS revela que a circuncisão feminina é associada a riscos físicos, mentais, de âmbito sexual e do bem-estar.

Fonte: Rádio das Nações Unidas
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Mazé Leite: Reflexões sobre o Realismo nas artes plásticas

Cultura

Vermelho - 8 de Fevereiro de 2011 - 16h33

Em 1855, o pintor francês Gustave Courbet, organiza em Paris, uma exposição com 40 telas sob o título “Du Réalisme”, inaugurando essa nova forma de ver e pintar o mundo. O Realismo atravessou todo o século XX e alcança o século XXI, carregado de conotações filosóficas, políticas e estéticas, em maior ou menor grau, mas que resume a tomada de consciência do que vê e do que sente o artista sobre a realidade de seu mundo.

Por Mazé Leite

A Liberdade guiando o Povo, Eugene Délacroix, 1830.

Óleo sobre tela,325x260cm, Museu do Louvre, Paris, França.


 
Antecedentes históricos

 

No século XIX, o mundo passava por intensas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais, desde as revoluções burguesas do século XVIII, entre as quais a Revolução Industrial iniciada na Grã-Bretanha e a Revolução Francesa de 1789 que, inspirada pelos princípios do Iluminismo, trouxe abaixo não só o Antigo Regime que privilegiava clero e nobreza, como abriu um período de ebulição de ideias em todos os campos do pensamento.


A Revolução Industrial ocorreu quando já havia acontecido outros movimentos de ruptura com a tradição, trazendo consigo novas relações sociais, políticas e econômicas, inaugurando o Capitalismo. Ideias novas começavam a vicejar também em meio aos artistas, trazendo grandes mudanças não somente em sua forma de trabalhar e ganhar a vida, como também em suas linhas de pensamento.


Os artistas, inicialmente desprezados pela elite, sofriam os mesmos preconceitos dos “tempos da Grécia antiga, quando os esnobes podiam aceitar um poeta, que trabalhava com o cérebro, mas jamais um artista que trabalhava com as próprias mãos”, como relata E. H. Gombrich, em seu livro “História da Arte”.

 

Na Inglaterra, onde o poder do Papa não alcançava e onde o movimento da Arte Barroca não teve desenvolvimento, os pintores se voltaram a pintar retratos de gente comum, cenas da vida do povo. Foi a época de William Hogarth, de Thomas Gainsborough, de Jean-Baptiste-Siméon Chardin, e, claro, de William Blake, que além de pintor era poeta.

 
 
Na França, a Revolução de 1789 trouxera consigo o estilo Neoclássico, que valorizava os ideais de beleza grega e romana e, por isso, também ia contra o poder clerical. A pintura, que até o final do século XVIII era um ofício ensinado de mestre a discípulo nos ateliês, passou a ser uma disciplina ensinada em academias, como a Filosofia. Em Londres e Paris começaram a ser organizadas, pela primeira vez na história, exposições anuais de arte, que se converteram em verdadeiros eventos sociais.


Mas a Revolução Francesa trouxe também o gosto por temas históricos e heróicos na pintura. Em 1793, o pintor J.L David pintou “Marat assassinado”, um dos quadros que se inscreve – segundo o pesquisador e artista plástico francês Michel Dupré – “dans une orientation réaliste”. Também em 1831, Eugène Delacroix, considerado um pintor romântico, adquire um tom de contestação com seu quadro “A Liberdade guiando o povo”, num fervente apelo às revoltas populares que o poder político da época se apressou em censurar (o Estado comprou essa tela, que ficou escondida por mais de 30 anos).


Na Espanha, Francisco Goya, já tinha surgido com uma pintura diferente dos seus contemporâneos, expressando toda a “feiúra e vacuidade” daqueles que viviam na Corte. Inaugurava-se um período em que os artistas sentiam-se “livres para passar ao papel suas visões pessoais, algo que até então só os poetas costumavam fazer”, complementa Gombrich.


As revoluções burguesas também trouxeram mudanças na situação de trabalho dos artistas. A tradição do artesanato e o trabalho manual dos artesãos cedeu lugar à produção mecânica, a oficina perdeu lugar para a fábrica. A construção civil, no século XIX, teve um intenso crescimento em cidades grandes, especialmente da Inglaterra e EUA. Operários e trabalhadores em geral mantinham uma jornada de trabalho exaustivo, incluindo mulheres e crianças. O escritor inglês Charles Dyckens (1812-1870) denunciou, em seus romances, a situação de vida dos trabalhadores dessa época, em especial em “David Cooperfield” e “Oliver Twist”.


Do lado dos artistas, surgiram dois tipos de pintores: os que pintavam para agradar o gosto do freguês (que incluía agora a nova classe média que surgia nas cidades) e aqueles que se recusavam terminantemente a isso. Os artistas inconformados com essa nova situação e que não davam “uma única pincelada sem perguntar a si mesmos se ela satisfazia sua consciência artística” (Gombrich), começaram a escrever uma nova história e novas idéias começaram a vicejar.


Gustave Courbet

 
 
Os britadores de pedra, Gustave Courbet, 1849.

Óleo sobre tela, 159x259 cm, Gemäldegalerie, Dresden, Alemanha

Gustave Courbet era um jovem pintor, de origem camponesa, nascido em Ornans, interior da França. Como tantos outros, foi para Paris para fazer carreira artística, chegando na capital francesa em 1839. Paris vivia momentos de efervescência política, social e artística. Círculos de artistas e intelectuais enchiam os cafés de Paris.


Courbet frequentava o grupo do poeta Charles Baudelaire, dos filósofos Proudhon e Marc Trapadoux, dos críticos de arte e escritores Champfleury e Fernand Desnoyers, entre outros, jornalistas, artistas e ativistas políticos. Reuniam-se até altas horas da noite, onde elaboravam suas teorias que posteriormente se transformavam em artigos de jornal, ou em panfletos, ou em obras de arte.


Courbet também freqüentava aulas de desenho e pintura com mestres de Paris, entre os quais François Bonvin com quem aprendeu a ir aos museus para copiar os velhos mestres, como Diego Vélazquez, Francisco de Zurbarán, Bartolomeu Esteban Murillo (da escola espanhola), assim como os artistas do Barroco e do Renascimento italianos. Caravaggio entre eles.


Courbet possuía um espírito inquieto, rebelde, de caráter e pensamento artístico semelhantes a Caravaggio, segundo afirma Michel Dupré. Bem distante dos ideais artísticos do passado ainda em voga na Europa, ele não buscava formosura, buscava a verdade. Contra os clichês de sua época, disse ele em 1854: “Espero sempre ganhar a vida com minha arte, sem me desviar um milímetro dos meus princípios, sem ter mentido à minha consciência nem por um único momento, sem pintar sequer o que pode ser coberto pela palma da mão só para agradar a alguém ou para vender mais facilmente”.


Courbet, já republicano e socialista, partilhava com seus contemporâneos a crença de que a arte podia ser uma força social. Seu ciclo de amigos desprezava os valores burgueses e defendia valores socialistas e revolucionários. Convém lembrar que, nesse período, Karl Marx e Friedrich Engels já elaboravam as teorias que eles expuseram no “Manifesto Comunista” de 1848.


Esses ideais de Courbet e seus amigos aliavam-se aos apelos do povo por mudanças profundas na França. Em muitos outros países, o mesmo sentimento revolucionário gerava movimentos nacionalistas e liberais impulsionados não só pela própria burguesia que exigia governos constitucionais, como por trabalhadores e camponeses que se rebelavam contra as formas de vida impostas pelo capitalismo.


Em 1849, já interessado em pintar cenas da vida cotidiana, ele apresenta uma das primeiras de suas grandes obras realistas: “Os britadores de pedra”. Essa tela, infelizmente, foi destruída no bombardeio britânico de Dresden em 1945. Logo em seguida, Courbet começou a pintar a imensa tela “Enterro em Ornans”, com 6 metros de largura e três de altura. Não demorou para sofrer duras críticas dos conservadores: até então, telas grandes como aquela eram destinadas a expressar cenas de batalha, feitos heróicos com figuras proeminentes das classes dominantes. “Enterro em Ornans” é apenas uma cena de cemitério com figuras humanas comuns, pessoas simples da vila de Ornans.


Em 1855, Napoleão III ordenou que se construísse o Palais des Arts et de l’Industrie, com a finalidade de apresentar produtos da agricultura, da indústria e das belas artes, em reação ao governo inglês que tinha construído o Palácio de Cristal, onde iria acontecer a primeira exposição de artes realmente internacional. Mas Courbet ficou de fora da exposição de Napoleão.


Indignado, e com o apoio do mecenas Alfred Bruyas, Gustave Courbet resolveu fazer uma exposição paralela, num galpão construído para este fim, bem ao lado de onde iria acontecer a exposição oficial. Quarenta quadros foram expostos aos visitantes, que também podiam adquirir um pequeno folheto onde estavam impressas as idéias básicas de Courbet. O título da exposição-manifesto era: DU RÉALISME. “Ser capaz de traduzir os costumes, as ideias, os aspectos de minha época, ser não somente um pintor, mais ainda um homem; em uma palavra, fazer uma arte viva, tal é meu objetivo”, dizia ele no folheto.


Durante os quarenta dias do governo revolucionário conhecido como a Comuna de Paris, em 1871, Gustave Courbet ocupou o cargo de Presidente da Comissão para as Artes. Derrotado o governo revolucionário após um verdadeiro banho de sangue nas ruas de Paris, sob o comando do governo de Thiers e suas tropas, Courbet foi preso. Depois de solto e ainda perseguido politicamente, exilou-se em Genebra, onde morreu em 1877.


Novas Realidades


Como fruto dos movimentos revolucionários que escreveram uma nova história no mundo, o Realismo trazia consigo dois traços constantes: a importância dada à temática, que se distinguia dos métodos tradicionais de pintura, e nesse sentido inspirada nos grandes mestres do passado, como Rembrandt, Vélazquez e Caravaggio; e o interesse despertado na questão da fronteira entre Arte e vida.


No século XIX, quando os artistas se deparavam com a nova realidade criada pelos acontecimentos, muitas vezes seguindo rumos inesperados e frustrantes, eles perceberam – como Baudelaire – que o movimento de uma realidade que parece escapar soa como um chamado à sua reconquista. A história da arte do século XIX mostra esse movimento dos artistas em procurar expressar em suas obras a realidade fugidia de seu tempo.


Tempo de choques brutais e acelerados nos ideais revolucionários. A frustração gerada pelas ilusões republicanas, as mudanças súbitas de poder (a Comuna de Paris durou poucos dias), os embates sangrentos, a repressão brutal desconhecida até então, tudo isso trouxe aos artistas a consciência de uma realidade que era também brutal. “Enterro em Ornans”, de Courbet, parece transmitir toda a violência daquele período, expressada nas cores, na temática, e nos rostos das mulheres à direita do quadro, em estado de profunda lamentação.


Mas a arte Realista, que nascera em meio à riqueza histórica do século XIX, iria atravessar todo o século XX como uma corrente de pensamento que trouxe intensos debates e gerou diversos movimentos de vanguarda em inúmeros lugares do mundo. Como observa Michel Dupré, a palavra Realismo foi objeto de uma “inflation” surpreendente.


Numerosos pintores, nestes últimos 156 anos desde a exposição de Courbet, se autoproclamaram "realistas", mesmo seguindo cada um seu modo de ser mais próximo ou não ao Realismo, como Fernand Léger, Malevitch, Rodchenko, Siqueiros, Orozco, Rivera, Lucien Freud, Edward Hopper, Grant Wood, John Singer Sargent, entre inúmeros outros. Michel Dupré sugere que Realismo parece designar sobretudo uma postura, que é tanto prática quanto teórica.


Seguindo os parâmetros de sua história inicial, a arte Realista esteve presente de forma intensa em todo o século XX. Antes e durante a I Guerra Mundial, artistas realistas começaram a surgir de forma bastante intensa na Inglaterra. Envoltos pelas energias densas da 1a Guerra, os artistas ingleses reagiam, como Paul Nash: “Não sou mais um artista interessado e curioso, sou um mensageiro que irá trazer a palavra dos homens que estão lutando àqueles que desejam eternizar a guerra.”


Cristopher Nevinson pintou imagens de desolação e mesmo John Singer Sargent, retratista por excelência, em 1918, pintou o quadro “Envenenados por gás”, uma tela gigante que mostra uma fila de soldados estropiados caminhando entre dezenas de mortos e feridos.



Nos EUA, desde o final do século XIX, a arte realista teve a adesão de um grande número de artistas. Seus expoentes iniciais foram Thomas H. Benton, John S. Currey e Grant Wood. Ao lado destes mais regionalistas, surgiram também, nas primeiras décadas do século XX, artistas que se voltavam para o que ficou conhecido como Realismo Social, com muitos deles se filiando ao Partido Comunista criado em 1919.

 

Esses pintores foram bastante influenciados pelos muralistas mexicanos, especialmente Rivera, Orozco e Siqueiros, que, no dizer de James Malpas (em seu livro Realismo), “constituem um dos fenômenos mais intrigantes da pintura do século XX”. Por Realismo Social, diz Brendan Prendeville em “Peinture Réaliste au XXe siècle”, entenda-se um termo que foi usado desde então para descrever uma grande variedade de práticas pictóricas de artistas cujo denominador comum, crítico ou humanista, era o desejo de mudança da sociedade. Entre esses artistas, destacam-se Reginald Marsh, Isabel Bishop, Raphael Soyer e Philip Evergood.


Na Alemanha de entre guerras, os artistas buscavam se organizar em movimentos, ligas e associações, com o objetivo de contribuir para uma renovação artística e para uma mudança dos valores da sociedade. Um desses grupos ficou conhecido como Secessão de Dresden – Grupo 1919, que mantinha o mesmo ideal de uma arte interiormente verdadeira e preocupada em expressar os problemas sociais daquele período. Eram fundamentalmente expressionistas, mas Kate Kollwitz, uma artista dessa época, apresenta gravuras e desenhos de um realismo tocante e é uma artista das que mais representam aquele período da história alemã.


A Rússia, que desde o século XIX passava por mudanças profundas em sua história, assistiu a um fervilhar de movimentos artísticos de diversos matizes plenamente integrados às transformações que a sociedade russa ia tomando. Programas e manifestos surgiam a partir de grupos e associações de artistas, em meio à nascente intelligentsia russa. Aquele momento de alta criatividade e produtividade artística pôs em circulação idéias que exerceram “efeitos cataclísmicos não só na própria Rússia, mas muito além de suas fronteiras”, como observa Isaiah Berlin em “O Nascimento da Intelligentsia russa”.


A chamada Vanguarda Russa teve importante papel na direção que tomaram as artes de vanguarda em todo o mundo. Maliévitch, Rodchenko, Tatlin, Chagal e Kandinski foram alguns dos artistas russos que grandes modificações trouxeram ao mundo das artes. O foco de seu trabalho estava na representação do mundo como um mundo em mudança, que as artes tinham que representar. Nesse sentido, as formas geométricas de Maliévitch eram, para ele, seu modo pessoal de ter uma leitura realista do mundo. Kandinski, por outro lado, criava a arte abstrata que buscava representar o mundo subjetivo, como uma arte distante das impurezas do real.

 
Tambores, Pavel Filonov, 1935.

Óleo sobre tela, 72x82cm, Museu de São Petersburgo, Rússia.


Anos mais tarde, a estética realista foi admitida como a que mais papel poderia exercer na educação do povo russo na direção de uma sociedade e uma cultura socialistas. Surge o que ficou conhecido como Realismo Socialista, que foi germinado a partir de debates entre os artistas e os construtores da nova sociedade soviética a partir da revolução de 1917.


Sem entrar aqui na questão do pensamento ainda dominante atualmente sobre o tema, cabe apontar que Realismo Socialista é uma coisa, Jdanovismo é outra. Andrei Jdanov foi o articulador principal do controle estético e ideológico da arte russa durante o período de 1934 a 1954, sob o poder de Stalin. Defensor ferrenho do Realismo Socialista, Jdanov impôs aos artistas da época seus parâmetros ideológicos e estéticos de uma rigidez sufocante.


Da mesma forma que o mercado e o sistema de arte atual que, de uma forma mascarada, oculta, subjacente e não explicitada, impõe a estética que serve à pós-modernidade e ao neoliberalismo, fechando espaços para a arte que não reze nessa cartilha. Com a única diferença, talvez, que a aparente permissividade atual do sistema não ameace diretamente os artistas, apenas relegue-os ao ostracismo...


Ainda sobre o Realismo Socialista – tema que ainda assusta a muitos e, como diz Michel Dupré, é muito pouco conhecido em sua essência (inclusive porque há uma recusa em conhecê-lo) – há uma observação a ser feita no que diz respeito ao caráter mesmo do Realismo, que foi levantada por Dupré em seu livro “Réalisme(s)”, publicado em 2009.


Uma das críticas fundamentais e atuais que se faz em relação à arte soviética – observa ele – é a de que existiria uma irredutível contradição entre arte e política, que seriam dois mundos incompatíveis e que toda verdadeira criação está livre organicamente sob o sacrossanto princípio da liberdade de criação (grifo dele). E que esses críticos dizem que a arte da URSS peca pela mediocridade, pela necessidade esclerosante de representar os políticos e a política, que não deixa espaço para a criação dos artistas, etc. Isso de um lado. Do outro, diz Dupré, os mesmos críticos se maravilham com o desenvolvimento das artes “du monde libre”, onde os EUA são modelo tão emblemático e onde a “liberdade de criação” paira tão democrática sobre a cabeça de todos os artistas do mundo...


 
 
Retrato de Anna Achmatova, Kuzma Petrov-Vodkin, 1925.

Galeria Estatal Tretiakov, Moscou.

Na França daquela mesma época, os movimentos de vanguarda também estavam em plena ebulição. Foi o período de surgimento de muitos ismos nas artes: impressionismo, expressionismo, dadaísmo, construtivismo, cubismo, surrealismo... Inúmeros movimentos forjaram o que ficou conhecida como Arte Moderna, que unia desde aqueles que defendiam a “arte pela arte” até aqueles que defendiam que num mundo em transição a arte cumpria um papel que ia além da manifestação estética.


Fernand Léger, André Fougeron, o poeta Louis Aragon, e mesmo Pablo Picasso, com sua pintura cubista, aderiram ao Partido Comunista Francês, em períodos diversos de suas vidas. Muitos tomavam o caminho da abstração e muitos que tinham ido para a abstração retornavam à arte figurativa, como Jean Hélion, em 1939, quando escreveu que “não podia mais viver oito horas do dia de uma maneira e viver as horas restantes de outra maneira”. A realidade chamava.


Sabemos que esses movimentos e debates que ocorriam na Europa, tanto na Rússia quanto na França, tiveram grande influência nos ideais representados pela Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, movimento que se amplificou nos anos seguintes, influenciando enormemente as artes plásticas brasileiras, com nomes como o de Portinari, Di Cavalcante, Carlos Scliar, os artistas do Grupo Santa Helena, entre outros.


Atualidades do pensamento Realista


“A Beleza, como a Verdade, é relativa aos tempos em que cada um vive e a todo indivíduo capaz de o compreender”, dizia Gustave Courbet. E como “criador de beleza” – no dizer do artista e comunista português Álvaro Cunhal – o pintor pode até negar qualquer influência externa na sua obra e na sua criação artística, mas não pode estar separado do meio e do tempo em que vive. Por mais abstrata e mais conceitual que seja uma obra de arte, por vezes uma surpreendente evidência de realidade se mostra.


O que não poderia ser de outro modo, mesmo a contragosto das idéias de um Vassili Kandinski, por exemplo, para quem a arte deve ser purificada de qualquer vínculo com o real, deixando prevalecer o mundo subjetivo do artista. Mesmo que se viu depois, como observa Pierre Daix, que as formas puras dos quadros de Kandinski não estavam tão longe da realidade assim, quando se observam fotografias do mundo microscópico da biologia e da botânica.


Com efeito, o Real é inesgotável e fonte permanente de inspiração para o artista. Como observa Ariano Suassuna em Iniciação à Estética, “mesmo que a realidade não fosse inesgotável, bastaria a necessidade que tem cada geração, e mesmo cada um de nós, de resolver por si só cada problema em nossa própria linguagem, para tornar o conhecimento aquilo que ele é por natureza: a tentativa incessantemente renovada de explicar o homem e o mundo”. E mais à frente ele diz que “se a pintura abstrata é mais pura do que a figurativa, esta é mais humana, rica e variada, possibilitando um campo muito maior à invenção e à imaginação”.


Nessa preocupação maior em aproximar-se do Real está o pensamento de que a relação do homem com a realidade é sempre uma relação de movimento em que a consciência humana é permanentemente afetada por esta. Lembrando Karl Marx: “Não é a consciência dos homens que determina a realidade: é, ao contrário, a realidade social que determina a consciência” (Crítica da Economia Política).


Realidade que justapõe permanentemente uns indivíduos em relação aos outros, em todos os aspectos, incluindo o aspecto de classe social, cujas relações acontecem em meio aos fenômenos da vida que geram o processo histórico. Ao longo da história, a história da arte reflete também a da vida em sociedade e a história mesma da luta de classes.


A arte, como um sistema de sinais e, portanto, como um tipo de linguagem universal, é o móvel que nos permite compreender a enorme cadeia de relações que se foram criando, ao longo do tempo, não só na sociedade humana em todos os seus aspectos, sejam econômicos, políticos, culturais e sociais, mas também no que diz respeito a como esta sociedade se reflete no indivíduo humano, em seu papel social e mesmo em sua psicologia. Com seu caráter universalizante, a arte realista permite essa linguagem comum que é capaz de ser compreendida em qualquer lugar, pelo mesmo sujeito histórico submetido às mesmas condições de existência.


A interpretação dos fatos da vida (vida muitas vezes exaustiva, como a do período em que estamos vivendo neste momento) por parte do artista que transforma o Real que vê e percebe em uma obra de arte que encanta e produz emoção estética, é um verdadeiro ato de “humanização do tumulto”, como fala o sociólogo Roger Bastide. A arte que torna mais humanizada a realidade que nos cerca, nos une, nos consola e mesmo nos fortalece.


A visão do artista capta do Real aquilo que é sua essência e eleva esse momento percebido ao status de Poesia, de Inspiração, o que aumenta a nossa dimensão e consciência. Diz o pensador russo do século XX, A. Ziss: "O artista, perante os fenômenos da vida, procura compreendê-los e, para isso,separa o essencial do secundário, o geral do particular, o necessário do fortuito.


Diferentemente dos acontecimentos vividos, os fatos com os quais opera a autêntica arte realista não comportam nada de supérfluo. O artista "liberta", de algum modo, o fenômeno retido do contingente e parcial que obscurece a essência. Reproduz não toda a plenitude do real vivido, mas apenas os traços dominantes que encerram a "alma viva".”


A seleção operada pelo artista na matéria vivencial representada é o que torna uma obra de arte um bem que pertence, ao final das contas, a toda a sociedade e que é ilustrativa da sua história. Obras como “Os síndicos dos tecelões” de Rembrandt, como “As Meninas” de Vélazquez, como o “David” de Michelângelo, como “Narciso” da Caravaggio, como “Enterro em Ornans” de Courbet, como o “Pensador” de Rodin, ilustram facetas da vida captada pelo olhar desses artistas que continuam extasiando nossos olhos e nos mostrando como somos.

O Real se apresenta muitas vezes como os animais ferozes que são acalmados pela música da lira de Orfeu. Ele é a imagem do artista que se coloca entre a realidade e o indivíduo, com quem cria um diálogo de ser humano a ser humano, na linguagem universal que a arte proporciona.


O Real que nos solicita movimento é um desses infinitos aspectos de que é constituído e que permite mil modos de enxergar, de traduzir, de falar, de perceber, de pintar. A realidade é a potencialidade de tudo acontecer. Quando o artista cria uma obra de arte, ele está fornecendo uma parte do real vista por ele, que apresenta à visão do público, a quem se liga, mesmo que silenciosamente. É como se a obra do artista fosse uma espécie de janela para ver o real, ou o que Joel Birman chama de "irrupção do real", que se dá através da obra.


O atelier realista pratica todo o tempo esse exercício de olhar para enxergar na realidade aquilo que foge ao olhar comum, para devolver ao espectador esse momento essencial que muitas vezes nos inspira e move. Em 1789, o filósofo e poeta romântico Novalis escrevera: “Nós buscamos, acima de tudo, o Absoluto, e sempre encontramos apenas coisas”. Para a arte Realista, são exatamente essas “coisas” que se tornam o objeto de busca dos artistas, que conseguem ir além das aparências e da simples busca do Belo.


As coisas como elas são, o mundo como ele é, traz em si uma nova beleza, com todas as assimetrias possíveis, que o artista primeiro vê, depois se move, pincel em direção à tela, retratando nela com toda sua humanidade criativa aquele momento especial que ele deseja mostrar a seus semelhantes.




Velho mineiro, Mauríco Takiguthi, 2008.

Óleo sobre tela, coleção privada, São Paulo, Brasil.

Bibliografia:

GOMBRICH, E.H. - A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

DUPRÉ, Michel – Réalisme(s) – Peinture et Politique. Paris : EC Éditions, 2009.

PRENDEVILLE, Brendan – La Peinture Réaliste au XXe Siècle. Paris : Thames & Hudson, 2001.

MALPAS, James – Realismo. São Paulo : Cosac & Naify, 2001.

DAIX, Pierre. – História Cultural Del Arte Moderno – de David à Cézanne. Madrid: Éditions Odile Jacob, 1998.

BASTIDE, Roger. Arte e Sociedade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971.

SUASSUNA, Ariano. Iniciação à Estética. Rio de Janeiro: José Olimpio Editora, 1972.

ORTEGA Y GASSET, José. A desumanização da Arte. São Paulo: Cortez Editora, 2005.

A. ZISS in Estética Marxista e Atualidade. Lisboa: Edições do Progresso, 1972.

CUNHAL, Álvaro. A Arte, o Artista e a Sociedade. Lisboa: Editorial Caminho, 1996.

BIRMAN, Joel. O Mal-Estar na Atualidade. São Paulo: Civilização Brasileira, 2009
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