Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 15 de abril de 2008

Escravidão no Brasil

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Escravidão no Brasil:O Tronco, de Jean Baptiste Debret - Escravos sendo castigados no tronco.
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O Tronco, de Jean Baptiste Debret - Escravos sendo castigados no tronco.

A escravidão, também conhecida como escravismo ou escravatura, foi a forma de relação social de produção adotada, de uma forma geral, no Brasil desde o período colonial até o final do Império. A escravidão no Brasil é marcada principalmente pelo uso de escravos vindos do continente africano, mas é necessário ressaltar que muitos indígenas foram vítimas desse processo.


Os escravos foram utilizados principalmente em atividades relacionadas à agricultura – com destaque para a atividade açucareira – e na mineração, sendo assim essenciais para a manutenção da economia. Alguns deles desempenhavam também vários tipos de serviços domésticos e/ou urbanos.


A escravidão só foi oficialmente abolida no Brasil com a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. No entanto, o trabalho compulsório e o tráfico de pessoas permanecem existindo no Brasil atual.


Índice

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O surgimento da escravidão no Brasil

Durante o período pré-colonial (1500 – 1530), os portugueses desenvolveram a atividade de exploração do pau-brasil, árvore abundante na Mata Atlântica naquele período. A exploração dessa matéria-prima foi possibilitada não só pela sua localização, já que as florestas estavam próximas ao litoral, mas também pela colaboração dos índios, com os quais os portugueses desenvolveram um tipo de comércio primitivo baseado na troca – o escambo. Em troca de mercadorias européias baratas e desconhecidas, os índios extraíam e transportavam o pau-brasil para os portugueses até o litoral.

'Escravidão
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"Família de um chefe camacã se prepara para uma festa", de Jean Baptiste Debret - Os índios foram os primeiros escravos no Brasil.

A partir do momento em que os colonizadores passam a conhecer mais de perto o modo de vida indígena, com elementos desconhecidos ou condenados pelos europeus, a exemplo da antropofagia, os portugueses passam então a alimentar uma certa desconfiança em relação aos índios. A colaboração em torno da atividade do pau-brasil já não era mais possível e os colonos tentam submetê-los à sua dominação, impondo sua cultura, sua religião – função esta que coube aos jesuítas, através da catequese – e forçando-os ao trabalho compulsório nas lavouras, já que não dispunham de mão-de-obra.


A escravidão no Brasil inicia-se assim com os índios, paralelamente ao processo de desterritorialização sofrido por estes. Diante dessa situação, os nativos só tinham dois caminhos a seguir: reagir à escravização ou aceitá-la.


Houve reações em todos os grupos indígenas, muitos lutando contra os colonizadores até a morte ou fugindo para regiões mais remotas. Essa reação indígena contra a dominação portuguesa ocorreu pelo fato de que as sociedades indígenas sul-americanas desconheciam a hierarquia e, conseqüentemente, não aceitavam o trabalho compulsório. Antes dos estudos etnográficos mais profundos (fins do século XIX e, principalmente, século XX), pensava-se que os índios eram simplesmente "inaptos" ao trabalho, tese que não se sustenta depois de pesquisas antropológicas em suas sociedades sem o impacto desestabilizador do domínio forçado.


Os índios assimilados, por sua vez, eram superexplorados e morriam, não só em decorrência dos maus-tratos recebidos dos portugueses, mas também em decorrência de doenças que lhes eram desconhecidas e que foram trazidas pelos colonos europeus, como as doenças venéreas e a varíola.


Diante das dificuldades encontradas na escravização dos indígenas, a solução encontrada pelos colonizadores foi buscar a mão-de-obra em outro lugar: no continente africano. Essa busca por escravos na África foi incentivada por diversos motivos. Os portugueses tinham interesse em encontrar um meio de obtenção de altos lucros com a nova colônia, e a resposta estava na atividade açucareira, uma vez que o açúcar tinha grande aceitação no mercado europeu. A produção dessa matéria-prima, por sua vez, exigia numerosa mão-de-obra na colônia e o lucrativo negócio do tráfico de escravos africanos foi a alternativa descoberta, iniciando-se assim a inserção destes no então Brasil colônia. Convém ressaltar que a escravidão de indígenas perdura até meados do século XVIII.


O aprisionamento de indígenas e o tráfico negreiro



Para obter mais detalhes, veja Tráfico de escravos para o Brasil


O aprisionamento era a principal forma de obtenção de escravos indígenas. Ao serem capturados, os índios eram forçados a executar o trabalho nas lavouras, onde eram superexplorados e sofriam maus-tratos. Em decorrência dessa situação e do fato de não estarem adaptados à escravidão , muitos indígenas morriam. Além disso, o aprisionamento era uma atividade que gerava lucros internos, ou seja, a metrópole portuguesa não se beneficiava com ela. Esses fatores contribuíram para que a mão-de-obra africana fosse inserida nas lavouras brasileiras, sendo obtida através do tráfico de escravos vindos principalmente das colônias portuguesas na África.


Essa atividade, também conhecida como tráfico negreiro, além de ser uma grande fonte de mão-de-obra caracterizava-se por ser também uma forma de obtenção de altos lucros, sendo assim de interesse da metrópole, já que além dos traficantes, lucravam também a Coroa portuguesa e até a Igreja Católica, que detinha uma certa porcentagem sobre cada escravo que entrava no Brasil.


A atividade do tráfico negreiro inicia-se oficialmente em 1559, quando a metrópole portuguesa decide permitir o ingresso de escravos vindos da África no Brasil. Antes disso, porém, transações envolvendo escravos africanos já ocorriam no Brasil, sendo a escassez de mão-de-obra um dos principais argumentos dos colonos.


Capturados nas mais diversas situações, como nas guerras tribais e na escravização por dívidas não pagas, os escravos africanos provinham de lugares como Angola, Moçambique, Guiné e Benin. Eram negociados com os traficantes em troca de produtos como fumo, armas e aguardentes e transportados nos chamados navios negreiros. Esses navios tinham destinos como as cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Luís, e delas eram transportados para regiões mais distantes. Durante as viagens, muitos escravos morriam em decorrência das péssimas condições sanitárias existentes nas embarcações, que vinham superlotadas. Quando desembarcavam em solo brasileiro, os escravos africanos eram vendidos em praça pública. Os mais fortes e saudáveis eram os mais valorizados.


A atividade do tráfico negreiro foi extremamente lucrativa e perdurou até 1850, sendo oficialmente extinguida nesse ano com a Lei Eusébio de Queirós.


O trabalho dos escravos



Os índios que foram assimilados e escravizados pelos colonos portugueses mostraram-se mais eficientes na execução de tarefas a que já estavam adaptados no seu modo de vida, como a extração e o transporte de madeira, do que nas atividades agrícolas. Esses trabalhadores eram superexplorados e muitos morriam em decorrência dos castigos físicos aplicados pelos portugueses. O uso de indígenas como escravos perdurou até o século XVIII.


Diante das dificuldades encontradas no processo de escravização dos indígenas, os portugueses encontram como alternativa a utilização de escravos africanos, obtidos através do tráfico negreiro. Os escravos africanos poderiam ser designados pelos seus senhores para o desenvolvimento dos mais diversos tipos de atividades,destacando-se as atividades agrícolas, sendo a extração da cana-de-açúcar a principal, a mineração e os serviços domésticos.


A agressividade em relação aos indígenas permeava a administração colonial e fração considerável do clero consentia a escravidão e a executava. O padre Antônio Vieira – diante da redução de braços indígenas para os trabalhos nas lavouras do Maranhão e Pará – defendia o cumprimento de leis anteriores em favor da liberdade dos índios, propugnando, numa informação enviada à Coroa em 1678, a introdução de escravos da África para suprir a escassez de mão–de–obra indígena.


A atividade açucareira foi durante muito tempo o pilar sobre o qual a economia colonial se sustentou. Foi desenvolvida principalmente na Zona da Mata, no litoral nordestino, que oferecia condições naturais favoráveis ao cultivo da cana-de-açúcar, produto que obtinha grande aceitação no mercado europeu e que garantia alta lucratividade. Para o seu cultivo, adotou-se o sistema de plantations, caracterizado pelo uso de latifúndios monocultores. A extração da cana necessitava de um grande contingente de mão-de-obra e foi a partir dessa necessidade que uma grande quantidade de africanos passou a trabalhar nos engenhos - propriedades destinadas ao cultivo e produção de açúcar.


Na agricultura, muitos escravos foram utilizados também no cultivo de tabaco, algodão e café, por exemplo.


Já na mineração, atividade que começa a ganhar grande importância na economia colonial durante o século XVIII, muitos cativos foram utilizados na exploração de metais preciosos, principalmente o ouro, na região de Minas Gerais. Vale ressaltar que com o desenvolvimento da mineração foram desenvolvidas várias atividades secundárias e dependentes dela, como a pecuária, das quais os escravos também participaram.


Os escravos domésticos - como indica o prórpio nome - trabalhavam nas casas de seus senhores, realizando serviços como cozinhar e costurar. Existiram ainda casos de escravos que prestavam serviços remunerados e deveriam pagar parcela de sua renda ao seu proprietário, os chamados “escravos ao ganho”, além de escravos que eram alugados pelos seus senhores para desenvolver algum ofício (pedreiro, carpinteiro, cozinheiro, etc.) a um terceiro, sendo assim “escravos de aluguel”. Estes dois últimos tipos de escravos desenvolviam suas tarefas geralmente nos espaços urbanos.

Escravidão no Brasil:Escravo sendo castigado, em pintura de Jean Baptiste Debret
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Escravo sendo castigado, em pintura de Jean Baptiste Debret

O escravo encontrava-se na posição de propriedade de seu senhor, não possuindo assim qualquer direito. Era o seu proprietário o responsável por garantir os elementos básicos à sua sobrevivência, como a alimentação e as suas vestimentas. O cativo estava à disposição do seu dono, que o superexplorava. Era vigiado pelos chamados capitães-do-mato, que também capturavam os escravos fugidos e lhes aplicava os mais diversos tipos de castigos, como o açoitamento, o tronco, peia, entre outras punições, o que contribuía para diminuir o tempo de vida dessa mão-de-obra. Em síntese, executava o seu trabalho nas mais desumanas das condições.


Por parte dos senhores, existia uma discriminação com relação ao trabalho, já que o consideravam como “coisa de negros”. Convém ressaltar que houve casos de alforria, isto é, de escravos que foram libertados. Essas libertações ocorriam pelos mais variados motivos, desde vontade do senhor em virtude da obediência e lealdade do escravo até casos em que o cativo conseguia comprar a sua liberdade. Vale ressaltar também que a escravidão foi a base de sustentação da economia brasileira até o final do Império.


Resistência à escravidão



Para obter mais detalhes, veja Quilombos


Tanto os índios quanto os africanos promoveram formas de resistência à escravidão, não sendo assim passivos a ela.


Os índios resistiram desde o momento em que os colonos portugueses tentam escravizá-los a força. Os africanos e seus descendentes, por sua vez promoveram várias formas de resistência à escravidão. A mais conhecida de todas foi a criação dos quilombos, uma espécie de "sociedade paralela" formada por escravos que fugiam de seus senhores, sendo o mais popular o Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas. Existiram, porém, inúmeras outras formas de se resistir à escravidão, como o suicídio, assassinatos, rebeliões e revoltas organizadas contra os senhores.Convém ressaltar que essas revoltas são um dos fatores que contribuíram para a abolição da escravatura.


Abolição da Escravatura



Para obter mais detalhes, veja Abolicionismo no Brasil

Escravidão no Brasil:Original da Lei Áurea no Museu da Imprensa, em Brasília - Crédito de Ana Nascimento/ABr
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Original da Lei Áurea no Museu da Imprensa, em Brasília - Crédito de Ana Nascimento/ABr

A abolição da escravatura foi processada de forma gradual e decorreu de toda uma situação formada com o decorrer do processo histórico.Em 1850, o tráfico negreiro é oficialmente extinto com a Lei Eusébio de Queirós. Com o fim da principal fonte de obtenção de escravos, o preço destes eleva-se significativamente, uma vez que ocorre uma diminuição na sua oferta. Já em 1871, é promulgada a Lei do Ventre Livre, que garante a liberdade aos filhos de escravos. Nove anos depois, inicia-se uma campanha abolicionista estimulada por intelectuais e políticos, como José do Patrocínio e Joaquim Nabuco. O sistema escravista enfraquece-se mais ainda com a Lei dos Sexagenários (1885), que liberta todos os escravos com mais de 60 anos de idade.


No dia 13 de maio de 1888, a Lei Áurea é assinada pela Princesa Isabel, extinguindo oficialmente a escravidão no Brasil. A assinatura da Lei Áurea decorre não só como conseqüência das pressões de movimentos abolicionistas e do contexto que se formava com a assinatura das leis acima citadas, mas também sofreu influência dos movimentos de resistência à escravidão promovidos pelos próprios escravos e das pressões que a Inglaterra exercia sobre o governo brasileiro, uma vez que o fim da escravidão era de interesse inglês, já que ocorria nesta nação o processo de Revolução Industrial e esse processo lhe garantiria a ampliação dos seus mercados consumidores.


A abolição da escravidão, apesar de garantir a liberdade, não alterou em nada as condições socioeconômicas dos ex-escravos, que continuaram a viver, de uma forma geral, na pobreza, sem escolaridade e sofrendo com a discriminação. Não impediu também que a superexploração de mão-de-obra em regime de escravidão e o tráfico de pessoas continuassem sendo praticados até os dias atuais.


A herança dos escravos



Para obter mais detalhes, veja Povo brasileiro e Cultura do Brasil


Tanto os indígenas quanto os escravos africanos foram elementos essenciais para a formação não somente da população, mas também da cultura brasileira. A diversidade étnica verificada no Brasil decorre do processo de miscigenação entre colonos europeus, indígenas e africanos. A cultura brasileira, por sua vez, apresenta fortes traços tanto da cultura indígena quanto da cultura africana. Desde a culinária, onde se verificam o vatapá, o caruru e a tradicional feijoada brasileira nascida nas cozinhas dos escravos, chegando até a língua portuguesa, é impossível não perceber a influência da cultura dos povos que foram escravizados no Brasil.


Ver também

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Referências

  • Almanaque Abril 2003, Volume Brasil, Editora Abril, 2003.
  • Enciclopédia Barsa, Encyclopædia Britannica do Brasil, 1999.
  • CÁCERES, Florival. História do Brasil, págs. 30-33, Editora Moderna, 1997.
  • MARINA, Lúcia & TÉRCIO, Geografia - Série Novo Ensino Médio, págs. 354-355, Editora Ática, 2003.
  • MONTELLATO, Andrea, CABRINI, Conceição & CATELLI Junior, Roberto, História Temática: o mundo dos cidadãos, Editora Scipione, 2000.
  • TOMAZI, Nelson Dacio (coord.), Iniciação à Sociologia, Editora Atual, 2000.
  • Site HISTORIANET.
  • Site sobre Escravidão no Brasil pela Biblioteca Nacional.
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Ligações externas

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Categorias de páginas

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Debret e o Brasil


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Debret - «hierarquia»
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Debret
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.Clique para ver maior

* Negros serradores de tábuas, de Jean Baptiste Debret.

In. O Brasil de Debret, Belo Horizonte, Vila Rica Editoras Reunidas, p. 40.


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Debret
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Digestivo nº 362
>>> Debret e o Brasil, pela editora Capivara
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Decididamente, um dos maiores presentes, nesta comemoração de 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa, é Debret e o Brasil, o catálogo raisonné, a obra completa do pintor-cronista francês, com organização de Julio Bandeira e Pedro Corrêa do Lago, pela editora Capivara. Jean-Baptiste Debret, primo "in law" de Jacques-Louis David ― o grande nome do neoclassicismo napoleônico ―, desembarcou no Rio de Janeiro em 1816, nos embalos da chamada Missão Francesa, e no Brasil permaneceu até 1831, documentando, como ninguém, a transformação da colônia barroca em sede, civilizadamente europeizada, do império português. Debret e o Brasil, num esforço monumental de pesquisa, reúne, pela primeira vez, mais de 1300 imagens, em mais de 700 páginas, sendo 200 obras inéditas (entre elas, seis novas pinturas a óleo recentemente descobertas). Esse trabalho hercúleo de documentação ― que permitiu a Debret ser considerado inclusive "o maior repórter" do País ― resultou na sua já clássica Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), nosso principal cartão de visita na Europa do século XIX, e fonte iconográfica inesgotável, até para a formação do nosso olhar e da nossa identidade como nação.
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Embora Nélson Rodrigues considerasse o brasileiro médio um "analfabeto plástico", não há, entre nós, quem não tenha consigo, mesmo que no inconsciente, as imagens de Debret ― que agora, com esse catálogo raisonné, permitem, além da viagem no tempo, um mergulho no Brasil profundo, de 200 anos para cá. Com prefácio do historiador José Murilo de Carvalho, o volume ainda refaz todo o percurso das obras nele reunidas, desde sua concepção até seu paradeiro (às vezes incerto), até, muitas vezes, seu feliz retorno ao Brasil. A editora Capivara já nos havia brindado com a bela edição das obras de Debret reunidas pelo colecionador Castro Maya, mas, com este Debret e o Brasil, recoloca tanto o País quanto seu pintor-redentor novamente no circuito internacional das artes
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in Digestivo Cultural
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Missão artística francesa (1)

Influências na arte brasileira no século 19

Valéria Peixoto de Alencar*
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Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
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Reprodução

Detalhe de A Coroação de D. Pedro I, de J.B. Debret

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Em 1816, durante a estada da família real portuguesa no Brasil, chega ao Rio de Janeiro um grupo de artistas franceses com a missão de ensinar artes plásticas na cidade que era, então, a capital do Reino unido de Portugal e Algarves. O grupo ficou conhecido como Missão artística francesa.

O convite teria para a vinda do grupo teria partido de Antonio Araújo Azevedo, Conde da Barca, ministro de dom João 6o.Preocupado com o desenvolvimento cultural da colônia que havia se transformado em capital, o rei trouxe para cá material para montar a primeira gráfica brasileira, onde foram impressos diversos livros e um jornal chamado "A Gazeta do Rio de Janeiro".

Já a missão tinha o objetivo de estabelecer o ensino oficial das artes plásticas no Brasil, e acabou influenciando o cenário artístico brasileiro, além de estabelecer um ensino acadêmico inexistente até então.

A missão foi organizada por Joaquim Lebreton e composta por um grupo de artistas plásticos. Dela faziam parte os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay, os escultores Auguste Marie Taunay, Marc e Zéphirin Ferrez e o arquiteto Grandjean de Montigny. Esse grupo organizou, em agosto de 1816, a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, transformada, em 1826, na Imperial Academia e Escola de Belas-Artes.

Os artistas da Missão Artística Francesa pintavam, desenhavam, esculpiam e construíam à moda européia, obedecendo ao estilo neoclássico.

Principais pintores da missão


Jean Baptiste Debret, Negros e mulatos coletando esmolas, Viagem Pitoresca e histórica ao Brasil, 1834

  • Nicolas-Antonine Taunay: (1775-1830) pintor francês de grande destaque na corte de Napoleão Bonaparte e considerado um dos mais importantes da Missão Francesa. Durante os cinco anos em que esteve no Brasil, retratou várias paisagens do Rio de Janeiro.

  • Jean-Baptiste Debret: (1768-1848) foi chamado de "a alma da Missão Francesa". Era desenhista, aquarelista, pintor cenográfico, decorador, professor de pintura e organizador da primeira exposição de arte no Brasil (1829). Em 1818, trabalhou no projeto de ornamentação da cidade do Rio de Janeiro para os festejos da aclamação de dom João 6o como rei de Portugal, Brasil e Algarves.

    Em "Viagem Pitoresca ao Brasil", coleção composta de três volumes com um total de 150 ilustrações, Debret retrata e descreve a sociedade brasileira. Seus temas preferidos são a nobreza e as cenas do cotidiano brasileiro. Sua obra dá uma excelente idéia da sociedade brasileira do século 19, como se vê na figura acima.

  • Valéria Peixoto de Alencar* é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp.
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    Missão artística francesa (2)

    Debret e a construção do imaginário histórico brasileiro

    Valéria Peixoto de Alencar*
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    Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
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    Reprodução

    A representação idealizada do índio é uma característica dos neoclássicos

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    Com a vinda da família real, em 1808, o Brasil passou de colônia a Reino Unido de Portugal. Depois, com a independência, em 1822, tornou-se, pelo período de 67 anos (até a proclamação da República, em 1889), um império independente.

    Durante trezentos anos, nosso país foi essencialmente agrário e explorador de ouro, atividade que já começava a declinar no início do século 19. Um princípio de modernização, contudo, teve início com a chegada da corte portuguesa. A capital, Rio de Janeiro, passou a ser transformada segundo padrões parisienses. Seguindo esse objetivo, dom João 6º convidou vários artistas, a conhecida Missão Artística Francesa, para que se estabelecessem no Brasil, com o objetivo de impulsionar o ensino da arte e a produção artística do nosso país, numa época ainda marcada pelo barroco. Esses artistas tinham como modelo o neoclassicismo.

    Dentre esses artistas, destacamos neste texto Jean Baptiste Debret, figura fundamental, responsável por registrar parcela significativa das mudanças sociais daquela época, retratando os membros da monarquia, o povo, os costumes e vário aspectos da cultura. Os artistas da Missão Artística Francesa ajudaram a construir todo um imaginário sobre aquela época. Mas o que isso quer dizer?

    O que é imaginário?

    Quando falamos de "imaginário", estamos nos referindo à reunião de elementos característicos da vida, da cultura de um grupo de pessoas, de um povo ou de uma nação. Por exemplo, pense nas gírias que você fala: de onde elas surgiram? Pense nas músicas que você ouve e nos filmes que você vê, ou, ainda, como era a roupa do Super-Homem nos quadrinhos da década de 1950 e como ela é hoje. Existe uma cultura típica do nosso tempo, da mesma forma que nos comportamos de uma maneira completamente diferente da de nossos avós, por exemplo.

    Ninguém, atualmente, diz que uma pessoa bonita é um "broto", gíria típica dos nossos avós, e a roupa do Super-Homem é completamente diferente daquela usada pelo personagem de histórias em quadrinhos quando as primeiras revistas começaram a aparecer. Da mesma forma, uma mulher usar calças na corte de dom João 6º seria um comportamento imoral, inaceitável.

    Ou seja, há costumes próprios de cada tempo, de cada época. E os artistas de um determinado período da história contribuem para o imaginário que construímos sobre essa época. Assim, as leituras e as interpretações que fazemos das imagens, das pinturas e das esculturas do passado estão marcadas pelas escolhas e pelos estilos desses artistas, mas também pelos nossos valores, pelas nossas crenças atuais, que formamos ao longo da nossa vida.

    Jean Baptiste Debret

    Debret documentou os acontecimentos da história brasileira no início do século 19. Ele e os membros da corte tinham consciência da importância da circulação de gravuras tratando de diferentes aspectos da vida no Brasil. Ou seja, eles se preocupavam com a divulgação da imagem do Brasil no exterior, principalmente pelo fato de o Brasil não ser mais apenas uma colônia, mas Reino Unido de Portugal.

    Debret seria importante mesmo depois da Independência. Ele soube se transformar no pintor comemorativo oficial do império. Observe, por exemplo, no texto Influências na arte brasileira no século 19, o detalhe da obra "Coroação de D. Pedro 1º". Desde a morte de dom Sebastião, em 1578, nenhum rei português era retratado com a coroa colocada na cabeça, mas segurando-a ao lado do tronco, como se apenas o próprio dom Sebastião a merecesse, quando retornasse (dom Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, mas seu corpo jamais foi encontrado, o que deu início a um movimento chamado "sebastianismo", cujos seguidores acreditavam na volta messiânica de dom Sebastião).

    Na pintura de que falamos acima, contudo, dom Pedro usa a coroa. Como você acha que isso foi percebido na época? Com certeza, serviu para enaltecer a figura do novo imperador e colaborou para a criação da imagem de dom Pedro como um herói.

    Mas Debret não gravou apenas momentos que ele considerava importantes para a história ou cenas da vida da família real. Ele também documentou o cotidiano de pessoas comuns, sempre com um olhar neoclássico e, segundo alguns autores, já adotando a estética do romantismo.

    Para entendermos a influência de Debret sobre o nosso imaginário, vamos observar e comparar a imagem do índio no início deste artigo e a do negro, que vem a seguir:


    Reprodução


    Como o índio está representado? E os negros?

    A representação do índio é totalmente idealizada. Para Debret e outros pintores neoclássicos, os índios são sempre fortes, com traços bem definidos, e estão sempre em cenas heróicas. Quanto aos escravos, ainda que sendo punidos, as cores da pintura minimizam o drama do castigo, e a senzala, local onde provavelmente estão, encontra-se inclusive limpa, iluminada.

    Será que vem daí o fato de esquecermos, muitas vezes, que houve escravidão indígena no Brasil? Ou, ainda, viriam dessas imagens a idéia de que os índios eram fortes e não se deixavam escravizar? Embora a escravidão africana tenha sido muito maior, em termos de número de escravos, os índios também foram escravizados, principalmente no período do bandeirismo.

    Com relação aos negros, dificilmente vemos a representação de negros revoltosos e descontentes com sua situação de cativos. Normalmente, eles estão trabalhando - e, quando castigados, têm um olhar resignado. Será que vem daí a idéia de uma "democracia racial" no Brasil?

    Diversos fatores contribuem para a construção do imaginário sobre determinada época, mas, certamente, a comunicação visual - por meio de pinturas e gravuras, ou da fotografia, da tevê e do cinema - tem uma força muito grande.

    Dicas de leitura

  • No texto Crença em messias português gerou três massacres no Nordeste, você pode conhecer um pouco mais sobre o sebastianismo.
  • No site do Museu Nacional de Belas Artes, você poderá ver imagens de outros artistas do século 19.
  • E vale a pena conhecer a Escola de Belas Artes, criada por dom João 6º.

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  • *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp. É também uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades, Editora Expressão e Arte.
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    in educacao/historia-brasil/Debret
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    Debret - História

    Debret - Um artista a serviço da corte portuguesa no Brasil

    JEAN BAPTISTE DEBRET: UM ARTISTA À SERVIÇO DA CORTE PORTUGUESA NO BRASIL

    A primeira metade do século XIX nos permite relembrar, e com muita satisfação, da presença de grandes artistas franceses no Brasil. Tal circunstância deveu-se à intenção da própria Coroa portuguesa em trazer cultura para o país, na ocasião, recém ocupado pela nobreza há apenas 08 anos. Destacaremos, dentre os habilidosos "artistas-viajantes": Jean Baptiste Debret, que segundo a autora Valéria Lima, fora o mais requisitado e competente, naquilo que pretendia revelar por meio da arte.

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    O que pretendemos mostrar neste humilde artigo é o interesse, por parte dos expectadores, quanto à "realidade" inserida nas obras de Debret quando da sua "missão artística" aqui no Brasil. O artista francês foi "convocado" pelo Príncipe Regente de Portugal, D. João VI - em 1816 a retratar todos os momentos ilustres da monarquia.
    A autora nos revela que Debret, em sua interessante obra: "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil", permite demonstrar importantes traços de sua própria identidade e personalidade, distanciando-se um pouco daquela idéia de apresentar "imagens fiéis" da escravidão negra no Brasil, e também sobre os "exóticos" momentos da monarquia lusa, instalada no Rio de Janeiro a partir de 1808. Debret sem dúvida, foi mais do que um pintor oficial da nobreza, também atuou com muita competência na fundação da Academia Imperial de Belas-Artes do Rio de Janeiro, contribuindo como professor, cumprindo desta forma, outro desejo do Príncipe D. João VI.
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    Valeria nos lembra bem que neste período o Brasil encontrava-se em processo de formação de sua própria história, inclusive como nação "independente".

    UM POUCO DA ORIGEM ARTÍSTICA DE DEBRET

    Jean Baptiste Debret, nasceu no ano de 1768, em Paris, França. Recebeu grande influência artística de seu primo Jacques-Louis David, um virtuoso pintor portador de um profundo rigor clássico. Debret sempre freqüentou ateliês na França, seu pai era funcionário público e possuía verdadeiro interesse em história natural, elaborando pesquisas sobre o assunto. Referida influência também contribuiu bastante para trajetória artística de Debret, sendo utilizada inclusive no Brasil.

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    A formação cultural de Debret se desenvolveu em meio a conturbados momentos políticos da França revolucionária. O artista passou a fazer parte do grupo de pintores responsáveis pelas imagens de atos históricos e heróicos de Napoleão Bonaparte. As academias francesas de arte até este momento, preocupavam-se com o resgate da historia antiga, trazendo, desta forma, a intenção de elevar a moralidade social da época. Com a "intervenção" de Bonaparte, o cenário é alterado, pois os pintores agora teriam de se preocupar em revelar, com praticamente nenhuma liberdade, assuntos pertinentes à história contemporânea, da qual o próprio Imperador era protagonista.
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    O AMBIENTE QUE ANTECEDEU A VINDA DE DEBRET PARA O BRASIL
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    É interessante notarmos que o cenário que antecedeu a vinda do pintor francês a terras brasileiras estava um tanto quanto conturbado. Não podemos esquecer que Napoleão praticamente expulsou a Coroa portuguesa, que na ocasião, fugira para o Brasil. Em 1808 D. João e mais 15 mil pessoas que acompanhavam a Corte, desembarcaram no Rio de Janeiro. Neste mesmo período, os portugueses estavam de relações políticas e sociais, completamente cortadas com os franceses. Diante desta dimensão, talvez seja oportuno perguntarmos, qual seria o objetivo, por parte dos portugueses, em trazer artistas franceses para prestar serviços à monarquia no Brasil. Podemos, no entanto, destacar alguns fatores correspondentes à questão: Segundo a autora, o próprio Debret, como mencionamos anteriormente, fez parte dos pintores "oficiais" designado a retratar momentos gloriosos de Napoleão Bonaparte. Por outro lado, não podemos deixar de mencionar a cultura italiana que, por muitos séculos, formou grandes artistas como Michelangelo, Leonardo Davinci, dentre tantos outros. A Itália dominou, de forma soberana, o cenário artístico até meados do século XVII. A partir do final deste mesmo século e inicio do XVIII a França passou a revelar grandes talentos do mundo da arte, isto graças ao sensível avanço dos ensinos acadêmicos, reunindo desta forma, condições para competir e até superar a qualidade artística italiana. O próprio Debret estudou arte num ateliê na famosa Itália.

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    Outro fator contribuinte que apóia a decisão dos lusos em trazer artistas franceses está ligado à atuação dos "agentes" portugueses. O agente português, Conde de Baça esteve em Paris momentos antes dos artistas franceses embarcarem para o Brasil. Com a eliminação definitiva de Napoleão em 1815 a diplomacia entre Portugal e França voltou a apresentar cordialidade entre os países.

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    Valéria Lima menciona que o Brasil desta época, encontrava-se em plena formação e precisava de cultura, precisava de pessoas com capacidade de ensinar arte. Este também foi um dos principais motivos da convocação dos artistas ao Brasil. A dimensão de Debret não era diferente, pos fora convocado para atuar junto à Corte portuguesa e que também acabou desempenhando importante papel na Academia Imperial de Belas-Artes do Rio de Janeiro, como professor.

    DEBRET: O ARTISTA OFICIAL DA CORTE, DA ACADEMIA ...

    Valeria Lima menciona ainda um importante acontecimento quando da chegada de Debret ao Brasil, em 1816. Visto que tal feito coincidiu com a morte da então Rainha de Portugal, D. Maria I. O pintor francês estava incumbido, a partir de então, de retratar o funeral da Rainha e, evidentemente, a aclamação do novo monarca da Corte, inclusive o referido funeral. Paralelamente aos trabalhos de pintor e cenógrafo da monarquia, Debret exercia funções como membro fundador e pintor de história da Academia Imperial, conseguindo reunir condições no sentido de "produzir" novos artistas para o país.

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    "Queria oferecer aos estrangeiros um panorama que extrapolasse a visão de um país exótico e interessante apenas do ponto de vista da história natural. Acreditava que o Brasil merecia estar entre as nações mais civilizadas da época e que a elaboração de uma obra histórica a seu respeito seria uma contribuição valiosa para que esta justiça se cumprisse." Pág. 27

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    Com o grande projeto Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, Debret revela sua profunda relação pessoal e emocional, adquirida em sua permanência no Brasil por 15 anos. Em 1831 o pintor solicitou licença ao Conselho da Regência para retornar à França, alegando problemas de saúde. Dois motivos o levaram a tomar tal atitude: primeiro para juntar-se a sua família e segundo, tão importante para o artista quanto o primeiro, era organizar o primeiro volume de sua obra Viagem pitoresca e histórica ao Brasil.
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    A Corte portuguesa aceitou tal solicitação, no entanto, condicionou-a a um retorno do artista para o "novo mundo", fato que não ocorreu, Debret deixou o Brasil em 1831 para nunca mais voltar. Mas, de acordo com a autora, o artista francês jamais deixou se desvencilhar das terras brasileiras, estando profundamente envolvido por meio de sua obra, até o fim de seus dias ocorrido em 1848.

    O BRASIL "PINTADO" POR DEBRET

    Por meio de sua obra Viagem ..., Debret procurou demonstrar, com minuciosos detalhes e cuidados, a "formação" do Brasil, especialmente no sentido cultural do povo e nação. Os 3 volumes foram publicados em 1834, 1835 e 1839. De acordo com a autora, Debret enfatiza os principais destaques de sua obra:

    "Ao longo de suas páginas, Debret enfatiza o que considera os diferentes momentos da marcha da civilização no Brasil: os indígenas e suas relações com o homem branco, as atividades econômicas e a presença marcante da mão de obra escrava e, por fim, as instituições políticas e religiosas." Pág. 29

    Debret procurou resgatar particularidades do país e do povo. Utilizou o termo "pitoresco" com a ideologia de precisão, habilidade, talento, e qualidade artística em representar e "preservar" o passado daquele povo. Segundo a autora, para Debret, esta obra favoreceria no sentido de demonstrar para Europa um Brasil que merecia ocupar o mesmo lugar dos grandes e civilizados países. Vejamos outra citação da autora a respeito do termo "pitoresco" utilizado por Debret:

    " ...traduzia, igualmente, nas primeiras décadas do século XIX, a opção por privilegiar, no "retrato" dos povos, aspectos que não estivessem limitados às questões políticas, mas que dessem testemunho da religião, da cultura e dos costumes dos homens." Pág.36

    Debret preocupou-se muito com os textos que acompanhavam suas imagens, demonstrando certa fidelidade ao sentido literário. Tal postura não era comum em outros "artistas - viajantes". Muitos pintores não se preocupavam demasiadamente com o sentido dos textos comparando-os com as ilustrações contidas em seus trabalhos.
    Esse desejo, por parte do pintor em resgatar costumes e acontecimentos do passado brasileiro evidencia a importância de sua estada ao Brasil durante esses 15 anos. Muitos acreditam em não haver nenhum tipo de contribuição por parte do artista para história do Brasil.

    Valeria Lima diz:

    " - não podemos considerar os volumes de Debret como retratos fiéis do Brasil oitocentista, mas como um grande exemplar de pintura histórica." Pág. 8


    SEÇÃO DE FIGURAS



    CONCLUSÃO

    O próprio Debret certamente não imaginava que sua viagem ao "novo mundo" o tornaria reconhecido como o principal retratista do Brasil Imperial, considerando, portanto, alguns cuidados, bem cogitado pela autora.

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    Em tempo, não há duvidas de que a passagem de Debret pelo Brasil criou um positivo impacto desde suas brilhantes participações na Academia de Artes, e em seu extraordinário desempenho ao participar como pintor e cenógrafo oficial da monarquia brasileira. O talento sempre acompanhou o artista que cumprira sua missão, alcançando resultados, muita vezes, alem da expectativa. Não é de se admirar que muitos estudiosos, em nossos dias, estão trabalhando em pesquisas sobre este magnífico e abrangente artista francês.


    DESCRIÇÃO DAS FIGURAS:

    Aplicação do castigo do açoite
    Casamento de negros escravos de uma família rica
    Passatempo dos ricos
    Auto-retrato de Debret
    Mercado da rua do Valongo
    Jantar (família rica)
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    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
    LIMA, Valéria - Uma Viagem com Debret, {coleção: Descobrindo o Brasil} Ed. Jorge Zahar, RJ - 2004.

    Historianet


    ver mais gravuras em:
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    terrabrasileira/folclore/origens/africana/negro-escravo

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    Aconteceu em 14 de abril

    Aconteceu em
    14 de abril
    1997 - Dia do Salgado

    O fotógrafo Sebastião Salgado, o músico Chico Buarque e o escritor português José Saramago lançam em S. Paulo o livro Terra, com 109 fotos. Os direitos autorais vão para o MST.

    Menina do acampamento sem-terra de Chopinzinho, PR, retratada por Salgado

    1832:
    Abrilada, rebelião liberal em PE.
    1895:
    Charles Miller promove na várzea do Carmo, S. Paulo, o 1º jogo de futebol no país.
    1914:
    Greve geral no PA pela jornada de 8 horas. A polícia empastela o jornal O Imparcial.
    1930:
    Suicida-se em Moscou o poeta, desenhista, agitador cultural e político soviético Vladimir Maiakovisky, 36 anos.
    1936:
    Publicado o romance As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, viva denúncia da exploração dos bóias-frias nos EUA da depressão.
    1945:
    A FEB ajuda na tomada de Montese.
    1964:
    O Comando Supremo do golpe cria os IPMs (Inquéritos Policial-Militares).
    1976:
    Morre Zuzu Angel, mãe de Suart Angel, assassinado na tortura. A versão oficial, acidente de automóvel, será desmentida em 1998.
    1980:
    Libertada a brasileira Flávia Schilling, presa há 8 anos no Uruguai.
    Fávia
    chega
    ao Brasil
    1986:
    Aviões dos EUA bombardeiam a Líbia; 55 mortos.
    1988:
    Greve geral na Argentina. Adesão maciça.
    1997:
    PT, PDT, PSB e PCdoB criam bloco de oposição ao governo FHC na Câmara (100 deps.).
    1999:
    A British Gas e a Shell compram a ex-estatal Comgás por R$ 1,65 bilhão.
    1999:
    O Senado instala CPI do sistema financeiro, abortada em maio.
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    Bilhete Postal: Acusações históricas

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    * Leonor Pinhão, Jornalista
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    Notável coincidência de índole histórica-audiovisual. Dois documentários sobre a colonização da América do Sul correm actualmente os circuitos internacionais dos festivais de cinema e das exibições televisivas.
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    ‘Manda Bala’, premiado em Sundance e em Salónica, trata do Brasil e explica a “marca” portuguesa na secular história da corrupção no país: “Os portugueses nunca quiseram criar uma cultura”, limitaram-se a “explorar as riquezas” e a “criar as raízes da corrupção”. Um outro documentário, ‘Segredos da Morte’, com estreia marcada no canal norte--americano PBS, reescreve a história da conquista do continente pelos espanhóis a partir da descoberta de uma vala comum, em território azeteca, com centenas de corpos mutilados. As antigas potências ibéricas estão mal vistas pelos documentaristas. Mas, ainda assim, antes a vigarice do que o genocídio.

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    in Correio da Manhã 15 Abril 2008 - 00h30

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    segunda-feira, 14 de abril de 2008

    Setúbal esconde cidade romana (2)

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    in Jornal de Setúbal, 2008.04.14
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    Filme Arrasa Portugal

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    clique na imagem para ampliar
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    * Paulo Portugal
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    in Correio da Manhã 2008.04.14
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    Elis Regina, Águas de Março

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    gabrielacarneiro
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    Águas de Março, de Tom Jobim, imortalizada pela genial Elis!
    P&B
    Programa Ensaio, TV Cultura
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    É pau, é pedra, é o fim do caminho
    É um resto de toco, é um pouco sozinho
    É um caco de vidro, é a vida, é o sol
    É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
    É peroba do campo, é o nó da madeira
    Caingá, candeia, é o Matita Pereira
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    É madeira de vento, tombo da ribanceira
    É o mistério profundo, é o queira ou não queira
    É o vento ventando, é o fim da ladeira
    É a viga, é o vão, festa da cumeeira
    É a chuva chovendo, é conversa ribeira
    Das águas de março, é o fim da canseira
    É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
    Passarinho na mão, pedra de atiradeira
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    É uma ave no céu, é uma ave no chão
    É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
    É o fundo do poço, é o fim do caminho
    No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
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    É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
    É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
    É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
    É a luz da manhã, é o tijolo chegando
    É a lenha, é o dia, é o fim da picada
    É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
    É o projeto da casa, é o corpo na cama
    É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
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    É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
    É um resto de mato, na luz da manhã
    São as águas de março fechando o verão
    É a promessa de vida no teu coração
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    É uma cobra, é um pau, é João, é José
    É um espinho na mão, é um corte no pé
    É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
    É um belo horizonte, é uma febre terçã
    São as águas de março fechando o verão
    É a promessa de vida no teu coração
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    domingo, 13 de abril de 2008

    Setúbal esconde cidade romana (1)



    Arqueologia: Cetóbriga renasce em local inesperado

    Setúbal esconde cidade romana

    * José Luís Feronha
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    A descoberta de um importante edifício romano do século I, nas obras em curso num prédio da Baixa de Setúbal, deverá resolver de vez uma questão que arqueólogos e historiadores debatem há décadas. Pela primeira vez foram encontradas sólidas provas que permitem identificar a célebre Cetóbriga, inscrita no Itinerário Antonino (século III), com a cidade à beira do Sado. "Agora é inquestionável", afirmou ontem em conferência de imprensa o arqueólogo Carlos Tavares da Silva.

    Ao fazer um roço de um metro quadrado no piso térreo de uma antiga loja, visando a sua transformação em bar, os operários encontraram estranhos vestígios. A proprietária do edifício alertou responsáveis do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), localizado muito perto.

    Pouco mais de um mês depois do achado, aquilo que foi posto a nu por três arqueólogos e outros tantos técnicos de arqueologia permite à directora do MAEDS, Joaquina Soares,afirmar com segurança:"Estamos perante um edifício de uma família aristocrática ou de carácter público de grandes dimensões."

    Até agora, as únicas provas que permitiam equacionar a possibilidade de a Cetóbriga se situar na região residiam em Tróia. Aí, como em algumas áreas de Setúbal, foram descobertos desde o século XVIII vestígios do mais importante centro de produtos piscículas do Império Romano do Ocidente. Faltava, no entanto, encontrar residências e edifícios públicos.

    ESCAVAÇÕES VÃO CONTINUAR

    Os mosaicos policromos encontrados sob o piso térreo de um prédio na Baixa de Setúbal datam do século III. A sua qualidade é tal que, segundo o especialista Carlos Belouto, deverão ter sido importados do Norte de África, onde florescia uma importante indústria do ramo. O edifício romano reservava mais surpresas. Entre elas, o facto de os alicerces mergulharem a dois metros de profundidade. Esta vantagem contrasta vivamente com o facto de o prédio actual, que o sobrepõe, não dispor de caboucos, embora tenha três andares.

    Por outro lado, a secção do esgoto romano é superior à do esgoto camarário moderno. As escavações vão prosseguir, a cargo do MAEDS e da Assembleia Distrital de Setúbal.

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    in Correio da Manhã - 10 Abril 2008 - 00.30h

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    Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008



    Setúbal Romana


    Os vestígios materiais da época romana em Setúbal sitam-se, cronologicamente, entre o século I e V d.C. Predominam os vestígios da indústria de preparados de peixe, dos quais o único visível é o conjunto de Cetárias da Travessa Frei Gaspar, onde se encontra o posto de informação da Região de Turismo da Costa Azul.

    Os elementos que hoje podemos observar no Posto de Turismo, faziam parte de uma fábrica idêntica ás de Tróia. Foi utilizada entre os século I e V d.C.. Para além da fábrica da Travessa frei Gaspar, outras foram assinaladas e estudadas, na Praça do Bocage e na Rua António Januário da Silva.

    Outros elementos identificados da época romana, situam-se numa área ao longo da Rua Direita do Troino até á zona de Palhais/Fontainhas passando pelo Lg da Misericórdia e Rua Antão Girão.
    No início do século XX, foi descoberta uma necrópole nas proximidades do Miradouro. Esta necrópole, utilizada entre os séculos II e IV d.C., era de inumação.

    Os elementos conhecidos permitem afirmar que a Setúbal da época romana se estendia por uma área que abrange a cidade medieval. Na zona do Miradouro situava-se o cemitério. A área industrial estendia-se ao longo da faixa anexa á actual Avenida Luisa Todi e Praça do Bocage.

    Com o fim do Império romano e das rotas comerciais, os prepatrados de peixe de Setúbal, tal como os de Tróia e de toda a Lusitânea deixaram de ter acesso aos mercados do Mediterrâneo, entrando a cidade em declínio. Acrescenta-se ainda o facto de a cidade não oferecer condições de segurança.

    Na margem esquerda do estuário do Sado conhecem-se vestígios da industria de preparados de peixe no Creiro, Rasca, Comenda, Cachoferra, Pedra Furada e Santa Catarina.

    Pérola do Sado

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    Batalha de La Lys (90 anos)



    Clicar nas imagens para ler
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    d.r. Após viagem de barco até Brest, os portugueses avançavam alimentados a pão e conserva de sardinhaApós viagem de barco até Brest, os portugueses avançavam alimentados a pão e conserva de sardinha


















    * João Vaz
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    La Lys: A realidade vista 90 anos depois

    Exagero na tragédia

    A evocação da batalha de La Lys, cujo 90.º aniversário se comemora amanhã e depois em França, surge quase sempre ligada a milhares de mortos. Lê-se isso em muitos artigos sobre a participação portuguesa na Primeira Grande Guerra, 1914-18, na imprensa e na internet, e até em reputadas Histórias de Portugal. A realidade é, contudo, diferente. O desastre militar, às vezes comparado à tragédia de Alcácer Quibir, acabou de facto com a capacidade operacional do Corpo Expedicionário Português (CEP), mas as baixas – 398 mortos, dos quais 29 oficiais – são muito inferiores ao habitual: morreram ‘327 oficiais e 7098 praças’.

    O exagero tem uma das origens num livro escrito por um dos comandantes do CEP, Gomes da Costa, promovido a general nos campos da Flandres e mais tarde chefe do golpe militar do 28 de Maio de 1926, que impôs uma ditadura, mantida pelo Estado Novo até ao 25 de Abril de 1974. Para além dos seus interesses de carreira militar, a presença portuguesa nos campos de batalha na Europa suscitou os maiores exageros nas baixas. Por um lado devido à luta política interna, depois do levantamento militar que levou Sidónio Pais ao poder em Dezembro de 1917, quase ao mesmo tempo que partia para França o último contingente militar português, com por soldados do Infantaria n.º 17, de Elvas. Mas sobretudo porque depois de três batalhões nacionais acompanharem a ofensiva vitoriosa e participado com a bandeira portuguesa nos desfiles da consagração em Paris e Bruxelas, era importante apresentar muitas baixas, para obter maiores indemnizações a nível financeiro e de armamento na Conferência de Paz.

    'Ao contrário de hoje, na altura considerava-se que um maior número de mortos significava uma campanha mais heróica', observa a mestre em História, Isabel Marques, que acaba de publicar um desenvolvimento da sua tese com o título ‘Das Trincheiras, com Saudade'.

    HERÓI MILHAIS PASSOU A SER O 'MILHÕES'

    Do 9 de Abril de 1918, em La Lys ficou a memória de muitas histórias. Nos anos 30, início do Estado Novo, teve grande popularidade um sobrevivente da trágica batalha, o soldado Aníbal Augusto Milhais, trasmontano de Murça, a quem se atribuiu o feito de sozinho, numa trincheira, com uma metralhadora Lotz, desbaratar uma coluna de alemães que se deslocava de mota, e outras forças de forma a retardar o seu avanço e permitir o estabelecimento das linhas aliadas 30 km. Foi condecorado com a Torre Espada e até mudou de nome depois do seu chefe militar lhe dizer: 'Tu és Milhais, mas vales Milhões'. Da ficção é o ‘capitão Afonso’ do romance ‘A Filha do Capitão’, de José Rodrigues dos Santos. 'Na hora do ataque às 04h00 estava numa trincheira de la Lys a bebericar uma chávena de chá. Com o susto da tempestade de metralha explosiva quase o ia entornando', escreve o autor.

    DAS REVOLTAS AOS DESFILES DA VITÓRIA

    As forças portuguesas ficaram destroçadas pelo ataque alemão na madrugada de 9 de Abril de 1918 em La Lys. Cansados e desmoralizados, perante a ofensiva de quatro divisões alemãs, os nacionais opuseram frágil resistência. Segundo Isabel Marques Pestana, convidada oficial para falar amanhã, na Universidade de Lille, sobre a participação portuguesa na Guerra 14-18, o desastre deve-se a uma situação calamitosa. A partir de Dezembro de 1917 não se enviaram mais tropas para França nem se renderam as que lá estavam. Isso ficou patente em 18 revoltas. Ainda assim, a partir de Setembro de 1918 foi possível reconstituir três batalhões que participaram na ofensiva vitoriosa final e desfilaram com a bandeira portuguesa nas paradas do triunfo em Bruxelas e Paris.

    SARGENTO FERREIRO VIRA ARTISTA

    Um encontro fortuito, na frente da Flandres, com um médico de Aveiro que já o conhecia como o ‘Almeida de Coimbra’, ferreiro com talento, facilitou ao sargento Lourenço Chaves de Almeida, da Coluna de Transportes de Feridos n.º 1, o cultivo da sua arte em França. Começou por arranjar uma lança para o estandarte de um regimento e aproveitava as cápsulas das granadas e de outros projécteis para artesanato muito elogiado. Também reparou uma bengala ao general Tamagnini, comandante-chefe das forças portuguesas, dando-lhe uma grande alegria pela estima em que ele tinha o utensílio oferecido por Mouzinho de Albuquerque.

    Da batalha de La Lys recorda a confusão e que os ingleses lhe ficaram com um guarda-jóias feito na forja que improvisara em La Fosse. Estas e outras peripécias da presença portuguesa na guerra são contadas no livro ‘Memórias de um Ferreiro’ que Lourenço de Almeida escreveu antes de falecer em 1952, com 76 anos, e a vontade de um neto, Afonso Almeida, conseguiu que fosse publicado há menos de um mês com o apoio da Liga dos Combatentes.

    MINISTRO NA COMEMORAÇÃO

    Severiano Teixeira, ministro da Defesa Nacional, participa amanhã e depois em França nos actos dos 90 anos de La Lys.

    HOMENAGEM NO CEMITÉRIO

    O cemitério militar português de Riche-bourg é um dos locais da cerimónia que se alargam a La Couture e La Peylouse-St. Venant.

    398 MORTOS

    É o número mais exacto das perdas sofridas em La Lys.

    29 OFICIAIS

    Estão os mortos do 9 de Abril, alguns por suicídio.

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    in Correio da Manhã - 10 Abril 2008 - 00.30h
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    Comentários no CM on line
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    10 Abril 2008 - 08.18h | Américo Silva
    A não esquecer: Afonso Costa autocondecorou-se com a Torre e Espada, e Norton de Matos, um dos responsáveis pelo desastre,reaparceu depois, limpo e escarolado, contra Salazar.
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    NOTA de VN
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    Então e nos comentários não se fala do General de Caserna Gomes da Costa, herói da I Grande Guerra, chefe das tropas revoltosas que ajudaram a derrubar a I República e a implantar o fascismo e que logo no início foi afastado e desterrado? Bem, lá continua com a sua estátua em Braga. Essa não foi apeada como em Vila Franca de Xira não foi mudado o nome doutro «herói», Marechal Carmona, Presidente da «República» vitalício após o afastamento de Gomes da Costa. E depois ainda há quem diga que a II República, iniciada em 25 de Abril de 1974, não é «democrática» !
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    Já desisti de comentar no CM on line porque normalmente os meus «escritos» não passam no «crivo»
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    quinta-feira, 10 de abril de 2008

    Irene Papas in "Electra" (1962) (05/12)

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    theaglaukopis
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    Part 6:
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    Euripides: Electra (1962 - Irene Papas) Orestes revealed

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    ShakespeareAndMore
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    Irene Papas ... Elektra
    Giannis Fertis ... Orestis
    Notis Peryalis ... Elektra's Husband
    Takis Emmanuel ... Pylades
    Manos Katrakis ... The Tutor

    in Greek, with english subtitles

    Produced and directed by Mihalis Kakogiannis (Michael Cacoyannis)

    Original Music by Mikis Theodorakis
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    Euripides: Electra (1962 - Irene Papas) Aegisthus killed

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    ShakespeareAndMore
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    The Baccanates are at is as Aegisthus is killed, then the corpse is brought to Electra.

    Irene Papas ... Elektra
    Giannis Fertis ... Orestis
    Fivos Razi ... Aegisthus (as Phoebus Rhazis)
    Takis Emmanuel ... Pylades
    Manos Katrakis ... The Tutor

    in Greek, with english subtitles

    Produced and directed by Mihalis Kakogiannis (Michael Cacoyannis)




    Original Music by Mikis Theodorakis

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    "Antigone" (1961 Film) With Irene Papas: sealed in a Cave

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    ShakespeareAndMore
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    from the play by Sophocles

    Irene Papas ... Antigone
    Manos Katrakis ... Creon

    Director:
    Yorgos Javellas (George Tzavellas)

    in Greek with English subtitles


    Much of Antigone's humanity comes thru in this scene, though more by Papas' acting than the words. Antigone clearly does want to live, and laments her impending death. Missing from this filmed except are the famous (or infamous, around line 1000) comments where she provides rather unconvincing reasons for her actions, and furthur confesses that she would not do all this over the body of a husband or son--repudiating her earlier stance. Some scholars have argued that this passage isn't authentic, but their reasons are rather subjective, and no less an authority than Aristotle quoted them and gave no hint that they may be spurious.


    In any case, her actions and words are those of a young woman, filled the certainty and righteousness of youth (Oscar Wilde "I am not young enough to know everything") who, moreover, has not experienced a husband or a child. Antigone is closer to her dead family than anyone living anyway. She is in a rather disraught state now, but like any fine Greek, has to find reasons. But her "reasons" were always more emotional, or to be more exact, pre-rational, anyway. In her cross-examination by Creon (lines 550-570 or so), he zeros in quite effectively on her "reasonings" and she has to retreat into dogma.

    Remember that at no time does Tiresias say her stance is correct, and the proper burial of her brother would have taken place without her intervention.
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    Zorba the Greek - trailer - Ζορμπάς

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    NeptuneIndustry
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    Zorba the Greek enjoys life and shows how proud he is to be Greek! Memoirs from Kazantzakis' writings show how Greek he was despite others who say he wasn't. There is a reason why the movie is called "Zorba The Greek" and why his character in the original novel is a Greek.

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    Wiki info about the movie:
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    Zorba the Greek (originally titled Alexis Zorbas) is a 1964 film based on the novel Zorba the Greek by Nikos Kazantzakis. The film was directed by Michael Cacoyannis and the title character was played by Anthony Quinn--who was not Greek but in fact Irish Mexican. The supporting cast included Alan Bates as a visiting Englishman. The theme, "Sirtaki" by Mikis Theodorakis, has become famous and popular as a song and as a dance (especially at parties).

    The movie was shot on location on the Greek island of Crete. Specific places featured include the town of Chania, the Apokoronas region and the Akrotiri peninsula. The famous scene, in which Quinn's character dances the Sirtaki, was shot on the beach of the village of Stavros.

    The movie won three Academy Awards. Lila Kedrova won the Oscar for Best Supporting Actress, Vassilis Fotopoulos won the Oscar for Best Art Direction in black-and-white set decoration, and Walter Lassally won the Oscar for Best Cinematography in black-and-white. Lassally's Oscar is shown in Tavern Christiana in Stavros.

    Quinn received the nomination for Best Leading Actor in a leading role and Michael Cacoyannis received three nominations for Best Picture, Best Director, and Best Writing, and Screenplay Based on Material from Another Medium.

    The film was almost nominated for Best Supporting Actor for actor Sotiris Moustakas, but was rejected due to his limited screen time. In Greece, the actor is praised for his performance as the town fool.
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    Zorba - "life is trouble, only death is not"

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    gherasealex
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    Zorba the Greek - Irene Papas

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    EllinikiKardia
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    Zorba the Greek 1964. The great Irene Papas is the widow looking for her goat. Giorgos Foundas is smoking in the cafe. Alan Bates offers his umbrella to Irene and Anthony Quinn is sitting outside with him. Walter Lassally won the Oscar for the cinematography. Mikis Theodorakis wrote the music and Michael Cacoyannis directed. Based on a novel by Nikos Kazantzakis. Shot on the island of Crete.
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