Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 11 de maio de 2015

"Grito" de Amália por Gonçalo Salgueiro



Enviado por MadameBateflay em 05/02/2008
Gonçalo Salgueiro é uma belíssima voz no Fado, ele canta este poema de Amália como ainda não ouvi ninguém que se lhe compare. Comprovem!

GRITO

Silêncio!
Do silêncio faço um grito
O corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco.

De sombra a sombra
Há um Céu...tão recolhido...
De sombra a sombra
Já lhe perdi o sentido.

Ao céu!
Aqui me falta a luz
Aqui me falta uma estrela
Chora-se mais
Quando se vive atrás dela.

E eu,
A quem o céu esqueceu
Sou a que o mundo perdeu
Só choro agora
Que quem morre já não chora.

Solidão!
Que nem mesmo essa é inteira...
Há sempre uma companheira
Uma profunda amargura.

Ai, solidão
Quem fora escorpião
Ai! solidão
E se mordera a cabeça!

Adeus
Já fui para além da vida
Do que já fui tenho sede
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.

Adeus,
Vida que tanto duras
Vem morte que tanto tardas
Ai, como dói
A solidão quase loucura.

terça-feira, 24 de março de 2015

HISTÓRIA DA CIDADE DE LUANDA



Foi a história que fez de Luanda aquilo que ela é hoje e se todas as Historias têm um começo, esta tem as suas raízes num solo quente, fértil e belo.

Luanda começou por ser um pedaço de terra que cabia no sonho de uma caravela. Depois, cresceu com a imaginação dos homens que nela viveram e por ela lutaram e as páginas da sua história estão repletas de episódios e Figuras que construirão ruas, jardins, monumentos e igrejas, a que por vezes emprestarão seu nome.
Banhada pela baía, ergue-se majestosa a bela
cidade de Luanda, cidade sensual e verdadeira
manta de retalhos composta por etnias.
Outrora terra do rei do Congo, onde se extraem búzios chamados zimbos, a sua fundação teve início em Fevereiro de 1575, quando o português Paulo Dia de Novais se estabeleceu na ilha frente a baia de Luanda. Fundada a há mais de quatro séculos. Segundo a interpretação etimológica, apalavra Luanda ou Luwanda, na grafia de língua Kimbundo, significa “tributo”.
Luanda é uma cidade que foi inventada a si própria. Corpo vivo de um mistério passado nasceu da vontade dos homens que sonharam com olhos abertos com feitos grandiosos de conquistas ou libertação. O forte atracão exercida pela cidade, onde vivam reis e escravos pescadores e marinheiros, aventureiros e missionários, locais e europeus, revelou-se desde o início da sua história. Primeira capitania, depôs vila e mas tarde cidade, as paginas da historias de Luanda foram se escrevendo por muitas mãos. Cidade vasta e panorâmica, edificada em forma de anfiteatro, Luanda caracteriza-se por justaposição do
modelo autóctone local e o modelo metropolitano dos colonizadores. A combinação de todas estas construções, antigas e modernas, foram dando a cidade um aspecto característico e próprio, nas duas partes bem distintas que organizavam a cidade: a cidade alta e a cidade baixa.


Foi em 1575, quase um século depôs do navegador português Diogo Cão ter assinalado com os seus padrões toda a costa de Angola, entre 1482 e 1486 e do Zaire do Cabo Negro, que Paulo dia de Novais, futuro Capitão-Mor das conquistas do reino de Angola, desembarcou na ilha de Luanda. Habilitado com a carta donatária de 19 de Setembro de 1571, de EI-Rei D. Sebastião, que o instituía como primeiro Governador e conquistador do reino de Angola, Paulo dia de Novais, partira de Lisboa, em 23 de Outubro de 1574, em sete navio com a armada que o acompanhava. Chegou a ilha de Luanda a 11 de Fevereiro de 1575, com seca de 700 pessoas, 350 das quais, homens de armas, padres mercadores e servidores, estabelecendo o primeiro núcleo de portugueses, disposto a efectuarem a conquista temporal e espiritual da terra.

 

Aqui encontrou, além de alguns compatriotas, muita gente que nela vivia, no dizer dos cronistas, “ muito bem-dispostos ao cristianismo”, Um ano depois, reconhecer que a ilha era pequena e por isso não constituir “ o Lugar acomodado ideal para a capital da conquista”, Paulo Dias de Novas avançou para terra firme e fundou, no porto que se localizava em frente da ilha, a vila de são Paulo de Luanda. 

Logo de seguida lançou a primeira pedra para a edificação da igreja de São Sebastião, por ordem expressas do rei D. Sebastião e Criou os cargos e ofícios necessário ao governo da nova colónia. Fundação da capitania a apropriação pelos portugueses de espaços destinados a militares, religiosos e traficantes, com a finalidade de assegurar a sua autonomia especial e politica, os núcleos costeiros tenham como função estratégica primordial proteger as operações comercias ligadas ao tráfico negreiro.


O novo burgo Limitava-se ao largo da feira, actual praça do palácio, onde os jesuítas do Séquito de Paulo Dias de Novais desde logo edificaram a sua Igreja, as construções do Monte de São Paulo e a algum casario da praia, locas preferidos pelo primeiros colonos, conquistadores e antigos mareantes. A sua população constituída pela comitiva de Paulo Dias de Novais e da qual faziam parte também sapateiros, alfaiates, pedreiros, cabouqueiros, taipeiros, um físico e um barbeiro, sentiu dificuldades de adaptação devido a inclemência do clima e a carência de condições favoráveis para sua fixação.

Assim, 1621 e decorridos 45 anos, a população era ainda limitada acerca de «400 vizinhos», conforme carta de Garcia Mendes Castelo Branco, esta situação mereceu sempre o maior cuidado e interesse do estado e em 1657, a Rainha D. Leonor ordenou o embarque para Luanda de 15 Mulheres convertidas da casa pia de Lisboa, a fim de casarem com pessoas beneméritas.

A uma primeira fase, de persistência da histórica e tradicional ocupação costeira com lenta e fragmentada penetração para o interior, fruto de iniciativas pontuais, de tipo Proto Urbano, sucedeu-se uma segunda instrução assente nas povoações comerciais. A estrutura inspirava-se no modelo tradicional da cidade portuguesa da expansão, numa implantação litoral, em baía resguardada, com carácter basicamente defensivo e comercial.

Durante este tempo, as condições económicas dos habitantes da capitania dependiam, quase exclusivamente do comércio de escravos, isenta
das sanções do direito e da moral, proporcionava aos habitantes avultados lucros e um elevado nível de vida. Apenas a construção de igrejas na parte alta da cidade, como a igreja da misericórdia, 1576; a Sé Episcopal, em1583, a igreja dos jesuítas, em 1593; O convento de S. José, em 1604; do palácio do governadores, em 1607 e da casa da comera, em 1623, contrariam afirmação de que a cidade pouco beneficiou dessa época de opulência.


O século XVII foi decisivo para a afirmação de Luanda como ponto estratégico no comércio entre África, Europa e América. As disputas territoriais pelas terras africanas envolviam Países económica e militarmente mas forte que Portugal, como a França, Inglaterra e Alemanha, o que constituía motivo de grande preocupação para um domínio mas eficaz do terreno conquistado. As primeiras perturbações acusadas pelas investidas holandesas tiveram lugar em 1624 e em 1633. Armam-se em Luanda 5 navios de guerra para combater as naus que ameaçavam o comércio em Benguela. Em 24 de Agosto de 1641, apareceu na baía a grande armada, sob o comando do almirante Pedro Houtbeen. Alarmados, o povo e o governo abandonaram a cidade, que caiu em poder dos holandeses. Salvador Correia de Sá e Benevides, que tinha realizado no Brasil uma notável obra de Governação, quer em terra ou em mar, foi encarregado pelo rei D. João IV de promover a restauração de Angola. Acompanhado de 1200 homens de armas de uma frota de 12 navios, faz-se ao mar em 12 de Maio de 1648, fundeando em 12 de Agosto na baía de Quicombo.


A inclemência do mar faz perder uma nau com 300 homens, mas mesmo sem eles, Salvador Correia de Sá chegou a baía de Luanda, perante admiração do Holandeses, convencidos tratar-se apenas de simples guarda avançada de uma grande esquadra. Apressadamente se refugiaram na fortaleza S. Miguel, mas após o desembarque feito na manha seguinte, a 15 de Agosto e em assalto bem conduzido, o inimigo rendeu-se dominado por menos metade dos homens portugueses. O nome da cidade foi mudado após a sua reconquista passando a designar-se São Paulo de Assunção de Loanda, em homenagem a virgem, por ser aquele o dia da sua assunção.


À sua volta foi crescendo e irradiando a vila, que mas tarde ganharia o contorno e o estatuto de cidade tendo-se iniciado um período onde são notáveis os esforços para a restauração do que avia sido destruído pela invasão holandesa, algumas edificações da época, como as fortaleza de S. Miguel, do penedo se Santa Cruz, varias igrejas algumas já desaparecidas, os conventos dos jesuítas dos Terceiros Franciscanos, O Hospital da Misericórdia e casario diversos, principalmente na baixa de Luanda, foram assim restaurados.

Em 1662, Luanda foi elevada á condição da cidade, tendo os seus moradores privilegio iguais aos cidadãos do porto, em reconhecimento do papel decisivo dos seus habitantes na reconquista de Angola por Alves Régios de 28 de Setembro e 9 de Dezembro de 1662, foram concedidos aos oficias da câmara a cidade Luanda e seus moradores os mesmos privilégio dos cidadãos da cidade do porto. E se 16621 documentos da época referiam “ 400 vizinhos” a Luanda, em 1800 essa população era calculada em mas de 6 mil habitantes. 


O aumento da população de Luanda e o crescimento da rede comercial encontravam-se em estreita relação. O volume de exportações de alfândega de Luanda representava cerca de um quarto do valor total das colónias, sendo as principais mercadorias o café, algodão, couro, arroz e cera. O trabalho de restauração levado a cabo prolongou-se cerca de 100 anos entre as maiores dificuldades, como enfermidades, inércia e maus hábitos, entre as construções mas notáveis do fim do mesmo século, existe ainda muito bem conservadas, a Igreja da Nossa Senhora de Nazaré, que o governador André Vidal de Negreiros iniciou em 1644; a igreja dos Carmelitas, de 1663 e ainda a fortaleza de São Miguel, co recinto fechado, de terra batida e alvenaria. Datam do século XVIII o acabamento da fortaleza de S. Pedro da Barra, de S. Francisco, no antigo lugar do forte do penedo e de outras obras de vulto como o quartel de infantaria (1754), agora demolido, o palácio do Governo (1761), o terreiro público (1771). 

A situação apenas se modificou em 1764, quando ascendeu à suprema magistratura de Angola um dos mas qualificados representantes da administração pombalina, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho. Ficou para a história com a glória de ter determinado e levado a cabo alguns dos mais belos edifícios da cidade, como a fortaleza de S. Francisco do Penedo ao fim de quase dois séculos contados.

Ao fim de quase dois séculos contados desde a sua fundação, mercê das lutas de extermínio travadas com os holandeses, da incompreensão dos homens e do resultado do descalabro Financeiro da província, Luanda tinha uma escassa população que mal se desenvolvia e apresentava-se muito aquém do alto destino a que podia aspirar, pelas suas excepcionais condições naturais e económicas. Duas partes bem distintas organizavam a cidade: a cidade alta e a cidade baixa. 



A separação entre duas cidades era marcada por um penhasco de desnível acentuado. Na cidade alta estavam estalados os principais representantes militares, civis e religiosos, como a fortaleza de S. Miguel o palácio dos governadores ou tribunal e junto a fazenda Real ou o hospital D. Maira Pia. A cidade baixa totalmente comercial, era organizado em Largos, praças e terreiros. Os comerciantes de marfim, cera tecidos, doçarias e vinhos reinavam em todas as classes. Os homens de negócios eram fazendeiros no sertão e fazendários no serrão e proprietários de extensas plantações de café, mandioca e cana-de-açúcar.

Durante centenas de ano Angola assistiu a saída forçada para o Brasil de milhares de seus naturais. O negócio da escravatura era de tal forma rentável que o estado tinha nele o seu principal esteio financeiro. Poucas eram porém as casas da cidade ainda nos meios do século XIX. As construções mas importantes desse período são o mercado da quitanda (1818), o primeiro cemitério (1806) e, já no fim do século, o hospital D. Maria Pia, notável ainda hoje pelo seu plano e grandezas e que as obras de vulto de anos recentes melhoram consideravelmente. O aumento da população e o desenvolvimento da cidade foram, como é natural, os principais factores do seu engrandecimento em Janeiro de 1800 a população era já de 6500 almas.


As características da urbanização de Luanda foram tomando aspectos diferentes, conforme a civilização e os conhecimentos de cada época. Ate meados do século XVIII a urbanização ficou subordinada as razões de ordem políticas, económica e geográficas após esta época aperfeiçoam-se as práticas urbanísticas como resultado da expansão colonial. Entraram em função outros factores urbanos, com o saneamento e a estética, melhoram-se os meios decisivos colónias e o abastecimento e distribuição de alimentos.


No século XIX produziram-se extraordinárias mutações no destino de Angola. Durante Muito Tempo, a economia de Luanda girou entorno de comércio de escravo e da exploração de marfim, perfil este que foi alterado com a conquista de novas terras no interior com a construção do caminho-de-ferro ate Malange, abrindo novas possibilidades para o comércio. Com abolição do comércio de escravatura, a necessidade de reformular os processos comercias, a estrutura económica e social e as tendências humanitárias impuseram-se. A terra foi habitada por gente déspotas a fixar raízes profundas no solo Angolano, para promoção do progresso e da civilização. No segundo quartel do século XIX, a urbanização de Luanda avançou mas um grande passo e conheceu o progresso urbano.


Entre os meados do século XIX para o século XX, melhoram todas as vias de acesso a cidade, tal como a pavimentação das ruas e qualidades de edificações. A tudo isto não foi alheio o contributo imensurável dos caminhos-de-ferro, determinantes no desenvolvimento desta província.


Entre os anos 30 e 70, Luanda não mas parou de se desenvolver, multiplicando pontos de referência. A esse grande crescimento da área urbanizada seguiu-se um período de estagnação logo a independência, ao contrário da área suburbana da capital que cresceu para mas do triplo da dimensão de 60 sec. XX, a cidade conheceu ma explosão demográfica e em pouco mais de 10 anos atingiu a cerca de 880 mil Habitantes e actualmente conta com aproximadamente oito milhões de Habitantes: no século XX, Luanda experimentou duas situações bem distintas: a prosperidade e a estagnação.

Se em meado da década de 1960 a cidade era uma das mas belas e desenvolvidas do continente Africano, após a independência e a sangrenta guerra civil, a situação mudou radicalmente. Com o fim da guerra, no início de 2002, Até hoje, Luanda buscou retomar o caminho do progresso e do desenvolvimento. 

http://www.gpl.gv.ao/publica/HistoriaDeLuanda.aspx

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

escolher o cartão de memória certo é essencial!!

Algumas coisas são simples. Outras são óbvias. Por vezes o simples e o óbvio estão juntos e nem por isso conseguimos enxergar... Sou usuário de câmeras digitais praticamente desde o seu surgimento. Os mais “vividos” vão se lembrar de certa marca muito famosa que inovou absurdamente ao lançar uma câmera digital que gravava as fotos em disquetes de 3 ½ polegadas!!! Era o objeto de desejo à sua época!! Hoje ao contar isso parece uma piada. Afinal os cartões de memória hoje são infinitamente melhores, mais confiáveis, imensa quantidade de espaço, etc.

Mas na hora de comprar um cartão de memória, todos eles são iguais. O que importa é a capacidade apenas. Certo? Errado! Claro que a capacidade é muito importante. Afinal a quantidade de Gigabytes que o cartão de memória tem impacta diretamente na quantidade de fotos que o consumidor pode tirar e nos minutos de vídeo que ele pode registrar, seja em sua câmera (que também filma) ou em uma filmadora digital.

Há cartões de diversos formatos e capacidades. Atualmente são usados SDmicro SD eCompact Flash. Este último é o formato mais antigo e de maior tamanho, mas apesar de parecer anacrônico ele evoluiu muito em capacidade (128 GB) e velocidade. Ainda é usado por vários tipos de câmeras, principalmente profissionais. Em seguida surgiu o formato SD, menor e não por isso com muito menos capacidade, há versões também de 128 GB. Por fim, para atender a demanda do mercado de smartphones e Tablets, veio o microSD com versões até 64 GB. Chegou a existir um formato intermediário chamado mini SD, mas que não teve grande aceitação uma vez que o micro SD o substituiu com todas as vantagens.


 
figura 1 – Os vários tipos de cartões de memória

Uso profissional e pessoal

O conhecido fabricante Sandisk, uma das empresas líderes deste mercado organizou um workshop apresentado pelo fotógrafo profissional Caio Guatelli para discorrer sobre os usos de cartão de memória. Em função de sua profissão ele usa sofisticadas máquinas e de uma forma bastante interessante. Ao registrar uma foto uma câmera comum grava um arquivo do tipo JPG o qual comprime a imagem. Fotógrafos profissionais têm como requisito armazenar a imagem “pura”, sem compressão alguma (formato RAW). E estas câmeras profissionais ao gerar arquivos com resoluções altas (15 ou mais megapixels) usam bastante espaço para cada foto (entre 20 e 25 MB).

Mas a demanda extraordinária desses profissionais não acaba aí. É bastante comum tirar um monte de fotos em sequência, entre 12 e 14 por segundo, visando capturar diversos momentos e cenas para escolher dentre dezenas a melhor. Por isso este tipo de profissional precisa de cartões de memória de grande capacidade e alta velocidade de gravação. Por isso este tipo de câmera usa habitualmente cartões do tipo Compact Flash do tipo Extreme Pro (o mais sofisticado) que tem 128 GB de capacidade e velocidade de 100 MB/s (comparável à velocidade de um disco rígido de computador).

 

figura 2 – Compact Flash Extreme Pro de 128 GB – o mais sofisticado que existe

Claro que nem todas as pessoas tem este tipo de necessidade. Por isso mesmo há cartões Compact Flash mais “modestos” nas especificações. Mas o que é mesmo notável é o progresso das características do outro tipo de dispositivo de memória, os cartões SD. Até pouco tempo eles não chegavam perto das características dos Compact Flash. Atualmente a Sandisk tem 5 linhas distintas de SDs que têm capacidades, velocidades e preços diferentes. Isto está ilustrado na figura 3.


figura 3 – Os vários tipos de cartões de memória SD
Explicando melhor cada família destes cartões de memória:

SD Extreme Pro, capacidades entre 8 GB a 64 GB e velocidade de 95 MB/s
SD Extreme, capacidades entre 4 GB a 128 GB e velocidades entre 30 e 45 MB/s

SD Ultra, capacidades  entre 4 GB a 64 GB e velocidades ente 15 e 30 MB/s
SD Regular, capacidades entre 2 GB a 64 GB e velocidades entre 2 a 10 MB/s 
SD Eye Fi, com WiFi embutido para transferir os dados imediatamente (mais lento)

Mas como escolher entre cada um desses?? Acho que os extremos são fáceis de definir. Sabe aquele porta retrato digital que você tem, que lê uma foto a cada 3 ou 4 segundos? Com certeza o SD mais simples e mais barato (o azul) é mais que suficiente para este tipo de aplicação!! Por outro lado, precisa de máxima capacidade (128 GB) com boa velocidade? O Extreme é o que tem esta característica. Vai tirar várias fotos em seguida? Com certeza não como o fotógrafo profissional, mas várias câmeras mais simples e até mesmo “de bolso” permitem tirar várias fotos por segundo para que a melhor seja escolhida. Assim um cartão rápido também é necessário.


Vou dar outro exemplo. Eu tenho uma filmadora que registra as imagens em resolução Full HD (1920x1080). Há 4 modos de qualidade (cada um deles gasta mais espaço no cartão e requer mais velocidade de gravação). Empiricamente eu descobri que os dois modos de mais qualidade geram arquivos iguais!! Isso me deixou bem confuso. Achei em fóruns de discussão a resposta. Como o meu cartão SD não tem capacidade de gravar o volume de dados por segundo na melhor qualidade, a câmera para não gerar “soluços” ou “pulos” no vídeo, automaticamente muda para o nível anterior. Esperto!! Mas somente com um cartão do tipo Extreme ou Extreme Pro conseguirei extrair o máximo de minha ótima filmadora!!

E preciso confessar que até então eu não dava muita atenção às diferenças entre os cartões de memória. Ao andar nos corredores de uma loja eu olhava principalmente preço e capacidade. São atributos importantes, mas não são suficientes para uma escolha correta.

Colocando ordem na nomenclatura usada pelos fabricantes de cartões de memória atualmente são chamados apenas de SD os produtos de até 2 GB. Ganha o nome de SDHC cartões entre 4 e 32 GB) e SDXC entre 32 GB  até 1 TB.  Também é importante citar que para aplicações de vídeo é usada uma convenção de “classe” (que tem a ver com velocidade) sendo os “classe 10” os que começam a ser apropriados para este tipo de aplicação (gravar em alta definição).

O terceiro tipo de cartão são os do tipo micro SD. É impressionante o grau de miniaturização. Até devemos ter cuidado para que não sejam perdidos, pois são menores que a unha de um dedo mindinho de uma criança. São os utilizados em smartphones, menos comuns em máquinas fotográficas ou filmadoras, mas há um ou outro modelo que os utiliza. Um bom cartão micro SD pode fazer diferença no desempenho de um smartphone, principalmente no tempo de carga de aplicativos, alternância entre programas e até mesmo na gravação de fotos e vídeos.

Micro SD Ultra, capacidades entre 4 GB e 64 GB e velocidade entre 10 a 15 MB/s

Micro SD Extreme, capacidades entre 8 GB e  a 16 GB e velocidade entre  15 e 30 MB/s
Micro SD Regular, capacidades entre 2 e 32 GB e velocidades entre 2 e 10 MB/s

figura 4 – exemplos de cartões micro SD Extreme Pro e Ultra


O que nem todos sabem é que se usa muito um adaptador de micro SD para SD. Alguns produtos ao serem comprados trazem consigo o tal adaptador ou podem ser comprados à parte. Ter um destes adaptadores é sempre uma boa ideia. Os PCs e notebooks têm leitores de SD, mas poucas vezes conseguem ler micro SD. Assim um cartão de memória pode ser montado em um notebook para recuperar fotos e gerenciar o seu conteúdo. Também gosto da ideia do adaptador, pois dá flexibilidade ao permitir o uso da mesma memória em dispositivos diferentes. Um exemplo do adaptador pode ser visto na figura 5.

 
figura 5 – adaptador de micro SD para SD



A despeito dos tão falados atributos como tamanho, capacidade e velocidade de cada um destes tipos de cartão de memória, existem outras características importantes. O produto tem que ser robusto e resistente. Eu já perdi um cartão SD de marca “genérica” porque após uma queda (de cima de uma mesa). Ele desmontou e por mais que eu o remontasse ele não funcionou mais. A Sandisk divulgou que seus produtos são construídos para serem usados em condições extremas. Aceita temperaturas entre -25C até 85C (frio ou calor extremo), são a prova de água, resistindo 72 horas dentro até 1m de profundidade. Estas são condições referência, mas há relatos de cartões que resistiram por semanas em local ainda mais profundo antes de serem recuperados, secos e utilizados. 

Tive a oportunidade de fazer uma prova disso. Deixei um cartão SD dentro da um aquário cheio de gelo por alguns minutos. Bastou secá-lo e voltar a utilizá-lo na máquina fotográfica. Também aceitou queda de 2 metros de altura. São garantidos contra vibrações e impactos de até 5 metros.

A empresa Sandisk tem 25 anos de vida. Conta com mais de 4400 patentes e vendeu mais de 1 bilhão de cartões nos últimos 10 anos. Também inventou o formato Compact Flash e micro SD e participou da criação do formato SD em conjunto com outras empresas.

Cada fabricante agrega ou não alguns softwares aos seus produtos. A Sandisk inclui nos cartões Extreme e Pro o Rescue Pro ou Rescue Pro Deluxe. Estes são capazes de realizar a recuperação de arquivos do cartão, apagados, formatados, etc. Afinal acidentes acontecem. O software também pode ser comprado direto do fabricante caso o cliente deseje (US$ 59 pela licença de 1 ano).

Conclusão

A Sandisk primeiro chamou minha atenção tempos atrás por conta de seus pendrives (que nem foram objeto deste texto), também disponíveis em diferentes capacidades e também com interface USB 3.0 (bem rápidos). Mas os cartões de memória, que antes eram para mim apenas pequenos receptáculos de plástico com um punhado de chips, revelaram-se bem mais abrangentes!! Por causa das diferenças de velocidade eu consegui entender o porquê de minha câmara de vídeo não estar operando na máxima qualidade. Da mesma forma de nada adianta gastar muito com um cartão de memória que será usado em um porta-retratos digital ou em um tocador de MP3.

O cartão de memória correto faz a diferença para o fotógrafo profissional, que tira dezenas de fotos em poucos segundos, bem como para o consumidor comum que quer registrar rapidamente uma foto para já poder tirar outra. Não existe nada mais irritante do que perder a oportunidade e tirar uma foto porque a anterior demorou em ser gravada. Não deve ser repetido o meu erro de apenas olhar preço e capacidade. É bem mais do que isso!!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Pensamento científico do Missionário António Barroso

PORTAL DO UÍGE E DA CULTURA KONGO

Publicado por Muana Damba activado 30 Octubre 2013, 12:47pm
Por Dr. José Carlos de Oliveira


Jose Carlos de Oliveira l
 
Contam ainda hoje os indígenas, que o Nisoio querendo convencer o seu parente e suzerano de que devia abraçar o christianismo, lhe dissera que os novos Nganga a Nzambi, tinham o poder de tornar novos os que mesmo muito velhos recebessem o baptismo.
   
Acerca desta eterna vontade do homem desejar reconquistar a sua plenitude masculina, o grande Goethe abordou magistralmente a figura de Fausto que no afã de superar os conhecimentos de sua época, evocou espíritos e, por fim, Mefistófeles, o demónio com o qual negociou a sua vida para viver por artes mágicas, vinte e quatro anos sem envelhecer.
 
Na língua Kongo o terno Nganga traduz-se literalmente por mágico, porém os kongo para os distinguirem dos seus mágicos deram-lhes o nome de Nganga a Nzambi25, mágicos de Deus. Torna-se claro que um sacerdote cristão não queria, e não quer, ser intitulado por mágico. O que estou a afirmar, é como os kongo os entendiam. Repare-se num termo muito comum entre nós para designar uma coisa que não presta: bugiganga, pois não é outra coisa senão a corruptela Bougie Nganga; é uma mistura do francês bougie e do Kikongo nganga. Ora bougie era na circunstância uma espécie de ”lâmpada mágica de Aladino” usada pelos missionários católicos e protestantes, para impressionarem os nativos. Esta era uma luta de titãs, a batalha dos deuses. Podiam os “psiquiatras Kongo” tremer sempre que viam aparecer “o branco de saias”. Com o tempo, foram percebendo que os brancos, em geral, não duravam muito. Podiam invocar os seus espíritos e até reencarnar neles, mas por pouco tempo, e mais, nem as sepulturas ficavam para assinalar a sua presença. Depois os Kinganga, ou aqueles que falavam em nome dos antepassados notáveis, seriam novamente ouvidos pelos soba, muata, mfumu (diversos títulos de chefe).Era só uma questão de tempo…
 
Por muito que esta verdade nos custe (a nós portugueses) foi este o estado em que Faria Leal, (tal como o missionário Barroso) encontrou as ruínas da mais significativa (e 1ª) igreja erigida pela igreja católica na África Ocidental.
 
 
  
  Ruínas da Sé Catedral NKULU MBIMBI no dizer dos Kongos e erigida pela igreja católica em finais doSec.XV
                               (fotografia do álbum da família Faria Leal.)
 
Ao ler e reler algumas considerações de Faria Leal, nada abonatórias, sobre a obra dos missionários católicos no reino do Kongo, tive dificuldade no seu encadeamento, em que parte do artigo as enquadrar, passei inclusive pela incerteza se devia mencioná-las ou não. Parece-me que o melhor é transcrever alguns segmentos dos registos de Faria Leal por uma razão muito simples: fazem parte de dados históricos da opinião do Residente Faria Leal, e porque se referem a informações muito relevantes sobre a igreja de Santa Cruz mais tarde elevada a Sé Catedral, denominada em língua Kongo Nkulu Mbimbi.
 
“Foi no reinado de D.João II, poucos anos depois da descoberta do Congo por Diogo Cam, que começou a propaganda religiosa no reino do Congo, sendo Gonçalo de Sousa, quem, em 3 de Maio de 1491, lançou a pedra fundamental da igreja de Santa Cruz em Embasse, hoje São Salvador do Congo, elevada a Sé Catedral em 1534 (fotografia das ruínas da Sé)…De toda a propaganda religiosa que seguiu esta instalação se apagaram todos os vestígios morais…O vetusto arco da Sé foi respeitado por imposição nossa, quando o superior da missão católica, cónego Sebastião José Alves, o quis também demolir para lhe aproveitar a pedra.
 
 
 
  A mesma Igreja já devidamente restaurada em 1896. (Fotografia da família F. Leal)
 
De uma coisa estou certo: os valores morais a que nos encontramos vinculados, quando somos confrontados com a nossa miséria humana a breve trecho e perante tantas amarguras facilmente se desvanecem.
 
E naqueles tempos? Tempos em que esta gente deixava a terra natal, os confortos da civilização, atravessava mares e florestas, internava-se no sertão, convivia com as populações, a que chamavam de “selvagens”, (e ao fim de alguns anos pouca diferença faziam desses “selvagens”). Tudo o que queriam era construir uma capela, seguida de uma escola, depois a enfermaria e, mais tarde, uma oficina.
 
O isolamento levava inexoravelmente à degradação da saúde mental e física, consequentemente, à depravação dos valores morais. A noção de auxiliar, a troco de nada, em breve, se esvaía no embrutecimento que ia tomando conta de muitos dos missionários.
 
Finalmente mais uma breve nota dos registos históricos de Faria Leal:
 
“O esforço e o zelo dos missionários levantou na capital do Congo e em nome de Deus os seguintes templos, cujas ruínas nos são hoje marcadas entre grandes hervas por alguns comoros pouco elevados, exceptuando a antiga Sé, que conserva alguns pedaços de muros levantados e um arco da capela-mor em estado de segurança. Existiam em S. Salvador os seguintes templos, cujas ruínas visitou antes das ultimas guerras do Congo, o sr, Alfredo Sarmento em 1856: Santa Sé Apostólica, S. Miguel, Nossa Senhora da Conceição, S. Tiago, Vera Cruz, Nossa Senhora do Rosário, S. João Baptista, S. José, Espírito Santo e as igrejas dos jesuítas, do convento dos capuchinhos e da santa casa da Misericórdia…nas imediações de S. Salvador existiam umas sete paróchias do que hoje não aparecem vestígios alguns".
 
Perguntar-se-á: que utilidade teriam tantas igrejas e paróquias? Vejamos o que disse a certa altura, acerca da escravatura, António Barroso na comunicação à Sociedade de Geografia de Lisboa durante a sessão de 7 de Março de 1889.
 
 
 
  A nova casa dos missionários católicos em Banza Kongo, 1896
 
“os missionários pregariam, sem dúvida, que os homens eram irmãos, que foram remidos todos no sacrifício cruento do Calvário; tratariam com carinho e bondade os seus subditos, como o indica ainda hoje o facto de povoações que pertenceram aos missionários, nas quaes os pretos dizem sem rebuço que eram escravos dos mesmos, notando-se que a maior offensa que se pode dirigir a um congo é apellidá-lo assim “…Os portugueses não inventaram a escravatura, que é muito anterior a elles, apesar de que já alguém lhes importou esse crime; exerceram-na porém como todos os povos europeus, e quiçá com mais brandura que alguns. As leis admittiam este aleijão social, os costumes não se irrritavam, e um traficante de carne humana passa por tão honrado, o que vergava aos excessos da fadiga e trabalho para ganhar o pão de todos os dias…Durante anos foi o comércio de homens quasi o único que tivemos com o Congo. Se exceptuarmos algumas esteiras vindas de Macuta, e mabellas, com pouco marfim, todo o comércio era alimentado à custa da despopulação do paiz”.
 
Estas são algumas verdades que só um missionário da grandeza de António Barroso seria capaz de escrever. Quando embarcou para Angola, levava consigo informações absolutamente secretas, salvo para um grupo muito restrito que viria a encontrar em S. Salvador do Kongo. Admito até que tivesse de haver uma saudação, por sinais, para se reconhecerem. Mais á frente, abordarei ao de leve esta importantíssima questão. Assim, o missionário Barroso estava de sobremaneira inteirado da complexa vida que ia levar. A sua missão era indiscutivelmente politico-religiosa. Já se tinha inteirado dos preliminares da cultura tradicional Bantu. Como superior das missões no Kongo foi informado do tipo de missionários ingleses que iria encontrar e do sigiloso pacto que iria ter de executar. Como nota interessante repare-se como trata o secretário perpétuo da Sociedade de Geografia por “meu amigo”.
 
“Seja pois, o meu bom amigo o interprete dos nossos sentimentos, perante a benemérita Sociedade, e que ela aceite, como preito de profundo reconhecimento, o humilde trabalho do menos prestimoso dos seus sócios"
Lisboa Março de 1889,
Padre António José de Sousa Barroso
 
Era bispo de Angola e Congo, D. José Sebastião Neto, quando se efectivou a Conferência de Bruxelas (1876) resultante de uma associação da “Associação Internacional Africana” criada por Leopoldo II da Bélgica com aparentes ambições humanitárias para a África central e para as quais convidara quarenta peritos escolhidos pelos seus conhecimentos científicos ou por suas conexões com a alta finança.
 
Este acontecimento de enorme projecção para a África Ocidental, resultou numa mudança de paradigma para as populações da bacia do Zaire. A abertura à navegação e ao comércio de toda a bacia hidrográfica do rio Zaire resultou em benefícios, para uns, e prejuízos para outros. A dita conferência foi o prenúncio de um grave risco para a influência dos portugueses na zona. Que poderia fazer a diplomacia portuguesa perante acontecimentos de tal magnitude? Quem iria defender os interesses de Portugal no reino do Kongo? D. José Neto diria mais tarde (chegou a ser cardeal patriarca português) acerca da da personagem escolhida, António José de Sousa Barroso: “ (…) prudente e inteligente, daria um excelente bispo.”. Embarcou então, em Agosto de 1880, para Angola, o Bispo de Angola e Congo, acompanhado dos missionários, António Barroso, Sebastião José Pereira e Joaquim Folga, assim como o capitão Barreto Mena e o guarda marinha Mota e Sousa.
 
  RM2524 560
 
  Sentado à esquerda o missionário Barroso, à sua direita o missionário José Pereira, e em pé dois filhos e um sobrinho do Rei do Kongo.
 
Quem alguma vez, acompanhou e conviveu com missionários religiosos portugueses, ingleses, suíços, franceses, espanhóis, entre outros, tem consciência de que a esmagadora maioria estava pronta a dedicar-se à causa espiritual, e não só. O que teria levado, (um grupo restrito) para tão longe de suas terras, fazia parte do processo político-religioso que os conduziria, mais tarde, a interferirem também politicamente, aquando do processo das independências das antigas colónias portuguesas (1961/1974).
 
Essa “missão” envolveu e arrastou o processo religioso, deteriorando os ideais morais e éticos de alguns desses “degredados” voluntários
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Devemos ser objectivos, as missões católicas portuguesas em Angola, (as que conheço), não tinham, mas já têm, os recursos materiais e humanos, como por exemplo, têm as missões inglesas, americanas, canadianas, francesas alemãs ou suíças, etc. Diga-se o que se disser, os missionários iam pelo mato fora, como se estivessem a espiar algum crime, iam e continuam a ir, muitos por caridade. Os tempos são outros, as estradas estão feitas (embora agora, parte delas com as pontes destruídas), os novos e cómodos veículos de tracção às quatro rodas existem em todas as missões religiosas. Já não estamos no tempo das “Sandálias do Pescador”, todavia ainda se registam casos isolados de completa abnegação. No que se refere à saúde, o quinino e toda a panóplia de drogas de medicação preventiva, contra febres palustres, diarreias, gripes, tuberculose, varíola, sarna, piolhos, carraças, entre outras doenças, existem nos dispensários da mais modesta das casas dos missionários.
 
Com este olhar podemos ajuizar e respeitar figuras como as dos missionários Weeks, Alfredo Keiling, Grenfell, Bentley, António Barroso, Sebastião José Pereira e Joaquim Folga já citados, para só mencionar meia dúzia de centenas de tantos outros merecedores do nosso respeito. E isto só para o espaço geográfico do reino do Kongo. Nesta lista, deviam estar incluídos os missionários mestiços e negros, mas esses, estavam já física e mentalmente miscigenados e portanto mais preparados, porém, estavam sujeitos a outro tipo de vicissitudes afectas ao seu sincretismo religioso.
 
Não se julgue que eram “lançados” para as missões do interior com conhecimentos que lhes permitisse enfrentar a realidade de uma cultura e mentalidade completamente diferente da sua. Pelo menos é a impressão que nos deixou o missionário Barroso33:
 
“(…) Governava a provincia o exmo. conselheiro Eleutério Dantas, caracter nobre, alma de boa tempera, mas que conhecia tanto do sertão tanto como o sr. Bispo, como eu, e como os meus companheiros. D’aqui uma pessima organização da expedição que devia levar ao rei do Congo os presentes que lhe enviava sua Majestade El-Rei de Portugal (…).”
 
  
 
  Instalações da Missão Católica Banza Kongo, 1896 (foto do acervo do autor)
 
Todavia, algumas informações indiciam que não iam tão às escuras sobre o que os esperava, uma vez que Amadeu Cunha informa, ter sido o missionário Barroso preparado para ir missionar na Índia, encetando mesmo o estudo da língua ‘concani’. Indica-nos também que, embarcaram para Luanda em Agosto de 1880, tendo só iniciado a viagem, na canhoeira Bengo, da marinha real, rumo a Banza Kongo, a 20 de Janeiro de 1881. Este compasso de espera, em Luanda, pode muito bem ter feito parte da adaptação física e da preparação de noções úteis sobre a sua missão. Senão como compreender o seguinte:
 
“ (…) Eu tive de vencer uma grande difficuldade em Luanda para per-suadir que deviamos subir o rio Zaire até o Mussuco ou Noki e que d’este ponto deviamos partir para a velha capital do Congo. Este itinerario tinha sobre o do Ambriz duas vantagens: a primeira era ser mais curto o trajecto a fazer a pé e conhecermos essa região de Noki na margem esquerda do Zaire a S. Salvador; a segunda era evitarmos os povos que tinham sofrido com as nossas últimas campanhas do Bembe, e que de modo algum nos receberiam como bons amigos (…).”
 
Os espaços de tempo que mediavam entre as expedições no terreno e a substituição de novos grupos de expedicionários, quebravam os laços de possíveis de passagem de testemunho o que explica a falta de informações, quando se encetava uma nova expedição. Ninguém sabia nada do que se passava a norte do Ambriz.
 
Os missionários dos finais do século XIX em nada se assemelhavam aos que os tinham antecedido, em séculos anteriores. Já faziam parte das suas equipas e bagagem, técnicos com diferentes aptidões e aparelhos técnico científicos muito eficazes apesar das enormes restrições a que eram sujeitas as expedições portuguesas. Da sua bagagem já fazia parte a técnica do diário de campo. Foi utilizado pelo padre Barroso e também nos relatórios do Residente Faria Leal. Ali registavam, cada um à sua maneira, a base de dados, como por exemplo, os acidentes de terreno mais significativos, os cursos de água, o tipo de vegetação, as culturas de géneros alimentícios, a fecunda arachis hpagaea, ou seja, o nosso amendoim que os kongo conhecem por nguva ou nguba, referindo o missionário que a colheita foi excepcional nos anos de 1879/80. Este cuidado em assinalar dados tão significativos, permite, desde já, avaliar os seus propósitos de colonização efectiva, como por exemplo, o pormenor do registo de António Barroso das principais chuvas ocorridas em 1884. Principiaram a 4 de Setembro e terminaram a 4 de Junho e, em 1885, também começaram curiosamente a 4 de Setembro e terminaram a 14 de Maio, registando-se ainda, no ano de 1886, as primeiras chuvas a 20 de Setembro e as últimas a 21 de Maio seguinte, sabendo-se que esta regularidade se repete todos os anos. Por exemplo, em 1883, o pluviómetro do posto da missão, captou em menos de uma hora 197 milímetros cúbicos de água. As observações meteorológicas registaram também a direcção dos ventos soprando quase constantemente de W. para NW. Nos meses de Julho e Agosto quem vive em S. Salvador necessita de agasalho, chegando as temperaturas aos 10 graus.
 
As transacções do comércio de escravos e do marfim bem como depois, da borracha, tinham sempre de permeio o célebre Linguister frequentemente originário do sub grupo zombo. A esmagadora maioria destes funantes “pré comerciantes do mato” eram os língua dos portugueses). Diz-nos Barroso, nos seus relatórios, que estes chegavam a ficar com cerca de 30% dos lucros, embora tivessem as suas despesas, por exemplo, em espingardas, aguardente e tecidos. As informações de Barroso sobre os célebres línguas (intermediários fundamentais nas relações comerciais) continua:
 
 
 
  Casa rica de Comerciante do Mato, venda de marfim e borracha, 1910
 
“(…) algumas vezes ficam litteralmente depennados pela astucia do linguister, é levado tão longe no Congo, que um qualquer estranho para vender um cabrito ou uma gallinha, chama ou se lhe offerece um d’estes interpretes, o qual tem logo o cuidado de prevenir o europeu, em segredo, da conta que deve fixar para elle “comer”; é textual. (…) Os generos coloniaes que affluem a S. Salvador são o marfim e a borracha, com algum café vindo do Bembe. Os dois artigos primeiro mencionados, sáem da região vizinha do Stanley-pool e mais ainda da região a E., comprehendida entre as bacias do Quango e Cassai, e às vezes de mais longe. Em geral os mexicongos não vão commerciar a estas regiões; os azombo, raça eminentemente traficante, servem-lhes de intermedio. O indigena do Congo em geral, ou compra a borracha aos capos, nas grandes quitandas (mercados) do Zombo, ou entrega as suas fazendas aos Zombo para que lh’as vão permutar ao Pumbo (região da Takula) á Jaka, e outros sertões situados ao N. e NE. Os indigenas d’estas regiões têem pronunciada tendencia para o negocio; é talvez esta a sua feição característica.

A Industria é quasi nula; a agricultura só digna de mulheres. Demais o preto em geral ama as viagens; portanto, a procura de productos favorece as suas tendencias nomadas, que accusam uma épocha recente de fixação territorial (…)”.
 
Paradoxalmente, a segurança que as autoridades portuguesas, belgas e francesas passaram a oferecer, foram factor decisivo para a tal fixação territorial.
 
As feitorias comerciais, pela introdução das quais, o missionário Barroso foi promotor, tiveram, por seu lado, grande importância na fixação das populações, que até aí estavam disseminadas em aglomerações insignificantes. Este factor prende-se com a tendência das linhagens a fragmentarem-se, constituindo novas aldeias, permitindo a emergência de novos chefes que, de imediato, se tornam possuidores de alguns escravos e mulheres, passando a intitular-se mfumu a vata39. Estes dados são particularmente significativos sendo de realçar a forma secular de compra de oleaginosas “a copo”, recentemente (anos 40 a 70 do século XX) passaram-se a utilizar as latas de azeitona de um litro, tendo passado (devido à carestia dos produtos), por entre outras, à lata da Coca-Cola.
 
Um pequeno esclarecimento para a designação de “Companhia Portuguesa” é que em 1881 (data do inicio da estada do missionário Barroso), o reino do Kongo (actual aérea da província do Uije) não era considerada como parte integrante de Angola.
 
 
 
  A casa da Companhia Portuguesa, entregue às missionárias Portuguesas.
 
A sua decisão da fixação de feitorias, em Banza Kongo, permitiu a instalação, em 1882, da Casa de M. Daumas Berout & Cia. de Paris, seguida da de João Luís da Rosa, em 1883, e logo no ano seguinte da forte Companhia de Roterdão, vulgarmente conhecida por Casa Holandesa, que se manteve, em Luanda, até ao final da colonização. Por exemplo, a média anual de permuta do marfim naquela época atingiu seis toneladas e a borracha excedeu as trinta. Estes produtos vinham (como diz acima Barroso, pela mão dos zombo) da região de Stanley Pool e, às vezes, de mais longe, para serem posteriormente reenviados para os portos de embarque em caravanas de 4 a 5.000 carregadores, a quem era pago o valor de 9 000$000 reis em mercadorias. Na Europa, estes produtos atingem valores da ordem dos 50 000$000 reis.
 
 
  Fotografia do percurso Noki, S. Salvador das Irmãs, 1908
 
Quanto à posição social das pessoas (diz Barroso) existiam três classes de pessoas: as livres e de origem livre, a quem se não conhecia ascendente escravo; homens livres, porque compraram a liberdade e, finalmente, os escravos. Dos primeiros, faziam parte as linhagens, seus ascendentes directos, bem como filhos e sobrinhos. Alguns não tinham nada de seu, “ mas não sujavam as mãos,” a não ser para prestar um serviço ao Ntotila. Pouco ou nada faziam de prestimoso pela vida. Seguiam-se-lhe os que receberam
alforria, os chamados burgueses indígenas atingindo postos de relevante importância na guerra.
Também por isso eram abastados, podendo avaliar-se a sua riqueza pela quantidade de escravos e mulheres que detinham. Finalmente, vinha a classe dos escravos que era bem numerosa e, muitas vezes, um indivíduo era escravo em relação a quem o comprou ou herdou e, por sua vez, senhor de outros indivíduos que ele comprou por seu turno. Estes indivíduos entravam na família e as mulheres do seu senhor forneciam-lhe alimentação e, em geral, o escravo também podia casar e, nessa circunstância, era o próprio amo que se incumbia de lhe arranjar companheira, seguindo os filhos a condição da mãe.
 
Uma última palavra para o elemento feminino na educação da mulher indígena. Por mais zelo que o missionário empregue na educação da preta nunca conseguirá o que consegue uma irmã educadora.
 
 
 
  Fotografia, 1908, do acervo do autor, cedida pela família F. Leal

 
Após estas palavras do missionário Barroso, passaram-se vinte anos, a 13 de Julho de 1908 chegaram a S. Salvador as Missionárias de Maria a quem o governo tem subsidiado e que têm tomado a seu cargo a educação de muitas raparigas, algumas das quais já casaram com alunos da missão.
 
Os nomes que tomaram na ordem as seis missionárias são os seguintes: Maria da Visitação, portuguesa, superiora da missão; Maria da Encarnação, portuguesa, professora das alunas; Maria Júlia, portuguesa; Maria das Cinco Chagas, espanhola; Maria Fimbar irlandesa; Maria Sainte Lhecle, francesa. A última faleceu em 24 de Novembro de 1910, de haemoglubinuria anurica. Com excepção da superiora e da irlandesa as outras três eram raparigas novas.
 
Quanto não ganharia o catolicismo se em vez de obrigar homens e mulheres a uma luta improdutiva contra a natureza seguisse o exemplo dos protestantes terminando com o celibato dos padres e com as irmãs professas.
 
Tudo isto e muito mais fazia parte do Presente e do Futuro do qual o padre António Barroso estava incumbido de preservar para dignificar a missão multi secular da igreja católica portuguesa em terras do Kongo.


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