Discurso de Lula da Silva (excerto)

___diegophc

domingo, 29 de novembro de 2009

Gone With the Wind (french) Autant en emporte le vent


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xin1sheng1

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Gone With the Wind, french version. Not as strange as the chinese one though! ;)  
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Enviado por E.B.
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Jenn Grant Live @ 2007 Harvest Jazz and Blues


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FergusBreen
Jenn Grant Live @ 2007 Harvest Jazz and Blues Fredericton New Brunswick   

sábado, 28 de novembro de 2009

Perfect Sense - Roger Waters

Vídeo



This is live from the Edmonton Dark Side of the Moon tour. June 24, 2007.


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1michelemichele1
18 de Maio de 2008


1992 "Amused To Death"
Lyrics:

Part I

The monkey sat on a pile of stones
And stared at the broken bone in his hand
And the stains of a Viennese quartet
Rang out across the land
The monkey looked up at the stars
And thought to himself
Memory is a stranger
History is for fools
And he cleaned his hands
In a pool of holy writing
Turned his back on the garden
And set out for the nearest town
Hold on hold on soldier
When you add it all up
The tears and the marrowbone
There's an ounce of gold
And an ounce of pride in each ledger
And the Germans killed the Jews
And the Jews killed the Arabs
And the Arabs killed the hostages
And that is the news
And is it any wonder
That the monkey's confused
He said Mama Mama
The President's a fool
Why do I have to keep reading
These technical manuals
And the joint chiefs of staff
And the brokers on Wall Street said
Don't make us laugh
You're a smart kid
Time is linear
Memory is a stranger
History is for fools
Man is a tool in the hands
Of the great God Almighty
And they gave him command
Of a nuclear submarine
And sent him back in search of
The Garden of Eden

Part II

Can't you see
It all makes perfect sense
Expressed in dollars and cents,
Pounds, shillings and pence
Can't you see
It all makes perfect sense

Little black soul departs in perfect focus
Hold on soldier
Prime time fodder for the News at Nine
Hold on, hold on soldier
Darling is the child warm in the bed tonight

[Marv Albert:] "Hi everybody I'm Marv Albert
And welcome to our telecast
Coming to you live from Memorial Stadium
It's a beautiful day
And today we expect a sensational matchup
But first our global anthem"

Can't you see
It all makes perfect sense
Expressed in dollars and cents,
Pounds, shillings and pence
Can't you see
It all makes perfect sense

[Marv:] "And here come the players
As I speak to you now, the captain
Has his cross hairs zeroed in on the oil rig
It looks to me like he's going to attack
By the way did you know that a submarine
Captain earns 200,000 dollars a year"
[Edward:]"That's less tax Marv"
[Marv:]"Yeah, less tax
Thank you Edward"
[Edward:]"You're welcome"
[Marv:]"Now back to the game...he fires one...yes
There goes two; both fish are running
The rig is going into a prevent defense
Will they make it? I don't think so"

Can't you see
It all makes perfect sense
Expressed in dollars and cents,
Pounds, shillings and pence
Can't you see
It all makes perfect sense
Can't you see
It all makes perfect sense

trivia about this album (very cool):
http://www.experiencefestival.com/amu...
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A Verdade por Detrás da Grpe Suína (H1N1) ?


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jpagaspar




Médica finlandesa defende teoria

"Não é a gripe suína que é perigosa, são as vacinas"

por DN 23 Outubro 2009

Entre as muitas teorias que têm surgido sobre o novo vírus da gripe A (H1N1), a de Rauni Kilde, ex-directora clínica da província finlandesa da Lapónia, é inédita: defende que a OMS mente nas estatísticas que apresenta e que as “elites” estão concertadas para reduzir a população mundial a dois terços.
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Numa entrevista que circula na Internet há algumas semanas, a médica Rauni Kilde (informações biográficas abaixo), questionada sobre a gripe A, declara que a informação que existe sobre o novo vírus H1N1 é “autêntico lixo”. Kilde é peremptória: “Não é a gripe suína que é perigosa, são as vacinas”.
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Numa entrevista de quase sete minutos, Kilde começa por dizer que a humanidade desconhece os efeitos dos alimentos transgénicos ou da utilização dos telemóveis na saúde, e que tudo se resume a uma estratégia concertada das “elites” para reduzir a população mundial a pelo menos dois terços ou “até em cinco mil milhões” de pessoas.
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"Eliminar a próxima geração" 
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Segundo Rauni Kilde, “por detrás de tudo está a diminuição da população mundial” e o objectivo é “colocar milhões nos bolsos de quem difunde [as vacinas]”.
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A médica fala em Donald Rumsfeld, que foi director da Gilead Sciences, Inc., a empresa detentora da patente do medicamento Tamiflu, e que tem sido apontado como detentor de acções da empresa.
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Kilde acredita que as recomendações para vacinar primeiro grávidas e crianças têm como propósito “eliminar a próxima geração”.
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A médica refere-se ainda à epidemia de uma variante da gripe suína que surgiu na década de 70, nos Estados Unidos da América, que envolveu uma grande campanha de vacinação. Kilde refere que os EUA "deixaram a vacinação após três semanas porque havia muita gente a morrer e com danos neurológicos" e que "se asseguraram de que as pessoas não são compensadas pelos danos sofridos".


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"Campanha de medo" 
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"Os Governos estão a lançar uma propaganda de medo nos 'mass media'. Todos os media dizem que vai ser terrível. É propaganda e as pessoas assustam-se", defende Rauni Kilde, sustentando ainda que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estará a obrigar as pessoas a serem vacinadas "à força" e que a organização só terá activado o alerta de uma pandemia de nível seis para esse efeito. "Vê-se em qualquer país do mundo: as pessoas não estão doentes", declarou.
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Rauni Kilde acredita ainda que a OMS divulga números "falsos" e que quem sai beneficiado desta "estratégia" são as grandes farmacêuticas.
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Plano e recomendações do Ministério da Saúde Português 
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Sem olhar às teorias divulgadas, a OMS continua preocupada em avaliar a evolução do vírus e, em Portugal, a primeira fase de vacinação contra a gripe A começa segunda-feira com 54 mil doses disponíveis. As doses serão administradas a um número restrito de pessoas dentro do grupo A de vacinação contra a gripe, o primeiro de três identificados pelas autoridades.
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Nesta primeira fase de vacinação são considerados prioritários os profissionais de saúde, grávidas nos segundo e terceiro trimestres de gestação com patologia associada e titulares de órgãos de soberania e profissionais que desempenhem funções consideradas essenciais para o funcionamento do país.
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As vacinas, explicou a ministra da Saúde Ana Jorge, vão chegar a Portugal quinzenalmente e estas primeiras 54 mil doses serão distribuídas pelas cinco regiões de saúde, sendo esperado que até chegar um novo lote de vacinas estas estejam já todas ministradas.
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O Ministério da Saúde e a Direcção-Geral da Saúde definiram que estes grupos-alvo de vacinação correspondem a 30 por cento da população.
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Segundo a ministra, as estimativas apontam para vacinação de 360 mil pessoas no grupo A, um milhão no B e os restantes no C, até perfazer três milhões. A vacinação de todo o grupo A há deverá demorar mais de um mês.
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Portugal adquiriu seis milhões de doses de vacina contra a gripe A (H1N1) para a vacinação de três milhões de pessoas.
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Cada pessoa deverá levar duas doses da vacina, sendo a segunda administrada com um intervalo mínimo de três semanas.
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Em relação aos órgãos de soberania, Ana Jorge não especificou quem é considerado imprescindível, mas já no que respeita aos profissionais de saúde a ministra referiu que podem ser, por exemplo, os profissionais dos cuidados intensivos, os que desenvolvem uma técnica única que mais ninguém faz, assim como os que garantem o funcionamento da Linha Saúde 24.
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Quem é Rauni Kilde?
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Nascida em 1939, na Finlândia, Rauni-Leena Luukanen-Kilde formou-se em medicina. Figura controversa, foi directora clínica da região finlandesa da Lapónia e retirou-se em 1986, depois de um acidente de automóvel em que diz ter sido raptada por extraterrestres. Desde então, tem escrito vários livros e artigos sobre OVNIS, como “Os meus cem encontros com extraterrestres” e vive na Noruega.
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A UFO-Norway (associação norueguesa para estudo dos OVNIS) fez um comunicado, disponível na Internet, em que se demarca totalmente da visão de Kilde sobre os Objectos Voadores Não Identificados e a acusa de assumir uma postura de “desinformação” face ao fenómeno.
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Uma das suas teorias mais polémicas é a de que a circulação sanguínea nos extraterrestres ocorre de forma horizontal; Kilde também defende que os Estados Unidos têm um programa de implantação de microchips em recém-nascidos para controlo cognitivo das mentes dos cidadãos.
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Olhares, por Moranguinho Pereira

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Distribuído por Moranguino Pereira (hi5)
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Marechal Costa Gomes, no Centro da Tempestade, de Luis Nuno Rodrigues

abril 15, 2008

Apresentação do livro 'Marechal Costa Gomes'


O livro 'Marechal Costa Gomes' - No Centro da Tempestade, de Luís Nuno Rodrigues, da «Esfera dos Livros» será apresentado pelo Dr. Jorge Sampaio, na próxima sexta-feira, às 18:30 horas, no Fórum da Associação 25 de Abril, na Rua da Misericórdia, 95, em Lisboa.
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Colecção: História Biográfica
P.V.P: 27 €
Preço S / IVA: 25,71 €
Páginas: 408 + 24 extratextos
Formato: 16 X 23,5
Encadernação: Cartonado
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SINOPSE
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Geriu uma revolução sem nunca ser um revolucionário. Foi hábil na política sem ser um político. Foi um militar que nunca deixou de pensar como um civil. Exerceu altos cargos nos regimes de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano, mas por duas vezes foi demitido pelos chefes do governo. Foi dos primeiros militares a reconhecer a impossibilidade de uma solução exclusivamente militar em África mas, também, o general que maior número de tropas comandou em Moçambique e Angola. Estas e muitas outras aparentes contradições marcaram o percurso político e militar de Francisco Costa Gomes. Um homem que esteve sempre no centro das tempestades que atravessou ao longo da sua vida. Um jogador frio e calculista ou uma personalidade indecisa e flutuante?
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Na biografia Marechal Costa Gomes - No Centro da Tempestade, ficamos a conhecer o jovem aluno do Colégio Militar, o militar preferido nas estruturas da NATO, aquele que Marcelo Caetano escolheu para chefiar as Forças Armadas e que os capitães de Abril escolheram para líder do novo regime. O homem que substituiu António de Spínola na cadeira da presidência e que nos meses seguintes serviu como verdadeiro centro de moderação e de mediação entre as diversas forças que disputaram o controlo político e militar do país.
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BIOGRAFIA
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Luís Nuno Rodrigues é Doutor em História Americana pela Universidade do Wisconsin (EUA) e em História Moderna e Contemporânea pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Actualmente é Professor Auxiliar com Agregação no Departamento de História do ISCTE.
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. O autor traça o retrato desta personalidade controversa e enigmática da História Portuguesa Contemporânea.
. Costa Gomes desempenhou um papel fulcral nos anos finais da Ditadura e no chamado Processo Revolucionário em Curso, ou PREC, que se seguiu ao 25 de Abril.
. O homem que, numa conjuntura altamente delicada, conseguiu evitar o perigo da guerra civil e contribuiu para a instauração de um regime democrático em Portugal.
. Costa Gomes substituiu António de Spínola na Presidência da República.
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. Da mesma colecção: 25 de Abril - Mitos de uma Revolução.
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Publicado por dizerbem em abril 15, 2008 04:08 PM
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Costa Gomes - o Marechal Bicéfalo, por António Barreto

http://www.enciclopedia.com.pt/images/fabiE3o2.jpg
Costa Gomes e Vasco Gonçalves

Marechal Costa Gomes
Criado terça-feira, 31 de Julho de 2001
Última actualização sábado, 5 de Maio de 2001


O Marechal Bicéfalo
Por António Barreto
01.08.2001 - Público

São muitos os portugueses que lhe atribuem um feito raro: salvou a democracia portuguesa num dos seus momentos mais difíceis. Na madrugada de 11 para 12 de Março de 1975, quando uma assembleia do Movimento das Forças Armadas (MFA) toma decisões cruciais para a prossecução da revolução (demissão de numerosos oficiais ditos "golpistas", substituição de comandos militares, extinção dos conselhos de armas dominados por oficiais moderados, criação de um tribunal revolucionário que nunca chegará a funcionar, institucionalização do MFA, criação do Conselho da Revolução, preparação da nacionalização da banca, dos seguros e de outros sectores e empresas, etc.), o então Presidente da República e da Junta de Salvação Nacional, General Costa Gomes, consegue, no meio do enorme cansaço dos presentes, fazer aprovar uma resolução garantindo a realização das eleições para a Assembleia Constituinte. Estas, previamente marcadas para Março, são adiadas para Abril. A 25, nem mais.
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Por outras palavras, no preciso momento em que, apoiados pela maior parte dos partidos de esquerda que, na rua, mostravam os seus entusiasmos, os militares revolucionários davam o maior passo na conquista do poder, Costa Gomes aprovava a decisão que iria pôr em causa a revolução e que, a prazo, lhe poria termo. Nunca saberemos exactamente o que lhe ia na cabeça: com as eleições, pretendia ele garantir a democracia para mais tarde? Ou forjar desde logo o instrumento que iria liquidar a revolução? Ou, finalmente, tentar juntar democracia e revolução? De qualquer modo, o resultado conta. E são muitos os testemunhos que confirmam o facto e sublinham o papel pessoal do Presidente. Creio que lhe ficámos a dever isso. Não é pouco.

Mas o episódio tem que se lhe diga. Em certo sentido, é a síntese do seu comportamento e, talvez, do seu carácter. Costa Gomes viveu entre dois mundos: o militar e o político; a guerra e a ciência; a esquerda e a direita; o socialismo e a democracia; a revolução e o Estado de direito; as "conquistas" e a legalidade; a discrição e a ribalta. Foi, aliás, Presidente da República, no momento em que Portugal vivia plenamente um período de dualidade de poder. Ele próprio personificava essa dualidade. Em Agosto de 1975, por exemplo, no momento em que dava posse ao mais esquerdista de todos os governos que o país conheceu (o famoso V.º Governo de Vasco Gonçalves, dos militares esquerdistas e do PCP), não se coibia de dizer aos empossados que lhes agradecia o sacrifício, tanto mais que era por pouco tempo, não mais do que uma breve transição. E preparava-se assim para dar posse ao VIº Governo, o de Pinheiro de Azevedo, que irá, com o Grupo dos Nove, os militares moderados, o PS e o PPD, presidir ao 25 de Novembro e ao início da contra-revolução.
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A História deu-lhe uma alcunha, "O Rolha". O entendimento era simples: boiava sempre. Qualquer que fosse o problema, a crise ou a solução, ele encontrar-se-ia sempre à tona. Como que levado pelas circunstâncias e regido pelo oportunismo. Não creio que a alcunha lhe faça justiça. Costa Gomes colocou-se sempre na charneira das forças opostas, mas com uma ideia sua, com uma vontade de levar a cabo o seu plano. O facto de o plano não ser previamente conhecido pelo público não altera o essencial, apenas sublinha o seu carácter misterioso. A circunstância de ele não ser um "combatente de primeira linha", mas começar por ser o segundo ou ficar à espera que o viessem buscar, não chega para fazer dele um homem passivo, só reforça a prudência com que agia. E o caso de, no seu plano, pretender frequentemente objectivos opostos e ter quase sempre desígnios incompatíveis, também não faz dele um passivo influenciável, mas tão só um ser contraditório.
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Fez o seu curso militar, mas ao mesmo tempo completou, dizem que com brilho, a licenciatura em matemática. É considerado por muitos oficiais como o principal estratega militar da segunda metade do século XX português, mas será como político que ficará na história. Autor do plano de desmilitarização de Goa, na perspectiva de salvar os soldados portugueses e de estimular a agressão indiana que daria, pensava Salazar, a razão a Portugal, demonstrou, em Moçambique, qualidades excepcionais de comando militar. Partidário, desde o início dos anos sessenta, de uma solução política para a questão colonial, tem lugar de honra no quadro dos comandantes militares que mais êxitos teve na guerra colonial. Foi um dos principais responsáveis pelo domínio militar que os portugueses conseguiram obter, em Angola, sobre os movimentos de independência, mas virá a ser o principal signatário da independência daquela colónia. Reduziu o MPLA à quase insignificância militar, mas concedeu-lhe mais tarde um estatuto privilegiado. Entendeu-se, ainda durante a guerra, com a UNITA, que empurrava contra os outros movimentos, mas, de vez em quando, dava às tropas de Savimbi autênticas tareias.
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Formou-se nas escolas da NATO e foi especialmente condecorado pela polícia política (PIDE), mas acabou na presidência do Conselho Mundial da Paz, criação da União Soviética. Nomeado para o Governo, em 1958, por Salazar, contra ele conspirou três anos depois. Nomeado, em 1972, Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, por Marcelo Caetano, por ele será exonerado em Março de 1974, após ter recusado prestar vassalagem ao Presidente do Conselho em pleno declínio. Aceitou, em Janeiro de 1974, o General António de Spinola como seu Vice-chefe de Estado Maior General, mas foi seu vice-presidente "de facto" na Junta de Salvação Nacional e na República. Em ambos os cargos lhe sucedeu como presidente. Permitiu-lhe, antes da revolução, a publicação do livro "Portugal e o Futuro", na certeza, quem sabe, de que seria a faísca necessária para pegar fogo ao regime e levar Caetano ao desespero. Não escreveu o livro, mas deixou escrevê-lo.
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Era o General favorito de muitos oficiais do MFA, mas, na noite do 25 de Abril, ficará em segundo lugar, atrás de Spinola, nunca se saberá se resignado, se à espera que a revolução liquide o seu primeiro filho. A 20 de Novembro de 1975, pouco tempo depois de ter demitido o governo revolucionário e dado posse ao governo moderado de "aliança nacional", recebe em Belém milhares de manifestantes revolucionários, a quem declara: "...em Portugal não haverá jamais uma social-democracia"! Poucos dias depois, a fim de evitar qualquer hipótese de guerra civil, tudo faz para neutralizar as unidades militares esquerdistas, o que consegue, com a ajuda dos regimentos moderados. É sob os seus auspícios que, em 1975 e 1976, o MFA assina dois "Pactos" com os partidos políticos: o primeiro, a 11 de Abril de 1975, consagra funções excepcionais para o MFA e um lugar preponderante dos militares no futuro regime político, assim como define limites drásticos à liberdade dos futuros constituintes; o segundo, em Fevereiro de 1976, mau grado manter um Conselho da Revolução, é um recuo notabilíssimo relativamente ao anterior e garante uma significativa autonomia do poder político civil.
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Figura no elenco dos Chefes de Estado portugueses, mas não na folha dos Presidentes eleitos. Serviu, como poucos, o Estado, mas acabou sempre por contrariar os poderes estabelecidos. Quis garantir, em simultâneo, a legalidade constitucional e a legitimidade revolucionária. Tentou viver, ao mesmo tempo, a ordem e a revolta.

Paz às suas almas.
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VASCO GONÇALVES — O general do povo que fez história


por Miguel Urbano Rodrigues

«Vasco Gonçalves — um general na Revolução» [1] . O título é enganador, não transmite a dimensão e o significado da obra. Nem isso era possível.

Esta entrevista-livro não cabe nos moldes tradicionais. É muito mais do que um depoimento sobre a Revolução de Abril, diferente de tudo o que no género foi publicado.

Vasco Gonçalves tinha 52 anos quando a Revolução irrompeu. Por ela havia esperado, para ela se havia preparado. Foi a maior alegria da sua vida «participar no 25 de Abril e viver aqueles momentos como primeiro ministro». Assim se expressa.

Fica transparente que não havia um átomo de ambição nesse sentimento de plenitude, de realização pessoal. «Estava a levar à pratica ideias — recorda — que abracei ao longo de toda a minha vida». Mas a felicidade que subia nele naqueles dias não nascia da fome de poder. Vasco Gonçalves é, como homem, a antítese do dirigente predestinado.

«Quando aderi ao Movimento dos Oficiais —revela— acreditei que poderia vir a desempenhar um papel destacado». Não havia vaidade nessa convicção. Ela nascia do seu sentido da responsabilidade, da sua aversão ao fascismo, do conhecimento profundo que tinha do corpo de oficiais do Exercito português e das motivações que estavam na origem da conspiração antifascista em marcha.

O sentido do colectivo, enraizado num patriotismo pouco comum, facilita a compreensão de comportamentos assumidos por este soldado atípico ao longo do traumático processo da revolução, de atitudes muitas vezes mal interpretadas, não obstante elas reflectirem uma coerência exemplar, mesmo quando aparentemente contraditórias.

Não sendo um homem de partido, VG adquiriu muito cedo um conhecimento dos clássicos do marxismo que lhe proporcionou uma compreensão cientifica da historia que, na pratica da vida militar, se traduzia numa consciência da necessidade de «formar homens responsáveis» e num sentimento de solidariedade com o seu povo, vítima com os das colónias, de um sistema monstruoso.

A modéstia dificultou-lhe, entretanto, avaliar plenamente o significado da sua intervenção na historia quando, de repente, o rumo da revolução, após o chamado golpe Palma Carlos, o catapultou para São Bento como Primeiro Ministro.

Somente uma futura geração estará em condições, com o distanciamento temporal, de situar na historia, sem paixão, o papel que o cidadão, o soldado e o estadista cumpriram na Revolução Portuguesa.

Ele, Vasco Gonçalves, evoca com rigor os acontecimentos, faz desfilar as personagens pelo grande cenário do Portugal revolucionário, apresenta o povo como o sujeito da transformação da sociedade, analisa com minúcia de cientista a instituição militar, esboça com nitidez perfis dos seus camaradas de armas. Mas sente enorme dificuldade em se contemplar como o grande protagonista de rupturas que provavelmente não se teriam produzido sem a sua intervenção pessoal.

Não creio que seja o pudor a inibi-lo. Como marxista sabe que avaliar o significado da intervenção do indivíduo na historia envolve um desafio muito complexo. E quando esbarra nele próprio como factor subjectivo e elemento dinamizador da mudança histórica passa ao lado, desiste.

É tocado pela amargura, porque não lhe escapam a mesquinhez, a mediocridade, a ambição, a deslealdade, o medo do povo que, em instantes decisivos, explicam opções que fizeram inflectir o rumo do processo, inviabilizando o avanço da Revolução. Mas na evocação dessas situações o seu sentido do colectivo predomina sempre sobre os aspectos subjectivos e essa consciência do movimento da historia permite que o testemunho dele, como actor do empolgante espectáculo revolucionário, adquira uma singular grandeza .

Evidencias que para milhões de portugueses não o eram assumem grande significado quando as ilumina. Um exemplo: recordar que «o MFA não era um movimento revolucionário (...) não tinha ao principio, no seu horizonte, uma revolução social».

Foi a irrupção torrencial das massas, tomando as ruas, na própria jornada do 25 de Abril que abriu as portas à aliança Povo-MFA, imprimindo ao processo um rumo inesperado e original.

Spinola, a composição da Junta de Salvação Nacional, o Governo Palma Carlos, a cadeia de acontecimentos que desembocou na farsa da «maioria silenciosa» e na confrontação do 28 de Setembro resultaram de erros iniciais, quase inevitáveis pelas próprias características do MFA. «Como não éramos um movimento revolucionário não conseguimos realizar a transformação necessária da cadeia hierárquica». Vasco Gonçalves lembra que «no próprio 25 de abril o MFA ainda se dirigia ao Tomas como sua Excelência o Presidente da Republica, e ao Marcelo como Sua Excelência o Presidente do Conselho».

As paginas sobre o 28 de Setembro, o 11 de Março e o 25 de Novembro contribuem para iluminar situações menos conhecidas daquelas jornadas através da reflexão, sempre serena, de alguém que se encontrava numa posição excepcional para avaliar o que em cada uma delas estava em causa.

Vasco Gonçalves, pelo seu culto do eticismo, não recorre a meias palavras quando a entrevistadora o interroga sobre homens cuja participação nos anos 74 e 75 deixou marcas importantes no processo revolucionário. Dos figurantes nem os nomes cita. Mas não hesita em expressar-se com uma franqueza inabitual sobre civis e militares, revolucionários e contra-revolucionários, que deixaram marcas naqueles anos decisivos. De Sá Carneiro formou uma opinião muito negativa. Define-o como a cabeça pensante da primeira conspiração reaccionária, como o principal conselheiro de Spinola. Exigiu o seu afastamento .

Na série de parágrafos que dedica a Mário Soares esboça um retracto também muito negativo do homem e do político. Evita qualificativos. Sem recorrer quase a adjectivos, projecta dele, pelas atitudes assumidas, pela duplicidade do discurso e pelas contradições na acção, o perfil daquilo que sempre foi: um político ambicioso, sem princípios, nem convicções.

O mesmo homem, recorda, que a 15 de Março, no Barreiro, saudava o 11 de Março como «um dia histórico em que o capitalismo se afundou com a nacionalização da banca privada» — não tardaria a renegar essa posição, já numa postura abertamente reaccionária e de direita. Mário Soares não se limitou a assumir o comando da contra-revolução legislativa; foi um dos inspiradores da recuperação capitalista. Uma semana após as eleições para a Constituinte, o PS, exibindo a arrogância que lhe vinha da vitoria nas urnas, procedeu a uma revisão táctica orientada para a divisão do MFA. Vasco Gonçalves aborda a questão de fundo: «o PS não pretendia acabar com o domínio dos grandes grupos económicos e monopolistas, nem dos latifundiários, não obstante as afirmações revolucionarias radicais que fizera» (pg. 166).

No tocante ao papel que Mário Soares desempenhou logo após o 25 de Abril como ministro dos Negócios Estrangeiros, o general chegou à conclusão de que ele «não deu uma imagem fiel do MFA (...) e, nas suas frequentes viagens ao estrangeiro, aproveitava para desenvolver acções coordenadas com a social democracia internacional, as quais, quanto a mim, nunca eram úteis, no mínimo, à consolidação do processo revolucionário» (pg. 147 e 148 ). Mas que se poderia esperar de um político que, recentemente, enalteceu a contribuição de Frank Carlucci —o ex-director da CIA—. para «a instauração da democracia em Portugal»? (pg. 267).

São breves, mas muito expressivos, os perfis que, Vasco Gonçalves, respondendo a perguntas de Manuela Cruzeiro, esboça de alguns dos mais destacados militares de Abril.

Otelo Saraiva de Carvalho, obviamente muito citado, surge retractado em cinco linhas: «não esteve à altura das responsabilidades que assumira perante o pais. Deu grandes esperanças e estímulos à população e às classes mais desfavorecidas, mas de forma leviana e inconsequente. Infelizmente não tinha a formação política, a lucidez, a firmeza revolucionária e o sentido das responsabilidades que a situação exigia».

Spinola e Costa Gomes são, como era inevitável, alvo de atenção muito especial.

Não é somente na opinião que formou sobre ambos como homens que o ex-primeiro ministro consegue dizer coisas que para o leitor têm o sabor do inédito. A admiração que sentia por Costa Gomes como militar é reiterada com insistência em diferentes capítulos.

Comparando os dois futuros marechais, afirma: «do ponto de vista militar, eu penso que a ideia geral era que Costa Gomes era um homem mais competente que Spinola, e não tenho quaisquer duvida a esse respeito. E a uma grande distancia, a uma grande distancia».

A ideia que tinha de Spinola, mesmo como político — para alem da falta de caracter — nunca foi favorável. Vasco Gonçalves é categórico: Costa Gomes «demonstrou uma inteligência política incomparavelmente superior à de Spínola».

São hoje do domínio publico divergências profundas que surgiram, a partir do IV Governo Provisório, entre o general, como Primeiro Ministro e membro do Conselho da Revolução, e o Presidente da Republica. Mas elas não afectaram minimamente nem a admiração profissional nem o respeito humano que Vasco Gonçalves mantinha por quem, sobretudo nos últimos anos, sobre ele emitiu juízos levianos e até irresponsáveis.

Esse sentido da ética está, aliás, omnipresente nas atitudes que general assumiu sempre no seu relacionamento com os seus camaradas do MFA no período revolucionário e, posteriormente, quando, a muitos anos de distancia, foi chamado a pronunciar-se sobre acontecimentos cujo dramatismo reflectiu a ruptura da unidade do movimento que tornara possível o 25 de Abril.

Esse eticismo transparece —é apenas um exemplo— de uma maneira límpida, quase comovedora, nas páginas em que o reconstruir da memória histórica coloca no primeiro plano o nome de Melo Antunes.

Vasco Gonçalves reagiu como soldado ao que considerou uma deslealdade dos camaradas que nos bastidores desenvolveram movimentações de caracter conspirativo que desembocaram no chamado Documento dos Nove. Foi uma daquelas feridas cujas sequelas o acompanharam pela vida adiante. Não é de rancores; mas não esqueceu. E, contudo, nas opiniões que, já no século XXI, emite sobre o major Melo Antunes, precisamente o camarada do MFA que mais admiração lhe inspirava, não há qualquer vestígio de animosidade pessoal, quando fala sobre o companheiro desaparecido. Pelo contrário.

«O Melo Antunes — sublinha no seu depoimento — era, sem dúvida entre os meus camaradas o militar com maiores conhecimentos políticos, mais leituras, mais reflexão».

Instado a pronunciar-se sobre a actuação dele antes e após o 25 de Novembro, Vasco põe a nota na coerência .

«Ele não mudou de ideias ou de posição, no fundamental, entre o 25 de abril e o 25 de Novembro. Era um homem sinceramente de esquerda (à esquerda do PS), era um patriota, um anticolonialista convicto»(...)

Claro que olhares diferentes sobre a história e ideias de Revolução também diferentes teriam, na lógica do processo, de os distanciar.

«Melo Antunes — esclarece — pretendia caminhar como que por uma terceira via, mas a experiência tem demonstrado que essa via é o caminho da social democracia para a direita».

No projecto de que o Documento dos Nove foi uma ruidosa espoleta, Vasco Gonçalves identifica a utopia de muitos portugueses apegados ao mito das instituições formalmente democráticas, que temiam o aprofundamento da Revolução. Talvez nenhum outro tenha sido tão representativo dessa corrente como Melo Antunes. Vasco Gonçalves não esquece aliás, o papel que ele desempenhou na contenção da ofensiva da direita logo após o 25 de Abril. Nem sequer era anticomunista, «era, mais propriamente anti-soviético».

Tenho consciência da extrema dificuldade de transmitir aos leitores uma ideia, mesmo imprecisa, da importância deste livro. A temática, alias, é tão vasta que a tentativa de a resumir não ajudaria a uma compreensão do que nele há de mais valioso.

Mas uma certeza me fica: ninguém como Vasco Gonçalves conseguiu ate hoje descer tão fundo na análise do comportamento e das motivações da parcela do corpo de oficiais das Forças Armadas cuja rejeição da guerra colonial levou à formação do MFA — o estranhíssimo movimento heterogéneo que organizou o golpe militar do 25 de abril — um movimento onde havia muitos revolucionários mas que não era revolucionário.

O renascer do debate ideológico no contexto da crise de civilização que a humanidade atravessa confere paradoxalmente actualidade a problemas tratados num depoimento sobre a intervenção na historia de um general português. Isso porque a Revolução Portuguesa foi um fascinante laboratório ideológico cujo significado transcende as gerações que a viveram.

Vasco Gonçalves não foi nela um participante neutro. Primeiro Ministro de cinco Governos Provisórios, interveio como revolucionário. Assim se assume. É nessa condição que fala sobre os Partidos, a aliança Povo-MFA, a institucionalização do Movimento, o debate gerado pela unicidade sindical, a questão da vanguarda. Transcorridas quase três décadas, poderá, sobretudo a políticos responsáveis pelo desastre que é o Portugal de hoje, parecer absurda a insistência, quase dolorosa, com que Vasco Gonçalves procura analisar as causas profundas do malogro do sonho revolucionário .

Não penso assim. A transformação do mundo bipolar em unipolar, hegemonizado pelo Novo Imperialismo estadunidense, traz-nos a certeza de que a Revolução Portuguesa, admitindo que se houvesse aprofundado rumo ao socialismo, não teria podido sobreviver. Não é de excluir que o desfecho fosse um banho de sangue, porque a nova correlação de forças faria da contra-revolução uma exigência.

Mas a História não se desenvolve às avessas, como se o passado pudesse ser determinado a partir do futuro. A inviabilidade da Revolução Portuguesa numa Europa da qual a URSS desapareceu não pode servir de justificação política à contra-revolução.

Para quantos se situam na perspectiva de Vasco Gonçalves — entre eles me incluo — a Revolução Portuguesa foi uma revolução assassinada. Assim a devemos tentar compreender, contemplada deste início do século XXI, quando alguns dos principais responsáveis civis pela contra-revolução, pequenos políticos caricaturais, se pavoneiam pelo mundo mascarados de campeões da democracia.

No inverno da vida, Vasco Gonçalves está consciente de que «as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA» (pg. 184).

O projecto revolucionário, como o concebera, não se concretizou. Mas não há calúnia nem agressão à história que possa apagar o significado da participação decisiva na Revolução de Vasco Gonçalves, cidadão, soldado e patriota. Ele foi com Álvaro Cunhal um dos grandes portugueses do século XX.

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[1] Vasco Gonçalves — um General na Revolução, Entrevista de Maria Manuela Cruzeiro, 305 pgs. Editorial Notícias, Lisboa, Outubro de 2002. ISBN: 972-46-1385-2

resistir.info publicou os capítulos A interferência estrangeira na Revolução Portuguesa e A eterna questão das vanguardas .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info 

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Budd Schulberg -(1914 - 2010)


Morreu argumentista de Há Lodo no Cais

TSF - 06 AGO 09 às 06:36

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O argumentista de Há Lodo no Cais faleceu na quarta-feira à noite aos 95 anos. Budd Schulberg venceu o Óscar de Melhor Argumento, um dos oito atribuídos a esta pelicula considerada a melhor do ano e protagonizada por Marlon Brando.



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O argumentista responsável pelo filme Há Lodo no Cais faleceu, na quarta-feira à noite, em Nova Iorque, aos 95 anos, anunciou a sua mulher, em declarações ao New York Times.
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Segundo Betsy Schulberg, Budd Schulberg foi transportado de emergência para o hospital, onde os médicos não conseguiram impedir a morte de Budd Schulberg.
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O vencedor Óscar de Melhor Argumento com Há Lodo no Cais, considerado então o melhor filme do ano, nasceu em Nova Iorque em 1914 e começou a fazer sucesso nos anos 40 com livros como What Makes Sammy Run.
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O homem que criou a personagem do estivador Terry Malloy, interpretada por Marlon Brando, nome grande mas polémico dos bastidores de Hollywood cresceu entre a elite do Meca do cinema.
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Os cenários e estúdos da Paramount, da qual o seu pai chegou a ser chefe, e da MGM eram os locais onde costumava brincar, o que o levou a conhecer de perto "estrelas" como Gary Cooper e Cary Grant.
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Serviu na Marinha na II Guerra Mundial onde trabalhou no departamento de documentário ao lado do realizador John Ford, tendo estado depois envolvido na recolha de provas para o Julgamentos de Nuremberga.
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Membro do Partido Comunista entre 1936 e 1939, Schulberg denunciou 17 camaradas da Sétima Arte perante o Comité da Caça às Bruxas.
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O argumentista nunca negou que a história de Há Lodo no Cais tivesse relacionada com as audiências da Caça às Bruxas, contudo, na sua autobiografia, sublinhou que o filme nunca significou um pedido de desculpas.
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Este filme de 1954, sobre a corrupção no cais de Nova Jérsia, venceu oito estatuetas douradas, uma das quais ganha por Marlon Brando.
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Em 2006, Schulberg disse que gostaria de ser recordado como alguém que usava as capacidades que tinha como escritor para dizer o que devia ser dito sobre a sociedade, mas sempre a pensar no entretenimento.

HÁ LODO EM KAZAN

On the Waterfront  
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A CAÇA ÀS BRUXAS (4)


HÁ LODO EM KAZAN


Há os que traem porque não conseguiram resistir - mas continuam do mesmo lado da barricada e prosseguem a luta.
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Há os que traem porque não conseguiram resistir - e se vendem e passam, com armas e bagagens, para o outro lado da barricada.

Elia Kazan foi um dos vendidos - e talvez o mais degradado de todos eles.
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Era membro do PC dos EUA. Denunciou à Comissão dezenas de camaradas e amigos seus - os quais foram presos e viram as suas carreiras arruinadas e as suas vidas destruídas.
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Até ao fim da vida, Kazan não apenas não tinha lamentado o que fez, como se mostrava satisfeito com o que tinha feito.

No plano profissional, ao contrário de Dmytryk - que se transformou num realizador vulgar - Kazan continuou a exibir o seu talento em filmes de grande qualidade.
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Mas, naturalmente, também com orçamentos à medida dos seus desejos...
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Registe-se, no entanto, que as vantagens financeiras que a traição proporcionou a esses vendidos, tinha a ver, também com as suas vidas pessoais e particulares.
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Orson Welles pôs o dedo na ferida quando disse, referindo-se expressamente a Kazan mas falando para todos os vendidos, que «eles venderam as suas consciências a troco da casas com piscina»...

Dis filmes realizados por Kazan após a traição, emerge o célebre Há Lodo no Cais - elogiadíssimo e premiadíssimo.
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Ora a verdade é que, tratando-se de um filme notável em vários aspectos, ele é, também e de facto, uma autêntica apologia da delação - o que não surprende se tivermos em conta que Há Lodo no Cais é fruto do trabalho conjunto de dois delatores: Kazan e o argumentista Bud Schulberg...

Em Setembro passado, aquando da comemoração do 100º aniversário do nascimento de Kazan pela Cinemateca Nacional, alguém comentou assim essa parte da vida de Kazan:
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«Elia Kazan corre o risco de ser lembrado mais pelo seu papel na "caça às bruxas" dos anos 50. Tiremos isso já do caminho: em 1952, acossado pela House Un-American Activities Comittee, ferramenta do senador Joe MacCarthy para tentar extirpar o comunismo da América, Elia Kazan, que havia feito parte do Partido Comunista Americano nos anos 30, denunciou vários colegas que, ao longo dessa década, não mais arranjaram emprego no seu ramo. Imoral? Desprezível? Talvez, mas, por um lado, apenas Kazan sabe as pressões a que esteve sujeito e, por outro lado, tal facto não belisca em nada uma das mais brilhantes e influentes carreiras da época dourada de Hollywood»
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Dispenso-me de comentar em pormenosr esta espécie de manual do bom delator e passo adiante:
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É certo que estamos a falar de um dos mais talentosos realizadores norte-americanos. Mas não é menos certo que estamos igualmente a falar de um indivíduo imoral e desprezível (sem pontos de interrogação...)
E não sou eu, apenas, que o digo: dizem-no muitos homens do cinema norte-americano e mundial e confirma-o... o próprio Kazan - com adiante veremos.
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Em 1996 e 1999, Kazan viu o conjunto da sua obra premiado, respectivamente, com o Urso de Ouro do Festival de Berlim e com o Óscar de Carreira, em Hollywood.
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Na cerimónia de entrega do Óscar - e nos dias que se lhe seguiram - dezenas de actores fizeram ouvir o seu protesto pela atribuição do prémio a tal pessoa. Entre os que protestaram e (ou) vaiaram Kazan, estão Richard Dreyfuss, Nick Nolte, Ed Harris, Ian Mckellen, Rod Steiger, Sean Pen (cujo pai foi uma vítima do maccarthismo).
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Em Berlim, onde se deslocou para receber o tal Urso, Kazan mostrou que «imoral» e «desprezível» são palavras demasiado suaves para qualificar a abjecção que foi o seu comportamento.
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Tendo-lhe sido perguntado o que pensava das práticas da Comissão de MacCarthy, porque denunciara os seus amigos e se estava arrependido do que fizera, Kazan respondeu:
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«Concordei com tudo o que a Comissão fez. Concordei e colaborei com os inquéritos. Estou convencido que as liberdades americanas estiveram ameaçadas por um complot comunista -e entre a consciência e os amigos, escolhi a consciência. Não estou arrependido de nada, não foi um erro».
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Assim afirmou Kazan a sua orgulhosa condição de delator e de herdeiro político e ideológico do fascista, sádico e psicopata MacCarthy.
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Assim confirmou Kazan que, na outra face do grande homemde cinema que é, mora um homenzinho minúsculo, vil, rasteiro, nojento.
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Assim confirmo eu que há lodo em Kazan.
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in Cravo de Abril
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O 25 de Novembro , segundo a Infopedia


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWdbAcuUvQq-w-0Qr9xTyfmDaO5dO8jIHVDWNytljeLze-xBfCE3qJf2NpjYovY7mokyYoxewE7vpcUdfLHVF_66uTzJ_THMwFW49N0wMpzqmN7i_cxlE4ZiqvdbsQRf36JQEgRzmmoUeE/s320/PREC

No Verão de 1975 paira sobre Portugal um clima de tensão latente. A alegria e a festa da Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974 há muito que haviam passado. As greves e manifestações multiplicavam-se; mas, muito mais grave que isso, as relações entre as pessoas complicavam-se. Ser "socialista" (simpatizante do Partido Socialista) era, para largas faixas da população, sinónimo de reaccionário; e até os simpatizantes do Partido Comunista eram denominados, por um pequeno mas aguerrido e activo partido, o MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado), de "sociais-fascistas". No jornal República , símbolo da resistência republicana e socialista, durante quase todo o período do Estado Novo, aos governos de Salazar e de Marcello Caetano - um grupo de trabalhadores da extrema-esquerda expulsa, a 19 de Maio, a Direcção, encabeçada por um antigo e respeitado antifascista, Raul Rêgo. Processos semelhantes se tinham verificado nos jornais O Século e Diário de Notícias (embora nestes jornais a nova redacção seja afecta ao PCP). Até o Expresso , propriedade de Francisco Pinto Balsemão, inseria com regularidade artigos favoráveis ao MRPP; a Direcção da Rádio Renascença (propriedade da Igreja Católica) havia sido expulsa em Maio por um grupo de trabalhadores da própria empresa.
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Todo o Verão de 75 é caracterizado pelos ataques às sedes dos partidos políticos, especialmente do PCP (Partido Comunista Português), que vê várias das suas sedes no Norte do país saqueadas e queimadas. O espectro da divisão do país entre Norte e Sul e entre os Açores (muito ligados, pela emigração, aos Estados Unidos da América) e o continente está presente. A linha de divisão entre o Portugal tradicional e o esquerdista passaria por Rio Maior, onde são organizadas barricadas e cortes da estrada nacional n.º 1 Lisboa-Porto (nesse tempo a auto-estrada Lisboa - Porto ia pouco além de Vila Franca de Xira).
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Os medos dos sectores mais à direita e ao centro da sociedade portuguesa centravam-se nas nacionalizações das principais indústrias, iniciadas a partir do "golpe" falhado de 11 de Março, bem como nas ocupações de edifícios de habitação e de grandes propriedades agrícolas, isto a par de certo clima de anarquia que se vivia, com greves nas quais os trabalhadores de determinada empresa "exigiam", além de reivindicações económicas, a substituição (o "saneamento") dos responsáveis e gerentes da sua empresa, isto a par de manifestações quase diárias; para os sectores da esquerda moderada a questão da "unicidade" sindical (isto é, a defesa, por parte do PCP, de que só deveria existir uma e só uma central sindical), as ocupações dos órgãos de comunicação social, os "saneamentos" de numerosos professores da Universidade e a substituição dos cursos por prelecções políticas, sendo os alunos passados sem exame mas sim por "passagens administrativas", isto sem falar da postura dos movimentos feministas que, numa manifestação no Parque Eduardo VII, deitaram ao lixo tachos, panelas e soutiens - símbolos da antiga forma como eram vistas as mulheres. Especialmente significativo era aquilo que a 5.ª Divisão do Estado-Maior das Forças Armadas defendia no "Boletim Oficial do Movimento das Forças Armadas": "Queremos o socialismo, sim... mas não o da Suécia, da Noruega ou da Holanda... o socialismo que queremos é o da República Democrática Alemã, da Polónia, da Bulgária, da Roménia ..." (sic).
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A nível da sociedade civil, para além das reacções mais ou menos espontâneas, e que se traduziram nos citados assaltos a sedes de partidos políticos (é possível que tenham sido organizados mas não existem elementos concretos para o afirmar), a reacção política propriamente dita foi encabeçada pelo Partido Socialista, sob a orientação de Mário Soares. Esta postura vale-lhe ser expulso da tribuna de honra nas comemorações oficiais, em Lisboa, do Dia do Trabalhador (1.º de Maio). A 10 de Julho o Partido Socialista abandona o Governo (presidido por Vasco Gonçalves, um apoiante das posições do Partido Comunista). A 19 de Julho o Partido Socialista promove uma gigantesca manifestação na Alameda da Fonte Luminosa, a qual prenunciava já a viragem política do regime.
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Diante dessa situação começaram a organizar-se movimentos e facções: um grupo de militares, chefiados pelo major Melo Antunes, e no qual participavam outros nomes da Revolução de Abril, como Vítor Alves, Vasco Lourenço, etc., elaborou um comunicado, o "Documento dos 9" (8 de Agosto), no qual afirmava que a situação tinha de mudar; a posição do primeiro-ministro, coronel Vasco Gonçalves, é posta em causa e este, perdendo o apoio dos representantes do exército na Assembleia do MFA, é obrigado a demitir-se, sendo substituído a 18 de Setembro pelo almirante Pinheiro de Azevedo, de uma linha política muito mais moderada. O Partido Socialista e o Partido Popular Democrático faziam parte, conjuntamente com o Partido Comunista, deste Governo. Pinheiro de Azevedo, entretanto, não tinha força militar para impor as suas ideias, pelo que a agitação continuou. O poder militar, pelo menos em Lisboa, estava nas mãos do COPCON (Comando Operacional do Continente), chefiado pelo então brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho. Em finais de Outubro e princípios de Novembro verificaram-se em Lisboa e no Porto manifestações dos SUV (Soldados Unidos Vencerão), nas quais participaram milhares de soldados rasos fardados.
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Para que se possa avaliar o estado a que a situação tinha chegado refira-se o seguinte: pretendendo o Governo repor a legalidade na Rádio Renascença (que, como vimos havia sido ocupada) e não tendo forças militares em que pudesse confiar, criou em Outubro um grupo especial de 60 homens, a AMI. Mas, não tendo esse grupo poder suficiente para ocupar, e manter a ocupação, da Rádio Renascença, optou por um comportamento "terrorista" - dinamitar a antena emissora dessa Rádio -, o que fez a 7 de Novembro. Entretanto o grupo que dirigia a Rádio Renascença adquiriu novo cristal na Alemanha e poucos dias depois as emissões recomeçavam.
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Aproximava-se assim a hora da verdade: Otelo Saraiva de Carvalho, com o seu reduzido grupo de fiéis, e chefiando o COPCON, sentindo o poder escapar-se-lhe, distribuiu alguns milhares de espingardas metralhadoras G-3 a grupos esquerdistas; a "direita militar", chefiada por Ramalho Eanes e Jaime Neves (comandante do Regimento dos Comandos na Amadora), preparava um contra-golpe.
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O cerco à Assembleia da República, levado a efeito pelos operários da construção civil, em greve, em 12 de Novembro, durante o qual os deputados estiveram impedidos de sair do edifício durante várias horas, acabando por o abandonar entre filas de manifestantes que os apupavam, excepto aos deputados do Partido Comunista, e isto debaixo dos olhos do COPCON - apressou o desfecho.
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Pressionado, o Conselho da Revolução determina a substituição de vários comandantes militares e a dissolução da Base-Escola de Pára-Quedistas de Tancos - da qual os soldados e sargentos haviam expulso todos os oficiais. A reacção das esquerdas militares - ocupação de algumas bases aéreas enquanto o RALIS na Pontinha controlava os acessos a Lisboa - foi fraca. O Regimento de Comandos, seguindo um plano previamente traçado, ataca o Quartel da Pontinha - no qual os soldados haviam feito alguns dias antes (21 de Novembro) juramento de bandeira de punho fechado, em saudação comunista, prometendo defender o socialismo - e o da Polícia Militar, na Calçada da Ajuda.
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Foi de dois o número de mortos (na Polícia Militar). O COPCON, no Alto de Monsanto, era sobrevoado por aviões com intuitos intimidatórios, assim como Setúbal e o Barreiro, tidos como "bastiões" das "esquerdas".
Felizmente, as armas distribuídas aos civis não chegaram a sair dos caixotes e as restantes unidades militares não se movimentaram; um dos mentores do golpe tinha mentalidade claramente democrática (Ramalho Eanes); o presidente da República na altura (general Costa Gomes), embora de simpatias esquerdistas, apoiou politicamente o golpe (mais tarde, em entrevista, viria a afirmar ter evitado várias vezes a guerra civil); o pai ideológico da revolução, o major Melo Antunes, apelou à calma, dizendo que o Partido Comunista era indispensável à democracia; e desta forma a finalização do período revolucionário teve lugar de forma pacífica e não revanchista. Otelo Saraiva de Carvalho viria a ser preso mais tarde juntamente com outros militares, mas essas prisões não viriam a ter carácter de vingança em grande escala.

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Como referenciar este artigo:
O 25 de Novembro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-11-26].
Disponível na www: .
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cante Alentejano e Álvaro Cunhal, em «O Tempo das Cerejas»

25/11/09

Cante Alentejano


Merecida divulgação


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Muitos leitores não conhecerão, mas já está editado há algum tempo um triplo CD com 200 modas de cante alentejano e mais as respectivas letras, num meritória, generosa e esforçada iniciativa da Liga dos Amigos da Mina de S. Domingos, de Sacavém. As encomendas podem ser para feitas liga.mina@netcabo.pt ou para o telemóvel 918801498.

24/11/09

Apresentação hoje em Lisboa


Retratos de Álvaro Cunhal

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Foto do grande Eduardo Gageiro
(também incluida nesta obra)

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Hoje, às 18,30 hs, na Biblioteca Museu República e Resistência (na Rua Alberto de Sousa, n.º 10 A, Zona B do Rego, em Lisboa), António Borges Coelho apresenta a obra Retratos de Álvaro Cunhal, concebida por esse príncipe da edição portuguesa que se chama José Cruz dos Santos, e que reune 48 obras literárias e gráficas evocativas dessa inesquecível figura da resistência antifascista, da conquista e afirmação da liberdade e da democracia e da construção do Portugal de Abril. 
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Edição conjunta da
Afrontamento e da Modo de Ler, 25 E.