Discurso de Lula da Silva (excerto)

___diegophc

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Até sempre camarada Sofia Ferreira

http://3.bp.blogspot.com/_grSyOiusGZQ/ScoRak2IwEI/AAAAAAAADQk/cslBtibI1P4/s400/Sofia_Ferreira_prisioneira_zorate.bmp Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, funeral de Sofia Ferreira

Sexta, 23 Abril 2010
pcp_bandeira.jpgNo funeral de Sofia Ferreira, Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, na sua intervenção afirmou que «num tempo em que se procura branquear o odioso regime fascista, em que alguns procuram reescrever a história e usurpar a memória, Sofia Ferreira foi um exemplo da acção, da luta dos comunistas e do seu Partido antes e depois do 25 de Abril.»

Camaradas e Amigos:

A camarada Sofia Ferreira deixou-nos, porque a morte a obrigou
..
Mas a sua vida, a sua militância revolucionária, o seu exemplo levam a esta sentida homenagem curvando-lhe a nossa bandeira.
.
Sofia Ferreira nascida em Alhandra, terra de inspiração de Soeiro Pereira Gomes bem podia, em criança, ser uma daquelas personagens dos seus livros que fala das crianças que não tiveram tempo de ser meninos.
.
Levada cedo para Lisboa nunca perdeu o contacto com a sua família em particular com as suas irmãs Mercedes e Georgette Ferreira então integradas na organização do Partido em Vila Franca de Xira, hoje aqui presentes e a quem queremos dar um abraço fraternal.

Aderindo ao Partido em 1945, um ano depois com 24 anos, passou á clandestinidade, exercendo tarefas numa tipografia clandestina onde imprimia “O Militante” e outras obras do Partido.
.
Em 1948 assume novas responsabilidades junto do Secretariado do Comité Central.
.
Numa casa clandestina no LUSO é presa pela primeira vez em 1949 conjuntamente com Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro. Apesar dos espancamentos, insultos e um prolongado isolamento durante 6 meses comporta-se com grande coragem perante a polícia tendo sido condenada já em Maio de 1950 a 3 anos de prisão. Após ter sido libertada em Maio de 1953 não tardou a regressar à luta da clandestinidade, desempenhando tarefas de apoio e protecção das casas clandestinas para 2 anos depois integrar a organização local do Porto contactando  e organizando trabalhadores.
.
Eleita para o Comité Central no V Congresso, integra a Organização do Comité Local de Lisboa com uma maior responsabilidade por células do Partido e sectores profissionais e com ligação a camaradas que participavam em movimentos unitários.

É novamente presa pela PIDE, julgada e condenada em tribunal plenário e condenada a 5  anos e seis meses de prisão mais 3 anos de medidas de segurança.
.
Esteve presa nove anos e mais três meses em Caxias passando assim 13 anos da sua vida nas masmorras fascistas.
.
Mas voltou sempre ao combate. Passados poucos meses volta à clandestinidade onde se manteve até Abril de 1974.
.
Com a vitória da revolução assume um destacado papel na luta pela libertação imediata de todos os presos políticos, pela extinção da PIDE e do aparelho repressivo do fascismo, pela liberdade dos partidos, movimentos e associações democráticos.
.
Incansável, assume posteriormente responsabilidades de Direcção nas organizações regionais de Setúbal e da Beira Litoral.
.
Cessando  a sua responsabilidade de membro do Comité Central em 1988, até ao limite da sua vida continuou a trabalhar em tarefas centrais  do partido.

Num tempo em que se procura branquear o odioso regime fascista, em que alguns procuram reescrever a história e usurpar a memória, Sofia Ferreira foi um exemplo da acção, da luta dos comunistas e do seu Partido antes e depois do 25 de Abril.
.
Num tempo de agravamento dos problemas  dos trabalhadores, do povo e do país, duma ofensiva tremenda em que o capitalismo quer aproveitar a sua própria crise para aumentar a exploração e recuperar as parcelas do domínio perdido conquistadas pela luta dos trabalhadores e dos povos, num quadro de uma intensa luta ideológica em que as forças da ideologia dominante pressionam para a aceitação das inevitabilidades, do conformismo, da resignação, da inutilidade da luta, a camarada Sofia Ferreira é um exemplo de que vale a pena lutar, lutar sempre como fizemos no passado, como fazemos agora, como faremos sempre neste Partido, com este Partido.

A camarada Sofia Ferreira morreu! Mas ela terá o retrato e o seu legado no património da nossa memória colectiva ao lado de muitos milhares  comunistas, nessa memória viva que nos anima na militância e na luta de todos os dias nesta caminhada da íngreme mas exaltante que até onde a vista alcança tem na linha do horizonte a construção do socialismo e do comunismo.

____
.

Sofia Ferreira

Por São José Almeida
A sua vida e a luta sobressaem como referências maiores de alguém que conhecia o sentido da justiça e da solidariedade
.


Nota do Secretariado do CC do PCP
Faleceu Sofia Ferreira
Quinta, 22 Abril 2010
sofia_ferreira.jpgÉ com profundo pesar que o PCP informa que faleceu Sofia de Oliveira Ferreira Santo, aos 87 anos. Aderiu ao PCP em 1945, passou à clandestinidade em 1946. Presa pela primeira vez em 1949 com Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro, passou mais de 13 anos nas prisões fascistas. Exercendo diversas responsabilidades, antes e depois do 25 de Abril, integrava  o Grupo de Trabalho do Arquivo Histórico do PCP.

É com profundo pesar que o PCP informa que faleceu Sofia de Oliveira Ferreira Santo, aos 87 anos. Nascida a 1 de Maio de 1922, em Alhandra, Sofia Ferreira era filha de trabalhadores agrícolas, tendo dedicado toda a sua vida ao PCP e à luta pela democracia, a liberdade e o socialismo.

Tendo aderido ao Partido Comunista Português em 1945, Sofia Ferreira passou à clandestinidade em 1946. Exercendo diversas responsabilidades desde esse momento – primeiro na imprensa clandestina, depois em tarefas junto do Secretariado do Comité Central, e mais tarde integrando a Organização Local do Porto onde foi responsável pela organização partidária em empresas têxteis e em serviços da Função Pública –, Sofia Ferreira foi eleita para o Comité Central no V Congresso em 1957, responsabilidade que manteve até 1988.
..

Presa pela primeira vez em 1949 na casa do Luso com Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro, Sofia Ferreira voltaria a conhecer a prisão e a tortura em 1959, tendo passado mais de 13 anos nas prisões fascistas.

Depois de algum tempo na União Soviética, Sofia Ferreira regressa em 1969 à luta clandestina assumindo, primeiro, tarefas na Organização Regional de Setúbal, integrando depois a Direcção Regional de Lisboa tendo  desempenhado várias tarefas de responsabilidade até ao 25 de Abril de 1974.

Assumindo papel importante nas acções reivindicativas pela libertação imediata dos presos políticos, pela extinção da PIDE, pelo fim da censura e pela defesa e consolidação das liberdades democráticas, Sofia Ferreira assumiu no Portugal de Abril tarefas na Direcção das Organizações Regionais de Lisboa, Setúbal e Beira Litoral. Sofia Ferreira integrava desde 1987 o Grupo de Trabalho do Arquivo Histórico do PCP tarefa que desempenhou com a dedicação e  empenho que a acompanhou em todo o seu percurso partidário.

O corpo estará a partir das 17h, de 22 de Abril, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, realizando-se a cremação, dia 23 de Abril, às 17h30, neste cemitério.

Sem comentários: